N.A.: Mais um capítulo e quero Reviews, baby!

Boa leitura!


With change comes hatred now time to kill

Malevolence - New Years Day

2

Hermione estava em seu quarto, sentada na frente da janela que dava para a parte de trás da casa. O jardim era pouco florido, apenas uma estufa pequena e alguns vasos de plantas que Remus gostava de cultivar para fazer suas poções. Esticou as costas na cadeira de balanço que gostava de sentar quando precisava pensar. Não era fácil conseguir colocar sua cabeça em ordem quando as pessoas no andar inferior agora estavam gritando, discutindo acaloradamente.

Merlin, aquela Lei mudava muita coisa. Hermione não estava mais tão irritada, sabia que a irritação apenas a deixaria sem razão, e isso ela não admitiria a si mesmo. Não. Ela precisava pensar seriamente. Essa Lei tinha um motivo muito sombrio por detrás, quem a passara para as mãos de Kingsley assinar, tinha intenções de descobrir o paradeiro de cada bruxo e bruxa na cidade, exatamente pelo mesmo fato de que não importasse de qual lado fosse, todos teriam que se apresentar.

As Regras que Severus havia 'encontrado' no Ministério apenas comprovavam que sim, eles estavam dispostos a tudo para controlar a população Bruxa, fosse qual fosse. Mas ainda havia aquela sensação de que, na verdade, eles queriam algumas pessoas em específico controladas.

Observou um garoa bater contra o vidro e agora os gritos na parte de baixo da casa pareciam estar na sala de visitas. Eles estavam discutindo alguma coisa muito importante, talvez até a própria Lei. O que Hermione não queria era ser parte de um discussão como aquelas. Ela já havia tomado sua decisão. Iria trabalhar normalmente hoje e ao final do dia conversaria com Kingsley. O Ministro teria que transformá-la em exceção. Era impossível que ele não pudesse fazer algo por ela.

Levantou-se e seguiu para o banheiro. Tomaria um banho, se arrumaria e iria trabalhar. Ao menos lá, poderia deixar - por algumas horas - esse novo problema no fundo de sua mente.

E em 15 minutos descia as escadas com seu terninho cinza chumbo e saia acima dos joelhos. Os gritos haviam cessado, as pessoas já não estavam na sala de visitas. Quando seus pequenos saltos bateram no último degrau, Hermione viu Sirius sentado na poltrona favorita dele, os olhos observando a lareira sem realmente a vê-la.

Virou seu rosto ao ouvir barulho de passos de salto alto perto de si e colocou o cigarro na boca, os olhos esquadrinhando a figura a seu lado. Analisou a morena. Hermione era uma bela jovem de 19 anos, que ele não queria casar. Em outras épocas ele poderia pensar apenas pelo fato dela estar solteira e ele também, e talvez eles ficassem ótimos juntos balançando alguns móveis. Mas agora ele a via como a garota - mulher - que todos na Ordem queriam que ele casasse para salvar. Observou como o terno dela estava impecável, o cinza chumbo combinando com o clima do dia. Os cabelos presos em um coque firme no alto da cabeça, a pouca maquiagem e os olhos curiosos colados em si.

Tragou mais uma vez e soltou a fumaça, olhando-a firme nos olhos.

-Já sabem o que eles querem fazer? - A questionou e viu que ela cruzava os braços, negando brevemente. -Querem que você se case comigo, assim podemos protegê-la.

Hermione ficou em silêncio, observando Sirius. Ela sabia bem que aquilo era infundado, a Ordem estava dobrando os joelhos para essa Lei e ela queria entender porque ninguém estava tentando contestá-la. Respirou fundo e olhou Sirius, que voltara os olhos cinza para a lareira.

-Eles colocaram uma simples escolha para você e pra mim: ou casamos e somos infelizes e forçados a transar, ou você vai presa e selecionada para algum Death Eater que vai te estu…

-Sirius! - Hermione o impediu que continuar a falar. Sabia quais seriam as consequências de ser selecionada por algum Death Eater, pensara nisso enquanto tomava banho. Porém, aquilo só aconteceria caso Kingsley lhe negasse ser deixada de fora dessa Lei, e Mione acreditava piamente que ele não negaria isso a ela. -Estou indo trabalhar, falarei com Kingsley ainda hoje. Ele terá que me conceder uma licença perante essa Lei.

Sirius apenas tragou novamente o cigarro, quase até o fim, e acenou devagar, sem olhá-la. Hermione virou-se para sair, mas ele voltou a falar quando ela chegou à porta.

-Ele não vai isentar você disso. - Hermione ouviu Sirius dizer isso bem baixo. Pegou o casaco e o colocou. -Ele vai prendê-la e você será selecionada por alguém do outro lado.

A morena sentiu um frio escorrer por sua espinha ao ouvir Sirius dizer aquilo, mas decidiu que não adiantaria ficar a especular. O único que poderia decidir isso agora seria Kingsley. Mas Mione tinha a sensação de que Sirius prevera o momento em que o Ministro não a liberaria de absolutamente nada, inclusive das punições.


Já havia se passado horas e Remus estava andando de um lado para o outro. A péssima notícia chegara no começo da noite para Grimmauld Place, número 12. Hermione Granger não chegara ao Ministério aquela manhã e ainda não tinha sido encontrada em lugar algum. Eles apenas ficaram sabendo disso porque o casaco e a varinha foram encontrados próximos da cabine telefônica que os levava ao Ministério. E então a Ordem estava reunida na cozinha d'A Toca. Todos estavam conversando baixo, mas ele conseguia ouvir cada voz e cada sussurro. Remus estava fervendo de raiva, quem iria sequestrar Hermione em plena luz do dia e ainda por cima deixar vestígios disso?

-Remus. - Harry o chamou e olhou-o. O moreno estava fazendo uma careta estranha. -Você estava rosnando.

-Oh, me desculpe.

Lupin olhou pelo cômodo cheio de pessoas e notou que todas o olhavam. Sentiu o rosto ficar quente e sabia que estava corando. Merlin, já se fazia horas do desaparecimento dela e ninguém tinha pista alguma. Sua calma estava por um fio, não conseguia se controlar. Estava próximo demais da lua cheia e não conseguia refrear o instinto que lhe dizia para sair cheirando os locais e encontrar quem havia levado a garota. E que quando encontrasse, matasse todos.

Balançou a cabeça, seus cabelos mais curtos agora tampavam seus olhos. Sabia ser o lobo lhe dizendo para matar, mas sabia também que caso tivesse que tirar vidas para salvar a de Hermione, ele tiraria sem remorso algum.

-Onde está Sirius?

Molly questionou e viu que todos olhavam na mesma direção; o jardim. O moreno estava fumando e parecia extremamente pensativo.

-Ele realmente não casará com ela?

Bill questionou Remus, que apenas balançou a cabeça, tão decepcionado quanto todos os outros no cômodo. Eles não tinham mais alternativas dentro da Ordem para casar com Hermione, Sirius Black era o único e ele se recusara.

-O que acontecerá com ela agora? - Ron questionou e segurou a mão de Luna.

-Temos que encontrá-la primeiro.

Todos assentiram, concordando com Lupin. Que voltava seus olhos para Sirius, irritando-se com a facilidade que o amigo parecia em ter ao simplesmente descartar a ideia e dizer que não abriria mão de sua vida para que ficasse preso a um casamento sem amor e sem sexo.

Claro, Remus sabia que não era apenas isso. Conhecia Sirius quase toda sua vida, sabia que além dos motivos óbvios, Sirius tinha medo de que ela fosse o odiar por forçá-la àquilo. Que ele seria pai de uma criança que cresceria em um lar sem amor entre seus pais. E essa parte era a que mais o deixava amedrontado.

Sirius entrou no cômodo e todos os olhos caíram sobre ele. Sabia muito bem que estavam conversando sobre sua recusa para se casar com Hermione, e por isso uns o olhavam desapontados, outros raivosos e outros apenas o observavam. Ele sabia muito bem que esse momento chegaria, que eles começariam a julgá-lo. Que tentariam fazer com que ele ficasse envergonhado pela decisão tomada, mas Sirius já estava muito envergonhado e arrependido.

Sabia bem que a morena poderia estar sendo torturada, machucada por informações. Sabia que a possibilidade de estupro poderia ser grande e ele queria ao máximo não ter nada a ver com aquilo. Mas tinha. Sirius tinha uma parcela de culpa no sequestro dela.

Ele sabia que caso tivesse aceitado se casar com ela e lhe ter feito entender a importância dela na Ordem, ela teria ficado em casa, teriam bolado os planos juntos, teriam bolado um plano para passar por aquilo juntos, como dois agentes em uma Missão. Mas não, ele a incentivara a ir ter com Kingsley e agora… ele não sabia o que fazer.

-Como pôde, Sirius? - Molly disse enquanto se aproximava e lhe dava um tapa no rosto. Sirius não lutou contra ela, sabia que a mulher estava lidando com aquilo como se estivesse perdendo um filho, afinal Hermione era, desde o primeiro momento, uma filha para Molly.

-Molly… - Arthur tentou, mas a esposa o ignorou completamente.

-Você sabe muito bem o que vai acontecer com ela se ela não se casar, e você se recusa porque não vai poder galinhar por aí? - Molly estava vermelha de raiva, a mão segurando o avental sujo de gordura, apertando o tecido para evitar bater no rosto do homem novamente. -Você deveria crescer, Sirius. Ela é valiosa para todos nós como família e como membro da Ordem, e agora… E agora só Merlin sabe o que podem estar fazendo com ela.

Molly começou a chorar e foi amparada por Charlie, que apenas olhou Sirius nos olhos, um olhar que pedia desculpas pela mãe, mas que também dizia que ela não estava errada.

-Eu…

Sirius começou, mas foi interrompido por Severus, que entrou na casa sem cerimônias, quase derrubando Sirius que estava próximo da porta. As pessoas notaram a roupa suja de sangue e os cabelos revoltos dele, algo havia acontecido.

-Ela está na antiga Mansão Malfoy. Vocês tem uma brecha para entrar e resgatá-la. - Severus virou-se para sair novamente, mas antes falou diretamente com Lupin. -Matei os que ficaram de vigia, mas… Fenrir está com eles.

O rosnado que rasgou a garganta de Remus assustou a todos e não levou um segundo para que o lobisomem estivesse fora da casa, aparatando logo após Severus. E então, Sirius, Harry, Ron e Bill os seguiram.


Conseguia entender porque não parava de gritar e porque milhões de agulhas atravessavam seu corpo, apenas não conseguia entender era como chegara aquilo. Lembrava-se de ter andando pelas ruas de Londres rápida e séria, mas não conseguia se lembrar de ter chegado a entrar na cabine telefônica. Não conseguia se lembrar de ter descido ao Ministério. Mas então, lembrava-se do rosto do Lobisomem a sua frente.

-"Hey, mudblood."

Lembrava-se de ver o rosto dele bem acima do seu e então nada. E agora aquilo. Parecia que já estava gritando e sendo atingida pelas agulhas há muito tempo, pareciam dias, mas Mione não conseguia pensar direito sobre isso. Sentia que seu corpo estava preso a uma parede, que suas mãos e pernas estavam amarradas nas correntes e tudo era dor.

Uma risada ao canto chamou sua atenção para lá ao parar de ser atingida pela Crucio e Hermione viu, para seu desespero, Bellatrix Lestrange novamente a torturando. Então ouviu novamente:

-Hey, mudblood.

Virou seu rosto e viu Fenrir Greyback apontando uma varinha para si, os olhos e sorriso felizes em ver que ela estava com medo. Hermione tentou engolir saliva, mas sua garganta estava dolorida de tanto gritar e sentia que todos os seus músculos estavam latejando - sua cabeça parecia que iria explodir conforme piscava.

-Você tem duas opções, garota, uma é continuar gritando e não nos contar nada, ou contar e ser recompensada.

O homem falava isso bem próximo ao seu rosto e Hermione sentia o corpo dele encostar ao seu, fazendo com que onde encostasse doesse e ela gemesse de dor.

-Mestiço, não prometa o que não vai cumprir. - Bellatrix disse enquanto via a morena na parede chorar.

-A recompensa dela é que eu não a torne uma das minhas lobas. - Bellatrix riu alto, o som fazendo eco no enorme cômodo.

-Explique a ela o que fará, explique.

Enquanto Bellatrix tirava sarro e Fenrir lhe dizia o que faria com seu corpo e sua mente, Hermione estava pensando. O lobisomem poderia mordê-la, transformá-la e então… Balançou a cabeça e gemeu de dor, mas o homem parou a sua frente novamente um sorriso sinistro em sua boca.

-Então, bruxa, qual será?

E enquanto o homem queria saber qual era a resposta dela, ele subia as unhas pela saia de Hermione, rasgando o tecido e agora pele. Hermione gritou e tentou se mover, mas as correntes não deixavam e a dor era alucinante.

-Isso, bruxa, grite. - Fenrir se aproximou e sorriu mostrando seus dentes para ela. -Adoro ouvir uma mulher gritando.

Bellatrix desatou a rir e Fenrir arranhou as coxas de Hermione dos dois lados até sangrar e começou tudo outra vez com mais uma Crucio.


Continuo?