N.A.: Galera, linda. Quero agradecer: Lizaaa, y. , TaiSouza, LadyHarukaS2 e regina bernardo, vocês são umas lindas.
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Obrigada demais!
Boa leitura!
Your imagination gets so twisted when you
Think you've seen my worst
Kill or be Killed - New Years Day
3
Horas passaram até que sentiu todo o cômodo tremer. Fenrir havia saído com Bellatrix e agora ouvia gritos, mas não conseguia se mover. Não conseguia pensar, estava machucada, sentia sangue escorrer por suas pernas e temeu que enquanto estivera desacordada, ele havia abusado dela. Mas não houve tempo para pensar, logo estava silêncio e passos apressados vinham em sua direção.
-Mione.
Hermione gemeu de dor ao levantar a cabeça e olhar Remus entrando no cômodo e vindo em sua direção, a varinha em riste e pronta para qualquer ataque. Sentiu as correntes serem soltas de suas pernas e punhos, mas não conseguia ficar em pé. Remus a segurou e gritou de dor ao ser tocada, ainda conseguia sentir as agulhadas atravessarem seu corpo.
Lupin sentiu cheiro de sangue fresco e seguiu seu nariz, encontrando Hermione presa a uma parede no porão da Mansão. As roupas estavam rasgadas e ela estava descalça. Sangue escorria por suas pernas, a blusa estava rasgada e seus seios estavam à mostra. Lupin ferveu de raiva, mas soltou-a e sabia que deveria ajudá-la.
Ao ouvi-la gritar sabia que ela havia sido tortura com Crucio, e pelo estado de seu rosto, ela havia chorado muito. Abraçou a morena devagar, não querendo encostar demais em seu corpo, mas ao mesmo tempo não querendo deixá-la sem amparo.
-Hermione. - A viu levantar a cabeça e lhe fitar séria, os olhos com lágrimas presas nos cílios. -Ele te mordeu?
-Não. - Negou devagar, fechando os olhos e gemendo de dor. -Mas eu não sei se ele abusou de mim.
E Remus queria ter matado Greyback, para após trazê-lo de volta apenas para ter o prazer de torturá-lo. Ouviu passos apressados atrás de si e viu Harry e Sirius aparecerem, ambos estavam suando muito. Sirius foi o primeiro a ver Hermione nos braços de Remus, mas o lobisomem já tinha colocado seu casaco ao redor dela, e a pegou no colo.
-Vamos, ela foi tortura, precisa de cuidados.
Todos se encontraram do lado de fora, Remus não soltava Hermione em momento algum, aparatando com ela logo após, indo para a frente de Grimmauld Place. Ao entrarem na Sede, Remus colocou Hermione deitada no sofá mais próximo, e pouco ouvindo quando mais e mais pessoas começaram a entrar. Ele apenas conseguia vê-la. Ela parecia pequena, os olhos o observavam a todo momento.
-Obrigada.
-Ainda não me agradeça.
-Lupin, saia da frente.
Severus estava ao lado do Lobisomem, uma maleta preta balançava em sua mão. Sabia muito bem que o homem cuidaria dela, mas naquele momento ele não parecia estar pensando corretamente.
Sirius observava isso um pouco afastado, vira Lupin ser levemente empurrado para o lado e Snape começar a examinar Hermione. A mulher estava deitada no sofá e a pouca luz no ambiente não deixava que mais ninguém visse o que se passava. Vira Remus vir até seu lado, os punhos fechados, os olhos em chamas. Engoliu em seco antes de conseguir perguntar:
-Ela foi…?
-Não. - Remus disse mais baixo, mas olhou Sirius nos olhos. -Acho que não... ela não está com o cheiro dele.
Um momento de alívio passou pelos dois, mas Sirius viu que mesmo assim Remus ainda estava muito perturbado. Colocou a mão no ombro dele, vendo-o fitar o sofá e logo após lhe fitar.
-Você precisará fazer, Sirius. Precisa…
-Já estou com os papéis da requisição.
Ron, que aproximava-se dos dois nesse momento, ouviu isso e sorriu, dando tapinhas de leve no ombro de Sirius. Sabia como aquilo deveria ser difícil para ele também.
-Black, venha aqui.
Severus disse e Sirius aproximou-se, vendo Hermione agora sentada e olhando-o de forma cansada, mas parecia mais firme. Abaixou-se na frente dela, pensou em tocá-la, mas sabia o que uma Crucio fazia com o corpo de uma pessoa. Então apenas esperou para ver o que Severus diria.
-Ela já está medicada para as dores…
-Eu estou aqui, Severus. Pode falar diretamente comigo.
Hermione ainda sentia dores pelo corpo, mas não era nada comparado ao que estava sentindo antes. Seu cabeça parecia que seria dividida em duas, mas não queria ser tratada como coitada. Odiava quando a tratavam daquele modo.
-Pois bem, Srta. Granger, suas dores vão passar em algumas horas. Será necessário que tome algumas poções para evitar uma gravidez indesejada e algumas pomadas para os arranhões.
Nesse momento Severus teve certeza que a garota a sua frente estava desejando que ele tivesse continuado falando com Sirius, pois agora todos no cômodo o olhavam pela altura que ele falara. Assentiu balançando a cabeça devagar e começou a se levantar. Tomou cuidado para não deixar o casaco de Remus abrir e mostrar suas pernas, não queria que eles vissem todo o sangue.
Queria apenas subir, tomar um banho, dormir e esquecer tudo que acontecera. Não queria pensar na possibilidade de que Fenrir poderia ter abusado de seu corpo, mas existia essa possibilidade. Respirou fundo e começou a andar, mas foi amparada pelo braço de Sirius, que a olhava com tristeza. Odiava aquele olhar.
-Não precisa…
-Deixe-me te ajudar. - Ele pediu, ajudando-a a andar. -Por favor.
Assentiu e despediu-se de todos, mas assim que saiu da sala ouviu que eles começavam a conversar todos ao mesmo tempo. Odiava isso. Subiu degrau a degrau, suas costas ainda com dores fortes, os cortes em suas coxas ardiam. Chegaram a seu quarto e Sirius a ajudou a sentar na cama.
-Precisa de ajuda para mais alguma coisa?
-A cabeça de sua prima e de Greyback seria ótimo.
Hermione sentiu a amargura em sua frase e soube que precisava eliminar isso de si ou ficaria amarga em pouco tempo. Aquele sentimento não era saudável. Olhou Sirius apoiando-se no batente da porta e cruzando os braços.
-Será seu presente de casamento, então.
Sirius viu quando Hermione semicerrou os olhos em sua direção e as mãos fecharam no tecido do casaco de Remus.
-Não ouse, Sirius. - A morena ameaçou, mas Sirius ficou sem saber o que ela queria dizer. -Não ouse me dizer que está aceitando isso.
-Durma, Hermione. Você precisa descansar.
Hermione não teve tempo de falar nada, apenas viu a porta se fechar e o quarto ficar em silêncio. Nunca perdoaria Sirius se ele fizesse algo como aquilo pelas costas dela. Nunca.
Já estava debruçado sobre aqueles pergaminhos há pelo menos 3 horas. Não havia conseguido dormir pensando nas torturas que sofrera durante os anos em Azkaban e em como deveria ter sido para Hermione. Ao ouvir Severus falar sobre uma possível gravidez, sentira sangue ser drenado de seu corpo.
Não conseguia acreditar que algo tão terrível poderia acontecer com alguém como ela. Não conseguia acreditar que ela suportara tudo aquilo. Mas quando desceu as escadas novamente, Severus estava contando a Remus que existia a possibilidade, mas que se ele não estava conseguindo sentir o cheiro de Fenrir nela, já era algo.
Queria preencher aqueles papéis com ela, mas apenas a menção do casamento a deixara irritada. Focou novamente nos papéis a frente e respirou fundo. Estava abrindo mão de muita coisa, mas sabia que era para o bem maior. Apesar de já estar cansado do discurso sobre o bem maior. Voltou a molhar a pena no tinteiro e recomeçou a marcar as alternativas.
Teriam muito trabalho com essa Lei, teriam que comprar um apartamento ou casa, ele teria que comprar um anel de noivado e ela teria que correr para achar um vestido. O papel com as regras estava a seu lado e Sirius releu novamente algumas delas, encolhendo-se minimamente ao pensar que ela teria que dormir com ele.
Recostou-se na cadeira, não conseguia acreditar que estaria casando-se e ainda mais com uma garota tão nova - 20 anos mais nova. Balançou a cabeça. Ok, eles fariam sexo. Ele não conseguiria chamar de outra coisa, não conseguiria dizer que seria mais que isso. Ela não iria querer aquilo, mas faria para que não fosse presa e trancada em uma cela até ser selecionada por outro homem que a machucaria. E então se tudo desse certo ela estaria grávida em pouco tempo e eles seriam pais e a criança cresceria em um lar sem amor.
Passou a mão pelos cabelos longos e fechou os olhos por um momento - aquilo era muito errado. Abriu os olhos ao ouvir um tilintar de caneca contra madeira a sua frente e o cheiro de café inundou seus sentidos. Remus estava sentado a seu lado e trouxera uma caneca de café quente.
-Que horas são?
-Quase 6. - Remus observou a aparência de Sirius. O homem parecia definitivamente cansado e abalado. Sorriu fracamente.
-Preciso levar esses papéis ao Ministério. - Sirius pegou sua caneca e tomou um grande gole do café quente. Sentia o líquido descer por sua garganta quente, ainda acalmando seu corpo. Respirou fundo. -Ela vai querer me matar, não?
-Bem provável. - Remus respondeu tomando um gole de seu próprio café e olhando Sirius sorrir de lado. -Mas ela vai entender.
-Sim, sim. Espero que ela entenda sem me lançar um Avada.
Ambos riram, mas Remus conseguia ver que existia uma pequena centelha de preocupação na voz do amigo, de que talvez Hermione visse aquilo como um ato de traição, que Sirius estivesse se aproveitando dela estar na condição que estava para forçá-la a aceitar a Lei.
O que teria que conversar com Hermione era o fato de que ela era uma das bruxas mais requisitadas no Ministério. Vira no dia anterior no Ministério quantas petições foram entregues de casamento para ela, e todas tinham nomes de pessoas associadas com Voldemort. Hermione não entendia que se ela não se casasse com alguém por espontânea vontade, o Ministério a casaria com um dos homens que entregaram as petições.
-Ela precisa entender, Sirius. E você também. Isso não é uma punição, para nenhum de vocês dois. - Lupin bebeu mais de seu café e se recostou na cadeira. -Se eu pudesse me candidatar, o faria. Mas…
Sirius olhou Remus e notou que o amigo olhava para a caneca de café em suas mãos. Sabia muito bem o porquê de ele não se candidatar - achava que seu sangue não era puro e que não se qualificaria. Recostou-se também e tomou mais um gole de seu próprio café.
-Não é uma punição, mas também não é algo agradável. Ela vai ficar furiosa quando souber que entreguei essas petições e que forjamos sua assinatura.- Remus sorriu de lado ao olhar Sirius e agradeceu mentalmente pelos gêmeos serem mestres em forjar assinaturas.
-Ela vai entender.
-Duvido.
Os dois homens conversaram mais um pouco e decidiram ir juntos para o Ministério. Remus queria saber sobre o sequestro dela, se Moody tinha alguma ideia ou noção do paradeiro de Greyback e Bellatrix, enquanto Sirius tinha que entregar a documentação o mais rápido possível. Eles não poderiam esperar, tinham muitas coisas a acertarem.
Hermione desceu para tomar café da manhã muito tarde, mas ouviu muita conversa na cozinha, o que a levou a acreditar que todos estavam tomando café mais tarde, pela hora que foram dormir. Entrou na cozinha de pijama, os cabelos amarrados no topo da cabeça, os olhos inchados. Queria esquecer o dia anterior, queria deixar tudo para trás e focar no que realmente importava.
Porém, as outras pessoas não pareciam pensar assim. Assim que entrou na cozinha, todos se calaram e tentaram sorrir para si. Hermione sabia que poderia ser assim, mas queria que eles evitassem tal comportamento.
-Por favor, só… não façam isso. Não me tratem como vidro, ok?
Foi um consenso, cuja concordância foi geral. Sirius foi o primeiro a quebrar o silêncio:
-Sente-se, Mione. Tenho novidades.
Hermione sorriu e sentou-se na cadeira ao lado de Sirius. Toda sua vida estava uma bagunça, mas ela tinha certeza de que Sirius a faria dar risada, ao menos um pouco. Pegou uma caneca e o bule de café na mesa, servindo-se e vendo quais variedades de pães e bolos Molly havia feito.
Notou que novamente a cozinha estava em silêncio e que todos a olhavam. Puxou um pedaço de bolo e mordeu, olhando para Sirius e esperando que ele falasse alguma coisa.
-Bem, a novidade é que… - Hermione sorriu incentivando o moreno, que parecia que não conseguia passar uma manhã vestido da cintura para cima. Aparentemente Sirius gostava de dormir apenas com a calça do pijama. -Vamos nos casar em 3 semanas.
O silêncio que seguiu-se dentro da casa era quase sepulcral. Sirius aguardou pelos gritos e pelas maldições e Harry e Ron estavam prontos para segurarem a morena caso ela fizesse menção de pular em Sirius. Porém, Hermione não fez nada disso. Ela sabia muito bem que a Ordem havia obrigado Sirius aquilo, e que ele lhe contar era apenas porque eles sabiam como ela reagiria.
Terminou de comer o pedaço de bolo, tomando o restante do café em sua caneca e se levantou. Sirius a observava a todo momento, o receio de que ela o acusasse de se aproveitar da situação era grande, mas a reação dela foi ainda pior.
-Não achei que você me trairia assim, Sirius. - Hermione se virou, soltando os cabelos, os cachos caindo por suas costas. -Com licença.
Lupin colocou a mão no ombro de Sirius e disse:
-Ao menos ela não lhe atacou fisicamente.
-Preferia que ela o tivesse feito. - Foi a resposta de Sirius, bem baixa.
Continuo?
