Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Por mais brusco e bruto que pareça, algumas coisas são tidas como leis. Teorias comprovadas pela ciência nas quais todos os estudos a reafirmaram ao invés de contradizê-las se tornam leis universais. Não leis no sentido de legislação constitucional de um Estado, mas de coisas como a gravidade e a inércia. Mas nesse caso específico fala-se de fé. É algo tão 8 ou 80 que parece absurdo. Ou você acredita em algo, ou não acredita e ponto final. Sem ressalvas ou exceções à regra.

Hinata cresceu num lugar onde a fé reinava sobre muitas coisas. Cultos eram realizados com frequência, repletos de sessões de cura e festividades onde a fé entre os Hyuuga era o foco principal. Mas isso não os impedia de serem realistas. Ela cresceu ouvindo que o impossível era impossível para eles, pois o dever de cada Hyuuga era zelar pelo mundo e garantir que os outros humanos descobrissem por si mesmos as falhas no impossível que o tornasse possível. Não estava no lugar deles realizar revoluções técnico-científicas, politicas ou sociais. Então ela nunca se ergueu para questionar conhecimentos ou tudo que tinham como lei.

Porque no fim uma lei era uma lei e não era ela que devia contestar.

Assim sendo, ouvir que a realidade e as constatações de seu clã original estavam erradas era como ver o mundo cair e se reerguer. Ela não conseguia respirar ou assimilar a informação da forma correta. Sua mente corria em círculos e seu corpo estava mole como água.

- Estão vivos... - murmurou para si com olhos perdidos.

Gaara a forçou a fita-lo.

- Eu entendo que é difícil para você aceitar isso. Mas nem tudo que te ensinaram é verdade. Lembre-se que, por mais doloroso que seja pensar nisso, teu pai não te queria por perto e ficou mais que feliz em te isolar aqui. A possibilidade dele ter mentido pra você durante todos esses anos... É enorme.

- Mas... - ela respirou fundo e cravou suas unhas na blusa dele. - Eu lembro... Lembro de tentar curar uma das minhas plantas no jardim e incinerá-la ao invés de salva-las. Tinha emitido tanta luz que o jardim virou um mar de fogo. Com humanos o efeito deveria ser interno primeiro por causa da alma e então... Vem a m-morte.

O ruivo cobriu as mãos dela com as suas.

- Todos aqueles que estavam doentes foram subitamente curados. Fosse uma desordem mental ou física, até mesmo um machucado superficial ou a dor de perder alguém amado, nenhum deles apresentou os sintomas. Quando acordaram estavam todos melhores do que jamais foram. Os que estavam saudáveis, como no caso da maioria das crianças, estão mais calmos e sorridentes. Eles descreveram coisas que jamais imaginamos serem possíveis.

Silêncio. Dois olhares perdidos, um sem saber como continuar, o outro sem saber o que pensar. O Sabaku voltou a falar após um suspiro cansado.

- Uma das crianças, a mais afetada entre elas...

Hinata fitou o marido e o viu olhando fixamente para o piso. Os ombros tensos e os lábios crispados mostravam a preocupação dele. Então ela percebeu que algo nele parecia fora do lugar. Algo nos olhos claros e esverdeados fugindo do dela em profunda reflexão. Não era como se fosse a primeira vez que o via deixar as emoções transparecerem; não, era muito mais profundo que só isso.

Era como se visse um homem diferente no corpo daquele em que confiava sua vida.

Era como ver-se casada com um desconhecido.

Gaara odiava deixar frases soltas e palavras flutuando no ar sem serem ditas. Sempre fora o tipo de homem que ia direto ao cerne da questão, a desmembrava e a resolvia. Direto ao ponto. Afinal para ele não havia tempo para dramas, pensamentos inválidos expostos ou alarmes falsos. Para ele um minuto a mais gasto sem produzir nada era uma vida perdida. Era uma batalha sem vitória. Desde que o conhecera não vira olhares vagos, frases incompletas ou palavras não fitas da parte dele.

Havia também a aura de segurança e teimosia que impregnavam a essência dele dia e noite. Porém, neste exato momento, ela gritava milhões de "e se?" frente ao silêncio incômodo dele. Agora era como se não houvessem certezas, apenas dúvidas.

Era como se pela primeira vez desde que o conhecera, ele não estivesse no comando de tudo, no controle de tudo. E talvez realmente não o estivesse.

Ela deixou seu próprio olhar cair no piso gelado. Seus pés descalços absorvendo a frieza da superfície branca e muito bem polida. Olhou para as próprias mãos e deixou suas dúvidas criarem asas e voarem em meio à tempestade de pensamentos que tinha. Até onde iam seus poderes? O que podia fazer com cada dose de energia liberada de forma controlada? Até onde seu pai e outros mestres omitiram informações sobre seus poderes e mentiram sobre tudo? E o mais importante:

Por que essas pessoas não faleceram?

Saiu de seu transe com a voz rouca de Gaara correndo o quarto silencioso.

- Hn?

Ele sorriu levemente para ela.

- Eu disse que preciso te levar até essa criança na qual falei, a que foi mais afetada. Algumas coisas devem ser ditas diretamente, sem direito a intermediários.

Ele se levantou e estendeu a mão para ela. A moça fitou a mão estendida com um olhar amedrontado e hesitante aceitou a oferta.

- Gaara...

- Ninguém vai se ferir, ok? Vou me certificar disso. Não precisa ter medo, basta confiar em mim.

Hinata sentiu seu mundo oscilar e um sorriso se fez presente em seus lábios. Era em momentos como esse que seu coração batia mais rápido e com mais força. O apoio dele a fazia pensar em toda a insegurança que guardava em si e que ele abafava com sua simples presença. Era como quando deitou-se com ele pela primeira vez sob o intuito de consumar o casamento, ou como quando ele resolveu ensinar-lhe arco e flecha. Era um sentimento calmo, porém forte que a assolava quando o via assim. Suas pernas bambeavam e sua mente se esvaziava.

Com o coração mais leve do que quando acordou ele deixou-a abraça-lo e retribuiu o conforto. Os lábios dele roçaram a testa dela e a morena pôde sentir o suspiro dele fazer cócegas em sua pele.

Ficaram parados abraçados apenas sentindo um ao outro. Eram terra e água se unindo, testando seus toques um no outro com medo de excederem-se e imporem sua essência sobre a do outro. Esperando não se destruírem mutuamente.

Ainda que seus instintos gritassem que fizesse o contrário. Ainda que houvesse o medo de ultrapassar um limite que não sabiam por exato onde se encontrava, o medo de si mesmo se sobrepunha ao medo do outro. Ao temor de ser subjugado. Um destemor mútuo os acometia quando, juntos, despiam a consciência um do outro, ocultando a autoconsciência sobre o grau de periculosidade que representavam isoladamente, permitindo que se unissem, que se completassem tanto física como emocionalmente e mentalmente.


Mais um! Hehe, demorei novamente, mas consegui. Espero que gostem!

BarbaraGava, gostou é? Gostou? Eu sabia que ia gostar! Certeza que essa você não previu! Mwahahahahaha. Eu sofro com as provas, mas conheço gente que sofre mais, tipo as escolas divididas por bimestre ao invés de trimestre, pessoal de bimestral morre. Fomos destinadas a falar de fanfics pelos astros! Segundo a astrologia virgo se da bem com capricórnio hehehe ( mas se eu pudesse escolher pra casar casaria com um canceriano ou outro virginiano, tenho medo de taurinos e não conheço homens de capricórnio T.T ) Beijos!

Uchiha Himitsu , to de olho ein?! Eu procurei pela fic GaaHina que eu mais gostava e acho que ela foi excluída, mas ainda tem um monte boa. Depois te mando uma listinha com as melhores que conheço e os autores de cada. :) fico feliz que tenha gostado da fic kakahina. Até!