Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto, mas o enredo dessa história é minha

Notas da autora: THIS IS THE END! Mas isso significa que vou reler tudo e postar uma versão reescrita em algum momento para cobrir todos os potenciais buracos e adicionar os capítulos que era preu ter escrito e esqueci.

Areia

O sol já estava baixando. As cores que coloriam o horizonte enfeitando o céu marcavam um belo crepúsculo vespertino. Era o céu perfeito para um casamento ou um festival. Além disso, o clima estava estranhamente ameno para um deserto devido a uma massa de ar frio passando. Para combinar com o tempo, a praça principal estava lotada. Sunagakure estava em festa havia três dias, desde que o batalhão deslocado para a fronteira sob o comando de Gaara havia retornado. Haviam dançado, comido e bebido por três dias e duas noites. Agora, para iniciar a terceira e última noite de comemoração, o ato mais esperado seria realizado:

A execução de Matsuri.

— Tem certeza de que quer fazer isso? — questionou Gaara fitando-a com atenção.

Hinata respirou fundo e assentiu. Seus olhos fixos na mulher posicionada no centro da praça.

— O sol se põe em 2 minutos. — Temari avisou. — Já é hora de se posicionar. Você está pronta?

Hinata começou a caminhar na direção da outra mulher. Cabeça erguida, coluna ereta e passos seguros. Temari e Gaara seguindo logo atrás, ambos tensos e atentos a qualquer alteração na morena. Prontos para assumir o lugar dela caso ela assim desejasse.

— Hinata...

— N-Não! Não quero ouvir. — ela fitou o ruivo nos olhos brevemente antes de focar novamente em Matsuri. Apertou os lábios ao perceber que gaguejou, mas logo se recompôs. — Por c- causa dela... Por causa dela Suna foi atacada duas vezes. E, sinceramente? Se não fosse por ela... Se não fosse por ela meu filho ainda estaria aqui. — Hinata tocou levemente o próprio ventre. — Eu tenho que fazer isso.

— Um minuto, Hinata. — Temari alertou.

— Preciso que se afastem.

Os irmãos se entreolharam e obedeceram em silêncio.

O silêncio na praça era ensurdecedor. A tensão pairava pesada no ar.

Matsuri era tida como uma traidora e, bem, Suna não perdoava traidores. Principalmente quando se tratava de alguém envolvida com o alto escalão das forças armadas. Mas Matsuri não só entregou alguns pontos fracos da Vila como também foi indiretamente responsável pela morte do único herdeiro.

Um herdeiro homem.

E a cena por si só era todo um espetáculo para eles. Matsuri vestia uma calça e uma blusa simples preta. Estava de pé com as mãos atadas e queixo erguido. Fitava Hinata desafiante. E Hinata? A Sabaku parecia um anjo, tal qual a fama dela. A niqab oscilava com o vento. O tecido macio brilhando e refletindo o pôr do sol.

Hinata se aproximou da outra. Lentamente retirou a luva e sorriu um sorriso vazio. Não havia maldade, não havia felicidade, não havia nada. Entretanto, ninguém nunca veria seu sorriso graças ao véu. Concentrou as emoções em Matsuri. Queria que apenas ela, e apenas ela, visse seu olhar.

O último raio de sol atravessou o horizonte e os tambores começaram a ecoar pela praça.

— Sabe, sempre te ouvi dizer que eu não estava a altura de Gaara-san. Ouvia que eu era só uma criança mimada e fraca. Me desprezava. Me humilhava. Mas isso nunca me afetou o suficiente pra me fazer te odiar. Cresci em uma família que tinha um discurso igual ao seu, então eu aprendi a i- ignorar.

Hinata retirou lentamente as duas luvas e as depositou sobre uma mesa ao seu lado.

— P- Por causa da minha linhagem, tive que internalizar um discurso de que anjos são totalmente bons, que eles só curam e protegem, que são incapazes de odiar. Logo, como descendentes deles, os Hyuuga também não fazem nada disso. Aaah Matsuri... Não existe mentira mais descarada. Na minha família o ódio corre profundo. Isso é um pequeno presente entregue por um anjo. O mesmíssimo anjo que porto. Sakuraso-san é muito pacífica, mas quando perdi meu filho, a pior parte dela e a pior parte de mim estourou.

A morena se aproximou mais da outra. Os tambores ecoavam em um ritmo cada vez mais acelerado e alto.

— E eu odiei aquela situação toda. Odiei aquela dor. Mas ainda não era suficiente pra me fazer odiar você. — Um suspiro. — I- Imagina minha surpresa ao descobrir que tudo seria diferente se você, minha querida Matsuri, não tivesse virado as costas para sua própria nação? Você traiu Suna. Pior ainda: você traiu Gaara. Traiu homem que tanto disse amar e declarou que iria morrer protegendo. Você traiu suas próprias promessas, suas próprias palavras.

— Tem poucas coisas que conquistam minha fúria. Pessoas que faltam com a própria palavra são uma delas. Mas tudo bem, ainda não era suficiente para te odiar. Até que uma noite Orochimaru contou que você sabia que eu estava grávida. Você tinha amigos no hospital e e sempre tinha que fazer exames, então quando o ataque foi orquestrado, você sabia exatamente em que estado eu estava. Você entregou uma mulher grávida para o inimigo só porque seu orgulho foi ferido. Entregou o filho daquele que você sempre declarou amar.

Hinata aproximou as mãos do rosto da outra, porém resistiu a tentação de tocar.

— Foi então que eu te odiei. — Hinata sorriu. Matsuri apenas a fitava em silêncio. — Eu sempre tive a habilidade de sugar para mim ou dissolver o que havia de pior nos outros. Mas você é podre Matsuri. Você é a escoria do mundo. Você costumava ser uma boa pessoa, apesar de realmente não gostar de mim. Mas você se entregou de corpo e alma para o lado mais sombrio. Você desejou se vingar. Desejou ter o pior. — Ela sorriu. Seus olhos, unica parte do rosto visível atrás do véu, brilhando. — Então hoje eu vou fazer o processo contrário do que sempre faço e vou realizar teu sonho. Vou te dar a pior parte mim.

— Vai em frente! Eu não tenho medo de você. Sempre fui superior. Fiz uma caridade pro seu filho ao te entregar para Orochimaru. Imagina ser criado por alguém como você? Ele teria vergonha. Poupei ele e Gaara dessa humilhação e...

Antes de continuar, Matsuri percebeu que havia algo se movendo perto dos olhos de Hinata. Começou como se fosse um pequeno besouro, mas passou a se multiplicar rapidamente. Em poucos segundos a pouca pele exposta do rosto estava tingida de preto. Em pânico olhou para as mãos e percebeu que o mesmo acontecia com elas.

— Adeus, Matsuri-san.

Então Hinata finalmente envolveu o rosto de Matsuri em suas mãos. As manchas negras se movimentando de si para dentro de sua vítima.

O primeiro grito da ex-combatente foi fraca e assustado. O segundo foi mais longo e ressoou mais alto que o som dos tambores, sendo suficiente para enviar um arrepio a todos que assistiam a cena. O terceiro já começou rouco e lentamente foi se apagando até virar um gesto silencioso. Com a boca aberta, olhos arregalados e corpo tenso, era possível ver a dor e o medo na postura dela. Mas as manchas negras dançando na pele conferiam um ar sobrenatural ainda pior.

Apenas três minutos passaram até que Hinata soltasse a cabeça da outra. Alguns guardas pareceram balançar em sua direção, mas a mulher apenas fez um gesto ordenando que ele ficassem parados. Deu um passo para trás e entrou na postura de batalha de seu clã. Com um pé um passo atrás do outro, um braço a frente de seu corpo em posição de defesa e o outro seguindo rente ao corpo, Hinata usou a ponta do dedo indicador e o médio para acertar o peito de Matsuri, logo na região do coração.

O tempo pareceu congelar por dois segundos. Todos observavam confusos e com a respiração suspensa. A cabeça de Matsuri pareceu tombar um pouco para frente e ela caiu de joelho. A mulher tossiu um, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes e então o caos estourou. Jogando a cabeça para trás em um novo grito o som morreu com o zumbido intenso. Inseto preto como o próprio breu noturno escapavam de sua boca como uma verdadeira infestação. Eram muitos e possuíam tamanhos variados. Voavam com uma nuvem negra rumo ao céu em uma dança macabra. O som dos tambores voltou a encher a praça com o espetáculo.

Gaara e Temari se entreolharam antes de se virarem para Kankuro que, por sua vez, assistia tudo branco com um fantasma.

— Ela sempre pôde fazer isso? — o mais velho perguntou.

— Eu não faço ideia do que está acontecendo.

— Eu posso explicar, se quiserem.

Os três irmão voltaram sua atenção para Sasuke, que estava em pé poucos passos atrás deles.

— Os Hyuugas são famosos por suas lutas corpo a corpo. Eles atacam sua rede de chakra, sua energia vital, e ela está, de certa forma, ligada com sua alma. O que Hinata sempre fez, e o que a faz brilhar, é uma fusão do chakra dela com o da Sakuraso. O brilho é uma certa materialização desse momento. Como ela é uma Hruuga e, bem, Sakuraso é Sakuraso, a energia sempre escapa com um um tipo de intenção mais benigna. Ela não luta para matar. Ela cura as pessoas no processo. Entretanto, agora ela está com a intenção de matar bem clara. Sendo assim, ela recolheu todos os sentimentos negativos que estavam desestabilizando seu próprio chakra e os "doou" para Matsuri. Aquele golpe final foi o verdadeiro golpe de execução. Como a energia precisa ir para algum lugar, ela se materializou e está escapando pela boca. — Sasuke fez uma pausa seguida de uma careta. — E provavelmente estão gerando alguns estragos pelo caminho. Duvido que estejam se materializando só na região da boca.

O tambor parou e eles voltaram a focar no centro da praça. O corpo de Matsuri estava caído no chão enquanto Hinata andava até eles como se nada tivesse acontecido. Alguns guardas deram passos hesitantes até o corpo e começaram a tentar encaixar a mulher morta em um saco sem tocar nela. A traidora seria cremada à meia noite sem direito a cerimonia e depois suas cinzas seriam enterrada em um lugar secreto. Traidores não possuíam o direito de serem lembrados pós-morte.


Gaara abraçou Hinata e respirou fundo. Haviam se passado sete dias desde que Hiashi havia caído e quadro desde que Matsuri havia sido executada, mas ainda havia um último serviço a ser concluído.

— Tem certeza que é assim?

Hinata mordeu os lábios e assentiu. Ambos continuaram parados dentro de um círculo esperando a hora chegar.

— Isso é estranho.

Ela riu.

— S-Sim! Eles sempre estiveram aqui e agora...

— Agora está na hora deles serem livres. — Uma terceira voz interrompeu.

Olharam para trás e viram quatro pessoas. O homem, que era quem havia falado, se aproximou um pouco do círculo e sorriu amplamente.

— É bom te ver novamente, irmã. E Hinata-san, certo? Creio que já nos conhecemos antes.

— Ela já conheceu todos nós em algum momento ou outro. — disse a criança do grupo declarou sem dar muita importância.

— C-como...? — Hinata iniciou confusa.

A criança sorriu.

— Meu nome é Aiko. Lembra de mim? Eu brincava com você no jardim quando... — ela deu uma pausa. — Quando você ainda era mais ou menos da minha altura.

— E eu — disse o primeiro homem — te conheci quando você teve que que me expulsar de um assassino. Eram tempos difíceis. Mas parece que eu estava certo e você não só se parece com a minha irmã como carrega ela.

Hinata observou o albino com atenção, ainda sem reconhecer. Foi quando viu a menina albina parecida com ele a fitar com seus olhos púrpura que ela se lembrou dos dois. Estremeceu levemente, mas conseguiu sorrir. Se sentia grata pelos dois. Conseguiu sentir Sakuraso se agitar de felicidade dentro de si.

A terceira mulher, que até então havia se mantido calada, tomou sua posição em relação ao círculo e decidiu se apresentar.

— Eu não posso lhes dizer meu nome, mas posso contar que antes de ser atirado nesse mundo, o Shukaku era um dos meus irmão mais novos. Cuidei dele por um longo tempo. — ela sorriu. Sua pele negra contrastando com os outros ali presentes. — Vamos iniciar o ritual agora. Eu preciso que se acalmem e tentem dormir. A noite vai ser longa.

Gaara e Hinata se entreolharam e se abraçaram dentro do círculo. Foi só Aiko tomar a posição correta que os dois começaram a gritar de dor.


Shukaku deu um beijo suave nela. A mulher deu alguns passos para frente e se ajoelhou na areia. Uma brisa passou redesenhando as dunas e doze figuras se materializaram no deserto. Eram os Doze Irmãos. Takeshi e Oshihiro deram um passo para frente.

— Sakuraso-san, sua missão foi cumprida. É sua decisão ficar ou voltar para casa conosco.

Sakuraso sorriu e deu um passo para trás.

— Com a vossa permissão, desejo ficar.

Oshihiro sorriu.

— Então que sejam felizes aqui. Protejam o deserto juntos e guiem seu povo. — Ele fez uma pausa — Estaremos sempre prontos para vos ajudar.

— Obrigada, meus irmãos.

Shukaku tomou a mão dela entre as suas.

Outra brisa passou redesenhando as dunas e com ela figuras na areia desapareceram.


Hinata andava pelos corredores com um sorriso no rosto. Ela seguia o som de crianças saindo do escritório de Gaara. Quando finalmente os alcançou pode ver o Comandante com uma criança pendurada nos ombros e outra abraçando a perna dele enquanto o homem tentava se mover.

— Está na hora de ir para casa. — ela anunciou da porta.

As duas crianças gritaram de felicidade com a voz da mãe.

— Hmm...Eles deram muito trabalho? — perguntou observando o leve desespero no olhar do marido.

— Eles vão chegar em casa e dormir direto.

Ela riu e se aproximou para pegar a criança mais nova.

Apesar do primeiro aborto, eventualmente conseguiram ter dois meninos. O mais velho nasceu com os cabelos negro azulados de Hinata e olhos verdes do pai, mas com uma energia e agitação que não vinha de nenhum dos dois. Seu nome era Akira. O segundo, Ren, nasceu com os cabelos ruivos e os olhos verdes do pai, mas a textura do cabelo e sua timidez eram inegavelmente herdados da mãe. Sakuraso e Shukaku visitaram o casal durante o nascimento das duas crianças e depois voltaram a sumir no deserto.

Fim


1) A Aiko é do capítulo 19. Ela brincava com a Hinata quando a Hyuuga ainda era criança. Também foi ela que ensinou um truque pra cuidar das plantas, curando elas.

2)Os irmãos albinos (a menina e o homem) são do capítulo 30 de uma "sessão de exorcismo" que a Hinata realizou.

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BarbaraGava, sabia que amo suas reviews? É real, melhor pessoa. Sakuraso maior fonte de estabilidade emocional e crescimento que tu respeita. Hiashi e Matsuri agora tão mortinhos S2

AMOOO QUE TU GOSTOU! Eu queria mais drama nesse também, mas preciso revisar tudo pra poder deixar mais tenso. Claramente quando tu menos esperar sai uma versão revisada. Depois vou sequestrar sua arte em violência. Para de ler no serviço garota haahahhaha Eu leio na universidade tbm então tô sendo hipocrita ahahhahahahah