Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Hinata acordou se sentindo fraca e zonza. Procurou Gaara no recinto com o olhar, porém não o encontrou. Deslizou para fora da cama de casal e percebeu que seu almoço estava servido numa bandeja prateada com um prato de porcelana preenchido por arroz e carne de carneiro junto à um potinho de um molho escuro e apimentado, que era especiaria do País do Vento, e um copo de cristal com suco de laranja até a borda numa mesa de canto feita de madeira. Andou até a comida e se sentou na pequena cadeira acolchoada ao lado da mesinha.

Comeu em silêncio. Perdida em pensamentos cortava a carne com uma lerdeza nada usual. Suspirou ao deixar sua mente vagar pelo passado. Pelos dias em que, ainda pequena, observava apreensiva o olhar duro do pai sentado na cadeira grande e bem ornamentada feita da madeira da nogueira. Pelos tempos assustadores em que ele a mandava se aproximar enquanto colocava vários papéis em branco sobre a mesa de carvalho, molhava uma pena na tinta e lhe ensinava o funcionamento dos poderes dos Hyuuga. Ele explicava com quase nenhuma paciência ou aprofundamento o que era ensinado, fazendo com que ela aprendesse superficialmente e tivesse medo de fazer muitas perguntas e ser duramente reprimida.

Ele sempre se levantava e saía quando ela tentava perguntar algo.

Retirava-se dizendo que ( não era algo que lhe faria falta, pois ela nunca dominaria cada uma das artes ou vertentes que ele lhe mostrava, ou que era de seu real interesse. Afinal seria inútil ensinar a ela algo elaborado era falta de tempo e ele não ia gastar suas preciosas horas com um fracasso como ela.) a aula já havia cumprido seu objetivo inicial e que tudo o mais a ser dito era completamente desnecessário.

Antigamente não ousava insistir em suas raríssimas perguntas para evitar enfurecer o pai, mas agora se perguntava se havia feito a coisa certa. Talvez se o fizesse não teria sido privada de informações que lhe serão cruciais em algum ponto na vida. Talvez não temeria tanto seus poderes. Talvez não temeria a si mesma. Mas o medo de nunca mais poder ver alguém, mesmo que esse alguém fosse ele ou aquele doutor que a assustava, a fazia retrair-se num extinto de autopreservação.

Se perguntou quanta informação o pai a privara e que faria toda a diferença se soubesse.

Se viu cantarolando uma antiga canção de ninar em uma língua que desconhecia o significado da palavra, mas que ouvia em uma dose quase diária ser sussurrada aos seus ouvidos. Sempre dormia quando aquela voz suave e desconhecida cantava para ela. Seus olhos se tornaram cada vez mais pesados conforme as palavras lhe escapavam. As lembranças dos dias que vivia restrita à uma área da mansão principal do clã Hyuuga lhe assombrando pouco a pouco com vozes oscilantes e imagens desgastadas pelo tempo.


Tinha nove anos. Seu cabelo azulado continuava curto rente à altura do lóbulo da orelha num estilo militar enquanto a franja já um pouco longa tentava esconder seus olhos. Seu kimono azul claro tinha a barra suja de terra e caia desajeitado nos seus ombros, porque ela mesma havia costurado-o já que sua família não lhe dava roupas desde que fizera seis anos e a ensinaram a costurar. Pois se quisesse andar vestida teria que fabricar suas próprias roupas com os restos dos kimono velhos do pai e da mãe, eles não gastariam o dinheiro suado do clã numa criatura como ela. Principalmente os da Okaa-san, pois quando ela falecera Hiashi logo se livrou de tudo que o lembrasse a esposa, o que rendeu a Hinata uma ótima oportunidade para conseguir tecido.

- Ah, Akira-san! Cu- Cuidado com essas heras, são venenosas. - disse ela corada pelo esforço.

O homem sorriu e se afastou das heras. Seu corpo era nebuloso, mas seu rosto era tão nítido quanto as plantas no jardim em que estavam. Olhos púrpura enfeitava a face de pele com a cor da castanha e sem cabelo algum. Do outro lado uma criança brincava com as flores, tendo o corpo igualmente nebuloso e a face redonda enfeitada por olhos tão puxados que pareciam não se abrirem nunca, lábios finos pálidos e fartos cabelos pretos como carvão repicados de forma assimétrica. Os olhos negros dela adquiriam um brilho fantasmagórico sempre que o sol incidia sobre seu rosto. Seu nome era Aiko.

- Hey, Hinata-chan, suas flores estão cada vez mais bonitas! - Aiko gritou.

Hinata andou até a criança que aparentava ter quatro ou cinco anos de idade e se ajoelhou junto a ela na terra úmida. Sorriu ao fitar suas rosas mirim e seu semblante se entristeceu.

- São re- realmente belas. Mas ainda não se fixaram no solo direito e já é outono . Podem morrerem com a vinda do inverno daqui a duas semanas. - comentou com os olhos molhados de lágrimas que não permitiu caírem.

Aiko sorriu e tocou o caule das rosas. Olhou para a Hyuuga e depois para as pequenas roseiras novamente antes de começar a cantarolar algo tão baixinho e de forma tão suave que Hinata não conseguia ouvir direito ou entender a letra. Pouco a pouco um brilho verde começou a cercar a planta e seguir em espiral rumo ao solo, envolvendo a raiz e perfurando a terra fofa. Hinata sentia o sono chegar com os sussurros da música cantarolada, mas se recusou a adormecer. Assistiu encantada as poucas flores murchas voltarem ao seu vigor total e o caule engrossar conforme a raiz desaparecia no solo.

- O quê ...?

- Existem coisas que de tão simples se tornam complexas e coisas que, de tão complexas, se tornam simples. Para poder interferir no rumo delas, tudo que deve ser feito é entrar em sintonia com o que desejas.

- E como faço isso?

Aiko sorriu.

- Você precisa de um tutor para cada área do conhecimento. Minha especialidade é o cuidado com as plantas e a de Akira, os animais. Logo, tudo que podemos lhe ensinar se estende apenas a essas duas esferas, entendeu?

Hinata sorriu.

- Hai! P-por favor, Akira-sama, Aiko-sama, ensinem-me o que ambos sabem! Por favor?

- Nós te aceitamos como aluna. Seremos seus dois primeiros tutores, muitos ainda virão e partirão. Aprenda ao máximo e não deixe nosso conhecimento se perder, Hinata - sama.


Eu sei que demorei, mas foi um 'mal necessário'. Desculpem-me por isso. Beijos e até!

BarbaraGava, há! Eu sabia que ia gostar. Mas isso é só o anuncio do ápice da fic. O Gaara manja dos paranaue por causa do Shushu ( meu apelido recém adotado pro Shukaku). Foi pega de surpresa porque sou naturalmente surpreendente, aí já sabe... essa característica passa. A minha minha futura universidade é dividida semestralmente, então não vou morrer tanto pra fazer prova e trabalho, etc. Beijão!

Uchiha Himitsu, eu queria ter sido escoteira! T.T Mas acho que eu mataria meus amiguinhos na primeira tentativa de fazer uma fogueira. Sou muito desajeitada pra ser escoteira. Se sabendo nadar ja me afogo, imagina perdida no mato por meia hora? Vou morrer envenenada. Gaara é um sedutor nato. Acho que é culpa do signo... Hehe que zueira. Shizue e Shushu são divos! Eles ainda vão brilhar como faróis na fic! O cap que vem depois desse nem é tããão emocionante, mas é legal. Depois deles é que a coisa finalmente vai pegar fogo! Me manda seu e-mail que eu mando a lista inteira. Seu eu colocar aqui vai pegar o tamanho do capilo da fic hehehe. Beijos e até!