16 - Joia Vórtice
Sato, Ivi Saori estava muito contente. Mechia seus bonitos e fartos cachos. Seu cabelo mescla estava com as mechas, agora, mais grossas. Acendeu o abajour da sala em que estava, sentou na poltrona bege salmon. Pensava consigo mesmo. "Hoje é dia de vacinação. Vamos ajudar essas crianças sem nos enganar e confundir o povo, é o mínimo que podemos fazer. Sem encenação da idade de Cristo com uma pessoa que nem de longe se parece com ele. O verdadeiro menino Jesus não merece isso... pensava pesarosa. "Preciso mandar eu mesma uma carta para o Papa e para um velho amigo lobo que eu tenho".
Postura omissa diante de fraude em exames de laboratório, desvio de merenda escolar, perseguição de autistas, aonde este mundo ia parar? Ele não é um amigo do povo." Aquiescia consigo mesma. Enquanto fazia tal consideração metafórica, comia uma bolacha salgada da marca Zezé. "Hum, essa é boa".
Uma mensagem, de repente, foi enviada por Sage através de seu smartphone.
"Sage cuida tão bem de nós que parece um verdadeiro avô", cogitava com os seus botões.
A mensagem versava sobre o respectivo assunto – a CEO da empresa hospitalar queria fazer uma reunião com os membros do conselho, incluindo Padre Sage que aspirava o cargo de administração do hospital. Ivi Saori, como chefe de departamento, também fora convocada para o compromisso com os demais participantes da reunião. No entanto, ela já estava decidida; permaneceria no seu cargo, uma vez que era a mais preparada e experiente em exercer determinada função. No máximo, chamaria os candidatos para participarem do conselho interino de sua gestão. Já o conselho externo dizia respeito à administração da empresa hospitalar. Para tal cargo, concorriam candidatos, como Sage, Raikaje, Vovó Chiyo Mei, Kazekage Sandaime, Zetsu e Boruto.
Ivi Saori desconfiou que a sua convocação à reunião devia-se ao fato de que ela conhecia bem a menina autista. Como contara a história da reclusa à CEO, a mesma se impressionara tanto com a história da menina, que agora ela era protegida não só da CEO como da empresa hospitalar inteira. Assim, uma possível reunião com o conselho do hospital serviria para conhecer melhor os candidatos à vaga do hospital e também para se aconselhar com os representantes mais próximos sobre a situação da menina.
No momento em que chegou à sala de reunião, Ivi Saori se deparou com a respectiva cena – havia os membros do conselho conversando normalmente, no entanto, os candidatos à vaga na administração se tratavam amigavelmente.
"Nem parece que estão competindo pela vaga no mais alto escalão desse hospital", murmurou.
- É teatro – você pode ver em algum momento trocarmos farpas, isto é, verdades espinhosas entre nós mesmos, no entanto não somos inimigos, somos apenas adversários em uma competição. Não obstante, um candidato precisa se sobressair e as verdades precisam ser ditas. Uma pessoa incompetente não pode assumir esse tipo de compromisso quando não tem responsabilidade nenhuma.
- O que você disse me parece razoável, Kazekage Sandaime – respondeu Saori.
- E não é? – Dizia o sempre sincero Sandaime.
Saori reparou que Sandaime segurava na mão uma Bíblia.
- E as sagradas escrituras? – Perguntou gentilmente a Senhorita Saori. Saori Ivi Kid Mitusumada Sato, mais precisamente.
- Para honra e glória de nosso senhor Jeová.
Ivi Saori gostou da premissa que ouviu.
Lá fora fazia frio. Era um típico dia de inverno.
- Friozão bom para ficar embaixo das cobertas. Tomar uma bebida aquecida... – comentava Saori para a menina autista. Sabia que da onde eu venho, o inverno dá um charme muito especial para o lugar? É uma terra aonde contém montanhas muito impressionantes. Ainda mais com o inverno, a vista fica muito bonita.
- Sim... Mas você gosta do inverno? – Só de dizer essa palavra a menina já ficava sinestesicamente arrepiada.
- Sim. Cada estação é importante para o plantio e a colheita de insumos agrícolas. Sou á favor que cada estação seja feita em sua estação. O frio tem que acontecer no inverno, o clima ameno no outono... – olhou bem para a garota à sua frente. No entanto, não conta para ninguém, mas ih... vou te contar que eu também sei ser verão – piscou marotamente para a menina.
A autista nada entendeu.
Subitamente, a senhora, que era gestora do hospital, se pronunciou.
- Senhores, eu convoquei essa reunião hoje com um único intuito. Quero a opinião do conselho em relação ao caso dessa menina – apontou para a garota. – Quero que vocês me digam com sinceridade o que pensam a respeito da seguinte situação.
Começou a verificar as informações presentes em suas folhas.
- Essa menina sofreu uma dura perseguição política local. Como era autista e não participava da panela de interesses promovida pela instituição que estudava, a usaram para promover uma medida exemplar. Já que a garota não conseguia ligar os fatos da realidade com o que vivenciava, a ameaçaram, a amedrontaram da pior maneira possível. Se na instituição sofreu fortes represálias por parte dos professores e alunos (os subalternos em busca de bolsas e monitorias) que jamais pensou que fariam isso, nas ruas o que encontrou foi o desprezo e agressividade por parte dos moradores nos principais lugares da cidade. A amedrontaram tanto que ela teve que ser internada, dado que piorou a sua depressão. Não podia ir ao mercado para se alimentar, não podia se quer sair às ruas sem ser ameaçada. Tudo isso ocorreu assim que a candidata de tal partido "x" tomou posse. Ela era continuação de sua gestão.
- Para você ter uma ideia do tamanho da monstruosidade ou aberração que fizeram com essa garota – prosseguia com o relato - ela não podia se quer sair de casa, muito menos checar suas redes sociais, pois as mesmas haviam sido invadidas por haters. Tudo isso foi uma manobra política muito bem pensada por um homem que queria se candidatar a um cargo mais elevado na comunidade que faziam parte.
A CEO fez uma pausa para respirar.
- A maquinação foi tão, mas tão escatológica e vergonhosa- falou a senhora com sinais de enjoo - que chegaram a colocar um boneco enforcado do lado do apartamento central em que ela morava. O boneco representava o pai político dela, já que a garota sempre fora uma cidadã que preferia mediar situações ante a casos de extremismo de direita ou de esquerda.
- Se não bastasse isso, também começaram a pichar muros e chafarizes para que deixasse de ter determinados posicionamentos – dizia isso enquanto verificava o recebimento de uma mensagem de sua amigo Michelângelo.
Olhou para a menina, antes de continuar a sua fala. A mesma estava amuada. A CEO direcionou um olhar reconfortante para a garota.
- Tudo isso, é claro, foi feito com o intuito de confundir, minar de vez a sanidade da menina. E ele foi tão, mas tão rasteiro que o maior intuito desse homem cruel e impiedoso era sair do cargo em que ocupava para dar uma falsa ideia de que era ele que a "protegia" enquanto ocupava determinada função política. Um homem asqueroso em todos os sentidos que quer voltar agora em outro cargo. Advinha só em que vaga? Na vaga do pai político da menina; um completo ser sem escrúpulos.
- Espera aí essas informações batem com a de um candidato que eu entrevistei a pouco... Não pode ser, esse cara foi omisso em fraudações de exames e agora isso... – Ivi Saori estava assustada com a revelação – Só não entendo uma coisa, ele quer essa vaga no hospital e também essa vaga política como pode?
- Uma "ocupação" vai ser laranja da outra... Só pode – deduziu a CEO.
- Meu Jesus Cristo! – Dizia o Kazekage Sandaime que chegou a se apavorar com as revelações.
- Não, esse aí pode ter a mesma idade de Cristo, mas está longe de pensar e agir como uma criança... É o verdadeiro demônio mesmo – dizia Ivi Saori nada esperançosa.
Em questão de instantes recebera no smartphone uma mensagem de Dan, seu amigo e assistente. O mesmo perguntava como foi a reunião.
Só conseguiu enviar os seguintes dizeres – "ainda estou em reunião, mas Dan já vou logo adiantar, meu amigo, você não sabe nem metade da missa que aconteceu com a menina autista".
Fora da sala de reunião, trovejou. Uma chuva se pronunciava.
- Olha aí a repressão política - dizia pesarosa a CEO, tem gente que gosta de política cheirando a um cheiro peculiar de esgoto. Esse candidato entrou em uma cidade repleta de favela e marginalidade e conseguiu a proeza de deixar a cidade da mesma maneira. Além de ser um perseguidor de pessoas quem vem de fora. As mesmas pessoas que, de alguma forma, sustentam e movimentam o comércio interino da cidade. Uma cidade, aliás, repleta de falhas na administração. Isso é um discurso demagogo. Ludibriar o povo com uma exposição de ideias sem sustentação em sua base. É muito fácil apontar erros em outras políticas, aqui dentro do hospital, quando não conseguiu fazer a lição de casa na sua própria cidade, cuja pobreza é a porta estandarte característica daquela localidade extremamente prejudicada e com déficits públicos em sua administração.
- O maior deboche é pessoas com promessas vazias virem aqui dizer que esses fatos que eu relatei não aconteceram. É uma afronta em relação ao discernimento e a sanidade pública - falou quando uma pessoa do conselho tentou defender o candidato corrompido em seus valores morais.
-Eu só quero abraçar o meu urso. É mais bonito. - dizia como a sua voz baixinha para a senhora. - Tudo o que eu aprendi em relação a ligar os fatos da realidade com o que acontecia no meu cotidiano foi por mim mesma, e não em uma universidade ditatorial em sua servidão eterna à figura maléfica de um mesmo líder político corrompido. Aprendi o jogo da vida no convívio com outras pessoas, com gente como a gente que não se deixa abater por políticos defasados e corrompidos em seu fazer político escatológico profissional em abortar práticas honestas e verdadeiras de cooperativismo público. Vou te dizer que essa é a única verdade, a qual não precisa ser publicada em um jornal. É o que é, com imparcialidade, sendo um vórtice para quem tem discurso demagogo.
A menina olhou para a propaganda no seu smartphone. "Hum, agora a propaganda está melhor, mas não tem tanta inovação assim. Sem contar que eu não uso listras; orange isn't new black, isto é, eu não aceito candidato pilantra receber as "honrarias" da crucificação no meu lugar. Agora, querer a coroa de espinhos ninguém quer, né?", dizia ferina. "De longe, minha alma é muito mais bonita que a sua, sua verdadeira feirinha de pulgas". Pensava enquanto comia uma maçã da sua merenda enquanto cogitava com seu botões. "É necessário apostar na integridade e no vórtice da verdade sempre", falava baixinho, mais para si mesma. - A menina podia ser autista outrora para unir os pontos da realidade, mas era gênia em interpretar os fatos do cotidiano, agora, conforme ocorriam.
- E ser verdadeiro não é ser tímido, e sim ciente de que honestidade é a prioridade em uma gestão aqui nesse hospital. O que não pode ocorrer é um desavergonhado desses querer mudar tudo, sabendo que não irá fazer nada a não ser enganar o povo de braços cruzados como fez a uma década atrás - dizia a CEO de maneira sábia. Um verdadeiro desequilibrado que quer megalomanizar a gestão pública da União. Não irá colocar as contas em dias, assim como não irá reconhecer que errou em fraudar exames. Uma pessoa sem escrúpulos, caráter e que cheira a esgoto assim como mais de 50% de sua cidade sem saneamento básico. Não venha elogiar a minha gestão, ou puxar o meu saco quando sabe que eu não tenho nenhum ponto a elogiar em sua administração - dizia de uma maneira incisiva a CEO.
E mais - deu um sorriso - esse candidato realmente quer fazer tudo ao contrário que eu fiz até agora, né? - fez uma pausa para olhar bem nos olhos dos membros do conselho presentes na sala -Só que ele quer fazer para o lado pior, como é o nome da cidade em que ele mora ao contrário. Seria um desgoverno que ele propõe aqui nesse hospital? Essa pessoa que vá colocar a sua honestidade em dia que ela está faltando no momento. Das contas da união, e da folha de pagamento, aqui nessa empresa, não se preocupem que todos serão ressarcidos no momento certo. O que precisávamos era estancar a sangria das contas públicas, as quais já foram sanadas - finalizava de maneira voraz a CEO. - E que esse monstro desprovido de idoneidade venha me olhar os olhos, para ele ver - disse de maneira corajosa - que o pelotão de fuzilamento das contas públicas dele é vergonhoso e sem integridade quanto a maneira de administrar. E mais - falava enquanto saboreava uma rosquinha . "Hum, será que essa rosquinha é queimada? - Não era mais a bolacha Zezé que comia. - Não está boa" - concluiu insatisfatoriamente após dar uma mordida. - Não obstante - continuou de maneira vigorosa em sua guarnição de ideias anteriormente proferidas - os atos desse ser inescrupuloso são uma agressão, uma violência, quanto a minha postura enquanto mulher empoderada, uma vez que este senhor sempre se mostrou extremamente desrespeitoso opressor com a menina autista - atacava, agora, verbalmente o indivíduo periculoso. "Quero ver andar por aí sem segurança. Tem medo de trombada, né? Acho mais é que gosta", pensava a CEO ao dar os ombros para situação.
"Empregadinho insubordinado - pensava entre si a senhora manda chuva do hospital - nem servir ao povo direito faz. Tenta elogiar, mas é um discurso que não dá em nada", murmurou entre si. "- No mais, sai Pedro, entra Paulo - seu smartphone cai no chão - quem manda mesmo sou eu, como pode ser, então, tão sem vergonha em cometer todas esses atos escatológicos? Mais um burocrata que gosta de enganar o povo enclausurado no seu gabinete. Eu tenho é vontade de vomitar quando eu vejo uma coisa má dessas" - dizia a CEO, que era mais conhecida como "gringa" na empresa hospitalar.
Lá fora, marcava 15ºC.
CONTINUA
