Segue o terceiro capítulo da trama, e como ninguém está lendo mesmo, não tenho nada a explicar nas notas


Capítulo 3 – Inclusão

Ainda surpreso e confuso ao ver Rangiku desmaiada na porta de seu quarto, Izuru ficou ainda mais espantado ao virar as costas e se deparar com a mesma moça que lhe presenteou e parabenizou com doces mais cedo. Com as maçãs do rosto coradas, a garota olhava bem para o Capitão, e ele ainda não entendia o que ela fazia ali.

— Ah... você é... a mocinha de antes, estou certo? A quanto tempo você entrou para a Divisão Três? Me perdoe, é que não lembro do seu nome ou do seu rosto, e olha que conheço cada membro desta Divisão faz tempo.

— Meu nome é Midorikawa Izumi. Eu entrei para a Divisão Três a cerca de duas semanas e fiquei muito feliz ao ver que o Senhor foi promovido.

— Desculpe minha indelicadeza, mas já nos conhecemos? Porque eu não me lembro de tê-la visto anteriormente.

— E não viu mesmo, mas eu quis entrar para esta Divisão por que sempre admirei o Senhor desde a academia. – Confessou sem perceber, e sentiu seu rosto queimar de tanta vergonha.

— Você me admira? Bom, eu não vejo que motivos teria para isso, mas você disse se chamar Izumi? Nossos nomes são parecidos. Então permita-me cumprimentá-la formalmente. Meu nome é Kira Izuru, Capitão desta Divisão. Muito prazer em conhecê-la. – Disse gentilmente, beijando a mão da garota, que quase teve uma síncope de tanto nervoso.

— Pra... prazer!

— Ah, claro... Pode me dizer o que faz aqui?

— É que eu vi o Senhor passando e me pareceu um pouco abatido. Fiquei preocupada, pois o Senhor podia estar passando mal, por isso eu vim. Desculpe a minha intromissão.

— Não tem problema. Obrigado por se preocupar. Eu estou bem. Só bebi um pouco, apenas isso. Mas já que está aqui, poderia me ajudar com a minha amiga? Ela bebeu demais, como sempre.

— É claro. Será um prazer para mim poder ajudá-lo.

Izuru olhou bem para Rangiku deitada no chão de bruços e rapidamente a ergueu em seus braços. Assim que Izumi abriu a porta, ambos ficaram com a cara no chão ao ver Renji dormindo nu na cama do Capitão com uma garota também nua ao seu lado. O loiro ficou envergonhado, e rapidamente se virou para a jovem.

— Izumi-kun, apague da sua mente o que acabou de ver aqui. Depois eu resolvo isso adequadamente. Vamos leva-la para o meu antigo quarto agora.

A Oficial de estatura média, longos cabelos castanhos e olhos negros assentiu. Kira e Izumi seguiram pelo corredor, e Rangiku se debateu algumas vezes nos braços do loiro. Deu algumas tossidas, deixando o Capitão apreensivo, pois não sabia se ela estava dormindo ou não.

— Matsumoto-san? Ei, Matsumoto-san, está acordada? – Ele perguntou, porém, sem sucesso.

Ainda se debatendo, a ruiva acabou vomitando por cima de Izuru, que incrédulo, colocou Rangiku sobre sua cama e ficou para morrer quando se percebeu todo sujo de vômito.

— Eu não acredito nisso! Ela literalmente bebeu tanto que ainda vomitou antes de desmaiar!

Descrente, o loiro foi até seu armário e pegou dois Shihakushous limpos.

— Izumi-kun, você, por favor, poderia trocar e limpar esta minha amiga dissimulada enquanto eu tomo um banho? Sei que você não tem nada a ver com isso, e peço mil desculpas por pedir tal coisa, mas poderia me ajudar dessa vez e não contar a ninguém sobre isso?

— Não se preocupe com isso, Capitão. O Senhor pode confiar em mim incondicionalmente.

— Obrigado. Então faça isso enquanto eu tomo um banho, está bem? Vista ela com este shihakusho limpo.

— Sim Senhor. Pode considerar feito.

E assim ela fez. Tirou as roupas sujas de Rangiku e a limpou com um pano molhado e uma bacia de água. Ela não acordava, apenas murmurava coisas sem sentido, entre elas o nome de Ichimaru.

— Ichimaru? – Izumi perguntou para si mesma. — Mas este não é o nome do antigo Capitão? Isso não importa. Vou apenas me limitar a cuidar da Tenente como o Capitão Kira ordenou.

Quando terminou de assear a ruiva, a morena passou a olhar a Tenente de forma interrogativa.

— Ela é muito bonita, atraente e tem um corpo divino. O Capitão deve gostar muito dela a ponto de deixar que ela use seu próprio Shihakusho. O uniforme do Capitão... Que inveja.

Abraçou as roupas com suavidade, sorvendo o perfume doce que delas vinha. O cheiro de Kira era bom, e a fez arrepiar dos pés à cabeça. Voltando a si por alguns momentos, Izumi vestiu Rangiku com o Shihakusho de Izuru instantes antes do mesmo voltar.

— Então, já terminou?

— Sim Senhor. A Tenente já está limpa e trocada.

— Muito obrigado mesmo, Izumi-kun! Eu não sei o que faria sem a sua ajuda. Seria complicado para mim fazer isso sozinho. – Falou tranquilamente, ficando de frente para ela.

— Não precisa me agradecer. É sério. Estou aqui para o que o Senhor precisar.

— Então obrigado de novo. Estou te devendo uma.

Neste momento, Rangiku acordou e seu olhar focou diretamente os dois quando Izumi tropeçou no tapete ao tentar sair. Ela foi pega por Izuru, que a impediu de cair. Seus rostos se aproximaram consideravelmente, e o coração da jovem Shinigami pareceu explodir de tanta emoção. Os olhos negros da garota contemplaram toda a extensão do rosto do Capitão. Ele era ainda mais lindo visto de perto, e seus olhos azuis pareciam duas esmeraldas preciosas de tão lindos. Seu Encanto foi interrompido quando ele a questionou.

— Você está bem?

— E... Estou. Nossa, que desastrada... acabei tropeçando.

— O importante é que você está bem. Agora vá para o seu quarto e tenha um bom descanso porque você merece depois de tudo.

— Muito obrigada, Capitão. Descanse bem também.

Após a saída da morena, Rangiku voltou a fechar os olhos para que Izuru não percebesse que ela estava acordada. O loiro saiu do quarto levando os uniformes sujos para a lavanderia da Divisão, voltando em seguida. Colocou um Haori limpo e sentou em uma poltrona ao lado da cama, olhando para Rangiku com reprovação.

— Ah... Matsumoto-san... sempre fazendo loucuras. – Deu um longo suspiro de tédio, e acabou se lembrando de que tinha um outro assunto a resolver...

Caminhou a passos apressados até o quarto principal do Capitão para onde ele ainda não havia se mudado. Cobriu a nudez de ambos com o lençol, pois ele mesmo estava bastante constrangido com a baixeza que presenciava. Cutucou os ombros tatuados de ruivo tentando acordar o mesmo, mas sem sucesso.

— Abarai-kun... Abarai-kun! Acorde. Anda... Acorda!

Mas ele nada de reagir. Seu cérebro devia estar dopado pela alta quantidade de bebida que ele ingeriu, e nada o fazia acordar. Indignado, Izuru pegou a primeira coisa de metal que viu a sua frente. Posicionou a caneta na frente de seu rosto e invocou um feitiço.

— Hadou Número 11: Tsuzuri Raiden.

Ao invocar o Kido, encostou a ponta da caneta na testa do ruivo, e uma forte corrente elétrica envolveu todo o corpo do mesmo, fazendo-o dar um pulo da cama.

— Ai! Ai! Mas que merda é essa?! – Berrou ao pular ainda mais alto, saltando da cama nu como estava.

— Isso sou eu que pergunto! Que história é essa de vir fazer esse tipo de coisa dentro do meu quarto? Por sorte eu ainda não vim dormir aqui, mas você deu um baita susto em uma de minhas Oficiais. Outra coisa... O que você acha que está fazendo com outra de minhas Oficiais em uma cama?

— Ora... Vai dizer que você não sabe?

— Sei sim. Sei muito bem. E também sei que para tudo existe hora e lugar. Você deu uma tremenda sorte por ter feito isso aqui. Se fosse em qualquer outra Divisão isso seria um enorme problema para você, e eu não iria querer estar na sua pele.

— Caramba... Desculpe por isso, Kira. É que estávamos aproveitando a festa e todo mundo andou bebendo demais... e aí acabamos fazendo loucuras...

— Eu não quero saber dos detalhes. Poupe-me deles. E me lembre de trocar esse colchão amanhã.

— Tudo bem. Fique calmo. Também não precisava quase ter me matado com aquele choque.

— Da próxima vez eu uso um Shakkahō para que você acabe como frango frito por fazer tantas bobagens. Você tem cinco minutos para sumir daqui com esta garota junto. – Disse irritado ao bater à porta e voltar para seu antigo quarto, se jogando novamente na poltrona frente a cama onde Rangiku dormia, e por ali mesmo ele adormeceu.


O dia amanheceu no mundo dos vivos. Os Capitães logo acordaram, e Byakuya, como sempre, não estava nada contente. Amanheceu muito pior do que quando foi dormir, e o mesmo se aplicava aos Capitães veteranos.

— Mas que ótimo... Meu corpo inteiro dói, e parece que minhas costas vão sair da minha carne de tanta dor. Não há dúvida de que eu estava certo sobre a falta de qualidade desses colchões.

— Olha... eu não queria falar nada não... Mas desta vez serei obrigado a concordar com o Byakuya. Parece até que eu fui atropelado por uma bankai. – Kyoraku continuou.

— Vocês têm razão. Até mesmo o meu cabelo está doendo. – Ukitake finalizou.

— Eu preciso resolver isso hoje mesmo. Não posso ficar em um lugar tão insalubre como este.

— O que pensa em fazer, Senhor Bonzão?

— E não é óbvio, Kyoraku? O que precisamos fazer é irmos comprar umas roupas decentes, em primeiro lugar.

— Pois você adivinhou meu pensamento, Byakuya-bo! – Disse Yoruichi ao entrar com Kukkaku.

— Já disse para você não me chamar desta maneira, e nem pense que nós iremos às compras com vocês duas.

— Eu não penso... eu tenho certeza! Nós vamos às compras sim e vocês irão carregar as sacolas. – Informou, lançando sobre o Kuchiki um olhar ferino.

— Viu só, Byakuya? Isso tudo é culpa sua. Essas mulheres vão arrancar o nosso couro hoje. – Kyoraku reclamou, prevendo a tragédia.

Juushiro se limitou a abaixar a cabeça em derrota, pedindo aos céus para sobreviver a este que, sem dúvida, seria um longo dia...

Ao chegarem ao centro comercial, os cinco logo começaram a discutir sobre onde iriam primeiro. As garotas levaram vantagem, pois Ukitake e Kyoraku viraram sacos de pancada ao impedirem a morena de chegar perto de Byakuya, para evitar uma catástrofe maior. Os rapazes as esperaram do lado de fora, sentados em um banco frente à uma loja especializada em roupas íntimas onde as duas se divertiam.

— Eu ainda não acredito que estamos no mundo dos vivos fazendo compras e usando esses três patetas para carregar nossas sacolas. Nunca pensei que algo assim pudesse ser tão divertido! – Kukkaku comentou satisfeita.

— Tem toda a razão! Reduzir Kuchiki Byakuya a um mero carregador de sacolas é um feito histórico. Deveríamos gravar um vídeo. E você está gostando deste mundo?

— Estou adorando! É a primeira vez que venho. Até que este castigo pode não ser tão ruim quanto a gente pensa. Mas tem uma coisa que vem me intrigando, Yoruichi.

— E o que seria?

— É sobre o meu braço direito. Desde que eu coloquei essa coisa chamada Gigai... o meu braço direito parece ter voltado para o meu corpo. Eu me sinto perfeitamente normal.

— É por causa da tecnologia que o Kisuke desenvolveu nestes Gigais. Eles podem corrigir até imperfeições no seu corpo. Você vai se sentir muito bem.

— Caramba... Essa coisa parece mesmo muito incrível. Eu ainda não sei se vai ser bom passar uma temporada neste mundo, mas também não vai ser tão ruim.

— É claro que não, sua boba! Afinal, estamos juntas, não é? O que pode ser melhor? Acho que o Velho acabou nos fazendo um favor. E o que você acha dessas lingeries? Gostou dessa tanga de renda vermelha?

— Adoro vermelho! Mas usar isso é como não vestir nada.

— Pois a ideia é essa, bobinha! Quando se trata de lingerie para deixar uma mulher sexy, menos é sempre mais.

— Concordo contigo! E eu sou uma mulher sexy! – Falou orgulhosa suspendendo os próprios seios.

— Salta à vista, não é querida? Eu vou ficar com algumas tangas brancas e amarelas e quem sabe esse corpete também.

— Nossa... é cada coisa mais linda que a outra! Não temos nada disso na Soul Society. – Comentou maravilhada.

— Exatamente! É por isso que a Rangiku compra até o mundo quando vem para cá.

— Pois é. Vendo isso tudo aqui acho que não posso culpá-la.

— Ah, Kukkaku! As meias! Não podemos esquecer as meias! Olha essa 7/8 é divina! Eu vou levar uma de cada cor e uma cinta liga para fazer o conjunto. Vou no provador experimentar. Você vem comigo?

— É claro. Não conhecia esse tipo de roupa íntima. Estou curiosíssima.

Yoruichi rapidamente provou o conjunto branco. Estava linda dentro daquela lingerie ousada, e o branco dava um contraste divino em sua pele morena. As meias davam uma transparência sexy e o corpete valorizava ainda mais a cintura fina e os grandes seios da morena.

— Amiga, você está Divina! Eu também vou querer um desse, e completo! – Falou animada, escolhendo um. Adoro vermelho, mas estou na dúvida sobre esse preto também.

— Os dois são lindos! Se você gostou dos dois, leve os dois.

— Você está certa como sempre.

— Mas escolha este com bojo firme. Você tem mais peito do que eu, então essa simples renda não irá sustentar isso tudo.

— Entendi. Então eu vou provar logo.

Cinco minutos foram o bastante para que a Shiba se trocasse e mostrasse para a amiga como estava.

— Como estou?

— Você está um arraso! Qualquer homem que te visse agora iria querer te arrastar para a cama mais próxima!

— Pensei que estivéssemos comprando isso para nos sentirmos bonitas. Não tenho intenção alguma de atrair nenhum homem.

— Mas você está certa. Não é essa a intenção, apenas estou dizendo que como você está, nenhum homem resistiria.

— Além disso, a minha bunda está toda de fora. Como você consegue usar essa coisa assim tão enfiada?

— Não se preocupe. Você logo se acostuma. Contanto que esteja se sentindo bem e poderosa, o resto não importa.

— É verdade. Eu gostei bastante. Super combinou com o nosso estilo.

— Então vamos levar tudo?

— É claro!

As duas foram para o caixa e enquanto Yoruichi pagava a conta, Kukkaku olhou pela vitrine e avistou os Capitães. Seu olhar se perdeu em Ukitake, que de olhos fechados, aproveitava os poucos momentos de descanso que as mulheres davam a eles. Depois de pagar, a gata observou a amiga olhando fixamente para o lado de fora e seguiu a direção do olhar da mesma, percebendo que os verdes olhos da morena contemplavam o Capitão de cabelos platinados de forma hipnotizante.

— É encantador, não acha?

— Sim... Muito. – Falou sem perceber.

— Gentil e atencioso também.

— Tem toda a razão... Ei! Espere um pouco! Do que você está falando?

— Do Capitão Ukitake, é claro. Não era para ele que você estava olhando certeiramente?

— Ficou doida? É claro que não! Eu estava olhando para a roseira bem atrás dele, só isso.

— Ah, claro... como se as rosas também fossem gentis e atenciosas...

— Deixe de falar bobagens e vamos continuar comprando!

— Kukkaku... eu não sei o que se passa na sua cabeça, mas a expressão que você fazia e o modo como você olhava jamais seria voltado para simples flores.

— Não enche, Yoruichi! Eu já disse para onde estava olhando, então problema seu se não acredita. – Tentou se defender em vão.

— O que você sente pelo Ukitake? – Perguntou direta.

— O que deu em você, mulher? Por que essa pergunta estúpida de repente?

— Apenas responda...

— Como você é chata! Quer saber mesmo? Eu o odeio.

— Você não pode estar falando sério... Quem no mundo poderia odiar Juushiro Ukitake?

— Alguém cujo irmão foi morto por culpa dele, por exemplo. Respondi sua pergunta?

— O que? Você está sendo injusta! O Ukitake não teve nada a ver com a morte do Kaien. Aquele triste acontecimento foi uma fatalidade. É duro admitir, mas o Hollow foi mais esperto naquela ocasião.

— Mentira! Se o Ukitake não tivesse dado a ordem, o meu irmão não estaria morto agora.

— As coisas não aconteceram assim e você sabe disso. O Ukitake não deu a ordem, ele apenas permitiu que o Kaien lutasse a pedido dele mesmo, e as coisas também não foram nada fáceis para o Capitão, portanto não seja injusta com ele.

— Então eu sou a injusta? Não acredito que estamos discutindo por causa daquele idiota. Isso não interessa. Eu odeio aquele homem, e nada do que você disser vai mudar isso.

— Ah, Kukkaku... Você é mesmo inacreditável. Se nega a enxergar o que está diante de seus olhos.

— Podemos ir agora?

— Mas é claro, teimosa.

Kukkaku revirou os olhos incomodada. Nem mesmo ela sabia o que realmente sentia. Tinha raiva de tudo nele. Se irritava quando ele estava por perto. Tudo nele ela achava irritante. Por outro lado, não podia deixar de notar o quanto ele era encantador, como Yoruichi disse, com toda a razão. Sua raiva era maior, pois além de educado e gentil, o Capitão de cabelos platinado era terrivelmente lindo. Sua mente e coração travavam uma batalha feroz e confusa cada vez que o via. Sentia ódio pelo ocorrido com Kaien, e ao mesmo tempo sentia algo estranho que não sabia definir. O caso é que Ukitake tinha o misterioso dom de encantá-la, e aquilo a fazia sentir ainda mais raiva.

— Yoruichi... – Falou baixo, fazendo a gata recuar.

— O que foi? Você não queria ir?

— Desde que meu irmão morreu... Eu não consegui chorar.

— Mas, Kukkaku... você...

— Esqueça. Eu nem sei porque estou dizendo essas coisas agora. Anda, vamos colocar esses machos para trabalhar.

— Oh! Finalmente voltaram! – Kyoraku exclamou "aliviado".

— Será que agora podemos fazer as nossas compras? – Byakuya indagou, quase sem paciência.

— É claro que não! Compramos só o básico: um monte de calcinhas. – Yoruichi escancarou.

— Sério? Eu posso ver? – Shunsui perguntou animadinho, levando um soco de Kukkaku em seguida.

— Mas nem pensar, seu pervertido! Ukitake, acorde. Você está bem? – Disse a gata, ao notar que mesmo com a agitação, o platinado não levantava ou abria os olhos.

— Eu? Ah... está tudo bem. Só me senti um pouco cansado.

A Shiba o olhou de soslaio, e uma sensação de alívio tomou conta dela ao ouvi-lo dizer que estava bem.

— Garotas, deem um desconto para a gente. Já é meio-dia. será que não podemos comer um pouco antes de continuar? – Shunsui reclamou. — Vejam, o Juushiro já está passando mal. Deve ser fome.

— Gente, eu estou bem. É sério. – O outro veterano negou prontamente.

Kyoraku fuzilou o amigo com o olhar, pois ele mesmo já estava faminto e louco para fugir do trabalho. O olhar mortífero logo fez Juushiro retirar o que disse.

— Pensando bem... – Falou sem jeito. — Acho que o meu mal-estar pode ser mesmo fome.

— Tá bom. Vocês venceram, seus molengas! Vamos comer. – Kukkaku gritou rendida.

— E onde vamos comer? – O platinado perguntou.

— Que tal ali? – Yoruichi disse animada ao apontar para uma barraca de lámen na calçada.

— Vamos comer em uma barraca de rua? Pois eu me recuso. – Byakuya foi o primeiro a reclamar.

— Não comece com suas frescuras. Vamos comer ali e pronto. Vai ser divertido e a comida é ótima! O que vocês três acham?

Os outros três assentiram positivamente, e Byakuya bufou mentalmente por ser voto vencido. Se acomodaram nos bancos da barraca e foram servidos com uma tigela de lámen e porções de tenpura com camarão. Olharam assustados, estranhando tais alimentos, mas Yoruichi os convenceu a comer. O sabor era maravilhoso, e todos quiseram repetir. Comiam em silêncio e em harmonia, até que Kukkaku fez um comentário que estragaria tudo...

— Não acredito que tivemos que parar nossas compras só porque o branquelo ali resolveu ter um siricutico.

Todos em volta lançaram um olhar de reprovação para a Shiba, e Ukitake tomou o último caldo de seus lámen, batendo a tigela na mesa com força, e por pouco não a quebrou.

— Desculpem por isso. Eu disse a vocês que estava bem e ninguém precisava ter se incomodado. – Disse ao se levantar.

— Espere, Juushiro! Aonde vai? – Kyoraku perguntou preocupado.

— Pegar um ar. Me chame quando terminarem. – Respondeu seco, indo em direção ao banco onde estavam antes, e nele se jogou com braços e pernas abertos.

— Ah, ah... acho que ele ficou magoado.

— Mas é claro, Kyoraku. Essa mulher tem o péssimo dom de falar coisas desnecessárias e agressivas.

— O que foi que você disse?!

— Calminha aí, amiga. Desta vez não dá para te defender.

— Hunf... – A morena engoliu em seco, bebendo o que restou do caldo de seu lámen e arqueou uma sobrancelha ao ver sua amiga se levantar. — Aonde vai, Yoruichi?

— Tentar desfazer a merda que você fez. Espero que ele me ouça de alguma forma.

— Pois você que não se atreva a se desculpar por mim.

— Fica quieta e come!

A morena de cabelos roxos se aproximou a passos lentos do banco, sentando ao lado do platinado.

— Perdoe a Kukkaku. Você sabe como é o gênio dela.

— Eu sei muito bem, não se preocupe. Sei como ela é, especialmente comigo. Eu sinto que ela me odeia.

— Isso não é verdade. Olhe pra você, Ukitake. Como alguém teria motivos para te odiar?

— Pois para a minha desgraça, logo ela tem.

— Como assim "para a sua desgraça"?

— Nada... esqueça. Não precisa mentir só para me animar. Eu apenas detesto incomodar os outros por causa do meu problema de saúde.

— Nunca mais repita isso. Você não está nos incomodando, nunca será um incômodo, então apenas ignore as grosserias da Kukkaku.

— Eu agradeceria se vocês fossem mais rápidas. Também precisamos fazer nossas compras.

— Tudo bem. Eu prometo que vamos terminar logo.

Assim que terminaram de comer, as garotas concluíram suas compras. Compraram saias, blusas, vestidos e tudo mais que Kukkaku precisaria. Depois foi a vez dos rapazes, que compraram tudo o que precisariam também. Compraram sapatos, calças jeans, calças e camisas sociais, polo e casuais, absolutamente tudo o que precisariam para viver naquele mundo. Claro que Byakuya optou por tudo do bom e do melhor, das mais finas marcas disponíveis nas lojas, pois odiava coisas de má qualidade. Além disso, o Nobre Capitão também comprou futons novos e finíssimos para todos os quartos da casa de Urahara, pois não suportaria outra noite como aquela.


Na loja de Urahara, Ichigo chegou a pedido do mesmo. Ainda sem entender o porquê de ter sido chamado em pleno fim de semana, o ruivo tomava um chá enquanto esperava por algo que nem ele sabia. Kisuke estava ao seu lado e o silêncio daquela situação já estava irritando o impaciente Kurosaki, que fez menção de começar a reclamar, mas o loiro o interrompeu.

— Não diga nada! Eles chegaram.

Ichigo deu um pulo da almofada onde estava sentado em frente à mesa tamanho o susto. Não podia crer no que seus castanhos olhos viam. Bem diante dele estava Byakuya, Ukitake, Kyoraku e Kukkaku vestindo roupas casuais ao lado de Yoruichi que ria à toa.

— Isso é algum tipo de pegadinha? Cadê a câmera escondida?

— Calma, Ichigo. – Yoruichi interviu.

— Como calma? O que esses Capitães estão fazendo aqui?

— Ukitake e Kyoraku estão de castigo junto com Kukkaku.

— Ku... Kukkaku... – Disse ao gaguejar, já temendo por sua integridade física. — Mas o que é isso? Como assim castigo? Eu não entendo o que vocês estão fazendo aqui.

— Dá para parar de falar e me ouvir, rapaz? – Foi a vez de Kisuke se meter. — O Capitão geral os castigou por achar que eles fizeram algo errado.

— E eles fizeram?

— Não.

— Então pronto!

— Escuta, porra! – Kukkaku gritou, batendo na mesa e assustando o jovem.

— Si... sim... sim Senhora. – Respondeu amedrontado, encolhendo a cabeça.

— O negócio é o seguinte: eu te chamei aqui porque quero te comunicar que Ukitake, Byakuya e Kukkaku irão frequentar a sua escola.

— O QUEEEEEEE?! VOCÊ PIROU? COMO ASSIM...? COMO ESSES SHINIGAMIS VÃO PARA A ESCOLA? – Berrou desnorteado.

— É parte do castigo imposto pelo Capitão. – Concluiu o loiro.

— Vocês estão de brincadeira, né? Pois eu sempre achei que esse velho devia ir ao médico. Mas se esses três estão de castigo, o que o Byakuya está fazendo aqui?

— Byakuya está aqui para "tomar conta" dos castigados e por um motivo mais sério imposto pelo Capitão Yamamoto.

— Peraí... quer dizer que vocês vão ter que ir para a escola... De castigo...? Até o Byakuya?

Todos olharam curiosos aguardando a próxima reação de Ichigo.

— HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – Gargalhava descontrolado, batendo com força na mesa. — Foi mal, gente, mas não posso deixar de achar isso tudo mirabolante além de impagável. – Debochou.

— Pois eu quero ver você achar o fio da minha espada impagável também. – Byakuya disse em seu tom inalterado, já pegando sua Zanpakutou.

— Opa! Calminha, Kuchiki. Sem violência. – Urahara se manifestou novamente. — Lembre-se do que eu disse. – Falou divertido, escondendo uma risadinha abafada atrás de seu chapéu. — Se bem que eu tive exatamente a mesma reação.

— Toda essa situação de deboche está começando a esquentar o meu sangue. – Kyoraku comentou nem um pouco contente.

— Pois eu estaria feliz no seu lugar, Shunsui. Eu preferiria trabalhar do que ir para a escola. – Ukitake completou.

— Ótimo, ótimo. Chega de conversa. Acho que tudo já ficou esclarecido e amanhã eles irão para a sua escola, por isso não fique chocado quando os vir lá.

— Poxa, mas o que vocês andaram comprando? Vocês assaltaram um shopping inteiro. – Perguntou o Shinigami substituto.

— Olha, essa é uma longa história. Já está na hora do jantar. Por que não come conosco? – O Ex-Capitão convidou.

— Eu adoraria, mas é melhor eu ir para a minha casa. Não quero nem ver o que vai acontecer com todos vocês reunidos aqui.

O jovem se foi, e os outros jantaram tranquilos, para variar. Ao terminarem, todos foram para os quartos, descansar depois de um dia tão cansativo. Antes de chegar ao quarto, Kisuke abordou Byakuya, que se virou ao encará-lo.

— Byakuya, obrigado pelo que fez hoje. Eu sei que deve ser um enorme transtorno para você, mas acho que deve haver algum sentido nisso tudo.

— O Capitão Geral Yamamoto está muito preocupado com o que pode acontecer aqui no mundo dos vivos depois da deserção de Aizen.

— Eu entendo muito bem esse sentimento. Deve ser por isso que ele os enviou aqui. Duvido que ele tenha mandado três Capitães aqui por um mero capricho para castigá-los.

— De qualquer forma, não adianta pensarmos nisso agora.

— É sim. Obrigado também pelos colchões novos, nós estávamos realmente precisando.

Mais uma vez, depois que todos se acomodaram em seus quartos e os veteranos constataram que o Kuchiki estava dormindo, eles aproveitaram para conversar tranquilamente.

— E então, Juushiro? Você está se sentindo bem?

— É claro que estou. Por que pergunta isso?

— Pelo que aconteceu hoje à tarde durante as compras. Todos pensaram que você estava passando mal.

— E eu esclareci que não estava. Não se preocupe com isso. Eu estou bem. Não tive nenhuma crise. Nem tossi sangue hoje.

— Mas eu não estou falando da sua saúde...

— Então do que seria?

— Shiba Kukkaku.

— Ai, caramba. Por que teríamos que falar dela agora? – Indagou entediado, colocando as duas mãos por debaixo do travesseiro.

— Você ficou muito chateado com aquele comentário que ela fez enquanto comíamos, não é?

— E você não ficaria? Ninguém gosta de ouvir grosserias.

— Tudo bem. Mesmo assim eu estou te achando estranho, meu amigo.

— Se eu te contar uma coisa que aconteceu ontem você promete que vai apenas ouvir sem fazer nenhuma gracinha?

— Prometido. – Falou bobo. Beijando os dois indicadores unidos.

— É que assim que chegamos neste mundo e eu dei a Yoruichi-san e o meu Haori para que ela se cobrisse...

— O Haori? O que tem o seu Haori?

— Resumindo a história, eu peguei a Kukkaku-san no quarto esfregando o rosto no meu Haori.

— Caraca... mas por que ela faria algo assim?

— Não faço ideia.

— Mas como ela estava? O que ela fazia?

— Eu não reparei direito. Ela estava de olhos fechados se esfregando na minha roupa e parecia dizer coisas desconexas.

— Que tipo de coisas? Você não conseguiu entender nada que fizesse sentido?

— Não. Acho que só consegui entender o que ela disse por último. Algo como "eu te odeio... te odeio muito".

— Meu irmão... tô falando que essa mulher é louca. Você não reparou em como ela estava com detalhes?

— Ela sorria. Não parecia estar com raiva ou nada do tipo.

— Pois eu vou te dizer uma coisa... Se nós não a conhecêssemos eu poderia jurar de pé junto que esta mulher está apaixonada por você. Mas, bem, já que é algo realmente impossível, esqueça o que eu disse, certo?

— Sim. Você está delirando, Shunsui. Anda, vamos dormir. Amanhã será mais um longo e terrível dia.

— Verdade. Me lembre de agradecer ao Byakuya por comprar esses futons novos. Minhas costas vão agradecer muito.

— Sim. Eu também estou doido para descansar.

Os veteranos sobreviveram a mais um dia, mas teriam que enfrentar muitas coisas desagradáveis pela frente. Mais um dia amanheceu, e eles despertaram. Vestiram os uniformes e pegaram as maletas com os materiais escolares. Contrariados, os três começaram a rumar em direção à escola.

つづく continua...

Bom, quero explicar que a Izumi não é exatamente uma OC, já que as Divisões tem inúmeros oficiais variando homens e mulheres, apenas dei o nome a uma delas e a incluí na história.