Disclaimer: Naruto não me pertence.

Areia

Ao abrir os olhos teve a sensação de que tudo era pesado demais, intenso demais, forte demais para ser suportado. Sentia seu corpo queimar em brasas e seus músculos derreterem e estalarem numa sinfonia muda. Sua cabeça estourava como cristal sendo atirado ao chão e pisoteado. Sentia que algumas partes pulsavam e outras pareciam estarem sendo perfuradas por um milhão de agulhas na cadencia das ondas do oceano numa tempestade.

Sentiu que estava se afogando em lembranças confusas demais para serem postas em ordem.

''Quanto tempo até poder sair daqui?'', uma voz feminina e infantil gritou assustada. A angústia pingava em cada palavra derramada.

'' Hinata. Hi-Nata. Hi-Na-Ta. H-Hi... Nata...Hi...Na...Ta...H...'', uma voz masculina sibilou nas tempestade de sons, dores, cores e vozes.

'' Porque ainda não se matou? Oras, acho que vou lhe poupar o trabalho e amarrar esse lençol no teu pescoço, depois só precisa pular da janela e deixar o tecido e seu peso fazerem o resto!'', uma voz andrógina questionou como se estivesse a perguntar se iria chover na próxima tarde.

'' Faça parar! Por favor; por favor; por favor; por f-favor; p-por... Favor! Faça! Faça! F-fa... Rar! Faça parar! PARE! PARE! NÃO, POR FAVOR! PA-re! Pa... E!'', a voz infantil gritou novamente.

'' Quando fecho os olhos, sabe o que vejo? Vejo ódio! O ódio que você trouxe para dentro deste clã e fez se espalhar como um câncer.'', uma voz grave sussurrou. A fúria fazendo o tom das palavras oscilarem como um furacão que ameaça destruir toda uma cidade.

'' Otou-san... Por que o senhor não consegue me amar?''

'' Otou-san?''

'' OTOU-SAN!''

'' Eu não sou o pai de uma aberração como você.''

Silêncio.

A dor pareceu suspender-se no véu do tempo. Seu corpo pareceu flutuar sozinho.

'' Hinata... Eu...'', a voz pareceu um pouco nervosa.

'' Por que

O senhor

Não

Consegue

Me

Amar?''

A voz infantil pingou no nada. As palavras correndo no véu que a envolvia. Tomando forma, massa, densidade, peso.

Uma lágrima quis se formar e cair, mas ficou suspensa naquele vácuo. Brilhando líquida e salobra.

'' Por'' a voz infantil voltou. Agora era trêmula. Oscilante.

''que.

Não.

Consegue.

Me.

AMAR? POR QUE? POR QUE? POR QUE? POR QUE SEMPRE EU?''

Mais lágrimas se formaram no vácuo. Todas brilhavam na escuridão. Cristalinas, refletiam uma luminosidade de origem indeterminada.

Mais silêncio.

Soluços se fizeram presentes.

Uma rosto infantil se formou nas lágrimas, nada mais que um borrão disforme, mas os olhos... Ah! Brilhavam nítidos em toda sua gloria única.

'' Porque você nasceu.''

Você

Nasceu,

Hinata.

Viva com isto.

Suporte isto.

Permaneça viva.

Ela arregalou os olhos e puxou o ar com força. A calmaria se desfez, assim como o rosto nas lágrimas e as vozes. Olhos ao redor enquanto arfava e se debatia em busca de ar e tudo que chegou a si foi o preto. Estava trancada no escuro. Tudo ao seu redor não passava de uma grande dose de nada, mais nada, mais nada.

Era apenas escuridão.

''Estou cega?'', se perguntou em meio ao seu desespero em busca de qualquer rastro de luz que fosse.

Piscou os olhos, porém nada mudou.

- Gaa-ra...? – sussurrou. Sua voz fez um pequeno eco e reverberou algumas vezes, quase zombando dela.

Talvez estivesse ficado cega na batalha. Com a quantidade de luz que emitira, não era impossível que terminasse com sequelas. Entretanto, se estava ferida, Gaara tinha de estar ao seu lado. Aonde ele estava?

- Gaara? – arriscou novamente. A voz lhe saíra rasgada; seca; esmiuçada.

Silencio.

Tentou se mover e percebeu que seus músculos pareciam gelatina.

Respirou fundo e um cheiro metálico a atingiu.

Sangue.

Seu coração acelerou e ela gritou. Seu grito ecoou e se repetiu por todos os lados. Resolveu permanecer quieta e esperou e esperou e esperou e esperou e esperou e esperou mais um pouco; então esperou novamente.

Percebeu que a cabeça parara de latejar.

Fechou os olhos e depois reabriu-os, testando-os. A escuridão continuava ali. Cercando-a. Zombando-se de seu medo e confusão. Buscou naquele novo nada qualquer som que fosse, mas apenas encontrou os que ela mesma produzia. Sua respiração. O farfalhar da pele roçando a pele quando tentava se mover.

Percebeu que estava frio e que seu corpo tremia. Percebeu que o sono espreitava sua vigília.

Cogitou estar morta, mas a presença da dor a fez descartar a hipótese.

Cogitou ter perdido não só a luta contra os invasores, mas contra sua outra eu também. Entretanto a dor novamente a fez descartar a ideia.

Aquilo não era um limbo ou um hospital. Aquilo não era seu quarto vazio ou as ruas de Suna depois do ataque.

A angustia veio de mansinho e a abraçou. Envolveu-a de tal modo que impedira qualquer rota de fuga; qualquer escapatória. Percebeu que estava chorando e deixou o sono cravar suas garras em si. Talvez quando acordasse tudo voltaria ao normal.


Abriu os olhos quando uma luz fraca oscilou na escuridão. Se peito se encheu de esperança e ela tentou sorrir. Ao menos não estava cega.

- Gaara?

Ouviu uma risada. Um arrepio correu sua espinha e seu sorriso se desfez. Seus pelos se eriçaram e o coração acelerou pronto para o perigo.

- Não, não. Seu príncipe- demônio não está entre nós. Ele está a própria sorte no deserto na posição oposta a nossa caminhando direto para uma tempestade de areia. Está cavando seu tumulo onde antes chamou de casa.

Seus olhos claros se adaptaram um pouco e ela conseguiu discernir um pouco da silhueta contra a chama fraca de uma vela.

- Quem é v-você?

- Eu? Ah! Perdoe meus modos, meu nome é...


Neji acordou num sobressalto. Seu corpo tremia e o suor frio pingava. Buscou a jarra de água ao lado da cama e despejou um pouco da água no copo e bebeu esperando acalmar-se. Sua respiração acelerada aos poucos foi se acalmando.

Havia sonhado com Hinata, a doce e gentil Hinata. Sonhou que ela ainda era uma criança e que havia se perdido no meio da multidão. No sonho via um garotinho ruivo com orelhas e caudas semelhantes às de um guaxinim tentar alcança-la, mas sempre que se aproximava alguém o puxava para a direção oposta. Até que alguém veio e nocauteou o menininho. Desespero começou a consumir Neji e ele se esforçou para correr mais rápido e alcançá-la. Entretanto, quanto mais corria, mais parecia se distanciar numa ironia cruel. Assistiu horrorizado como ela corria em prantos direto para uma casa em chamas. Ele reconhecia a casa, principalmente aquela parte em especial. Tentou gritar o nome dela, mas foi em vão. Tudo se passava como um filme mudo. Não havia som algum além do choro assustado dela.

Neji suspirou. Sabia que o sonho era um presságio e se recusava a ficar de braços cruzados. Levantou-se e seguiu em direção ao quarto do pai.

- Otou-san?

- Neji. – a voz do outro lado respondeu após uma breve pausa. – Entre.

O garoto franziu as sobrancelhas pelo fato do pai estar acordado, mas ignorou. Hiashi tinha o mau habito de trabalhar até tarde. Mas estranhou mais ainda ao perceber que o homem estava sentado na cama no escuro.

- Hinata está em perigo. - disse sem rodeios. Era uma afirmação.

- Eu sei

A resposta o assustou um pouco. Esperava o silencio em troca.

- O que vamos fazer sobre isso?

Agora viera o silencio. Neji conteve a vontade de gritar, porém não segurou o suspiro indignado.

- Mas Otou-san!

- Mas nada! Aquela garota já não é responsabilidade do clã!

O mais novo apertou os punhos e soltou uma risada de escárnio.

- Ela é sua filha...

- Aquela coisa não é minha filha! – a voz do homem se elevou. – Só tenho a você e a Hanabi como filhos. Volte para o seu quarto, Neji, e não ouse ir atrás daquilo ou será exilado!

- Otou-san? – uma voz suave cortou o silencio tenso dos dois.

Ambos olharam para a porta.

Uma menina de três, talvez quatro anos os fitava assustada sem saber ao certo se devia entrar no quarto ou manter-se do lado de fora. Seus olhos cheios d'água brilhavam aterrorizados.

- O que...? – Hiashi começou.

- Por que você não me ama?

Neji estendeu a para a garotinha e tentou toca-la. No minuto que o fez um barulho agudo percorreu toda a mansão e oscilou. O som começou a ondular e as janelas ameaçaram estourar. E foi isso que fizeram, em uníssono todas as janelas, vasos e esculturas, vasilhas pratos que eram de vidro se estilhaçaram.

Todos os pertences, menos aqueles guardados numa certa área isolada da mansão, onde uma menininha cresceu sozinha.

''Por que não consegue me amar?'' a voz infantil questionou ecoando em cada cômodo daquele lugar.


Eu

sou

uma

péssima

FICWRITER!

Abandonei vocês por um mês, mas foi por uma boa causa. Entrei na universidade e calouro não vive! Mentira, vive, mas as noites que antes eu dedicava às fanfics viraram noites de festas ou sono mal dormido porque não terminei de ler o texto pra aula no outro dia.

NixEyes , seja bem vinda ao reino de Areia! Haha, provavelmente já leu alguma solta por aí. Iniciar Gaahina é uma praga! Mas quando pega o ritmo fica legal. Obrigada pelos elogios e desculpe a demora pra postar! Beijos!

BarbaraGava , torturo sim! Torturo porque posso! Nunca mato ela pra valer, você devia ter aprendido isso. Shukaku gatin, Shukaku gatin, atrai as 9vinha sem sair do seu cantin. Ela vai voltar pra ele pq é true love. A anja fez uma poha beeem pior que matar o gurizim. Relaxa que supostamente tem uma guerra no caminho, que continua na cabeça mas não deu as caras no papel. Beijos!