Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Shizue estalou a língua e olhou ao redor. Prateleiras e mais prateleiras se arrastavam em direção ao teto e rangiam com qualquer alteração na distribuição de peso dos livros que guardavam. Suas mãos pequenas deixavam os dedos curtos e roliços tamborilarem na madeira de lei escura da mesinha na qual estava acomodada. Seus pés balançavam sem poderem alcançar o chão e ela suspirava impaciente. Podia ser um anjo consciente de sue passado, mas ainda estava presa num corpo de criança e queria sair correndo brincando. Olhou ao redor mais uma vez e decidiu tomar sua vitamina num copinho roxo e canudinho amarelo.

As vezes se esquecia que era criança e se comportava como adulta, mas alguns hábitos não podiam ser substituídos tão facilmente, seu amor por copos de plastico com canudinhos flexíveis era um deles. Outros fatores que influenciavam no seu comportamento por causa do corpo que estava era que, apesar da mente dela ser de uma mulher secular, seu corpo tendia ao comportamento de uma criança normal. Isso resultava numa Shizue muito envergonhada por fazer xixi na cama enquanto dormia ou fazer uma bagunça enquanto comia, lambuzando o rosto e tudo que estivesse ao seu alcance.

Riu ao lembrar-se de suas primeiras tentativas de se comunicar nesse corpo. Acabava ficando irritada porque tudo que lhe escapava eram sons indiscerníveis e saliva.

Um som ecoou pela biblioteca e ela ergueu o olhar. Vindo em sua direção timidamente estava Hinata. Ainda tentando sugar a vitamina do copinho, Shizue acenou para ela e desceu de cima da mesa, sentando-se na cadeira sem ainda poder alcançar o piso com os pés balançando suspenso. Hinata sentou-se de frente para ela e abriu um sorriso incerto. O vaso de barro com lírios vermelhos enfeitava o silencio incomodo.

- B- boa tarde Shizue-san.

- Boa tarde, Hinata- sama. Creio que o Sabaku-sama explicou-te o porque de, entre todas as opções aqui em Sunagakure no Sato, serei eu tua tutora, estou certa?

- Hai.

Shizue sorriu e sugou o fundo do copo emitindo um barulhinho que a fez rir entretida por m momento antes da seriedade voltar ao seu rosto.

- Retire o véu.- ordenou.

- Mas...

- Retire.

Hinata obedeceu e, assim que desfez o véu, ficou fitando a criança complexamente anormal.

- Agora relaxe e deixe a mente vagar. Permita que o silencio te abrace.

A mais velha tentou relaxar contra a cadeira acolchoada e cerrou os olhos. Sua respiração foi desacelerando e o coração se acalmando. Sua mente vagava em busca do mesmo vazio que encontrava ao meditar. Podia ouvir a respiração de Shizue enquanto ela sorvia animadamente a vitamina e o leve ranger da cadeira com as perninhas dela balançando. Todos os sons foram aos poucos caindo num segundo plano.

Foi quando ela ouviu. Tão fraco como o beijo da brisa na janela num dia ensolarado de verão em Konohagakure no Sato, a voz aos poucos se fazia presente. Era um mero murmurio que aos poucos ficava mais claro e alto. Algo era dito de forma apressada. As palavras pingavam como a água da chuva acumulada nas folhas de um salgueiro chorão.

Sentiu seu mundo chacoalhar um pouco e as palavras de Shizue a alcançaram de modo meio distante uma ultima vez:

- Apenas deixe fluir. - ela havia sussurrado.

O nada deu lugar a algumas luzes que logo tomaram forma. Sentiu a umidade ataca-la e percebeu que suava

( só um pouco. O suor já não a incomodava tanto assim depois de tantos anos vivendo nas bordas do País do Vento. A transição entre deserto e floresta tropical a deixava um pouco perdida e seu corpo não conseguia se adaptar de modo preciso. Olhou ao redor no corredor e suspirou enquanto deixava seus pés a guiarem. Odiava aquela decoração. Era tudo feito em escala de cinza e tons pastéis. Tudo tinha um quê de frieza e indiferença assim como as pessoas desse clã. Descobrira, há não muito tempo, que não gostava deles. Eram em sua maioria um povo frio e calculista que venerava a perfeição. Tudo tinha que ser milimetricamente perfeito.

Num gesto de revolta moveu o vaso de terracota com rosas amarelas de lugar, quebrando a simetria na distancia entre um vaso e outro no corredor. Sorriu para si mesma e continuou a andar. Sua mão correu para o ventre ao pensar que seria entre os Hyuuga que seu filho nasceria e que não passaria muito tempo lá para ajuda-lo a crescer com o conforto de uma alma amiga e não de uma construção. Parou de andar ao sentir o bebê se mover no ventre com o estresse materno. Sorriu e começou a cantarolar rumo a porta principal. Já sabia para onde ia.

Nesse horario o sol ja não castigava tanto, mas iluminava todo o caminho para uma das torres utilizadas para vigiar as bordas do território do clã. Entrou no lugar, uma sala estreita com dois guardas e eles se curvaram. Um acendeu uma tocha e começou a guia-la escadas acima para o local que ela se dirigia quase todos os dias no mesmo horário. Ele abriu a porta para o porão e permitiu que a mulher entrasse.

- Senhora...

- Sim, Hideki?

- Sinto pela areia acumulada aqui, mas infelizmente não conseguimos limpar não importa quantas vezes tentemos. A areia sempre volta. Se isso afetar sua saúde, podemos leva-la para o posto da torre ao lado.

Ela sorriu e olhou para Hideki. O guarda não passava dos 17 anos de idade e era um dos que mais aparentava ser humano dentro do clã. As vezes o olhar frio dele se aquecia ao fitar o ventre dela e ele tentava fazer tudo para deixa-la mais confortável. Tanto o fazia que conseguiu subir uma poltrona bege acolchoada pela escadaria em helicoide apenas para que ela assistisse o por do sol sentada com conforto.

- A areia não me é um estorvo, Hideki-kun. Na realidade, em muito aprecio a presença dela. Me faz lembrar as dunas que vivem mudando de posição fora dos muros do clã.

O garoto assentiu, acendeu algumas tochas e a ajudou a se sentar na poltrona, o único móvel em todo o andar. Ao perceber que nada mais era necessário se dirigiu até a porta e começou a descer. Parou.

- Se precisar de algo, estarei no andar inferior. Qualquer baque vai ecoar e estarei aqui em segundos, ok?

- Obrigada, Hideki-kun.

Ela fitou o horizonte e suspirou. Sua mão voltou a acariciar o ventre ainda não tão proeminente. Ouviu o barulho da areia se movendo e logo ele se levantou de seu esconderijo na areia acumulada. Ele se aproximou e parou de trás dela. A guarita no porão abandonada de míseros cinco metros de diâmetro havia se tornado a morada dele quando ela veio para esse lugar. A areia entrava pelas frestas por entre a argila endurecida das paredes misturadas aos tijolos e pelos buracos nas telhas avermelhadas. Era o ambiente perfeito para que ele se transformasse totalmente em areia e evacuasse rápido caso precisasse e reduzia desconfianças pela quantidade de areia acumulada. A unica janela desbloqueada provia uma visão do deserto que o acalmava e a fazia pensar na liberdade que havia do outro lado dos muros Hyuuga.

- Você demorou hoje.- a voz grave e seca cortou o silêncio.

A mulher sorriu.

- Atrasei apenas um ou dois minutos.

Ouviu o ranger de uma cadeira velha de madeira ser arrastada para seu lado e viu ele se sentar com o canto dos olhos.

- Faltam dois meses para a criança nascer. - ela declarou sem retirar os olhos do horizonte.

- Eu sei - uma pausa.- A cada dia te vejo andar mais devagar e teu ventre já está arredondado.- ela ouviu o som rouco duma risada contida dele ao admira-la. - Está cada dia mais linda...

Ela virou o rosto para fita-lo. Seus olhos de aparência fantasmagórica presos nos dourados dele. Ah!, como amava aqueles cabelos de um tom de loiro claro e pálido, ligeiramente opaco, mas brilhoso ainda assim; como amava aquela pele branca um pouco bronzeada, porém imaculadamente uniforme; como amava aqueles olhos amarelados...

- As vezes desejo não ter sido escolhida - disse com a voz baixa, porém firme.

- Por que?

- Quando a criança nascer... Quando ele nascer vou ter que partir.- ela respirou fundo e desviou o olhar para o horizonte novamente.- Vou ter que te deixar.

- ... Eu sei.- ele suspirou e curvou o corpo para frente. Os ombros caídos e a postura curva dele denunciavam seu cansaço. - Eu sei.

Levantou-se e ajoelhou-se de frente para ela. Seus dedos tocaram o ventre com cuidado e ele sentiu a criança se mover, fazendo com que um sorriso escapasse dos lábios dele.

- Eu sei que você vai ter que partir. - ele ergueu o olhar para ela e encontrou com os olhos da moça.- Mas um dia vou completar mil anos e irei para o seu lado. Vou ser perdoado e nunca mais te deixarei partir.

- Mil anos é quase uma eternidade.

- Vale a pena pela minha Hime.

Eles se entreolharam.

- Shukaku...

- Apenas assista o sol se por. Por favor. - ele apoiou a cabeça no colo dela e pousou a mão na barriga curva onde sabia estar a cabeça do bebê)

e não sabia exatamente o porque do suor.

Hinata piscou os olhos e olhou ao redor. Continuava no mesmo lugar e o suor escorria por entre os seios. Pela escuridão se espreitando na biblioteca privada soube que o sol já começava a se pôr. Shizue a encarava com interesse.

- E então?

- E-eu sonhei que estava gravida. E vivia entre os Hyuuga, mas ia visitar um homem em segredo...

Shizue arqueou uma sobrancelha.

- E...?

- E esse homem era o Shukaku!

- Shukaku? Você quer dizer, o Ichibi?

- H- Hai.

A criança a encarou divertida e sorriu.

- Você não sonhou. Começou a se lembrar do seu passado. Meu dever como sua tutora é lhe ajudar a resgatar memórias e praticar o controle da sua energia espiritual no plano material, então sessões como essa só serão intensificadas. Tudo bem para você?

- Uhum.

- Ótimo! Temos muito a trabalhar.


E é isso aí. Beijos e até!

BarbaraGava, to com risco de reprovar em matematica, e só matematica, pela primeira vez em pleno final do terceiro ano do Ensino Médio, acredita? To PUTX comigo mesma. Sim, e a historieta da Hina só vai melhorar. Amanha vou passar o dia passando a fic do caderno pro pc e vou liberar vários caps até o fim do mês. Vou começar outra fic também, ja que não sei o rumo de o Pergaminho e no caderno Areia ta próxima do fim ( são quase 40 capítulos acredita?). E sim, sou phoda, lady, diva das galaxias e voto Daenerys pra rainha. Beijos e até!