Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, a obra é de autoria de Masami Kurumada, mas os demais personagens originais, como Lin Kato e Carlos Maeno, são meus, se quiser utilizá-los, peça autorização! antes que me questionem, sim, vai rolar um crossover entre Saint Seiya e Naruto (Masashi Kishimoto).

Apresentação: Capítulo mais aberto, como eu gosto, com a existência de diálogos. A primeira parte necessitava de uma longa e necessária explicação, de modo que, agora, posso explorar essa escrita que continua densa, mas intercalada com diálogos mais curtos.

Atenção: Quebra da narrativa. Alternância do passado com o presente, sem respeitar o tempo cronológico.

Recomendações à parte, hora de abrir os trabalhos!

O embuste

- Antes de ouvir a minha confissão, quero lhe fazer um convite... – dizia Lin Kato com a voz resoluta.

- O que deseja? – falou Ivi Saori Kid, acreditando ser um delírio da paciente, pois daquele lugar, dada a piora no seu quadro clínico, ela não poderia sair tão cedo. Deu um longo suspiro. Olhou para o paciente cujo vulto transparecia na janela do quarto ao lado. Ramon. Ramon já havia morrido há poucos minutos e como os antigos diziam estava bem "durinho". Pobre Ramon, o miserável se encontrava cadavérico e reduzido praticamente à indigência. Não se podia dizer jamais que aquilo poderia ter sido uma pessoa em algum dia. O seu fim havia sido o pior de todos e ela havia visto isso.

- Quero lhe convidar, de antemão, para o meu enterro!

- C-como?- murmurou atordoada, pensando não ter ouvido direito.

- Exatamente o que você ouviu. Quero que vá ao meu velório e de lá você conhecerá o autor do meu assassinato!

Das duas, uma. Ou Lin Kato era uma vidente, prevendo certeiramente o seu próprio fim, ou gostava de usar metáforas, tratando a morte com a alcunha de assassina. Na melhor das hipóteses, estava em estado de alucinação medicamentosa - devido às doses cavalares administradas, a fim de aliviar o seu sofrimento. Saori Kid preferiu a terceira opção, verificando a ministração dos fármacos à Lin.

oooooooooooooo

Observava a cerimônia fúnebre atentamente. Aquilo tudo era lúdico demais. Foi difícil acreditar que havia passado cerca de um mês desde o fatídico encontro.

Não só acatou o convite da garota, como estava seguindo à risca as suas recomendações. Se perguntava o porquê de tudo aquilo. Como pôde deixar-se envolver em uma trama sórdida como aquela? Agora era tarde demais para se arrepender; tinha dado a sua palavra de honra à homenageada da triste ocasião. Depois de tudo o que lhe ocorrera no hospital, era o mínimo a se fazer!

Enquanto isso, alheia aos devaneios da enfermeira, uma fina chuva caia, acariciando de leve a pelugem da formação rasteira, deixando, como resquício, um agradável cheiro de terra molhada.

oooooooooooooo

Havia muitas pessoas na solenidade. Parentes, amigos, conhecidos, profissionais da imprensa, curiosos... A família Kato era de" fazer figura" perante à alta sociedade. E tal qual o dia em que o hospital fora abarrotado de gente, para acompanhar a internação da Lin, ali fazia-se aos montes, deliberadamente.

Foram ditos alguns comentários pesarosos, murmúrios baixos de condolências, mas nenhuma grande exaltação. Não havia ninguém, de fato, que realmente sentisse a perda da rosada.

Eram gestos ensaiados.

E como parte da farsa, o padre Sage [2] lamentava a perda da preciosa filha que sequer era cristã. Aproveitou a deixa da chuva, dizendo que "até a Natureza estava em pranto pela partida da Lin" [3]. Silêncio. Ninguém ousou proclamar um só comentário conivente ao sacerdote.

O ancião, agilmente, contornou o mal estar com o início do terço ensaiado pelas beatas.

Sage era um mestre de cerimônias, sem tirar nem pôr. Era, praticamente, um agregado da casa Kido, sendo um guardião das confidências familiares.

Seus cabelos brancos e fartos, davam o tom certo de sabedoria ao seu semblante. Tinha olhos azuis de maresia, vivos e perspicazes; nada passava despercebido ao seu crivo.

- Padre... – susurrou, discretamente, Sasha Onassis, irmã da falecida.

- Sim, filha de Deus – falou o religioso, voltando a atenção que direcionava à romaria das devotas.

- Posso falar com o senhor depois da cerimônia? – perguntou incerta.

- Sim, Sasha. É algo grave? Me parece preocupada... – havia notado certa angústia nos dizeres da jovem.

- Pode-se dizer que sim. E está relacionado ao passado da minha irmã – disse melancólica. Colocando a mão encima da pia de pedra que havia no rancho.

Observou a jovem a sua frente. Conhecia a moça, agora com uma vasta cabeleira amarronzada com discretas mechas, desde o seu nascimento, pois havia realizado o seu batizado. Primeira Comunhão, Eucaristia, Casamento... havia acompanhado todos os votos sacrais da jovem em face da Igreja. Era uma boa menina. Ou melhor, havia se transformado numa linda mulher, com seus olhos castanhos esmeraldinos, transbordando ingenuidade. Considerava Sasha como sua própria filha, a herdeira que não pode ter devido a sua condição de homem santo.

- Pois bem – sentenciou -, depois dos atos fúnebres, me encontre no escritório do seu pai.

Iria passar a noite na casa dos Kato a pedido da própria família, com o intuito de consolá-la. Desde que Lin havia lhe negado o direito de realizar a extrema-unção, não havia mais tido notícias dela, até, lógico, o fatídico momento. A última frase da irmã, sorrateiramente, atiçara os sentidos de curiosidade do pároco, censurando-se mentalmente pelo pensamento pecaminoso.

A alguns metros dali, estava Ivi Saori Kid, concentrando-se em cada palavra proferida pela dupla. Lembrava, como se fosse hoje, quando a paciente lhe dissera o quão em dívida se sentia por ter feito mau julgamento da irmã por tanto tempo...

oooooooooooooo

- Quem era essa? – perguntava a enfermeira, ao mesmo tempo em que verificava o equipo, contendo o soro da paciente.

Depois de uma semana e meia recheada de surpreendentes revelações por parte da Saori, já tinha adquirido certa empatia pela paciente, de modo que ambas se tratavam com espontaneidade.

- Minha irmã, Sasha Ivi Onassis – gesticulava com as mãos, dizendo com a voz que denotava certa amargura.

- Ela parece ser importante – disse sabidamente a enfermeira, pois já havia visto Sasha uma vez. É amiga do Shion? – quis saber. Se recordava que o diretor falava da loira com certa admiração.

Conforme o acordo, desde a internação, os familiares se revezariam para dar a devida assistência à enferma. Hoje, a cuidadora da vez era a Doutora Sasha.

- Sim, se não me engano, ele deu uma cadeira, sobre imunologia, para ela na faculdade.

Além de administrador, Shion Asaka também era formado em medicina. Só que era especializado em hematologia e hemoterapia, ao invés de infectologia – a área dominada pela Onassis.

- Você me pareceu triste ao falar dela... – a enfermeira constatou.

- Fiz muito mal à minha irmã... Deus sabe o quanto me arrependo! – disse com a voz embargada.

- Sempre podemos nos desculpar! – instigou a enfermeira.

- Perdoaria a mulher que por três anos teve um relacionamento com o seu marido, no caso, o meu cunhado Saga?

- ...- silêncio, diante de tal fato, a profissional não sabia o que dizer.

Depois de três longos minutos, resolveu se pronunciar:

- Desculpe a intromissão, mas você... não chegou a transmitir o vírus para o esposo da doutora? Eu sei que posso estar passando dos limites, mas é que...

- Não! Não passei – disse, interrompendo a fala da profissional -, na verdade, quando começamos o relacionamento, eu tinha acabado de descobrir a doença... Jamais seria tão irresponsável! Posso ter cometido muitas barbáries, mas quanto a esse tipo de coisa, eu não seria capaz...

- Ela soube desse caso extraconjugal? – quis saber Saori.

- Sim, eu mesma contei. Na verdade eu esfreguei na cara dela esse fato. Na época eu tive gosto de realizar tal ato, mas hoje... eu me arrependo profundamente!

- Entendo... Mas se ela é tão ética, como o diretor do hospital costuma dizer, será que ela não seria capaz de te perdoar?

Um entreabrir de lábios se visualizou. A enfermeira, confusa, olhou para a Kido que, em meio á risada consequente, destilava finas lágrimas.

- Ok, pelo jeito você seria capaz de perdoar uma traição, mesmo que fosse com a sua irmã. Mas e se, por causa dessa mesma irmã, sangue do seu sangue, sofresse um aborto? – pausou as palavras, olhando friamente para os olhos da atendente. – E então, Saori Kid, ainda assim me perdoaria?

...CONTINUA...

Calma aí, Temari volta no próximo capítulo, de maneira que eu consiga preencher direitinho os espaços da narrativa. É bom recordar mais uma vez que a narrativa não é linear, por isso ocorrerá esse "vai e volta" repetidas vezes ao longo da trama.