Capítulo 26 – Reconciliação

No pátio da escola, os claríssimos olhos de Rangiku se abriram depois do tempo em que ela passou dormindo. A primeira coisa que a bela ruiva viu ao despertar foi algo inusitado e difícil de crer. Chizuru e Kyone carregavam Kira de qualquer jeito pelos ombros andando pelo pátio em direção à saída do prédio. Intrigada, a Tenente resolveu seguir os três, pois se preocupou com o estado do loiro. Já do lado de fora, Chizuru, ainda confusa, questionou:

— Né, para onde mesmo a morena peituda falou para levarmos o Kira-kun?

— Para a casa do Capitão Kuchiki. Precisamos levar o Capitão Kira de volta para lá.

— Capitão pra lá, Capitão pra cá... Que negócio é esse de Capitão?

— Depois eu explico. Se bem que...

— O que foi, Kyone-chan?

— É que se o levarmos para lá... O Capitão Kuchiki...

— Se isso trouxer problemas pra ele, acho melhor o levarmos para a minha casa.

— Sua casa? Mas seus pais...

— Não se preocupe. Eles vivem viajando. Nunca estão em casa. Eu sempre estou sozinha. – Falou com um tom de pesar, e Kyone lamentou por ter perguntado.

— Certo. Então vamos para lá.

Depois que as duas entraram em um acordo, seguiram com Izuru para a casa de Chizuru.

— O que será que aconteceu com o Kira para ele estar sendo carregado por aquelas garotas? É melhor eu checar.

Foi o que ela fez. Seguiu ambas e ficou surpresa ao ver que o loiro fora levado para casa de Chizuru. Inconsciente pelos efeitos do álcool, as garotas o levaram para o quarto dos pais de Chizuru, onde havia uma cama maior onde poderiam cuidar dele mais adequadamente.

— Caramba... Este cheiro de saquê está bem forte – Observou Kyone.

— E se déssemos um banho nele?

— Ficou louca, Chizuru-san? – A pequena ruborizou como nunca antes. — Não podemos fazer isso! Como vamos dar um banho no Capitão?

— E você tem uma ideia melhor? Pois do jeito que está ele não pode ficar.

— Tem razão... Mas... Um banho...

— Tudo bem. Não precisamos deixá-lo nu, embora vontade não me falte.

— Quê?

— Nada! Temos outras formas para fazer isso.

A garota foi até o armário e pegou um dos robes de seu pai. Depois foi até o banheiro e providenciou uma vasilha com água e toalhas limpas. Forrou a cama com a toalha e colocou Izuru deitado por cima desta. Chizuru tratou de tirar suas roupas começando pela gravata, o livrou da camisa e não pôde deixar de sentir um estranho calor ao observar a perfeição do atraente corpo de Kira. Abandonou os pensamentos pervertidos por hora, e com a ajuda de uma mais do que constrangida Kyone, passou a "dar uma faxina" em Kira para livrá-lo do suor e também do cheiro de bebida. Depois de fazer o asseio, elas o vestiram com o robe, dando um laço frouxo, e Chizuru retirou a calça dele por baixo da outra peça de roupa. Evitou ao máximo olhar, preservando a privacidade dele. O próximo passo da estudante foi colocar todo o uniforme do loiro para lavar, já que estava suado e cheirando a álcool.

A casa de Chizuru era bem ampla, tinha dois andares, e sem poder ver o que acontecia lá dentro, Matsumoto ficou ainda mais apreensiva, pois era curiosa e lhe dava agonia não saber do andamento da situação. Não podia fazer nada a respeito, já que não podia invadir a casa da garota e correr o risco de deixar Izuru ainda mais revoltado com ela. Ao concluir isto, a ruiva fez o que lhe restou fazer naquele momento: sentou no telhado da casa onde adormeceu como um pobre gato desamparado.


No hospital, os Ishidas ainda se olhavam em silêncio. Ryuuken observava o filho com certo espanto, já que notava algo diferente nele. Sua postura séria e determinada era algo que o enchia de orgulho, e seu olhar altivo era admirado pelo Ishida pai, mas não era só isso. Havia outra coisa, alguma coisa que ele não sabia explicar. O brilho dos olhos safira de seu filho, tão iguais aos seus, estava diferente. Era como se ele enxergasse nas profundezas de seus olhos que o filho havia virado um autêntico homem. Aquilo o encheu de uma alegria sincera, como há tempos não sentia, e um sorriso verdadeiro foi desenhado em seus lábios, fato este que Uryuu interpretou como puro sarcasmo, já sabendo "a fama" de seu pai.

— Do que está rindo? – Perguntou frio. — Esse sarcasmo na sua cara só comprova o quanto está equivocado sobre a minha vinda até aqui.

— Você aparece do nada e a primeira coisa que faz é me acusar? Há vários tipos de sorrisos, fique sabendo, e infinidade de razões para sorrir, mas seria perda de tempo explicar a você o motivo do meu sorriso anterior, já que você já fez o seu pré-julgamento. Então, diga logo a que veio.

— Não vim te procurar pelo que está pensando.

— Não estou pensando nada. Deixe de tentar adivinhar meus pensamentos e reações e vá direto ao ponto.

— Como quiser, Ryuuken. Eu apenas vim para lhe comunicar que eu estou me relacionando com uma Shinigami.

— E por que está me contando isso? – Questionou ao arquear uma sobrancelha um tanto surpreso.

— Porque eu não quero que saiba por outras pessoas. Além do mais, nem pense em ser contra ou fazer qualquer coisa para me separar dela.

— Está me ameaçando, garoto?

— Não. Estou apenas me protegendo de você.

— Quanto rancor. Eu sou seu pai e não seu inimigo.

— Sim? Pois também conta a maneira de se comportar. Do jeito que sempre agiu comigo, mais parece ser meu inimigo.

— Mas claro... Eu já tenho "a fama".

— Exatamente. Só vim aqui para dizer que estou namorando sério com a Nemu-san, e você nem pense em tentar fazer nada para nos separar. – Falou decidido, enfrentando o pai.

Ryuuken ouviu com pesar as palavras do filho. Sempre esteve afastado por não concordar que o filho fosse um Quincy, por sempre o julgar sem talento para tal. A verdade é que tinha medo de vê-lo morto em batalha. Sabia que estava errado em duvidar das capacidades de Uryuu, mas não era um monstro como o próprio Ishida filho e Yoruichi o moldaram. Ele sabia que não era, não era aquele homem tão frio e inatingível que ostentava, mas seu comportamento e ações diziam o oposto. Ele não era aquele ser desprezível o qual taxaram, apenas um homem incompreendido que da sua maneira só quer o bem de seu filho. Mas o fato de ser moldado como o pior dos homens pelas duas únicas pessoas que ele ama o magoava, o deixava triste e solitário, por isso ele preferiu se afastar, se manter longe, já que sua presença causava tanto mal. Não tinha o que fazer. Não tinha moral alguma para criticar o filho por se envolver com uma Shinigami quando ele mesmo se deitou com uma Ex-Capitã depois de anos de abstinência e luto por sua esposa falecida. Deu um longo suspiro, pois nada tinha a fazer ou falar para ele. Recuou e voltou a sentar em sua cadeira, bebericando o café quente em lentos goles.

— Então? Não vai dizer nada? – O encarou já perdendo a calma.

— O que quer que eu diga? Você já tomou sua decisão e apenas quis comunicar. Eu não tenho nada a dizer, já que você sempre fez o que quis. Quando sair, feche a porta.

Ishida girou em seus próprios calcanhares, atravessando a porta para sair. Fechou a mesma e encostou-se nela do lado de fora. Estava muito surpreso, impressionado, diria, com a postura indiferente e apática de seu pai. Esperava ouvir o maior sermão reprovador de toda a sua vida, já que Quincys e Shinigamis deveriam ser inimigos naturais, mas ele nem sequer piscou, nem se deu ao trabalho de argumentar nada, uma vez que ele seria o errado da história e seria voto vencido. Do lado de dentro da sala, o platinado foi até a porta e se encostou nela de costas, tal como Uryuu estava do lado de fora.

— Apenas seja feliz, meu filho. – Murmurou baixinho em um sorriso sincero.

Com os ótimos sentidos que tinha, Ishida ouviu a frase do pai, e emocionado, sentiu seus olhos marejarem, seu rosto esquentar e uma solitária lágrima escapar de seus olhos.

— Papai... – Disse baixo e inconscientemente.

Ryuuken ouviu a voz do filho e abriu a porta rapidamente, mas o hábil rapaz já havia sumido, para o lamento do médico, que só restou vestir novamente seu terno e seu jaleco, continuando assim o seu nobre trabalho de salvar vidas.


Anoiteceu. Ao ver o céu tingido de negro pelas janelas da sala de aula, Kukkaku deu-se conta do buraco negro onde se encontrava naquele momento. De joelhos e desolada, a bela mulher teve a sensação de que seu coração havia parado de bater no instante em que viu o seu amado naquele estado. Estava paralisada de pavor, de desespero ao pensar que ele pudesse estar morto. Queria dizer tantas coisas a ele. Queria que ele soubesse que ela não era o ser frio que sempre quis que ele achasse que fosse, que ela nunca o odiou, que o que sempre sentiu era um amor sincero, louco e sufocante o qual ela sempre tentou, em vão, suprimir, enterrar. Como não amar? Como não amar alguém como ele? Abalada, ela percebeu que não era hora para pensar nessas coisas, teria que agir.

Levantou apressada e saiu correndo até o corredor onde tinha um bebedouro. Puxou um dos copos descartáveis do suporte e o encheu com o líquido transparente. Em seguida, tirou um lenço de pano que trazia em seu bolso e também o ensopou na água gelada. Voltou correndo para a sala e bateu a porta com força, travando a mesma. Sem demora, virou o corpo do belo Capitão com cuidado, e sentando no chão, dobrou a perna esquerda o ajeitando em seu colo. Ao vê-lo sangrar desacordado como estava, ela só conseguiu o abraçar com uma doçura e delicadeza tão grande que nem mesmo ela sabia que tinha, e que só ele era capaz de despertar nela.

— Ukitake! Acorde! Por tudo o que mais ama, abra os olhos e diga que está tudo bem. Não faça isso comigo! Pelo amor de Deus, acorde! – Ela gritava suplicante.

Deus... Desde quando? Quantos séculos fazia desde que ela recorria ao nome do Todo Poderoso? Fosse o que fosse, não importava. Só o que importava era que ele voltasse, que ele mais uma vez abrisse aqueles lindos olhos que cintilavam como duas perfeitas esmeraldas e lhe brindasse com o mais lindo que ele tinha: seu sorriso. Aquele sorriso maravilhoso, encantador e verdadeiro que só ele possuía, e que a conquistou desde o primeiro momento em que viu.

Pegou o lenço úmido e passou a limpar o sangue que escorria por seu queixo e parte do pescoço. Afrouxou a gravata para que pudesse facilitar sua ação. A morena notou que a respiração de Juushiro estava fraca, e os lábios entreabertos buscando o pouco que fosse de ar da atmosfera denunciavam isso. Aquela boca, que ela bem sabia ser deliciosa, a provocava, e era surpreendente a forma como ele, ainda que inconsciente, conseguia ser tão absurdamente sexy sem nem ao menos querer. Balançou a cabeça com força para mandar embora aquele pensamento, pois não era o momento para aquilo. Ao ter seu rosto e pescoço molhados pela água fria, Ukitake demonstrou certa reação, dando alguns gemidos roucos à medida que recuperava a consciência. Sem perceber que Juushiro estava reagindo, Kukkaku o abraçou mais uma vez, e sem que pudesse se controlar, começou a chorar. O Capitão sentiu o calor das lágrimas de sua amada escorrer por seu próprio rosto. Abriu os olhos lentamente, mas ainda não conseguia falar coisa alguma.

— Ukitake... Eu te proíbo de morrer, entendeu? Você merece viver. Sua vida é muito importante para todos a sua volta. Sua vida é importante para mim... mais do que qualquer outra coisa. Eu te amo... Mais do que poderia imaginar que pudesse amar. Eu quero que você viva, mesmo que nunca acredite no quanto eu te amo, ainda que nunca mais você queira olhar na minha cara... Só saiba que eu te amo. Se eu pudesse voltar no tempo... Se eu pudesse desfazer todas as besteiras que fiz, todas as atrocidades que te falei... só não morra! Por favor... me deixe ver o seu sorriso outra vez. – Terminou seu discurso desesperado.

— Kukkaku-san...

A voz extremamente grave e baixinha do belíssimo Capitão fez toda a extensão do corpo da Shiba tremer. Seu coração palpitou e seu sangue ferveu só de ouvir. Se afastou com cuidado, mirando com alegria e alívio o lindo rosto de Ukitake, e seus olhos verdes brilhavam de felicidade ao vê-lo reagir.

— Ukitake... graças a Deus você acordou!Eu estava tão preocupada!

— Eu... o que aconteceu comigo? Acho que tive uma crise. – Comentou ainda tonto. — Minha cabeça está um caos... Está tudo girando.

— Você acha? É evidente que teve uma crise. Que ideia foi essa de não tomar o remédio o dia todo?

— Eu não preciso tomar um remédio todos os dias. Sempre controlei minha doença através de minha Reiatsu, mas... Dentro desse Gigai... – Continuou com sua voz fraca, tossindo novamente.

— Está vendo? Não pode se descuidar. – O amparou, colocando o lenço em sua boca, manchando o tecido com mais sangue. — Tome, aqui está o seu remédio. Aquela sua subordinada escandalosa o deixou comigo.

Sem perguntar nada o Capitão tomou o remédio com a água que Kukkaku lhe deu.

— Como... Me encontrou aqui? – Perguntou ainda fraco, deitado confortavelmente no colo dela.

— Kyone estava te procurando feito louca e me pediu ajuda. Quando ela explicou a situação eu fiquei muito preocupada. Sai desesperada atrás de você. Estava morrendo de medo achando que você... que você...

Para ela era difícil falar. Era difícil controlar suas vontades, seus sentimentos. Ukitake não conseguia manter os olhos abertos. Sua cabeça girava como se o seu cérebro tivesse sido posto em um liquidificador. Ainda respirava com os lábios entreabertos. Precisava esperar o remédio fazer efeito. Alguns minutos foram necessários para que ele organizasse suas ideias e chegou à conclusão de que estava nos braços de sua amada. Aquilo era bom e ruim ao mesmo tempo. Estar com ela poderia ser a coisa mais maravilhosa do mundo, mas ao mesmo tempo tinha dado um basta em sua grosseria e prepotência, e não mais queria vê-la de novo. Todavia, ouvir aquela declaração repentina cheia de sinceridade e sentimento mexeu com o coração de Juushiro. Ele queria ter forças para levantar dali. Sair correndo para não cometer uma loucura, uma loucura da qual ele poderia se arrepender pelo resto de sua existência, mas não podia. Não podia fugir dali. Estava à mercê da situação, e tudo o que viesse a acontecer naquela sala nos próximos minutos seria simplesmente porque tinha que acontecer, e ele não estava disposto a fazer nada para impedir.

Kukkaku e Ukitake ficaram daquele jeito por mais de dez minutos. Era tudo muito doce, muito mágico. Tê-lo em seus braços tão perto, tão vulnerável, era como estar no céu. Poder estar com ele, olhar de perto para o seu rosto angelical, sentir o calor de sua pele, ter seus dedos no comprimento dos sedosos cabelos era como estar no paraíso. Bastava isso. Aos poucos, o platinado ia recuperando suas forças, e o controle sobre o seu próprio corpo estava ficando mais fácil. Com certa dificuldade ele tentou levantar, mas sem sucesso.

— Fique calmo. Não tem que levantar ainda. Sei que você deve estar incomodado com a minha presença. Sei que quer distância de mim, mas o importante agora é a sua saúde, que se sinta bem, portanto, não se preocupe. Descanse em meus braços pelo tempo que precisar.

— Eu sinto muito, Kukkaku-san, não quero te incomodar com a minha doença. Já me sinto um pouco melhor e acho mais conveniente ir me deitar na enfermaria.

— Acha mesmo que se fosse um incômodo eu estaria aqui? Acha que se eu não te amasse com loucura teria ficado tão desesperada? Não, Ukitake. Sei que agora você me repudia, e tem todas as razões do mundo para isso, mas tenho ciência da minha culpa. Só estou te pedindo para não fazer nenhuma besteira. Descanse até que se sinta bem o bastante para sair.

— Não sei... Acho melhor...

Tentou levantar outra vez, mas seus reflexos não estavam bons como de costume. Ela o segurou como pôde, mas acabou caindo por cima dele, tendo seus corpos inevitavelmente colados um no outro. Ela caiu por cima, tendo seus vastos seios imprensados contra o peito rígido, e seus rostos próximos fizeram suas respirações se misturarem, e os olhares verdes se miraram de forma penetrante. Na mesma hora, um filme passou na cabeça de ambos ao mesmo tempo.

— Isso... Parece familiar para você? – Falou baixinho e de forma sedutora, causando um excitante arrepio no charmoso Capitão.

— Do que você está...?

— No quarto da Yoruichi. – Ela o cortou. — Estávamos do mesmo jeito que estamos agora. Não acha que é coisa do destino?

— Adiantaria alguma coisa se eu te pedisse para sair de cima de mim como da outra vez?

— Sem chance... pois dessa vez não tem ninguém aqui para me impedir de fazer o que eu ia fazer naquele dia.

— E o que você... Vai fazer...? – Perguntou completamente inocente, porém temendo a resposta.

— Sua inocência é mesmo tão odiosa... E fascinante. É uma das coisas que eu mais amo em você.

Sentir a respiração daquele homem lindo desconectada, bem como seu coração acelerado a enchia de tesão, elevava a sua libido à mil e deixava seu corpo em chamas por saber que ela era a responsável por aquilo. Se amavam, se desejavam, e naquele momento não havia nada que os impedisse de viverem isso, sentir em seus próprios seres como era gigantesco e verdadeiro o amor que sentiam, e que por anos ficou enterrado, suprimido, e que por fim tinha a oportunidade de se libertar para ser vivido como eles mereciam.

Livre de culpas ou remorsos sem sentido, Kukkaku beijou Juushiro, moldando seus lábios carnudos aos dele com maestria. Sem esperar, sua língua atrevida invadiu a desejosa boca, onde o gosto do sangue dele se misturou com sua saliva, deixando a mulher ainda mais excitada. Suas mãos passearam pela cabeça, passaram pelos fios claros, alisaram o pescoço até chegar na gravata frouxa, afrouxando-a mais ainda e desfazendo o nó, jogando o acessório para o lado. Provar da boca daquele homem era como conhecer o paraíso na terra, como flutuar, pisar em nuvens. Resumindo: a melhor coisa que poderia sentir, algo que obviamente só poderia ser superado pela sensação de tê-lo dentro de si, e ela o teria. Faria o que quisesse com ele, concretizando o imenso amor que jamais seria capaz de apagar de si mesma.

A ainda tímida língua e Ukitake dançava calma pela extensão da boca da Shiba, mas não era páreo para a sedenta e voraz língua da morena, que dominava a situação. Sem desfazer o delicioso beijo, seus dedos finos encontraram os botões da camisa, desatando todos eles com precisão e desespero. Queria deixá-lo nu, provar daquele corpo tentador o mais rápido possível. Atingindo seu objetivo, ela abriu de vez a camisa do platinado, tendo em suas mãos a pele em chamas do peitoral firme e definido do belíssimo homem.

Finalmente dando chance para Ukitake respirar, a sexy boca de Kukkaku desceu pelo pescoço, fazendo o Capitão jogar a cabeça para trás, batendo a nuca no chão involuntariamente, dando um gemido de dor e prazer ao mesmo tempo. Seguiu pelo peito, onde lambeu com movimentos circulares e friamente calculados. A gostosa pele de Ukitake em contato com sua boca a fez enlouquecer, e não demorou muito para que todo o corpo de Kukkaku fosse envolto por um calor absurdo, e sua lingerie ficasse encharcada, fruto de sua excitação. Seu coração disparava à medida que raspava seus branquíssimos dentes na pele alva, cravando suas unhas no peito, deslizando-as até o fim do abdômen, marcando o tronco de Juushiro de cima abaixo, chegando bem onde queria, lambendo cada curva da cintura sarada, fazendo Ukitake gemer de prazer sem que notasse, causando na Shiba uma intensa sensação de satisfação e felicidade ao ver que ele estava tão receptivo às suas carícias.

Aos poucos o remédio ia fazendo efeito, e o passivo platinado ia recuperando mais ainda as suas forças. Ela logo chegou na fivela do cinto, e com péssimas intenções, a abriu com força, e tamanho apetite sexual estava despertando o ainda fraco corpo de Ukitake, que começava a esquentar como nunca antes perante os encantos da fogosa mulher, que não teve trabalho algum para deixá-lo apenas com uma discreta boxer marrom. Embora ansiosa, ela não tinha pressa, só queria estender aqueles momentos por toda a eternidade, se possível. Queria provar cada canto do corpo de seu amado, cada centímetro da pele excitante dele... Ela o queria todo para si. Ficou surpresa quando ele levantou subitamente, ficando sentado, olhando para ela de forma enigmática.

— Está melhor, meu querido?

A pergunta pegou Juushiro de surpresa. Na verdade, cada atitude dela o pegou de surpresa. Não imaginava ouvir tal declaração, não imaginava que ela fosse capaz de cuidar de si com tanto empenho, e, nem mesmo em seu sonho mais louco, pensou que ela dizia a verdade sobre estar apaixonada por ele. Ele até poderia perguntar mais uma vez, confirmar o que ouviu da boca dela quando estava recuperando a consciência, mas não importava. Só o que importava era o presente, e naquele momento ele a encarava sério.

— Não pense que alguns beijos ousados ou carícias atrevidas irão apagar a minha memória. Eu não esqueci tudo o que você fez.

— Mas você vai esquecer. – Falou tranquilamente num sorriso malicioso que conseguia seduzir o Capitão e deixá-lo vulnerável às suas vontades. — Sabe por que você vai esquecer? – Prosseguiu tirando o laço de seu uniforme, e de maneira sexy e provocante, começou abrindo o primeiro botão de sua blusa. — Porque... Tudo o que eu falei, tudo o que eu te fiz... era mentira. – Ela terminou abrindo outro botão, e mais outro, até que toda sua blusa estava aberta, e cada movimento foi seguido pelos olhos esmeralda de Ukitake. — Era uma desculpa para não deixar que você percebesse... que eu sempre te amei. E eu estou arrependida por ter sido fraca, por ter sido burra...

Jogou a blusa para o lado e pousou as mãos abertas no peito de Ukitake, deslizando pelos ombros até fazer a camisa dele cair por suas costas. Kukkaku usava um sexy conjunto de lingerie preta que ela aderiu desde que chegou ao mundo doa vivos. As meias 7/8 rendadas, a cinta liga preta e o corpete apertado que imprensava seus grandes seios a deixava linda, irresistível. O comprimento da saia curta parava estrategicamente na altura da renda das meias, dando a impressão de que ela usava meia calça. A micro tanga rendada amarrada nas laterais completava o look sexy. Juushiro a olhava maravilhado. Ela era linda, perfeita, exuberante, mas essas qualidades eram ainda mais ressaltadas sob os olhos dele.

— Que foi? Vai ficar aí parado me olhando até quando? Não seja tímido.

Mal acabou de dizer isso e foi pega de surpresa pelas mãos do Capitão, que levantou rapidamente e a pegou pela cintura, levantando o atraente corpo da mulher como se não fosse nada, caminhando com ela até a grande mesa da professora, a colocando sentada nesta, de frente para ele.

— Ui! Pelo jeito você já está bastante recuperado. Não sabe como me deixa feliz.

— Eu estava apenas pensando... Na dor no pescoço que eu iria ter...

— Tem toda a razão. Você é tão alto. Eu não consigo acompanhar...

Sua frase logo foi interrompida por um intenso beijo. Surpresa e animada com a atitude dele, ela tratou de puxá-lo pelos ombros, abrindo as pernas e as enlaçando em torno do tronco do belíssimo Shinigami. Adorava a ousadia dela, não podia negar, e aquilo o deixava excitado ao extremo como poucas coisas na vida. Apesar de ele ser um homem bastante calmo e adepto a coisas mais tranquilas, quando se tem uma mulher como Shiba Kukkaku em seus braços, coisas como calma e tranquilidade ficavam em segundo plano.

A morena se surpreendeu com aquele beijo repentino e ousado. Estava feliz como nunca antes, não pelo simples fato de Ukitake estar com ela, mas por que o amava verdadeiramente, e descobrir esse outro lado dele foi algo que a deixou contente ao extremo. Não tinha do que reclamar, só desejava que aquele momento jamais tivesse fim. Cada toque que recebia, cada choque entre suas línguas a enchiam de um êxtase sem controle. Mas ela queria mais... muito mais do que isso. Suas mãos descontroladas alisavam as largas costas masculinas, subindo pelo pescoço e a nuca, desalinhado os cabelos lisos.

Ukitake enlaçou suas mãos na cintura fina, deslizando para cima onde por fim encontrou os fartos seios, envolvendo-os em suas grandes mãos com precisão. Os mágicos dedos eram gentis, e sentir suas mamas pressionadas com tanta candura a fez gemer descontrolada no meio daquele beijo enlouquecedor. Precisava de ar, e vendo que ele não estava disposto a quebrar a gostosa 'luta' entre suas línguas, ela mesma separou suas bocas dando leves e molhados beijos nos ombros desnudos enquanto arfava e o sentia arfar, como se estivessem sincronizados.

— Você... – Falava pausadamente, sem fôlego. — Me deixa louca, sabia? Sem chão... sem forças... Você é muito bom.

Ele retribuía com beijos ao redor de seu pescoço e discretas lambidas em sua orelha, fazendo a Shiba encharcar ainda mais em suas partes baixas, que já começavam a se contrair sem controle. As mãos que amparavam os seios logo foram para as costas, puxando o zíper da lingerie de uma só vez, empurrando o corpete para trás e puxando o resto da roupa, jogando para o lado enquanto olhava a nudez parcial quase hipnotizado. Segurou-a pela nuca e a olhou nos olhos de forma sedutora, puxando a bela para outro beijo cheio de amor e tesão ao mesmo tempo. Os beijos dele eram os melhores, os mais doces e os mais quentes de todos. Não esperava algo assim, mas estava adorando cada vez mais. A surpresa de Kukkaku não acabava. Seu coração palpitou quando ele subitamente colocou a mão por dentro da calcinha, enfiando seus dedos na vagina em chamas e os girando para ambos os lados, fazendo a morena gritar na hora, absorta com a invasão repentina.

Tirou os dedos da cavidade úmida envoltos naquele delicioso fluido de fêmea e separou seus lábios do dela, contornando sua boca com o líquido, dando outro beijo profundo em sua amada, para que ambos provassem de seu gosto. Kukkaku estava tonta, atordoada, surpresa com tamanha ousadia dele. A Shiba perdeu o fôlego, sucumbindo de vez as múltiplas qualidades daquele homem perfeito.

Passou a lamber as grandes mamas com vontade, chupando o mamilo rosado e nitidamente rígido. O outro seio era agraciado pela mão direita, que brincava em movimentos circulares em uma quente e erótica massagem. A outra mão se aventurou por dentro da saia, que por um milagre ainda estava em seu lugar, chegando no grande e durinho traseiro, apertando e soltando com força, com devoção, sentindo com o tato o tamanho mínimo da calcinha que vestia, e sentir aquele fino pedaço de pano enfiado no meio de sua amada o deixava ainda mais aceso. Quando seus dedos tatearam a parte de cima dos quadris encontrando um laço nas laterais, um sorriso de prazer brotou no rosto do lindíssimo Capitão, que ainda saboreava o enorme seio naquela gostosa provocação. Sem hesitação, ele puxou as cordas de ambos os lados, soltando a mini lingerie, que ele jogou no chão de qualquer maneira, deixando Kukkaku boquiaberta. Ele mais uma vez parou o que fazia e posicionou seu rosto frente ao dela. Aqueles divinos olhos verdes pareciam o enfeitiçar, como se ele não mais pudesse controlar suas ações quando estava diante dela.

— Só para você saber... – Falou sério, e sua grave voz fez a morena tremer dos pés à cabeça. — Eu não sou tímido. Agora deite-se. – Literalmente ordenou.

Possessa, porém rendida, ela deitou sobre a mesa, ansiosa para o que viria a seguir.

— Ao contrário. – Ele ordenou novamente, virando o corpo dela de bruços na mesa.

A Kukkaku apenas restou ficar o mais confortável possível, segurando na beirada da mesa como podia. O platinado pegou uma das carteiras e colocou frente à mesa. Sentado nela, massageou as pernas encontrando as grossas coxas, e a textura daquela sedutora meia o fazia pirar. Ainda por debaixo da saia ele encheu as mãos com os abundantes glúteos, e a intensidade do ato foi tão grande que sua pele ficou marcada. Não queria tirar aquela saia, não queria quebrar aquele suspense que era tão excitante e desesperador ao mesmo tempo. Ukitake logo levantou da cadeira debruçando-se sobre ela, distribuindo beijos molhados e quentes pelas costas nuas, fazendo-a ofegar como jamais antes. Kukkaku estava no céu. Nunca esperou atitudes como estas de Juushiro, nunca esperou que ele a perdoasse e a acolhesse em seus braços e também nunca cogitou que ele a premiaria com aquelas preliminares, que de tão saborosas, estavam prestes a levá-la ao ápice e fazê-la desfalecer de tanto desejo. Um arrepio fino a invadiu quando ouviu aquela voz máscula mais uma vez em seu ouvido.

— Então? Como vamos continuar?

— Aaarrrnnnn... – Ela gemeu exaurida. — Me chupa. – Falou sem vergonha alguma, o que não surpreendeu o veterano.

— Não quero. – Respondeu direto, e ela deu um sorriso ao vê-lo dominante.

Ele a puxou com força para trás, e ela de costas pra ele, estava cada vez mais excitada e sedenta de vontade de ser loucamente preenchida por aquele homem maravilhoso. Implorava por isso no mais íntimo de sua mente. Ele a abraçou por trás e ela podia sentir o palpitar do coração dele em suas costas. Fechou os olhos arfando quando outra vez seus seios foram envolvidos pelas habilidosas mãos de seu amado, dando a ela o ininterrupto prazer de ser tão intensamente amada.

— Ukitake... – Suspirou em sua quase mortal falta de ar.

— Kukkaku-san... – Suspirava de igual maneira, dando beijos amenos na lateral do rosto da morena. — Faz ideia de quantas vezes eu chamava o seu nome? Cada dia, cada noite era somente o seu nome que eu chamava.

— O mesmo comigo... Mas eu não queria sentir... sempre quis negar a mim mesma o quanto eu te amava, o quanto você me encantava. E como eu não iria amá-lo? Você é perfeito. Tem um coração enorme, é lindo... absurdamente lindo... e, o melhor de tudo, é delicioso! Um tesão... Maravilha em forma de homem. Quero ser tua em todos os sentidos. Eu sou apenas tua... no meu coração, na minha mente, e agora... em meu corpo.

Tirou a própria saia, ficando completamente despida, e aquelas meias apenas davam a ela um charme a mais, aumentando assim o desejo nos olhos verdes cintilantes do charmoso Capitão.

— Não precisa dizer nada. Nenhuma palavra é necessária. Só o que interessa é que nos amamos e vamos concretizar isso... agora.

Ele a deitou de bruços novamente, e sem piedade rasgou sua própria cueca, libertando assim o seu grandioso membro, que há vários minutos pulsava ereto e sem controle, resultado daquela excitante 'brincadeira'. Tendo sua amada bem onde queria, ele se posicionou entre as pernas dela, levando sua sedutora boca aos ouvidos da morena uma vez mais.

— Saiba também que eu jamais seria capaz de te repudiar... minha adorada princesa.

Sem vacilar, abriu bem as pernas da deliciosa mulher e a tomou de uma vez, penetrando-a com uma virilidade anormal para seus padrões. A belíssima mulher deu um forte grito, e o lindíssimo Capitão fez o mesmo. Ela ficou praticamente tonta ao ser preenchida de forma tão frenética, desestruturada ao ser tão loucamente invadida por aquele membro enorme e imponente. Ele era gostoso, melhor do que qualquer homem com quem ela se relacionou em vida, e ele seria o melhor. Seria o melhor... Em tudo.

Ele se sentia da mesma forma. Gritou como um louco ao ser tão intensamente recebido pela intimidade apertada, quente e flamejante de sua amada. Ela se debatia sobre a mesa, e Ukitake continuou, puxando e empurrando o corpo da formosa morena, e ambos sentiram um fogo sufocante em seus corpos esculturais.

Entrava e saia com força, com paixão, com a maior das intensidades. Kukkaku revirou os olhos conforme sua intimidade se contraía de modo intenso, sendo possuída daquela maneira tão direta e viciante. Juushiro era surpreendente em todos os sentidos. Não tinha como ser mais perfeito. A cada minuto ele a surpreendia mais, cada vez ela ficava mais encantada, apaixonada, enfeitiçada, pois não imaginava que alguém tão calmo e de personalidade tranquila como ele fosse tão intenso, exuberante e maravilhoso na cama.

Ukitake não parava. Suas investidas eram fortes e sem interrupções. Não sabia o que acontecia consigo. Jamais se comportou de forma tão intensa, tão vibrante durante uma transa, mas com ela era diferente. Tudo era. A amava e agora tinha a plena certeza de que era sinceramente correspondido. Não tinha o que hesitar, não tinha porquê se conter. Queria apenas... tê-la. Se sentia gostosamente acolhido por ela, pressionado por seu interior quente e macio. À medida que intensificava seus movimentos, mais apertado se sentia, tremendo e se arrepiando por completo. Kukkaku era implacável, deliciosa, e ser tão pressionado por ela o fez vibrar, e ele chegou em seu limite, jorrando dentro dela, seguido de um grito de prazer desmedido no maior dos maiores prazeres.

O calor do membro de seu divino homem dentro de si, bem como as fricções que sentia cada vez que ele entrava e saia a deixaram louca, anestesiada... sedenta... receber o gozo de seu amado dentro de si a fez chegar ao limite, e assim como ele, Kukkaku gozou, tendo seu corpo invadindo por um tremor incontrolável.

Os corpos suados e exaustos tombaram após o inigualável orgasmo, e Ukitake sentou em uma das carteiras, sem forças, tentando se recuperar do momento mágico e incomparável que viveu. Mas não era o bastante. Ela queria mais. Queria mais daquele corpo perfeito. Queria mais de seu amado Capitão. Queria tê-lo para sempre, envolvidos eternamente na magia que era estar com ele. Seu clitóris inchado pedia por mais, por muito mais. Juushiro ainda estava sentado na carteira com a cabeça para trás, ofegando pesadamente a fim de recuperar suas forças. Kukkaku se aproximou perigosamente, e abrindo as pernas perante seu amado, sentou com tudo sobre o pênis ereto, fazendo o platinado gemer exaurido.

— Agora quem manda sou eu. – Disse maliciosa. — Não sabe como esperei por este momento...

Juushiro nada respondeu. Estava cansado, mas não importava. Estava satisfeito e queria dar a ela o que tinha de melhor. E se ela queria uma parte dois, por que não? Ela sentava e levantava com força, dando a Ukitake o maior dos prazeres. Sentia o corpo de seu belo Capitão se arrepiar e ela sentia o mesmo, pois ele voltou a massagear suas grandes mamas, unindo e separando ambas na horizontal, chupando seus mamilos, fazendo a morena delirar conforme rebolava no delicioso membro do gentil Shinigami. Ela arranhava os ombros alvos e puxava os prateados cabelos, doida de tesão por ser novamente preenchida, por ser tão ousadamente chupada. Seu corpo se moveu para trás violentamente, sendo segurado pelos fortes braços de Ukitake, que sentiu com habilidade que mais um orgasmo atingiu sua amada morena.

Completamente exaustos, os dois deitaram no chão da sala de aula onde continuaram se beijando de forma mais calma, pois não tinham forças para irem além disso.

— Te amo. – Ela disse em seu ouvido, e ele sorriu, para sua eterna alegria. — Senti tanto a falta do seu sorriso lindo. Amo você. Nunca duvide disso.

— Não duvido. Agora... não mais. – Respondeu carinhoso, alisando os cabelos bagunçados e escuros.

— Eu nunca mais quero me afastar de você.

— Nem eu, minha Deusa.

— E agora, o que faremos?

— Que tal dormirmos um pouco?

— Claro, meu amor. Só não esqueça de erguer uma barreira de Kido.

つづくcontinua...