Capitulo 6

Disclaimer: Naruto não me pertence, e sim ao Masashi Kishimoto.

Areia

Gaara havia entrado no próprio quarto naquela noite sem saber muito o que pensar. As palavras de Neji após a saída de Hinata do escritório ecoavam na mente dele. Cada palavra se repetia inúmeras e inúmeras vezes em sua cabeça. Todo o peso da preocupação do Hyuuga parecia ter passado para si.

Fitou Suna pela janela do seu quarto e suspirou. Ele ainda podia visualizar a beleza da moça que lhe fora prometida. Os olhos que dançavam entre o lavanda e o lilás o perseguiam sempre que ousava fechar os seus.

Respirou fundo e bagunçou o próprio cabelo. Seu olhar caiu num jarro de barro com um bonsai de rosa do deserto e ele resolveu aproximar-se da flor lilás. Deixou os dedos vagarem pelo pequeno ramalhete e sorriu para si mesmo. Havia comprado aquele bonsai em uma das noites em que duvidara que sua esposa viria um dia. O sol tinha acabado de se pôr e ele andava errante pelas ruas de Sunagakure quando viu a pequena planta. Shukaku havia insistido que comprasse a planta diminuta, então ele o fez pois não havia razão em negar uma flor ao demônio que vivia em si. Ao menos não era o sangue de alguém. Comprara então a planta e a depositara no quarto. Olhar-la o fazia se acalmar e ter esperança que dias melhores viriam.

Uma semana depois Kankuro anunciou que Hinata já havia partido de Konohagakure rumo a Suna. Sua esposa finalmente estava a caminho.

Fitou a delicadeza da cor e quase sorriu ao pensar que a planta o lembrava dos olhos de Hinata.

Sentou-se e ficou fitando a flor imerso em pensamentos. Estava confuso e sabia que não existia uma estratégia 100% perfeita para se ganhar o coração de uma mulher.
Neji havia lhe dito que deveria tentar agradá-la com pequenas coisas, pois ela não era do tipo de mulher extravagante. Havia dito que, embora ela fosse tímida e passasse grande parte do tempo em silêncio observando os outros sem demandar muita atenção, ele devia dedicar boa parte do seu tempo a fazer companhia para a moça e, mesmo sendo ele um homem anti-social e não entendo muito bem como relacionamentos funcionavam, ele podia demonstrar que prestava atenção nela a partir de pequenos gestos. Contudo deveria iniciar sua relação com uma conversa direta e clara, ou ela nunca o deixaria conhecê-la por completo.

Então ele resolveu que faria um esforço a mais por ela. Resolveu que tentaria mostrar que se importava com a presença dela. Afinal ele sabia o que era viver de forma isolada, sabia como era crescer sendo detestado e afastado. Sabia o que era desejar um pouco de atenção sincera e sem segundas intenções de alguém. Assim como ela, ele entendia a solidão e iria fazer tudo que estivesse ao seu alcance para não permitir que ela continuasse a se sentir sozinha.

Não permitiria que ela continuasse a sofrer mesmo depois de deixar os Hyuuga.

Parou e franziu as suas sobrancelhas tão ralas que eram quase inexistentes. Não sabia de onde toda essa vontade de protege-la e faze-la se sentir bem. Sequer se conheceram de forma apropriada ou conversaram. Fitou as próprias mãos pensativo, lembrando-se da inédita urgência de toca-la que sentira quando a viu. Seu dedos ainda formigavam clamando pelo calor da pele dela.

Seu corpo inteiro clamava para aproximar-se dele. Para senti- la, conforta-la, amá-la Eram sensações tão destoantes com seu caráter. Desde pequeno desejara receber um abraço, ser tratado com carinho e poder proteger alguém sem que essa pessoa o temesse, mas era apenas desejos. Eram apenas pensamentos que o deixavam tão logo se alojavam em sua mente. Mas com ela era diferente. Seu corpo e mente gritavam para mante-la ao seu redor, para não se afastar dela.

Era como se ela o sugasse em sua direção.

Uma sensação estranha o percorreu e ele abandonou sua linha de pensamento, ficando subitamente tenso. Saiu do quarto quando sentiu algo correr pelas paredes do castelo novamente e começou a andar na direção em que sentiu o distúrbio. Dentro da sua mente Shukaku novamente se agitava.

Dobrou alguns corredores e encontrou Neji e Hinata no canto de uma sala. Sentiu Shukaku rosnar um pouco em reconhecimento e se acalmar. Ignorou-o. Sentiu Neji erguer o olhar em sua direção e com sua melhor voz desprovida de emoções saudou-os.

- Vim para guia-los para o local em que servirão o desjejum.- disse.

Esperou que os irmãos se levantassem e começou a guia-los pelo castelo. Observou-os pelos inúmeros espelhos que haviam no caminho e percebeu que Hinata seguia Neji como uma sombra enquanto andavam. Viu que o véu púrpura cobria o cabelo que durante a madrugada ele pudera ver algumas mechas azul escuras, um lenço ônix cobria o rosto dela e se escondia por debaixo do véu nas extremidades. A túnica dela era branca com detalhes roxos e uma faixa preta e púrpura envolvia a cintura fina da moça.
Dobrou uma nova série de corredores salões, salinhas e quartos. Após várias e várias portas, escadas e passagens ornamentadas, finalmente chegaram numa pequena salinha com uma mesa onde os outros já comiam. A mesa era feita de vidro e sua superfície era de madeira de lei escura. As cadeiras todas eram da mesma madeira e eram acolchoadas com uma estampa vinho.

Ele viu Neji sentar-se e lhe jogar um olhar de soslaio. Sem pensar duas vezes puxou uma cadeira para Hinata, esperou ela se sentar e então sentou-se à direita dela.
Viu o meio sorriso de Kankuro, o sorriso acompanhado por um brilho divertido no olhar de Naruto e Kakashi e o olhar de aprovação vindos do herdeiro Hyuuga e do Uchiha, mas permaneceu calado e impassível. Focou sua atenção na única garota sentada à mesa e começou a mostrar-lhe alguns alimentos próprios de Suna. Em silêncio observou a forma que os olhos dela analisavam cada fruta e prato culinário. Não perdeu o brilho curioso dela em relação a alguns itens em especial e logo começou a ajuda-la a escolher.

Sua voz e a voz dela eram baixas, quase um sussurro. Ambos conversavam de forma calma sobre os alimentos que foram servidos. Ele permitiu que a sombra de um sorriso se formasse brevemente em sua boca. A dama ao lado dele possuía uma voz agradável para seus ouvidos e um olhar que fazia parte do gelo que era seu coração derreter temporariamente.

Ouviu Shukaku volta e meia emitir ruídos de aprovação com as escolhas que ela fazia e com a maneira que comia. Sentiu alívio então, percebera que Shukaku não iria tentar matar sua esposa porque, pela segunda vez na vida de Gaara, o demônio se via agradado por algo que não envolvia violência, sendo a primeira quando comprara a rosa do deserto (que por acaso lhe lembrava a cor dos olhos dela). Comeu em silêncio analisando a nova situação em que se encontrava e percebeu que não se sentia ameaçado pela presença dela e não lhe era indiferente. Com um sensação de paz que raramente sentia, convidou-a para caminhar pelo castelo ao seu lado, pois hoje Kankuro havia lhe dado folga e os servos demorariam para levar os pertences dela para o seu novo quarto. O quarto dele.

Com bochechas obviamente coradas - ele podia ver uma fração do topo da maçã do rosto dela - ela aceitou o pedido dele e juntos iniciaram um tour pelo castelo. Ele possuía uma meta no final desse passeio, mas ela desconhecia esse fato. Então começou a guia-la pelos locais que sabia que ela mais apreciaria e depois a levaria para o local de seu objetivo. Seu esconderijo naquele lugar enorme.


Hinata assistia com interesse a forma na qual seu marido se comportava. Percebeu o orgulho silencioso dele ao passarem por algumas partes específicas do castelo através do brilho mais claro que os olhos verdes adquiriam. Embora ele mantivesse a postura estoica e nem o rosto, nem a voz deixassem suas emoções escaparem, ela percebeu que os olhos dele mudavam. Ora se suavizavam minimamente, ora se tornavam mais rígidos.

Acompanhou-o com um tímido sorriso pelos salões de festa. Passaram por um salão onde paredes curvas com enormes vitrais colorido retratavam as belezas do deserto, o piso circular era de porcelanato marfim com uma enorme flor de lótus azul clara no centro do lugar e, olhando para cima, via-se o teto côncavo com colunas grossas nas extremidades sustentando a curvatura que culminava numa claraboia rosada. Após algumas curvas pararam numa enorme sala com paredes longas e retas opostas e paredes curvas nas extremidades ligando essas duas opostas, pinturas retratavam a fauna e flora encontradas nos desertos, o piso era um mosaico ondulado que variava entre a cor da areia, bege e amarelo queimado que simulavam as dunas, uma mesa com cinquenta lugares se estendia se uma ponta a outra em toda sua beleza feita de cristal e madeira de cerejeira polida e envernizada com cadeiras feitas com a mesma madeira e assento estofado da cor do salmão.

Ela ficara encantada com esses dois lugares em espacial, mas nada superou o que veio depois.

Gaara a guiou para as passagens que ligavam uma torre e outra através de trilhas de pedra. O olhar dela bebeu com avidez a beleza dos jardins cultivados nesses locais. Tamareiras se erguiam com assombrosos quatro metros de altura, cactos floridos rodeando-as com sua pouca estatura, outras palmeiras que desconhecia se precipitavam em direção ao céu proporcionando sombra, ervas daninhas floridas se agarravam aos cactos e algumas flores pequenas e coloridas se aglomeravam ao redor de pequenas fontes de água onde peixes exóticos nadavam despreocupados tendo plantas aquáticas e girinos escuros como companhia. A cada nova trilha a cena se repetia com pequenas diferenças entre elas.

- Esses pequenos oásis são as ramificações dos outros oito principais. Algumas épocas do ano a água ficam próximos à superfície e as plantas se agarram a esse tempos em busca de sobrevivência, o que leva a manutenção natural desses jardins.- Gaara disse enquanto a observava tocar de forma curiosa algumas flores de cacto amarelas.
Depois de um tempo ela correu de volta para o lado dele e eles continuaram o passeio.

Após andarem bastante e quase perderem o almoço. Eles atravessaram uma passarela alta com arcos enormes proporcionando luminosidade e delas a ex-Hyuuga podia ver o topo farto de folhas verdes das tamareiras. Gaara liderou por um caminho cheio de escadas em espiral com janelinha diminutas e circulares, alguns corredores e várias portas fechadas. No fim abriu uma das portas e Hinata reconheceu o lugar como sendo o escritório dele. O cheiro de sangue ainda impregnava o local muito embora ninguém nunca tivesse efetivamente morrido ali. A culpa era das papeladas e mais papeladas com ordens de execução imediata, tortura e batalhas.

Hinata segurou firme sua ânsia de vômito e resolveu focar no marido. Assistiu sem mover-se ou falar como ele retirava um quadro que retratava um oásis no meio do deserto durante a noite, afastava uma poltrona de couro marrom e dois vasos com cactos grandes e amarelados com flores brancas ainda fechadas em botões, para mostrar uma porta num pequeno declive na parede. Ele abriu a porta e deu espaço para que ela passasse.

Subiram por uma nova escada em espiral, desta vez mais inclinada e com degraus mais curtos e enfim foram agraciados com a claridade. Hinata não pode fazer outra coisa além de ficar extasiada com o local.

Não importava para que lado ela olhasse seus olhos cairiam na beleza de uma rosa do deserto. As plantas enfeitavam a borda do piso circular gigante enterradas em vasos que se escondiam por dentro da estrutura deste e formavam vários círculos de terra e areia num círculo maior. O caule era grosso e de aparência áspera, as folhas esverdeadas também mostravam sua resistência quanto a perda de água e as flores, oh! as flores!, eram tão lindas que fazia Hinata perder o fôlego. Buscou Gaara com o olhar e percebeu que ele havia se apoiado numa coluna e assistia com interesse a cidade lá em baixo a partir das janelas sem vidro de 360º dali de cima.

O olhar deles se encontrou e ela sorriu por debaixo do véu. Sentia suas bochechas corarem e seu coração se aquecer.

Talvez toda aquela loucura de casar-se porque era parte de um destino a cumprir não fosse tão ruim.

Talvez ter Sabaku no Gaara como marido não fosse tão ruim.

Talvez não seria tão difícil amar o ruivo mais poderoso de Sunagakure.


Esse Gaara ta muito OC, mas eu precisava disso. Enfim, espero que gostem.

BarbaraGava, ela é foda mesmo! Hehehe, eu sinto que plagiei a profecia de alguém, mas não sei de quem. To puta com a aprovação do projeto que alega que só casais heterossexuais com filhos formam famílias, sou tão liberal que me recuso a acreditar. Eu não tenho 18 ainda não, to com 17. Por mais estranho que pareça, eu ainda sou muito infantil. Meu comportamento vai de um extremo ao outro e as vezes pareço uma criança de quatro anos e tres minutos depois uma velha de 90. A culpa é do meu corpo em desenvolvimento. HinaHarem! Descobri o que é sofrer ao fazer o ultimo capitulo de O Uchiha com 4000 palavras T.T. Até! Beijão.