Capítulo 9
Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
Após conversar com o irmão, Gaara retornou ao quarto e encontrou Hinata dormindo. Com cuidado se aproximou e começou a chama-la. Depois de algumas tentativas ela acordou e eles seguiram juntos para o desjejum. Enquanto comiam ele observou cada mínimo detalhe visível nela.
- Hoje vou te levar comigo para meu trabalho. És minha esposa e o mínimo que posso fazer é lhe fazer companhia nos dias difíceis. - disse com um tom autoritário. Temia que ela se recusasse e desconhecia outra forma de aplacar a dor que sabia que ela estava sentindo.
Hinata apenas concordou e permaneceu silenciosa. Subiram juntos para o quarto e se arrumaram. Ela ajudou-o a colocar a armadura e depois se vestiu. Saíram juntos e em silêncio do quarto, o foco de ambos residindo apenas em chegar ao local de trabalho do ruivo o mais rápido possível.
Gaara guiou o caminho e observou a esposa com o canto dos olhos. Viu que ela olhava o ambiente ao seu redor sem a mesma alegria recatada que exibiu nas outras duas vezes que ele a levou para passear na Vila. Dessa vez ela apenas seguia de cabeça baixa e observava um coisa ou outra quando algum barulho lhe chamava a atenção. Até mesmo o olhar suaves e as palavras gaguejadas que dedicava às crianças que cruzavam seu caminho haviam reduzido consideravelmente ao zero.
Franziu as sobrancelhas inexistentes de tão ralas e claras numa leve carranca e se perguntou se o que fazia era o certo. O ânimo que ela geralmente portava estava totalmente ausente e a aura calma que a cercava havia sido substituída por uma fina camada de tristeza. Buscava sem sucesso o sorriso miúdo e tímido que enfeitava os lábios dela sempre que ele voltava do trabalho e a encontrava em um dos jardins do castelo. Seu olhar percorria sedento os olhos baixos dela a procura do brilho que ali residira no dia que ele mostrou para ela sua biblioteca particular escondida por uma porta anexa ao seu escritório na torre principal por volta da primeira semana depois da chegada dela.
Hinata seguiu o marido particularmente calada. Pela primeira vez desde que chegara em Suna, as ruas não sugavam seu olhar. Os tecidos coloridos nas tendas pareciam ter perdido o brilho, o cheiro de incenso no clima seco não parecia balançar seus sentidos e as vozes graves do povo nativo não a fizeram parar para ouvi-los. Viu as crianças atravessarem seu caminho e pararem para observa-la em expectativa, os olhinhos brilhando a espera do toque reconfortante da esposa do irmão mais novo do Kazekage. Sorriu triste por debaixo do véu e apenas acenou para eles. Viu os olhos deles caírem enquanto se afastavam dela e sentiu seu coração se apertar.
Em um impulso de coragem, resolveu observar o caminho e se sentiu perdida ao olhar ao seu redor. As ruas não eram tão cheias ou barulhentas, não havia crianças por perto ou qualquer sinal de vida comercial. Viu a aparência estéril se agravar cada vez mais conforme dobravam as ruas. Seu olhar curioso seguiu o homem ruivo que liderava o caminho pelo bairro vazio com prédios altos e intimidadores que se estendiam de uma esquina a outra.
Gaara suspirou baixinho e parou de frente para um prédio enorme feito de concreto e pedra. Paredões cinzentos e ásperos se estendiam com curvas brutas e intimidadoras para os lados e em direção ao céu, onde torres hexagonais vigiavam todos aqueles que ousassem se aproximar daquela zona. Era um monstro que destoava das cores naturais do deserto. Janelas arredondadas e estreitas feitas com um grosso vidro blindado observavam atentos cada passo do casal como um leão que espera para dar o bote.
Ele entrou e segurou a porta para ela. A moça entrou e pousou seu olhar curioso na entrada em tons pastéis do lugar. Um brasão vermelho com a imagem de um dragão dourado cuspindo fogo e outro negro soprando vento enquanto o território de Sunagakure se situava entre os dois na cor bege. De um dos vários corredores que se iniciavam naquele ponto surgiu um homem de estatura mediana e olhos cinzentos. Ele se abaixou e se curvou de forma que um de seus joelhos tocava o chão e o outro apoiava o cotovelo enquanto mantinha a cabeça baixa.
- Gaara-sama, Hinata-sama. - o homem disse com sua voz seca sem ousar fita-los.
Gaara meneou a cabeça em reconhecimento e Hinata se curvou levemente de frente para o soldado.
Aquele fora o primeiro entre todos os que ela veria dentro daquele lugar. Os olhares afiados e treinados de cada um daqueles homens e mulheres seguia o casal em um silêncio incômodo. Ela tentou ignorar o peso do olhar de cada soldado que vigiava seus passos naquele lugar. Ela também tentou ignorar o cheiro de sangue que impregnavam o local e os sussurros dos mortos que tentavam alcançar seus ouvidos. Mas o que a assustava era natural para Gaara. Observou o marido caminhar tranquilo pelos corredores feios e escuros sem se abalar. Observou também que cada soldado ao passar por ele se ajoelhava, mas que ao passar por outros de patente superior a eles e inferior ao Comandante Supremo, apenas batiam continência e partiam.
Inúmeras vezes soldados questionaram seu líder sobre a presença da ex-Hyuuga num local como aquele. O simples fato dela ser uma civil andando pela base das Forças Armadas de Sunagakure no Sato já atraía atenção suficiente.
- Ela é minha esposa, portanto deve conhecer o local em que trabalho. - era tudo o que o ruivo respondia.
Ela passou o dia seguindo-o para todos os lados. Observando em silêncio a rotina dele. Assistiu as reuniões oficiais dele a partir de uma cadeira confortável num canto da sala de reuniões ocultada pela sombra natural proporcionada pela ausência de janelas amplas. Sua presença logo esquecida pela presença intimidadora de seu marido na presença dos seus subordinados.
Quando o sol estava próximo de cair, ele parou de assinar papeladas e de responder às reuniões para dar atenção para a esposa. Voltaram para o castelo em silêncio e ele pediu que o jantar fosse servido no quarto onde ambos buscaram refúgio. O ruivo desfez o nó que segurava as cortinas e cobriu as janelas. Com calma acendeu algumas velas e respirou a fez sentar-se na sua poltrona vinho preferida e se sentou de frente para ela. Os olhos verdes não a deixavam. Hinata se remexeu ainda tensa com o dia incomum em sua vida antes de responder ao olhar intenso dele.
Hinata fechou os olhos quando ele estendeu a mão e abaixou o véu que cobria o rosto dela. Com gestos lentos, acariciou o rosto macio dela antes de desfazer o nó que segurava o véu que escondia o cabelo dela no lugar. Ele segurou um sorriso quando deixou as mãos vagarem pelo rosto e cabelo dela, se concentrando principalmente nas bochechas que coravam cada vez mais com o toque dele.
- Você está bem?- a voz rouca dele era quase um sussurro.
- H-hai.
- Não minta para mim.
Ela mordeu o lábio inferior e desviou o olhar.
- Eu não estou acostumado a ter tudo isso, Hinata. Minha vida girava em torno de ser uma arma letal viva. Cresci aprendendo táticas de guerra e as milhões de formas de se matar alguém ou arrancar informações vitais no meio de uma batalha. Fui educado para ser um monstro e não para entender como os sentimentos funcionam. Eu não sei o que você está sentindo, mas sei que é ruim. Te ver chorar... Dói aqui.- ele segurou acima do próprio coração. - E eu... Eu quero fazer essa dor parar. Eu não quero te ver chorar. Mas eu nasci um monstro e não sei o que fazer. Eu não sei como se tira a dor emocional de alguém.
Ele deixou a mão cair e abaixou o olhar.
- Eu sou um monstro.
Hinata o fitou e sem pensar duas vezes se levantou da poltrona e se ajoelhou de frente para ele. Ela retirou a luva das mãos e tocou o rosto dele de forma lenta e cuidadosa. Um sorriso leve brotou em seus lábios. Viu que Gaara voltou a observa-la e sorriu um pouco mais para ele.
- V-você não é um monstro. Você é S-Sabaku no Gaara. É o meu marido.
Ele a fitou sem se mover e depois fechou os olhos. Gostava de sentir o toque suave dela sobre o seu rosto. Sentiu os dedos finos e suaves dela deslizarem pela maçã do rosto dele, depois pela ponta do nariz em direção a testa. Abriu os olhos ao senti-la encaixar seu rosto entre as mãos em concha nas bochechas firmes e alvas dele.
Gaara fitou o rosto oval dela sem ousar se mover ou falar. Seus olhos verdes vagaram pelas gotas lilás mais escuras próximas a borda da íris dela em direção a confusão branca e lavanda no centro. Ele sentiu seu próprio rosto relaxar ao analisar a suavidade com a qual ela o fitava.
- Você é o meu marido. - ela repetiu baixinho.
Eles mantiveram o olhar fixo um no outro.
Hinata sorriu para ele e retirou as mãos do rosto dele. O ruivo soltou um grunhido pela perda do contato, mas se conteve. Ela abriu os braços e se aproximou um pouco mais.
- P-posso te a-abraçar? - pediu num fio de voz fitando-o a espera de permissão.
O primeiro impulso dele foi negar, mas o olhar esperançoso dela o fez repensar. Sentiu seu corpo enrijecer, porém concordou com um grunhido seco e em tom de dúvida. Observou a forma que ela se aproximava vagarosamente dando espaço para ele recuar a qualquer momento. Sentiu os fantasmas dos dedos dela deslizarem pela lateral do seu tórax e pouco a pouco o envolverem. Com um olhar atento viu como ela abaixou o rosto e o abraçou por completo. As mãos pequenas descansaram nas costas amplas masculinas e o rosto adorável dela se escondeu no peitoral bem trabalhado dele.
Hinata esperou de olhos fechados o momento em que ele retribuiria o abraço e quando ele respondeu hesitante o ato dela, deixou um sorriso se espalhar pela face triste. A dor da partida do irmão e dos seus outros amigos lentamente abria espaço para o calor que seu marido provia. Ela ousou erguer o rosto e fita-lo diretamente e percebeu que ele mantinha os olhos fechados. Riu levemente pela primeira vez desde que chegara a Suna.
Gaara abriu os olhos rápido como o bater de asas de um beija-flor. O mar verde água desceu na direção do som que nunca tinha ouvido antes em toda sua vida. Franziu as sobrancelhas inexistentes ao ver que Hinata o fitava com o rosto corado e que o som saia dela. Deixou a mão esquerda sair da curva da coluna ereta dela e deslizou na direção do maxilar dela, quando parou e passou a fazer movimentos ascendentes e circulares pele rosada. Sentiu o coração bater mais devagar ao ver os olhos dela se estreitarem e o som que ela emitia vibrar pelas bochechas rubras e lábios esticados num sorriso.
Ele sentiu as próprias bochechas queimarem e viu que a risadinha tímida dela se intensificava.
- O que...? - a voz dele saiu um sussurro rouco e mais grave que lhe era comum.
Viu os olhos dela brilharem e o rosto rosado tomar uma cor mais escura.
- V-você está c-corando.
- Hn?
Ela riu novamente. Desta vez os olhos se cerrando brevemente para depois se abrirem estreitos, os cílios negros emoldurando os olhos lavanda semicerrados dela. Ela levou uma das mãos lentamente ao maxilar quadrado dele e seguiu a curva do osso com a ponta do dedo indicador. Com mais cuidado do que antes, ela pousou a ponta dos dedos na bochecha dele sem desfazer o contato visual.
- A-as suas bochechas ... Estão rosadas.
Ele ampliou os olhos levemente e levantou a própria mão para sentir o calor que seu próprio rosto emitia. Novamente voltou a observa-la e percebeu que agora a moça emitia uma luz fraca e oscilante.
- Seu corpo está brilhando.
O sorriso dela morreu e ela começou a tremer levemente. Ergueu a mão de frente para o próprio rosto e observou a mão desluvada brilhar. Começou a se levantar para se afastar, mas sentiu as mãos do ruivo a segurarem no lugar. Seus olhos agora amplos de medo pousaram na face esculpida em mármore dele.
- Não se afaste.
- Mas... Minha pele...
- Não. É bom. - o olhar dele se cravou no dela e ele envolveu a mão pequena e de junções suaves dela tremendo levemente dela na sua mão maior e rude, de nós duros e pontas calejadas.- Eu gosto de te ver emitir essa luz. Me acalma e acalma o Ichibi dentro de mim.
Ela apenas o fitou por um tempo antes de sorrir suave e timidamente para ele. Seu coração parecia mais leve e sua mente também. O vácuo que a partida de Neji deixara parecia estar nublado pelo ruivo a sua frente. Ela se sentiu aquecer pelo olhar e pelas palavras dele. Sentia-se incrivelmente confortável ao lado dele. Sentia-se protegida.
Escondeu o rosto no peito dele e apertou seus braços ao redor do tronco masculino, sendo correspondida no gesto. Deixou sua mente vagar e suas preocupações darem lugar à calmaria que acompanhava o marido.
Não soube exatamente quando adormeceu abraçada a ele e não percebeu que estava deixando seus poderes agirem nele por conta própria. A única coisa que sabia era que aquilo era bom.
Ela sequer chegou a acordar quando o jantar chegou ao quarto do casal.
Eu sei, eu sei, demorei muito para dar o ar de minha graça, né? Sorry por isso, mas hey, semana que vem tenho prova e corro o risco de reprovar pela primeira vez na minha vida em pleno terceiro ano do Ensino Médio. To quase chorando. Então minha ausência é justificada.
misskatleem, em ordem de reviews por capítulo: fico feliz que tenha amado o encontro deles, e sim o Neji é hot! Nejihina é vida eu amo ler fics Nejihina, mas existe algo inocente e ao mesmo tempo malvado no Gaara que o torna irresistível. Os comentários sobre os votos foram rodos positivos e isso me deixa feliz. Foi horrível ter que escreve-los por que pra mim é mais fácil escrever algo que expresse sensações negativas do que romance, por isso a maioria das minhas fics são drama hahaha. Ver um personagem que parece frio e inalcançavel se derreter deixa o coração de geral mais quentinho. É irresistível! Também fico feliz que goste da evolução do relacionamento deles e da afeição entre os dois. Infelizmente sou malvada e vou demorar a escrever pra valer uma cena na qual eles consumam o casamento, o nome disso é medo de ser pega pela censura mais uma vez e ter que deletar coisas haha. Não vai ser algo explícito cada uma das cenas mas vou jogar umas indiretas básicas de tudo pelo menos pelo tempo que eu tiver que testar o terreno. Sorry.
Anony, eu postei :D
TiaLua , eu ri com sua review. Se assustou, né ? Hahaha, mas é o costume de ser aandonada pelo pessoal que manda review que me faz isso. Pode deixar que não vou matar os personagens com um vilão com cara de bebê, mas sobre não matar ninguém ja não posso garantir nada. Tenho um gosto homicida pelos personagens... Mas enfim, volte sempre e não se assuste comigo, haha. Beijos! ...
BarbaraGava, se continuar a massagear meu ego eu fico podre! Hahaha. Gostpu tanto assim dele OOC? Eu to morrendo pra manter ele um pouco sério apesar de tudo. Tenho a sensação de que deixo ele muito molega e grudento, haha. Ler livros com psicopatas como personagens preferidos dá nisso. Falando nisso terminei de ler O Iluminado e minha vida parece que parou. Me sinto meio vazia e vou começar a ler Laranja Mecânica pra preencher o vazio enquanto tento estudar pras provas de exatas ( que são a pior area de conhecimento que sou forçada a aprender) T.T. Mas voltando ao assunto, não odeie o Hiashi, ele é a alma a ser vendida nesse negócio! Sem ele a fic não vai dar frutos! Mesmo com todo o mal caratismo dele. E eu não sei que namorar da problema? É um mal necessário na vida de muitos e taz tanta sabedoria quanto desgosto haha mas faz bem e traz felicidade também. Voda de splteira é gostosaas as vezes é meio solitária, principalmente pra quem não vive na farra. Eu ri muito com a última parte da sua review. Acho que o último capítulo dessa fic vai ser a estatua da Hina ficando pronta no centro de Sunagakure hahaha. Bora de panelaço! ! Eu também quero ele pra mim! Porque não posso te-lo? Beijos e até!
