Capítulo 17 – Persuasão
No Hospital, Ryuuken olhava para Nemu com curiosidade. Nunca tinha visto aquela garota em sua vida, e estava profundamente incomodado por ela ter invadido o seu espaço daquela maneira. Intrigado com a invasão repentina da jovem, ele rapidamente pergunta:
— E o que uma garota iria querer falar comigo? Ainda mais sobre o meu filho? Eu não tenho nada a falar sobre ele, muito menos com uma desconhecida.
— O que? O Ishida-kun é filho desse médico? Eu não posso acreditar! – Yoruichi pensou consigo.
— Você já soube que o seu filho perdeu seus poderes de Quincy?
— E daí? Se ele perdeu seus poderes foi por causa de sua incompetência. Cansei de dizer que ele não tinha nenhum talento para ser um Quincy, mas ele insistiu nessa loucura e apenas está enfrentando as consequências da sua tolice.
— Independentemente das circunstâncias, Ishida-san precisa da sua ajuda agora. – Indagou, tentando convencer o médico de alguma maneira.
— E por que eu deveria? Ele nunca precisou da minha ajuda e não seria agora. Aliás, diga a ele que se quiser algo de mim, que venha falar comigo pessoalmente ao invés de mandar recadinhos através de sua namoradinha. – Responde frio, para a surpresa da Tenente.
— Eu não sou isso que você chamou de "namoradinha", mas reconsidere. Seu filho está deprimido, pois sem poderes, ele perdeu o objetivo que tinha na vida que era proteger as pessoas dos Hollows. Não seja tão duro com ele.
— Olha aqui, garota, eu não tenho tempo para ficar ouvindo suas besteiras. Não quero saber mais nada sobre este assunto, portanto suma.
— Não pode fazer isso. Se você, que é o próprio pai, está negando ajuda, então quem mais restou a ele?
— Desapareça daqui, garota. E não esqueça de dizer a ele que se quiser alguma ajuda, que peça aos Shinigamis, a quem ele se aliou me desobedecendo deliberadamente.
— Você precisa disparar a Flecha da Eternidade em um ponto específico, próximo ao coração do Ishida-san, e somente você pode fazer isso. É a única forma de recuperar os poderes do seu filho.
— Não faço ideia de como uma garota como você poderia saber sobre algo tão importante assim, mas não importa. Saia daqui, e lembre-se de dizer a ele que se quiser algo de mim, ele que me procure.
Nemu o encarou com sua expressão gélida, inalterada, pois não cria que um pai pudesse ser tão duro com seu próprio filho. Ela deu as costas para o diretor do hospital e saiu de sua sala a passos duros. Yoruichi desviou da porta usando sua velocidade privilegiada.
Dentro de sua sala, Ryuuken se jogou em sua luxuosa cadeira de couro preta muito bem acolchoada. Retirou seus óculos e colocou o objeto sobre a sua mesa. Recostou na cadeira e fechou os olhos tentando relaxar e assimilar bem cada palavra dita pela Tenente. Estava aflito e nervoso, e a única coisa que ele queria naquele momento era ir para casa e se jogar em sua maravilhosa banheira de hidromassagem.
Yoruichi entrou na sala de Ryuuken disposta a falar poucas e boas na cara dele para que este deixasse de ser idiota, mas a bela visão do médico quase adormecido a desarmou completamente. Os felinos olhos dourados passearam por toda a extensão de seu rosto. Seus olhos brilhavam ao olhar para ele, e seu coração disparou de imediato. Ao observar melhor, concluiu que ele era mesmo o homem mais lindo que já tinha visto, e por um momento esqueceu de que entrou lá para dar a lição que ele merecia por ser tão prepotente e incompreensivo. Sem abrir os olhos, ele passa a mão sobre a mesa e pega seus óculos de volta. Colocou as lentes no rosto e abriu os olhos, dando de cara com a silhueta de Yoruichi. Seu olhar subiu até finalmente enxergar o rosto da morena, que o encarava séria. O platinado suspirou pesadamente, sem acreditar que mais uma vez seu espaço foi invadido e que ele teria que lidar com outra maluca em menos de cinco minutos. Mas aquela era outra história, pois ao contrário de Nemu, uma jovem que definitivamente não fazia seu tipo, o que ele via perante seus olhos era um belíssimo exemplar feminino em toda a sua beleza, e o olhar altivo e autoritário que ela sustentava o intrigou. A postura desafiadora da morena deixou o Quincy impressionado, mas Yoruichi já tinha perdido a paciência enquanto ele a olhava.
— Vai ficar aí me olhando até quando? Como pode ser tão mesquinho e injusto com seu próprio filho? – Questionou indignada.
— Você conhece aquela garota que acabou de sair daqui? Não acredito que mais uma vez vou ser incomodado por causa do mesmo assunto.
— Conheço bem o seu filho. É um jovem inteligente, disciplinado e dono de um nobre coração que sustenta um grande orgulho, pois ama ajudar a proteger os inocentes.
Ryuuken levantou e andou devagar até ficar na frente de Yoruichi, que deu dois passos para trás devido à aproximação perigosa e repentina. Por ser mais alto, o médico sentou em sua própria mesa, a fim de encará-la melhor. Os traços felinos e a pele morena encantaram os olhos azuis do belo médico, que nem ao menos conseguiu sentir raiva das palavras ditas pela Ex-Capitã.
— Esta é a sua opinião, mas a grande verdade é que Uryuu é um tolo que prefere jogar a sua vida fora fazendo algo inútil do que seguir um caminho de glória.
— Está dizendo que salvar vidas é algo inútil? Justo você, que é um médico... Como pode ser tão medíocre?
— Medíocre? De forma alguma. Estou sendo sincero. Lutar pelos outros não coloca comida na mesa, tampouco faz de você alguém na vida. Além do mais, nosso trabalho deveria ser cuidar dos vivos e não perder tempo com os mortos.
— Acabo de chegar à conclusão... Ou melhor... como é possível que o Ishida-kun seja filho de alguém como você?
— Como eu o que? Algum problema em me preocupar com o futuro do meu filho?
— Passando por cima das vontades e objetivos dele? Belo pai você é.
Um sorriso sarcástico se formou nos lábios de Ryuuken. A olhou de canto, gesto este que Yoruichi achou demasiadamente sexy. Para ele aquilo tudo era uma afronta, pois ela não tinha nenhum direito de julgá-lo daquela forma ou se meter em sua vida particular. Ao analisar a gata com atenção, ele pôde sentir o tipo de Reiatsu que ela emanava, e de forma rápida tirou suas conclusões.
— "Belo pai eu sou", você disse? E o que você sabe sobre a minha vida? Que direitos acha que tem para vir aqui me incomodar e se meter na relação que tenho com o meu filho? Coloque-se no seu lugar, Shinigami.
Yoruichi engoliu em seco. Já tinha percebido o tipo de homem arrogante e orgulhoso que o Quincy era, e de como ela estava acostumada a provocar e lidar com esse tipo de homem, graças aos séculos de convivência com Byakuya, que para ela, nunca deixaria de ser aquele moleque mimado que sempre perdia para ela no pega pega. Mas aquela situação era diferente, pois ela estava diante de um homem como nenhum outro, um homem que fez seu coração disparar assim que o viu passar, atiçando os seus sentidos como jamais alguém fizera, e ela estava disposta a provocá-lo de uma forma que ela jamais provocaria Byakuya. Iria tirá-lo do sério a ponto de fazê-lo engolir sua prepotência.
Aproveitou que ele estava sentado na mesa e se aproximou perigosamente. Usando ambas as mãos, abriu as pernas do médico, que piscou os olhos várias vezes, sem compreender a intenção por trás da ousada atitude. Ela se colocou de pé na frente dele, no meio de suas pernas, pousando o indicador nos lábios dele de forma acusadora.
— Que desperdício... Sua boca é tão bonita. E que lábios tão bem desenhados. – Disse baixo em tom sedutor ao traçar o formato dos lábios dele com o seu dedo. — É uma pena que tudo o que saia dela sejam palavras duras de um homem amargurado que desconta a sua frustração no próprio filho só porque ele escolheu um caminho diferente daquele que você determinou.
— É mesmo? E não acha que a prepotente aqui é você? Eu não a conheço, nunca a vi na vida, e você acha que pode entrar aqui se achando a dona da verdade? Quer dizer que gostou da minha boca? Pois você ficaria surpresa com o que eu posso fazer com ela.
— Nossa... Que comentário mais tentador. – A gata disse sedutora novamente com sua boca posicionada no ouvido direito dele, ignorando a provocação do Quincy e abrindo a mão ao envolver a metade esquerda do rosto do médico, seguindo para baixo, tocando o tecido macio do impecável jaleco branco, parando na altura do peito onde começou a brincar com uma parte do estetoscópio que ele mantinha no pescoço. Ryuuken não precisou do instrumento para ouvir de longe as batidas do coração de Yoruichi, que sentia mais do que ele os efeitos de sua própria provocação. Ele percebeu o objetivo da morena de querer tirá-lo do sério ao provocá-lo daquele jeito.
— Pretende me provocar? O que vai ganhar com isso?
Yoruichi ignorava completamente todos os comentários ácidos de Ryuuken, pois estava empenhada em prosseguir com seu joguinho.
— Eu adoro esse cheiro de hospital, medicamentos e sangue que você emana. Sabia que a minha fantasia mais íntima e erótica é transar com um médico? E eu nunca... Jamais me deparei com um como você. – Declarou na cara dura, o que não o surpreendeu, pois ele já tinha entendido as intenções dela. Para ele estava claro que ela continuaria com aquilo independentemente de qualquer grosseria que ele falasse, mas se ela estava decidida a fazê-lo se arrepender por sua afronta, ele estava mais decidido ainda.
— Quer dizer então que você gosta de médicos? Coincidência... Você parece uma gata no cio doida para ser devorada. E essa sua pele morena... Eu adoro. – Foi a vez de ele falar sedutor perto do ouvido dela, retribuindo o toque e fazendo o mesmo no pescoço da gata.
Yoruichi se arrepiou por inteiro ao sentir os dedos gélidos do médico tocarem sua nuca, e seu corpo parecia implorar por um beijo. Aquela provocação toda estava sendo mais torturante para ela do que para ele, mas a gata estava convicta de que ele iria ceder.
— Essa sua voz grave... Tão máscula... Ela me excita... Muito... Demais...
— É? E o que você pretende fazer a respeito?
— Nada. Apenas me beije... Agora. Neste exato momento. Ainda não entendeu que eu quero um beijo seu? Você todo me excita.
Sem mais esperar, Yoruichi beijou Ryuuken de forma invasiva, exigente e cheia de luxúria. Os dedos nervosos da gata se esgueiraram pelos fios claros, massageando a nuca masculina, deixando Ryuuken sem ar, e o mesmo retribuía com iguais gestos, subindo a mão até os ombros, enquanto a outra mão apertava a cintura dela com firmeza, puxando o corpo da gata de encontro ao seu, degustando toda a boca da morena com sua língua quente e habilidosa. Ele levantou-se subitamente, segurando a cabeça da Ex-Capitã com ambas as mãos, para que não perdessem o prazeroso contato por causa da diferença de estatura. Usando um rápido movimento, Ryuuken puxou Yoruichi pela cintura e ergueu seu corpo para se igualarem. Ele buscou ar, e sua boca separou-se da dela, descendo pelo pescoço parcialmente coberto pela blusa preta, fazendo a gata arfar ao sentir um beijo atrás de sua orelha. Jogou sua cabeça para trás, deixando escapar um gemido de prazer quando sentiu sua lingerie se molhar graças às habilidades perfeitas da boca do delicioso médico. Agarrou a gola do jaleco dele com força, fazendo o estetoscópio em seu pescoço ir ao chão.
Ambos se deliciavam um com o outro e apenas curtiam o momento. O Quincy era frio e calculista o bastante para se controlar e não cair na tentação, mesmo achando Yoruichi gostosa o bastante para desejar estar dentro dela com todo o seu vigor, mas não, ele não daria tal gosto a ela, não até que ela implorasse para que ele a fizesse sua. Separaram-se um do outro, vermelhos e ofegantes, e Ryuuken pegou seu estetoscópio de volta. Olhou para o espelho em uma das paredes e se viu com o cabelo bagunçado e o jaleco amarrotado. Passou a mão pelos fios prateados, que se alinharam sem esforço.
— Olha só como você me deixou... – Comentou um tanto sarcástico. — O jaleco é a vida de um médico, sabia? Ah, que jeito...
Tirou o jaleco e o pendurou num tripé ao lado de sua cadeira, trocando pelo seu paletó. Pegou sua maleta médica e abriu a porta da sala, deixando a morena confusa.
— Espere! Aonde vai?
— Não é evidente? Vou embora. Meu plantão já acabou faz tempo, e não se esqueça de apagar a luz e fechar a porta quando sair.
Yoruichi ficou pasma com a frieza de Ryuuken. Achava que ele se renderia em seus braços facilmente, mas ele a rejeitou como ela nunca antes fora rejeitada. Ele a desprezou como se aquele saboroso amasso não tivesse significado nada e ainda a deixou suada e molhada sem dar a ela o que queria. Aquilo foi demais para o seu orgulho, e ela o seguiu rapidamente. Foi para o lado de fora do prédio e o viu sair de carro. Usou shunpo e seguiu o médico sorrateiramente por cima dos prédios até chegar numa luxuosíssima mansão toda de cor branca trabalhada em mármore. Ryuuken colocou o seu carro azul como seus olhos dentro da enorme garagem, e Yoruichi entrou lá como um flash sem ser vista, ou, pelo menos, foi o que ela pensava. O Quincy pegou sua mala e seguiu para dentro de casa.
— Veio atrás de mim como eu tinha certeza de que viria. E agora? O que fará, Shinigami? Estou ansioso para descobrir. – O platinado pensou vitorioso.
Assim que entrou em sua casa, seu mordomo o seguiu até o escritório com uma bandeja em mãos. Ele trazia uma xícara de chá branco com algumas colheres de mel, como fazia todas as noites quando o patrão chegava, mas desta vez, a bebida foi rejeitada deliberadamente.
— Leve isto para a cozinha. Eu não quero. Quanto à você, quero que se tranque em seu quarto e não saia de lá por nada deste mundo até amanhã, ficou claro?
— Sim Senhor. Como quiser. Eu irei imediatamente.
Entrou em seu escritório e fechou o Notebook que tinha em sua mesa, guardando o mesmo dentro de uma gaveta na lateral da escrivaninha. Foi até uma estante onde havia um bar e se serviu de uma bela dose de whisky. Abriu o balde de gelo e colocou três pedras dentro da bebida. Pendurou seu paletó no cabide ao lado da cadeira, tal como fazia em sua sala do hospital. Relaxou em sua poltrona e começou a degustar o whisky lentamente, esperando com calma até que a morena resolvesse aparecer para continuar o joguinho de gato e rato contra ele. Afrouxou a gravata, abrindo os dois primeiros botões da camisa para ficar ainda mais à vontade. Apreciava a bebida em pequenos goles. Não tinha pressa, apenas curiosidade de saber qual seria o próximo passo de Yoruichi.
Enquanto Ryuuken aguardava pacientemente, Yoruichi saiu da garagem e começou a se aventurar pela mansão. Avistou o jardim e mais à frente uma piscina. Logo ao lado, em uma construção anexa, havia um grande galpão que parecia ser um salão de jogos. Ao ver o tamanho da construção, Yoruichi apenas pensou em como Ryuuken devia ser infeliz vivendo naquele lugar imenso, porém triste e vazio. Quando ela finalmente entrou na mansão, seus olhos brilharam ao ver todo o luxo e decoração da casa. Ao centro havia a escada principal de madeira mogno que contrastava com as paredes branco gelo. A escada tendia para a esquerda, dando acesso aos quartos do andar superior. A gata ficou na dúvida, pois não sabia se começaria a procurar nos quartos em cima ou em algum outro cômodo na parte de baixo da casa.
Seguiu pela direita onde encontrou a copa e a cozinha. Lá também estava o banheiro. Não encontrou o platinado em lugar algum e começou a procurar do lado esquerdo. Teve acesso a uma grande sala de jantar, e ao lado uma sala de TV. Seguiu pelo corredor e viu uma porta fechada. Colocou a mão sobre a fria maçaneta redonda da pesada porta de madeira e abriu devagar, dando de cara com Ryuuken sentado de costas para a porta, contemplando com orgulho a parede repleta de diplomas em seu nome, entre premiações e reconhecimentos médicos que ele tinha conquistado ao longo de sua carreira. Ela entrou sem fazer barulho, mas sua presença foi facilmente percebida pelo Quincy.
— Eu sabia que voltaria, Shinigami. E devo dar-lhe os parabéns por ter me seguido até aqui tão habilmente. Sabe, eu estava aqui pensando que poderia apostar todos os diplomas que estão nesta parede que você viria atrás de mim. – Falou altivo, virando a cadeira para olhar para ela.
— Mas você é mesmo muito convencido. Acha que eu estou aqui por sua causa? Eu voltei pelo Ishida-kun.
— Vou fingir que acredito. Você disse na minha cara que queria transar comigo. Não venha dizer agora que voltou a me incomodar por causa do meu filho.
— Hahaha! – A gata gargalhou alto. — Não me faça rir! Pelo jeito o seu ego é maior do que você próprio. Não se ache tão importante assim porque você não é. Não suporto homem que se acha.
— Empatamos, já que você também não fica atrás. Está irritada assim porque achou que eu cairia no seu truque, mas como você não esperava que eu fosse te desprezar, está mordida, pois o seu orgulho de mulher foi ferido.
— Maldito! Parece até que ele lê a minha mente. – Yoruichi pensou por longos instantes em silêncio.
Ao ver que ela não ia dizer nada, Ryuuken pegou a garrafa de whisky de dentro de seu bar e se serviu de outra dose. Parou na frente de Yoruichi, bebendo o líquido enquanto a olhava com uma expressão cínica e vitoriosa. Sabia que tinha razão no que disse, mas também não ficaria a noite toda esperando um posicionamento da mulher, que o olhava de maneira assassina, pois não conseguia pegá-lo de guarda baixa. O pior de tudo era que ele estava terrivelmente sexy bebendo daquele jeito enquanto a olhava com seus penetrantes olhos azuis, e sentir como ele mexia consigo a irritava mais ainda.
— Mas que falta de educação a minha. Quer um copo de whisky? Eu preparo uma dose para você. – Ofereceu sério em tom sarcástico, irritando mais ainda a bela morena.
Sem responder, ela pegou o copo da mão dele, bebendo todo o whisky em um único gole, colocando o copo sobre a mesa de forma nada gentil.
— Você é muito cheio de si, não acha?
— Não acho nada. Foi você que veio atrás de mim.
— O seu cinismo é irritante. De que adianta ter essa parede cheia de diplomas e essa mansão maravilhosa se você não é feliz? Dá para ver na sua cara e nos seus olhos o tamanho da sua frustração e amargura. Aposto que se você baixasse um pouco a guarda e essa sua crista de bonzão, iria deixar de ser tão mal amado, seu idiota! – Exclamou revoltada diante de tanta petulância.
Ryuuken fechou a expressão, e sua fisionomia, antes cínica, deu lugar a um semblante irritado. Desta vez a gata atingiu o seu objetivo de deixar o médico irado ao tocar na ferida do Quincy.
— Já chega de palhaçada! Se acha muito mulher para me insultar desse jeito. É bom que saiba com quem está se metendo, pois as consequências do que faz podem se voltar contra você. Eu já ouvi o bastante por hoje de uma mulher desconhecida, mal educada e intrometida. Suma da minha casa, Shinigami. E nem pense em voltar a me procurar. – Disse indignado ao encará-la seriamente.
— Sim. Você está completamente certo. Eu vou embora daqui agora mesmo, porque um pai que é incapaz de ajudar um filho quando ele precisa é uma pessoa desprezível, um ser incapaz de sentir qualquer apreço por alguém que ele mesmo colocou no mundo... Você nem sequer é digno de pena. É uma pessoa pequena e mesquinha que acha que todo mundo deve ser obrigado a viver segundo as suas regras. Adeus, Ishida Ryuuken, e espero sinceramente não vê-lo nunca mais. – Ela respondeu igualmente indignada, dando a volta nos calcanhares, quase alcançando a maçaneta para sair, mas foi interceptada por ele, que a puxou pelo braço e a virou rapidamente, empurrando a gata pelos ombros, a imprensando na porta de maneira brusca.
— Você não vai a lugar algum! Acha que vai sair daqui tranquilamente depois do que acabou de dizer na minha cara?
Aquela foi a primeira vez em sua vida que Yoruichi Shihoin se sentiu verdadeiramente encurralada. Sentiu o hálito da bebida alcoólica emanando dele se misturar ao seu próprio, e a forma como ele a lançou contra a porta fez suas pernas fraquejarem por alguns instantes, e o olhar implacável daqueles orbes azuis a deixavam inquieta, perturbada, mas ao mesmo tempo rendida, fascinada e atraída. Praguejava todos os nomes possíveis dentro de sua mente, pois apesar de tudo, Ryuuken era misterioso, lindo e atraente a ponto de conseguir tirá-la do sério até fazê-la perder o controle. O que aquele homem enigmático teria para deixá-la daquela maneira?
— Me solte, seu desgraçado! Acha mesmo que eu não posso me defender perfeitamente de tipos assim? É você quem deveria tomar muito cuidado com quem está se metendo, seu Quincy estúpido! – Falou alterada ao empurrá-lo.
O platinado foi lançado para trás, mas teve tempo de segurar o pulso da gata novamente, que se soltou de imediato e encheu a mão, acertando um tapa no rosto do médico. Ele a olhou de lado e sentiu seu sangue ferver como nunca antes. Tirou seus óculos devagar, e colocou o objeto em uma parte da estante atrás de si. Usando um movimento rápido, que foi difícil até para Yoruichi acompanhar, Ryuuken estreitou a distância entre eles, puxando a nuca da bela com força e a envolveu em um beijo ardente, sem dar a ela chance alguma de resistir.
Invasiva e quente... a língua de Ryuuken passeava por toda a extensão da boca de Yoruichi, que ainda tentava pegar um pouco de ar e de sanidade também. Tentava resistir, se debater, mas não adiantava. A gata estava presa como um animal contido em uma jaula, lutando desesperadamente para se soltar. A mão direita do Quincy segurava a parte de trás da cabeça da Ex-Capitã com força, aprofundando mais ainda o extasiante beijo que trocavam. O braço esquerdo envolvia o tronco da mulher, que rendida, só conseguiu puxar a gravata do Quincy com força, livrando-se do acessório ao jogá-lo para longe, colocando sua mão por dentro da camisa aberta, sentindo um arrepio subir por sua espinha quando seus dedos experimentaram a maciez da pele do peito do desejoso homem. Suas pernas tremiam, suas vontades não eram mais suas. Apenas se entregou ao momento. Odiava admitir, mas aquele homem pareceu tocar sua alma como nunca antes. Desejava fugir dali, não sem antes encher o rosto dele de tapas e arranhões, mas não conseguia. Estava mais do que rendida aos encantos daquele homem sedutor, que com apenas um olhar frio de seus olhos azuis conseguia desestruturá-la. Fez uma aposta e perdeu, pois gostou mais do que podia, do que deveria, e agora, enfrentaria as consequências de suas provocações, pois fugir estava fora de cogitação.
O mesmo acontecia com Ryuuken. Por mais que aquela mulher desconhecida o tivesse insultado, criticado e julgado sua vida pessoal, nenhuma daquelas ofensas importavam, pois Yoruichi era enigmática. Aquela audácia, aquela coragem, e sua altivez de se impor a ele de uma forma tão decisiva e até arrogante o encantou. Os olhos dourados da morena escondiam uma luxúria sem igual, e ele podia ver claramente que tal sentimento era provocado por ele. Não era vaidade, tampouco soberba, ele apenas sabia o que despertava nela. Também sabia que tudo o que ela disse era verdade. No fundo de seu coração, o médico sabia que estava sendo duro com Ishida, mas seu orgulho não lhe permitia voltar atrás, e não era por achar que estava certo em sua imposição, mas é porque ele se importava com o seu filho. Seu maior medo é ver Uryuu morto em alguma batalha sem sentido, e definitivamente o seu envolvimento com Shinigamis não lhe agradava nem um pouco. Os pensamentos do belo homem foram interrompidos quando os lábios dela se separaram dos dele por breves instantes, quando o intenso beijo deu lugar a alguns selinhos que ele não tinha intenção alguma de parar. Queria aquela mulher e a faria sua, e faria por vontade dele mesmo, sem se importar se ela queria resistir ou não.
— Ry... Ryuuken... – Tentava falar, nos breves momentos em que ele deixava sua boca livre. — Não faça isso... me deixe ir embora. – Suplicava inutilmente.
— Você não vai. – Sussurrava sedutor, beijando todo o pescoço da gata, que parecia implorar por clemência. — A culpa é toda sua. Quem mandou me provocar? Gosta de médicos? Gosta da minha boca? Então você não vai sair daqui até que eu lhe dê o que você quer.
— Não... de que adianta você ser... tão lindo, tão atraente, se o seu coração é tão fechado? – Falava entre gemidos e tentativas de recuperar o ar, pois seu corpo inteiro já estava em chamas ao receber tais carícias. Sua intimidade reagia involuntariamente, e por mais que quisesse evitar, já se sentia gostosamente molhada, provando toda a malícia daquela boca que ela já sabia ser deliciosa só de olhar.
— Diga o que quiser de mim, não me importo, mas vai negar que eu te excito? Vai negar que seu corpo está em chamas, e que provavelmente você está toda molhada de tesão por mim?
— Não vou negar... nada. – Falou cheia de desejo.
Separou-se dela, passando por trás, trancando a porta do escritório a chave. Apesar de ter ficado apreensiva com tal atitude, Yoruichi não se importou. Entrou no jogo e agora iria até o fim, pois não era mulher de fugir de nada. Mais uma vez ele pegou a garrafa de whisky e tornou a encher o copo.
— Quer mais? – Perguntou despretensioso.
— Planeja me embriagar para depois me levar para a cama?
— Como se eu precisasse usar tais táticas baixas para levar uma mulher para a cama. Além do mais, nem sequer precisamos de cama. Já que vamos transar, aqui mesmo está ótimo, e isso torna as coisas bem mais excitantes.
— Está lendo os meus pensamentos, Quincy?
— De onde tirou isso? Eu não sou um paranormal.
O platinado foi até a estante e abriu uma pequena gaveta de onde tirou um bisturi. Admirou o pequeno objeto por algum tempo, deixando Yoruichi ainda mais intrigada e seduzida com tanto mistério.
— Sabia que este é o meu instrumento favorito? Para mim é como se significasse a vida. Ao abrir o corpo de um ser humano, podemos desvendá-lo por dentro, admirá-lo, e por fim, salvar sua vida. Não há nada mais fascinante.
— E o que vai fazer? Vai me operar também como uma de suas pacientes? – Debochou sarcástica.
— Mas é claro que não. Há métodos melhores que eu posso usar com você.
Ficou de frente para ela, com a mão no queixo e um sorriso malicioso nos lábios, deixando Yoruichi ainda mais confusa. Ele a olhou com desejo e ergueu a mão direita, apontando o indicador para cima, onde uma luz azul de Reishi se formou na ponta de seu dedo. Rapidamente ele desferiu um golpe preciso do pescoço para baixo na vertical em Yoruichi, que piscou os olhos assustada, achando que tivesse sido cortada ao meio pelo pequeno feixe de luz. A surpresa dela se intensificou quando suas roupas foram ao chão, deixando-a apenas com o conjunto de lingerie branca que usava, o mesmo que comprou com Kukkaku dias atrás.
— O que você fez? – Perguntou perplexa.
— Suas roupas estão me atrapalhando, e eu detesto coisas que me atrapalham.
— Mas eu não entendo... Como você fez isso? – Questionou novamente, pois ela mesma estava intacta e apenas suas roupas foram cortadas.
— Surpresa? Sendo uma Shinigami, imagino que saiba a respeito dos poderes de um Quincy. Eu posso manipular o Reishi ao meu redor da forma que eu quiser, portanto, não é nada difícil ter um bisturi na ponta do meu dedo. – Explicou.
— Impressionante! A habilidade dele é incrível! Se ele tivesse mesmo a intenção de me matar, eu poderia ter sido cortada ao meio. – Pensou ainda atônita.
Mas a preocupação de Ryuuken era outra. Seus olhos brilharam e seu coração disparou Diante de tanta perfeição feminina. As meias brancas com rendas no topo das coxas grossas, os quadris largos, a cintura delgada e o volume dos seios dentro daquele corpete branco contrastando com a pele morena o deixaram louco. Lambeu os próprios lábios sedutoramente, e seu corpo todo esquentou só de olhar. Se aproximou e andou em volta da ainda paralisada gata para contemplar toda a extensão daquele corpo perfeito, que mesmo sem seus óculos, ele podia enxergar muito bem. Yoruichi já estava nervosa, impaciente. Aquele clima todo era torturante, e ela estava tensa, pois ele não ia direto ao ponto. Suspirou quando as mãos dele abraçaram sua cintura por trás, e um violento arrepio logo veio quando seus seios foram envolvidos em uma massagem sexy e excitante pelas habilidosas mãos do Quincy, arrancando gemidos ainda mais altos dela ao mesmo tempo em que sua intimidade pulsava descontroladamente em um tesão arrebatador e quase impossível de controlar.
— Você é muito...
— Gostoso. – Completou cínico.
— Não. Você é cruel. Como se atreveu... aaarrrnnn... A fazer isso? – Falava pausadamente entre um gemido e outro.
— Tirar suas roupas? E qual o problema? Por acaso pretende transar vestida? Pois saiba que assim você está bem melhor. O branco lhe cai perfeitamente bem. Eu adoro esta cor, esse contraste excitante com a sua pele... O cheiro dela... O gosto... – Dizia sedutor, lambendo a parte de trás de uma das orelhas dela.
A morena deu outro gemido ainda mais alto e se contorceu levemente antes de continuar.
— Seu convencido. Você é desprezível.
— Sou mesmo. Sou desprezível, convencido, arrogante, cafajeste¹, insensível e tudo mais que você quiser... Mas você gosta. Confessa, Shinigami.
— Gosto... Adoro...! Você todo me excita... Me deixa louca... – Sussurrava devagar enquanto recebia beijos no pescoço, lambidas na orelha e carícias quentes em seus seios, que a deixavam enlouquecida, ainda que por cima da lingerie.
— Você é muito boa. É deliciosa... – Declarava em seu ouvido.
Aquela voz grave e sexy falando tão perto deixava Yoruichi sem ar, sem chão e louca de desejo. Queria aquele homem cada vez mais, e não via a hora de tê-lo dentro de si.
— Você ainda não viu nada. — A gata desafiou.
— Está esperando o que para me mostrar? — Questionou audacioso.
Obedeceu ao provocante convite e virou-se para ele. Levou suas mãos aos ombros largos e o empurrou até ele ir parar em cima da mesa, onde sentou com as pernas abertas. Sem demora, a gata também abriu as pernas e sentou na coxa direita dele, levando as duas mãos até a nuca prateada, acariciando os fios lisos com intensidade ao mesmo tempo em que sua língua invadiu a boca do Quincy com rapidez, provando cada canto de seu interior em mais um beijo carregado de paixão e necessidade. Continuaram envolvidos neste longo e gostoso contato. A mão de Ryuuken pegou na nuca de Yoruichi e puxou o laço que prendia seus cabelos, fazendo as longas madeixas roxas caírem sobre ambos. Seus dedos passeavam tranquilamente pelos longos cabelos escuros, e suas mãos desceram pela cintura de encontro às nádegas "cobertas" por nada além de uma pequena tanga branca e quase transparente. Apertava os glúteos com vontade e fervor, sentindo cada gota de tesão emanar dela, tendo a intimidade da Ex-Capitã apoiada sobre sua perna, mesmo sob as roupas. Yoruichi vibrava com as carícias ousadas do belo médico, e suas mãos felinas chegaram à abertura da camisa, e sem se importar, abriu a peça de roupa com desespero, fazendo alguns botões da caríssima camisa voarem para longe, e o resto da camisa ter o mesmo destino. Acariciava as costas largas com seus dedos insistentes arranhando a pele alva. A ardência em suas costas fez o Quincy dar um alto gemido de dor misturado ao imenso prazer que sentia.
— Você é selvagem, Shinigami.
— Eu sou uma gata. Pense em mim com uma gata selvagem sedenta de prazer, sedenta desse seu corpo divino. Me devora... me devora... gostoso.
Disse tudo aquilo no ouvido dele, dando uma leve mordida no lóbulo da orelha esquerda, abraçando a lateral do rosto e parte da nuca com sua mão, dando leves puxadas nos cabelos claros, que já se encontravam levemente úmidos de suor por causa do imenso calor que sentia. As carícias exigentes dela o fizeram jogar a cabeça para trás e gemer feito louco, e ela aproveitou para beijar novamente aquela boca gostosa, dando uma mordida leve no lábio inferior do Quincy. Sentiu seu membro rígido pulsar inquieto por debaixo das roupas e Yoruichi sorriu satisfeita ao agarrar a fivela de cinto, o desatando com rapidez e puxando o zíper da calça. A gata pegou o copo de whisky ainda cheio, que por milagre se encontrava em cima da mesa intacto, e deu um longo gole, bebendo a metade de uma só vez. Saiu de cima dele e puxou sua calça com toda a força até livrá-lo da inconveniente vestimenta. Ver como o platinado estava excitado através da apertada cueca branca fez Yoruichi ter um gostoso calafrio. Pegou a roupa com ambas as mãos, mas foi detida por ele, que pegou o copo e terminou de beber o whisky, jogando o mesmo no canto da sala, quebrando em pedaços.
— Calminha, sua pantera selvagem. Ainda vamos nos divertir muito antes disso. – Disse malicioso, dando um breve beijo de língua na morena, fazendo suas salivas se misturarem ao gosto do álcool.
Suspendeu a gata com seus fortes braços e a deitou sobre a mesa, jogando no chão todos os papéis sobre ela, incluindo o sofisticado abajur, que foi parar no canto junto com o monte de cacos de vidro que antes foram um copo. Ela deitou de frente com as pernas dobradas e os pés apoiados por cima da mesa. Ryuuken se posicionou na ponta e abriu as pernas dela, fazendo ousadas carícias que subiam por sua canela até chegar na coxa direita, enfeitiçado pelas diferentes texturas da meia e da pele gostosa dela. Começou a beijar a parte de dentro de uma das coxas e puxou a renda da meia, soltando em seguida, provocando uma deliciosa dor. Avançou pela virilha até chegar em sua intimidade, ainda pouco coberta pela pequena calcinha, beijando também a região que ele sentiu quente e pulsante só de encostar os lábios. Puxou a fina tira da peça e fez o mesmo do outro lado, rasgando e a atirando para longe de qualquer jeito.
— Seu tarado espertinho! Desse jeito eu vou ter que voltar para a casa nua. – Retrucou fingindo indignação.
— É um preço baixo a pagar, por isso apenas relaxa... e goza, no sentido literal.
Ao dizer isso, colocou com tudo dois dedos dentro dela de repente, fazendo-a gritar.
— Aaaarrrnnnn! – Gritou carregada de tesão diante da invasão repentina.
— Você está perfeita... Bem como eu gosto. – Concluiu ao tirar os dedos embebidos com o doce fluido que vinha dela.
Aproximou o rosto e começou a lamber a região, atingindo estrategicamente os melhores pontos de seu clitóris, fazendo a gata vibrar de loucura e se debater como uma felina no cio ao atingir um poderoso e quase instantâneo orgasmo, jorrando todo o resultado na boca do platinado, que continuou lambendo e dando leves mordidas nos grandes lábios ao som dos gritos de Yoruichi, que continuava se debatendo segurando-se na mesa, enquanto ele a segurava pelos quadris.
— Ryu... Ryuuken... – Sussurrava baixo entre burburinhos incompreensíveis.
— Seu gosto é tão bom e excitante quanto você. Recomponha-se, gata. Nós mal começamos.
Puxou-a pelo braço, e ela ficou sentada, ainda sobre a mesa, enquanto ele se pôs de pé. Apoiou as mãos nos ombros do Quincy e puxou a si mesma para a frente, colando sua intimidade molhada no abdômen sarado e cruzando as pernas em torno de sua cintura, prendendo-se nele. Como médico, Ryuuken ouviu de longe as palpitações do coração de Yoruichi, que ainda não tinha se recuperado do primeiro orgasmo. Os corpos de ambos estavam suados e ofegantes, e Yoruichi abraçou Ryuuken, pousando a cabeça no ombro dele para relaxar, beijando e respirando fundo, captando ao máximo e com todos os seus sentidos o gosto e o cheiro da pele dele.
— Descanse. Porém, ainda é cedo demais para dormir.
O Quincy abriu o zíper do corpete, e por fim pôde sentir em seus dedos a maciez e textura provocantes das suadas costas nuas. Ela fazia o mesmo, dedilhando as costas dele com audácia. Se afastou um pouco para olhar bem para ele, e o mínimo que emanava de seus olhares era fogo e desejo um pelo outro. Yoruichi terminou de retirar a parte de cima de sua lingerie, ficando totalmente nua, restando apenas as meias que não faziam diferença, para o deleite de Ryuuken, que vibrou ainda mais ao ter uma visão completa dos perfeitos, e certamente apetitosos seios morenos. Sua boca foi de encontro ao meio deles, e Yoruichi se jogou para trás, apoiando-se com os braços na mesa. A língua do platinado se posicionou entre os seios dela, e ele os pressionou para dentro com ambas as mãos a fim de juntá-los, enquanto a lambia com desejo. A reação dela não era outra senão arfar para trás, sacudindo os longos cabelos e sentindo em cada canto de seu corpo um prazer incomparável que nunca sentiu com nenhum outro homem, nem mesmo em todos os seus séculos de vida. Massageava ambos os mamilos rígidos de tesão, como quem degustava a mais deliciosa das frutas. Levou as mãos novamente entre as costas morenas, e uma delas subiu até a nuca, invadindo os fios lisos para mais uma vez unirem seus lábios.
— Me leva... para a sua cama. – Pediu entre um beijo e outro. — Quero que me possua na sua cama.
Ryuuken deu outro beijo fervoroso em Yoruichi como resposta e destrancou a porta. Tomou-a em seus braços e seguiu com ela para fora do escritório. Ela passou seu braço em volta do pescoço dele, aninhando o rosto no peito alvo e forte, como uma criança carente de proteção. Ele sorriu sincero, pois nunca imaginaria tal reação "doce" vindo dela, que permanecia de olhos fechados enquanto ele seguia com ela nos braços escada acima rumo a seu quarto.
Abriu a porta com um chute e bateu de qualquer jeito. Ao abrir os olhos, a morena ficou admirada com o quarto. Era muito espaçoso. Ao centro estava a enorme cama redonda com lençóis brancos e dois travesseiros de igual cor. Do lado direito, a janela, ao lado dela, uma estante repleta de livros e ao lado um closet. Na outra parede havia uma porta que dava para a suíte e do outro lado da cama, uma confortável poltrona marrom claro completava o ambiente. Era um quarto luxuoso, porém de aparência simples ao mesmo tempo. Ele a colocou sobre a cama com cuidado, sendo extremamente atencioso, e tal gesto encantou Yoruichi. Retirou a única peça que o impedia de ficar nu, e a gata teve a mais magnífica das visões, admirando de queixo caído cada pedacinho do corpo lindo e másculo de Ryuuken, cujo membro ereto e grosso deixou a gata com água na boca.
— Quero você de quatro, gata. – Disse autoritário.
Não sabia o que estava acontecendo com ela mesma. Sempre gostou de estar no controle de todas as situações, e no sexo não era diferente. Yoruichi gostava de estar por cima, de comandar, mas com ele tudo estava sendo diferente, a começar pela primeira vez que colocou os olhos nele naquela noite. Não conseguia dizer "não". Apesar de toda a prepotência, autoritarismo e altivez daquele homem, ele era, de longe, o melhor, o mais delicioso, enigmático e incrível que já tocou seu corpo. Obedeceu como uma gata domada, ajoelhando na frente da cama, abrindo os braços e colocando os seios sobre ela. Ele ajoelhou colocando-se frente à ela e a penetrou com tudo, entrando de uma vez, fazendo ambos gritarem de luxúria diante daquela maravilhosa sensação de união completa. Ele a segurou pela cintura, puxando e empurrando o corpo dela, tendo total controle do ato, aumentando cada vez mais a intensidade. Cada vez que entrava, sentia com mais força as contrações da vagina dela, que o pressionava com mais vigor, deixando o médico alucinado de tesão. Extasiado, colocou a cabeça para trás, revirando os olhos, explodindo de prazer, investindo cada vez mais forte dentro dela, chegando ao orgasmo, e deixando Yoruichi exaurida ao sentir o gozo dele dentro de si, chegando ao clímax mais uma vez, quando ambos deram um forte grito.
O Quincy se debruçou sobre a Ex-Capitã, fechando as mãos nos pulsos dela sobre a cama como se a estivesse prendendo. Continuava transando de forma mais calma, e ele beijava as costas, o pescoço e o rosto dela com doçura. Sem perceber, seu comportamento mudou. Foi como se o prazer, a luxúria e o fogo inicial dessem margem a outro tipo de sentimento. Algo mais calmo, mais terno. Poderia ser carinho, afeto ou até amor, quem sabe...
Separaram-se, e subiram na cama, onde deitaram da melhor forma, acomodando suas cabeças nos travesseiros. Exaustos, tentavam recuperar um pouco de energia. Yoruichi chegou mais perto, deitando à esquerda dele, pousando a cabeça em seu peito, ouvindo seu coração. Estava acelerado. Aquele carinho era inesperado, e ela levantou um pouco, beijando a desejosa boca do platinado. Aquele beijo foi diferente de todos os que trocaram naquela noite. As mãos da morena acarinharam o abdômen esculpido até novamente chegarem em seu rosto. Os toques dela agora eram mais doces, cuidadosos, e o encontro entre suas línguas era tranquilo, mais singelo e delicado. Nenhum dos dois entendia seus sentimentos naquele momento, mas não importava, pois adormeceram depois de um longo tempo trocando beijos e afagos gentis sem dizer uma palavra.
Horas depois, por volta de cinco da manhã, prestes a amanhecer, Yoruichi despertou. Olhou bem para Ryuuken. Não conseguia parar de olhar, hipnotizada pela beleza singular dele, que dormindo tranquilamente, nem parecia o homem soberbo e duro que se negava a ajudar seu filho horas atrás. Mas não importava. Guardaria aquela noite em sua memória até o fim de sua vida, mas não era hora para isso. Foi até a suíte e tomou uma chuveirada. Procurou no banheiro algo que pudesse usar para escrever um recado para ele no espelho. Abriu o armário abaixo da pia e só o que viu foi a pasta de dentesc. Passou a pasta em seu dedo e com ela escreveu um recado para ele. Voltou ao quarto e foi até o closet. Pegou uma camisa preta e um sobretudo dele e se vestiu assim mesmo. Antes de sair, aproximou-se dele devagar e se despediu com um carinhoso selinho, saindo do quarto em seguida. Desceu as escadas e voltou ao escritório onde pegou seus sapatos, que foram as únicas coisas que ficaram intactas, e saiu com um estranho sentimento de pesar e um incômodo aperto em seu coração.
Em seu quarto, Ryuuken despertou quase meia hora depois que Yoruichi saiu. Olhou para o lado, e ao ver a cama vazia, não se surpreendeu. Mas algo nele tinha mudado. Já estava acostumado a amanhecer com sua cama vazia, mas naquela ocasião, ele se sentiu estranhamente triste. Baixou o olhar e levantou da cama em direção ao banheiro, ficando pasmo com o que viu ao olhar para o espelho.
"Jamais esquecerei o que vivemos aqui hoje. Você foi incrível, o melhor. Foi único. Não é à toa que sempre tive uma tara por médicos. Mas foi apenas isso. Adeus, Ishida Ryuuken. – Yoruichi Shihoin".
Sentiu que algo tinha mudado em seu coração enquanto ficava com ela, mas ler aquele recado sem ter podido amanhecer ao lado dela e se despedir adequadamente o fez compreender que ele fora tratado como um mero objeto, e aquilo o magoou, como se um espinho tivesse sido cruelmente cravado em seu peito.
— Pois bem... você tem um invejável e eficaz poder de persuasão, Yoruichi Shihoin. – Concluiu triste ao perceber que ele estava condenado a acordar pelo resto de sua vida com a cama vazia.
Enquanto isso, Yoruichi caminhava sozinha pelo ainda escuro da madrugada em direção à loja de Urahara. Chorava silenciosamente enquanto andava a passos lentos abraçada as roupas que vestia, pois não queria que o cheiro dele saísse de si. Estava confusa, sem saber o que tinha acontecido com sua mente, corpo e coração naquela noite, mas de uma coisa ela podia ter certeza: daquela noite em diante, ela jamais seria capaz de esquecer aquele homem...
つづくcontinua...
Nota¹: quando Ryuuken refere-se a si mesmo como um cafajeste, quis dizer no sentido de ser atrevido, provocador, já que as outras definições da palavra nada tem a ver com a personalidade dele. É só uma nota básica para que não haja mal-entendidos.
Pois é, queridos... Eu sinceramente não sei de onde me veio a ideia de juntar Ryuuken e Yoruichi, mas amei os dois e espero que gostem também e que tenham curtido o primeiro hentai da fic. Tomara que o primeiro casal a ir às forras, embora muito improvável, mas que eu amo de todo o coração, não tenha decepcionado. Mas por que um hentai com um casal que nem ao menos se conhecia? Simples. Porque eu quis fazer algo diferente com eles, pois o desenvolvimento da relação deles será feito posteriormente, então tive vontade de fazer um casal oposto dos demais.
Beijos e até o próximo capítulo!
