Demorou mas saiu!
Capítulo 21 – Chegou a hora!
"House, é contração de parto. Definitivamente".
"Agora?".
"Sim".
"Ok, não surte!". House falou entrando em pânico. "Alguém me traga toalhas e água quente".
"HOUSE! Você está louco? Vamos para o hospital".
"Mas não é agora?".
"Não agora, agora. Agora em breve. Me leve para um hospital".
"Qual o melhor hospital daqui?". Ele perguntou para os convidados.
"Saint James".
"Oh não! Não gostei do nome". House disse.
"Vamos pra lá e ligue para Dra. Sara".
"E você acha que ela virá até aqui?".
"SIM!".
"Ok".
O que House fez a seguir seria a coisa óbvia que qualquer pai faria: ligou para Wilson.
"OH DEUS!".
"Ligue para Dra. Sara e a obrigue a entrar em um avião agora".
"OK. OK". Wilson estava surtando. "Mas precisa ir de avião?".
"Pode ser lancha, jet ski, o que for... Mas ela precisa chegar aqui em breve".
...
"Só mesmo Lisa para roubar a atenção do casamento. Ela não casa e quer roubar o foco no casamento alheio". Arlene reclamou.
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"Você ligou para Sara?". Cuddy perguntou quando estavam no carro de John e Julia a caminho do hospital.
"Indiretamente". Ele respondeu.
"Explique-se!".
"Eu liguei para Wilson".
Ela arregalou os olhos. "Eu estou tendo um filho seu, não de Wilson".
"Oh Deus, eu espero que sim".
Ela o bateu.
"Ai!".
"Faça o seu papel de pai, afinal, serei eu quem colocarei as tripas pra fora para parir".
"E o que seria o meu papel exatamente?".
John ria.
"Shhh...". Julia pediu para ele se calar. Afinal, ninguém nunca deve se intrometer em uma briga de casal. Exceto se ultrapassar o limite da segurança, óbvio.
"O seu papel é ligar para a minha médica, segurar minha mão e dizer que tudo ficará bem mesmo eu indo para um hospital que não faço ideia de como seja".
"Tudo vai ficar bem". House falou pegando a mão dela.
"Não assim. Agora parece forçado". Ela arrancou a mão dele depressa.
"Ok, querida".
"Querida?".
"Eu estou tentando". House estava mais nervoso do que nunca, suor escorria por sua testa.
"House, só... não sei". De repente uma contração forte começou.
"Lisa, segure firme que estamos chegando". Julia anunciou.
"Boa coisa que Arlene não veio junto". John comentou.
"Se ela viesse eu teria ficado". House falou.
"Puta que pariu!". Cuddy gritou.
John riu.
"Dói tipo... muito?". House perguntou.
"Você não faz ideia".
"Oh, de dor eu entendo".
"Mas nunca sentiu como se alguém tentasse expandir o seu quadril a ponto de deslocá-lo para as suas costas".
"É, bom ponto". Ele respondeu.
"Falta muito tempo?". Cuddy perguntou.
"Para chegarmos ao hospital ou para o grande unicórnio nascer?".
"As duas coisas".
"Não sei a primeira e, imagino que sim para a segunda".
"Chegamos!". Julia anunciou assim que viu o letreito do hospital distância.
Eles estacionaram o carro na área de emergência e logo conseguiram uma cadeira de rodas para Cuddy.
"A médica dela já está vindo de Princeton". Julia explicou.
Ela foi levada para o pré-parto e começou a receber toda a assistência, eles deram toda a atenção, sobretudo depois de descobrirem que ela era reitora de medicina.
"Ok, você é uma fraude". House disse.
"O quê?". Ela perguntou confusa.
"Você disse que queria parto natural, mas aceitou a anestesia".
"Desculpe se eu não vivo nas cavernas. Se é pouco que outro ser humano passe pela minha vagina, não sei o que te satisfaria". Ela respondeu irritada.
"Ok, eu quero deixar claro que estou apenas fazendo uma piada".
"Não faça!".
House arregalou os olhos. As mulheres podiam ser muito assustadoras.
"Todo mundo chegou". Julia entrou dizendo. "Mamãe, nossos tios, tias e primos".
"E o casamento?". Cuddy perguntou.
"Acho que você meio que tirou o foco".
"Oh Deus! Não era minha intenção".
"Pois eu digo que ela planejou cada detalhe...". House disse e lembrou-se do pedido da namorada. "Quer dizer... é melhor eu me calar".
"Por favor, não deixe ninguém entrar aqui". Cuddy pediu.
"Na verdade eu preciso que apenas um acompanhante fique com a senhora". A enfermeira se aproximou.
"Eu posso ficar, se você quiser". Julia disse para House.
Ele franziu a testa. "Desculpe, mas penso que eu, como responsável pelo espermatozoide que fecundou o óvulo, deveria ficar".
"Julia, obrigada. Mas House fica. Ele é o pai e responsável". Ela disse isso de uma maneira nada fofa, House estava sentindo-se incomodado já.
"Tudo bem. Se precisar de alguma coisa eu estarei do lado de fora".
"Fique com John e com os meninos". Cuddy se referia aos filhos da irmã.
"Mazel Tov!".
"Obrigada".
Quando Julia saiu, Cuddy olhou para House e esticou sua mão. House se aproximou e pegou a mão dela.
"Desculpe por ser... rude".
"Ok, eu entendo o que a dor pode fazer com as pessoas".
"Eu estou com medo, receio que algo dê errado... Chegando tão perto".
"Nada de errado vai acontecer". Ele tentou acalmá-la, mas ele também estava desesperado.
"Adiantou muito".
"Não muito. Só alguns dias".
"E se ele não estiver pronto?".
"Ele está pronto. Você sabe que a essa altura era só uma questão de crescer e ganhar peso, mas o peso atual dele já é suficiente".
"Você pensa como médico até nessas horas?".
"Talvez porque eu seja um médico".
"Que bom que um de nós continua lúcido". Ela sorriu e apertou a mão dele. "Desculpe por tantas vezes me esquecer de como é pra você viver com dor".
"Não precisa falar disso agora".
"Mas eu quero".
"Ok".
Logo chegou o medico responsável e se apresentou. Viu que ela ainda estava na metade da dilatação necessária.
"Mais algumas horas".
"Mas está tudo bem?".
"Sim. Você precisa de depilação e de uma lavagem intestinal".
"Ok a parte legal". House falou irônico.
"Vou chamar uma enfermeira".
"Tudo bem".
Quando o médico saiu House se ofereceu para o serviço. "Eu posso fazer".
"Não".
"Por quê?".
"Porque você é meu namorado, não quero que fique com a memória da depilação pré-parto".
"Por quê?".
"Porque você precisa me achar sexy".
"Oh, eu sempre acho você sexy...".
"Não, isso é para as enfermeiras e médicos. Você está aqui como meu namorado e não fará ou verá essas coisas".
"É sério que você pensa que eu posso te achar menos sexy depois disso?".
"Na dúvida...".
"Cuddy...".
"Não, por favor!".
Ele abriu mão de ajudá-la com isso e saiu da sala enquanto a enfermeira fazia o serviço. Também ficou fora durante a lavagem intestinal. Cuddy estava sendo preparada para ter o bebê deles, isso era apavorante demais. E se Anthony não gostasse dele? E se eles tivessem a mesma relação que House teve com o pai? Cuddy tinha grandes expectativas na maternidade, e se ele a desapontasse?
O Fato é que duas horas depois a Dra. Sara chegou.
"Lisa, vamos trazer esse bebê para o mundo?".
"Ele veio antes do previsto".
"Ele tem personalidade, como os pais". Ela disse divertida.
"Isso pode ser um problema?".
"Ele ter personalidade forte? Sim, nossa casa vai se tornar um ambiente difícil. Espero que Rachel seja um contrapeso". House respondeu.
Cuddy sorriu porque ele disse 'nossa casa' sem perceber. Eles nunca falaram a respeito de como seria com o nascimento de Anthony. Eles praticamente moravam juntos, mas ela queria deixar para ter a conversa com ele próximo do parto. Como ela foi tola, agora era obvio que ela estava com medo da conversa que teriam. Além disso, ela pensou que fazer o quarto do bebê muito cedo traria azar, e ela nunca fez... Wilson e todos estranhavam, mas ela disfarçava, mudava de assunto. Arlene disse que o menino dormiria na cozinha, mas ela ignorava. House tentava não contrariá-la e nunca disse nada.
Em um episódio dois meses atrás...
"Você precisa falar com a minha filha, ela está exagerando nessa coisa de medo. O menino nem quarto tem".
"Ela tem dinheiro, Arlene. Se Cuddy quiser chama um decorador e em um dia um quarto de bebê estará pronto".
"Não se pode delegar absolutamente tudo. Babá, decorador. Ela é uma mãe, afinal de contas".
House ficou irritado. "Ainda bem que ela é uma mãe com muito dinheiro então pra pagar pelos melhores".
Arlene não foi a única...
"Vocês já compraram o berço?".
"Não".
"As fraldas?".
"Não".
"Alguma coisa?".
"Cuddy tem algumas roupas azuis. E algumas rosas de Rachel. Ele nem saberá a cor que usa, talvez possa aproveitar as roupas da irmã".
Wilson ficou o encarando.
"O que foi?".
"Anthony não tem nada ainda?".
"Tem o amor incondicional dos pais". House fez uma voz dramática.
"Você precisa falar com Cuddy".
"E você precisa cuidar de seus pacientes que morrem e morrem... Você nem parece um médico".
"Eu trato pacientes com câncer".
"Oh é muito fácil sua vida. Seja um oncologista e terá desculpa para todas as mortes".
"Vai se foder!".
...
De volta aos tempos atuais...
"Não... eu me referia a Anthony nascer antes do previsto". Cuddy corrigiu com o pensamento longe.
"Vamos focar em trazer Anthony, tenho certeza de que ele chegará saudável e sem nenhum problema. Lembre-se de que todos os seus exames e os dele estavam normais". Sara tentou acalmá-la.
"House... Anthony não tem nem onde dormir".
"O colocamos no sofá. Deve ser grande o bastante".
"Estou falando sério. Não compramos nada...".
"Faremos isso quando chegarmos".
"Eu não poderei sair...".
"Internet, baby".
"Você... Você vai ficar conosco?". Ela perguntou com o tom de voz carente.
"A menos que me queira longe".
"Não".
"Você poderá acabar me expulsando... Nunca se sabe".
"Não".
"Ok, então eu ficarei com vocês".
Ela sorriu e estendeu a mão. Ele a segurou.
"Oh, que momento fofo. Merece uma foto". Dra. Sara sacou o celular e tirou uma foto rapidamente. "Pode deixar que eu encaminho para você colocar no álbum do bebê".
De repente o celular de House tocou.
"Wilson...". Ele disse antes de atender. "Entrega de bebês a domicilio".
"Onde vocês estão?".
"No parque".
"Eu estou falando sério".
"Onde mais estaríamos? No hospital".
"Anthony já nasceu?".
"Não. Cuddy ainda está na fase do sofrimento que antecede a coisa toda".
"Como ela está?".
"A anestesia ajuda, mas de tempos em tempos ela uiva como uma leoa".
"Queria ver um bebê passando por sua uretra". Cuddy falou ao fundo.
"A uretra não foi feita para isso. Já a vagina...".
"Ótimo. Então vamos deixar minha vagina só com essa finalidade".
"Não foi o que eu disse...".
Dra. Sara ria e Wilson chamava ao telefone. "Ei, eu estou aqui!".
"Mas Cuddy está aqui do meu lado e está tendo um bebê. A prioridade é ela, até porque eu estou falando sobre a vagina dela... Que é muito mais interessante pra mim do que o seu pênis".
"Ok, eu estou indo pra aí". Wilson avisou antes de desligar.
"Por quê?".
"Meu sobrinho vai nascer".
"Você sabe que tecnicamente ele não é seu sobrinho, não?".
Mas Wilson desligou.
"Wilson surtou". House anunciou. "Ele está com ciúme da sua vagina".
"Quem é Wilson?". Sara perguntou.
"O amante do meu namorado". Cuddy falou em tom irritado com um fundo humorístico.
Sara olhou pra ele.
"Temos um relacionamento aberto".
Cuddy balançou a cabeça. "Wilson é nosso amigo, mas ele e meu namorado têm uma relação estranha as vezes".
"Oh, entendi". Dra. Sara falou.
"Por que estranha?". House questionou.
"Eu tenho mil exemplos, mas, por ora, me limito a essa ligação.
"É... Foi realmente estranha". Dra. Sara falou bem humorada.
De repente uma enfermeira bateu a porta.
"Desculpe incomodar, mas uma senhora está causando um grande transtorno na sala de espera".
"ARLENE!". House e Cuddy falaram ao mesmo tempo.
"Peça pra ela parar ou a expulse do hospital, simples". House recomendou.
"Não! Ela pode ter problemas, mas é minha mãe". Cuddy contestou.
"Ela insiste em vê-la". A enfermeira falou.
"Diga que eu estou bem e em trabalho de parto, quando você tiver mais noticias informe ela" Cuddy recomendou.
"Tão mais fácil expulsá-la". House disse.
"Claro que sim, eu expulsar minha mãe durante meu parto é tão banal. Aliás... E a sua mãe? Você a avisou?".
"Não, mas Wilson deve ter avisado. Ele avisou até o entregador de pizza provavelmente".
"Ela te ligou?".
"Não sei, eu desliguei o celular depois de falar com Wilson".
"Sério? Ligue isso agora! E se alguém precisar falar com você?".
"Quem me importa está nessa sala".
Aquilo foi fofo, muito fofo. Tanto que Dra. Sara e Cuddy suspiraram.
"Obrigada".
"É verdade".
"Eu sei", ela sorriu. "Mesmo assim, ligue o celular".
Ele assim fez e haviam quinze mensagens. Ele arregalou os olhos.
"O que foi?".
"Quinze mensagens".
"De quem?".
"Cameron, Chase, Taub, Foreman, Treze, Kutner mandou um bebê alienígena...". House franziu a testa.
"De quem mais?".
"Wilson, minha mãe e... Arlene".
"O que minha mãe te mandou?".
"É melhor você me dar noticias se não quiser que eu invada essa sala". House leu a mensagem na intergra imitando a voz da sogra.
Cuddy respirou fundo. "Ligue pra ela e me deixe falar, por favor".
"Isso não vai adiantar nada e não te fará bem".
"Só faça isso!".
De repente uma contração muito forme teve inicio. House observou assustado. Ao término Cuddy falou: "Ainda não ligou pra ela?".
"Ok, ok... Eu entendo que é a dor falando...". Ele respondeu enquanto ligava. "Arlene, sua filha quer falar com você". E passou o telefone.
"Mãe, eu estou bem, em trabalho de parto, por favor espere. Ok?".
"Por que eu não posso acompanhar? Eu sou sua mãe".
"Porque só posso ter um acompanhante que é House".
"Antigamente os homens esperavam fora enquanto as mulheres ficavam juntas de acompanhante".
"Antigamente".
"É um absurdo ele ver essa cena toda, ele não vai mais ter atração por você".
"Ok mãe, tchau!".
"É verdade. Ele assistir sua vagina escancarada...".
E Cuddy desligou.
"Foi útil?". House perguntou sarcástico.
"Não".
Ele sorriu, mas não quis dizer nada.
"Qual a mensagem de sua mãe?".
"Wilson me disse, porque você nunca me diz nada. Mas estou indo pra aí".
Cuddy riu.
"Diferente de você, eu nem ligo".
Ela não teve tempo de responder e nova contração forte.
"Não está muito breve esses intervalos?". House perguntou para Sara que a monitorava.
"Sim. Lisa, está na hora de começarmos a empurrar, ok?".
"Já?".
"Já?". House perguntou surpreso. "É mais rápido um elefante dar a luz".
Cuddy não gostou da comparação, mas não disse nada porque outra contração começou.
"Lisa, vamos começar a empurrar. No 3... 1...2...3".
E Cuddy fez uma força descomunal.
"Ótimo, mas menos intensidade e mais continuidade, ok?".
"Vou tentar".
"Novamente. No 3. 1...2...3".
"3...2...1...".
E isso se repetiu algumas vezes.
"Eu estou cansada".
"Já está vindo...".
E novamente... novamente... novamente...
"Oh Deus!".
"Eles romantizam isso em filmes e livros, hein?". House falou tentando trazer algum humor para aquele momento.
"House, cala a boca senão eu vou... Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh...".
"Isso é mais normal do que imagina". Dra. Sara tentava consolar House.
"Tenho a sensação de que até o final disso eu estarei sem pênis".
"Com certeza!". Cuddy respondeu.
"Depois muda completamente...". Dra. Sara tentou animá-lo.
"Duvido!".
"Confie em mim".
"Empurra Lisa! Empurra!".
"Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh".
"Eu estou vendo a cabeça do seu bebê". Dra. Sara tentou animá-la, mas também era verdade.
"Deixa-me ver?". House pediu.
"NUNCA!". Cuddy gritou para o namorado.
"Você fica aqui na parte de cima do corpo dela, papai". A enfermeira falou.
"Mas eu também sou médico e a diversão está acontecendo na parte de baixo".
"Não deixem ele me ver assim". Cuddy pediu.
"Claro que não. Fique aqui e segure a mão da sua mulher".
"Você quer dizer... Deixe-a apertar a sua mão até esmagar?".
"Exatamente". A enfermeira respondeu. "É o mínimo que você pode fazer e, confie em mim, milhões de vezes menos doloroso".
Ele respirou fundo e calou-se.
"Quanto tempo mais?". Cuddy perguntou.
"Só mais um pouco, a cabeça já saiu e está repleta de cabelos escuros".
"Eu estou sentindo isso...". Cuddy falou voltando a fazer força enquanto chorava emocionada.
House sentia-se um inútil. Assistindo a sua namorada sofrendo sem poder fazer absolutamente nada para aliviar o sofrimento. Na verdade, tudo o que ele tentou falar e fazer foi pior.
"Vamos Lisa! Só mais um pouco e você estará com Anthony nos braços". Dra. Sara a incentivava.
"Lembre-me de nunca mais fazer isso". Cuddy falou enquanto empurrava.
House se limitou a assistir. Ele não queria irritá-la e começou a fica apavorado. Por que estava demorando tanto? Ou estaria demorando o tempo habitual só que, como era a mulher dele e o filho dele, parecia uma eternidade?
"Vamos Lisa! Os ombros saíram, só mais um empurrão".
E ela fez toda força que ainda conseguia.
"Isso!". Dra. Sara pegou Anthony. "Bem-vindo ao mundo meu jovem".
House olhava de longe e sentia-se parte de um filme 3D. Aquele era um filho dele? Com 50% de seus genes? Realmente? Logo um choro foi ouvido alto e em bom som.
"Olha só, temos um pulmão forte e saudável aqui".
House sentiu alguém pegar o seu braço. Ele olhou, era Cuddy que estava chorando. "Obrigada por isso".
Era a mesma mulher de minutos atrás?
"Papai, você quer cortar o cordão umbilical?". Dra. Sara chamou-lhe a atenção.
"Sim, claro", ele respondeu por osmose e se aproximou.
O garoto tinha um pouco de sangue pelo corpo, líquidos pré-natais, mas era lindo. Isso ele podia atestar com certeza, o bebê mais lindo que ele já vira. House pegou a tesoura e começou a cortar o cordão que ligava seu filho a placenta. Tudo parecia em slow motion, de repente ele sentiu-se mal, ele iria desmaiar? Como assim? Seria seu fim, pois todos saberiam dessa vergonha maior. Ele se controlou, respirou fundo e tentou pensar em algo mundano, inútil, a tontura começou a tomar conta dele.
"House você está bem?". Sara perguntou.
"Sente-se naquela cadeira". E ela apontou.
"O que você tem?". Cuddy perguntou preocupada, será que ele vira algo errado no filho?".
"Eu não comi bem... minha pressão caiu".
"Você devorou a comida da festa". Cuddy o desmentiu.
"É normal que os papais passem mal". A enfermeira disse. "A mulher que dá a luz e o pai que desmaia".
Elas riram.
"Eu não desmaiei, só baixou minha pressão. Está muito quente aqui". House se defendeu.
"Quente? Com essa sala climatizada?". A enfermeira não perdeu a oportunidade de questioná-lo.
"Deixe-me ver meu filho". Cuddy pediu e a enfermeira levou Anthony até a mãe.
"Oh Deus, ele é lindo!". Foi a primeira coisa que ela disse. E chorou. Chorou muito.
Recuperado, House levantou-se e caminhou até sua família.
"Oh House, olha o que fizemos. Ele é perfeito".
"Claro que ele seria perfeito".
"Me dê sua mão". Cuddy pediu. Ele atendeu a solicitação e ela colocou a mão dele sobre a cabeça do filho e a dela sobre a dele. A enfermeira bateu uma foto.
"Uma cena familiar linda. Eu te mando a foto".
"Por favor!". Cuddy pediu.
Infelizmente o momento familiar precisou ser interrompido porque levaram Anthony para os exames habituais. House foi junto, afinal, ser um médico e ter uma esposa reitora de um hospital vizinho, facilitaram o caminho.
Enquanto estavam cuidando de Cuddy notaram um barulho e a voz que veio do final da sala.
"Onde está meu neto?".
"MÃE?". Cuddy perguntou assustada.
"O que vocês estão fazendo na vagina da minha filha?".
Cuddy corou. "Mãe, saia já daí!".
"A senhora não pode entrar aqui, essa é uma sala de parto e você pode trazer bactérias e vírus". A enfermeira correu para deter a senhora.
"Onde está meu neto?".
"Ele está bem, foi levado para exames habituais com o pai".
"Estava demorando demais...".
"A senhora pode sair, por favor?".
"Oh Deus! Desculpe-me por isso". Cuddy falou muito envergonhada.
"Você não tem culpa nenhuma, aliás, o hospital deveria ter um sistema de segurança melhor". Sara falou.
"Vamos reportar o incidente". A chefe de enfermagem disse.
O fato é que quando House retornou para vê-la, Anthony estava dormindo no berçário e Cuddy muito sonolenta depois de todo o esforço. Mas ela ainda teve tempo para contar o ocorrido.
"Eu nunca vou superar o fato de minha mãe ter visto minha vagina pós-parto".
House queria rir, mas se conteve. "Bom... Talvez nem ela".
"Que situação!".
"Relaxa! Sua mãe não tem nenhuma noção, a culpa é dela".
"Anthony está bem?".
"Ele está ótimo! Ele é grande e forte e está se saindo muito bem".
"Por que ele não está aqui?".
"Porque é normal ele passar algumas horas no berçário. Até para que você descanse".
"Eu estou feliz!".
"Que bom!".
"Dê-me a mão enquanto eu durmo".
Ele atendeu a vontade dela e Cuddy dormiu profundamente. Então ele se desvencilhou e foi dar a noticia aos presentes, apesar da vontade de não sair de perto dela e do filho.
"Finalmente! Como está meu neto?". Arlene perguntou.
"Bem e dormindo. E não ouse pensar em invadir o berçário para sequestrá-lo".
"Você é um idiota!".
"E você é mesmo uma velha louca".
"Você não pode falar nada a respeito disso...".
"Desculpe-me, eu havia saído pra ir ao banheiro e minha mãe...". Júlia justificava.
"Só espero que Cuddy não fique com trauma para sempre".
"Eu que deveria ficar traumatizada depois do que vi".
"Ok... ok...". John tentou mudar de assunto.
"Ei... Nasceu?". Era Wilson que chegava esbaforido.
"Sim!".
"Ele é... saudável?".
"Oh sim, claro que meu filho seria saudável e grande, e forte".
"Já um papai coruja?". Ele abraçou o amigo que ficou muito desconfortável.
"Eu também quero parabenizar o papai". Julia disse e o abraçou também.
"Ok, isso é meio que exagero...".
"Eu me nego a abraça-lo". Arlene disse.
"Graças a Deus!".
"Quero ver o meninão!".
"Em breve, Wilson. Em breve...".
"Você é o papai?". Uma enfermeira veio até ele.
"Sim, aconteceu alguma coisa?". House perguntou preocupado.
"Não, ele só está chorando muito e pensamos que ele se acalmaria com a sua presença".
Ele sinalizou que estava indo e realmente foi rapidamente ver o menino.
"Pode pegá-lo no colo... Fique a vontade". A enfermeira anunciou e House se aproximou.
"Ei... Thony... Eu sou o seu pai". De repente o menino parou de chorar e pareceu atendo ao que ouvia.
"Você reconhece minha voz? O que está acontecendo? Porque tanto choro?". Ele pegou o menino que não chorava mais.
"É, eu sou o seu pai. Aquela voz que você sempre ouvia perto da sua mãe".
O menino olhava atentamente e House teve ímpetos de chorar, mas se conteve.
"Você está seguro comigo. Eu vou fazer tudo o que puder para te proteger. Você, sua mãe e sua irmã Rachel".
"Olha só como ele reconheceu o papai". A enfermeira disse. Notando a emoção de House ela se afastou e os deixou a sós.
"Eu... Não sei se serei um bom pai, mas prometo que vou tentar. Sua mãe será uma grande mãe, disso eu tenho certeza absoluta. Sua mãe é a mulher mais forte que eu conheço, e carinhosa, e amorosa".
O menino continuava o observando.
"Sua avó Arlene é... difícil. Sua avó Blythe é... distante. Mas sua mãe sempre estará lá por você, eu simplesmente sei disso porque ela sempre esteve lá por mim".
Continua...
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