O mundo de Ian era um pequeno quadro de mentiras coloridas.
Cada pincelada é uma ilusão. Cada camada grossa de tinta é a omissão daqueles que não querem lhe mostrar a verdade escura do que pretendem.
Azul.
"Vou voltar pra te buscar, querido." A primeira mancha em formato de cicatriz.
Sua mãe.
Ela mentiu e Ian sabe.
Mesmo que diga que não, ele ainda a espera.
Ocre.
Boris é o grande quadrado no centro de seu quadro.
"Você pode conseguir tudo que quiser se for forte o bastante, garoto."
Ele treina duro pra derrotar o diabo de cabelo arroxeado e nunca mais ser mandado por ninguém.
Em seus sonhos de pedra brilhante, Ian será um dia capitão de seu proprio time e vai massacrar todos os que se puserem em seu caminho.
Só que ninguém diz a ele que nem toda dor se vence com força.
Como os respingos cor de tempestade e os pequenos retoques que ele dá na Wyborg antes de dormir – emoções que nem mesmo seus companheiros de time poderiam distinguir no ordinário colorido infantil – Ian se ilude com o jogo de nuvens no céu esbranquiçado além dos muros da abadia.
Com suas mentiras de cores brilhantes, ele se afoga no proprio quadro.
Notas da autora: Uma crise de ansiedade com estimulo sensorial involuntario e voilá, esse ficlet foi gerado. Acho que preciso de mais uma xicara de chá.
Reviews provam que o fandom não está morto.
Camaleao
