Capítulo 23 – Investigação
Capitão e Tenente continuaram se olhando intensamente. Matsumoto estava sem chão. Não conseguia reagir, falar, tampouco se mexer. As lágrimas insistiam em rolar pelo seu rosto, e ela não fazia ideia do porquê se sentia assim. Para Izuru foi como se o seu coração tivesse sido preenchido por um vazio enorme. Uma escuridão profunda e fria, escuridão esta que sempre fez parte de si há muito tempo e sem nenhum motivo aparente. Era como se não sentisse nada, como se não se preocupasse com o fato da mulher que tanto ama o vir aos beijos com uma estudante. Deu dois passos em direção à ela e disse em tom sério e despreocupado:
— De jeito nenhum eu vou discutir com você aqui. Nos vemos na mansão mais tarde, pois está claro que você e eu temos alguns assuntos a resolver.
Deixou a ruiva ali sozinha e se foi, ao passo que Chizuru saiu correndo de lá pouco antes do loiro sair. Ao perceber como ambos se olhavam, a garota entendeu de imediato que era ela quem Izuru amava. Desolada, a Tenente saiu dali e vagou pela cidade sem rumo, e não voltaria para a casa de Byakuya nem tão cedo naquele dia...
Ao voltar da escola bem antes da hora habitual, pois simplesmente matou metade da aula por estar de saco cheio daquela merda, Kukkaku viu Yoruichi do mesmo jeito ao adentrar a loja: jogada em uma cadeira atrás do balcão com inúmeros papéis pendentes de mercadorias para conferir com um copo de leite e achocolatado e uma colherzinha na mão. Mexia o líquido durante horas, literalmente, e uma expressão vazia preenchia o rosto moreno que não mais sorria. Urahara olhava derrotado para a sua melhor amiga, e até mesmo Kyoraku, que por milagre fora trabalhar ao receber umas porradas de Nanao, estava achando a Ex-Capitã verdadeiramente mal, pois a mesma parecia um completo zumbi nos últimos dias. Kukkaku já estava ficando revoltada com aquele comportamento derrotista e saiu dali antes de pegar aquele copo de leite e jogar no meio da cara dela. Tomou um banho e trocou de roupa, colocando um vestido simples até o meio das coxas e justo na cintura de cor vinho e foi até a lan house mais próxima, pois não queria que nenhum bisbilhoteiro como Kyoraku visse o que ela ia fazer no computador. Logo acessou uma máquina e entrou no Google, digitando "Ishida Ryuuken" na busca. De cara ela ficou besta ao ver uma foto do famoso médico, pois além de lindíssimo, dava para perceber que ele tinha charme só em olhar.
— Meu Deus! Não é à toa que a Yoruichi está como está e trepou logo de cara! Que platinado lindo...! Platinado...
Sussurrou a última palavra ao lembrar de Ukitake, e seu coração apertou quase sem perceber. Lidar com o desprezo do homem o qual ela sempre soube amar era duro, machucava, mas sabia que era culpa de sua teimosia e péssimo gênio. Por isso suportava tal desprezo de bom grado como uma autopunição por ter sido tão burra e lutado em vão contra um sentimento que não adiantava ser negado. Suspirou derrotada e voltou a se concentrar em sua pesquisa. Pegou o endereço do Hospital onde o pai de Uryuu trabalha, pois preferiu não perguntar sobre o assunto a ele, já que a gata a preveniu sobre a péssima relação entre os dois. Sem demora, a morena enfiou o papel com o endereço no decote e rumou apressada para lá. Ao chegar, a líder do Clã Shiba ficou impressionada com o tamanho e o luxo da construção. A passos lentos entrou e foi abordada pela recepcionista na porta do Hospital.
— Boa tarde, senhorita. Em que posso ajudar?
— Quero falar com Ishida Ryuuken.
— Ishida-sensei?
— E tem outro aqui?
— Não... mas a senhorita é paciente dele?
— Se continuar me fazendo perguntas estúpidas, quem vai virar mais uma paciente desse Hospital será você! Me diga onde ele está agora! – Bufou já nervosa.
— Fique calma, senhorita. Ishida-sensei não é apenas um médico, ele é o dono e o Diretor deste Hospital. Se quiser uma consulta com ele, precisa marcar uma hora, e mesmo assim a agenda do Diretor é muito cheia e ele não pode...
— Ah, cala a boca, porra! Eu não perguntei nada disso! Me leve até o dono dessa merda agora! – Ela gritava irada.
— O que é isso? Que confusão é essa na entrada do Hospital? – Ryuuken perguntou com uma sobrancelha arqueada ao observar a quase sessão de espancamento que começaria.
— Mas que agradável coincidência! Pois é com você mesmo que eu quero falar! – Exclamou alterada, praticamente puxando Ryuuken pelo jaleco para fora do prédio.
Do lado de fora da construção, o belo médico ajeitava o nó de sua gravata, já que Kukkaku o deixou quase sem ela e sem pescoço, e a questionou incomodado:
— Quem é você e por que raios fez aquele escândalo na entrada do meu Hospital?
— Deixa de frescura e me escute! Você estaria disposto a rever Yoruichi Shihoin?
A pergunta direta e chocante da Shiba deixou Ryuuken sem reação, e o mesmo apenas respondeu reticente.
— Creio que ela não queira me ver, já que me deixou sem nem ao menos dizer seu nome pessoalmente. Preferiu deixar um recado no espelho da minha suíte.
Kukkaku viu sinceridade nos olhos dele e concluiu que o platinado realmente mantinha fortes sentimentos por sua amiga, pois o brilho que viu nos lindos olhos azuis quando ele ouviu o nome de Yoruichi era verdadeiro. Ao notar o óbvio, a morena ficou ainda mais determinada a ajudar o casal, pois ao contrário dela, queria que sua amiga fosse feliz ao lado do homem por quem verdadeiramente se apaixonou.
— Não se engane. Minha amiga está sofrendo como uma condenada por sua causa.
— Minha causa? Pois saiba que foi ela quem veio atrás de mim, me insultou sem nem ao menos me conhecer e acabou se deitando comigo. No dia seguinte, foi embora sem dizer seu nome, então quem deveria estar sentido e destruído aqui sou eu e não ela. Esta mulher me usou como um objeto de uma noite só, e, para a minha desgraça, eu me apaixonei. Pois se ela quiser me ver, que me procure! Caso contrário, não faço questão alguma de ir atrás dela.
— Ah... – Bufou inconformada. — Você vai sim!
Lançou sobre o Quincy um olhar acusador, intrigando Ryuuken, que não entendeu onde Kukkaku se encaixava nessa história ou porque ela estaria se metendo em sua vida. Discutir foi inútil, pois a bela morena acabou "convencendo" o platinado na marra.
Na mansão de Byakuya, Kyoraku tomava um copo de sake, para variar, e já estava ficando sem saco para aguentar ver Nanao pelos cantos da casa choramingando como uma Madalena arrependida. O fato de ver alguém que sempre se mostrou tão firme, segura e decidida estar agora tão triste e desmotivada irritava o veterano Capitão, e ele habilmente deduziu que a tristeza de sua Tenente tinha nome e sobrenome: Hirako Shinji. Queria ajudar sua adorada Nanao de alguma maneira, pois tinha um enorme carinho por ela e sempre desejava a sua felicidade. Foi até a morena, que estava largada de qualquer jeito em uma cadeira frente ao jardim, e pousou sua mão delicadamente no topo da cabeça da jovem Tenente, que não esboçou nenhuma reação.
— Está triste por causa do Hirako-kun? – Perguntou sem cerimônia.
— Ele não veio me ver como disse que viria e eu não sei como posso encontrá-lo. – Respondeu desolada com os olhos marejados. — Ele deve ter esquecido de mim, agora que o seu problema foi resolvido.
— Não diga isso! Conheço bem o Capitão Hirako, e sei que ele sempre foi um homem honesto e de palavra, e se ele ainda não a procurou é porque deve ter seus motivos.
— Acho que o motivo é bem claro: ele não gosta de mim.
— E você gosta dele?
— Gosto! Acho que é a primeira vez que eu gosto de alguém de verdade! – Declarou chorosa.
— Tá, mas você disse a ele o que sente?
— Não. Ele até chegou a me perguntar, mas eu o chamei de idiota.
— Nanao-chan! Você não tem jeito mesmo! Não percebe que ao fazer isso ele está livre para interpretar como quiser? E já pensou que talvez ele não a tenha procurado de novo por achar que foi apenas um idiota para você? – Falou reprovador, sacudindo o punho fechado no topo da cabeça dela e bagunçando as madeixas escuras.
— Será? Mas se for assim... E agora o que eu vou fazer?
— Tem que aprender a ser mais sincera consigo mesma. Não espere que os outros adivinhem o que se passa no seu coração. – Aconselhou o mais velho.
— Obrigada Capitão! Mas ainda assim eu não sei o que fazer.
— Você quer vê-lo?
— É claro! Se não quisesse acha que eu estaria neste estado?! – Esbravejou irritada com a pergunta sem noção de seu Capitão mais sem noção ainda.
— "Doce" como sempre... Então venha comigo. Vamos falar com alguém que possa nos levar até ele.
— Verdade?! Muito obrigada, Capitão Kyoraku! – Exclamou alegre, dando um animado e apertado abraço em seu compreensivo superior.
Kyoraku levou Nanao até a loja de Urahara, e o mesmo o repreendeu por ter fugido do trabalho no meio do expediente. Depois que este "detalhe" foi esclarecido, o veterano logo interrogou o loiro sobre o paradeiro dos Vizards, mas este respondeu evasivo.
— Hum... E para quê exatamente vocês querem saber sobre a localização deles?
— E não é lógico, gênio? – Nanao ironizou. — É óbvio que queremos falar com eles.
— Hirako-san já voltou ao normal? – Perguntou curioso.
— Mas o ingrato sumiu depois disso e não deu mais notícias. – Respondeu com o olhar tristonho.
— É por isso que queremos ir atrás dele, pois a Nanao-chan está doida para vê-lo de novo, então... Ai! – Gritou ao levar um baita pisão de sua Tenente.
— Acho que entendi, mas não vai ser tão fácil. Eu não sei onde os Vizards vivem. Hirako-san veio atrás de mim anteriormente pedir orientação por causa do seu Hollow, mas ele nunca disse onde eu poderia localizá-lo. – O loiro relatou sincero.
— E agora? O que faremos? Voltamos à estaca zero.
— Posso não saber onde eles estão, mas tenho uma vaga ideia. Eu sugiro que investiguem as áreas mais afastadas da cidade ou mesmo a área industrial. É bem provável que eles estejam ocultando sua reiatsu para não serem descobertos, portanto, ir pessoalmente até esses lugares um pouco mais distantes pode ser a maneira mais fácil de encontrá-los.
— Acho que entendi. – Nanao disse animada, como se um novo fio de esperança tivesse surgido dentro de si. — Capitão Kyoraku, o Senhor irá me ajudar a procurar, não irá?
— Eu? Quer dizer... eu? – Falou quase engasgado.
— Claro que é você! – Rebateu autoritária ao cruzar os braços na sua frente.
— Ah! Mas é que... olha... eu tenho muitas coisas para fazer e por isso...
— Esqueça! Eu já sei o que precisava saber e irei encontrá-lo sozinha! – Concluiu irritada ao sair da loja pisando duro.
— Caramba, Kyoraku-san... quando se faz um favor, se faz completo. Você é a personificação total da preguiça.
— Nossa... vê se pega leve comigo, Kisuke-kun. Já não basta as broncas que eu levo da Nanao-chan? – Falou tristonho ao abrir um pacote de batata frita.
— Tsc! Como pode um Capitão veterano se comportar como se fosse um inútil? – Pensou inconformado ao olhar para o mais velho.
Enquanto isso, Yoruichi voltava para a loja com algumas sacolas as quais continham o jantar daquele dia. No meio do caminho, em uma calçada larga que beirava um parque ao lado de um grande e lindo chafariz, a morena avistou algo inusitado: Ryuuken vinha em sua direção juntamente com Kukkaku, e sem que nenhum dos dois pudesse evitar, eles estavam mais uma vez frente a frente um com o outro. Os lábios entreabertos e os olhos enormes expressavam seu estado atônito. Ao mesmo tempo, um brilho radiante os invadiu como se eles voltassem a brilhar como o Sol que pareciam ser com o simples fato de mirar mais uma vez o puríssimo azul dos olhos daquele belo e intrigante homem. Vê-lo novamente fez passar um filme em sua cabeça. Ela apenas tinha olhos para aquela boca sedutora, e a vontade de toma-la e envolvê-la junto da sua, para de novo sentir que ele estava junto dela apenas aumentou.
Tamanha foi a sua surpresa quando se sentiu envolta pelos fortes e quentes braços dele. Braços estes que ela conhecia muito bem. Braços estes que a envolveram de forma possessiva, protetora e quente, que a levaram ao ápice da loucura e a fizeram pirar como nenhum outro antes. Ao ter seu corpo colado ao de Ryuuken, Yoruichi sentiu cada célula de seu ser estremecer. O calor da mão dele em suas costas parecia uma chama real que fazia seu corpo queimar de emoção ao ser tocado. Sua nuca foi abraçada pela mão direita do médico, e seu rosto foi por ele pressionado contra seu peito palpitante com suavidade, fazendo o coração dela se encher de uma paz e uma ternura imensa. Não entendia o porquê daquele gesto por parte dele, mas podia ficar daquele jeito por toda a eternidade, se fosse possível. Fechou os olhos ao sorrir, relaxando com a doçura daquele momento. Seu peito saltou quando o platinado apoiou o queixo no topo de sua cabeça e falou com devoção:
— Senti muito a sua falta.
A voz grave de Ryuuken foi suficiente para fazer as pernas de Yoruichi faleceram como se ele tivesse poder o bastante para tirar-lhe todos os sentidos e fazê-la cair. Sim. Ishida Ryuuken a dominava, e mesmo sem querer, ela teria que admitir isso. Cedendo às vontades de seu coração, as sacolas que a princesa trazia foram ao chão e suas mãos foram ao encontro do rosto masculino o envolvendo em um beijo diferente de todos os que trocaram naquela quente e inesquecível noite. Suas línguas dançavam calmas e controladas em meio àquele momento tão secretamente desejado por ambos. Seus dedos deslizavam devagar no meio dos sedosos fios cor de prata, e ele a segurava firme pelo meio das costas e por sua nuca, aprofundando mais ainda o tão desejoso contato entre eles. Kukkaku deu um sorriso sincero ao ver a cena, e uma pontinha de inveja boa atingiu a morena quando seus pensamentos logo voltaram para Juushiro, que nunca saía de sua mente e coração.
De repente, Yoruichi repensou em tudo o que fez, em como se arrependeu de tê-lo seduzido, de ter sido enfeitiçada pela enorme beleza daquele médico enigmático, e de como tudo o que fez acabou se virando contra ela mesma. Ao lembrar de sua fraqueza e de como foi burra, ela rapidamente rompeu o beijo e o empurrou para trás, para a surpresa do Quincy.
— Que diabos significa isso?! – Exclamou nervosa. — Como se atreveu a me procurar?
— Do que está falando? Eu pensei que estivesse gostando do beijo.
— Gostando? Mas você é muito presunçoso mesmo, não é? Achei que tivesse entendido que eu não queria voltar a vê-lo.
— Quer dizer então que você já esqueceu quem foi que começou tudo isso?
— Não, eu não esqueci! E é justamente por isso que não quero mais ver a sua cara. Não sabe o quanto eu me arrependo de ter me deixado envolver.
— "Deixado envolver"? Você tem algum problema de memória? Deveria ir ao médico, aliás, eu sou o médico, já que até onde eu sei, foi você quem me seduziu. Ou essa sua reação se deve ao fato de que aconteceu com você o mesmo que aconteceu comigo?
— Do que você está falando? Seja mais claro.
— Achei que você fosse adulta o suficiente para entender, certo? Me apaixonei por você.
A declaração repentina pegou Yoruichi de surpresa. Ela jamais imaginou que um homem tão orgulhoso é prepotente como Ishida Ryuuken tivesse coragem de dizer algo assim com tanta facilidade. Seu coração doeu mais ainda, pois sentia o mesmo. Estava apaixonada como uma menina, e era algo que ela jamais queria que tivesse acontecido, pelo menos, não com um homem como ele, cujas atitudes e frieza para com o próprio filho são tão desaprovadoras, e ela também tinha outros fatores a levar em consideração.
— Não me faça rir. Olhe para você! É um homem rico, bem-sucedido, dono do maior e melhor Hospital dessa cidade. Acha que eu vou acreditar que se apaixonou em apenas uma noite? Não seja cínico. Aposto que eu fui apenas mais uma das dezenas de mulheres que já passaram por aquela sua cama redonda. – Falou acusadora.
— De onde tirou tanta estupidez? Está mesmo visto que não me conhece. O que acha que sabe de mim para fazer tamanhas acusações? – Indagou visivelmente magoado.
— Eu apenas sei! Há homens do seu tipo em cada esquina, e não venha me dizer agora que você é diferente. Isso é o que todos vocês dizem quando querem fazer uma mulher de trouxa.
As palavras de Yoruichi saíram duras, frias, e Ryuuken as recebeu como se fossem flechas disparadas por todo o seu corpo. Com o coração destroçado, o belo médico desistiu de argumentar qualquer outra coisa e apenas finalizou...
— Já que é isso o que pensa de mim, nada mais importa. Como você mesma disse, tudo não passou de um grande erro que deve ser esquecido e enterrado no mais profundo arrependimento. Pois pode ficar sossegada. Esta foi a última vez que você viu a minha cara. – Disse com frieza e mágoa em suas palavras, dando as costas a ela e se virando para Kukkaku. — Agora entende porque eu não a procurei antes? Parabenize a sua amiga por ser uma excelente julgadora de caráter. – Completa ao andar em direção ao seu carro, que estava estacionado próximo dali, rumando direto para a sua casa, onde aproveitaria cada momento de solidão e tristeza até que pudesse esquecer, pelo menos um pouco, aquele encontro desagradável.
— Yoruichi! – Kukkaku gritou indignada. — O que foi que você fez?! Isso é jeito de tratar o homem? – A repreendeu severamente.
— Quem deveria estar irritada aqui era eu! Quem te deu o direito de fazer isso? Eu não te pedi para se meter assim na minha vida. Se eu decidi que não queria mais ver aquele homem, você devia ter respeitado isso, porra!
— Não seja burra, sua imbecil! – A morena a sacudiu pelos ombros.
— Quê?!
— Quer cometer o mesmo erro que eu? Para onde foram todos os conselhos que você me deu? Não era você que dizia que eu era teimosa, burra e muitas outras coisas quando eu não queria assumir os meus sentimentos pelo Ukitake? E agora você quer cometer a mesma burrice que eu e se condenar a um terrível sofrimento porque se nega a admitir que o ama?
— É diferente! Você não pode comparar Ishida Ryuuken com Juushiro Ukitake.
— Ah não? E qual é a diferença? Ambos são lindos e tem os cabelos prateados.
— Vai pra puta que pariu, Kukkaku! Vai fazer gracinhas na casa do caralho e me deixe em paz! – Gritou nervosa ao pegar as sacolas do chão e correr de volta para a loja.
— Hunf... – Retrucou. — Piranha mal agradecida. Mas ela vai ver... Eu não vou desistir desses dois e vou esfregar na cara dela o quanto ela está enganada sobre este Quincy. – Sorriu vitoriosa ao retornar para o Hospital.
No armazém dos Vizards, Shinji estava lendo, ou pelo menos, tentando ler um livro de romance meloso e barato. Aquele tipo de história já estava começando a afetá-lo muito devido ao seu atual estado emocional. Jogado em um sofá, ele estava com o livro aberto em sua frente, mas o pensamento do loiro rapaz estava longe... bem longe. Via o rosto lindo e delicado de Nanao por toda a parte. Dormindo, acordado, em sonhos, não importava. Adorava aquela Shinigami encantadora e sentia muito a falta dela. Estava triste, e parecia bem mais apático que o normal. Lisa, que passava por ele pela décima vez desde que o viu ali, já estava danada por ele estar imóvel há quase duas horas e resolveu dar uma sacudida no amigo a fim de fazê-lo reagir.
— Shinji! – Berrou ao bater nos ombros dele com força. — Esse livro deve estar bem interessante, já que você está na mesma página há duas horas. – Falou chateada.
— Unhum... – Respondeu num fio totalmente desinteressado.
— Que raios está havendo com você, Shinji? – A morena insistiu em questionar, sentando no sofá e colocando as pernas dele em seu colo.
— Nada. Estou normal. Aliás, Lisa, será que você pode fazer o favor de ir comprar o jantar de hoje? Quebra esse galho pra mim, por favor?
— Corta essa, Shinji! Se eu continuar quebrando tantos galhos, o Greenpeace vai me indiciar por desmatamento! E desde quando você deu pra mentir pra mim? O problema com o seu Hollow já foi resolvido e você voltou. Então o que há? O que está te deixando tão triste e pensativo?
— Lisa...
— Hum?
— O que você pensaria se a pessoa que você gosta dissesse que te acha um idiota?
— Não entendi o porquê dessa pergunta, mas acho que significa que ela não sente o mesmo que você.
— Entendo... é como eu havia pensado.
— Espere um pouco... então isso significa... Shinji, não me diga que você se apaixonou? – Falou atônita, jogando as pernas dele para cima, o que o fez cair no chão.
— Ai! Mas que droga, Lisa! Ficou maluca? E daí se eu estiver mesmo apaixonado?
— E quem é? Anda, não seja malvado comigo. Me conta!
— NÃO!
— Então prefere ficar com essa cara de múmia pelos cantos? Já sei! Que tal uma luta amistosa? E se eu vencer você me conta por quem se apaixonou, mas se você ganhar eu te deixo em paz. O que acha?
— Feito!
Assim, o loiro e a morena foram para o lado de fora, e aproveitando que estavam numa área deserta e afastada, ambos sacaram suas Zanpakutous para iniciar a luta amistosa. Sem demora, as lâminas se chocaram, e o trincar das espadas liberou uma quantidade imensa de Reiatsu, abrindo uma cratera no chão. Logo os outros Vizards saíram para ver o que estava acontecendo e ficaram animados vendo a luta que também servia como um treinamento para eles.
Enquanto isso, Nanao ainda vagava pelas ruas de Karakura investigando o paradeiro de seu interesse romântico. Percebeu que errou ao não ter dito a Shinji como se sentia sinceramente, e, talvez por essa falta de comunicação estúpida, ela possa o ter perdido de vez. Ao caminhar pela área industrial indicada por Kisuke, a morena começou a sentir duas Reiatsus em choque. Eram energias de Shinigamis, e com o coração cheio de esperança, a Tenente seguiu em disparada em direção às duas energias.
As Zanpakutous continuavam se chocando em ritmo frenético, aumentando ainda mais a disputa entre ambos. Davam saltos e cambalhotas no ar a cada chocar de lâminas, e voltavam a duelar. Os golpes de Shinji eram mais rápidos e precisos, e faziam Lisa recuar devido à força deles algumas vezes, mas ela estava satisfeita, pois a expressão do Líder dos Vizards já tinha se convertido para uma mais alegre e espontânea, já que ele estava se divertindo com aquilo. Após ser jogada para trás novamente, Yadomaru resolveu investir pesado e colocou sua máscara de Hollow, avançando com tudo para cima de Shinji. Nanao chegou bem neste momento e ficou pasma ao ver a cena. Olhou para Lisa e logo reconheceu sua longa trança, que era sua marca registrada. Não acreditava que ela também fosse uma Vizard, mas agora muitas coisas faziam sentido em sua cabeça. Ela passou a entender porque Lisa desapareceu quando ela ainda era uma criança e nunca mais teve notícias dela. O fato de rever a bela Tenente que sempre lhe inspirou desde pequena depois de mais de um século a encheu de emoção, e ver Shinji tão bem a deixou aliviada.
Mesmo sem a sua máscara, o loiro ainda continha os golpes de Lisa, ainda que com bastante dificuldades por causa do aumento de poder dela.
— Está apelando, Lisa? Isso é trapaça! – Reclamou fingindo revolta ao ser fortemente empurrado para trás.
— Deixa de ser frouxo! Trapaça seria se você não pudesse revidar.
— Tem toda a razão. – Concluiu ao dar um salto para trás, colocando sua máscara. — Então? Está pronta para enfrentar o Faraó? – Perguntou brincalhão.
Os golpes ficavam mais intensos e suas Reiatsus liberadas eram de apavorar. Nanao via aquilo como uma coisa boa, como amigos se divertindo e curtindo aquele momento de descontração tão especial. Lisa foi lançada longe por um poderoso golpe do loiro e caiu rolando no chão. Sua surpresa foi grande ao erguer o rosto e ver uma espécie de "tapete dourado esvoaçando diante de si. Shinji flutuava de cabeça para baixo e apontava a lâmina da Sakanade certeiramente na garganta da morena.
— Venci! – Falou divertido ao tirar a máscara e sorrir para ela com seu jeito invertido de sempre. — Agora eu não vou te contar e você prometeu não perguntar mais nada.
— Tudo bem... reconheço que você ganhou... – Respondeu derrotada com as mãos para cima.
Tanto Lisa quanto os outros Vizards que assistiam à luta viram Nanao parada na direção oposta a eles, mas Shinji ainda não a tinha visto.
— Vamos, Lisa, não fique chateada. Não faz mal perder uma luta amistosa. Anda, sacode essa poeira. – Disse calmo ao estender sua mão a ela. Da próxima vez vai ver como...
Parou de falar quando Lisa se levantou e ele inconscientemente olhou para o lado oposto. Seu coração palpitou e os olhos castanhos abriram até o limite mediante a surpresa.
— Nanao-chan... – Murmurou quase inaudível.
— Nanao? – Lisa comentou pasma.
Como se seus pés ganhassem asas, eles se moveram por conta própria e a Tenente correu para junto de Shinji, abraçando-o com um desespero fora do normal.
— Hirako-san! – Exclamou emocionada ao reencontrá-lo. — Por que fez isso? Por que não me procurou? Pensei que eu nunca mais o veria de novo.
— Nanao-chan... me perdoa. Mas é que eu...
— Não há desculpas para o que você fez. Tem ideia de como eu me senti?
— Mas eu pensei que...
Subitamente ela levantou seu rosto e puxou o dele para baixo, envolvendo o loiro em um desesperado beijo cheio de amor e saudade. Todos os Vizards, especialmente Lisa e Hiyori, ficaram pasmados com a cena enquanto os dois desfrutavam de tão cálido momento. Ao ver tamanha "pouca vergonha" Hiyori saiu de onde estava e deu um pulo em direção ao casal, chutando o rosto de Hirako em cheio, fazendo o loiro rolar pelo chão ao ser separado de Nanao no meio do beijo dos dois. A Shinigami ficou perplexa tamanha a ousadia da pequena, e logo foi até Shinji para ver se ele estava bem. O Vizard levantou com o nariz ensanguentado e Hiyori os mirava com os olhos vermelhos de fúria.
— Mas que putaria foi essa aqui?! – A pequena gritou com todo o ar que podia entrar por seus pulmões. — Explica logo essa porra, Shinji viado! – Terminou, agarrando uma longa madeixa dele.
— Quem deve uma explicação aqui é você! – Nanao indagou furiosa, olhando a loira com uma raiva ainda pior que a dela.
— Cala a boca, imbecil! Eu estou falando com este outro imbecil aqui! Vamos, Shinji! Tá esperando o que para começar a falar?
— Pra começar, se eu fosse viado eu não estaria beijando esta linda mulher, em segundo lugar, quem eu beijo ou deixo de beijar não é problema seu, e terceiro... solta o meu cabelo, sua peste!
— Pode deixar, Hirako-san... eu mesma cuido dela.
No mesmo instante, Nanao pegou Hiyori pelo braço e a puxou com força, jogando a garota para longe. Hiyori chão, batendo com o nariz na terra, e o mesmo começou a sangrar.
— SUA FILHA DA PUTA! – A garota gritou irada, avançando com tudo para cima da morena, que emanou sua Reiatsu e ergueu uma barreira de Kido diante dela e de Shinji. Ao avançar, a pequena Vizard bateu com tudo em uma parede invisível, quase terminando de quebrar o seu nariz.
— Bakudou Número 81: Danku.
— Um Kido? Sua piranha de zona! Quem pensa que é para fazer isso? De onde você veio? E com que direito faz essas coisas na nossa frente? Você não tem nada o que fazer aqui! Deixe o Shinji em paz! Eu vou acabar com a tua raça!
— Cale essa maldita boca, sua pirralha melequenta e encrenqueira! Quem não tem direito a nada aqui é você! Acha que o Hirako-san é sua propriedade? Pois saiba que não é! Ele não pertence a você. Com que direito você chega aqui e o agride dessa maneira?
— Você não sabe de nada, sua tonta. Não sabe nada sobre nós! Por que não some e nos deixa em paz! Você não tem nada o que fazer aqui, sua Shinigami asquerosa!
— CALADA, HIYORI! – Shinji gritou visivelmente nervoso. — Anda, Nanao-chan, vamos sair daqui para conversar com calma.
E se livrando da vista dos outros, ambos se afastaram para que pudessem conversar com tranquilidade, deixando para trás uma enfurecida Hiyori, que cobraria uma satisfação muito bem explicada posteriormente.
Kukkaku continuava sua investigação sobre a vida de Ryuuken. Estava disposta a esfregar na cara de Yoruichi seu erro, pois mesmo sem conhecer o charmoso Quincy, a morena viu sinceridade suficiente nos olhos azuis pelo pouco que conversaram, e só isso já bastava para ela entender que ele era verdadeiro no que dizia. Por mais que Shihoin tenha dito que ele era soberbo, arrogante e egoísta, o fato foi que ele assumiu que a amava sem rodeios ou indícios de hesitação, e a gata não levou isso em conta. Achou mais simples julgar do que ceder, desprezar do que se entregar àquele sentimento recíproco. Não se conformava com tal coisa. Não apenas pelo fato de saber que a amiga, por fim, havia se apaixonado, mas também por saber que ela nunca quis tal coisa, mas como evitar? Como evitar o maior sentimento que pode existir? Como evitar não ser arrebatado pela pessoa amada quando menos se espera, quando não se planeja ou nem ao menos quer? Yoruichi nunca quis. Jamais teve vontade de se envolver por inteiro, de assumir um compromisso. Ela era uma literal gata independente, uma mulher livre que jamais abaixou a cabeça para ninguém, alguém que nunca aceitou um "não" como resposta, uma mulher superior que encontrou um homem à sua altura, e o acusou, mesmo sem perceber, por ser exatamente igual a ela, pois a Ex-Capitã sempre se julgou indomável, inalcançável por homem algum, e encontrou em Ryuuken algo diferente, algo que ela jamais sonhou que pudesse encontrar em um homem: a total habilidade de domá-la.
Kukkaku sabia de tudo isso, e sabia mais do que ninguém, que por mais que se esforçasse, sua leal amiga nunca iria suprimir ou esquecer. Aquele amor continuaria ali, e ela sofreria cada vez mais por não poder viver algo tão belo por pura teimosia e capricho. A Shiba sentia isso na própria carne, pois de tanto pensar, desprezar e hesitar, agora ela dava o homem de sua vida como perdido por ter sido tão burra, e isso apenas lhe deu força para não permitir que sua amiga cometesse o mesmo erro que ela, condenando a ele e a si mesma ao eterno sofrimento. E com este nobre pensamento em mente, a ousada mulher voltou ao Hospital Geral de Karakura para colher informações detalhadas sobre o belo Quincy e fazer direito sua boa ação.
Se esgueirou pelos corredores do luxuoso e bem equipado prédio à procura de alguém que pudesse lhe dizer alguma coisa sobre o dono daquele lugar. Não demorou muito para ela achar uma das enfermeiras na ala pediátrica. Com seu smartphone em mãos, a morena foi atrás da profissional de saúde sem dizer nada, e ficou curiosa quando viu que Ryuuken estava num quarto onde uma menina convalescia. A enfermeira em questão logo relatou ao médico o motivo de sua solicitação.
— Ishida-sensei, temos um problema. Esta criança está mal e não consegue respirar direito. Perdão por incomodar o senhor, mas um dos pediatras de plantão saiu para uma emergência na rua e o outro está em cirurgia.
— Não tem problema. Pediatria não é minha maior especialidade, mas já que não tem jeito...
A Shiba ficou intrigada com a cena e de onde estava, apontou a câmera de seu celular para dentro do quarto e começou a filmar o que ia acontecer ali. Ishida se aproximou da menina, e vendo que ela tinha dificuldades para respirar, logo notou ser referente a suas vias respiratórias. Pegou o estetoscópio e viu a garota engasgar. Sentou a menina na cama e deu um leve palmar no meio das costas dela, desobstruindo as vias da criança. Ao se ver melhor, a bela menininha sorriu e deu um abraço apertado no Diretor do Hospital, que retribuiu o carinho e deu um largo e sincero sorriso. Ao ver a cena, Kukkaku mais uma vez se lembrou de Ukitake. De como ele esboçava o mesmo sorriso que Ryuuken acabara de dar, um sorriso espontâneo, sincero, e que mostrava um lado desconhecido, um lado que Yoruichi precisava ver. Por um momento pensou que fazia tempo que não via o lindo sorriso de Juushiro, e com angústia concluiu que ele jamais voltaria a sorrir para ela. Saiu de sua melancolia momentânea e seguiu atrás da enfermeira de antes, já que ela ainda precisava investigar tudo sobre ele.
Ao ser abordada a enfermeira se assustou, mas Kukkaku era astuta e com seu celular, gravou toda a conversa que teve com a mulher sem que a mesma percebesse. A funcionária relatou que Ryuuken sempre fora um homem solitário. Apesar de ser lindo, rico e bem sucedido, ele não era dado a futilidades e nunca se envolvia com ninguém. Sempre arrancava suspiros femininos por onde passava, porém, sempre recusou todas as investidas. Por esse motivo era um viúvo muito cobiçado, mas nunca se aproveitou de suas qualidades para coisa alguma. Desde que sua esposa morreu, ele jamais se aventurou no campo do amor. Não por ser devoto à falecida, mas por desacreditar que coisas como amor pudessem, de fato, ser levadas tão à sério como faz a maioria das pessoas. A verdade é que nunca havia se apaixonado. Nunca se deixou seduzir por mulher alguma, pois simplesmente nunca esteve com alguma que mexesse consigo de verdade. Com Yoruichi era diferente. Sentiu algo o tocar profundamente quando a bela morena o confrontou. Talvez o fato de ter sido desafiado por ela, o fato de alguma forma ela o fazer descer do pedestal o tenha cativado, o conquistado. Nunca tinha se sentido daquela forma, nem com sua primeira prometida, a quem sempre cria piamente amar, tampouco com sua falecida esposa. Se tivesse que analisar a si mesmo, ele chegaria à conclusão de que agora sim estava verdadeiramente apaixonado. Ao dar-se conta de que já tinha todas as provas em mãos, a Líder do Clã Shiba esperou pacientemente do lado de fora do Hospital, onde o abordaria quando o mesmo saísse.
Não teve de esperar muito, pois quase quarenta minutos depois, o Quincy saiu de lá para tomar um café e relaxar um pouco em um restaurante próximo, pois iria encarar um plantão noturno, já que se afogar no trabalho era a única coisa decente com a qual ele queria se preocupar. Ficou intrigado com fato da morena o estar procurando novamente, mas desta vez, o galante médico foi bem mais receptivo.
— Algum problema, Shinigami? Se voltou por causa da sua amiga...
— Não é nada disso! – Ela o corta impaciente. — Na verdade, quero conversar com você.
— De novo? Bom, não sei o que quer de mim agora, mas não vejo mais motivos para falarmos. – Ele abaixa o olhar notavelmente tristonho. — Já viu com seus próprios olhos a reação dela e eu não sou homem de engolir uma segunda humilhação.
— Eu entendo o que sente, por isso mesmo quero que conversemos de novo.
— Já que insiste... Toma um café comigo? – Convidou o platinado.
— Claro. – Aceitou de imediato, embora não entendesse a razão do "café" no fim do dia.
Ambos foram ao restaurante outrora pretendido por Ryuuken e ele gentilmente afastou a cadeira para que a linda morena de notáveis curvas se sentasse. Ele fez o mesmo de frente para ela e ambos pegaram os cardápios quando um garçom apareceu no instante seguinte.
— Boa noite, Ishida-sensei, Senhorita. Um café expresso bem forte e amargo para o Senhor, como de costume. E para a Dama? – O funcionário pergunta educado.
— Hum... pra mim... – Ponderou um pouco ao esfregar o indicador e o polegar no queixo. — Eu vou querer um okonomiyaki com tudo dentro, uma tigela de arroz e uma porção de gyoza caprichada. – Pediu como se não fosse nada, fazendo o platinado arquear uma sobrancelha. — E você só vai comer isso? Agora eu entendo essa sua cara de desnutrição. Quem toma apenas um café à noite? Eu preciso de muita sustância.
— Antes de mais nada, costumo tomar café a essa hora porque vou fazer um plantão noturno.
— E antes de mais nada, eu não sou uma Shinigami, como me chamou a pouco.
— Você não é? – Questionou intrigado ao se servir de umas torradas como tira-gosto.
— Não. Eu pertenço à Soul Society, mas não sou uma Shinigami.
— Entendo... Então será que pode ir direto ao ponto? O que quer de mim?
— Quero que saiba que eu acredito no que você diz. Eu sei que seus sentimentos pela Yoruichi são verdadeiros e estou disposta a ajudá-los.
— Você disse o mesmo horas antes e viu no que deu. Yoruichi Shihoin não quer nada comigo. Para ela eu não passo de um cafajeste que cada dia compartilha a cama com uma mulher diferente, e já que ela pensa assim, eu não posso fazer nada a não ser lamentar.
— E vai desistir dela tão facilmente? Vocês, homens, são muito frouxos!
— Não se trata de desistir facilmente. A questão não é essa. Mas não acha injusto e egoísta querer forçar alguém a ficar conosco sabendo que a outra pessoa não quer? E além do mais... Eu tenho o meu orgulho e não vou ficar rastejando por mulher alguma.
— Sabe... Há um tempo atrás eu também tive o mesmo pensamento que a Yoruichi. Me apaixonei pelo melhor homem do mundo, mas fiz de tudo para negar isso, para enterrar um amor tão puro e desinteressado que sentia, procurando algum defeito nele que eu sabia que não tinha, assumindo uma postura injusta para condená-lo a algo que sempre soube que ele não tinha culpa. E tudo pra que? Apenas para evitar amá-lo tanto. E agora, quando caiu a ficha e percebi o quanto ele me ama e eu a ele, ele me despreza, pois de tanto que eu o afastei, agora ele me quer longe.
— Acho que entendo como se sente. Somos dois desprezados. – O belo Quincy concluiu ao sorver com elegância um gole do café que acabara de receber do garçom.
— Mas não se preocupe com isso. Pode ficar sossegado porque eu vou te ajudar. – Kukkaku disse animada ao olhar para toda a comida que lhe foi servida. — Mas antes... Itadakimasu! E a propósito... Meu nome é Shiba Kukkaku.
— Ishida Ryuuken. Muito prazer.
— É um prazer pra mim também.
つづくcontinua...
