Capítulo 16 – Conclusão
Ukitake entrou na loja de Urahara com Kukkaku nos braços. Yoruichi a levou até o quarto que as duas dividiam e a colocou na cama. Secou o corpo dela e a vestiu com um roupão branco, já que ela não podia se mexer. Juushiro explicou a Kisuke tudo o que aconteceu, e o gênio de cabelo loiro a examinou. Ukitake ficou na sala secando os cabelos com uma toalha. Logo ele foi servido de um copo de chá, e não demorou muito para Kisuke voltar com notícias de Kukkaku.
— Então, Kisuke? Já sabe o que aconteceu com ela?
— Bem, Ukitake-san, tudo indica que injetaram um tranquilizante de efeito local. Um tipo de anestésico que paralisa o corpo inteiro mantendo apenas a consciência.
— Mas ela vai ficar bem?
— Sim. Kukkaku-san deve voltar ao normal amanhã pela manhã. Ela poderá se mexer normalmente sem nenhum problema.
— Que bom. Estou muito mais aliviado. Obrigado pela hospitalidade. É melhor eu voltar pra casa.
— E você vai assim? Não quer falar com ela antes de ir?
— Não. Definitivamente eu não quero falar com ela. Apenas diga a ela para não se preocupar, pois essa foi a última vez que eu me meti na vida dela.
— Tudo bem. Darei o recado e desculpe perguntar, mas aconteceu alguma coisa entre vocês? Porque esta situação me parece um pouco estranha.
— Olha, se você quiser saber, pergunte a ela. Boa noite, Kisuke.
— Não. Obrigado. Eu não preciso saber. Boa noite, Ukitake-san.
Ukitake voltou para a mansão, e Kisuke entrou no quarto cuidadosamente, pedindo permissão para entrar, que foi concedida por Yoruichi.
— Kukkaku-san, está se sentindo melhor?
— Não muito. Tomara que eu acorde bem amanhã.
— Pode ter certeza de que amanhã você irá acordar ótima. A propósito, Ukitake-san mandou um recado para você. Ele disse para você não se preocupar, pois esta foi a última vez que ele se meteu na sua vida.
— Espere um pouco... E o Ukitake? Onde ele está?
— Como assim "onde está"? Ele já foi embora.
— Já foi? Assim tão rápido? Nem ao menos quis falar comigo.
Urahara tocou o ombro de Kukkaku tentando reconfortá-la e saiu logo em seguida. Ela estava destroçada, e Yoruichi jamais tinha visto sua amiga neste estado.
— Quer desabafar? Quer contar tudo o que aconteceu? Quer dizer... aconteceu alguma coisa entre você e o Ukitake?
— Aconteceu tanta coisa... Eu o vi no shopping por coincidência pouco depois de nos separarmos e ele estava com aquela professora. Eu não sei o que aconteceu comigo. Senti uma raiva fora do comum, e quando percebi eu já tinha partido para cima dos dois e acabei batendo na mulher.
— Você bateu na professora? Ficou louca? Como pôde fazer isso?
— Ukitake ficou muito irritado. Ele me seguiu até o terraço do Shopping. Nós discutimos e depois nos beijamos. Eu disse que ele tinha se aproveitado de um momento de fraqueza meu para me beijar... Só que depois ele praticamente disse que eu era desprezível e que a maior desgraça da vida dele foi ter se apaixonado por alguém como eu, incapaz de sentir alguma coisa boa.
— E você acha que ele está errado?
— Sou eu quem estou errada, Yoruichi! Sabe, desde a morte do Kaien, eu não lembrava mais como era chorar. E foi graças a ele... Que pela primeira vez eu pude chorar pela morte do meu irmão. Quando eu estava nas mãos daqueles quatro homens infelizes e nojentos era só nele que eu pensava. Foi para ele que a minha consciência pediu ajuda. Logo eu... Que sempre fui independente e jamais na vida sequer cogitei a ideia de pedir ajuda a alguém... E mesmo assim, mesmo depois de tudo o que eu fiz e disse, ele estava lá quando eu mais precisei. Ele atendeu quando eu chamei e me salvou. Você tem ideia de como eu me sinto?
— Você se sente como a idiota que você é. E espero que tenha entendido o quanto o Ukitake te ama.
— Não, Yoruichi... o que eu acabei de compreender... é o quanto eu o amo.
— Finalmente! Vou pedir para o Kisuke soltar fogos, pois este foi o acontecimento do ano! – Disse sorrindo sinceramente para a amiga, recebendo um olhar assassino da mesma. — Bom, vou te deixar sozinha para que descanse.
Yoruichi saiu do quarto e apagou a luz para que Kukkaku pudesse descansar e esquecer tudo de terrível que lhe aconteceu naquele dia.
Na área central da cidade, em um parque de grama verde e terra fofa, Tatsuki corria para escapar da chuva que começou a cair de repente. Ao passar por uma moita de arbustos, a garota acabou tropeçando e caiu de cara na grama encharcada e enlameada, ficando com o rosto marrom e vermelho de raiva ao mesmo tempo. Olhou para trás a fim de ver onde tinha tropeçado e ficou besta ao ver que tinha tropeçado em uma perna. Afastou o resto dos arbustos com ambas as mãos e deu de cara com Renji, que estava desmaiado naquele lugar desde que caiu do seikaimon ao chegar no mundo dos vivos. A cabeleira vermelha chamou muito a sua atenção, e ela rapidamente virou o corpo do rapaz para cima para ver se ele ainda estava vivo.
— Caramba... Não pode ser... é um homem! Mas o que será que ele faz caído em um lugar como este? Ei! Você está bem? Diga alguma coisa. – Ela chamou, dando vários tapas no rosto de Renji, que no primeiro momento não reagiu, mas ao sentir a dor em seu rosto ensanguentado, ele foi reagindo aos poucos.
— Eu... Eu... Eu... – Murmurava baixo, enquanto recuperava a consciência lentamente.
Abriu os olhos devagar, e a primeira coisa que viu foi o rosto preocupado de Tatsuki. A garota de feições frias aparentava estar verdadeiramente preocupada com o estado do rapaz desconhecido, e o Tenente achou aquilo fascinante. Ainda tonto por causa da queda, ele só fazia olhar para ela até conseguir harmonizar alguma frase para dizer.
— Você sofreu algum acidente e perdeu a fala? Desse jeito fica difícil te ajudar.
— Me desculpa. Meu nome é Abarai Renji. E sim, é bem provável que eu tenha sofrido algum acidente.
— Eu sou Arisawa Tatsuki. Você está ferido. Não é bom que permaneça aqui. O melhor a fazer seria te levar para um hospital.
— Hospital? Não! De jeito nenhum! Seria uma péssima ideia.
— Como assim? Por acaso não sabe que é para lá que devem ir as pessoas feridas ou acidentadas? Se bem que... Não... Espere um pouco... Esse de kimono preto e essa espada... Você é um dos amigos do Ichigo, não é? Você é como ele.
— Pelo jeito você entende muito das coisas. Já que você conhece o Ichigo, eu nem preciso explicar porque eu não posso ir ao hospital.
— Mas você também não pode ficar jogado aqui nessas condições. Consegue levantar?
— Se me ajudar, acho que consigo.
Renji se apoiou no corpo de Tatsuki, e com certa dificuldade conseguiu ficar de pé.
— Consegue andar um pouco? Vamos sair dessa chuva. – Disse a morena ao apontar o banco do ponto de ônibus um pouco adiante.
— Eu... Acho que consigo.
Os dois caminharam lentamente até lá, e Tatsuki tirou uma pequena toalhinha verde de sua bolsa transversal. Sem inibição alguma, começou a limpar o rosto do Tenente, que sem entender, observou com atenção o rosto dela, que embora estivesse cheio de lama, não escondia o espírito aventureiro nem sua coragem.
— Você é uma humana bem diferente. – Comentou do nada.
— Por que diz isso?
— Porque você se preocupou comigo antes de se preocupar com você mesma. Não é algo que qualquer um faria.
— Ah, isso? – Ela ruborizou com o comentário, agradecendo aos céus por seu rosto estar sujo o bastante para ele não perceber seu acanhamento. — Bem, é que como você está ferido...
— Eu estou sim. Na verdade, parece que todo o meu corpo está arrebentado.
— Mas então para onde eu posso te levar? Você não pode ficar aqui nessas condições, e eu também não posso te deixar aqui sozinho.
— Eu acho... Que você pode... – Tentou concluir, mas desmaiou em seguida, caindo bem no colo da jovem, que se envergonhou ainda mais, porém, deu um singelo sorriso de satisfação.
Sentiu algo especial dentro de si. Uma espécie de ternura invadiu seu coração de uma forma inexplicável, como se com apenas um simples gesto tão facilmente percebido por ele, o ruivo fosse capaz de enxergar a parte mais profunda de sua alma. E lá ela ficou, amparando o sono do Tenente até que o mesmo acordasse.
Shinji e Nanao continuavam andando pela cidade em busca dos outros. O loiro tentava sentir qualquer tipo de Reiatsu que pertencesse a algum Shinigami, mas não estava conseguindo sentir nada. Nanao já estava ficando impaciente por ter que andar por horas sem encontrar ninguém e naquela chuva. Não demorou muito para ela começar a reclamar.
— Ei, Hirako-san...
— É Shinji.
— Dá no mesmo. Não podemos continuar procurando assim. Não estamos chegando a lugar algum e esse tempo está horrível. Será que podemos parar um pouco?
— Me perdoa. Nem reparei que estamos ensopados. Estava tão concentrado tentando achar seus amigos... Ah! Já sei de um ótimo lugar onde podemos parar para comer e descansar um pouco até essa chuva passar. – Disse feliz da vida, apontando para uma barraca de lámen na esquina.
— Hã? Mas o que é aquilo? – Perguntou um tanto relutante.
— Ora, não seja desconfiada. Apenas venha. – Shinji respondeu empolgado, sorrindo ao puxá-la pelo braço.
Nanao achou engraçado o sorriso, no mínimo, incomum de Shinji, e de como ele conseguia se animar, independentemente da situação. Ao chegarem no quiosque coberto, Shinji ofereceu uma cadeira para que ela se sentasse, e logo sentou ao lado dela.
— O que é tudo isso?
— Vamos parar para comer um pouco?
— Comer? Mas eu não estou com fome. – Retrucou, e bem neste momento, seu estômago roncou alto.
— Parece que o seu estômago discorda de você. – Brincou, fazendo a Tenente da Oitava Divisão ficar com o rosto roxo de tanta vergonha.
Não demorou muito para que ambos fossem servidos de uma grande, suculenta e fervente tigela de lámen. O cheiro estava maravilhoso e deixou a morena com água na boca, mas ver tanta informação a deixou confusa, e ela passou a encarar o prato como uma expressão interrogativa.
— Você nunca comeu lámen? Ah, é verdade. Eu esqueci que na Soul Society não existe esse tipo de comida.
— O que?
— Não... nada não. De qualquer forma, do lado esquerdo você tem uma colher para beber o caldo e do lado direito você pega o macarrão com os hashis. Pode comer os acompanhamentos em cima primeiro ou deixar para comer depois. Você escolhe.
— Acho que entendi. Um caldo quente vem bem a calhar, já que estamos ensopados.
Shinji sorriu de canto e assentiu com a cabeça. Soprou uma porção do macarrão e começou a comer. Nanao fez o mesmo. Tomou um pouco do caldo e comeu o macarrão. Ela não parou mais. O sabor era tão surpreendente e delicioso que ela já estava na terceira tigela, e Shinji olhava embasbacado enquanto ele nem tinha comido a primeira.
— Pelo jeito... você gostou – Observou perplexo.
— Nossa, me desculpa. Acho que me excedi um pouco. Nunca comi algo tão bom assim na vida. Comi tanto que acho que não vou conseguir dar nem mais um passo. Ah... estou satisfeita. – Sorriu ao tomar o último gole de caldo da quarta tigela.
— Você devia fazer isso mais vezes.
— Negativo. Acho que se eu comer quatro tigelas de macarrão mais vezes, vou explodir.
— Não é isso. Estou dizendo que você deveria sorrir mais vezes. Desde que te vi você está sempre séria. Deveria sorrir mais um pouco para não deixar os problemas assumirem o controle da sua vida.
— Então acho que posso dizer o mesmo de você.
— Por que diz isso?
— Desde que cheguei neste mundo tenho notado que algo te aflige, algo te preocupa muito. Por mais que tente aparentar o contrário, posso ver isso nos seus olhos. Por que não me conta o que aconteceu?
— Eu queria poder contar tudo, mas infelizmente não posso. No momento, só o que eu posso dizer é que eu não sou uma boa companhia para ninguém.
— Como pode dizer isso? Eu não sei o que faria neste lugar se não fosse pela sua ajuda.
— Você não entende. Eu quero dizer que por enquanto é perigoso ficar perto de mim.
— Se eu puder ajudar em alguma coisa, não hesite em me falar.
— Não é que eu não tenha confiança, o caso é que eu não quero envolver ninguém nos meus problemas.
— Eu não me importaria em me envolver. – Disse direta, pousando sua mão sobre a dele em cima da mesa.
Hirako a olhou surpreso. Qualquer um ali pensaria que ela estava dando em cima dele. Preferiu descartar tal hipótese e tentar sair pela tangente de forma elegante.
— Acho que depois de quatro tigelas de lámen, o sake do caldo pode ter te afetado um pouco. – Ele disfarçou, separando sua mão da dela para tomar o resto do seu caldo.
Nanao apoiou o cotovelo na mesa e o rosto na mão, encarando Shinji enquanto ele comia. Era fato que ele escondia alguma coisa, e era algo grave e importante. Todo aquele mistério fazia Shinji parecer muito mais interessante e atraente aos olhos da morena, que ao mesmo tempo analisou os olhos, os cabelos, o rosto e os gestos do Ex-Capitão, e tinha que admitir para o seu subconsciente que gostava muito do que via. Hirako limpou os lábios com o guardanapo e pagou pela refeição, levantando em seguida, estendendo a mão para ela.
— Então? Vamos continuar procurando? A chuva já passou.
— Nossa, é verdade. Eu estava distraída. Nem tinha percebido.
Os dois continuaram andando, e de repente, Shinji sentiu duas fortes presenças espirituais e parou do nada, fazendo Nanao bater a testa nas costas dele.
— Ai! Aconteceu alguma coisa?
— Sinto dois tipos de Reiatsu.
— Verdade?
— Uma delas é de um Shinigami, já a outra... é de um Hollow.
— Estão no mesmo lugar?
— Sim. Mas é longe daqui. Parece ser numa praia afastada do centro da cidade.
— Então vamos logo. Eles podem estar precisando de ajuda.
— Hum... só tem um jeito para isso funcionar.
— Eh?
Sem dizer uma só palavra, o loiro pegou a Tenente pela cintura e a jogou nos ombros como se ela fosse uma pena. Usou shunpo no ar e em menos de cinco minutos eles chegaram até a praia pedregosa onde Rangiku e Izuru caíram, e a deram de cara com a ruiva lutando contra um Hollow gigante. Ela já tinha levado alguns golpes, mas continuava lutando. Rangiku já tinha derrotado três Hollows, mas quanto mais ela os derrotava, mais deles apareciam, deixando a ruiva confusa com a situação. Todos eles eram Monstros gigantes com fortes poderes destrutivos, e Rangiku estava levando a pior, eu já estava ficando sem forças para continuar.
— Eu não vou desistir! Eu vou proteger o Kira. Não vou permitir que nenhum desses monstros sequer encoste nele.
— Rangiku! – Nanao chamou, ainda debruçada no ombro de Shinji.
— Nanao? – A Tenente respondeu confusa, sem entender a cena.
— Ei, Hirako-san, será que dá para me soltar?
— É mesmo. Desculpe por isso.
— Quem é este homem? – A ruiva perguntou olhando para Shinji.
— Depois eu explico com calma, mas o que você está fazendo aqui? E por que está sendo atacada? Aconteceu alguma coisa com o Capitão Kira?
— Nós caímos aqui depois que fomos arremessados por uma energia estranha vinda do seikaimon. O Kira parece ter se ferido gravemente ao me salvar da queda.
— Entendo. Ao que parece ele realmente gosta muito de você.
— Não é hora para isso. Já faz um certo tempo que esses Hollows andam aparecendo por aqui, e não importa o quanto eu os derrote, outros aparecem logo em seguida.
— E o que podemos fazer então?
A conversa das duas Tenentes foi interrompida quando elas viram quatro Hollows emergirem de uma garganta de uma só vez. Rangiku sacou novamente sua Zanpakutou para contra-atacar, mas ficou chocada ao ver um imenso raio de luz vermelha atingir as criaturas, e as mesmas se dizimarem no ar em instantes. As Tenentes olharam na direção de onde veio o raio, e ficaram perplexas ao verem Shinji com sua Sakanade em mãos, e seu rosto coberto por uma máscara de Faraó. A fumaça provocada pela potência do golpe ainda saía da mão e do cabo da Zanpakutou.
— Nanao... este homem... está emanando uma Reiatsu dupla.
— Shinigami... e também Hollow. Não... não pode ser... ele é o homem que viemos procurar. – Concluiu temerosa.
— Eu entendi direito? Que história é essa de que estão me procurando?
— Hi... Hirako-san... Isso que você usou agora foi um cero, e o que você tem na sua mão é uma Zanpakutou.
— E o mais importante, essa máscara. – Rangiku completou. — Será que pode nos dizer quem é você?
— Acho que cometi um erro. Nunca devia ter me envolvido com Shinigamis.
— Mas como pode dizer isso se você também tem uma Zanpakutou?
Shinji retirou a máscara a fim de confrontar as meninas.
— Esse tipo de Hollow deve ser detido por um ataque devastador e definitivo. Golpes simples de uma Zanpakutou não irão funcionar.
— Não foi isso que eu perguntei. – A ruiva alfinetou.
— Além do mais, você cometeu um erro. Não devia ter feito aquilo. Era a Rangiku que estava lutando, e você também errou quando me jogou nos ombros sem ao menos me perguntar. Por que não pensa antes de fazer as coisas? – Nanao o confrontou indignada.
— Eu cometi um erro? Acho que já entendi. Você é perfeita, é por isso que está sempre irritada. Enxerga erros onde não existem, e no seu entendimento, somente os outros erram. Se você tinha interesse em resolver as coisas rapidamente, então porque não usou sua Zanpakutou?
— É que a minha Zanpakutou... Bom, isso é outra história. O caso é que eu não gostei do que você fez.
— Vamos recapitular? Você disse que precisava chegar aqui o mais rápido possível, e como era eu que estava sentindo a Reiatsu, achei mais lógico te levar junto a correr o risco de nos perdermos no meio do caminho. Se isso ofendeu o seu orgulho de alguma forma, eu peço desculpas, mas se não fosse por isso, sua amiga poderia não estar inteira agora.
Rangiku olhou para Nanao e balançou a cabeça em afirmativo. Shinji a pegou. A morena sabia que ele estava dizendo a verdade e pensando bem, a errada era ela. Pensaria melhor sobre isso depois, já que o mais importante naquele momento era esclarecer a identidade daquele homem misterioso. Os três flutuavam no ar, e envolta havia apenas a praia pedregosa cercada por algumas planícies de pedras vulcânicas. Quando as duas Tenentes iam voltar a questionar Hirako, o loiro começou a sentir algo estranho, colocando ambas as mãos no topo da cabeça, e os gritos dele assustaram as duas.
— O que deu nele?
— Boa pergunta. Hirako-san, o que aconteceu? – Perguntou ao se aproximar.
— NÃO SE APROXIME! – Ele gritou, mas ela já estava perto o suficiente para ver que os olhos de Shinji estavam pretos e dourados, mesmo ele estando sem a máscara de Hollow.
— O que está acontecendo? Você não parece ser você mesmo!
— Fique longe! Eu não sei o que vai acontecer! – Pediu mais uma vez, e quase metade de sua máscara já tinha se materializado involuntariamente.
— Nanao, afaste-se dele!
A ruiva tentou evitar o pior, mas já era tarde demais, pois ele tinha desferido um golpe com a Sakanade em direção à Shinigami.
— Não! – Shinji gritou com o pouco de controle que ainda tinha sobre si mesmo e empurrou a moça com a outra mão, fazendo o golpe da espada a atingir apenas superficialmente, mas foi o bastante para causar um grande corte horizontal no meio do seu tronco. Nanao começou a cair em direção ao chão por causa da força da pressão da katana de Hirako, e Rangiku se apressou para pega-la, mas Shinji foi atrás dela numa velocidade incrível e a pegou pelo pescoço antes mesmo da Tenente ruiva conseguir se aproximar.
— Você não sabe de nada, sua pequena Shinigami intrometida. Nós, Hollows odiamos os Shinigamis e os Shinigamis devem ser exterminados. Eu vou apertar tanto o seu pescoço até que não sobre nada de você. Vou acabar com a sua raça! – Ele dizia com a voz dominada pelo Hollow, que gargalhava malignamente.
— Não! Não faça isso... não é você. Eu sei que não é você! Tem um Hollow te dominando, mas por favor... não permita que ele... não permita que ele vença!
Ela falava com lágrimas nos olhos, com pouco de ar que conseguia fazer chegar em seus pulmões. A consciência de Shinji tentava soltá-la, mas por mais que tentasse, ele não conseguia retomar o controle sobre si.
— Nanao! Ele vai te matar! – Rangiku tentou impedir chegando mais perto.
— Não me atrapalhe, desgraçada!
Shinji balançou a Sakanade no ar, e a pressão da espada foi tão grande que Rangiku foi arremessada para longe só com o impacto. Pensou que iria cair de encontro as pedras, mas sua queda foi impedida no mesmo instante em que ela viu o loiro cair ferido no tórax por um golpe de Zanpakutou e ela própria ser colocada em cima de uma pedra, enquanto Shinji também foi salvo de uma queda certa pela mesma pessoa. A Tenente da Décima Divisão ficou chocada com a cena. Yoruichi parada ao lado dela com Shinji ferido, enquanto Kisuke estava com sua Benihime em mãos, tendo o sangue de Hirako escorrendo pela ponta da sua lâmina ao lado de uma perplexa Nanao, que aterrissou apressada para ver o que tinha acontecido com ele. Urahara desceu logo em seguida, e os três se colocaram em volta do loiro.
— Você está bem, Nanao-san?
— Estou. Obrigada pela ajuda. Mas o que você fez você o matou! Hirako-san! Hirako-san!
— Não precisa se preocupar tanto ele vai ficar bem.
— Como assim, Yoruichi-san? Ele está praticamente morto.
— Não se preocupe, ele não está. Eu o atingi com a espada estrategicamente em um ponto que não comprometeria a sua vida, por isso posso afirmar que ele ficará bem logo. Tem mais alguém ferido? – O gênio questionou.
— Sim. Eu preciso da ajuda de vocês, o Kira se feriu quando chegamos e parece estar muito mal.
— E onde ele está?
— Lá embaixo, na areia!
— Ora... O jovem Izuru foi promovido. – O loiro observou ao vê-lo vestindo um Haori.
— Esqueça esses detalhes! O importante agora é cuidar dele.
— Tem razão. Não fique nervosa. Yoruichi, vamos levar o Kira-kun e o Hirako-san para a loja. Fiquem tranquilas, eles vão ficar bem.
— Mas e o Renji? Nanao, você o viu?
— Não. Mas é provável que ele esteja bem, pois ele já esteve neste mundo.
E sem demora, todos foram para loja de Urahara, onde poderia esclarecer melhor as coisas...
Renji permaneceu desmaiado no colo de Tatsuki, que lembrou de quando o ruivo mencionou Ichigo. Pegou o celular em sua bolsa e ligou para o amigo, que ficou besta ao saber da presença do Tenente lá. Não demorou muito para o alaranjado chegar onde eles estavam e os levar para a sua casa.
— Ei, Tatsuki, Você sabe o que ele veio fazer aqui?
— Não faço ideia, mas ele também é aquilo que vocês chamam de Shinigami, certo? Ele é como você.
— Sim, você está certa. Mas não conte sobre isso a ninguém. É um favor que eu te peço.
— Não se preocupe, Ichigo. Por acaso não me conhece? Sabe que pode contar comigo.
— Valeu, Tatsuki!
Os dois ficaram sentados ao pé da cama do Kurosaki, onde Renji ainda estava inconsciente. Ichigo estranhou o fato de sua amiga ainda estar ali, até que depois de quase duas horas, ele criou coragem para perguntar.
— hum... Tatsuki... Eu te agradeço por ter cuidado desse grande idiota, mas você não tem que ir para a sua casa?
— Ah, é claro. Mas eu queria ficar aqui até ele acordar.
— Você quer ficar aqui até ele acordar?
— E por que? Não posso? Por acaso eu estou atrapalhando?
— Não... Não é isso, mas...
— Ora, ora... eu ouvi uma voz incômoda. Só pode ser do Kurosaki. – O ruivo falou ao acordar.
— Seu... Parece que não é tão grave, já que acordou e até começou a me xingar.
— Grande coisa. Mas o que eu estou fazendo na sua casa? Eu só lembro que sofri um acidente quando cheguei no mundo dos vivos.
— Tatsuki me ligou e disse que te encontrou caído no meio do parque debaixo da chuva.
— Acho que entendi. Será que você pode me deixar um pouco a sós com uma garota? Quero conversar com ela.
Mesmo achando a situação muito esquisita, Ichigo os deixou a sós para que conversassem.
— Está se sentindo melhor? – Ela começou.
— É claro. Perto de você não há como eu me sentir mal.
— Ve... Verdade? – Ela ruborizou, mas seu rosto ainda estava sujo de lama.
— Claro que sim. Mas porque ainda não limpou o seu rosto? O imbecil do Kurosaki nem ao menos te ofereceu algo para se limpar? É um patife mesmo.
— Não. É que eu estava esperando você acordar. Não queria sair daqui antes disso.
— É sério? A sua sensibilidade me deixa comovido. Muito obrigado. Acho que não seria pouco dizer que eu te devo a minha vida.
— Poxa, não seja exagerado. Também não é para tanto. – A garota respondeu em um tom mais ríspido, dando um tapa no ombro dele, ao voltar a ser a autêntica Tatsuki.
— AAAIIIII! – Ele berrou de dor, pois seu corpo estava todo machucado. — Esse modo de falar combina mais com você. Eu gosto do seu estilo. – Observou, pegando a mão direita da estudante, que ficou sem jeito, mas retribuiu apertando a mão dele de volta.
Renji sorriu, acompanhado de Tatsuki, que sorriu de volta. O calor das mãos um do outro provocou uma reação simultânea neles. Tal calor se espalhou por todo o corpo dos dois, e seus olhares eram compartilhados com admiração. Atraídos um pelo outro, Tatsuki foi chegando mais perto, e eles dobraram seus braços a fim de se aproximarem mais. Neste momento, Ichigo entrou novamente no quarto, fazendo a amiga dar um pulo para trás com um susto.
— Olha, Renji, eu trouxe alguém que vai te deixar novo em folha rapidinho.
— Hum... Eu acho melhor ir para a casa. Eu preciso de um banho.
— Espere! Eu vou te ver de novo?
— Me procure no colégio. Peça ao Ichigo para te levar até lá.
O Tenente sorriu novamente, e quando Tatsuki saiu, deu de cara com Orihime, que foi trazida por Ichigo.
— Orihime? O que faz aqui?
— Eu posso te perguntar o mesmo. Kurosaki-kun me trouxe aqui às pressas porque tem um amigo dele ferido.
— É verdade que você está namorando aquele cara novato de cabelos pretos?
— Eu não sei exatamente se estamos namorando, mas podemos conversar sobre isso melhor na escola amanhã, o que acha?
— Claro. Eu também preciso ir para casa tomar um banho. Estou imunda.
Orihime entrou no quarto e se surpreendeu ao ver que se tratava de Abarai Renji. Usou seus poderes no Tenente, e em pouco tempo ele já estava perfeitamente curado.
— Agora que a sua carcaça já está inteira de novo, pode me dizer o que faz aqui? – Indagou o alaranjado.
— O Comandante Yamamoto nos mandou aqui em uma missão para encontrarmos uma criatura em especial. Eu vim com a Rangiku-san, Nanao-san e o Kira, que foi promovido a Capitão da Divisão Três.
— O Kira foi promovido? Caramba, as coisas estão mesmo mudando na Soul Society. E o que você pretende fazer agora?
— E não é lógico? Eu vou atrás dos outros. Nos perdemos quando chegamos aqui e preciso encontrá-los.
— Então por que não vai até a loja do Urahara? O tiozinho do chapéu certamente pode saber de alguma coisa.
— Boa ideia. Inoue-san, será que pode vir comigo? É provável que mais pessoas possam ter se ferido.
— Ótimo, Inoue, vá com ele, pois duvido muito que esse cabeça de abacaxi vermelho saiba o caminho.
Renji fechou a cara, mas não estava com disposição para iniciar uma briga, pois jamais admitiria que o alaranjado estava certo.
Enquanto isso, na loja, Shinji e Kira estavam deitados em respectivos futons no amplo quarto que anteriormente era dividido por Ukitake e os outros. Rangiku e Nanao estavam ao lado deles. As duas estavam aflitas, pois se preocupavam muito com eles. Izuru não tinha recuperado a consciência até aquele momento, e Rangiku já estava agoniada e quase entrando em desespero. Segurava a mão do loiro entre as suas com carinho, e seu corpo tremia só de imaginar o pior. Nanao também estava preocupada com o estado de Shinji, pois não era nada normal que tinha acontecido com ele. Nenhuma das duas saiu do lado deles por um segundo sequer, e a cada minuto que passava, Nanao se interessava mais sobre o que tinha acontecido com o Vizard. Os dois rapazes já estavam "medicados", e seus ferimentos estavam cobertos por bandagens. As duas Tenentes também tiveram suas escoriações tratadas. Ao observar a forma como a morena olhava para Shinji, Rangiku não pôde deixar de perguntar:
— De onde você conheceu este homem?
— Eu conheci hoje pela manhã assim que chegamos a este mundo. Ele me salvou da queda que eu ia sofrer, e se não fosse por ele eu poderia não estar aqui para te contar.
— Meu caso é igual. O Kira só está assim agora porque ele me protegeu da morte certa.
— Quer dizer que ele recebeu todos os danos da queda no seu próprio corpo? Pois então eu vou te dizer uma coisa: Ichimaru Gin nunca faria tal coisa por você, e te digo mais! É bem provável que ele te usasse como escudo apenas para salvar a própria pele.
— Você acha que eu não sei disso? Desde que chegamos eu não parei de pensar nisso e cheguei à mesma conclusão que você.
— Você gosta muito dele, não é?
— Do Ichimaru?
— Não! Do Kira!
— Sim. Muito. E o meu amigo querido.
— "Amigo"? Pois é... um amigo que é capaz de dar a vida por você.
— Mudando de assunto, o que você sabe sobre este homem?
— Além de ele ter me salvado, eu sentia que ele escondia algo, e parece que nós já sabemos o que é.
— E você não tem medo? Afinal, ele quase te matou agora a pouco.
— Medo? – A morena disse olhando para Hirako com um olhar terno e decidido, que surpreendeu Rangiku. — Não tenho medo. Apenas quero saber o que acontece com ele e ajudá-lo. – Concluiu, segurando a mão do Vizard.
— Eu conheço esse olhar. Será possível gostar de alguém em apenas um dia? – Rangiku se perguntou em pensamento.
— As duas damas poderiam vir até a sala um momento? – Kisuke pediu ao aparecer na porta.
As Tenentes se sentaram em volta da mesa. Cada uma tinha uma xícara de chá em sua frente, e elas se uniram a Yoruichi e Kisuke, que se preparou para explicar toda a situação.
— Imagino que vocês duas já devem conhecer aquele homem, estou certo?
— A única coisa que sabemos é que seu nome é Hirako Shinji, e que ele tem esses poderes estranhos. – A ruiva começou.
— Explicando a versão curta, Hirako Shinji era o Capitão da Divisão Cinco do Gotei 13 e superior direto de Sosuke Aizen. Ele é um Shinigami que despertou poderes de um Hollow através de uma experiência de Aizen. Ele não tem culpa de sua condição, e deu muito trabalho para salvar a vida dele na época.
— Então ele era um Capitão no Seireitei? E há outros como ele? – Questionou a ruiva.
— Sim. Pelo menos outros sete Shinigamis, entre Capitães e Tenentes.
— Não posso acreditar... – Nanao comentou.
— Hirako-san é o líder deste grupo, e pelo que parece, seu Hollow interior está fora de controle novamente por alguma razão desconhecida.
— Já entendi. Mas ainda acho que não precisava ter feito aquilo. Você quase o matou como se fazer um pacto.
— Eu já disse para não se preocupar. Ele logo vai ficar bem. Eu não o atingi mortalmente.
— E você sabe como vai resolver essa situação?
— Para dizer a verdade... Não. – O gênio disse em seu habitual tom relaxado e divertido, coçando a cabeça, ato que irritou a Tenente.
— Então não diga que ele vai ficar bem assim tão tranquilamente! – Gritou nervosa, puxando Kisuke pelo quimono.
— Opa! Calma. Não precisa ficar nervosa, afinal de contas, você nem o conhece.
Rapidamente Nanao o soltou, e todos estranharam a atitude da morena. Quando Rangiku ia questioná-las, todos ali levaram um susto ao verem Byakuya aparecer na frente deles.
— Byakuya? O que está fazendo aqui? – Perguntou o loiro.
— Quero que todos vocês venham para a minha mansão. Podemos cuidar melhor dos feridos lá. Além disso, o Capitão Ukitake e eu descobrimos algo interessante.
— Acho que não temos nada a perder. Vamos levá-los. – Kisuke concordou.
— Eu vou ficar aqui para cuidar da Kukkaku.
— Perfeito. Será ótimo não contar com a presença de vocês duas. – Byakuya provocou.
A gata levantou de onde estava e saiu sem responder, deixando Byakuya com um sorriso de vitória em sua mente.
Quando todos foram para a mansão do Capitão da Sexta Divisão, Shinji e Izuru foram colocados em quartos de hóspedes separados. Nanao e Rangiku continuavam de olho nos dois. No quarto onde estava Izuru, a ruiva acabava de trocar a toalha úmida que estava na testa dele. Subitamente o loiro por fim deu algum sinal de que estava começando a recuperar a consciência. Ele começou a gemer e se mexer lentamente. Parecia que sua febre tinha subido. Rangiku ficou feliz e preocupada ao mesmo tempo, mas sentiu um grande alívio em seu coração quando mais uma vez ela viu os belos olhos azuis do Capitão se abrirem.
— Matsumoto-san...
— Kira! Graças a Deus você acordou! Não sabe como eu fiquei preocupada!
— O que aconteceu comigo? Por que eu estou assim?
— Você não se lembra? Nós fomos arremessadas por uma energia estranha que veio do seikaimon e quase morremos.
— É... Foi isso mesmo. Só que eu não me lembro de nada depois. Mas é bom ver que você está bem.
— Você me salvou ao me proteger da queda. Não devia ter feito isso. Poderia ter perdido a sua vida. O que você estava pensando?
O olhar de Izuru se entristeceu. Ele virou a cabeça para o lado oposto ao de Rangiku, pois não queria que ela percebesse.
— Acho que quando lidamos com uma situação na qual estamos bem diante da morte, não há tempo para pensar. Nosso instinto comanda nossas ações, e meu cérebro apenas agiu por conta própria.
— Colocando a minha vida na frente da sua?
— Olha, eu sinto muito. Há coisas que fazemos guiados por sentimentos mais fortes do que nossas vontades e que passam por cima da razão. Desculpe se isso te ofendeu, mas juro que não fiz por mal.
— Sou eu quem te peço desculpas. Eu não quero que você se machuque por minha causa. Seu idiota. Não se atreva a fazer isso de novo. – A ruiva disse com a voz embargada ao começar a chorar.
— Isso tudo é muito embaraçoso. Eu não quero que você tenha nenhum tipo de sentimento de culpa ou obrigação para comigo, por isso quero que esqueça o que aconteceu hoje e eu prometo que darei o máximo de mim para que isso não se repita.
— Você não entende... – Falou séria, pegando o queixo do rapaz e virando o rosto dele suavemente, gesto que o obrigou a olhar para ela.
— Está chorando?
— Não me interrompa. Não percebe o quanto sua vida é preciosa?
— Meus pais já morreram há muito tempo e eu também não tenho irmãos. Não acho que seja tão preciosa assim.
— A sua vida é preciosa para mim! Vou precisar desenhar para que você entenda?! – Declarou ao sacudir os ombros dele.
— AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!
O estrondoso grito de dor que Izuru deu foi forte o bastante para fazer a mansão inteira estremecer e ninguém entendeu o que estava acontecendo lá em cima. Enquanto isso, Byakuya, Ukitake, Kyoraku e Urahara se preparavam para iniciar uma importante reunião, onde discutiriam importantes assuntos futuros.
Enquanto isso, na loja, Yoruichi pensou bem no que Kukkaku dissera sobre se apaixonar, mas achava que jamais encontraria alguém que fizesse seu coração estremecer de verdade, e cansada do longo dia, quis beber algo e decidiu ir até a rua comprar uma bebida em uma máquina qualquer, pois achou que não teria problema algum em deixar Kukkaku sozinha, já que há máquinas em qualquer esquina e a morena só acordaria no dia seguinte.
Andando pela rua sem obter sucesso ao achar o que queria, a gata viu algo que atraiu sua atenção. Tratava-se de Nemu, que andava apressada em direção a um lugar específico. Yoruichi estranhou o fato de a Tenente estar ali sozinha e achou melhor seguir a garota, já que ela não estava acostumada com aquele mundo. Depois de caminhar atrás dela por quase meia hora, ambas avistaram um grande edifício, que só por sua aparência externa, já dava para notar que possuía uma impecável infraestrutura. Tratava-se do Hospital Geral de Karakura, e sem hesitar, a Tenente entrou no prédio, deixando Yoruichi ainda mais confusa, pois não acreditava que ela estivesse doente para procurar um hospital.
No interior da grande construção, Ryuuken havia acabado de fazer uma revisão nos quartos de seus pacientes e seguia para a sua sala. Nemu entrou no consultório pouco antes de ele chegar, mas quando Yoruichi ia se aproximar, viu Ryuuken passar por ela de relance, enquanto a morena se encostava na parede ao lado para não ser vista. Aquele breve instante em que Yoruichi viu o rosto do médico passar por si foi suficiente para a gata ter a visão mais bela de toda a sua vida. O suave perfume masculino invadiu as sensíveis narinas felinas e a entorpeceu de tal maneira que por um segundo seu corpo inteiro se arrepiou, e ela não mais conseguia sentir o chão debaixo de seus hábeis pés. Despertou de seu breve transe para colar seus aguçados ouvidos na porta ao ver que o belo Quincy havia entrado bem na sala onde Nemu entrou pouco antes. Ishida ficou espantado ao ver que sua sala fora invadida por uma mulher desconhecida, e por mais que pensasse, não conseguia assimilar o que aquela garota poderia querer com ele.
— Quem é você e o que está fazendo aqui? Esta sala é uma área restrita. Não pode entrar aqui sem ser devidamente anunciada.
— Eu sou Kurotsuchi Nemu e preciso que você ouça o que eu tenho a dizer sobre Ishida Uryuu.
つづくcontinua...
Muito bem, queridos, acho que aconteceu bastante coisa nesse capitulo e peço perdão por eles estarem relativamente grandes ultimamente, e o próximo será maior ainda kkkkkkkkk *apanha* Sei que demorou, mas no próximo capitulo vai acontecer o primeiro hentai da história. Alguém se habilita a deduzir qual casal será o primeiro a ir às forras? Será que Yoruichi por fim encontrou o seu gato macho? Deixem suas opiniões, pois ficarei muito feliz em recebê-las. Beijões e até semana que vem.
