Capítulo 5 – Atração

Os dois olhares verdes se encontraram de forma penetrante devido à situação constrangedora. Ambos se olharam de cima abaixo, um contemplando a belíssima visão que tinha do outro. Suas mentes ficaram em branco como se tudo em volta tivesse desaparecido e restassem apenas os dois naquele universo. Seus corpos reagiram de forma abrasadora como se estivessem se chamando, clamando para serem um só. Kukkaku observava cada centímetro do corpo do platinado que a camisa aberta lhe permitia ver. Devorava com o olhar aquele tórax que só de mirar lhe parecia duro como a pedra angular que ela achava ter no lugar do coração. Uma gota de suor escorreu do rosto de Ukitake, e até mesmo tal coisa pareceu perigosamente sexy aos olhos da morena. Sentiu um calor fora do comum se apoderar de si. Um calor infernal que subiu por seus pés até o último fio de cabelo, fazendo sua intimidade ferver e pulsar de forma incessante e desesperadora. Tinha plena convicção de que odiava o Capitão da Décima Terceira Divisão, mas no mais pleno fundo de seu coração, sua única vontade naquele momento era se jogar em cima daquele homem lindo de rosto angelical que a atraía a ponto de sentir-se encharcar de tesão e tomar para si aquela boca que aparentava ser tão deliciosa.

Ukitake estava chocado demais para conseguir pensar ou sentir alguma coisa. Ele só conseguia sentir calor. Apenas isso. Amava aquela mulher, disso tinha certeza. Amava seu caráter destemido e personalidade forte. O modo como se manteve firme após a perda do irmão foi admirável para ele. Apesar da Shiba ser uma mulher atraente ao extremo a ponto de fazer suas partes baixas doerem, Juushiro sempre teve sentimentos puros, porém era quase impossível resistir àqueles seios que pareciam atrair suas mãos e sua boca para agracia-los com a mais doce carícia que ele seria capaz de fazer. Quebrando o momento de pura "hipnose de libido" que ambos sentiam, Ukitake achou melhor falar alguma coisa para se defender antes que perdesse todos os dentes de sua boca.

— Sinto muito por isso. Não foi minha culpa. Eu estava andando pelo corredor quando senti uma vertigem e me segurei na primeira coisa que minha mão alcançou. Não vi que era uma porta e tão pouco percebi que era o seu quarto. Finja que nada disso aconteceu, sim? Eu estou saindo.

Num rápido movimento que pegou o convalescente Capitão de surpresa, Kukkaku apareceu por trás dele o impedindo de sair, atraindo para si um olhar assustado.

— Deu mole, Capitão. Essa sua inocência é odiosa. Você fez isso de propósito. Não negue.

A morena o empurrou pelos ombros, se jogando sobre ele, que caiu de costas no chão, derrubando o copo que trazia consigo, fazendo a água se espalhar pelo chão. A Shiba caiu por cima de Juushiro, fazendo seus rostos e corpos ficarem colados. Seus corações palpitaram e suas respirações ofegaram ritmadamente como se fossem um só ser.

— Não precisava ter me atacado desta maneira. Por que sempre pensa o pior de mim? Eu jamais faria algo assim de caso pensado. Está muito enganada se acha que sou um aproveitador.

O tom manso e a voz grave do Capitão tão perto de si a fizeram tremer. Vibrar como nunca antes na vida por nada nem por ninguém. Nenhuma pessoa jamais conseguiu desestruturá-la daquela maneira. Mas o que ele tinha? O que Juushiro Ukitake tinha de tão especial que a deixava perturbada a ponto de fazê-la perder a razão como estava prestes a perder?

— Demônios... – Sussurrou, encostando seus lábios nos lábios dele sutilmente. — Devo estar ficando louca com o seu incrível dom de me irritar.

Ukitake lutava uma guerra interior. Por um lado queria envolvê-la em seus braços e fazê-la sua e só sua, sem se importar se fosse por um minuto ou pela vida toda. Mas por outro lado estava a sua honra. A honra de jamais se aproveitar de qualquer situação seja ela qual fosse.

— Por favor... – Suplicou ofegante. — Saia de cima de mim. Pessoas loucas são perigosas, principalmente quando a loucura está aliada à agressividade.

Kukkaku mediu bem cada palavra. Seus seios imprensados contra o peito, que ela concluiu ser ainda mais duro do que pedra, a enchiam de um tesão incontrolável, e naquele momento, absolutamente nada a impedia de agarrar o Capitão e saciar sua vontade de uma vez por todas.

— Por Deus... Saia. Estou pedindo. A palavra "loucura" não existe para mim, e eu não quero que pense pior ainda do que já pensa de mim. Já te expliquei que não entrei aqui de propósito, e se não acredita, sinto muito, mas o problema é seu.

Antes que a morena fizesse ou dissesse qualquer coisa, Yoruichi voltou ao dormitório, surpreendendo os dois.

— Caramba! Mas olha só o que temos aqui! Se não são as duas pessoas que mais "se odeiam" neste mundo? – Brincou.

— Yoruichi? – A Shiba deu um pulo ao levantar se recompondo.

— Não é nada do que você possa estar pensando. – Ukitake tentou se defender.

— Claro que não! – Ironizou. — Afinal, eu não estou pensando nada.

Ukitake saiu do quarto com a cara no chão de tanta vergonha. Ser pego naquela situação embaraçosa era um verdadeiro tapa na cara de sua honra. Dentro do quarto, Yoruichi olhava a amiga como uma expressão maliciosa que dava vontade de espancar.

— Yoruichi... Não se atreva a me olhar desta maneira. Não é nada do que a sua mente suja está pensando.

— Lógico que não. Eu entro no quarto e pego vocês dois no chão, um por cima do outro. Você vestindo quase nada e ele com a camisa toda aberta. O que será que a minha "mente suja" poderia estar pensando?

— Nada! – Exclamou irada. — Esqueça o que viu aqui. Ele disse que entrou sem querer. Ficou tonto, pobrezinho... como se eu fosse acreditar nisso! Nós discutimos e acabamos caindo. Só isso.

— Kukkaku... você sabe muito bem que o Ukitake sofre de uma doença nos pulmões. Ele passa mal com frequência e facilidade. Mas você não tem jeito mesmo! É tão cabeça-dura! Você briga até com você mesma. Pára com isso! Desse jeito nunca irá encontrar a felicidade.

— E quem te disse que eu quero encontrar a felicidade? Desde quando você se tornou tão romântica assim, sua besta?

— Você que sabe. Só não lamente depois, quando você se der conta do que sente e já for tarde demais.

— AARRGGG! – Grunhiu de raiva — Cala a boca! A única coisa que eu quero agora é tomar um banho e dormir.

— Tá bom, sua teimosa. Faça como quiser, já que sempre faz mesmo.

A Líder do Clã Shiba se jogou na cama montada depois de um belo banho. Lembrou-se dos momentos vividos a pouco e da sensação de ter seu corpo junto ao corpo daquele que sempre se empenhou em odiar a cada minuto por "ter lhe tirado" o irmão. Um sentimento de culpa tomou conta de si, pois se Yoruichi não tivesse chegado... se ela tivesse feito o que seu corpo e mente desejavam...

— Não... isso não pode estar acontecendo! Eu ia mesmo... que inferno! Eu o desejei! Desejei loucamente deixá-lo nu, sentar naquele pau e fazer o que eu quisesse com ele. Maldito! Mil vezes maldito seja, Juushiro Ukitake! Pois saiba que agora eu te odeio mais... ainda mais!

Pouco tempo depois da luta interna de Kukkaku, todos já tinham adormecido na loja de Urahara. Ou quase...


Anoiteceu no Seireitei. Após terminar suas tarefas diárias, Rangiku foi até seu quarto, viu o shihakusho de Izuru sobre a cama e voltou a pensar em como a sua vida virou uma merda por causa de Gin. Pegou as roupas do Capitão e decidiu ir até a Divisão Três, onde mais uma vez os dois passariam a noite bebendo. Chegou rapidamente ao quartel, e entrando no escritório do Capitão, deu de cara com o mesmo organizando uma pilha imensa de papéis.

— Ainda trabalhando, Kira?

— Como pode ver... estou sem Tenente. Quando eu era Tenente não tinham tantas questões burocráticas assim para resolver.

— Entendo... e você já sabe quem vai escolher como seu novo Tenente?

— Ou nova. Não tive muito tempo para pensar no assunto, pois literalmente me tornei Capitão a dois dias, mas estou pensando na Izumi-kun. Só nos últimos dois dias ela demonstrou ser muito leal e capaz.

— Você que sabe. Mas será mesmo uma boa ideia confiar tanto assim em alguém que você acaba de conhecer?

— Tem razão no que disse, mas sabe... se tem algo que aprendi é que todos nós, sem exceção, estamos sujeitos a traição e abandono no decorrer de nossas vidas. Infelizmente, ninguém que cruza nosso caminho vem com uma placa escrito "traidor" na testa. Se não pudermos acreditar mais em ninguém, eu não sei como poderemos seguir adiante.

— Kira... você...

— Há quanto tempo você conhecia o Ichimaru? Desde criança? Sua vida toda? Agora fala para mim se toda a dedicação e lealdade que você deu a ele o impediu de fazer o que fez. Ele traiu não só você como também a mim. Eu o via como um exemplo a ser seguido. Um herói. E pra quê? Não foi só você. Isso doeu em mim também! Muito mais do que você possa imaginar.

— Você está certo em cada palavra que disse, e foi para isso mesmo que eu vim. Obrigada por tudo, como sempre. Aqui está seu uniforme. Estou sem palavras para dizer o quanto estou envergonhada por ter chegado ao ponto de vomitar em cima de você.

— Esqueça isso. Ninguém viu, afinal de contas.

— Tirando aquela sua nova amiga...

— Não se preocupe com a Izumi. Eu sinto que posso confiar nela.

— Se você diz... e que tal isso?

Rangiku tirou várias garrafas de sake, vodka entre outras bebidas fortes de uma enorme sacola que trouxe consigo.

— Trouxe uma variedade ótima desta vez.

— Matsumoto-san... não sei se é uma boa ideia beber tanto, ainda mais aqui.

— E por que não? A noite é nossa e não estamos fazendo nada de errado mesmo. – Piscou pra ele, que corou involuntariamente.

Ambos começaram a beber durante horas. Rangiku fez várias misturas de bebidas. Combinou sake com vodka, whisky com run, entre outros, e continuaram bebendo, afogando suas mágoas e tentando esquecer de todas as angústias que uma única pessoa causou aos dois em apenas um dia. Beberam e conversaram durante muito tempo até que, por causa do efeito da bebida, começaram a brincar. Pareciam duas crianças bobas brincando e já estavam até batendo palmas usando as mãos do outro para isso. Qualquer um que os visse iria pensar que se tratavam de dois bêbados retardados. Definitivamente não havia nada pior do que a bebida para transformar uma pessoa. Após não aguentarem mais os efeitos das fortes combinações de álcool que ingeriram, a dupla acabou adormecendo sentada no sofá, com a ruiva repousando a cabeça no colo do loiro, enquanto o mesmo permanecia sentado.


Por volta de quase quatro da manhã, Juushiro abriu os olhos. Perturbado com o incidente de horas atrás no quarto das garotas, o platinado não conseguia pegar no sono nem por dez minutos. Rolava de um lado para o outro no futon, ato repetido por ele incontáveis vezes nos últimos quinze minutos. Tal inquietação acabou acordando Kyoraku, que chateado, não teve como não reclamar com o amigo.

— Caramba... o que está tirando seu sono assim, Juushiro?

— Shunsui? Desculpe se te acordei. É que estou muito inquieto.

— É fogo... aquela morena é mesmo de tirar o sono. – O mais velho fez um comentário despretensioso.

— Mas do que está falando?

— Então está bem. Vamos fingir que você não perdeu o sono por causa da Shiba, e nós voltamos a dormir tranquilamente.

— Shunsui... – Falou derrotado. — Eu preciso desabafar com você sobre algo importante que aconteceu antes de irmos dormir. Mas só vou falar se você prometer que não vai debochar de mim ou dar risada.

— Ok! Prometido. – Respondeu bobo, beijando os indicadores cruzados.

Depois que o platinado relatou ao outro Capitão veterano todo o acontecido, o mesmo sentou no futon coçando a cabeça, o encarando com uma expressão deveras interrogativa.

— Pera... Então deixa ver se eu entendi direito essa história... Você estava andando pelo corredor e se deparou com a mulher praticamente nua na sua frente. Para te acusar, ela se joga em cima de você, e vocês dois ficam se olhando cheios de tesão. E você ainda tem coragem de negar na minha cara que vocês não estão apaixonados? E isso é o que então? Algum compartilhamento de hormônios?

— Tudo bem! Se isso te deixa feliz, eu vou dizer o que você quer ouvir. Sim. Eu estou apaixonado. Amo Shiba Kukkaku. Como você mesmo disse, não adianta negar o que está escrito bem na minha testa, mas como você também disse, não há possibilidade alguma de algo assim dar certo.

— Nenhuma mulher vale a pena para nos tirar o sono assim, meu amigo. Ainda mais sendo essa mulher de gênio tão forte, capaz de espancar até o próprio reflexo no espelho.

— Mas o problema é que ainda tem mais...

— Mais?!

— Ela quase me beijou, porém, eu gentilmente recusei, implorando para que ela saísse de cima de mim.

— Puta que pariu... – Esfregou as têmporas. — Acho que neste momento eu acabo de comprovar algo que eu já imaginava há muito tempo. Você não está doente... você é doente! Como pôde ser tão imbecil a ponto de dispensar aquele mulherão literalmente em cima de você querendo te beijar? Não acredito que você fez isso! Juro que eu quero te bater!

— Para você é muito fácil falar. – Foi a vez de ele se sentar. — Queria ver você dizer a mesma coisa se estivesse apaixonado de verdade. Acima do desejo está a minha honra. O simples princípio de fazer o que é certo. As mulheres não são coisas. São pessoas que possuem sentimentos. Acima de tudo, merecem ser amadas e respeitadas.

— Lá vem você com esse seu papo todo certinho. Pelo que me contou, ela praticamente já estava abrindo as pernas para você. Qual é o seu problema? Qualquer um teria comido.

— Acontece que eu não sou qualquer um. E acho bom você parar com esses comentários porque eu não estou gostando nem um pouco do rumo das suas insinuações. Você acabou de faltar com respeito a ela e a mim também.

— Tudo bem, bonitão, me perdoa. Não está mais aqui quem falou. Retiro cada palavra que disse. Mas e agora o que pensa fazer?

— Não faço a menor ideia, mas de uma coisa eu tenho certeza: nós não podemos ficar morando juntos por mais tempo, ou alguma coisa muito grave poderá acontecer.

— Eu posso arriscar um palpite?

— Não.

— Podemos ter uma mini Sogyo no Kotowari à caminho! – Brincou.

— Shunsui! – Ele repreendeu o amigo levantando a voz.

— Mas que barulheira é essa no meio da madrugada? Será que vocês esqueceram de que não estão sozinhos neste quarto? – Byakuya retrucou visivelmente indignado.

— Opa... foi mal, Byakuya. Desculpa aí ter te acordado. É que estamos falando das inúmeras namoradas que o Juushiro arrumou na escola, e... – Kyoraku tentou se justificar, mas foi interrompido por um irritado Kuchiki.

— Esqueçam. Já vi que ninguém vai dormir esta noite. – Falou ao levantar e sair em direção à cozinha.

— Nossa... parece que ele se irritou...

— A culpa foi sua! Se você não falasse tanta babaquice, o Kuchiki não teria acordado. Já pensou se ele escuta a nossa conversa? Ele é a última pessoa no mundo que eu gostaria que soubesse dos meus sentimentos pela Kukkaku-san.

— Ah, ah... Depois dessa eu espero que você me deixe dormir. – Concluiu ao virar para o canto e o platinado fez o mesmo para o lado oposto.

Ao chegar à cozinha, Byakuya se serviu de um copo de água gelada. Vestido com um luxuoso pijama azul marinho de seda e mangas compridas, o Capitão da Sexta Divisão sentou na mesa e começou a relaxar bebendo o líquido. Os olhos azuis contemplavam o líquido incolor enquanto o mesmo era sorvido em vagarosos goles. Estava se sentindo péssimo com a vidinha que estava levando nos últimos dois dias. Não fazia ideia do que o velho Yamamoto tinha na cabeça quando os enviou àquele lugar, mas se ele estava em missão, apenas rezava os céus para que ela terminasse o mais rápido possível antes que todo o seu juízo fosse levado embora. Perdido em seus pensamentos, o moreno logo teve sua atenção voltada para a porta da cozinha quando de lá ouviu uma risada irritante e incomodamente familiar para ele. Yoruichi o olhava despretensiosa vestindo uma bela e decotada camisola verde claro de alças finas, também de seda, que contrastava perfeitamente com sua pele morena, capaz de provocar qualquer um.

— Sofrendo de insônia, Byakuya?

— E quem consegue dormir neste lugar tão insalubre? Especialmente quando se tem você morando sob o mesmo teto.

— Pois a porta da rua é serventia da casa. Caso não saiba, é você quem está no meu espaço. Ninguém está te obrigando a viver aqui. Se não gosta de alguma coisa, pode ir embora. Garanto que ninguém vai sentir a sua falta, muito pelo contrário. O ar vai ficar até mais agradável. – Falou irônica.

— É por essas e por outras que não consigo deixar de achar este lugar totalmente inadequado para qualquer pessoa com um pingo de sanidade. Mas vindo de você não é surpresa alguma. Sua falta de educação torna a convivência completamente insuportável. – Disse frio ao levantar para sair do local, mas Yoruichi não lhe deu passagem.

— Saia da frente.

— Saio se eu quiser, pois você não manda em mim. Não sou obrigada a ficar aturando seus caprichos e grosserias. Continua sendo o mesmo menininho mimado de sempre que não está acostumado a viver de forma simples, por isso acha que tudo o que é diferente obrigatoriamente precisa ser inferior ao que está acostumado.

— Saia, Shihoin. – Continuou em seu tom inalterado. — Não tenho a mínima intenção de ficar discutindo com você, e muito menos a essa hora da madrugada. Aliás, nem sequer vale a pena argumentar com alguém como você.

— Eu o que, Kuchiki? – Disse irritada, empurrando Byakuya contra a parede ao lado.

— É disso mesmo que estou falando. Sua falta de modos, sua falta de classe... nem parece que veio de onde veio. Gente mal educada como você me dá nojo. – Escancarou sem emoção alguma em sua voz.

Os dourados olhos de Yoruichi se encheram de raiva naquele momento. Quem ele pensava que era para insultá-la e criticá-la daquela maneira? Não tinha nenhum direito de fazer isso, mas a gata não ia deixar barato. Empurrou o Capitão com mais força contra a parede, se aproximando dele perigosamente, fazendo com que o mesmo involuntariamente mirasse os olhos azuis no generoso decote. Seus corpos se chocaram, e ela levantou a perna direita a encostando na cintura do belo homem, e apertando seus seios contra o tronco do mesmo, levantou a cabeça e falou de forma maliciosa:

— Sabe qual é o seu problema, Kuchiki? Falta de buceta. Ser um viúvo tão jovem te afetou de modo irreversível, mas nada como uma boa foda para acabar com esse seu mau humor. – Falou eufórica, colocando uma das mãos por dentro do pijama, acariciando o peito dele. — Adorou o meu decote, não é? Fala a verdade. Quer provar? Sentiu como eles são grandes e macios?

— É mesmo? – Ele a fitou misterioso, abaixando a cabeça para alcançar o ouvido da belíssima mulher. — Pois eu tenho novidades pra você... se meu "problema" fosse mesmo falta de sexo, certamente não seria você quem iria me satisfazer nem que fosse a última mulher do mundo.

Pegou Yoruichi pelos ombros e a afastou de modo nada gentil, dando as costas e deixando para trás uma atônita gata sentindo o amargo gosto da tentativa frustrada de dar uma lição no arrogante Capitão, caindo derrotada em cima da cadeira. Após sua breve discussão com Byakuya, Yoruichi voltou para seu quarto e deu de cara com Kukkaku olhando atentamente para a lua cheia através da janela.

— Pelo jeito todo mundo resolveu ter insônia hoje, mas no seu caso não é de se estranhar.

— Yoruichi... Muito obrigada por você ter chegado àquela hora.

— Pois é. Acho que o motivo da sua falta de sono possui longos e belos cabelos prateados.

— Não brinque. Mas te agradeço muito mesmo. Se você não tivesse aparecido, eu teria feito uma loucura da qual poderia me arrepender pelo resto da vida.

— Que loucura? Você apenas ia agarrar Juushiro Ukitake, simplesmente o Capitão mais lindo de todo o Gotei 13. Quem poderia condenar você por isso?

— Esqueça tudo o que você viu. Aquilo tudo não passou de um acidente e não vai acontecer de novo.

— Me desculpe pelo que eu vou te dizer, Kukkaku... mas está mais do que óbvio que você está apaixonada.

— E está mais do que óbvio que você deve ter bebido muito para ter dito algo assim. O que você viu foi fogo no cu. Apenas isso.

— Que? E desde quando você é mulher de sair por aí se jogando em cima de um homem por simples fogo no cu? Não minta pra mim. Você pode se abrir comigo.

— Você quer saber? A verdade é que eu me sinto muito culpada. Eu senti um enorme desejo dentro de mim. Um fogo que percorreu todo o meu corpo sem explicação. Yoruichi... eu tive vontade de transar com aquele homem. Você tem ideia do que isso significa?

— Tenho sim. Já te falei que isso é amor, mas você não quer acreditar. Prefere fechar os olhos e negar o que sente. Então é com você mesmo.

— Não se trata disso. Aliás, ter vontade de transar com um homem não significa que eu o ame. Você está viajando. E como eu poderia amar aquele homem? Justo aquele homem?

— E por que não? Você está procurando problema onde não existe.

— Você é burra ou o que? Fala isso porque não foi você que perdeu um irmão por culpa dele.

— Você ainda está insistindo nessa história? Quantas vezes vou ter que lhe dizer que o Ukitake não teve nada a ver com isso? Vai perder a chance de viver o que sente por conta de um ódio besta sem razão alguma para existir?

— Isso é você que está dizendo. Quem sabe dos meus sentimentos sou eu.

— Quer saber de uma coisa? Você tem toda a razão. Não vou mais falar nada. Aliás, vou aconselhar o Juushiro a se casar. Estou certa de que não vão faltar pretendentes para ele.

— Yoruichi... por que você não se mata?

A morena riu ao notar a raiva óbvia da amiga. Como Kukkaku conseguia ser tão burra? Sem alternativa, ela simplesmente se jogou em sua cama tentando dormir o que restou da noite.


No departamento de pesquisa e desenvolvimento da Divisão Doze, Nemu passou a madrugada fazendo uma série de pesquisas confidenciais. Uma imagem peculiar preenchia a tela de um dos computadores a sua volta. Uma base de dados completa sobre Ishida Uryuu estava sendo analisada, bem como todas as informações sobre os Quincys. Enquanto pesquisava, a bela Tenente olhava fixamente para a foto de Ishida. Lembrou da luta do Quincy contra seu Capitão e da forma cruel que ele lhe tratou. Para Mayuri não fazia diferença alguma se ela morreria ou não, e também não seria nenhum trabalho para ele se livrar da garota com suas próprias mãos. Nemu não estava programada para sentir emoções ou se preocupar com as mesmas, mas o fato é que ela estava bastante incomodada com a forma como era tratada por seu "pai", a quem apenas serviu lealmente. Olhando fascinada para a figura de Ishida na tela, seus dedos foram de encontro à mesma, passando a mão no contorno do rosto da imagem dele, lembrando de como ele a tratou de forma gentil e respeitosa mesmo ela sendo sua inimiga naquela ocasião. Achou tal atitude muito nobre e admirável da parte dele. Desde o acontecido, a jovem Shinigami não tinha conseguido esquecê-lo. Nem por um segundo o rosto do lindíssimo Quincy saiu de sua mente e ela queria vê-lo novamente nem que fosse para agradecer por tê-la ajudado. Precisava fazer isso. Ser útil para alguém ao menos uma vez na vida.

Ao pesquisar incessantemente sobre os Quincys, Nemu descobriu uma informação muito importante. Analisou a luta entre o nobre jovem e o Capitão canalha, e chegou à conclusão de que o rapaz de óculos havia perdido definitivamente seus poderes de Quincy por ter rompido o selo espiritual de sua luva.

— Ishida... Uryuu... eu prometo que vou descobrir um modo de trazer seus poderes de volta. Ishida Ryuuken... ele é a chave.

Disse isso para si mesma antes de cair no sono por cima do teclado de um dos computadores...

Perto dali, no quartel da Divisão Três, o dia estava prestes a amanhecer. A Oficial Izumi andava pelo lado de fora do quartel quando avistou a Tenente Ise Nanao da Divisão Oito, que se aproximou da garota.

— A Senhora é... uma Tenente? – Observou ao ver o emblema em seu braço esquerdo.

— Sim. Meu nome é Ise Nanao e estou procurando alguém. A associação feminina de Shinigamis tem uma reunião importante esta manhã e estou atrás da Tenente Matsumoto.

— Eu não sei como poderia ajudar. Dormi cedo ontem e não vi a Tenente Matsumoto por aqui. Você poderia perguntar ao meu Capitão, mas provavelmente ele ainda está dormindo.

— Será que os dois beberam juntos de novo? Escutei que Rangiku foi vista vindo para cá tarde da noite.

— Tem certeza, Tenente? Eu repito que dormi cedo, então se ela realmente veio para cá foi bem depois de eu ter adormecido.

— Então será que você pode me ajudar a encontrá-la?

— Claro que sim. Venha comigo. – Chamou ao guiar a outra pelos corredores.

Enquanto as duas se aproximavam do escritório do Capitão, o mesmo abria os olhos no sofá. Ainda tonto por causa dos efeitos do álcool, seus olhos azuis vislumbraram a imagem da bela ruiva dona de seus sonhos adormecida em seu colo. Um singelo sorriso surgiu em seus lábios ao pousar sua mão sobre os longos e volumosos cabelos, fazendo um afago agradável que aos poucos foi despertando a ruiva. Foi levantando bem devagar, mas a mão dele não saiu de sua cabeça. Rangiku o olhou séria. Estava muito afetada pelo álcool, e todos seus sentidos estavam confusos e desorientados. Sua mente confundiu o rosto de Izuru com a face de Gin, e por instinto, ela levou a mão sobre a face do loiro, aproximando seu próprio rosto dele.

— Ma... Matsumoto-san... – Gaguejou. — O que você está...?

— Ssssshhhhh não diga nada...

Pegou Kira pela nuca e o beijou profundamente. Seus olhos azuis se abriram como nunca devido ao espanto. Seu corpo tremeu e ele sentiu-se vibrar de emoção. Fechou os olhos, entregue, quando a atrevida língua de Rangiku invadiu toda a extensão de sua boca num ato quente e desesperado que ele não entendia, mas adorava. Enquanto se beijavam, Nanao e Izumi entraram no escritório e ficaram chocadas com a cena que visualizaram. Izumi se preparou para abordá-los, mas Nanao a deteve segurando a garota pelo braço. A ruiva rompeu momentaneamente o beijo e começaram a trocar pequenos selinhos quando ela distribuiu beijos por todo o rosto até chegar ao ouvido do loiro, onde sussurrou em tom meloso:

— Aaaarrrrnnnn... Ichimaru... você... – Gemeu de satisfação ao dizer aquele nome.

Ouvir o nome do homem que arruinou suas vidas ser pronunciado num tom de prazer pela mulher que amava pareceu sumir com todo o álcool que Izuru pudesse ter em seu sangue naquele momento. Incrédulas, Nanao e Izumi ainda tentavam entender o que tinha acontecido. Pegando Rangiku pelos braços logo abaixo dos ombros, Kira a afastou, lançando sobre ela um olhar carregado de desprezo.

つづくcontinua...