Capítulo 24 – Confissão
Naquele início de noite, Matsumoto andava desnorteada pela rua. Já próxima à mansão, a bela ruiva andava alterada por causa da quantidade de álcool que havia ingerido. Há tempos não sentia vontade de beber. Há tempos não tivera sonhos com Ichimaru. Agora, o dono de seus pensamentos era Izuru, e o fato de tê-lo visto aos beijos com uma pirralha a deixou desestabilizada. Não entendia ou cogitava o porquê daquilo, mas sua certeza era única: o desejava. Desejava devorar aqueles lábios e ter para si todo aquele corpo perfeito que ela já sabia bem como era. Desejava com fervor tê-lo entre suas pernas no maior dos maiores ápices do prazer que fosse possível alcançar. Era assim que se sentia, mas não podia levar tal coisa adiante, já que não queria machucar um homem tão digno que a respeita e a ama em troca de apenas satisfazer seus desejos carnais. Definitivamente não seria justo, e ela não seria tão descarada a ponto de fazer tal coisa. A deslumbrante ruiva vestida de estudante chamava a atenção dos marmanjos abusados, e ela os dispensava habilmente com murros bem dados. Não tinha bebido a ponto de cair. Ainda andava normalmente e tinha total controle sobre o que fazia ou dizia - até certo ponto.
Enquanto isso, o Capitão tinha acabado de tomar um banho e já vestia o seu pijama azul para ficar mais à vontade, pois ele não pretendia fazer mais nada naquele dia. Esperou por Rangiku para que conversassem sobre o comportamento inadequado dela para com Chizuru, mas a ruiva ainda não tinha regressado. Suspirou derrotado e foi até a cozinha onde se serviu de um copo de suco de abacaxi com hortelã. Adorava esta combinação, e era perfeita para amenizar o calor da quente noite. Terminou de saborear o líquido, indo até o pé da escada pronto para seguir para o seu quarto quando viu a ruiva adentrando o hall.
— Kira! – Exclamou alterada, indo até ele e se apoiando nos ombros do rapaz.
— Matsumoto-san... você bebeu de novo? Eu não acredito nisso. – Respondeu descrente ao sentir o hálito de bebida que dela vinha.
— Não mude de assunto. Por que você fez aquilo? Por que deixou aquela ninfeta estudantil te beijar? – Sua voz saiu embargada e cheia de mágoa.
— E eu posso saber qual o problema nisso? Eu sou livre para decidir quem eu beijo ou não, concorda? – Disse firme, porém centrado.
— Não! Você não pode fazer isso! A única a quem você deveria beijar sou eu e ninguém mais! – A frase saiu sem que percebesse, surpreendendo o loiro.
— Quê? Não há dúvida alguma de que você está completamente bêbada. Não tem ideia do que diz, e desse jeito é impossível manter um diálogo coerente com você. Estou saindo.
— Espere, Kira! – Ela o deteve ao empurrá-lo pelos ombros, o imprensando contra o corrimão da grande escada. — Não pode sair assim. Por que fez isso comigo? Me fala! Por acaso já esqueceu que me ama?
— E por acaso você já deixou de amar Ichimaru Gin? – Ele a confrontou a pegando pelos braços abaixo dos ombros. — Cada vez eu entendo menos a sua atitude. O que fez com a Chizuru-chan foi inaceitável. Não tem vergonha de usar sua força contra humanos?
— Chega! Esquece a pirralha, esquece o Gin! Nada disso importa agora!
Izuru não entendia mais nada. Não fazia ideia do porquê ela estar agindo assim, mas não houve tempo para questionar ou pensar, pois Rangiku o puxou subitamente, envolvendo seus lábios nos dele em um fervoroso e necessitado beijo. O loiro resistiu de início, mas foi pego de surpresa tendo sua boca selvagemente invadida pela possessiva língua da sedutora ruiva, que brigava por espaço e também por um pouco de ar. O sabor refrescante da hortelã misturado ao álcool tornava o beijo muito mais delicioso e excitante, causando calafrios em ambas as partes. Não mais resistiu aos encantos de sua amada, e uma de suas mãos desceu pelas costas, encontrando a fina cintura enquanto a outra mão passeia pelo resto das costas, indo até o pescoço, passando pelos longos cabelos e chegando à nuca, arrancando um gemido gostoso seguido de um forte arrepio. Aprofundou mais ainda o beijo, apertando as costas do loiro com força, encontrando os cabelos loiros, os bagunçando com vontade, separando-se sutilmente em busca de ar, substituindo o intenso beijo por selinhos gostosos que desciam pelo pescoço dele o fazendo arfar, e o gemido dele a deixou ainda mais excitada.
— Kira... Você... Você me excita... – Dizia entre um beijo e outro. – Estou queimando de tesão por você.
Ao ouvir aquilo, o jovem Capitão tirou as mãos de Rangiku e as levantou, quebrando todo o contato entre eles.
— O que significa isso? – Perguntou descrente. – Está zombando de mim de novo? – Concluiu visivelmente irritado.
— Não! Eu estou dizendo a verdade! Não sabe como você me deixa louca! Como eu queimo de desejo só de olhar pra você...
— Já chega, Rangiku! – Gritou nervoso a sacudindo pelos ombros. – Eu detesto quando você bebe e diz coisas como essas! Como pode dizer isso? É somente assim que você me vê? Como um mero objeto sexual? Não posso acreditar que mais uma vez você esteja me fazendo de palhaço. – Disse frustrado ao subir para o seu quarto, deixando Rangiku desolada ao pé da escada.
A bela Tenente chorou desesperadamente ao cair de joelhos no chão frio. Suas dolorosas lágrimas refletiam um misto de frustração e medo. Nunca esteve tão confusa quanto agora, e o fato de não entender seus sentimentos só piorava tudo.
— Meu Deus... O que eu fiz? O que está acontecendo comigo? Kira...
Subiu para o seu quarto, onde seu travesseiro era testemunha de sua angústia. Lembrou dos últimos instantes e seu coração apertou quando ele a chamou pelo primeiro nome. Nunca o tinha feito, e esperava que ele o fizesse quando estivesse em seus braços a amando e a fazendo sua como ela almejava. Mas não... Ele o fez nervoso, de cabeça quente, e tudo por que ela estragou tudo. Ela era a culpada, e tinha total ciência disso. Refletiu sobre tudo o que aconteceu antes de perder a batalha para o cansaço. Como ele bem disse, eles eram apenas amigos por que ela assim o desejava, portanto, ela não tinha o direito de lhe cobrar nada. E foi com este sofrimento que a ruiva caiu no sono no qual não iria querer despertar tão cedo.
Ao se jogar pesadamente na cama, o loiro Capitão deu um longo suspiro de decepção. Tais situações com Rangiku estavam beirando o limite do tolerável, e sua mente ficava cada vez mais confusa, pois não queria acreditar que ela estivesse mesmo zombando de si, mas naquelas circunstâncias, era quase impossível não pensar o contrário. E com o seu coração cheio de dor, o belo loiro rapidamente deixou que o sono apagasse, ainda que por algumas horas, a decepção que passou minutos atrás, até que ele soubesse com mais clareza o que fazer a respeito.
Em outro lugar da cidade, Shinji e Nanao conversavam animadamente na praça de alimentação do mesmo shopping que o loiro a levou da primeira vez. Dialogavam sobre o filme que acabaram de ver no cinema regado a vários beijos apaixonados e carícias sutis, e tomavam um gostoso sorvete de chocolate depois de saborearem um belo hambúrguer com batatas fritas e refrigerante. Mas o clima descontraído logo mudou quando a Tenente resolveu tocar no assunto que realmente lhe importava...
— Hirako-san.
— Hum?
— Você ainda não me respondeu algo importante.
— E o que seria?
— Por que não me procurou? Eu fiquei muito angustiada sem saber nada de você.
Tomou outra colher de sorvete e baixou o olhar, respondendo num tom desanimado...
— Eu pensei que... – Hesita por alguns instantes. — Você apenas me achasse um idiota. – Falou com pesar, e um enorme sentimento de culpa invadiu o coração da jovem, bem como Kyoraku havia dito.
— Hirako-san... – Lamentou. — Eu sinto muito por aquilo. Não falei por mal e nem a sério. Pensei que tivesse entendido que era uma brincadeira. – Disse com sinceridade, envolvendo uma das mãos dele entre as suas sobre a mesa. — Acha mesmo que se eu pensasse assim teria tido todo esse trabalho para te encontrar? – Concluiu, acariciando a mão dele com ternura.
— Mas é que... tem outra coisa... – Shinji disse preocupado sem mudar sua expressão apática.
— O que aconteceu? Agora eu é que estou confusa. Você não gosta de mim, é isso?
— Pelo contrário. É por eu gostar tanto... – Prosseguiu, ainda sem olhar para ela. — Que achei melhor não correr o risco de prejudicá-la.
— Me prejudicar? Eu não estou entendendo.
— Você é a Tenente do Kyoraku e eu... Apesar de ter sido um Capitão dentro do Gotei 13, agora não passo de um exilado e eu jamais teria coragem de fazer nada que pudesse a prejudicar de alguma maneira.
— Acho que entendo... Então porque você não me fala sobre aquela garota?
— Hiyori?
— A própria. Agora compreendo de onde veio essa enorme cicatriz que você tem. Porque permite que aquela pirralha te trate assim?
— O caso... – Dá uma pequena tossida antes de continuar — É que a Hiyori é muito complicada.
— Você nem precisava dizer isso. Dá para perceber diante de toda aquela agressividade que ela especialmente dedica a você.
— Eu nunca compreendi de onde vem toda essa raiva da moleca, mas o fato é que eu não me vejo revidando uma agressão dela. Não teria coragem de levantar a mão para a pequena.
— E a garota se aproveita desse fato para te espancar e te fazer de palhaço. Ela não é ninguém para achar que tem alguma autoridade sobre você.
— Tem toda a razão... – Ponderou ao colocar o copo de sorvete vazio sobre a mesa. — Mas sabe, eu conheço aquela pequena há tantos anos que não consigo me lembrar, e acho que essa é a maneira que ela encontra para se expressar.
— Pois que bela maneira de se expressar! Esse tipo de coisa para mim tem outro nome.
— E o que você acha que é?
— Não quero dizer porque sou uma dama, mas vontade não me falta.
— Pois comigo você pode se sentir livre para dizer o que quiser. Não sou o tipo fresco como o Kuchiki, e já vi e ouvi várias coisas de várias pessoas, e, acredite, nada mais me surpreende.
— Fico feliz em saber que posso ser sincera com você, pois para mim isso não passa de puro fogo no cú dessa garota. Nunca parou para pensar que talvez isso signifique que ela gosta de você?
Shinji olhou bem para Nanao, e ao perceber que ela falava sério, o loiro não resistiu e começou a gargalhar compulsivamente, dando fortes tapas sobre a mesa.
— HAHAHAHAHA! Desculpe, Nanao-chan, mas é que você realmente não conhece a Hiyori. As palavras "gostar" e "Hiyori" não existem na mesma frase, muito menos se o assunto em questão for eu.
— Talvez esta seja a sua maneira de ver as coisas, mas vai saber o que se passa na cabeça dela? – Disse a morena ao arquear uma sobrancelha e cruzar os braços.
— Ora, não fique nervosa. Esqueça a Hiyori. Ela é assim mesmo.
— Você até pode fazer vista grossa, mas eu não vou permitir que essa garota encoste sequer um dedo em você na minha frente. – Falou visivelmente incomodada ajeitando seus óculos.
— Só não a machuque. – Ele pediu sincero. — Sabe, aquela garota já sofreu muito, e virar uma Vizard não ajudou em nada.
— Eu te entendo. E mais do que nunca posso ver como o seu coração é bom, pois apesar de ser tão maltratado, ainda assim você tem apreço por ela.
— Como eu disse, somos amigos há muito tempo, séculos, e eu ainda não pude entendê-la. Às vezes me sinto culpado por isso.
— Tudo bem. Por que não esquecemos esse assunto por enquanto?
— Mas foi você que quis falar dela.
— Tudo bem. E o que vamos fazer agora?
— Não sei. Na verdade, se quiser eu te levo de volta para a mansão do engomadinho.
— Tão cedo? Você já quer se livrar de mim? – Usou um tom de decepção.
— Não se trata disso. – Ele logo se defendeu. — Mas acho que já tomei muito o seu tempo.
— Isso não importa. Me leve com você... Por favor.
— Certo... você venceu. Eu te levo comigo.
Ela o abraçou animada, e ambos seguiram de volta ao lar dos Vizards.
No restaurante, Ryuuken e Kukkaku seguiam conversando enquanto a chamativa morena comia a metade do restaurante.
— Quanto mais você ainda pretende comer? Eu preciso voltar para o Hospital. – O platinado a questiona incomodado.
— Calma, homem! Você vai pagar a conta mesmo, então não reclame. Aliás, nós mal conversamos.
— Se você parasse de comer, nós já teríamos conversado faz tempo. – Rebateu franzindo o cenho.
— Tudo bem. Não fique nervoso. Se importaria em contar um pouco da sua vida?
— Minha vida?
— Claro. A sua vida. Me conte como anda a sua vida amorosa. – Falou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Eu não tenho uma vida amorosa há muito tempo, mais precisamente, desde que minha esposa se foi.
— Então isso significa que você é um viúvo muito cobiçado!
— Depende do ponto de vista, mas... – Pausou ao tomar mais um gole de café com elegância. — Sem querer contar vantagem, eu já tive que dispensar muitos convites.
— Imagino que sim, mas então porque se deixou envolver pela Yoruichi?
O belo homem ia responder, mas naquele momento, o garçom veio em sua direção, entregando ao Quincy um guardanapo dobrado. Ao desdobrar o papel, Ryuuken revira os olhos entediado, retira seus óculos e massageia lentamente as têmporas, demonstrando um evidente tédio ao pegar o papel e amassar com vontade, entregando o mesmo de volta ao garçom. Curiosa com tal situação inusitada, a Líder do Clã Shiba vira de costas e olha para a direção em que o belo platinado olhava, dando de cara com uma bela mulher que piscava para ele descaradamente.
— O que era aquilo?
— E não é óbvio? Um número de telefone. Isso acontece praticamente todos os dias.
— Pelo jeito você se referia a este tipo de convite.
— Exato.
— Mas, voltando ao assunto, por que você acabou ficando com a minha amiga?
— Porque tudo nela era diferente. Ela era ousada, atrevida, e me desafiou em um ponto da minha vida que eu sempre julguei intocável: o meu filho.
— Compreendo... Ela jogou na sua cara o quanto você era um péssimo pai para o Ishida-kun, e isso te excitou. – Escancarou sincera.
— Não exatamente. – Fechou o semblante novamente, incomodado com o último comentário e prosseguiu. — Por algum motivo ela quis me seduzir, e conseguiu fazer isso com perfeição, mas a grande consequência é que eu me apaixonei, e é óbvio que ela não sente o mesmo. Na verdade, eu nem sei porque nós estamos aqui tendo essa conversa agora.
— Está enganado. Posso garantir que ela te ama tanto, ou até mais do que você a ela.
— Você só pode estar delirando, senhorita. Isso porque nem ingeriu bebida alcoólica... Se isso fosse verdade ela não teria me mandado para o inferno, concorda?
— Deixe disso, bonitão. Nós mulheres somos complicadas, você deveria saber mais do que ninguém. Vai por mim. É a primeira vez que a Yoruichi se apaixona por alguém e ela está confusa. Mas eu asseguro que vocês têm tudo para dar certo.
— Se você está dizendo... Mas eu não pretendo fazer esforço algum para conquistá-la. Se ela não quiser nada comigo, não serei eu a lhe obrigar.
— Não será necessário. Yoruichi Shihoin irá atrás de você implorando por perdão quando você menos esperar.
— Tem certeza? Ou isso ou ela vai acabar me odiando pelo resto da vida.
— Garanto que não. – Ela sorri animada.
E depois que Ryuuken pagou uma salgada conta, graças ao olho grande de Kukkaku, cada um seguiu seu rumo, e assim que o distinto Quincy saiu, a geniosa Shiba voltou e fez algumas perguntas ao garçom que os atendeu, sempre com os seus inseparável smartphone em mãos.
— Escute, este homem que estava comigo é um cliente regular daqui?
— Ishida-sensei? Ele costuma fazer as refeições aqui todos os dias, mas hoje foi um pouco diferente do habitual.
— E por que diz isso?
— Porque ele sempre vem sozinho. Na verdade, eu estranhei muito, pois é a primeira vez que ele vem acompanhado de uma mulher.
— Mas isso é sério mesmo? Ele sempre vem sozinho? – A mulher disse bastante surpresa.
— Sempre. Raramente ele vem com alguém, e quando o faz, é sempre com algum outro médico do hospital, mas nunca com mulheres. Não faz ideia de quantos guardanapos com números de telefone ele já rejeitou como agora a pouco.
— Isso eu pude perceber. Ele é mesmo um homem muito sério e cobiçado. Agradeço as suas informações.
— Disponha, senhorita. Foi um enorme prazer. – O rapaz comentou ao dar uma bela olhada para o físico de Kukkaku quando ela lhe deu as costas. — Nossa... desta vez parece que o Ishida-sensei deu muita sorte. – Pensou com uma ponta de inveja.
Kukkaku era esperta e gravou tudo isso em seu smartphone. Desde sua conversa com a enfermeira, seu jantar com Ryuuken e o relato do garçom. Tudo pronto para ser jogado na cara de sua amiga teimosa.
Na saída de um Karaokê, Renji e Tatsuki andavam animados pela rua com alguns brindes que ganharam em máquinas de jogos. Ambos estavam felizes, pois se divertiram muito naquele encontro, que começou assim que saíram da escola. Caminhavam de braços dados até que sentaram em uma praça próxima.
— Renji, Estou tão feliz. Acho que esta foi a melhor noite de todas. – Disse animada ao tirar um coelho de pelúcia da sacola, mas o mesmo acabou caindo no chão, e por instinto, ela se abaixou para pegar.
— Deixa. Eu pego. – Disse o ruivo em outro impulso.
Em uma fração de segundos, suas mãos se encontraram e seguraram o pequeno bicho de pelúcia, e seus rostos próximos seguiam com os olhares conectados enquanto levantavam seus corpos para a posição inicial. Os olhares unidos e os rostos colados expressavam a euforia de seus corações naquele momento. As respirações misturadas se atraíram cada vez mais, e as batidas frenéticas de seus corações demonstravam o quanto eles queriam estar juntos. Se aproximavam sem perceber até que seus lábios enfim se tocaram, suas respirações agora eram uma só, unidas no tão esperado primeiro beijo deles que cada um desejava há dias. Com delicadeza eles foram se adequando ao momento quando a grande mão do Tenente acolheu a cabeça de Tatsuki com cuidado, ao passo que um sentia o doce gosto do outro no melhor dos melhores beijos. Ao sentir sua língua ser acariciada gentilmente pela dele, a garota sentiu como se a gravidade lhe faltasse, como se todo o peso de seu corpo tivesse saído. Era como estar em um tapete de nuvens, como se estivesse descobrindo algo novo e extraordinário através daquele inocente ato.
Renji se sentia da mesma forma. Foi como tocar o céu. Sentiu toda a paz daquela menina aparentemente fria e dura para com os demais tomar conta de seu ser, o preenchendo de alegria. Suas línguas dançavam em perfeita harmonia em meio ao ritmo tranquilo de tão doce ato. O intenso contato deu lugar a ternos selinhos, pois a busca por oxigênio comandou a situação. O casal se separou, se olhando com os rostos vermelhos de timidez e de calor, muito calor.
— Tatsuki-chan... eu...
— Não precisa explicar nada. Você não faz ideia do quanto eu queria... Te beijar.
— Desde que eu te conheci e que você me ajudou, senti algo tão especial... um carinho enorme, uma coisa que não consigo definir.
— Eu acho que comigo foi igual. Não sei porquê, mas...
Foi calada por outro beijo do ruivo, muito mais intenso e fervoroso do que o primeiro. Os braços dele a envolveram possessivos, e sua língua percorria a boca da estudante com luxúria, com desespero, como se nada mais lhe restasse a não ser beijá-la. Tatsuki se sentiu esquentar diante de tão intenso beijo. Não esperava que ele a pudesse beijar de forma tão quente a sedutora, mas estava gostando, ou melhor, adorando tal toque. Mas em seu íntimo, bem lá no fundo, algo ainda estava errado. Renji prosseguiu com o profundo beijo, abraçando-se a ela fazendo seus corpos colarem e esquentarem como nunca. A mão da jovem passeou pelo pescoço, por dentro da gola até parar no peito tatuado, cuja respiração acelerada o fazia subir e descer sem controle. Por um breve momento ele se separou dela, lançando um olhar penetrante.
— Você é tão linda, sabia? – Disse sincero, voltando a beijar os delicados lábios de Tatsuki com ainda mais desejo, vendo em sua mente algo diferente do que estava vivenciando. Cada momento que vivia com ela o fazia feliz, o deixava relaxado e calmo, coisa que ele, de fato, adorava. Ainda assim, não conseguia esquecer por completo... aquele alguém. Suas mãos seguravam as costas femininas com firmeza, e aos poucos a falta de ar novamente os obrigou a se separarem.
— Nossa... Isso foi tão...
— Quente, não acha? – Ele a interrompeu, o que a fez sorrir ruborizada. — Eu também queria muito te beijar. Muito mesmo.
E por um bom tempo, Renji e Tatsuki ficaram se beijando, acarinhando e descobrindo o que havia de melhor um no outro.
Andando a passos duros de um lado para o outro, a impaciente Hiyori já estava prestes a fazer um buraco no chão, deixando os outros Vizards tão ou mais impacientes do que ela.
— Grrrrnnnn! – Kensei bufou de ódio. — Dá para parar com isso, Hiyori? Ficou doida? Por que está nessa agonia toda?
— Ainda pergunta, idiota? O Shinji saiu a horas com aquela Shinigami metida e abusada e ainda não voltou. Isso é um desrespeito! – Reclamou nervosa.
— Não vejo porque. – Love rebateu tranquilo. — Afinal de contas, tanto ele quanto qualquer um de nós tem pleno direito de ter uma namorada.
— Namorada? – A franzina garota arqueou uma sobrancelha, e uma veia saltou em sua testa. — Está dizendo que o Shinji se engraçou justo com uma Shinigami? – Questionou exaltada.
Lisa, que ficara todo o tempo vendo suas revistas impróprias para menores, ouvia todos aqueles absurdos incrédula, pois não cria no tamanho da insanidade de sua companheira Vizard.
— Pois eu não aceito isso! Ele não vai ficar por aí se esfregando com nenhuma Shinigami nojenta!
— Fique quieta, Hiyori! Será que não cansa de falar tanta merda? – Lisa se manifestou, fechando a revista com um gesto brusco.
— Qual foi, Lisa? Por acaso você está de acordo com isso? O Shinji se ausentou durante dias depois de quase ter me matado e voltou como se nada tivesse acontecido. Agora vem com esse papo de que gosta de uma Shinigami? Eu não aceito!
— Pobre coitada... Não sabe da missa a metade. – Rebateu a morena de trança.
— O que você disse?
— Shinji nos deixou por que o Hollow dele saiu de controle. Você mesma viu. E para evitar machucar você ou qualquer um de nós, ele preferiu ir embora e ficar sozinho. Isso demonstra o quanto ele é generoso.
— E o que essa Shinigami intrometida tem a ver com isso?
— Foi ela quem o salvou. Graças a ela o Shinji pôde se livrar do grande fantasma que o atormentava.
— É mesmo? E o que era esse tal "fantasma"? – Desenhou as aspas com os dedos de forma debochada.
— Isso se chama "culpa". A culpa que ele sempre sentiu por termos nos transformado em Vizards. Aquilo nunca deixou de afligir o coração do nosso amigo, mas é claro que você, com esse seu cérebro pequeno, jamais compreenderia isso.
Hiyori abaixou os braços e a cabeça em sinal de derrota, indo para o lado de fora da construção, quando do lado oposto, Shinji e Nanao chegavam de braços dados. A pequena loira caminhou poucos metros ao redor do armazém e sentou em um balanço que Shinji fez para ela anos atrás. Tristonha, se balançou devagar, processando com pesar tudo o que Lisa havia dito. Estava muito frustrada, pois tudo aquilo tinha acontecido com Shinji sem que ela soubesse. Estava triste por ele não ter contado a ela o que estava passando, por não ter confiado nela a ponto de dividir seus medos e problemas. Aquilo a magoou. Era péssima em demonstrar suas emoções, mas o loiro teria muito o que explicar a ela... isso teria.
Ao chegarem frenteao armazém, Shinji e Nanao ocultaram suas Reiatsus, pois como Shinji não morava sozinho, não queria que ninguém, especialmente Hiyori, soubesse que ele chegou lá acompanhado de sua namorada. Por sorte, o quarto do loiro ficava isolado no terraço do local, onde havia uma grande área de laje livre e do outro lado uma porta que dava para seus aposentos. Na beira do muro tinha um banco, um lugar perfeito para se contemplar o céu. Ambos voaram até lá em cima pelo lado de fora, já que ir por dentro estava fora de cogitação. Ao ver a vista do firmamento estrelado a Tenente ficou com os olhos marejados e Hirako pediu que ela o esperasse sentada no banco enquanto ele buscava algo em seu quarto. Esperando ansiosa, ela o viu voltar com o seu violão em mãos. Sorriu feito boba e ele ajoelhou diante dela começando a tocar uma linda e extrema música romântica. Com seu invejável talento, o Ex-Capitão tirou lindos acordes de seu violão, de onde tocou More Than Words, fazendo a bela Nanao se emocionar ainda mais. Seus dedos corriam pelas cordas do violão, e Nanao fez um sinal para que ele parasse.
— O que aconteceu? Eu toco tão mal assim? – Perguntou curioso.
— Não é isso. É que se continuar, alguém pode ouvir.
— É verdade... eu não tinha pensado nisso. E agora?
— Não se preocupe. Eu vou resolver isso.
Foi até a mureta do terraço onde posicionou ambas as mãos e formou uma barreira de Kido em volta de todo aquele andar. Shinji a seguiu com um olhar interrogativo, e ela voltou a se sentar onde estava.
— Uma barreira de Kido?
— Pense que agora estamos isolados em outra dimensão. Ninguém poderá nos ver e nem nos ouvir.
— Ótimo. Não sei como eu não pensei nisso antes. Então agora eu posso trocar à vontade.
— Estou ansiosa para ouvir.
E ele prosseguiu. Dedilhava as cordas do instrumento com maestria, tirando dele o mais belo som daquela linda música romântica. O semblante dele era de uma paz reconfortante. Era a primeira vez que a morena o via tão tranquilo.
— Gosta de música?
— Adoro. E vindo pelas suas mãos eu gosto mais ainda. O seu sorriso é tão...
— Estranho? – A interrompeu.
— Eu ia dizer divertido. Me sinto tão bem ao te ver sorrir.
— Devo isso a você.
— Está enganado. Deve a você mesmo.
Continuou tocando, e a música emocionante e romântica tocou fundo o coração da Tenente, que mais uma vez começou a se emocionar. Por um momento, começou a se lembrar de sua casa, seus amigos, o Seireitei, e tudo aquilo a encheu de emoção ouvindo tão delicada melodia. O loiro, concentrado no que tocava, sorria de canto em uma expressão deveras tranquila, e sua mente estava em um estado de paz que há muito ele não tinha. Poderia ficar ali tocando para ela para sempre, mas esse momento tranquilo foi interrompido quando o loiro levantou a cabeça e notou o rosto de sua amada tomado por lágrimas.
— Nanao-chan? O que foi? Está passando mal?
— Não. Por favor, continue tocando. Só estou emocionada.
— Por Deus! Corta o meu coração te ver chorar. Como acha que eu posso continuar tocando se você está assim? – Disse preocupado, fazendo menção em se levantar.
— Fique onde está e continue tocando. Eu estou chorando de alegria. É uma sensação tão boa... Algo que só consigo sentir quando estou com você, por isso, estou pedindo, não pare de tocar.
Mesmo contrariado, o Vizard continuou tocando, e cada vez mais a subordinada de Kyoraku se emocionava. Shinji fechou os olhos, tentando apenas fazer o que ela pediu, ficando concentrado na música que executava. De repente, sua mente ficou vazia e ele visualizou seu Hollow interior. A criatura ornada com a inconfundível máscara de Faraó apareceu diante dele, e com um leve aceno de cabeça estendeu-lhe a mão. Aquele que fazia parte de si agora era idêntico ao loiro, tal como o Hollow de Ichigo, porém com todo o seu rosto coberto pela máscara. Não sabia a expressão que o mesmo fazia por estar com o rosto coberto, mas relutantemente deu a mão a ele, e foi como se uma grande aura de Reiatsu envolvesse ambos, fazendo seus longos cabelos e suas roupas esvoaçarem. O Hollow acenou em positivo, com suas mãos unidas as de Shinji, e o Vizard compreendeu o que ele queria dizer. Foi como se seu próprio Hollow estivesse dizendo que ele estava curado e que poderia continuar em paz, pois tudo estaria bem. Seu pequeno 'acerto de contas interno' terminou quando parou de tocar subitamente ao sentir a mão de Nanao pousar sobre a sua.
Olhou para ele com ternura, um olhar calmo, cheio de amor, e rapidamente ela foi chegando mais perto, dando um suave beijo no rosto de Hirako, fazendo seu corpo inteiro tremer. Ela prosseguiu, envolvendo o rosto dele entre suas delicadas mãos, dando-lhe um profundo beijo, e logo uma delas invadiu as longas madeixas, alcançando a nuca e fazendo o Vizard se arrepiar por inteiro. Se afastaram devagar, compartilhando um olhar carinhoso.
— De onde veio isso? Não me beija desse jeito senão eu fico tontinho... – Brincou, dando o melhor de seus sorrisos, mas ela ainda mantinha uma postura séria.
— Apenas quero que tenha entendido através deste beijo o tamanho dos meus sentimentos por você. Nunca fui boa com palavras neste tipo de situação, mas quero que jamais duvide que és especial para mim.
Shinji ficou em silêncio, apesar da óbvia declaração, ele ainda não estava totalmente convicto. Não queria um envolvimento mais profundo apesar de ter se apaixonado pois novamente ele entrava em um dilema de não querer prejudicá-la, já que agora eles não pertenciam mais ao mesmo mundo. Nanao percebeu a dúvida e a inquietação nos castanhos olhos, que não apenas tinham a apatia habitual, mas também estavam rodeados por uma sombra de preocupação e temor, chamando a atenção da Tenente, que estranhou quando ele inconscientemente virou o rosto para o lado oposto.
— Hirako-san? – Virou o rosto dele de volta com delicadeza. — Está tudo bem? Eu disse algo errado?
— Não. Você não disse nada. É só... Nanao-chan, acho melhor eu te levar de volta para a mansão. – Falou contrariado, já que sua maior vontade era envolvê-la em seus braços e amá-la a noite toda.
Uma tristeza profunda tomou conta da bela morena ao ouvir tais palavras. Tinha acabado de se declarar e ele literalmente a dispensou. Começou a cogitar que talvez tivesse sido um erro ir atrás dele quando lágrimas desceram pelo seu rosto sem que notasse.
— Tudo bem. – Disse magoada ao levantar. — Acho que depois de tudo, foi um erro ter vindo te procurar. Está claro que você não gosta de mim, e eu prometo não mais te incomodar. – Sua voz saiu embargada e cheia de mágoa.
— Nunca mais repita isso! – Rebateu convicto, levantando em seguida, apoiando seu violão no banco. — Eu quero te proteger. Jamais faria nada para te prejudicar. Sei que logo você terá que voltar para o Seireitei, e não acha que se houver um movimento mais profundo entre nós será pior quando você tiver que ir embora?
— Então é isso que te preocupa? O que virá no dia seguinte? Eu apenas me preocupo com que acontece neste momento, e agora eu apenas queria ficar com você. Mas já que isso é um problema tão grande... – Falou ainda mais chorosa. — Já que eu sou um problema para você... É melhor mesmo que eu vá embora. – Concluiu ao começar a andar, mas o loiro a deteve dando-lhe um caloroso abraço.
— Jamais! Você jamais será um problema para mim. Nunca tive a intenção de te magoar. – Estreita o rosto dela contra seu peito, envolvendo a nuca de Nanao com sua grande mão, ato que fez a presilha dela ir ao chão e seus cabelos caírem sobre a mão dele como um sedoso tapete de ébano.
Se afastou com calma e a contemplou maravilhado. Seus olhos castanhos acinzentados a vislumbraram com um fascínio muito maior e brilharam como se a sombra sobre eles houvesse desaparecido completamente, detalhe este que não escapou dos cintilantes olhos de Nanao, que teve seu pranto contido pelos gentis dedos do loiro rapaz, que secou o rosto dela como quem tocava o objeto mais precioso.
— Em poucos dias você se tornou a coisa mais importante dessa minha miserável e vazia vida. Amo você, e quero que nunca duvide do quanto significa para mim.
— Hirako-san...
Não disse nem mais uma palavra, por sua boca foi tomada pela dele numa rapidez anormal. Beijou-a com fogo, com intensidade, coisa que ele nunca antes fez em todos os beijos que trocaram. Não tinha do que reclamar, pois o adorava cada vez mais. Seu corpo tremeu ao sentir sua boca invadida pela sedenta língua dele tão voluptuosamente, como se tão intenso beijo fosse capaz de lhe tirar todas as forças, quebrar suas colunas e destruir seus alicerces. Hirako percebeu isso quando o corpo dela enfraqueceu em seus braços, que os mantiveram firme em seu devido lugar. Foram se abaixando sem que notassem, e logo os fios loiros se espalharam pelo chão como se fossem um tapete dourado no meio do gelado piso de mármore escuro. Totalmente entregues àquele beijo tão apaixonado, parecia que eles não mais precisavam de ar para viver.
— Shinji... é apenas Shinji.
Foi a única coisa que ele conseguiu falar ao separar sua boca da dela por breves instantes. A respiração acelerada de Shinji chamou a atenção de Nanao, que com rapidez levou sua mão até o nó da gravata branca com uma faixa azul vertical e a puxou fortemente, desfazendo o nó transformando o acessório em uma faixa jogada no chão e nada mais. Em seguida passou a abrir os botões da camisa preta a fim de alcançar sua tão desejável pele. Abriu a camisa do Vizard por completo, e com sua mão direita explorava toda a extensão do esbelto tronco, ao passo que a esquerda se mantinha atrás da cabeça dele no chão. O loiro queria gemer, queria gritar de prazer em meio àqueles toques aparentemente "inocentes", porém quentes e precisos, mas sua boca, ainda sendo degustada por ela, não podia dizer nada naquela hora. Suas mãos firmes a seguravam pela cintura fina subindo pelas costas por cima da blusa de linho cinza que usava, e logo alcançou o zíper da mesma quando quase chegou ao pescoço e na mesma hora o puxou para baixo, sendo possível provar em suas mãos a maciez da gostosa pele de sua amada. Seus dedos caminhavam lentamente pela extensão das costas nuas esbarrando no sutiã cinza meia taça de bojo firme que ela usava, o que apenas aumentou sua vontade de abrir aquela lingerie e deixá-la nua de vez. Com este insano pensamento ele levantou, fazendo os dois ficarem sentados. Ajeitou Nanao em seus braços e a levantou, andando com ela até o interior de seu simples, mas bem decorado quarto, que pelo calor do momento, ela nem teve motivo para reparar em sua decoração.
No caminho, a blusa dela caiu por cima do banco, bem próxima à gravata dele. Ao entrar no cômodo, Shinji a colocou na cama com cuidado, e ambos sentaram de frente um para o outro, e não esperaram para se beijarem mais uma vez. As mãos de Nanao deslizaram pelos ombros largos fazendo a camisa cair devagar por suas costas à medida que ele soltava os braços. Se olharam desejosos, admirando a perfeição um do outro. A cintura delgada e a pele alva aliada aos cabelos negros que lhe caíam sobre os ombros, parando na altura dos moderados e bem desenhados seios o provocavam de uma forma que ele não sabia explicar, ao passo que ela devorava com o olhar o esbelto e definido o corpo do Ex-Capitão, e aquela enorme cicatriz que atravessava seu tronco lhe parecia assustadoramente tentadora. Os dois tiraram os sapatos para ficarem mais à vontade e a Tenente se aproximou dele para mais um beijo quando este colocou a mão em sua boca como se a estivesse repelindo, para a sua surpresa.
— Tem certeza de que quer continuar? Ainda dá tempo de desistir.
— Acha mesmo que se fosse para desistir eu estaria aqui na sua cama agora? – Falou sincera.
— Certamente que não... – Sorriu balançando a cabeça negativamente, e ela achou tal atitude encantadora, fazendo com que ela se rendesse ainda mais.
— Relaxe e não se preocupe com nada. Apenas vamos desfrutar todos os momentos que passaremos juntos, está bem?
— Como quiser. Você manda.
Voltou a se aproximar com a pior das intenções, mas ele ergueu uma das mãos abertas, gesticulando para que ela parasse, deixando a Shinigami ainda mais confusa e apreensiva.
— O que aconteceu desta vez?
Nada disse. Apenas sorriu de canto, colocando as mãos ao redor do rosto da adorável Tenente, que fechou os cintilantes olhos diante disso. Com cuidado, retira os óculos dela e os coloca sobre a cabeceira com as pernas abertas e as lentes voltadas para cima. Envolveu a amada em seus acolhedores braços em outro beijo sincero e apaixonado, onde cada um compreendeu o tamanho dos sentimentos que tinham um pelo outro. Seus corpos foram acometidos por um calor fora do normal conforme o beijo ficava mais intenso e provocante, e não demorou muito para a boca de Nanao descer pelo queixo, encontrando o pescoço, onde com prazer colocou uma generosa mecha de cabelo para trás, degustando com vontade a pele de seu querido Vizard. Por fim, chegou ao ombro esquerdo onde encontrou a característica cicatriz, e com o indicador traçou todo o local, ato que deixou Shinji arfante e acelerado. Nanao adorava sentir o cheiro doce da pele dele e a maciez dos longos cabelos cor do sol que a fascinavam de forma inexplicável. Provava com gosto cada cantinho do corpo sedutor do Ex-Capitão, e sentir sua pele quente por suas carícias a deixava excitada e sedenta de libido. Seu corpo reagia a isso fortemente quando se percebeu encharcada. Aquilo era bom, maravilhoso, e as contrações gostosas de sua genitália apenas demonstravam o quanto ela o queria, o quanto desejava tê-lo dentro de si. Desejava isso fortemente porque o amava, e ali, no sossego daquele quarto, sem que ninguém testemunhasse, ela faria exatamente o que o seu corpo e coração desejavam desde que o conheceu.
Suas mãos pararam na fivela do cinto branco, e nervosa, puxou, abrindo acessório. Como se estivesse inconsciente, Shinji não demonstrava reação alguma, e os dois se puseram de pé, cada um deles se livrou da parte de baixo de suas vestimentas. A bermuda jeans clara que ela vestia foi ao chão, bem como a calça cinza dele. Ver o órgão de Hirako ereto, ainda que por baixo da boxer preta, a encheu de fogo, de tesão, e ele a conduziu de volta a cama, onde ela se sentou na beirada, recostada no espelho desta. Foi a vez de ele brindá-la com suas carícias. Ajoelhou no chão e envolveu o pé esquerdo da morena entre suas mãos, fazendo uma leve massagem no calcanhar e em toda a sola do pé, deixando Nanao ainda mais acesa. Passou a dar beijos e pequenas lambidas subindo pela canela, massageando a panturrilha, chegando na coxa grossa e desfrutando do aroma e textura excitantes da pele dela, que reagiu ao estímulo com altos gemidos de satisfação e cheios de luxúria. Ela sente estar cada vez mais molhada, e o palpitar de seu coração anunciava que ela pedia por mais. Os habilidosos dedos do loiro apertavam e acarinhavam ambas as coxas, e ele captava com seu nariz e boca toda a sensação de prazer que provinha de sua sedosa pele. Suas lambidas precisas chegaram na virilha, onde ele puxou discretamente a calcinha cinza nada reveladora o atiçando ainda mais. Puxou a lingerie bem devagar até deixá-la desnuda. Não tinha pressa, queria fazer tudo com calma, se deliciando a cada momento junto dela. Nanao apenas se limitou a controlar sua respiração ofegante e as batidas de seu coração acelerado com os carinhosos toques do atencioso loiro. Distribuía selinhos molhados por toda a extensão das torneadas coxas, até que sua calcinha foi ao chão, e ele a colocou junto ao resto das roupas.
Nanao se sentia um tanto nervosa por estar com sua genitália toda exposta, mas nada daquilo importava, pois era isso que queria, que almejava no mais íntimo de suas forças. Estava entregue a ele, queria ser dele, e receberia com o maior dos prazeres tudo o que ele viesse a fazer consigo a partir daquele momento. Não demorou a acontecer, pois a língua atrevida de Shinji se enveredou pelo interior da cavidade encharcada, provando com vontade seu maravilhoso gosto, o melhor que já provou durante sua longa vida. A bela tentava não se contorcer, mas era difícil ao ser tão gostosamente provocada. A língua de Hirako entrou de uma só vez, causando uma gostosa sensação de cócegas nela devido a argola presa na língua do Vizard. A mesma não conteve o riso, fazendo ele rir junto com ela. Continua passeando vagarosamente pela intimidade umedecida, ousando de movimentos circulares e tentadores pelos grandes lábios e o clitóris, que ao ser tão irresistivelmente tocado, causa nela um forte espasmo, e ela grita enlouquecida ao ter o seu primeiro e saboroso orgasmo, sem dúvida o mais maravilhoso que já teve em vida.
Levantou o rosto, jogando os longos cabelos para trás, e Nanao, ainda abatida e exausta pelo primeiro clímax, fica sem ar ao ver que ele já estava nu diante de si. Limpando os lábios molhados do gozo de sua linda Shinigami, ele a beija intensamente a puxando pela nuca molhada de suor, fazendo a morena provar do seu próprio gosto enquanto roçava a língua na argola presa à dele. Sentir seu próprio rosto junto a saliva de Shinji era a coisa mais excitante que já provou, e cada vez mais se surpreendia com os dotes magistrais do belo loiro, que sentou frente a ela sobre a cama.
A Tenente olhou maravilhada para o grande e ereto pênis, que pulsava de desejo por ela. Com os olhos brilhando, ela se abraçou a ele, sentindo em suas mãos o calor e suor das costas masculinas, e ele fez o mesmo. Passou os dedos com firmeza nas sedosas costas, soltando o fecho do sutiã, a única coisa que ainda o impedia de vislumbrar a sua amada por completo. A peça de roupa também caiu ao chão, junto com as demais. Os olhos castanhos acinzentados, antes sempre tão vazios e inexpressivos, agora tinham um novo brilho, um novo rumo, e ela era a responsável por isso. A responsável por colocar um pouco de felicidade no olhar sempre apático. Observou quase hipnotizado os redondos e durinhos seios, e com cuidado a deitou na cama, onde pondo-se por cima da morena, passou a saboreá-los com adoração. Tocou os dois com ambas as mãos, e ela instantaneamente gemeu alto de loucura. Massageou aquele gostoso volume com calma, delicadeza. Ao beijá-los com prazer, Nanao sentiu como se flutuasse num mar de fogo incandescente lotado de paixão, e devido a posição, os longos fios do rapaz caíam sem controle sobre o tronco dela, que exaurida, movia seus quadris para cima e para baixo, levando suas pequenas mãos de encontro a cabeça de Hirako, que ainda provava da tão gostosa parte de sua adorável Nanao.
Afundou suas mãos nos longos fios dourados, acariciando a cabeça dele com movimentos circulares enquanto tinha seus seios chupados por ele. Adorava ter suas mãos envoltas pelos fios lisos, e deslizava seus finos dedos por toda a extensão das longas madeixas, enquanto seu tesão crescia desmedido ao ser tão ousadamente acariciada. A língua habilidosa de Shinji devorava os mamilos durinhos com voracidade, faminto de desejo. Entendeu o quanto ela gostava de ser tocada daquele jeito quando a calma massagem em seus cabelos deu lugar a literais puxões, fortes e possessivos, e o loiro logo se posicionou por cima da Tenente, levando seu duro membro à entrada da mulher, que gritou alto ao finalmente ser invadida por ele.
Lentamente, Shinji foi se encaixando em Nanao, moldando-se no interior da morena em uma sensação arrebatadora para ambos. Ao se encontrar perfeitamente encaixado, Shinji quase foi ao céu, comprimido pela fenda quente e acolhedora que a bela Tenente possuía. Ao ser preenchida pelo cativante loiro, a Shinigami perdeu o ar. Com toda a calma do mundo, Hirako entrava e saia, embalado naquela tão sensação maravilhosa de estar sendo por ela comprimido, e suas contrações respondiam o quanto ela gostava de ser por ele preenchida. Num ato rápido, Shinji jogou a cabeça para trás, esvoaçando as longas mechas, sentindo-as caírem lentamente por seus ombros, braços, e envolvendo suas costas.
Ele gemia e gritava extasiado, e seus movimentos calmos logo ficaram mais intensos, fazendo Nanao gritar ainda mais, balançando os quadris como louca e amassando o lençol devido ao profundo êxtase que sentia. Aturdida, sua intimidade se contraía ainda mais, deixando Hirako muito mais ofegante e sem resistir, ele atinge o ápice, e se derrama dentro dela, que sente como se uma fina corrente elétrica seguida de um arrepio invadisse seu divinal corpo, tendo outro orgasmo praticamente junto com ele. Suados e exaustos, eles novamente sentam de frente para o outro, com as pernas encaixadas. Outro apaixonado beijo se inicia, e mesmo sem ar, ainda compartilham todo o amor que sentiam.
Deitaram cansados, cobrindo seus corpos com o lençol azul clarinho que adornava a cama. Nanao deitou por cima, recostada no espelho da cama, enquanto Shinji deitou de lado, pousando a cabeça em seu tronco. Ele fechou os olhos tranquilo, dando um sincero sorriso de felicidade. Sim. Era isso que ele sentia naquele momento. Como se pela primeira vez em sua longa vida ele estivesse, de fato, vivo. Sorriu discreto em meio a grande felicidade que sentia, e Nanao compartilhava do mesmo sentimento. Nunca tinha se sentido tão plena, tão realizada como agora. Ela acariciava os cabelos dele com devoção, como se estivesse fazendo um cafuné para que ele dormisse. Shinji logo ergueu a cabeça, deitando frente a ela, e iniciou outro beijo doce e cheio de amor. Ao terminar, a única coisa que ele ouviu foi o murmurar da suave voz de sua doce namorada.
— Shinji... – Gemeu baixinho em seu ouvido. — Eu te amo... muito... de verdade. – Declarou, para a surpresa do Líder dos Vizards.
Emocionado, os acinzentados olhos do lindo loiro marejaram, e lágrimas rolaram por seu rosto. Nanao também se emocionou ao vê-lo chorar, e com doçura alisou o rosto de seu querido com as costas das mãos, quando se abraçaram e dormiram profundamente, guardando com eles a melhor de todas as lembranças: a noite em que se amaram...
つづくcontinua...
