N.A.: Galera, maravilhosa. Quero agradecer: Reggie Jolie, Lizaaa, y. k. malfoy e LahGabbyS, vocês são perfeitas, sério!
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Obrigada demais!
Boa leitura!
Breaking is the only way
When I'm out of tricks up my sleeve
Alone - New Years Day
4
Sirius estava cansado. Hermione estava ignorando-o e quando não, ela o olhava com o mesmo olhar de traição. Tudo passou rápido demais, ele tivera que sair com Moony para poder comprar a aliança e Molly conseguira convencer Hermione a sair e comprar o vestido.
Ele sabia que não seria fácil e por vezes também deixou de lado o que deveria fazer. Sirius sabia que logo Hermione começaria a se acalmar, mas não esperava que fosse demorar tanto e que ele teria que decidir com Ginny como seria a pequena recepção obrigatória.
Via como ela não parecia nem um pouco animada para a situação, e ele também não estava. Ao longo dos dias Sirius começava a perceber o tamanho do erro que cometeu ao entregar os documentos sem ela. Talvez se tivessem conversado, se ela tivesse tentado entender o que eles queriam com aquilo, mas não, a morena apenas via que sua liberdade estava encerrada, que ela teria que passar a vida com um homem vinte anos mais velho que ela e que eles teriam um filho e sabe-se Merlin mais o quê.
Recostou-se na porta de seu quarto e pensou seriamente em sumir. Há um ano Sirius não sabia o que era estar sozinho de verdade, sua antiga casa havia virado novamente a Sede da Ordem, e com pessoas desaparecendo a todo momento, Harry lhe pedira muitas vezes para não sair. O grande problema é que Sirius nunca fora alguém de estar muito tempo dentro de quatro paredes, aquilo parecia sufocá-lo, e ele tinha que sair.
Claro, saiu várias vezes para se encontrar com algumas bruxas destemidas, mas a maioria das vezes ele estava apenas querendo sair e beber, ou fumar, ou simplesmente estar longe das pessoas e das paredes sufocantes de sua antiga casa.
-Sirius?
A voz baixa e feminina do outro lado da porta o deixou sem reação e Sirius precisou de alguns momentos para poder entender que era Hermione e que ele deveria dizer algo. O problema é que estava tão cansado de ser ignorado e de receber grosseria como resposta, que ele fechou a cara e cruzou os braços, querendo ser tão teimoso quanto ela estava sendo nesse último mês.
Respirou fundo e ouviu a morena chamar novamente. Queria poder dizer que ficaria ali, fingindo que não estava, mas a realidade é que estava curioso sobre o motivo da garota estar ali. Se levantou e abriu a porta, seus cabelos caindo em frente a seus olhos ao olhar para baixo.
Hermione estava de roupão e os olhos estavam inchados, como se estivesse chorando há algum tempo. Sirius se preocupou no mesmo instante.
-O que houve?
Hermione entrou no quarto dele e se sentou na cama, os olhos pregados no chão a frente dela. Sabia muito bem que o último mês tinha sido um inferno para ambos, mas precisa conversar com Sirius - como já deveria ter feito há três semanas.
-Eu preciso saber, Sirius, por que fez isso?
Olhou para o homem na porta. Ele ainda segurava a maçaneta e Hermione viu quando a mão de dedos longos apertou lentamente o aço antigo - foi a confirmação de que ela havia começado seu questionário com a pergunta principal e mais certa.
Ao longo das semanas, Hermione vira o esforço de Sirius, vira como ele a enfrentou e como ele estava correndo atrás para que ela não fosse presa, para que ela ficasse entre eles e não precisasse tomar a medida mais drástica, que seria fugir do Mundo Bruxo.
E ao longo das semanas ela ainda se sentia traída por ele, pelo modo como ele forjara sua assinatura, como ele a enganara e como ele fizera de tudo para que o casamento deles acontecesse. E Hermione queria poder dizer que não reparou em como aquilo o cansou. Queria poder dizer que odiou cada esforço dele, mas a verdade é que cada vez que via ele correndo atrás de algum detalhe da cerimônia com Ginny, ou saindo para comprar seu anel ou aliança de casamento, ela ficou afetada.
Hermione tinha que concordar com Ginny quando a amiga falava que Sirius estava esforçando-se como ela nunca vira antes. Ginny estava certa. Sirius estava esforçando-se muito para poder fazer com que ela ficasse bem. E foi quando ele lhe entregou a pequena caixa azul com o anel de noivado dentro que ela começou a reparar em como Sirius era.
Sim, como ele era fisicamente. Nunca havia reparado em Sirius, mas durante essa última semana, ela reparou em seu físico. Sabia que Sirius era 20 anos - literalmente - mais velho que ela, mas o físico enganava um pouco. Ele não tinha aquela barriga proeminente ou o descuido que os homens dessa idade aparentam a ter. Não, Sirius tinha o físico de alguém que continua a fazer exercícios e era vaidoso, que cuidava de si.
Os cabelos estavam longos, abaixo dos ombros, os cachos tinham muitos fios brancos, o que Hermione já havia comentado com Ginny que achava 'interessante'. Os olhos cinza claro sempre pareciam levar algum tipo de malícia que Hermione tinha receio e ao mesmo tempo uma curiosidade mórbida.
-Havia outro modo?
Olharam-se seriamente por um momento e Sirius fechou a porta, dando mais privacidade para a conversa que teriam.
-Sim, Sirius, poderíamos ter lutado…
-Lutado contra todo o Ministério e uma Lei que a colocaria dentro de Azkaban?
Sirius parou próximo a mesa em que deixava seus documentos e encostou o quadril, cruzando os braços e observando a morena em sua cama. Ela estava mexendo o anel de noivado sem perceber e Sirius notou que os cabelos estavam molhados. Um cheiro de morango estava enchendo o ar, possivelmente o shampoo que ela usava.
-O que você ganha com isso, Sirius? O que leva desse casamento?
Hermione notou no momento em que fez essa pergunta, que havia ofendido Sirius. E mesmo que ainda estivesse com um pé atrás sobre essa situação, sabia que havia ultrapassado um limite ali. Desejou poder voltar e desfazer os últimos 5 minutos.
-O que eu levo? - Hermione levantou a cabeça ao ouvir a entonação na voz do moreno e sabia que eles começariam a brigar.
-Não foi isso…
-Escute aqui, garota. Não levo nada desse casamento, a Lei não se aplica a mim, somente a você. Eu não quis fazer parte disso, mas ou eu me casava com você ou você seria presa e…
Sirius percebeu que ela o olhava de forma derrotada, como se soubesse que aquela era uma batalha vencida. O casamento aconteceria, eles estariam juntos até sabe-se quando.
-Eles querem controle, Hermione. E assim eles conseguem.
Hermione sabia que Sirius não estava errado, mas a forma como aquilo tudo estava acontecendo fazia com que ela se sentisse… presa.
-Você… você não se importa? - Sirius descruzou os braços e os colocou na mesa atrás de si, seu rosto uma máscara de desentendimento. -Você não liga que… vamos ter que dormir juntos?
O moreno começou a entender qual era a real pergunta e pensou seriamente o que responderia.
-Sou eu que deveria te perguntar isso.
-Eu sou mais nova e pouco experiente, Sirius. Você está em desvantagem.- Ela puxou os cabelos para trás e desamarrou o roupão sem perceber, chamando a atenção de Sirius. -Você tem anos de experiência e vai querer…
-Não preciso de uma profissional…
-Não foi isso que eu quis dizer!
Ambos estavam em pé nesse momento, e eles queriam que o outro entendesse o que estavam pensando, afinal as coisas não seria fácil para nenhum deles. Hermione estava apenas de pijama e pela primeira vez desde que aquela situação toda começara, Sirius realmente reparou nela. A garota havia crescido, independente de ter apenas 19 anos, Hermione tinha o corpo de uma mulher. E isso não passou despercebido por seus olhos cinza.
As pernas eram grossas e o quadril pequeno. Os seios eram grandes e a cintura estreita. Sirius estava acostumado com mulheres querendo a todo custo mostrar a barriga lisa que conseguiram ao longo dos anos, mas Hermione não ligava para isso. Ao menos não naquele momento. Cruzou os braços novamente e a encarou, dessa vez com um sorriso de canto de boca que chamou a atenção imediata dos olhos castanhos dela.
-Então, você está preocupada de que eu precise de alguém com mais experiência?
-Eu não estou preocupada, apenas te dando um aviso. - Ela se irritou. -Eu. Não. Sou. Igual. As. Mulheres. Que. Você. Costuma. Sair.
A morena pontuou todas as letras para que tivesse a certeza que Sirius havia entendido, mas aquilo apenas fez que ele sorrisse ainda mais.
-Não precisa ser boa na cama, Hermione, apenas…
-Sirius!
Aquela foi a gota d'água. Hermione se virou e andou na direção da porta, mas Sirius a segurou pelo punho, impedindo que ela saísse do quarto. Hermione não se virou e puxou o braço do aperto dele, apenas para ser puxada na direção oposta.
Sirius sabia que havia irritado a morena e precisava arrumar isso, apesar de que irritá-la fosse surpreendentemente divertido.
-Escute, seja você. Ambos sabemos que esse casamento é apenas um negócio, então… quero tirar o máximo de proveito.
Hermione sentiu os ombros caírem com as palavras dele e Sirius notou isso também. Era como se a cada vez que ela lembrava que estaria casando-se com alguém que não amava para ter filhos por obrigação, acrescentasse um peso em suas costas.
-Ao menos você fará isso.
Sirius soltou o braço da garota nesse momento, as palavras dela lhe machucando. Era como se ele fosse um aproveitador, um velho nojento se aproveitando de uma garotinha. Viu que ela saía do quarto e desejou ardentemente que tivesse ficado quieto, enquanto ela batia a porta. Ouviu a madeira encostar-se no batente novamente e respirou fundo. Seria um inferno de casamento em 3 dias.
-Senhorita Granger, quanto mais tempo essa avaliação levar, pior será. - A mulher atrás da máscara - que claramente lembrava Hermione uma enfermeira assassina de filmes de Terror B - falou com a voz lenta, como se fazer exames como aqueles fossem tremendamente entediantes e rotineiros. Hermione respirou fundo e pensou em ir embora, mas já estava deitada na maca e de avental hospitalar. Odiava pensar que pessoas estranhas estariam olhando seu corpo e odiava pensar que esse era o maldito teste para poder então passar a noite de núpcias com Sirius.
Em sua cabeça cantava uma música, ignorando o fato de que sentia um enorme desconforto com o exame, mas na mesma velocidade que começou, acabou. E logo ela se trocava, apenas para ouvir a desagradável mulher dizer em alto e bom som que ela estava liberada e poderia ter relações sexuais com o marido.
Sirius estava sentado na sala de espera e ao ouvir isso, sorriu para Hermione, que agora estava saindo extremamente irritada da sala. Viu que sua futura esposa entregava o papel para um Oficial do Ministério, que avaliou o pedaço de papel, avaliou Hermione e então entregou o pedaço de papel com sua assinatura.
-Isso é ultrajante. - Hermione disse enquanto arrancava o papel da mão do homem e seguia para a porta. -Me sinto um objeto a ser avaliado para uso.
Sirius decidiu que não faria nenhum comentário. Aquela situação já estava ruim do modo que estava. Mesmo que tivesse uma resposta pronta para ser usada, decidiu que poderia guardá-la para outro momento.
Hermione estava uma pilha de nervos, não apenas pela situação com Sirius, mas porque sua vida havia virado de cabeça para baixo sem nem ao menos ela perceber. Estava prestes a estar casada, precisava seguir algumas ordens absurdas do Ministério e seria mãe. Engoliu em seco. Aquele pensamento era o que mais lhe aterrorizava. Não teria exames invasivos, noites com Sirius Black, anos até a lei ser derrubada que a assustavam, o que mais a espantava era a perspectiva de ser mãe. Mãe.
Ter uma criança, um ser pequeno e totalmente dependente dela. Ter alguém que seria única e exclusivamente dependente dela, que todo ensinamento, gostos e vontades viriam dela. E ela tinha medo. Medo de falhar, medo de errar e todas as pessoas a odiarem por isso. Porque sabia muito bem que um filho seu e de Sirius Black seria mais do que esperado que fosse um rapaz ou garota brilhante.
Encostou-se na parede da saída do Ministério, sua visão borrando por alguns segundos. Não era possível que isso fosse realmente acontecer. Não era possível que aquilo fosse acabar daquele jeito, que sua vida fosse simplesmente se interromper assim.
-Hermione?
Sirius viu quando a morena saiu do Ministério e se apoiou na parede, o rosto pálido. Olhou ao redor, mas não havia nada, ela apenas estava observando em branco. Aproximou-se dela, segurando-a pelos ombros. Observou os olhos dela, vendo que na verdade ela estava em pânico, que bem provável era por causa de tudo que passariam agora.
-Seremos pais, Sirius.
Sua voz baixa fez Sirius se aproximar, e ele sentiu a respiração dela sair entrecortada. Sabia bem sobre o que ela estava falando, e por mais que tivesse evitado falar ou pensar nisso, ao ouvir a voz dela dizer aquelas duas palavras, pareceu tornar tudo ainda mais real.
-Com o tempo, Mione. Não pense nisso agora.
Hermione focou seus olhos em Sirius e viu que o moreno tentava a todo custo afastá-la da parede, os olhos atentos aos dela. Segurou as mãos dele e endireitou o corpo.
-Me desculpe.
Pediu enquanto equilibrava-se e soltava-se de Sirius, arrumando suas roupas novamente no corpo. Odiava que tivesse demonstrado fraqueza, mas aquilo era ultrajante, aquilo era o seu maior medo. Deu um passo e parou novamente, vendo Sirius soltar e prender os longos cabelos novamente.
-Não… não tem medo?
-De ser pai? - Sirius viu Hermione assentir e cruzou os braços, seus olhos observando a morena. Precisava ser sincero agora. - Sim, muito.
-Como não está desesperado?
Hermione viu Sirius dar de ombro e aproximar-se dela, os olhos olhando fundo dentro dos seus. Aquilo a incomodou levemente.
-Não existe nada que eu possa fazer, Mione. Nada. - Segurou-a pelos ombros e a fez virar, começando a andar pela rua deserta de Londres. - Nem eu e nem você.
Continuo?
