Disclaimer: Naruto não me pertence.
Areia
Era uma vez uma menina feita da mais perfeita pureza que existe no mundo. Seus toques eram suaves e macios, seus sorrisos não continham malícia alguma. Ela era perfeita.
Perfeita.
Mas ainda assim era a maior aberração que já vagara pelo mundo. Trazia em si o peso de profecias que todos queriam esquecer. Seus olhos prometiam o caos.
Quando nasceu, a atenção de todos se viraram para os olhos dela, e foi assim que ela terminou ali, naquela noite de inverno. Ele se lembrava bem de como tudo aconteceu. Lembrava-se de como ela correu para o jardim uma semana antes preocupada com suas flores, presa em sua inocência infantil. Ele assistiu da janela o modo que ela afundou as mãos na neve em busca das flores sem saber exatamente o que fazer para salvar as plantas agora que não tinha mais Hizashi e fora proibida de se aproximar da própria mãe, de Koh e do irmão.
Hiashi sequer se moveu quando ela se desequilibrou e caiu de rosto numa vala cavada para plantar muda de árvore, afundando até que sequer seus pés apareciam direito. Bebeu seu chá calmamente enquanto via a neve no local ser revirada, provavelmente com ela se debatendo pra buscar a superfície novamente. Esperou até que qualquer movimento chegasse ao fim. Sorriu ao pensar que talvez só achassem o corpo na primavera.
Não foi isso que aconteceu.
De alguma forma a menina conseguiu sair daquele buraco na neve. De alguma forma ela conseguiu se arrastar novamente para dentro de casa. De alguma forma ela atraiu a atenção da mãe para si.
Hiashi ficara extremamente irritado ao ver a esposa carregado o corpo quase inerte da menina, a mulher sempre elegante e muito comporta berrando por socorro. Seria muito pedir para aquela criança morrer de uma vez? Parecia que sim. E foi daí que surgiu a ideia de contratar ele.
Ele era um médico cruel. Ele era um assassino impecável. Ele estava ansioso por uma nova cobaia. Então quando Hiashi mandou que o contratassem, ele se sentiu mais do que honrado em ter uma cobaia imortal. Aceitou sem pestanejar e com seu cínico sorriso assinou um contrato com Hiashi para 'cuidar' da frágil menina.
A intenção de Hiashi era que ela terminasse como todas as outras cobaias daquele médico tão especial, ou seja, morta. Porém, seus sonhos não se concretizaram.
''Você pode colocar essa coisa para destruí-la, você pode me tirar dela, você pode tirar tudo que ela tem e, ainda assim, você não vai escapar do seu miserável destino meu marido. Não se mata um anjo a menos que você esteja no mesmo patamar que ele. E você? Você não passa de um inseto sendo esmagado pelos pés infantis dela. O mesmo serve pra essa coisa que contratou para 'tratar' a minha filha'' a voz suave da esposa de Hiashi sibilava na mente do homem.
- Senhor? - uma voz retirou o homem de suas lembranças.
- Hn?
- Neji-sama anunciou que não irá sair de seus aposentos até que algo seja feito para resgatá-la.
- Diga ao meu filho que se ele voltar a insistir nesse assunto será deserdado e exilado.
- Hiashi-sama...
- Basta! Eu entreguei aquela coisa para o demônio matá-la. Se alguém está fazendo o serviço agora, só tenho a agradecer ao sequestrador.
O serviçal parou observando o líder furioso. Seus cabelo ligeiramente grisalhos presos num rabo de cavalo baixo e sua roupa impecável destacavam seu brilho de senhor de idade. Trabalhava naquela casa à anos e ajudou no parto em que a pequena Hinata foi gerada, assistiu as sessões de abuso contra a inocente criança e vislumbrou parte dos poderes dela. Quando nesta manhã viu todos os vidros estilhaçados e o dito herdeiro do clã vociferando que era dever dos Hyuuga auxiliarem a menina, soube imediatamente que, mesmo a distancia, ela ainda podia atingi-los. E a forma que os vidros estouraram... Isso só ocorreu durante uma temporada:
A temporada em que ele passou na mansão tratando os ferimento dela.
Para Hitoshi nada era mais assustador do que aquele médico de olhos de víbora e sorriso malicioso e, levando em consideração que a criança só adoecia mais e mais nas mãos dele... Tinha certeza de que as intenções do homem não eram as melhores e que ele tinha total suporte de Hiashi.
O serviçal suspirou.
- Desculpe minha audácia senhor, mas sabe que quanto mais luta contra a profecia, mais força ela toma. Pare de fazê-lo. Ajude sua filha e talvez sua alma seja poupada. - e com isso se retirou em passos curtos, rápidos e silenciosos.
''Lute.''
''Resista.''
''Erga-se''
''Ele não é mais forte que você. Nunca foi. Mas você permite que seja. Você, Hinata, é quem permite que ele seja o monstro que pensa que ele é.''
As frases iam e vinham em sua mente. Ela se mantinha imóvel observando a silhueta daquele homem que assombrou sua infância. Se lembrava dele, quase que nitidamente. Se lembrava de cair na neve e passar um tempo indeterminado se debatendo nela. Se lembrava de não poder respirar. Se lembrava da dor da neve entrando pelas suas narinas e boca quando a falta de ar foi demais para que ela suportasse. Se lembrava de ver uma mulher mandando ela se levantar; ignorar a dor e se levantar. Se lembrava de conseguir sair do buraco e seguir a voz da mulher de volta pra casa.
Era uma voz suave.
Melodiosa.
Lembrava-se de em algum momento pensar que desejava ter aquela voz quando ficasse mais velha.
Pensou em como seguiu a voz até chegar numa sala onde um serviçal trabalhava e de ouvi-lo gritar horrorizado.
Lembrou da própria mãe gritando por ajuda.
O saldo final do dia na neve foram: seus olhos queimaram parcialmente porque os abriu em algum momento debaixo da neve; havia gelo em seus ouvidos; sua via respiratória estava repleta de cortes devido a neve; havia gelo em seus pulmões; sua pele estava repleta de hematomas; seu braço direito havia quebrado; seu tornozelo esquerdo havia sido deslocado; e, para concluir, ela estava com hipotermia.
Seu pai queria que a deixassem para morrer. Sua mãe ameaçou espanca-lo e desertar levando consigo os herdeiros que restassem para o exílio. Foi assim que um médico foi chamado.
Como não lembrar daquele médico? Daquele homem de olhos oblíquos e sorriso malicioso. Daquela voz que sibilava no escuro.
Foi naquela mesma época que sua mãe caiu doente. As vozes diziam que o médico e Hiashi estavam envenenando-a para que ela não interferisse no tratamento da filha e tentasse salva-la outra vez.
Foi naquela mesma época que ela foi submetida a um regime de escuridão. O médico havia dito para todos que a luz no quarto iria ferir ainda mais os olhos puros dela e que, para que melhorassem, o local teria que ficar o mais escuro possível. Placas de madeira foram colocadas sobre as janelas para impedir a luz do sol e as lâmpadas foram retiradas.
Então vieram os testes...
- Agora lembra de mim? - ele perguntou com a chama da vela iluminando seu rosto. Na noite anterior, quando ele fora visitá-la, a menina desmaiou de desidratação antes dele conseguir uma reação dela. Havia ficado frustado, mas esperara até a manhã, agora, para fazer uma nova visita.
- Oro-chimaru... - sussurrou.
- Oh sim! Eu voltei querida... Te tiraram de mim uma vez, mas agora eles não podem fazer isso. Tenho uns assuntos pendentes com você, que tal concluí-los? Hnn? - o sorriso dele se ampliou de modo a assemelha-lo a uma víbora.
Ela respirou fundo. As lágrimas presas aos olhos. Estava mais uma vez vulnerável sob as mãos de Orochimaru e, dessa vez, talvez não houvesse uma maneira de escapar.
- G-aara...- murmurou baixinho e soluçou. Queria tanto que ele estivesse ali para protegê-la. Cerrou os olhos e tentou encontrar consolo em não ver a face de escárnio de seu sequestrador.
- Oh não, não. - Orochimaru riu.- Seu namoradinho não vai aparecer tão cedo. Até onde sei ele... - o homem fez uma pausa dramática e fingiu limpar uma lágrima de tristeza inexistente. - Ele morreu.
Ela abriu novamente os olhos e buscou fitar o homem em busca de qualquer traço que o desmentisse, mas a vela fora apagada e nada restara além de escuridão outra vez.
- Boa noite, meu anjinho.- a voz sibilou na negritude e ecoou no lugar apertado.
Hinata sentiu um formigamento seguido por uma dormência por todo o seu corpo e então veio o nada.
Mais uma vez peço desculpas. Apesar de estar de ''férias'' estive cheia de coisa pra fazer e não consegui parar pra postar. Tô abreviando o enredo infelizmente. Era pra ter mais suspense
Anony, eu sei que demorei uma vida de novo, sorry! Aceito virar um unicornio, ainda que seja um das trevas trevosas! E EI! Quem mata gente a rodo aqui sou eu! Por enquanto só quero fazer ela sofrer. Até!
BarbaraGava , sou bicha e sou má mesmo! É minha função ter finais dramáticos. Ruivo delicia e seu parceiro estão bem (spoiler). Graças a Allah não reprovei em nenhuma matéria, mas tirei nota baixa em duas, tô bem triste. To tentando curtir. Nunca comi tanta besteira na minha vida e dormi fora tantas vezes. Mas fali financeiramente também. Sad story. Beijos!