Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
Ela tremia. Tremia como os edifícios durante um terremoto. Tremia como uma criança durante uma crise de hipotermia após cair num mar aberto de correntes vindas dos polos. Tremia tanto que mal podia andar. Seus olhos também não viam qual caminho traçavam e não miravam os vendedores de especiarias e tecidos anunciando seus produtos fervorosamente enquanto clientes sem rumo iam de loja em loja.
Sua mente estava totalmente nublada.
" Venha até mim."
Podia sentir Daisuke andando poucos passos atrás dela e tentava se prender a ele para não entrar em pânico.
" Venha até mim."
Queria desmaiar. Seus pulmões ardiam como fogo e ela sabia que estava hiperventilando o ar seco do deserto e não o ar úmido da zona tropical e verdejante que era Konohagakure.
" Venha até mim."
Sentiu que os olhos escureciam e mordeu os lábios sem perceber que estes já sangravam pelo abuso que os dentes brancos, agora manchados de vermelho, infligiam desde que ela saira da base militar.
" Venha até mim."
Queria desmaiar.
Queria desmaiar e talvez não acordar.
Queria desmaiar e não acordar.
Nunca mais acordar.
" Venha até mim."
Sua vontade dominante era a de fugir, esconder-se e acovardar-se diante do ataque verbal que sofrera, assim como fizera muitas vezes anteriormente. Mas onde estava seu mundinho particular? Onde estava aquele homem que a retirava da realidade fria e bruta e a levava para um refúgio onde ninguém podia toca-la. Ninguém podia agredi-la.
Onde estava sua rota de fuga?
Percebeu que havia esbarrado em algo ( ou alguém) quando se viu caindo. Seus joelhos receberam o impacto primeiro e logo depois as mãos enluvadas protegiam a parte superior do corpo dela. Olhou desnorteada para a areia no chão e ouviu o soldado chamando-a e perguntando se ela estava bem enquanto se abaixava para ajuda-la. Sentia seu coração bater acelerado e sabia que a umidade em dua pele era suor. Estava suando frio.
" Venha até mim."
Bastou um piscar de olhos e uma brisa para ela perceber que a areia estava grudando em sua pele. Para perceber que estava sem véu e que parte da túnica havia cedido.
Ergueu o rosto para fitar assustada Daisuke e o que viu a fez gritar.
Gritou estridentemente alto.
Gritou com toda a voz que lhe faltou nos últimos anos. Gritou com a força que devia ter gritado quando apanhava do pai. Gritou alto como deveria ter gritado quando sua família a feria com palavras duras e a fazia perder o sentido de viver. Gritou por todos os gritos que não pode soltar, por todo o medo armazenado, por toda dor guardada.
Gritou pelo horror de ver o cenário ao seu redor.
" Venha até mim."
" Venha até mim."
" Venha até mim."
" Venha rápido e não olhe para trás. Não olhe para trás. Apenas
Venha
Até
Mim."
Seu véu voou um pouco mais a frente e se arrastou na areia, provando que ela não estava errada. Fazendo-a empalidecer e deixar sua mente finalmente quebrar dentro daquele novo território.
" Venha até mim. Não olhe para trás. "
Entrou numa crise violenta de pânico. Haviam corpos por todos os lados. Crianças, idosos, mulheres e homens num amontoado pálido e imóvel. Respirações suspensas e líquidos rubros traçando seus caminho em meio a confusão.
Estavam morrendo.
" Não olhe! Venha até mim!"
Ela tentou tocar Daisuke num tentativa insana de obriga-lo a acordar. Mas suas mãos nuas agarrando brilharam e a forçaram a se afastar bruscamente dele. Olhou então para as próximas vestes e percebeu que pegavam fogo, que estava incinerando-as sem perceber.
Lágrimas arderam em seus olhos e ela soltou um segundo grito doído, mas dessa vez nenhum som escapou da garganta dela. Recuou alguns passos e esbarrou num caixote, provocando um baque surdo em meio a cena assustadoramente silenciosa. Rangeu os dentes e disparou numa corrida. Seus sentidos guiando-a cegamente. Podia sentir as línguas de fogo tentando gerar dor ou cicatrizes, mas sabia que ele não a feriria. Podia ouvir o baque surdo das pessoas ao seu redor caindo enquanto ela corria. Podia ver seu reflexo borrado nas vitrines das loja e janelas da casas e sabia que brilhava como um raio.
" Venha até mim."
Começou a chorar com mais força porque
( estava desesperada. Havia sido alertada de que isso viria a ocorrer algum dia milhões de vezes e vivera tentando esconder sua pele. Tentando cair no plano de fundo. Mas saber que seu maior medo estava ocorrendo a fazia liberar todas as lágrimas que guardou para não ser repreendida pela família.
Ainda podia ouvir Hanabi rindo dela enquanto observava o jardim dela totalmente incinerado. Ainda podia ver o olhar de desgosto do pai olhando a terra queimada.
- " Você é uma inútil total! Que tipo de Hyuuga mata todas as plantas de um jardim por causa de um choro idiota? Destruiu tudo apenas porque encontrou um pássaro ferido e queria cura-lo. - riu mais alto - Acho que entendo cada vez mais o Otou-san quando ele diz que se não nos fosse proibido matar outros da nossa espécie, você ja estaria morta."
Hiashi havia se movido em direção à saída e parado na porta. Sem sequer olhar para Hinata havia dito:
-" O fato de que matou plantas, ou seja, seres vivos que não podem ser corrompidos já é prova suficiente da sua inutilidade. "
Após essas falas, ela havia ficado ali, ajoelhada em meio a terra queimada e as cinzas. Seus dedos cravados na terra agora infértil, procurando por vida ali sem obter sucesso. Quando finalmente anoitecera se levantou e entrou na mansão, se dirigindo aos seus aposentos, mas antes de chegar lá ouvira a voz de Hiashi ecoar pelos corredores.
- " Se um dia isso acontecer na rua, o número de pessoas mortas será altíssimo. Teremos que entrega-la para ser executada em praça pública. Hinata é uma vergonha para o clã até mesmo quando se trata das leis de não matar sem autorização divina. Ela é a escória entre os Hyuuga. "- dissera ele com a voz carregada de desdém. )
já não sabia para onde estava se dirigindo e se sentia só.
Avistou um pequeno oásis perto da muralha que delimita a extensão de Sunagakure e protege a aldeia. Deixou os pensamentos serem substituídos por um vazio e o lugar pareceu suga-lq em sua direção. Sem sequer retirar o excesso de vestimentas, se atirou no lago provocado por um poço natural. Começou a nadar em direção ao fundo quase que por hipnose, sentindo a pressão da água contra seus músculos e a dor dos pulmões tentando se expandir para capturar oxigênio. Quando percebeu que não conseguiria mais nadar, se deixou afundar e abriu os lábios.
Se fosse uma humana comum o sol a queimaria e a água a afogaria e as vezes ela desejava que isso acontecesse. Mas podia andar nua sob a luz do sol mais quente que sua pele nem avermelhada se tornaria, podia soltar seu corpo no meio do oceano e não morreria afogada. Se fosse uma humana comum a sensação extrema de queimação da água invadindo seu canal respiratório a faria entrar em pânico e se debater em busca da superfície. Em busca da sobrevivência. Mas ela não é uma humana comum.
Podia sentir seu corpo doer cada vez mais e os instintos buscando se libertarem para poderem salva-la. Podia sentir a água doce e gelada invadir seu pulmões e provocarem uma desaceleração total do corpo numa última tentativa do cérebro de preservar sua vida. Podia sentir seus membros parando de funcionar enquanto todo sangue fugia para seu tronco numa tentativa de preservar e salvar seus órgãos vitais.
Abriu os olhos e olhou ao redor. A consciência de que não era uma humana comum, mas uma descendente de uma linhagem de anjos não permitindo que ela relaxasse ( porque anjos não morrem tão fácil. Porque anjos não morrem pelos mesmos motivos que simples mortais). Seu sangue quase puro em relação ao clã em que nascera a tornava praticamente imortal e ela aprendera da pior forma o que isso significava. Sua quase imortalidade tirava seu pai do sério, impedindo que ela caísse no sono mais profundo de todos por mais que ele tentasse repetidamente força-la a cair nesse estado indiretamente. Deixou a inconscia começar a abraça-la de bom grado.
" Venha até mim."
Tudo ficou escuro.
- Fico feliz que tenha vindo. - disse a mesma voz que passara o dia se repetindo na mente dela.
Desculpem a minha demora novamente. Espero que gostem do capítulo! Ah! e me avisem de quaisquer erros gramaticais espalhados pelo texto.
BarbaraGava , antes de tudo, tenho ansia em perguntar-lhe: o que é uma rampera? Sinto que foi uma ofensa por causa do mal comida, então te dou meu total apoio. Vai trabalhar de vidente e ganhar uns extras que é pra ter o pão de cada dia garantido enquanto nenhum idiota que não entende de legislação coloque o Temer no poder hehehe. O Gaara não bate em vadias, fere a dignidade da mão dele. Hahaha agora tenho um harem! Beijos e inté!
