Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
Ao final de duas semanas, Hinata sabia algumas poucas coisas sobre seu marido. A primeira era que, apesar da conversa no terraço no primeiro dia, ele só falava quando era estritamente necessário. A segunda era que ele não dormia, nunca. Quando perguntara o porque para ele, o ruivo apenas dissera " coisas ruins acontecem quando durmo", então perguntara a Kankuro e o Kage respondera que quando dorme Shukaku acorda. A terceira era que ele adorava o nasce pôr do sol. A quarta era que todos os dias, após tomar café da manhã ao lado dela, ele partia para vigiar os portões da Vila junto aos seus subordinados, treinar o exército ao seu comando e resolver várias papeladas oficiais e que eram segredos de Estado, voltando apenas para almoçar com ela durante o dia ou para o jantar, quando ele a fazia companhia até o nascer de mais um dia.
Durante todo o período que ele passava trabalhando, ela andava sem rumo pelo castelo com o irmão, Sasuke e Naruto. Os irmãos iam de cômodo em cômodo tentando destruir o máximo de energia negativa e traços de demônios menores em formação pelo lugar enquanto os outros dois vigiavam as portas e os alertavam da presença de outras pessoas nos arredores. Kakashi também sumia, pois passava o dia junto ao Kazekage resolvendo tratados políticos e militares.
Quando o sol caia e as pernas de Hinata fraquejavam, ela se sentava em um dos jardins e esperava, sabendo que a qualquer minuto Gaara viria direto para ela e a guiaria para a sala de jantar. Eles percorriam o caminho em um silêncio confortável com um comentário ou outro.
As vezes Hinata apontava para os quadros e perguntava quem era cada pessoa e Gaara a respondia de forma curta e direta, fazendo aparentar que ele estava irritado e afastando os servos nas proximidades. Porém Hinata sabia melhor e se mantinha fazendo perguntas por saber que ele era muito mais paciente do que aparentava e que apreciava ser o centro da atenção dela quando falava.
Aos poucos ela se aproximou mais e mais dele. Sua maneira tímida e silenciosa parecia afetá-lo de forma positiva e ela se viu tendo esperanças de que tudo desse certo.
Então depois de duas semanas presa a mesma rotina, Neji anunciou que ele e os outros deviam partir. Com o coração pesado ela abraçou o irmão e eles ficaram parados, ajoelhados em uma das salinhas mais reservadas do castelo pelo que pareceram horas. Era o último conforto que ele podia dar a ela antes de partir de volta para Konohagakure. Ela passou esse último dia rindo da forma que Naruto discursava sobre como sentia falta da moça de cabelos rosados e personalidade forte que era dona do coração dele, Sakura, enquanto Sasuke grunhia e dizia irritado que preferia se perder no deserto a voltar pra vila e ter que aguentar o Uzumaki declarando seu amor imortal pela Haruno por uma semana sem descanso com uma voz estridente. Em um momento do dia Kakashi finalmente saiu do escritório de Kankuro e ficou apenas parado ao lado dela observando o movimento nas ruas de Suna pela janela. O silêncio de ambos era uma despedida comum para duas pessoas de poucas palavras como eles.
Ainda pelo fim da tarde, faltando uma hora pro sol se pôr, o grupo partiu. Hinata permaneceu parada e não ousou se mover enquanto eles sumiam por entre as dunas. Gaara se manteve ao lado dela como uma sombra durante todo o momento de partida deles. Quando ela já não pode mais ver a silhueta do irmão, percebeu que os olhos de Gaara estavam sobre si. Sentiu de forma entorpecida como ele segurava seu cotovelo com a ponta dos dedos e a guiava de volta para o castelo. Deixando o portão gigante da Vila para trás e ignorando todos os pares de olhos que acompanhavam seus movimentos.
Aquela noite ela não jantou. Tampouco ele o fez.
Seguiram direto para a privacidade do seu quarto e se trancaram lá dentro. Ela se banhou primeiro e ele se lavou logo em seguida. Ela se deitou na cama de casal e se encolheu por debaixo dos cobertores. Pouco depois ele se uniu a ela com um pouco menos de pressa. No escuro do quarto viu as lágrimas dela brilharem. Sem saber o que fazer, ficou parado assistindo-a chorar. Ouvindo os soluços silenciosos e vendo como ela tentava esconder seu rosto.
Gaara já estava entrando em desespero quando percebeu que duas horas depois da partida de Neji ela ainda chorava compulsivamente na cama. Meio sem jeito e hesitante, ele deslizou a ponta dos dedos pelas bochechas coradas dela da mesma forma que tinha visto Shikamaru, o namorado de sua irmã, fazer com Temari uma das poucas vezes que ela se permitiu chorar. Com cuidado limpou as lágrimas de Hinata e a fitou. Logo dois olhos gigantes o fitavam em confusão como luas gêmeas.
Era a primeira vez que ele confortava alguém. Era a primeira vez que tocava alguém que não era um dos seus irmãos, Naruto ou Baki.
Percebeu que a pele dela era macia e deixou parte da armadura de areia que o cobria se desfazer nas mãos. Sentiu encantado a maciez do rosto dela e o calor tranquilizante que ela emitia. Assistiu com fascínio a forma que ela respirou de forma mais profunda e fechou os olhos, relaxando sob seu toque. Quase recuara pensado que ela sentira medo, mas ela sentira suas mãos tremerem e abriu os olhos, enviando um olhar que ele desconhecia, mas que Shukaku descreveu como um pedido para que ele continuasse a toca-la.
Acariciou a face dela por toda a noite. Sempre que pensava em parar e afastava a mão ela se remexia buscando o toque dele.
Hinata acordou se sentindo horrível. Suas pálpebras estavam inchadas, haviam olheiras sob os olhos que ela tinha certeza que estavam vermelhos. A dor de cabeça a fez ficar tonta com a luminosidade no quarto. Lembrava-se que no dia anterior ela havia chorado por horas após sair do banho e deitar-se. Lembrava-se do olhar inquieto de Gaara e de ler a preocupação na aura dele.
Lembrava-se do toque dele.
As mãos frias apesar dele ter crescido no deserto ainda pareciam acaricia-la como fantasmas da sensação real.
Ouviu a água correr e soube que ele ainda não havia partido, mas se banhava logo ao lado.
Com um suspiro deitou a cabeça no travesseiro novamente e deixou sua mente vagar. Ela sabia que ele nunca tocava as pessoas. Sabia disso porque uma noite estendeu a mão para afastar o cabelo ruivo que caia nos olhos dele e imediatamente Gaara havia adotado uma postura defensiva, segurando o punho dela com força suficiente para deixa-la com marcas roxas dos dedos dele. Assutada, ela quase começara a chorar, mas ele se acalmou e se desculpou. Naquela noite ele havia contado para ela sobre como um tio que fingia amar seu sobrinho se aproveitou da inocência da criança para tentar mata-la. O nome desse tio era Yashamaru e a criança, bem, era o ruivo com aversão a toque que se deitava ao lado dela todas as noites a menos de 40 centímetros de distância e se recusava veementemente a dormir. Perceber que ele iniciara contato e que se dispusera a acalma-la com seu toque durante toda a noite fez a dor em seu coração ficar mais leve.
Durante essa noite ele havia permitido que ela chorasse pelo tempo que quisesse. Durante essa noite ele a confortou em silêncio. Durante essa noite ele deixara parte de sua barreira emocional e física cair pelo bem dela.
Lembranças de quando era menor e chorava por qualquer motivo que fosse flutuaram por sua mente. Havia aprendido a chorar emitindo o mínimo de barulho possível e sempre escondida com o tempo. Seu pai não permitia que chorasse. Ele infligia dor nela a partir de palavras que boa parte das vezes ela desconhecia o significado, mas conhecia o sentimento que elas carregavam. Cansara de gritar de medo do próprio pai. Cansara de correr pelos corredores da mansão fugindo do monstro que a criava apenas para terminar deitada com marcas roxas pelo corpo.
Para terminar o dia com olhos vazios de boneca.
Ainda podia ouvir a voz dele vociferar palavras. Inútil. Fraca. Filha bastarda. Erro do destino. Imunda. Falha. Menina sem valor. Criança podre. Podre. Podre. Podre. Po
( você não é minha filha! Aquela mulher, a sua mãe, engravidou de outro homem. Você não carrega meu sangue. É uma decepção ter que te chamar de Hyuuga. Me arrependo amargamente de ter te deixado nascer. De não te matar enquanto você era apenas um bebê recém nascido. Porque você é podre! Nasceu podre entre pessoas puras! )
dre.
Tampou os ouvidos tentando abafar a voz do pai, mas o ato se provou inútil. Ele não estava ali fisicamente. Era sua mente. Sua mente assustadora que mostrava coisas que ela queria esquecer, apresentava imagens que preferia não ver e vozes que ela queria ignorar. Imagens de um passado
( uma garotinha com não mais que nove anos se olhava no espelho. O kimono preto com um obi branco escondia seu corpo marcado. Não importava quão grosso era tecido ela ainda podia ver.
As marcas de mãos. Os cortes de lâminas. As bolhas de queimadura. As linhas verticais de um chicote. Os furos de unhas e agulhas. A dor. Estava tudo ali. Ela podia sentir.
Mas o que mais doía não era seu aspecto físico. Não, a pele dela iria se curar como sempre. O braço voltaria para o lugar sem a ajuda de ninguém. O tendão rompido ficaria novinho como se nada tivesse ocorrido. Não. O que doía era ver os olhos refletidos no espelho.
A cor lilás clara de sempre fora substituída por uma púrpura profunda e gélida. Ela podia ver o vazio dentro de si mesma. Podia ver a ausência dos momentos de felicidade real gritar.
Olhou para suas mãos e viu os cortes cicatrizando. Voltou a olhar para seu reflexo e fez o que sempre fazia quando se sentia vazia.
Escapou.
Viu seu corpo cair inconsciente no chão e por um momento torceu para bater a cabeça e morrer, da mesma forma que seu pai fazia quando a arremessava contra a parede. Percebeu que ainda respirava e suspirou.
- Não adianta muito tentar se matar. Você sabe disso, certo? - uma voz masculina comentou com uma espécie de humor negro.
- E-eu só queria p-parar de sentir dor. Queria f-fugir daqui pra s-sempre. - respondeu.
- Fugir não ajuda no seu caso. Ainda existem coisas importantes em curso que vão precisar de você. - ela pôde ouvi-lo estalar a língua.- Venha, temos que retirar essa escuridão de você. Vamos limpar você. )
que não se importaria de apagar.
Sentiu o mundo escurecer e antes que pudesse perceber adormeceu.
Gaara saiu do quarto com cuidado para não acordar Hinata. Andou pelos corredores ainda sem seu traje de batalha e se dirigiu ao escritório do irmão. Sabia que a essa hora Kankuro já estava de pé por causa da volta de Temari em breve. Sequer bateu na porta. A secretária do irmão o fitou entrar em silêncio.
Kankuro estava sentado atrás da mesa assinando vários documentos com o rosto franzido. Ele ergueu os olhos castanhos e observou o ruivo entrar.
- Algum problema?
- Hai.
- O que aconteceu?
- Hinata.
Kankuro fitou o mais novo com uma sobrancelha erguida em dúvida.
- Hinata?
- Hai. Ela não para de chorar.
- Por causa da partida de Neji?
- Hai.
O Kazekage suspirou e esfregou a ponte do nariz.
- Apenas deixe-a chorar.
O mais novo olhou para o irmão com ceticismo. Kankuro sorriu com a inexperiência dele.
- As vezes as pessoas precisam chorar para superar uma dor. Quando pequeno, você também chorava muito. Principalmente quando Yashamaru... Enfim, deixe-a chorar e não saia do lado dela.
- Não sair do lado dela?
- Uhum. Se você deixar que ela passe muito tempo só pode ser pior.
- Mas eu tenho que trabalhar.
- Então leve-a pro trabalho.
Os olhos verdes se encheram de confusão.
- Mas e se o ambiente for pesado demais para ela? Neji disse...
Kankuro riu.
- Depois do inferno que ela viveu dentro de casa? Duvido. Vai ser pior deixa-la sozinha. Você sabe o que acontece se ela não conseguir superar sua tristeza.
- Hai. Então vou leva-la comigo.
Kankuro assistiu o irmão partir. Sorriu para si mesmo. Sabia que mesmo que o ruivo não percebesse, a presença da esposa já mostrava resultados. Ele até já se preocupava com ela. Olhou a vila da janela e viu Matsuri se aproximando do castelo ao longe. Era a única mulher fardada andando pelas ruas de areia. Seu coração se apertou por ela. Sabia do amor dela pelo seu irmão e como ele pensava nela como uma irmã mais nova. A presença de Hinata era uma ameaça na visão da garota e ele temia até onde ela iria ao ter sua bolha de ilusão destruída.
Respirou fundo e se sentou.
- Ninguém vai encostar na Hyuyga, Matsuri-chan. Mesmo você. Te destruo se pensar em destruir a felicidade do meu irmãozinho. - disse para si mesmo antes de voltar a assinar múltiplos documentos.
Demorou, mas finalmente pude postar! Sinto ter que faze-los esperarem. Enfim, eu decidi chutar o pau da barraca, infelizmente não tem como não deixar o Gaara meio OOC principalmente depois de passar um ano escrevendo O Uchiha. Eu percebi também que sou praticamente obrigada a vagar entre um retrato fiel dele e una versão OOC por causa do enredo. É confuso, mas no futuro começa a fazer sentido o porque de ter que auterar ele umvpouco. To arrancando meus cabelos pra não deixa-lo muito emocional. Arg! Que problemático!
Obs.: sabiam que a classificação M veta sexo explícito? É tipo um 16 anos aqui no Brasil. Vou ter ue fazer umas adaptações basicas no assunto. Essa vida politicamente correta as vezes é um saco. Mas não posso arricar ser sensurada uma segunda vezuito trabalho ter que reescrever toda un fic porque não obedeci as regras '-' . Então não esperem algo explícito de mim. Vou espalhar as dicas pelo texto e entendedores estenderão. Tá, não vai ficar tão vago, mas também não vai ser explícito, ok? Espero que compreendam meu ponto.
BarbaraGava, você gostou quanto numa escala de 1 a 15? *-* Eu acho (tenho certeza) que vou chutar o pau da barraca e manter ele meio OOC. Os votos do Gaara e da Hinata me custaram uma semana de desespero. Pra quem não namora faz quatro anos, alguns detalhes sugam minha alma. Se mostrar pro boy magia ele vai enciumar, cuidado hahaha. O Shukaku não é bobo não, entre ele, a Hina e o Gaara, o Ichibi é aquele que mais manja dos paranaue. Sem tirar que vovó já dizia que você só sabe que conquistou um homem quando tanto o lado selvagem como o civilizado dele são leais a você Haha. Imagina o Gaara consumando o casamento de primeira? Ele teria que imobiliza-la e fazer tudo sozinho com medo de ser assassinado pela própria esposa. Os traumas dele continuam vivos e mesmo depois dos votos e tal, ela continua sendo uma estranha. Iria ser um desastre a união física deles dessa forma! \'0'/ Infelizmente não rola uma festinha básica de casamento ou uma cerimônia tradicional por causa da vaca do Hiashi. Não é obrigatório a cerimônia religiosa quando se é casado no civil e supostamente a Hina é um fantasma na história do mundo. Se houver uma cerimônia as pessoas vão buscar saber quem exatamente ela é. É jogar todos os anos que a isolaram e esconderam no lixo ao declarar abertamente a identidade dela. Mas quem sabe lá pra frente, num ato de desespero, eu caso os dois com uma mini cerimônia e tudo mais?Até e beijos!
Luciana Fernandes, que bom que gostou! Ralei como condenada pra escrever as falas, qlgo que geralmente tenho horror a fazer porque narro muito mais do que escrevo diálogos. E sai dessa preguiça e continue a acompanhar e a mandar reviews, se não eu me revolto e mato todos os personagens numa luta fontra um inimigo com cara de bebê! Eu vou ficar malvada! Ò.Ó Obs.:GaaHina é tudo! Beijos.
Oo Jaq oO, fico feliz que tenha apreciado! O Gaara é um amor apesar de ser meio lerdinho em relacionamentos haha. Ele fofo como o ursinho de pelúcia que ele tinha quando mais novo *-* Beijos e até o próximo cap!
Agnes, sabia que se eu tiver una filha vou por o nome dela de Agnes? Ta na minha lista de nomes junto de Morgana e Erza *-*.Enfim, o que importa é que o seu coração foi derretido! Awwn!*-* Fico muito feliz que tenha gostado e pode ter certeza de que vou continuar. Espero te ver msis vezes nas reviews. Beijos!
