Capítulo 20 – Perdão

— Sakanade...

A Zanpakutou de Shinji foi liberada e sua lâmina se converteu, aproximando-se perigosamente da jovem Tenente, que ainda entorpecida pelo inocente abraço do qual desfrutava, nada percebeu. Os braços do loiro, que a segundos atrás a envolveram com proteção, agora estavam prestes a lhe tirar a vida. No rosto de Shinji, a máscara imponente do Faraó custava a se formar completamente, pois o Vizard lutava de todas as formas e em silenciosamente contra essa possessão maldita que ele não invocou. Não o deixaria vencer. Não machucaria a aparente mulher frágil que lhe abraçava com toda a ternura do mundo. Não... Ele definitivamente não iria permitir isso. Os olhos, agora dourados, oscilavam entre essas cores e sua cor original, expressando toda a luta que Shinji travava dentro de si mesmo. As escleras brancas estavam negras, e eu sei lá vão novamente para o branco, tamanha era a sua batalha interior. Com toda a força que possuía mentalmente, Hirako afastou Nanao de si, enquanto a assustada Shinigami olhou para ele incrédula, ao vê-lo com sua espada em punho e metade do seu rosto coberto pela máscara. Por um momento ela ficou paralisada e não conseguia dizer nada. Apenas sabia que precisava fazer alguma coisa. Precisava ajudar, mais do que isso, ela desejava ajudá-lo do fundo do seu coração. E com este pensamento, a morena saiu de seu Gigai e se colocou em uma posição defensiva. Shinji não conseguia dizer nada coerente. Derrubou a Sakanade, e levando as duas mãos ao topo de sua cabeça, ele se debatia como podia, gritando desesperado numa tentativa de recuperar o controle de sua mente. Nanao observava tudo tomada por um sentimento de revolta, pois não achava justo algo tão terrível assim estar acontecendo com alguém como ele por culpa de um canalha que não valia nada e só soube causar destruição e dor por onde passava. A consciência de Shinji oscilava entre poucos momentos de sanidade e o controle de seu Hollow. Quando focou os olhos em Nanao, um desespero maior tomou conta de si, e ele só conseguia gritar.

— Nanao-chan, saia daqui depressa! Fique longe de mim!

Foi tudo o que ele conseguiu dizer antes de seus olhos serem completamente tingidos de preto e dourado, e a máscara do Faraó preencher o seu rosto por completo.

— Hirako-san... – Lamentou, mas estava decidida a fazer alguma coisa, e faria o que fosse preciso para pará-lo.

Pegou a Sakanade do chão, e emanando uma Reiatsu destrutiva, se aproximou como uma fera para cima da Tenente com a clara intenção de atacá-la com a espada. Fazendo um terrível esforço, Nanao desviou do ataque do Ex-Capitão, cuja velocidade fora inimaginável. Ela gastou muita energia somente para desviar daquela velocidade tremenda, ao passo que o golpe da espada destruiu um imenso bloco de concreto, quase atingindo suas próprias roupas. A morena cria piamente que não conseguiria desviar novamente, e que só havia uma coisa que ela poderia fazer naquele momento.

— Bakudou Número 61: Rikujōkōrō!

Os seis feixes de luz paralisaram o Vizard descontrolado e sua mão tremia para tentar atacar a Shinigami, que o olhava de longe aliviada, por ter pensado rápido e sua tentativa ter dado certo. Ele gritava e se debatia novamente, mas foi em vão, pois não conseguia se mover. Ela percebia que os olhos dele transmitiam uma raiva extrema, mas não eram os olhos dele. Eram os olhos de seu Hollow interior. Aquela criatura do mal que atormentava a mente e o coração de Shinji e não o deixava pensar, agir nem viver direito. Convicta de que ele era mais forte do que aquele ser maligno que se apossava de si, Nanao se colocou na frente de Hirako e pegou sua Zanpakutou do chão, colocando o objeto de volta na mão dele e unindo as duas na frente de seu tronco juntamente com suas próprias mãos, posicionando a lâmina da espada bem próxima ao seu próprio corpo. A partir daí uma luta mental começou enquanto a criatura tentava em vão se mexer, comprimida pelo poder do Kido.

— Hirako-san, eu confio em você. Acredito na sua força, e sei que irá vencer essa maldade dentro de você. Afaste esses sentimentos negativos da sua mente, e, acima de tudo, aceite quem você é agora e se perdoe. É apenas isso que você precisa fazer. Se perdoar... Se perdoar de uma culpa que você nunca teve e que não precisa carregar sozinho.

Aquelas palavras soaram como um filme na cabeça do loiro. Desde o acontecido, Shinji carregou uma terrível culpa dentro de seu coração. Um sentimento negativo contra ele mesmo, pois nunca se perdoou por ter cometido o erro grotesco de se deixar enganar pelo mau caráter que tinha como Tenente. Todos os dias ao acordar, ele repetia para si mesmo que nunca se perdoaria por tal engano. Não era por ele. Ele mesmo não importava. O motivo de sua angústia era ter envolvido outras pessoas no assunto que era somente responsabilidade sua, e esse era o motivo pelo qual ele não conseguia se perdoar. Não se considerava digno de nada, mas sentiu no íntimo de sua alma que o que Nanao dizia era mesmo verdade. A lâmina da Sakanade tremia frente ao tronco da Tenente, mas ela em momento algum sentiu medo. Confiava nele, e não sairia dali até que ele recuperasse completamente sua sanidade. Embora seu Hollow interior fizesse uma força gigantesca para tentar se libertar do Rikujōkōrō, os olhos dele se mantinham fixos nos olhos da linda morena. Olhos estes que ele apreciava com adoração desde que a conheceu, olhos estes que tinham uma cor linda e um poder sem igual de encantá-lo e deixar seu coração em paz. Estava perdido, desorientado até pouco tempo atrás, e mesmo ficar ao lado de seus amigos se tornou algo impossível. Mas tudo isso caiu por terra quando ele a conheceu a tão pouco tempo, como se aqueles olhos cor de lavanda funcionassem como um farol e iluminasse o caminho escuro por onde ele estava passando naquele momento. E foram nestes olhos que ele se guiou, liberando sua Reiatsu com toda a força que possuía dentro de seu ser, e sobrepujando o poder do Kido, ele se libertou, fazendo a lâmina de sua Zanpakutou tocar levemente o pescoço de Nanao, que sangrou de forma fraca. Aquela foi a primeira vez que a Tenente sentiu medo, mas em momento algum moveu sequer um passo dali. Prometeu a si mesma que se manteria firme, sem se importar com as consequências que isso poderia acarretar, e mesmo que tivesse que morrer tentando, ela preferia morrer junto dele. Quando os feixes do Rikujōkōrō se quebraram em pedaços, os olhos de Nanao foram tomados por lágrimas. Naquele momento ela pensou que seria o fim, e já previa seu corpo sendo retalhado pela Zanpakutou a sua frente. Fechou os olhos apertando-os com força já temendo o pior, mas os abriu de volta logo em seguida, ao ver que o pior não tinha de fato acontecido. O que ela viu foi vários pedaços da máscara de ossos se desfazerem frente a si, restando apenas uns poucos fragmentos acima dos olhos de Shinji, que permaneciam pretos e dourados.

Sem entender o que aconteceu, a Shinigami olhou bem ao redor e viu que ele mesmo rompeu a máscara com a ponta de sua espada, recuperando assim o controle sobre sua mente e suas ações. Sentindo uma tontura fora do comum, os olhos de Shinji se fecharam e ele caiu para a frente, fazendo seu rosto ficar a milímetros do rosto de Nanao, que ruborizada, sentiu sua respiração se misturar com a dele, e sem mais resistir, segurou os fios dourados com ambas as mãos e uniu seus lábios aos dele em um beijo doce, livre de qualquer medo ou hesitação. A Sakanade foi ao chão, e a mão que a segurava envolveu a fina cintura feminina de forma discreta e suave, e seu outro braço enlaçou os ombros da garota. Os lábios de Shinji estavam trêmulos e sua mente um caos, como se o seu cérebro tivesse sido partido em milhares de pedaços. Mas isso não importava naquela hora. Só o que importava era o agora. Aquele momento tão bonito que estava vivendo. O beijo de Nanao era inocente, puro e transmitia toda a transparência de sua alma. Suas línguas dançavam devagar e timidamente dentro de suas bocas como se estivessem explorando um território novo e desconhecido, mas não menos gostoso e quente. Seus corpos tremiam, seus corações estavam acelerados, e borboletas saltavam em seus estômagos. Era difícil de acreditar, mas tinham se apaixonado, e por um motivo muito simples: se aceitaram. Se separaram devagar com os rostos vermelhos e ofegantes, enquanto Nanao via o resto da máscara se desintegrar e os olhos do loiro voltarem a sua linda cor original.

— Você fica bem melhor assim.

— Mas o que... Exatamente nós fizemos agora? – Perguntou um pouco confuso.

— Que pergunta é essa? – Foi um beijo. – Respondeu direta, para a surpresa de Hirako.

— Você é sempre direta desse jeito?

— Sei lá. Mas você não entende o que aconteceu? Você conseguiu. Voltou a ter o controle sobre o Hollow dentro de você.

— É verdade... obrigado! – Exclamou agradecido, dando um súbito abraço na Shinigami, que corou de susto. — Foi graças a você. Você me mostrou a luz. Se não fosse por você... Acho que eu jamais teria conseguido.

Nanao sorriu ajeitando seus óculos. Aquele era um dos poucos momentos de sua vida em que ela se sentiu plenamente feliz, e tal coisa só foi possível ao lado de alguém que ela conheceu a praticamente um dia. Alguém que ela aprendeu a amar de forma quase instantânea, fato este que ela acabava de concluir naquele instante.

— Nossa, eu estou horrível. Sinto muito por ter ficado despido na sua frente durante esse tempo todo. Eu juro que não foi minha intenção. Estou morrendo de vergonha.

— E você acha que eu estou ofendida? – Disse na cara dura, lançando um olhar malicioso sobre ele, que virou a cabeça para o lado oposto dando um grande suspiro, querendo enfiar sua cabeça em um buraco de tanta vergonha.

Shinji se recompõe e Nanao volta para seu Gigai, e ambos seguem de volta para a mansão.


Paralelo a tudo o que acontecia com Shinji e Nanao, o dia seguia normalmente na escola de Ichigo. Mais um dia de aula começou sem grandes problemas. Ukitake podia jurar de pé junto que Kukkaku jamais iria colocar os pés de volta no colégio depois do acontecido no shopping, mas, para a sua surpresa, a morena apareceu na sala de aula no último instante antes de Misato chegar, criando um clima estranho entre os três, que se entreolharam incomodados. Considerando que o fato ocorreu fora das dependências do colégio e nada teve a ver com a aula em si, Misato nada pôde fazer, e Kukkaku assistiu a aula como se nada tivesse acontecido. Tudo aconteceu sem maiores problemas até a hora do recreio. Juushiro era tão gentil e educado com todos que a diretora do colégio pediu a ele que dedicasse um tempo de seu recreio para entreter as crianças do primário que estudavam do outro lado da enorme construção. Depois de procurar o platinado por todo o canto sem nenhum sucesso, a líder do Clã Shiba resolveu seguir o caminho mais simples: procurá-lo através de sua Reiatsu. Precisava falar com ele de qualquer jeito, e nada nem ninguém iria impedi-la de fazê-lo. Foi para o outro lado da escola e passeou os belos olhos verdes por todo o pátio. Por fim encontrou Ukitake sentado no chão no meio de uma roda cercado por crianças. Os pequenos jogavam uma bola pequena entre si, e o Capitão jogava com eles. Vez ou outra algum deles mexia em seus cabelos ou acertavam a bola na testa dele, mas o belo platinado respondia a tudo com o seu encantador sorriso, pois se já era gentil com todos, imagine com crianças.

Ao observar aquela cena, o coração de Kukkaku foi preenchido por um sentimento de paz e ternura que ela jamais experimentara em vida. Por mais que ela não desse o braço a torcer, Ukitake tinha todas as qualidades de um homem admirável. Ela sempre soube disso, mas preferiu colocar o maldito orgulho e a teimosia na frente do amor que sempre sentiu por ele. Parou a uma curta distância de onde eles estavam, e o semblante sorridente de Juushiro mudou instantaneamente para uma expressão séria e desgostosa ao perceber a presença da morena. Ela chegou perto e abaixou a cabeça fazendo uma breve reverência o chamando para conversar. Ele pediu licença aos menores e foi com ela para um lugar afastado do pátio, cercado por muros e bancos de concreto embutidos.

— O que veio fazer aqui? Como teve coragem de voltar para a escola depois do que você fez? – Perguntou com seriedade e num tom gélido e seco que chocou Kukkaku, que jamais imaginou que alguém como ele pudesse agir assim, ainda mais com ela própria, que sabia ser a dona de seu coração.

— É que... Bem ou mal somos obrigados a estudar aqui. E também...

— Você sabe que se fizesse o que fez no shopping dentro da escola você nem sequer iria poder entrar aqui, não sabe? – Ele a corta.

— Eu sei! E seria um grande favor para mim. Até parece que eu gosto dessa merda. A verdade é que eu preciso muito falar com você.

— Pensei ter sido bem claro contigo desde o acontecido no shopping que você e eu não temos mais nada a falar.

— Então por que me salvou daqueles idiotas? Se não quer mais me ver, não deveria ter tido todo o trabalho que teve só para me salvar.

— Isso é diferente. Senti que você estava em um perigo sério e chamava por mim. Independentemente de tudo que já me fez, prometi que te protegeria dentro do meu íntimo, mas pedi ao Kisuke que a deixasse ciente de que foi a última vez.

Kukkaku gelou. Nem parecia estar diante de Juushiro Ukitake. Sua voz saía fria e suas palavras carregadas de decepção. Era a primeira vez que o via agir desta maneira, e muito a entristeceu saber que ela mesma era a culpada por isso.

— Por que está falando assim comigo? Nem parece você.

— E o que você queria? Que eu rastejasse aos seus pés implorando pelo seu amor? Isso nunca. Esta estadia no mundo dos vivos serviu para esclarecer muitas coisas.

— O que você quer dizer com isso?

— Convivermos aqui me fez enxergar o tipo de pessoa que você é.

— Ei! Espere um pouco... Como assim "que tipo de pessoa eu sou"?

— Quer que eu repita na sua cara? Pois então eu repito: é uma mulher fria, insensível, incapaz de sentir algo bom por alguém, e eu fui um muito cego por nunca ter percebido isso antes.

— Não! Está enganado! Não seja injusto!

— Injusto! Eu? E quantas vezes você foi injusta comigo? Quantas vezes me insultou e fez acusações terríveis das quais sabe bem que não sou culpado?

— Ukitake... Sei que tem todo o direito de me desprezar. Tudo o que disse é verdade, e não sabe como me arrependo. É por isso que... é por isso que... – Disse trêmula, esfregando as mãos suadas uma na outra, tentando conter o enorme nervoso que sentia em um esforço sobre-humano para completar a frase, engolindo todo o seu orgulho e teimosia. — Perdão!

O belo platinado abriu bem os ouvidos e arregalou seus orbes verdes brilhantes diante da última palavra dita pela exuberante morena, sem crer no que acabara de ouvir.

— Eu ouvi direito? A soberba líder do Clã Shiba acabou de dizer a palavra "perdão"? – Perguntou ainda embasbacado.

— Você ouviu muito bem. Não me faça repetir e nem me venha com ironias, porque não foi nada fácil para mim.

— Não sou homem de ironias! E se acha que vai zombar de mim de novo está muito enganada.

— As coisas não são assim. Não estou zombando de você. Eu estou aqui te pedindo perdão de coração aberto, por isso, não seja tão duro assim comigo.

— Você é a única culpada. Já estou farto de você, de suas grosserias, suas acusações, sua perseguição. Por que não me deixa em paz?

Cada palavra de Ukitake fez o coração de Kukkaku doer. A ficha caiu tarde demais, e como Yoruichi disse, ele jamais a aceitaria. Se controlando ao máximo para não chorar, engoliu o orgulho, a soberba, a teimosia, e todas as outras babaquices que a mantiveram longe de Juushiro durante tanto tempo, e declarou sem medo e sem rodeios.

— Só quero que saiba de uma coisa que sinto há muito tempo... Eu amo você.

A declaração repentina fez a alma de Ukitake tremer. Se a instantes atrás ele jamais cogitaria ouvir um pedido de perdão, uma declaração de amor então estava totalmente fora de cogitação. Mas ele estava magoado. Mais do que isso. Decepcionado, e não estava mais disposto a sofrer por causa dela, por isso, não podia ceder, não podia recuar, precisava se manter firme. E assim, com o maior pesar em seu coração, o platinado a questionou com frieza:

— Então agora você me ama? A anestesia que aqueles canalhas te deram afetou alguma coisa no seu cérebro?

— Não deboche de mim... Por favor. Não faz ideia do quanto me machuca...

O gentil Capitão estava nervoso. Parecia até que ela queria mesmo debochar da cara dele e no impulso se aproximou da mulher e a pegou pelos ombros confrontando-a sério.

— E você já parou para pensar em quantas vezes já me machucou? Em como o meu coração explodia em milhares de pedaços cada vez que você esfregava na minha cara o quanto me odiava? Tem noção de como me feriu? Não seja cínica! Já sofri demais por sua causa e estou muito cansado. Eu quero paz. Preciso de paz. É só o que eu te peço. Aceito suas desculpas, mas, pelo amor de Deus, some da minha vida!

Terminou de falar, e foi como se tirasse um peso de suas costas. Disse a ela tudo o que estava lhe afligindo, tudo aquilo que perturbava o seu coração por todas as vezes em que aguentava os insultos dela calado, sem merecer e sem saber que era correspondido por conta de uma teimosia estúpida.

— Já entendi. Você está se vingando de mim, não é isso?

— Não se trata disso. Eu jamais faria algo assim. A questão é que alguém como você, que só consegue sentir tesão ao receber um beijo de amor, é digna de pena.

Os olhos de Kukkaku se encheram de lágrimas dolorosas, e ela envolveu o rosto dele com ambas as mãos em uma tentativa desesperada de beijá-lo e mostrar a ele que estava enganado, mas ele rapidamente a repeliu, tirando as mãos dela de si.

— Não se atreva a fazer isso. Eu não quero ter mais nada a ver com você!

Saiu de lá deixando Kukkaku sozinha e arrasada enquanto densas nuvens invadiram o céu naquela hora. A bela morena caiu de joelhos no chão em um pranto doloroso e desesperado, seguido de um grito de dor de fazer partir o coração. Perto dali, Ukitake deu um forte soco em um muro, fazendo um buraco considerável no mesmo, apoiando a testa na parede e chorando em culpa pelo que fez, mas sabia que era o melhor que ele podia ter feito.

— Melhor assim, Ukitake... Vai ser melhor assim... – Lamentou desconsolado em seu pranto sofrido, voltando para a escola.


Enquanto isso, sozinhos no terraço, Byakuya e Orihime trocavam um gostoso e quente beijo apaixonado, onde Orihime, a cada segundo se lembrava do sonho para lá de picante que tivera com o moreno semanas atrás, antes mesmo do Capitão ir para o mundo dos vivos. Cada beijo que dava em Byakuya, cada carícia que dele recebia, apenas fazia a jovem sentir que tudo o que ele vivera em seu sonho era real. A sensação da pele em chamas, do coração palpitando, as mãos suadas e trêmulas, a intimidade pulsando de libido como ela nunca antes sentiu... Não sabia o que aquilo significava, mas aquelas imagens e sensações eram tão reais, que sua única vontade era realizar aqueles atos de paixão e luxúria com aquele homem lindo o mais rápido possível. Por vezes se sentiu uma depravada completa por pensar tais "coisas sujas", mas era normal em sua idade. Mas ela sentia coisas bem mais diferentes, mais profundas e intensas que nem mesmo em seu sonho mais louco com Ichigo ela foi capaz de sentir. Para Byakuya, aquilo também começava a ser torturante. Era um homem, e ficar com uma mulher sem passar de meros beijinhos como se fosse um adolescente apaixonado era um tanto frustrante para ele. A dias o moreno andou recorrendo a intensos banhos gelados para dar uma bela acalmada em toda aquela testosterona acumulada. Separaram-se devagar e se olharam com carinho até que o belo Capitão lembrou que precisavam conversar.

— Lembra que temos uma conversa pendente?

— É verdade. E o que você quer me dizer?

Pegou as mãos dela entre as suas com cuidado e a olhou firme antes de começar a falar.

— Como você bem sabe, eu sou um Shinigami e você uma humana, nós não pertencemos ao mesmo mundo. Então, fico pensando se o que estamos fazendo, no final, se tratar de uma grande loucura. – Falou diretamente, algo que faz parte de seu jeito de ser.

— Está dizendo que se arrependeu de ter ficado comigo é isso? – A sensível garota disse já com os olhos marejados.

— Não é isso linda! – Negou imediatamente, já secando as lágrimas que ainda nem sequer tinham caído. — Posso te fazer uma pergunta?

— Unhum... – Balançou a cabeça em afirmação ainda chorosa.

— Você nunca teve medo de mim?

— Medo? Acha que se eu tivesse medo estaria nos seus braços agora?

— Então... isso quer dizer que você gosta de mim?

— Muito! Não faz ideia do quanto.

— Porquê?

— Seu jeito gélido, sua postura indiferente, sua aparência de príncipe e seus modos nobres. Sua frieza é tão encantadora. Você tem um charme tão especial. É completamente diferente do Ichigo.

— Está me comparando ao Kurosaki? – Disse ao fechar o cenho e arquear uma sobrancelha, fazendo Orihime corar.

— HAHAHAHAHA! – Ela riu histérica dando vários tapas no forte ombro masculino. — De maneira alguma eu iria comparar vocês dois. Esqueça o que eu disse! Sou mesmo uma tonta e falo besteira sem pensar! Hahahaha! – Continuava rindo, tentando amenizar a burrada que tinha dito.

— Isso não importa. O problema é que cedo ou tarde eu vou ter que voltar para a Soul Society. E quando isso acontecer...

— Não vamos mais poder nos ver, não é isso? – Perguntou receosa, piscando bem os grandes olhos acinzentados.

— É que... – Ele baixou o olhar evitando encará-la. — É basicamente isso.

— Isso te preocupa? Por que vamos nos preocupar com o amanhã que ainda não chegou? Anime-se. O importante é viver o agora. Lembre-se disso. Vamos viver o agora e quanto o amanhã, a gente resolve quando ele chegar. – Disse em tom de cumplicidade piscando para ele.

Kuchiki ficou impressionado com a maturidade de Orihime, mas se sentiu um completo canalha por ter se envolvido com uma jovem humana, que ele cria piamente ainda ser virgem, e deixa-la apaixonada sem perceber que a deixaria sozinha quando tivesse que voltar ao seu mundo.

— O que foi, Kuchiki-san? Ficou tão pensativo de repente.

— Não foi nada. – Disse tranquilo dando um forte abraço na amada.

— Nossa! É melhor voltarmos para dentro do colégio. Olhe para o céu! Vai chover forte a qualquer momento.

Byakuya concluiu o mesmo e ambos entraram. Cinco minutos depois uma forte chuva começou a cair.


Ainda ajoelhada no mesmo lugar, Kukkaku recebia sobre si a água que caía do céu sem piedade. Seu uniforme escolar estava encharcado, e o corpete verde que usava por baixo já podia ser visto com perfeição. Porém, ela não se importava com nada disso. Estava desolada. Parecia que todo o seu ser havia sido esmagado. Estava paralisada, e lágrimas não paravam de cair de seus agora mórbidos olhos verdes. Eles perderam o brilho, a razão, como se todo o seu mundo agora se resumisse a um buraco negro e profundo de onde ela jamais seria capaz de sair. Depois de algum tempo naquele estado, Kukkaku levantou um pouco o rosto ao notar a silhueta de alguém se aproximando. A pessoa em questão parou na frente dela com um grande guarda-chuva, a amparando da água ao mesmo tempo em que estendia a sua mão. Levantou mais o rosto ao ver que se tratava de um belo homem de aparência jovem trajando o uniforme escolar com um sobretudo preto por cima. O loiro de olhos azuis e pegou pela mão e a levantou, ainda que contra a vontade da mesma. Sem dizer nada, a conduziu até um dos ginásios do colégio, que naquela hora costumava ficar vazio. Ela sentou em um dos bancos e ele foi até o vestiário onde pegou algumas toalhas. Voltou em seguida, e com todo o respeito, começou a secar Kukkaku, colocando a outra toalha sobre a cabeça dela.

— Não devia ficar na chuva desse jeito. Pode pegar uma pneumonia. – Disse ele ao terminar de secar a moça. — Você precisa tomar algo quente. Vou trazer alguma coisa quentinha para você beber, por favor, não saia daqui.

E com este nobre pensamento, o rapaz foi procurar uma máquina de café, que bem sabia que teria uma ali, mas não sem antes vestir a moça desconhecida com seu próprio sobretudo. Ainda muito abalada, a Shiba não conseguia dizer nada, mas ficou comovida com a atitude do moço, que a ajudou de forma respeitosa sem nem mesmo a conhecer. O belo loiro volta com dois capuccinos e oferece um deles a ela de forma gentil.

— Olha, eu sei que é triste, que é duro, mas o amor é muito complicado. Eu sei bem como é a dor de um amor não correspondido, como é levar um fora de quem se ama, mas não se sinta tão mal. Pode parecer que seu mundo acabou, mas um dia a dor passa, ou pelo menos, ameniza. Desculpa estar falando um monte de coisas no seu ouvido, mas acho um crime uma garota tão linda assim estar destruída desse jeito. A propósito, meu nome é Kira Izuru. Aproveite bem o seu café.

A morena olhou bem para a bebida e com certa dificuldade conseguiu tomar alguns goles. Um pouco mais calma, Kukkaku finalmente pôde dizer alguma coisa.

— Obrigada... Pela ajuda. – Murmurou baixinho, atraindo a atenção do loiro, que já tinha terminado o seu café.

— Não precisa agradecer. Dá para ver de longe que o seu mal é dor de amor, por isso, se quiser desabafar, vá em frente, pois partilhamos da mesma dor.

— Eu sou mesmo muito desgraçada! Eu sou a única culpada por estar assim agora. Durante anos neguei a mim mesma e não queria aceitar o que eu sentia. Que eu estava apaixonada pelo homem mais gentil do planeta. Quis camuflar esse amor em um ódio que nunca existiu, e por várias vezes eu o maltratei e falei na cara dele que o odiava. Agora que eu finalmente compreendi o quão imbecil eu fui, ele me despreza e não quer me ver nem pintada.

— Entendo sua situação. Sei muito bem como é tentar transformar o amor em outro sentimento. Dá para lidar com isso até certo ponto, mas depois que trocamos um beijo com a pessoa amada, que nos sentimos unidos a ela de alguma forma, sentimos seu gosto, seu interior... tudo se torna mais difícil. Acredite, eu sei.

— Você está certo. Depois que nos beijamos foi como se um gatilho tivesse sido disparado, como se eu não conseguisse mais viver sem seus beijos, sem tê-lo ao meu lado, sentí-lo perto de mim.

— Meu caso é igual. Estava tudo bem até ela me beijar... E me confundir com outra pessoa, com o pior dos seres.

— Caramba...

— Mas tenha fé. Pelo que eu entendi vocês dois se amam. E do mesmo jeito que você assumiu o que sente, esteja certa de que ele irá reconsiderar. Basta dar tempo ao tempo e a paz que ele precisa.

— Obrigada por suas palavras. Acho que já me sinto melhor graças a você. Mas me conte mais sobre o seu caso de amor.

— Nunca foi um caso. Eu apenas me apaixonei pela pessoa errada. O típico caso de amor não correspondido pela melhor amiga que se dedica a amar um crápula que traiu a todos, inclusive a ela mesma.

— Que situação terrível... Você é Kira Izuru, não é?

— Eu sou Shiba Kukkaku. Muito obrigada por me animar.

— Não seja por isso. Você vai voltar para a aula?

— De jeito nenhum! Ainda mais neste estado.

— Se quiser posso te acompanhar até sua casa.

— Não quero te incomodar com isso, mas podemos passar por dentro do colégio.

Eles passaram pela parte interna da construção e ao chegarem próximos a sala dos professores, ambos deram de cara com Misato sentada no sofá e Ukitake no chão. A professora afagava com carinho as lisas madeixas prateadas em consolo ao Capitão, que chorava como uma criança no colo de sua Sensei. A dupla parou diante da cena e eles observaram de canto na porta. Kira ficou pasmo ao ver tal coisa e reparou que Kukkaku se controlava para não chorar novamente. Com rapidez ele compreendeu a situação. Não podia negar que Juushiro tinha bom gosto, já que a morena era um mulherão, mas o próprio loiro bem sabia que aparência era o de menos. Ela observou com atenção a dor e o sofrimento de seu amado e mais uma vez praguejou o fato de ser a única culpada por tudo aquilo.

— Vamos, Juushiro-kun. Não fique assim. Você é um homem incrível. A pessoa mais gentil e bondosa que eu já conheci. Dá para ver que ama aquela moça de verdade, então dê a ela o seu perdão. Eu sei que no seu coração não há lugar para nenhum sentimento ruim.

— Sensei... – Disse em meio aos soluços. — Não é tão simples. Aconteceram muitas coisas. E além do mais... nunca daria certo. – Concluiu ao ficar de joelhos de frente para a educadora.

— Fica calmo, tá? Acalma esse coraçãozinho e dê tempo para si mesmo. Verá que tudo vai se resolver. Sabe que gosto de ti como um irmão querido e quero que seja feliz. – Disse a mulher, dando um inocente beijo na testa do platinado, que levantou e saiu de repente, dando de cara com Izuru e Kukkaku, que não tiveram tempo de fugir antes. Juushiro olhou incrédulo para a amada, que não sabia onde enfiar a cara.

— Você...

— Não é o que está pensando! Eu não o segui. Juro que passamos por aqui por um mero acaso

— Eu não estou falando nada. – Respondeu derrotado.

— Apenas escute o que eu direi agora, e depois disso eu juro que vou deixá-lo em paz para sempre, se você quiser.

Ele a olhou indiferente, mas permaneceu parado, disposto a ouvir o que tinha a dizer.

— Lembra de quando estávamos na loja do Urahara e nos atracamos no quarto da Yoruichi? Naquela hora, quando eu estava em cima de você... Tive uma vontade absurda de te beijar, dizer para você tudo que eu venho guardando todo esse tempo. Se Yoruichi não tivesse chegado eu teria feito uma loucura contigo. Sentir o seu corpo colado ao meu, aquele calor insuportável invadindo o meu corpo, a proximidade dos seus lábios na minha boca... Você tinha me deixado louca.

— E sabe o que eu senti naquela hora? Tive vontade de te abraçar para que você sentisse que estaria protegida. Unir meus lábios aos teus para que pudesse sentir todo o amor que eu guardo por ti dentro do meu coração. Mas você preferiu me insultar como sempre fazia, e se não tivesse sido tão traidora consigo mesma, não estaríamos nesta situação agora. Pode até ser que sinta algo por mim, pode ser uma paixão momentânea ou uma mera atração física, mas não é amor. Kira-kun, por favor, cuide dela. – Disse convicto ao se afastar.

O loiro não entendeu absolutamente nada, e Kukkaku olhou envergonhada para Misato, que tinha bastante receio da mulher. A morena se aproximou da professora e se curvou, fato este que deixou tanto ela quanto Kira surpresos.

— Perdão! – Exclamou arrependida. — Eu me sinto profundamente envergonhada pela forma como agi com a senhora. Pensei que entre você e o Ukitake houvesse algum tipo de relacionamento amoroso, por isso eu agi por ciúme e cheguei até a te agredir.

— Não se preocupe com isso. O mais importante é reconhecer seus erros, e para fazer o que fez agora é necessária muita coragem. Você errou em não dizer a ele como se sentia desde o início, e agora ele não acredita mais em você, mas fique calma. É como eu disse. No coração do Juushiro-kun não há lugar para rancores. Levante a cabeça e pense positivo. Verá que o tempo resolverá todos os problemas entre vocês.

Shiba agradeceu à professora bastante emocionada. Estava muito arrependida por ter feito tanto mal e ferido tanto o homem que amava até o ponto em que ele pegou aversão a ela. Izuru ofereceu para levar a morena para casa, mas ela gentilmente recusou, e o Capitão ficou pelo colégio fazendo algo importante.


No fim do dia, Shinji e Nanao voltaram para a mansão. Byakuya, Ukitake e Izuru já haviam voltado. Os dois pararam diante da porta e se olharam por alguns momentos antes de entrarem. O loiro reparou em um pequeno ferimento no pescoço da Shinigami e olhou preocupado.

— Que foi isso? Não me diga que... fui eu que fiz isso?

— É... mas não se preocupe com isso. Já está tudo bem e é isso que importa.

— Não está bem! Eu me sinto péssimo só por ter feito um arranhão em você. Eu sou uma pessoa horrível.

Nanao mais uma vez fechou a cara e cruzou os braços, e Shinji pensou que iria apanhar de novo ao vê-la assim.

— Se falar isso na minha frente de novo eu juro que te encho de porrada!

— Tudo bem! Tudo bem! – Ele disse vencido, balançando ambas as mãos abertas. — Já entendi que não posso mais falar mal de mim mesmo na sua frente. Mas é que tem algo me intrigando que eu ainda não consegui entender.

— E o que é?

— É que você me beijou. Por que fez isso? – Perguntou direto.

— Você também me beijou de volta. – Ela retrucou fingindo estar irritada.

— Gosta de mim? – Ele foi direto novamente.

— E você gosta? – Rebateu a pergunta.

— Eu perguntei primeiro.

— Idiota.

— Me dá um abraço? – Disse Hirako, abrindo os braços para ela.

— Você é mesmo um idiota! – Declarou envergonhada ao abraça-lo. Ele fez um carinho nos cabelos presos e o coração dela tremia de embaraço, embora adorasse estar junto dele. — Vamos entrar?

Ambos entraram na mansão e deram de cara com Ukitake, Byakuya e Kyoraku. O resto do pessoal estava em seus quartos, todos descansando ou fazendo qualquer outra coisa. Shinji ficou muito surpreso ao ver Byakuya, pois apenas lembrava dele como um pirralho mimado e engomadinho.

— Kuchiki Byakuya! Impressionante como os séculos não apagaram esse ar de superioridade excessiva da sua cara.

— Hirako Shinji... vejo que o Ex-Capitão da Quinta Divisão tem uma língua muito afiada. Não me lembro de você naquela época, mas pelo visto o ar de relaxamento em você não mudou nada.

— Bem que eu percebi que essa mansão cheia de frescura só podia ser coisa sua mesmo.

— Chega dessa conversa estranha. Você sabe que viver da forma como vive viola violentamente as regras estabelecidas pela Soul Society.

— "Viver da forma como vivo"? Se refere aos meus poderes Hollow? Pois saiba que o galãzinho está muito mal informado. Eu nunca pedi pra ser transformado nisso, meu amigo. E o que quer que eu faça? Que me mate?

— Não. Mas também não podemos permitir que aberrações como você e seus amiguinhos andem soltos por aí.

— Espere aí... você disse "aberrações"? – O loiro se aproximou do moreno visivelmente incomodado com a palavra infeliz usada pelo Capitão e o encarou seriamente. — Pois escute aqui, Kuchiki, o que é uma aberração pra você? Acha que quis ser vítima de uma experiência traiçoeira feita por um desgraçado qualquer e obrigado a viver como se o errado fosse eu? Detesto esse seu puritanismo ridículo que usa como uma capa para a sua hipocrisia.

— O que você quer dizer com isso? Está querendo tirar o corpo fora, Hirako? Sabe perfeitamente que um Shinigami possuir poderes de um Hollow não é algo aceito pela Soul Society. Isso viola completamente as regras que...

— Deixa de ser ridículo! Regras, regras, REGRAS! Pro diabo você e suas malditas regras! Qual a parte da história de que nós fomos as vítimas você não entende? Acha que não sei de suas escapadas, Kuchiki? Até no mundo dos vivos somos bem informados. Você quebrou suas próprias regras por duas vezes e se casou com uma pobre coitada de Rukongai. Você muda suas regras de acordo com sua vantagem. Bela lição de nobreza e honestidade. Agora não venha me dizer que todos são obrigados a seguir as regras ao pé da letra, seu hipócrita de merda!

— Quem pensa que é para falar assim comigo? Você não é ninguém para me acusar. Você não sabe como as coisas aconteceram na minha vida, então não se atreva a me julgar!

— Vê se cala essa boca, Kuchiki. Deixe de falar tanta merda. Eu já era um Capitão quando você ainda usava fraldas! Você também não sabe de nada a meu respeito, então faça o favor de engolir seus comentários soberbos. Nanao-chan, vou sair agora mesmo desse antro de falsidade. Não se preocupe, eu vou te procurar de novo.

— Ah ah... Hirako-kun soltou o verbo desta vez... – Kyoraku comentou, fazendo todos olharem para ele.

Shinji saiu de lá, deixando Nanao e os outros sem entender nada, e Byakuya com uma tremenda dor de cabeça por ser taxado de hipócrita na frente dos dois Capitães veteranos sem nem mesmo ter tido a oportunidade de dar a última palavra. O Vizard foi para um de seus lugares preferidos: o alto de um prédio qualquer. Sacou a Sakanade e com ela abriu um portal que o levou diretamente a Soul Society, mais precisamente ao portão principal do quartel da Primeira Divisão. Andou até entrar no recinto, colocando-se firme antes de entrar para fazer o que já deveria ter feito há tempos.

— Agora somos só você e eu, Velho Yamamoto.

つづくcontinua...

Nossa... Shinji e Nanaooooooo AMOOOOOOO! Adoro esse casal, e espero que tenham curtido também.

Ukilindo pisou bonito na Kukkaku. É o preço que se paga pelas más escolhas. Ela fez tanto cú doce que o lindo se cansou, e agora ela vai ter que rebolar pra conquistar o platinado divo de volta. Kira-kun! Você é tudooooo mesmo kkkkkkkkkk É... Bya divo precisa pegar a Hime urgentemente pra ver se para de falar merda kkkkkkkkkk