Após o grande sucesso da estreia de O Diário de Anne Frank, Rachel e todos os seus convidados seguiram para uma comemoração promovida por Isabelle e pelos demais produtores, em uma sala da universidade, que havia sido decorada com bolas e fotos tiradas durante os ensaios. Havia duas mesas com guloseimas e uma onde um barman fazia coquetéis e um dos diretores atacava de DJ. Tudo só não estava perfeito porque as garotas que tinham feito questão de ser inimigas de Rachel estavam presentes.
O comparecimento das quatro era explicado, em parte, pelo fato de uma delas fazer parte do elenco, como substituta de Berry, mas talvez pesasse ainda mais que as outras fossem alunas de produtores e diretores da montagem e gostassem de tentar se garantir nas matérias se fazendo de íntimas dos professores. E, justamente por considerar esse tipo de comportamento patético, a atriz estreante decidiu não se estressar e fingiu nem vê-las, tendo sido Mandy quem falou delas e as fez conhecidas por Santana e Quinn.
A loirinha também preferiu ignorar que elas existiam, mas a morena latina não pensava da mesma forma que suas amigas de infância. Ela precisava dizer algo ou iria ter uma indigestão por engolir as palavras, então apenas ficou esperando o momento certo de se aproximar, sem a amiga por perto para não envolvê-la, e, quando ele surgiu, estufou o peito, levantou o queixo e caminhou com uma elegância invejável em cima de seu salto agulha de dez centímetros.
"Vocês devem ser muito masoquistas pra se incomodarem tanto com o sucesso da Rachel e, mesmo assim, estarem aqui, vendo a minha amiga conseguir o reconhecimento que merece!" Disse, colocando as mãos na cintura. "Ou será que, depois de não terem conseguido derrubá-la de nenhum jeito, vieram fazer um teste pra ver se inveja pura destrói?"
"Só nos seus sonhos que a gente tem inveja daquela coisinha insignificante." Regina assegurou.
"Uma tampinha ridícula!" Disse Gretchen.
"Nem sei como não cai pra frente, sendo tão pequena com um nariz tão grande." Debochou Karen.
"Vocês tem razão. Eu posso ver o quanto você são indiferentes a ela!" Ironizou Santana. "Vocês provavelmente apenas ficaram com tempo demais, ao não serem selecionadas pra nada, e resolveram se ocupar se aproximando dessa pobre infeliz..." Indicou que se referia a Sabine. "...e convencendo a coitada a sabotar a Rachel. Querer dar laxante pra alguém no grande dia da pessoa é realmente uma grande demonstração de indiferença!"
"Eu não sou uma pobre infeliz!" Reclamou Sabine.
"O que você quer, garota?" Questionou Regina.
"Queria apenas olhar de perto pra cara de vocês e ver se eram todas um horror completo. Normalmente quem tem inveja é quem não tem nada e quer as coisas da outra pessoa, mas vocês até que são bonitinhas e, se entraram nessa escola, devem ter algum talento também. Se não ficassem perdendo tempo em querer provar uma superioridade que não existe, e se dedicassem a aproveitar melhor o que o curso oferece, talvez pudessem chegar até num nível próximo ao da Rach."
"Olha aqui, garota!" Regina se irritou e tentou ir na direção dela, mas foi segurada pelas amigas.
"Melhor não, Gina." Karen falou baixinho.
"Vamos embora, meninas. Cair na provocação dela e fazer um escândalo só vai prejudicar a gente, já que somos nós que estudamos aqui." Sabine ponderou.
"E não vale a pena sujar as suas mãos com isso." Gretchen comentou, fazendo careta para Santana, quando elas já se afastavam, puxando sua líder.
"Sério isso?" Riu. "Vocês já tão pra lá de sujas! A sorte de vocês é que pela Rachel ela não machucaria nem um mosquito." Completou, voltado para pertos dos amigos, com um sorriso vitorioso no rosto.
Aos poucos, Santana foi contando para o grupo sobre sua rápida conversa com as quatro garotas e mesmo quem não aprovava esse tipo de confronto, como Quinn, não teve como não se divertir com a falta de saída em que ela deixou as demais. Rachel não teria incentivado a cena também, mas ficou grata por ter uma amiga que tomava as dores dela com tanto entusiasmo, e julgou que o conteúdo da conversa não poderia ter sido melhor.
Além disso, Santana tinha conseguido livrar a festa daquelas presenças tão desagradáveis, e ela pode se divertir finalmente com zero de preocupação, visto que, até então, temia que elas se aproximassem e a insultassem, que fizessem provocações com que já tinha se acostumado, mas não queria ouvir em sua noite de glória. Aproveitou as próximas horas para conversar, rir e dançar com os amigos, tanto de Ohio quanto de Los Angeles.
O melhor da comemoração, no entanto, ainda estava por vir, pois seu namorado havia planejado algo especial para o final da noite. É claro que ele havia levado as tradicionais flores ao camarim, depois da apresentação, e também um urso de pelúcia muito fofo. Porém, quando chegaram ao quarto dele, tendo liberado o dela para as amigas de fora, Finn revelou não ter pensado serem as flores e um único bichinho presentes suficientes para uma noite de estreia.
"Eu tenho uma surpresa pra você, mas antes nós vamos fazer uma brincadeira."
"Brincadeira?" Ela perguntou, maliciosa, passando a mão pelo peito dele.
"Não esse tipo de brincadeira. Esse fica pra depois da surpresa." Riu.
"De que tipo, então?" Questionou, curiosa.
"Eu vou te fazer várias perguntas e você só vai ganhar o que eu comprei, se acertar."
"Eu não acredito em você, babe! O que você faria, se comprou o presente pra mim? Daria para outra por acaso?" Debochou.
"Não. É claro que não daria a ninguém." Concordou. "Mas também não vou te dar hoje, se não ganhar o jogo." Deu de ombros.
"Isso não é justo, Finn! Foi hoje que eu estreei, então é hoje que eu devo ser presenteada!" Ela colocou as mãos na cintura.
"Ok, eu vou quebrar o seu galho, te dando uma vantagem. Eu deixo você pular duas perguntas, se não lembrar a resposta." Negociou.
"Melhorou." Afirmou, dando um selinho nos lábios dele e se jogando na cama.
"Ótimo. Então vamos lá!" Informou, sentando-se de frente para ela. "Quando e onde foi nosso primeiro beijo?"
"Consentido ou roubado?"
"O primeiro de todos."
"Então foi um dos roubados e foi no baile de recepção dos novos alunos."
"E o consentido?"
"Essa pergunta já tava na sua lista?" Questionou, desconfiada, e ele riu. "Foi no mesmo dia, só que dentro de uma cabine estranha de tirar fotografia."
"Você me arrastou pra lá, porque adorou o beijo que eu roubei. Pode confessar." Falou, pretensiosamente, e ela bateu com um travesseiro nele. "Sério... o que você sentiu?"
"Isso não tem resposta certa, ora!" Fingiu indignação, cruzando os braços.
"Eu sei, mas me diz! O que você sentiu?" Pediu, segurando uma das mãos dela.
"Eu senti minhas pernas tremendo, meu coração acelerando. Um arrepio gostoso! Uma vontade de que tudo parasse a nossa volta!" Respondeu, sonhadora.
"Eu ainda sinto tudo isso com você." Assegurou, abandonando o ar zombeteiro.
"Eu também." Disse, se aproximando e o beijando, por alguns segundos.
"Não me distrai. Se eu não fizer as outras perguntas, você não vai ganhar nada." Ameaçou, brincando. "Onde eu te levei no nosso primeiro encontro?"
"Ao teatro e depois pra jantar."
"E no segundo?"
"Babe, como é que VOCÊ se lembra dessas coisas?"
"Eu me lembro porque eu tava muito feliz, a gente se divertiu muito."
"Fui num parque de diversões, o segundo."
"Eu fiquei um pouco assustado com as coisas que você comeu. Meninas normalmente ficam só na saladinha, a não ser que não liguem nada para a aparência. Pelo menos era o que eu achava, até conhecer você. E, pensando bem, acho que continuo só sabendo de você como exceção a essa regra."
"E quando eu escolhi o programa pela primeira vez?" Foi a vez dela de questioná-lo.
"A senhorita compra um presente pra mim e então será a sua vez, ok, espertinha?"
"Você não sabe, não é?" Riu.
"Eu sei e vou responder, só pra te provar, mas não é a sua vez de perguntar, baixinha." Apertou a ponta do nariz dela, implicante. "Você me levou pra comer aquele cachorro-quente no trailer, com mais ingredientes em cima do que qualquer outro cachorro-quente que eu já vi na minha vida! Eu nem achei que ia aguentar e você pediu outro pra você." Riu. "Eu já te disse que você acabou com a alimentação saudável que a minha mãe tinha conseguido me fazer adotar?" Riu.
"Várias vezes." Revirou os olhos, em um gesto de reclamação fingido.
"Me diz: quando eu te dei o Fiyero?"
"Essas suas perguntas são muito óbvias! Foi no Natal do nosso primeiro ano juntos."
"E quando tivemos nossa primeira vez?" Perguntou, acariciando o rosto dela e mordendo o próprio lábio.
"Uma garota não esquece isso, Finn! Foi na noite de Ano Novo do mesmo ano." Sorriu, fazendo também carinho nele.
"Estou satisfeito. Você mostrou que merece o meu coração." Declarou, solene.
"Não acredito que você fez tudo isso e agora vai se declarar, dizendo que meu presente é o seu coração!"
"Não, babe. O meu coração já é seu. Eu vou só te dar coisas pra você se lembrar disso, o tempo todo. Você sabe que eu valorizo as metáforas. Elas são importantes." Afirmou, pegando uma caixa vermelha embaixo da cama e entregando a ela, que a abriu imediatamente.
"Que lindo! Que fofo! Onde você achou uma coisa dessas? Ai, eu ameeeeei!" Ela foi dizendo a cada item que pegava na caixa. Finn tinha reunido nela tudo o que pode comprar em formato de coração e na cor vermelha. Havia chaveiro, pen drive, caixa de bombom, porta joias, nécessaire, almofada, porta retrato, bloco de notas e um par de brincos, entre outras coisas.
"Você vai lembrar a todo tempo, agora, que o meu coração é seu? Que eu te amo demais, Rachel Berry?"
"São ótimos símbolos, eu concordo. Mas bastava que você tivesse me abraçado..." Asseverou, subindo no colo dele e envolvendo seu pescoço com os braços. "...me beijado..." Continuou, beijando-o nos lábios, no rosto, no pescoço, enquanto ele alisava a cintura dela e se entregava às sensações. "...me amado." Completou, olhando nos olhos dele, suplicante.
"E quem disse que isso não faz parte do pacote?" Brincou, segurando-a pela nuca, e lhe deu um beijo capaz de acabar com o fôlego até da melhor das nadadoras.
Os dois passaram a noite em claro, celebrando o sucesso, o amor e o desejo. Foi uma das melhores noites de um dos melhores períodos da vida do casal.
O trem no qual tinham embarcado só ameaçaria sair de seus trilhos no final do semestre seguinte.
