Capítulo 22 – Obsessão

As duas semanas que se passaram deixou os corações de todos bem apertados. Mesmo sabendo onde encontrar Yoruichi, Ryuuken não tivera coragem de ir procurá-la, apesar do tormento em que sua vida se transformou desde que a conheceu. O mesmo valia para a gata, que apesar de viver dias desolados e depressivos, jamais daria o braço a torcer e se rastejaria diante de homem nenhum. Sofria como uma condenada, pois para o seu azar, tinha se apaixonado perdidamente pelo belíssimo e habilidoso médico. Jamais pensou que algum dia sentiria a dor do que significava amar, pois ela mesma jurava que jamais iria se apaixonar, por isso sempre fora promíscua e adorava transar sem compromisso, de preferência com humanos jovens e inexperientes, a típica "Papa Anjo". Kisuke sempre disse a ela que esse tipo de prática era perigosa, pois algum dia ela encontraria alguém que mexesse de verdade com o seu coração, e bastou ela transar com um homem mais maduro e experiente para que isso acontecesse, mesmo porque, não se trata de qualquer homem. A pessoa em questão também é um Quincy, o que torna tudo mais tentador e divertido. Não queria voltar a vê-lo, especialmente quando notou o tipo de caráter que ele tem. O achou o pior dos homens por ser orgulhoso e recusar a devolver os poderes ao seu filho. O que ela não sabia é que estava sendo injusta, já que nunca procurou saber ou entender as razões que o levaram a agir assim, mas ela já estava decidida a não vê-lo nunca mais. Iria esquecê-lo, nem que para isso ela tivesse que apelar para todos os vibradores existentes no planeta.

Nanao vivia jogada pelos cantos da mansão de Byakuya. Tristonha, ela não entendia o fato de Shinji não mais tê-la procurado como disse que faria. Sentia falta de seu sorriso engraçado, seu jeito espontâneo, seu rosto lindo, os cabelos cor de ouro, seus olhos repletos de apatia, que a pouco despertaram para a luz, e, principalmente seus beijos. Queria ir atrás dele, mas não conseguia sentir sua Reiatsu, pois ele não mais se deparou com Hollows.

No armazém dos Vizards, Hirako sentia o mesmo. Morria de saudades da Tenente e pensou ser um ingrato da pior espécie por tê-la abandonado depois que ela lhe ajudou tanto, mas não podia arriscar. Havia voltado ao normal graças a ela, mas era fato que não poderiam ficar juntos devido às circunstâncias. Pensativo, o Vizard flutuava no telhado da construção de cabeça para baixo, curtindo a melancolia de sua penosa situação. Não só isso, mas também não contara a ninguém sobre a proposta que Yamamoto lhe fez sobre reassumir seu posto de Capitão. Preferiu não dizer, pois assim como ele, todos iriam morrer de rir e achar que coroa tinha fumado maconha. Além do que, achou aquilo um insulto, pois não estava nem um pouco a fim de ouvir gracinhas de outros Capitães metidos a merda como o Kuchiki e a mal amada da Soi Fon. Por conta disso resolveu ignorar, mas não era algo que o deixava exatamente feliz... Pensar em Nanao o machucava, já que era fato que tinha se apaixonado, e não queria envolvê-la em sua vida confusa e arriscar sua segurança e seu posto no Gotei 13. Ela é uma Tenente, e ele não queria que ela perdesse seu cargo. Por outro lado, ele também não sabia se ela também estava apaixonada por ele, e por tudo isso achou melhor se afastar para evitar maiores problemas.

Os dias escolares foram passando. Byakuya e Orihime continuavam seu namoro baseado em inocentes (ou quase) beijos, onde cada vez mais a vontade de avançar aumentava em ambos. Juushiro ignorava Kukkaku o máximo que podia, ainda assim, a Shiba não deixava de ir às aulas somente o para poder vê-lo todos os dias. Renji e Tatsuki saíram algumas vezes para se conhecerem melhor, entretanto, ainda não trocaram o seu primeiro beijo, mas no que dependesse do ruivo, isso não demorar ia acontecer.

Na mansão, Rangiku continuava cada vez mais confusa, sem tirar da mente o beijo que trocou com Kira em seu quarto há tempos, e recorria a um virtuoso vibrador todas as noites para acalmar tal fogo desmedido que tomava conta de si cada vez que lembrava de tal fato. Era muito lenta para entender o que sentia, mas de uma coisa ela tinha certeza absoluta: sentia um tesão absurdo pelo Capitão, e a cada segundo tentava controlar tal sentimento, amaldiçoando o dia em que ela encheu a cara e o beijou, pois foi ali que começaram os problemas. Porém, tudo piorou depois do segundo beijo que trocaram, já que além de ela estar devidamente sóbria, jamais imaginou que Izuru tivesse tamanha pegada e beijasse tão bem quando estava chateado. Precisava fazer algo para ocupar a sua mente e tirar dela tais pensamentos libidinosos.

Era de manhã cedo, e a mulher de corpo exuberante levantou da cama. Adorava dormir até tarde, fato que deixava Hitsugaya para morrer, mas com os últimos acontecimentos, dormir muito e bem já não fazia mais parte de sua rotina, tudo por conta do fogo que sentia por Kira. Desistiu de tentar continuar dormindo e tirou a camisola vinho curtíssima que usava, ficando apenas com uma tanga branca minúscula de rendas, praticamente transparente, e usar aquilo e nada dava no mesmo. De fato, era bem mais confortável dormir sem nada, mas Rangiku é uma mulher sensual e gosta de se sentir sexy e desejada até para ela mesma. Não tinha vergonha nem pudores de usar calcinhas como aquelas no dia-a-dia, e quanto menor, transparente e enfiada, melhor. Foi até a gaveta e pegou o sutiã que fazia par com a calcinha. Os dois eram brancos, transparentes e muito provocativos. O sutiã não ficava atrás, pois imprensavam os volumosos seios da ruiva, e o máximo que cobria eram seus mamilos, que não estavam exatamente cobertos, devido a transparência da peça. Colocou o sutiã e se olhou bem no espelho. Pressionou com força seus seios um contra o outro, achando aquilo muito sexy. O espelho, que tinha quase o mesmo tamanho da parede, ficava bem na direção da porta, e a mesma estava destrancada. Qualquer um que entrasse ali a veria praticamente nua de ambos os lados. Se jogou no chão frente ao espelho de bruços e começou a fazer flexões. Precisava fazer algum exercício para desestressar, e mais uma vez lembrou de como Izuru a excitou quando fez a mesma coisa. Com as pernas separadas uma da outra, ela posicionou os braços e começou a fazer os exercícios. Subia, descia, e seu avantajado traseiro evidenciado e seus peitões batendo no chão eram para deixar qualquer um louco. Se exercitava como uma desvairada, e o suor já começava a escorrer por seu perfeito corpo. A atenção da bela ruiva foi desfeita quando ela ouviu alguém bater na porta de repente.

— Pode entrar! – Falou, perdendo por inteiro a noção de que estava praticamente nua.

Izuru abriu a porta e deu de cara com Rangiku naquela situação embaraçosa. Ficou estático, paralisado ao ver o requebrar dos quadris da ruiva, e seu corpo ensopado de tesão parecia conectado ao seu, como se estivessem se chamando.

— Nanao? Não me ouviu dizer para entrar? Eu estou um pouco ocupada agora, mas você pode dizer o que veio...

— Matsumoto-san.

Foi como se o seu coração parasse de bater ao ouvir aquela voz grave e sedutora dizer o seu nome. Ela levantou devagar, dando a ele a mais resplendorosa das visões de seu corpo perfeitamente desenhado quase nu. Ela suou frio não apenas pela vergonha, mas também por lembrar de como tal situação pode ser excitante. Olhou bem fixo no olho azul que sua grande franja não cobria, e viu um brilho diferente. Um brilho que nunca tinha visto nos olhos depravados de Gin. Algo além do que poderia ter visto. Qualquer um no lugar dele estaria de pau duro, e certamente a agarraria ali mesmo. Mas não... o Capitão estava bem longe de fazer isso. O que a Tenente via em seus olhos não era tesão, luxúria ou excitação. Era amor. O mais puro e inocente de todos, sentimento este que envolve respeito, por isso, mesmo se ela estivesse totalmente nua e o agarrasse, ainda assim ele se manteria frio o bastante para não ceder a esse tipo de tentação. Para o loiro estava mais do que claro que eles sempre serão apenas amigos, e nada mais, por isso ele não mais se torturaria com pensamentos absurdos. O que ele não fazia ideia era de que o maior desejo de Rangiku naquele momento era beijá-lo, jogá-lo na parede e fazer um monte de loucuras com ele.

— Preciso que me acompanhe até a escola de Kurosaki Ichigo, e, por favor, venha de uniforme. – Disse frio, ignorando tudo ao seu redor e bateu a porta ao sair.

Jogou-se contra a parede do corredor, colocando uma das mãos por baixo da longa franja e contendo o suor que desta escorria, tentando controlar o nervoso e tudo mais o que sentiu ao presenciar tal cena. Dentro do quarto, Rangiku novamente se olhou no espelho e contestou indignada...

— Não acredito nisso! Como ele não sentiu nada diante de tudo isso aqui? – Questionou irada com as mãos na cintura alisando as próprias curvas. — Me ignorou deliberadamente? Isso não pode estar acontecendo! – Bufou de raiva, indo para o banheiro, e faria o loiro esperar com prazer até que ela terminasse o seu longo banho de espuma.


Os olhos azuis se abriram naquele início de manhã, quando os primeiros raios de sol entraram pela janela. Ao despertar, Ishida teve a agradável sensação dos seios de Nemu entre suas mãos, ao dormir abraçado de lado com sua donzela. Dormiram agarradinhos na cama estreita, onde Nemu estava gostosamente envolvida pelos braços do Quincy. Não resistiu à tentação de manipular uma vez mais aquela deliciosa parte do corpo de sua amada. Massageou os grandes seios com cuidado, bem devagar, ao passo que a linda Tenente acordava pronunciando gemidos gostosos que soavam como música aos ouvidos do jovem. Começou a distribuir beijos pelo braço direito, subindo até o ombro e pescoço, chupando suavemente o local, fazendo a pele dela se arrepiar quando chegou a orelha e a mordeu sedutoramente. As mãos não saíam dos seios e os apertava sem parar, fazendo-a continuar gemendo e se contorcendo na cama desesperadamente. Sentiu um calor subir dos pés à cabeça quando percebeu o já ereto membro de Ishida se apertando em suas costas. Procurou a boca do moreno com aflição e a tomou com extrema urgência numa troca de salivas excitante aliada as carícias atrevidas. Terminaram o beijo e se olharam com amor pela primeira vez naquele dia. Uryuu estava feliz, pois agora via nos antes olhos vazios de Nemu a felicidade e a emoção de ser querida e amada por alguém, e tal sentimento não podia ser descrito ou mensurado com palavras.

— Bom dia, meu amor.

— Bom dia lindo.

— Dormiu bem?

— Em seus braços me enlaçando e me protegendo, foi a melhor noite da minha vida em muitos séculos.

— A minha vida ainda não é tão longa, mas com certeza eu duvido que haverá outra noite melhor do que essa para mim.

— Eu sonhei com você. Sonhei com o sabor dos seus beijos seu cheiro da sua pele seu corpo colado no meu... o gosto do seu pênis na minha boca.

Pasmou com a última frase da Tenente e arregalou os orbes azuis, pois jamais imaginou ouvir tamanha safadeza na boca dela, mas parou de pensar nos detalhes quando ela o beijou novamente.

— Eu estou ficando mal acostumado. Podia acordar assim todos os dias. Você quer mais? – Perguntou malicioso.

— Mas é claro que eu quero. – Respondeu com igual malícia.

Deitou de barriga para cima e ele ficou sobre ela onde novamente saboreou os seios durinhos com sua desejosa boca. A morena dava gritinhos de tesão ao receber mordiscadas estratégicas nos claros mamilos, e aninhava seus dedos nos curtos cabelos com força, compartilhando todo o êxtase daquele ato maravilhoso. Desceu seus beijos e lambidas pela barriga lisinha, chegando ao umbigo, e ela mexia os quadris para cima e para baixo, excitada diante dos toques magníficos que recebia de seu amado Quincy. Seus lábios chegaram à virilha e finalmente à intimidade, tocando-a com cuidado, fazendo a Tenente se contorcer ainda mais. Mordeu de leve os grandes lábios e adentrou a genitália em brasas com sua ardente língua.

— Aaarrrnnnn... – Gritou exaurida com tamanha sensação, debatendo-se o máximo que conseguia ao ter seus quadris bem seguros pelas mãos dele.

Continuou lambendo a cavidade em chamas, chupando o líquido que dela vinha com movimentos calmos e sem nenhuma pressa, deixando Nemu enlouquecida de luxúria, quase chegando ao ápice.

— Ah... Arrrnnnn! – Gemia descontrolada. — Entra... entra em mim de novo. Eu quero mais... muito mais!

Inverteu com ele, jogando Ishida na cama e sentou com força no membro duro, fazendo ambos gritarem diante de tal invasão deliciosa. Uryuu gritava de tesão a cada investida de Nemu, que não tinha vergonha alguma de controlar cada ato com força, entrando e saindo como uma fêmea faminta, e ele gozou gostoso ao ser apertado por aquela intimidade insaciável, praticamente levando Nemu junto com ele ao paraíso quando ela também foi arrebatada por um orgasmo sensacional, promovido por mais uma união perfeita de seus joviais corpos. Nemu caiu por cima do exausto gênio e se abraçaram suados e ofegantes como nunca antes. Ishida virou a cabeça para o lado e quase deu um pulo da cama ao ver que estava quase atrasado para a escola.

— Ah! – Gritou desesperado.

— O que foi?

— A escola! Nemu-san, estamos atrasados! – Exclamou tenso.

— É verdade... – Respondeu tranquila.

— Você não vai?

— Meu uniforme está na casa do Capitão Kuchiki.

— É mesmo... Então é melhor você ir para lá. Eu vou tomar um banho e me vestir correndo.

— Tudo bem.

Trocaram outro intenso beijo ao ser despedir.

— Estou louco para te ver de novo.

— Eu também.

Nemu foi embora e Ishida foi tomar um banho, saindo disparado para não se atrasar.


Na escola, a aula estava prestes a começar e Ishida ainda não tinha chegado, fato este que surpreendeu a Ichigo e aos outros, já que o certinho da turma sempre era o primeiro a chegar. De repente, viram um desesperado Uryuu entrar na sala como um furacão e sentar em sua carteira exatamente um segundo antes de Misato-sensei entrar na classe. Suspirou aliviado por ter conseguido chegar a tempo, mas duvidava que sua linda Tenente iria à aula naquele dia. Ichigo e os outros estranharam o comportamento quase irresponsável do gênio, mas não podiam perguntar naquele momento, porém o jovem seria minuciosamente interrogado no intervalo, já que por vezes durante a aula um sorrisinho de satisfação brincava nos lábios perfeitos do belo rapaz, fato que não foi passado em branco por nenhum deles, em especial por Renji, que conhecia aquele tipo de sorrisinho depravado a quilômetros.

Enquanto a aula continuava nos andares de baixo, Izuru e Rangiku estavam no terraço da construção observando o céu com uma espécie de binóculo especial, examinando a área com cautela à procura de alguma garganta por onde os Hollows pudessem sair. A bela ruiva se recostou em uma das paredes, dando um grande suspiro de tédio.

— Kira.

— Hum...?

— Olha, sobre o que aconteceu no meu quarto mais cedo...

— Me poupe dos detalhes, apenas saiba que aquilo foi uma situação de péssimo gosto. – Falou com reprovação.

— Péssimo gosto? Como assim? Por acaso não gostou do que viu? – Perguntou insinuante, falando baixo ao se aproximar.

— Esse detalhe não vem ao caso! – Exclamou incomodado, virando o rosto corado para o lado oposto a fim de esconder o embaraço, e sua reação era adorada por Rangiku, que amava ver o lindo loiro envergonhado.

— Então qual é o problema? – Questionou cínica, para provocá-lo ainda mais.

— Como pode mandar alguém entrar no seu quarto sem perguntar quem é?! Você estava nua! – Esbravejou nervoso ao sacudí-la pelos ombros.

— E você estava cego! Eu não estava nua, estava de lingerie.

— Mas a sua "grande lingerie" e nada dava no mesmo. – Rebateu ainda indignado.

— E daí? – Se aproximou do loiro perigosamente, o encostando na parede. — Ainda não me disse se gostou ou não do que viu. – Falou sedutora no ouvido dele, fazendo o corpo inteiro do rapaz tremer.

— Qual é o seu problema, Matsumoto-san? Andou bebendo de novo? – Respondeu nervoso tentando afastá-la de si.

— Juro que não bebi uma gota sequer!

— Então isso significa que você está debochando de mim deliberadamente? – Disse sério e mirando-a com uma reprovação ainda maior.

— Como assim debochando? O que você quer dizer com isso?

— Sabe muito bem o que eu sinto por você, e ainda tem coragem de fazer esse tipo de pergunta?

— Mas, Kira...

— Então o que significa essa atitude?

— Aquela cena não lhe pareceu familiar? – Disse ainda mais sedutora, ao pousar a mão direita no ombro do loiro, descendo até o peito rígido do rapaz, que deu um longo suspiro ao tentar se controlar. — Quando eu te vi no seu quarto fazendo exercícios e quando você me beijou...

— Pare com isso, Matsumoto-san! Eu não entendo essa sua atitude e nem me interessa! – A pegou pelos ombros novamente a afastando. — Não percebe as consequências do que você faz?

— Afff... – Bufou de tédio. — Mas que chatice! Com esse seu sermão todo você está parecendo até o meu Capitão. – Reclamou ao cruzar os braços.

— Eu estou falando sério com você. Aja como uma mulher adulta. Pense no que vai fazer. Não pode ficar se exibindo no quarto como se estivesse em sua casa. E se fosse o Capitão Kuchiki quem entrasse ali? No mínimo ele iria te expulsar a pontapés, te mandar de volta para o Sereitei e contar tudo ao Comandante.

— Eu... – Abaixou a cabeça por um momento. — Não tinha pensado nisso.

— Pois pense! E pense bem antes de fazer as besteiras que você faz.

— Tudo bem. Não precisa continuar brigando comigo. Eu já entendi. Mas... voltando ao outro assunto... – Voltou a se aproximar. — Eu queria te dizer uma coisa importante. É que desde aquele último beijo que você me deu...

— Fica para depois! Cuidado!

— Quê?

Izuru pegou Rangiku nos braços ao sair de seu Gigai e desviou rapidamente quando uma garganta imensa se abriu de onde saiu um gigantesco Hollows semelhante a um caranguejo. A horrenda criatura aterrissou no meio do pátio da escola, na hora em que o recreio estava prestes a começar. O Capitão voou com a Tenente ainda nos braços e deu um pulo no chão a uma certa distância.

— Maldição! Que merda é essa? Esse bicho tinha que aparecer bem na melhor parte? – A ruiva disse irritada ao deixar seu Gigai. — Agora fiquei irada! Ruja, Haineko!

Enquanto Rangiku iniciava uma luta contra o imenso Hollow, Izuru acabou vendo uma das estudantes da classe de Ichigo passeando tranquilamente perto dali, assobiando alegre. A garota olhou para cima apavorada ao enxergar, quase que com nitidez, o Hollow gigante e também Rangiku lutando com sua Zanpakutou. Durante o embate, uma das patas da criatura bateu forte no chão, e a garota foi atingida por alguns estilhaços de pedras, e seu corpo foi arremessado para cima. Ela cairia com tudo no chão, mas o Capitão foi mais rápido e pairou no ar, pegando Chizuru em seus braços com precisão. A ruiva enfrentava dificuldades durante a luta, pois a pele do Hollows era muito resistente. Ela tentou atingir a criatura várias vezes, mas todas sem sucesso.

— Hadou Número 31: Shakkahō!

Tentou atacar com uma explosão de fogo, mas foi em vão, pois a pele dura do bicho era impenetrável. Enquanto isso, Kira permanecia com a jovem estudante em seus braços, deixando a Tenente com toda a luta.

— Ei, Kira! O que acha que está fazendo? Me ajude aqui! – Reclamou ao vê-lo tão despreocupado.

— Qual o problema, Matsumoto-san? Não pode lidar com esse tipo de Hollow? Ele é grande, mas certamente tem algum ponto fraco.

— Claro, né, Senhor Capitão! – Falou debochada. — Falar é fácil!

— Para de falar bobagens e continue lutando. Eu não posso deixar essa garota aqui. Ela parece estar machucada.

— Raios! – Praguejou. — Por que eu tenho que fazer isso?

A Tenente continuava atacando com todas as forças, mas nada parecia afetar aquela criatura. Subitamente, uma luz vermelha começou a brilhar no meio da boca do Hollow, e um cero estava sendo preparado, deixando a ruiva apreensiva.

— Kira! Ele vai lançar um cero! Cuidado!

Mas não houve tempo para desviarem, pois assim que ela terminou de falar, o Hollow lançou sobre eles um gigantesco cero, e ambos pensaram que seria o seu fim. Instantes depois, abriram os olhos pasmados ao perceberem que nada aconteceu, pois a grande energia destrutiva havia sido absorvida bem diante deles...

Kira e Rangikuainda tentavam entender o que estava acontecendo, e Chizuru olhava ainda mais confusa. Quando a poeira baixou, um Haori foi visto esvoaçar juntamente com longas madeixas cor de prata, o que chamou a atenção do Capitão e da Tenente. Os dois olharam interessados para a figura frente à eles que empunhava uma espada em cada mão.

— Vocês garotos deveriam tomar mais cuidado ao lidar com esse tipo de Hollow.

— Capitão Ukitake! – Rangiku exclamou surpresa. — O que aconteceu? Para onde foi aquele cero?

— Deveriam saber que quando se lida com Hollows aparentemente indestrutíveis, deve-se achar seu ponto fraco primeiro.

— Foi exatamente isso que eu disse à Matsumoto-san. – Kira a fuzilou com o olhar.

— Mas não importa. Vou mostrar a vocês como se lida com esse tipo de situação.

O veterano empunhou sua Zanpakutou e com extrema habilidade devolveu em dobro o cero disparado pelo Hollow, mirando a parte interior do corpo da criatura, que em segundos desapareceu no ar assim que recebeu o ataque. Ambos ficaram surpresos com tamanha habilidade, em especial o loiro, que analisou bem no que viu diante dele.

— Inacreditável! Esta é a primeira vez que vejo a Zanpakutou do Capitão Ukitake. Junto com a Katen Kyokotsu do Capitão Kyoraku, é a única Zanpakutou dupla em toda a Soul Society. Então é assim que ela funciona... Sogyo no Kotowari. – Pensou surpreso.

— Se a pele dele for muito resistente, mirem no ponto fraco que esteja desprotegido, geralmente na parte inferior do corpo.

— Eu sabia disso, Ukitake-san, foi o que eu tentei falar para Matsumoto-san, mas ela não me ouviu.

— Agora ele vai repetir isso por mais de dois séculos...

— Certo, já chega vocês dois. O importante é que tudo já está resolvido. Kira, e esta garota? Ela está na mesma classe que eu.

A atenção dos três Shinigamis foi voltada para Chizuru, que olhava para o loiro de uma forma hipnotizante e quase obsessiva. Sua boca entreaberta mantinha um sorriso insano, ao passo que ela analisava bem cada traço do jovem Capitão. Seus olhos roxos brilharam de tal maneira que ela parecia querer engolir Izuru com eles. Os três ficaram ainda mais espantados com o fato da jovem humana poder vê-los fora de seus Gigais, ao passo que ela se mantinha vidrada e perdida naquele belo rosto e nos tão enigmáticos olhos azuis, pois foi a visão mais bela que seus olhos puderam contemplar. Mais bela do que qualquer mulher que já tenha visto. Chizuru parecia tão enfeitiçada por Kira que ignorava o fato de estar com sua perna ferida.

— Kira-kun, parece que está ferida, mas você pode cuidar dela. Eu vou voltar para a aula.

— Claro que eu posso cuidar disso. Obrigado pela ajuda, Capitão.

Rangiku começou a olhar torto para Chizuru, já que a mesma não tirava os olhos do loiro de forma viciante, e aquilo já estava começando a deixar a ruiva irada.

— Não se preocupe. Eu vou deixar essa perna nova em folha.

Rapidamente usou um Kido de cura e restaurou a perna ferida da garota, que ao perceber estar curada, agarrou o pescoço do loiro e o beijou com uma louca sem dar a ele tempo sequer de pensar. Assustado com o beijo mas que roubado, o Capitão sentia sua boca ser invadida possessivamente pela luxúria desmedida daquela louca desconhecida. Rangiku olhou chocada para a cena estranha, reprovando veemente o comportamento da estudante enquanto via Izuru com os olhos arregalados, tendo sua boca quase devorada pela fúria de uma adolescente empolgada. Matsumoto olhava revoltada e já cerrava os punhos, tomada por uma raiva descomunal que ela não sabia de onde vinha. Encheu a mão e saiu de seu Gigai. Sem demora, pegou a jovem estudante pelos cabelos, fazendo a garota cair com o traseiro no chão.

— Tire as mãos de cima dele, sua depravada!

— Ei! Que merda é essa? Quem puxou o meu cabelo? – Perguntou desorientada ao olhar em volta e ver Rangiku com os braços cruzados e um olhar assassino.

— "Que merda é essa" digo eu! Ficou doida? Não pode sair por aí agarrando e beijando o primeiro macho que encontrar pela frente, mesmo ele sendo um macho lindo e gostoso! – Reclamou, e a última parte saiu sem que percebesse.

— Pois foi por ele ser lindo e gostoso que eu o beijei, e você não pode chegar e puxar o cabelo dos outros assim sem avisar!

— Você é que não pode sair beijando os outros sem avisar! E da próxima vez que tocar no Kira, eu juro que arrebentou essa sua cara!

— Você não é ninguém para me dizer o que fazer! E se eu quiser beijar aquele gato de novo eu vou beijar!

— Isso só por cima do meu cadáver!

— CHEGA! – Izuru gritou, já tonto com a discussão sem sentido das duas malucas. — Não falem de mim como se fosse um troféu! Se querem se matar, que se matem, mas eu não vou ficar aqui para assistir. – Concluiu indignado ao sair, deixando as duas a ver navios. Elas se olharam trocando faíscas, revoltadas uma com a outra.

— Viu o que você fez? O bonitão foi embora? – Reclamou a mais nova.

— Eu fiz? Você é louca! Não se aproxime do Kira de novo a menos que não tenha o mínimo de amor pelos seus dentes!

— Hunf...! Isso é o que vamos ver... peituda! – Pensou raivosa. — Kira... hein... Ele não vai me escapar! – Terminou, lambendo os lábios de forma maliciosa.

Rangiku tentou localizar Izuru através de sua Reiatsu, mas ele a ocultou, pois queria um pouco de paz, coisa que Rangiku não dava a ele desde que aquele dia começou. O Capitão foi até a cantina da escola e comprou um cachorro quente e uma lata de coca-cola. Estava faminto e queria se distrair. Foi até o local mais afastado do pátio e sentou sozinho, aproveitando o melhor do seu lanche. Ao terminar, começou a se perguntar que raios estava acontecendo com Rangiku e o que passou pela mente da estranha estudante quando o agarrou daquele jeito. Acho ridículo duas mulheres brigando por um homem, e estava envergonhado por ser ele o homem em questão. Queria relaxar. Esquecer todos aqueles acontecimentos desagradáveis, mas o que Rangiku fez foi sério, e não apenas o irritou como o deixou decepcionado, e isso ela teria que explicar a ele direitinho. Jogou o lixo produzido por seu lanche em uma lixeira próxima ao banco e sentou de novo, dando uma longa espreguiçada, esticando os braços e deixando-os cair em seguida, dando um longo suspiro de lamento. Quando pensou que finalmente poderia descansar, Chizuru sentou ao lado dele, dando um susto no Capitão.

— Por favor, não se assuste!

— Você de novo? Como me encontrou?

— Este é o lugar ideal onde todos vêm quando querem ficar sozinhos. Conheço muito bem esta escola.

— E para que veio? Eu não quero ver nenhuma das duas.

— Fique calmo. Eu quero te pedir desculpas. Sei que agi por impulso e que jamais deveria ter feito o que fiz, por isso eu sinto muito mesmo. Meu nome é Honsho Chizuru. Pode me dizer o seu?

— Kira Izuru.

— Lindo nome! Até combina com o meu. Mas será que pode me explicar sobre o que aconteceu? Aquele monstro estranho, vocês lutando com aquelas espadas e usando kimonos, e, claro você usou algum poder esquisito e me curou também. Por acaso você é algum tipo de bruxo?

— Definitivamente não.

— Mas então...?

Izuru explicou à Chizuru sobre os Shinigamis, os Hollows, e sobre como ela podia ver as coisas por ser uma humana como elevados poderes espirituais.

— Entendi mais ou menos. E muito obrigada. Você salvou a minha vida.

— Não tem porque agradecer. Nosso dever também é proteger os humanos.

— Você acredita em amor à primeira vista?

— Por que me pergunta isso de repente?

— Porque acho que acaba de acontecer comigo. Quando eu te vi, senti uma coisa tão estranha... – Ela fez uma pausa um tanto tristonha. — Sempre achei que gostava de mulheres. – Revelou direta, fazendo o loiro arquear uma sobrancelha em surpresa.

— E por que está me contando tudo isso? Eu não passo de um estranho.

— É porque você me transmite muita confiança. Senti tanta paz quando estivava em seus braços. Você me fez sentir algo tão diferente, uma espécie de encantamento profundo... algo que jamais senti como nenhuma outra pessoa.

— Por esse motivo você acha que me ama?

— Acho sim.

— Pois agora é você quem deve me perdoar, mas o que você sente não é amor. Isso é algo muito mais complicado. Se pudéssemos escolher quem amar tudo seria tão mais fácil. Eu mesmo venho sofrendo como um condenado há tempos por causa disso.

— Você também se apaixonou?

— Sim. Mas sabe, se você está dizendo que me ama, seria tão mais fácil se eu pudesse transferir o que eu sinto e passar a amar você também.

— Só que infelizmente isso não é possível... Não é isso que você vai me dizer?

— Exato. Algo assim não é possível... – Concluiu com uma expressão cabisbaixa.

— Então é por isso que você tem esse olhar tão depressivo?

— Não sei...

— Então porque você não me deixa te ajudar... A esquecer este amor que te machuca tanto?

Naquele momento, o loiro não estava se importando com nada. A verdade é que estava muito chateado com o que Rangiku havia feito, e sem perceber sentiu a ruiva se aproximar devagar e seus lábios novamente serem envolvidos pelos da insistente estudante. Fechou os olhos se deixando levar por alguns momentos, e nessa hora, Rangiku os encontrou, assumindo uma expressão desolada, sentindo uma pontada em seu coração, como se tivesse sido atingida por um golpe certeiro de Zanpakutou, tamanha a dor. Quando Chizuru rompeu o beijo, bem mais tranquilo desta vez, Izuru quase entrou em choque ao ver Matsumoto diante deles, presenciando toda a cena, tendo seu lindíssimo rosto coberto por dolorosas, insistentes e cruéis lágrimas. O loiro levantou e deu alguns passos, encarando a ruiva igualmente chocado com tudo que acabara de acontecer.

つづくcontinua...