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Ivi Saori narrava às figuras femininas.
- A Lin era uma grande herdeira do império Kato. – Dizia Saori de maneira didática.
- Não era a tal de Aline que morava em Morro Fundo? – Dizia Eva, tentando acompanhar a história e omitindo um certo refluxo em sua voz.
Agora as histórias se entrelaçavam. Tanto os relatos de Eva quanto o de Saori eram contados, e as três amigas tentavam achar uma solução para os mistérios em que se encontravam.
- Essa aí morreu de AIDS também, só que era pobre. Era uma loirinha se eu não me engano. Adorava trollar os outros no facebook com eventos fictícios. Estudava numa universidade aqui perto. Era bolsista, mas não valia o que comia. Tudo que havia ganhado era por ter sido boa na capacitação ou na interpretação de determinado papel. Aquele tipo de pessoa que quer aparecer e precisa prejudicar os outros para conseguir os seus minutos de fama. Teve o que mereceu. Tanto é que a última vítima dela, ela achava que não via as postagens maldosas, mas via. E aí não deu erro, a tal de Aline recebeu o que plantou - disse Saori e continuou:
- Que vá com Deus, né – Disse de maneira irônica.
- Por falar em universidade – complementou Eva - e pensar que a menina autista sofreu tanto nas mãos de certas pessoas. Não eram todos os que faziam isso claro, mas a maioria em si queria se aproveitar da situação. Não foi só o caso dessa soro positiva, a Aline, que não tinha vergonha no rosto, teve outros também. O que ganharam de bolsa, incentivo federal, você não faz ideia. Quanto mais crescia a fama da autista, mais o espaço público se aproveitava. E o governo não sabia de nada, pelo contrário, investia em um lugar que era muito criticado. Na verdade, investindo na universidade, o governo achava que estaria ajudando a menina, mas mal sabia ele que estava alimentando mais e mais aqueles abutres diplomados. E agora será que vai alguma verbinha pra lá naquele espaço pra lá de isolado?
- Não vamos desejar o mal – disse Saori, reflexiva. Deus sabe o que faz e eles pagarão no seu devido tempo.
- Sim – concordou Eva.
- E a família da menina? – Quis saber Temari. Temari estava com raiva da situação.
- A família não teve culpa – explicou Eva - a mãe e o pai ao ver que a menina não teve o chamado "clic" de contextualizar o que ocorria com os fatos da realidade sempre incentivou para que ela estudasse e adquirisse mais e mais conhecimento. E ela era boa nos estudos, viu? Tirava as melhores notas e o pessoal do instituto tinha uma inveja grande dela. No entanto, como só via o que estava na superfície foi joguete fácil na mão de peão mofado.
- Que horror – dizia Temari. É a mesma coisa que não saber escrever ou falar. Significa que você está a mercê de qualquer um no jogo da vida. Sim porque como você vai se posicionar numa situação dessas? Vai ser sempre usado pelas piores pessoas possíveis.
- Aí é que mora o perigo. Mas agora ela está aprendendo a se virar e não vai dar mole para qualquer perdido aí não. Até invadiram o face da coitada. Pessoas idiotas e do mal mesmo.
- É mas na frente de Deus não passa um – dizia Saori de maneira sábia.
- E a Lin? – Quis volta Eva para o começo da narrativa.
- Quanto a Lin, ela...
CONTINUA
