Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Gaara liderou o caminho para o principal hospital de Sunagakure. Lá dentro desceram várias escadas e dobraram um infinito de corredores, passando por milhares de portas ( ou talvez tivessem sido talvez uma ou duas centenas de corredores, escadas e portas pesadas de inox e vidro, mas a tensão os impedia de ver sob esta ótica). Depois de curvas acentuadas, corredores iluminados por cilíndricas e longas lâmpadas brancas, paredes brancas estéreis, mesas de inox com rodinhas recheadas de remédios e curativos e uma ou outra faxineira esterilizando e limpando os leitos e corredores, pararam em frente a uma pesada porta de vidro azulado fumê com uma pequena e nada atrativa placa vermelha escrita " ÁREA DE QUARENTENA, MANTENHA DISTÂNCIA. ACESSO RESTRITO." em brancas letras garrafais.

Gaara digitou uma senha numa caixinha ao lado e pingou um pouco do próprio sangue num pedaço de algodão que apareceu. Logo a porta destravou e eles seguiram por mais alguns corredores. Ali haviam menos médicos e enfermeiros se movimentando e os quartos dos pacientes possuía divisórias grossas brancas por todos os lados, mas um paredão de vidro grosso virado para o corredor os isolava do lado externo. Alguns poucos médicos ou enfermeiros estavam dentro dos quartos e estes utilizavam roupas folgadas brancas e grossas feitas de um material liso e opaco semelhante à borracha, porém mais maleável, que Hinata não conseguia reconhecer.

Pouco depois uma enorme porta blindada e revestida por inox impedia a passagem. Uma placa vermelha grudada ao teto anunciava: " ENTRADA RESTRITA. ZONA MILITAR." Gaara se aproximou da porta e repetiu o processo que havia feito na porta anterior, mas dessa vez teve que pronunciar uma frase perto de outra caixinha eletrônica que Hinata nunca havia visto e deixar sua íris ser escaneada. A porta destravou e ele a fez passar primeiro enquanto segurava a porta antes de passar. O peso da porta era suficiente para esmaga-la se batesse quando ela passasse.

Voltaram a dobrar alguns corredores e desviarem de médicos e enfermeiros antes de pararem em frente a um leito separado dos outros por uma cortina de plástico. Gaara checou o numero na plaquinha pendurada no teto, correu a contina branca com um grande brasão das forças armadas estampado para o lado e entrou. Hinata não pôde ver o paciente na posição que estava e o ruivo não abriu a cortina o suficiente para que ela visse. Em segundos ele saiu da cabine e a fitou.

- O nome dela é Shizue, Kawashima Shizue. Fez 4 anos anteontem e, até ontem, ela era surda-muda.

A morena abriu os olhos para tentar fazer um comentário sobre a situação, qualquer um que fosse, mas nada saiu. Ela não sabia o que dizer frente a tal choque brusco na sua realidade. Antes que pudesse pensar em algo uma mão envolveu sua cintura e a guiou para que ficasse de frente para a brecha aberta na olhar caiu diretamente na menina negra de olhos azuis escuros como o oceano que a fitava em silêncio. A criança sorriu com seus poucos dentes ( dois haviam acabado de cair, mas outros dois estavam mostrando seu início nas gengivas coradas) e estendeu seus bracinhos curtos para Hinata.

A morena olhou para o marido uma última vez antes de ir se sentar ao lado da pequena menina. Porém assustou-se quando mãos agarraram seus véus e os puxaram, fazendo Hinata tentar recuar em vão ao não conseguir se equilibrar da forma correta. Logo as longas e azuladas mechas deslizaram como cascata ao redor dos ombros dela e a pele branca mostrou seu brilho. Medo de ver a menina arder em chamas a consumiu mas logo se extinguiu ao ver que nada acobtecia.

A menina sorriu.

- A moça é muito bonita!

- A-ah? Obrigada.

Shizue ampliou o sorriso nos lábios pequenos e fartos.

- Shizue queria dizer... - ela parou e botou as mãozinhas nas bochechas enquanto buscava as palavras corretas e a forma de pronuncia-las. - Shizue queria dizer aquela coisa que os adultos falam quando ganham alguma coisa.

Hinata sorriu.

- Obrigada?

- Não, a outra!

- Shizue-san quer agradecer? - Gaara deu seu palpite ainda parado junto às cortinas.

- Hai! Shizue quer agradecer a moça.

Hinata sorriu novamente, o véu desajeitado em seu colo quase esquecido.

- Não há de que, Shizue-san.

Quase se aplaudiu ao perceber que não gaguejara apesar de todo o seu nervosismo. A mão de Gaara pousou sobre seu ombro e ela sorriu novamente ao fita-lo brevemente.

- Nata-sama, ontem Kaa-san me levou pra comprar comida. Foi quando te vi. - a garota pausou e ficou subitamente séria. Suas feições e olhar envelhecendo com a mudança da expressão. - Ao te ver percebi que haviam coisas tentando te atacar. Queriam entrar em você, mas uma mulher impedia que os maiores o fizessem. Ela te defendia com as asas frágeis dela e os esmagava com as próprias mãos enquanto repetia a mesma frase várias vezes. Foi quando a 'coisa' passou por ela e te feriu que a mulher gritou algo parecido com uma ordem e você brilhou. As pessoas começaram a cair quando você foi ferida.

O sorriso se apagou por completo da face da mais velha das duas. A percepção de que a menina falava muito bem para uma simples criança, principalmente muito melhor do que deveria por seu histórico comi surda-muda, atingiu-a como um raio. Suas unhas buscaram refúgio do tecido do véu enquanto continuou a ouvir.

- Kami te deu muitos presentes, Hinata-sama. Muitos você sequer sabe que ganhou ou que são possíveis. Existem muitos como eu e você neste mundo; e não falo de Hyuugas ou outros clãs descendentes de linhagens divinas como os Uchiha e Senju, mas de pessoas que como eu foram escolhidas na multidão para serem habitadas por espíritos porque existe uma cota para que eles vivam no nosso plano, tendo que possuir um hospedeiro de tantos em tantos anos para não morrerem ou serem corrompidos e pessoas como você, que nasceram tão puras que foram separadas para hospedarem seres incríveis. - uma pausa pra respirar.

A pequena criança negra bufou e bebeu a água ao lado da cama e olhou para as próprias mãos em reflexão. Então voltou a falar: - Nascer sem poder falar ou ouvir e repentinamente conseguir fazer os dois dói. - reclamou para ninguém em particular. - Onde eu estava? Oh, sim. Cada um de nós nasceu por um motivo, fomos escolhidos por um motivo, e não temos escolhas senão segui-los. Existem milhões de possibilidades no meio do caminho e se você se desvirtuar no decorrer da vida... Os resultados nunca são bons. Mas não é isso o que importa; o que importa é que você, Sabaku no Hinata, nasceu com um dos mais tortuosos e difíceis caminhos a serem traçados, mas entre todos os que conheço, é o que tem o mais glorioso fim.

A garotinha parou e fitou Gaara. Seus olhos azulados encarando a imensidão esverdeada nos olhos dele.

- Existe um motivo até mesmo sobre porque, tendo um menino-demônio em sua própria vila, você foi obrigada a casar-se com Sabaku-sama. - ela sorriu e seu rosto infantil suavizara-se. Então fitou Hinata e a cor azul do olhos dela se tornou mais escura e turva.

Hinata recuou um pouco e sentiu um arrepio corroer-lhe a espinha.

- " Existe uma tempestade a caminho. O solo que se derrama pela território das Grandes Nações treme sob sua força e violência. As pessoas se acovardam e se escondem. Mas uma parte resiste em pé diante da tempestade, estes resistem bravemente à dor que os cerca e tenta lhes roubar a valentia. O odor de podridão escorre por cada brecha entre casas, árvores ou tecidos." - ela sorriu e seu rosto iluminou-se sem que seu olhar deixasse de ser vago.- " Diante desse grupo que resiste ao caos, um punhado de Escolhidos lideram a batalha. Alguns desses líderes brilham como faróis na escuridão. Outros são a escuridão em si. Porém estão todos de um mesmo lado; todos ombro a ombro. Prepare-se para o que nos aguarda, Guardiã, treine seus irmãos e fortifique suas fortalezas. Quando o sol negro vier... Haverá caos e nada mais. "

Hinata fitou a criança e uma tontura a engoliu. Sentia que já havia ouvido o que a menina dissera antes. Sentia que aquelas palavras não lhe eram estranhas. Que estavam impregnadas em seus ossos desde tempos remotos e agora emergiam. A sensação de que conhecia Shizue também a invadia com força. Piscou os olhos e no lugar da criança viu uma mulher negra de olhos azuis e feições marcantes e elegantes, suas bochechas salientes dando brilho ao sorriso pequeno. A encarou assustada e novamente viu apenas uma criança, Shizue, sorrindo para ela. Perguntas e perguntas a inundaram e quis gritar e perguntar: quando? Onde? Por que? Principalmente uma pergunta a atormentava: Por que não conseguia se lembrar?

Por que não conseguia se lembrar?

Por que não conseguia

se lembrar?

Por que

não

conseguia

se

lembrar?

Por que ( o lugar era claro e calmo)

não ( havia alguém sentado no centro, sem face ou corpo sólido. Era um borrão que fluía e se transformava constantemente. Cada forma que assumia durava uma fração de segundo e depois se dissolvia porque não havia forma real alguma.)

conseguia ( a figura se abaixou e ela se sentiu intimidada como sempre acontecia ao perceber o quão pequena era em relação ao Ser a sua frente, mas ainda sim podia vê-lo pequeno a ponto de carrega-lo com suas frágeis mãos próximo ao coração. E isso a envolvia numa confusão paradoxal que a amedrontava e a fazia perguntar se os seus irmãos que nasceram com o dom de serem sábios sentiam o mesmo. Mas isso não lhe importava. Haviam coisas maiores que um desconforto causado por curiosidade e medo infantis unidos.)

se ( olhou para o lado e fitou seus irmãos. Eles eram muitos e todos a fitavam com interesse. Aos seus olhos, todos possuíam um sexo semelhantes aos das criaturas que cobriam o planeta que vigiavam, mas sabia que eran todos assexuados por regra. Não havia genitálias, mas havia o modo de falar e se comportar que a fazia separa-los mentalmente em grupos nos seus poucos momentos de ócio. Isso a fazia se perguntar como era ter um sexo, um gênero. Sobre como era ser como os animais.)

lembrar ( uma voz ecoou pelo lugar com a força de um trovão e a suavidade de uma brisa. As palavras soavam como várias línguas distintas, e ainda sim pertenciam à uma única língua; um mesmo léxico antigo e complexo que deu à luz a todos os outros léxicos falados por diferentes seres. O peso de cada palavra pronunciada a assustava, mas olhar para aquele Ser no centro a acalmava e a fazia ter esperança de que tudo ficaria bem. Ela se viu sorrindo e se movendo em direção a Ele. ) ?

Gaara segurou o corpo da esposa antes dela atingir o solo e a ajeitou no colo. Seu olhar voltou a pousar na criança e ele engoliu em seco.

- E agora?

Shizue sorriu.

- Vou treina-la. Meu atual corpo é frágil e pequeno, mas nasci muda para que nada contasse antes da hora correta. - ela suspirou. - Essa garota tem que ouvir minhas palavras. Preciso que ela se lembre, afinal... Ela era nossa Guardiã.

O Sabaku fitou a mulher em seu colo com preocupação evidente em seu rosto.

- Shukaku ja te contou, estou certa?

- Hai.

- Então com o que se preocupa? Não é como se estivéssemos privando-te de informações importantes.

- Acredito que esse seja o problema, Shizue - san. Eu sei demais. Sei o que está por vir e as proporções desse evento. Eu e você sabemos do que é feita a tempestade.

Shizue sorriu reconfortante.

- Não há o que temer, criança.

Ambos sorriram fracamente com a ironia do vocativo utilizado por ela.


Weeee, terminei! 1900 palavras de puro amor! Gostaram? Gostaram? Uh? Uh? Bajitos!

Uchiha Himitsu, só por curiosidade, você já foi ou ainda é escoteira? Eu queria poder ter feito aula de escoteira, mas é muito caro T.T Tenho que montar sua lista, mas começa por uma chamada Amor Materno, é meio terror, mas é muito boa! Tem também uma chamada Flower Black, da Lell Ly eu acho. Por enquanto são as que me lembro. Gaara é TUDO! Bate até uma vontade de rouba-lo pra mim! Hehe, Shukaku também é um fofo. Agora já sabe que a menininha é a Shizue e apesar de aparecer pouco ela vai ser fundamental no enredo . Beijos!

Luciana Fernandes, o Gaara é meu! Tira o olho que a concorrência já ta foda contra a Hina-chan T.T hehe, ja ne!

BarbaraGava, isso aconteceu com a criança u.u Hiashi ja tem um futuro marcado, mas isso são cenas de próximos capítulos Em pouco tempo a Matsuri vai reaparecer dos cinfins de onde se escondeu. Nada temas, do sangue é que não hei de esquecer. Haha, homens de virgem são muito bons e eu não sobreviveria com um namorado leonino. É muito ego pra minha língua ferina se manter quieta. Talvez seu boy combine com teu ascendente ou é só coisa de capricornio e os dois combinam. Sei lá. Acho que bimestral é pior que trimestral, eu choraria se voltasse a ter prova bimestral. Beijos e até!