Senti-lo dentro de mim era tão bom que parecia uma experiência única toda vez que transávamos. Dessa vez não conseguimos nem mesmo sair do sofá. Porra, não conseguimos nem fechar as cortinas ou tirar nossas roupas de fato. Havíamos nos transformado num emaranhado de suor e necessidades.
- Sasuke, Sasuke... – gemi seu nome seguidamente enquanto você metia em mim com mais força. Isso pareceu te animar, já que suas mãos desceram pela minha cintura até chegar na minha bunda para me apertar com força. No momento, a única coisa que eu conseguia fazer era acompanhar seu ritmo.
Minha mão direita te arranhou no peito enquanto a outra foi até sua nuca, puxando você contra mim desesperadamente. Você sorriu e senti quando uma de suas mãos alisou minha coxa até chegar no meu clitóris, fazendo movimentos precisos e circulares. Isso. Abri minha boca sem emitir som algum quando, segundos depois, alcancei meu ápice cima de você. Eu devo ter te apertado muito já que você mordeu meu ombro e gozou em seguida, quase ao mesmo tempo que eu. Suas carícias prolongaram a sensação, e eu desabei sobre seu corpo, esgotada depois do nosso exercício.
Nossas respirações estavam descompassadas e suas mãos subiram pelo meu corpo para me abraçar novamente. Viver essa vida com você era como ter a oportunidade de viver um sonho. Crescemos juntos, tivemos nossas primeiras experiências juntos e agora morávamos juntos. Estivemos ao lado um do outro desde nossa infância, até a escola, festas, viagens, faculdade, nossos trabalhos... embora tivéssemos seguido escolhas diferentes, ainda assim, um estava lá pelo outro. Esse companheirismo é mais do que muitas pessoas podem ter algum dia.
Você beijou meu pescoço, perguntando se eu queria mais, já que ainda tinha uma parte específica de você dentro de mim. Eu dei risada e beijei seus lábios, me levantando em seguida, o que fez você fazer um bico de irritação adorável. Ajeitei minha roupa como pude e coloquei minha blusa de volta enquanto você apenas puxava sua cueca e calça para cima novamente.
- Nós temos que nos arrumar, esqueceu?
- Prefiro ficar aqui com você.
- Amor, eu sei, mas o Naruto vai chegar daqui a pouco.
- Acho que dessa vez a gente conseguiu. – seus lábios se esticaram em um sorriso gentil enquanto uma de suas mãos acariciava meu rosto – Eu me empenhei muito.
- Sasuke, não muda de assunto...
- Sakura, eu literalmente te enchi de amor! – seu tom de voz era risonho, não aguentei e ri também pelo teor da conversa – Acho que eu finalmente vou ser pai de um filho seu.
- Eu também acho, querido. – beijei a palma de sua mão com carinho – Mas agora temos que nos arrumar. O Naruto quer conhecer a casa nova.
- Se quiser eu ligo e peço pra ele vir depois, semana que vem talvez.
- Sasuke, anda. Se você tiver sorte eu deixo você me olhar enquanto eu tomo banho. – vi quando seu rosto se contraiu, achando engraçado o comentário.
- Eu vou é entrar naquele chuveiro com você. – ele disse animado, entrando na brincadeira e andando rapidamente para o andar de cima. Fiquei para trás pra arrumar um pouco a bagunça que fizemos momentos antes. Agachei para pegar uma almofada no chão e quando levantei para colocá-la no lugar, eu a vi parada na porta pelo reflexo da televisão. Dentro de nossa casa. Me encarando enquanto chorava silenciosamente sem ao menos piscar.
Fiquei paralisada de medo. Eu sabia o quanto ela era desequilibrada, mas invadir a nossa casa assim? Será que ela nos viu? Pelo olhar de ódio que ela direciona a mim, acho que a resposta é sim. Virei meu corpo devagar quando vi que ela segurava uma faca na mão. Que porra é essa?
- Karin, o que...
- Cala a boca. Eu não quero ouvir sua voz. Você é a razão de tudo isso ter acontecido!
- Karin, pelo amor de deus, larga essa faca. O que aconteceu com você?
- Você! – seus olhos estavam vidrados na minha direção, e ela apontou a faca para mim no mesmo instante – Você aconteceu comigo! Você entrou no meu caminho, roubou a minha vida de mim! Tirou ELE de mim!
- Karin, chega dessa história, por favor! Vocês nunca namoraram, nunca tiveram nada! Você gostava dele, mas... – ela me interrompeu enquanto corria para cima de mim, com a mão erguida na minha direção. Eu gritei por socorro, gritei tão alto que senti minha garganta arder. Corri em volta do sofá e consegui chegar até a cozinha, mas ela me alcançou. Ela me puxou pelo cabelo e me jogou no chão. Bati minha cabeça com força pelo impacto e fiquei desnorteada por alguns poucos segundos, até ver a mulher completamente fora de si se jogando pra cima de mim novamente. Levantei minha perna direita e a flexionei para empurrá-la pra longe de mim e gritei pela dor pujante que se apossou de mim quando senti a lâmina ser enfiada pela sola do meu pé. Mas não tive tempo para me recuperar, ela tirou a faca na mesma velocidade e se jogou contra mim, na direção do meu pescoço.
Consegui segurar seus braços e a impedi de enfiar aquela faca grande e pontiaguda em mim novamente. Ela ainda chorava compulsivamente, mas se assustou quando joguei minha cabeça com toda força que tinha contra o seu nariz. Vi quando ela se desequilibrou por conta do impacto e da dor, e também quando uma grande quantidade de sangue escorreu por ali. Aproveitei para me levantar e, mancando, dei a volta no balcão da cozinha que fazia divisória com a sala e peguei uma faca que encontrei ali em cima. Muito menor, mas ainda assim, precisava me defender de algum jeito.
Ela gritava palavras desconexas. Me chamava de traidora, dizia que ia me matar na frente dele como uma forma de puni-lo por tê-la deixado. Quando ela voltou a correr em minha direção, eu consegui me defender novamente e passei a faca na primeira parte do corpo dela que chegou perto de mim. Novamente, ela se retesou pela dor. Havia um corte comprido em seu braço e eu olhei assustada para aquilo.
Vi quando Sasuke apareceu no meio da escada, com os olhos demonstrando confusão e logo depois espanto ao se deparar com aquela cena. Ele correu pelos degraus enquanto ela se jogava contra mim novamente, urrando de raiva. Não tive tempo para fugir, ela conseguiu prender meu corpo contra a pia da cozinha e senti uma ardência muito grande quando a faca entrou na lateral da minha barriga, e mais ainda quando ela a puxou para tentar me esfaquear outra vez.
Ela só não conseguiu fazer mais nada porque Sasuke chegou a tempo de empurrá-la para longe enquanto Naruto entrava apressado no lugar, provavelmente depois de ouvir os gritos.
- Devia ter sido em você! Devia ter sido em você! Olha o que você me obrigou a fazer! – ela gritava, completamente ensandecida, enquanto virava seu corpo e olhava na direção de Sasuke. Não!
Interceptei seu corpo e estoquei a faca que ainda estava na minha mão contra sua barriga ao mesmo tempo em que seu punho desceu com força contra meu peito. Ainda pude ver quando, em seguida, Naruto bateu na cabeça dela com uma tábua de madeira que estava em cima do balcão. Ela desmaiou no mesmo momento e senti quando os braços de Sasuke me rodearam para me amparar. Olhei para baixo e praticamente tudo ao meu redor estava vermelho. Vi sangue, muito sangue, escorrendo para fora de mim. Até mesmo o cabo da faca enfiada no meio do meu tórax também estava manchado. Ouvi a voz embargada de Naruto pedindo uma ambulância pelo celular.
Eu estava me sentindo fraca, provavelmente pela perda súbita de sangue, e não consegui mais ficar em pé. Praticamente caímos no chão e eu só conseguia sentir as mãos de Sasuke me fazendo deitar e pressionando meu ferimento na barriga, tentando estancar o sangue. Olhei para seu rosto. Tão bonito... Mas nesse momento estava tão triste... E com tantas lágrimas... Ouvi sua voz me chamar em completo desespero por uma, duas, três vezes, antes de tudo ficar escuro.
