Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
Ele respirou fundo e olhou ao redor. Seus olhos pesavam e o trabalho estava sugando mais de si do que queria permitir. Já se completavam 3 meses desde o ''incidente'' com Hinata e o inicio do treinamento dela com Shizue. No inicio ficara um tanto quanto preocupado ao perceber que a esposa sempre voltava exausta das sessões e muitas vezes ficava parada por horas a fio fitando o teto quando iam deitar-se. Mas depois do primeiro mês o comportamento dela voltou ao normal.
Gaara franziu a testa e afogou um sorriso na face usualmente séria. A lembrança do sorriso tímido dela ao começar a brincar com a luz que emitia, condensando-a fora do corpo, dando forma e dispersando-a fez aliviando seu humor. Sentiu Shukaku remexer-se dentro de si e respirou fundo.
O ruivo se levantou e se aproximou da janela da copa em que estava para observar seus soldados treinando o kata. Uma soldada chamou-lhe a atenção por causa da coloração do cabelo e ele franziu os lábios. A mulher o fez lembrar de Matsuri. O fez lembrar do que acontecera a sua primeira e ultima aprendiz.
Buscou uma garrafa de sake nos armários e um copo. Sentou-se na poltrona e encheu metade do copo antes de fechar a garrafa e deposita-la no armário novamente. Não podia voltar bêbado para casa. Bebericou um pouco e deixou a mente vagar.
Dois dias depois de Matsuri desestabilizar Hinata e por toda a Vila em risco; ele, Kankuro e seus generais e conselheiros chegaram a um consenso. Matsuri seria exilada por alta traição e desacato a autoridade, caso se recusasse a sair seria executada. O rosto desolado dela ao ouvi-lo recitar a sentença ainda queimava no fundo de sua retina, culpando-o. Apesar de que, no calor do momento, ele apoiava o Ichibi na decisão de executa-la por assustar Hinata e ofendê-la, agora se sentia culpado por não ter controlado a situação antes e sua cegueira ter resultado no exílio da garota.
- Gaara-sama?
Ele se virou e viu Mae parada vestida na farda amarelada grande demais para seu corpo. Ela entendeu o silencio dele como um pedido mudo para que continuasse a falar.
- Sabaku no Hinata-sama o espera no teu escritório.
- Obrigado por informar. Está dispensada, Mae-san.
A mulher fez uma reverencia e saiu. Ele fitou o copo e o sake no qual só havia dado um gole e entornou o resto na pia. Era melhor que não cheirasse a álcool. Ele saiu andando para o escritório es passos largos, porém lentos. Observava tudo ao seu redor com calma. Quando abriu a porta e a viu parada, sorriu. Hinata estava de costas para ele observando os soldados executarem o kata em sintonia.
- Achei que estivesse com a garotinha a essa hora.
- O treinamento acabou. - Ela virou-se para fita-lo e sorriu. - Como terminamos cedo, vim te ver.
Gaara trancou a porta e cerrou as cortinas. Acendeu algumas poucas velas e suspirou aliviado com o escuro. Havia um dor de cabeça a caminho. Se aproximou da esposa e brincou com os dedos dela antes de entrelaça-los nos seus. Fitou-a em silencio por um momento e admirou as maçãs do rosto dela coradas. Soltou a mão e a abraçou. Ela apoiou a testa no peito dele e o ruivo começou a acariciar o topo da cabeça dela.
Ficaram assim por um tempo.
Ela ergueu o rosto, mas não fitou-o.
- Tenho um mal pressentimento.- ela murmurou.
- Também sinto que algo está errado.
- O que será que vai acontecer?
Ele encarou-a e sentiu uma súbita vontade de desviar o olhar para qualquer outro ponto. Não conseguia mentir para ela e dizer que ia ficar tudo bem. Seu próprio habito de beber havia voltado e ele não o fazia desde que ela havia chego em Sunagakure no Sato.
- Nos ultimos meses... Aconteceram muitas coisas. A tensão entre as Cinco Nações parece crescer a cada minuto que passa. Nossos soldados estão saindo em missões e não estão voltando. Pequena rebeliões estouram por todos os cantos. Muitos civis desaparecem assim que cruzam a fronteira. - ele respirou fundo. - Temo que haja uma guerra a caminho.
Hinata abaixou a cabeça novamente.
- Shizue comentou sobre isso. Disse que tenho que levantar um exercito.
O ruivo franziu a testa.
- Como assim?
- Existem mais de nós. Muitos outros que são como eu e você. Preciso encontra-los. Preciso uni-los e lidera-los. Só assim a guerra terá fim.
Gaara apertou o abraço.
- Eu não posso te perder.
- E eu não quero te deixar. Vamos sempre nos encontrar. Vamos sempre voltar um para o outro.
Ele sentiu a brisa quente e seca do deserto balançar seu cabelo loiro claríssimo. Se sentou na janela do quarto e se virou para observa-la. A mulher acariciava o ventre grande e redondo com ternura. Já estava baixo e contrações anunciavam que o parto não demoraria mais de uma ou duas semanas para acontecer. Tal se fez a dificuldade dela de continuar se movendo livremente que, num ato descuidado da parte dele, ele começou a perambular pela mansão quase sempre vazia para ajuda-la. Como Hitoshi Hyuuga, atual líder do clã e homem escolhido para engravida-la, passava a maior parte do tempo preso no escritório, o Ichibi sentia que tinha carta branca para se mover pelo local com a amada.
Ela estava visivelmente feliz por tê-lo ao seu lado por tempo quase integral novamente. Sentia falta dos dias que andavam pelo deserto em busca do complexo Hyuuga. Só os dois.
As vezes os olhos dele pousavam no ventre avantajado e ele se perguntava se um dia ela poderia carregar um filhote dele.
Ela sentiu uma nova pontada no ventre e sua respiração acelerou.
- Shu- kaku...
Ele se aproximou, tomou a mão dela nas suas e começou a contar o espaço entre as contrações enquanto tentava confortá-la. Iam e vinha com uma frequência crescente e a cada vez que voltavam demoravam mais para pararem. Ela o fitou quando uma de suas contrações pararam e sorriu, mas o sorriso logo se desfez e ela gritou. Ele olhou para os lençóis ficando úmidos rapidamente e percebeu que a bolsa havia estourado.
- Me desculpe... - sussurrou e percebeu que ela havia começado a chorar. Pegou um vaso e atirou-o no chão com força para alertar a serva no andar de baixo.
Passos apressados e murmúrios começaram a ecoar pela mansão e ela fitou-o num pedido mudo para que ficasse.
- Me desculpe... - ele murmurou novamente. Beijou a testa dela, então a ponta do nariz. Em um redemoinho ele se foi.
Os gritos dela iam sumindo conforme o tempo continuava a devorar os minutos. Logo não passava de lamentos murmurados. Então houve um grunhido e o som de um recém-nascido ecoou pelo local. A mãe mantinha a boca aberta num grito mudo que nunca escapou por completo. No canto do quarto um olho flutuava próximo ao teto na quina mais escura do quarto, assistindo tudo.
O Ichibi vigiara tudo com o coração apertado. Quando viu a criança algo dentro de si criou vida.
Aquele menino foi erguido pelo pai biológico e analisado com um olhar clínico do homem. Não havia uma gota de amor nos olhos do pai daquela criança.
Nem uma gota sequer.
O menino iria crescer sem amor.
Sem amor.
Sem...
...Amor.
Quando o sol finalmente se pôs naquela tarde quente, uma mulher ofegava com o filho recém-nascido mamando em seus seios e Ichibi a assistia a distancia. Quando o ultimo raio de sol cintilou no horizonte, Shukaku urrou. Foi um sol alto e rouco como um trovão que fez as casas e os muros tremerem levemente e assustou as pessoas. Shukaku urrou três longas vezes para reconhecer o recém-chegado. Nenhuma das vezes o bebê se encolheu com susto ou medo.
Ele, Ichibi, rugiu em reconhecimento a criança, reconhecendo-o como filho de um grande guerreiro assim como era o costume entre os seus antes de ser enviado para viver nessa terra infértil dominada por humanos. Mas o guerreiro no caso era apenas ela, sua amada, porque nunca reconheceria aquele homem como alguém valente e poderoso. Naquela noite também emitiu alguns sons altos e longos, que rasgavam o silencio que havia caído sobre o lugar. Eram algo semelhante a uivos e mostravam toda sua dor. A dor por saber que a criança não era sangue de seu sangue, mas de outro alguém; a dor por saber que dentro de um mês estaria tudo acabado e ela iria embora, deixando-o sozinho para trás depois de aprender a amá-la.
Porque ele sabia que ela tinha quinze dias para fortalecer a criança com seu leite celestial e seu amor antes de partir. Porque ele sabia que no primeiro raio de sol da 16ª manhã sua missão estaria concluída e ela partiria.
Mas os uivos doloridos dele não estavam sozinhos, dentro da principal mansão do clã Hyuuga uma mulher, um anjo, chorava e cantava de modo triste em línguas estranhas agarrada ao filho.
Acabei. Fim. Desse capítulo, hehehe.
Uchiha Himitsu, sua SUMIDA! Entendo a arte dos trabalhos.. Triste história. Respira fundo e tenta não hiperventilar, porque a coisa ainda vai ficar melhor - ou pior, depende do ponto de vista. A reencarnação passada da Hina é DIVA! Ainda tem mais coisa pra contar sobre ela que você vai adorar. Mas não, ela não era esposa dele e o filho não é dele. A missão dela era outra, lembra? Ta escrito em algum lugar nos capítulos, depois acho e te mostro. Ah!, não apareceu seu email na review T.T sinto muito.BarbaraGava, Hinata-chan é uma caixinha de surpresas. Shukaku é muito fofo! *-* Relaxa que eu não vou acabar por agora. Eu devia ter escrito direto no pc, mas como só ganhei um note agora, ta tudo no caderno e sabe como é... Sou virginiana, apesar de organizada e boa pra limpar, comigo procrastinar também é uma arte. Passa 40 caps pro pc é como vender a alma se você tem mais alguma coisa pra fazer - no meu caso to escrevendo alucinadamente outras fanfics - em dois dias consegui produzir seis capítulos para a fic Ela e iniciar outra que vai ser tchantchararan: uma ShikaHina!, mas tenho que ver se a ideia vai vingar. Se brotar uns dois ou três capítulos a mais eu posto. Pergaminho é meu atual bebê e hoje e ontem escrevi dois capítulos pra ele que me fizeram restabelecer minha ligação com a fic.
