Capítulo 8 – A Última Chance
'Eu estava pensando em a gente se encontrar mais tarde pra conversar. Sabe, sobre aquilo'... 'Eu estava pensando em a gente se encontrar mais tarde pra conversar. Sabe, sobre aquilo'... 'Eu estava pensando em a gente se encontrar mais tarde pra conversar. Sabe, sobre aquilo'... ... 'Tá. Depois das aulas, então' ... 'Tá. Depois das aulas, então'
... 'Tá. Depois das aulas, então' ...
Aquelas frases perturbavam e infernavam a cabeça de Draco impiedosamente enquanto ele andava pelos corredores do castelo, tentando pensar em um plano relacionado à futura conversa que Gina estava planejando. O que ele iria falar? Ele nem tinha certeza do que estava pensando, como conseguiria pensar em palavras que a reconfortassem e ao mesmo tempo deixassem claro de que ele não está pronto pra ser... pai?
Ele iria ser pai. Pai. Como isso era possível? Era tão... estranho! Como isso poderia ter acontecido? E de uma maneira tão inesperada?
"Draco?"
"Gah!" Draco deu um pulo ao dar de cara com Bea Knightley e Tate O'Connel, seus dois companheiros da sonserina "Que diabos?!"
"Você ta bem?" perguntou Bea preocupada.
"É... você tava com uma cara muito estranha e... achamos que você tava falando sozinho..."
"Estou ótimo" ele pigarreou alto e coçando a cabeça tentou mudar de assunto "E ai, pra onde vocês estão indo?"
"Hmm" Bea e Tate se entreolharam "Pras Masmorras, as aulas já terminaram e a gente ta combinando um jogo de pôquer entre o grupo... Você gostaria de jogar com a gente?"
"Ou anda muito ocupado ultimamente?" pirraçou Bea.
"Eu... hm... estou livre, vou acompanhá-los às Masmorras"
Tempo! Era disso que precisava pra pensar no que fazer. Ele iria pra o dormitório, talvez jogar um pouco de pôquer, ou talvez tomar um banho e descansar... Gina não se irritaria se ele se atrasasse só um pouquinho... Ela sempre se atrasava! Ela era a que se atrasava sempre, qual era o problema de ele se atrasar um pouquinho? Ele tinha tanto direito quanto ela!
Tudo bem, as circunstâncias não eram as mesmas... Mas não teria nada de errado em tomar um banho antes de ir esperá-la na Sala... E... E então Draco lembrou-se que eles não especificaram um lugar de encontro, o que significava que... Ele não sabia aonde eles iriam se encontrar! E essa era sim uma desculpa válida!
"DRACO! Ao que devemos a honra!" um Zabini sorridente gritou assim que os três sonserinos entraram nas Masmorras.
"Vamos jogar" murmurou Draco.
Zabini arqueou uma sobrancelha e olhou para os dois que acompanhavam o loiro.
"Também não sabemos o que deu nele" Bea deu de ombros. "Mas vamos aproveitar, né"
"Beleza... Vamos lá! Quem vai jogar... Você, Bea, Tate? Tate também... Draquinho... Crabbe.. Não, Pansy, você não.. vai brincar de bonecas..."
"Eu nunca posso jogar nada!" esganiçou Pansy Parkinson.
"Crabbe e Goyle.. OK. Seis no total. Eu dou as cartas"
Isso estava ótimo pra Draco. Como nos velhos tempos. Não precisava se preocupar com nada a não ser uma boa partida de pôquer com os amigos. Pelo menos por agora... Por esse pequeno tempo que lhe resta antes de uma nova fase de sua vida. Ou... Será que ele precisava mudar mesmo? Será que ele sabia qual escolha era a certa?
"Uhuu... Aquela Anna Faris é demais."
"Acho ela sem graça"
"Nem você, Bea, pode negar isso"
Como? Anna Faris?
"Ela é a maior gata da Sonserina sem dúvidas"
"Ei, Zabini!"
"Desculpe, B. É a verdade.. mas você vem logo depois"
Draco pigarreou alto "Do... do que vocês tão falando?"
"Daquela garota do sexto ano. Não se lembra? Acho que vocês já tiveram um rolo" Zabini apontou para trás de Draco e quando o loiro se virou, encontrou os familiares grandes olhos azuis que se socializavam com um grupo de meninas num canto da sala.
Ele engoliu em seco e desviou o olhar bem na hora em que ela o retribuiu. "Bobagem" ele pigarreou e olhou pra o grupo "Bobagem de quarto ano. Vamos continuar"
Os sonserinos se entreolharam e deram de ombros, assim continuando o jogo.
Será que essa garota tinha um dom? Podia ler mentes? Por que ela sempre estava presente? E por que ela tinha que aparecer bem quando a vida de Draco estava confusa daquele jeito? Era alguma brincadeira? Um teste?
Fosse o que fosse, ele não estava certo de como deveria agir.
Tentou esquecer de tudo que o estava incomodando e começou a prestar atenção na partida.
Depois das aulas Gina tinha voltado pra Sala Comunal da Grifinória pra deixar os seus livros e pensar um pouco no que ia dizer. Estava sentada numa poltrona de frente pra lareira quando Hermione adentrou na sala. Gina não havia se dado conta da companhia da amiga e ainda estava prestando atenção nas madeiras em chamas.
"Oi Gina..." Hermione sentou do lado da ruiva que parecia bem distraída "Já vi que tiveram a conversa... O que houve?"
"Como?"
"Sua expressão me diz que vocês já tiveram a conversa"
"Ah, não... Ainda não tivemos. Eu vim até aqui pra pensar... mesmo... no que eu vou falar. Mas parece que tudo fugiu da minha mente. Como se não tivesse o que falar, sabe? Como se... como se ele tivesse que saber exatamente tudo o que eu to passando."
"Como assim?"
"Hermione... Ele não tinha que está agindo dessa maneira. Eu estava tão cega. Achando que eu tinha feito alguma coisa errada. Eu não fiz. Nós dois cometemos um erro e eu não vou ser a única a pagar por ele. Não sou eu que tenho que decidir o que vou falar! Eu já disse tudo, já fui muito paciente e legal com ele. Não sou eu que tenho que correr atrás e implorar pra ele ficar na minha vida. Aconteceu e eu tenho que lidar com isso. Seja com ele ou não."
"Gina... Dá pra perceber que você o ama."
"Eu o amo, mas não posso e não vou continuar a implorar por nada"
"Dê tempo ao tempo. Na teoria tudo é fácil. Você vai precisar dele"
"Tenho que começar pela teoria! Eu vou dar uma última chance pra ele e pronto. Vou fazer isso agora"
"Boa sorte e não faça nada... estúpido"
"Pode deixar"
A ruiva saiu decidida da Sala Comunal rumo a Sala deles pensando em como diria tudo isso a Draco. Será que ela conseguiria? Queria ser forte, mas a presença do loiro sempre a intimidava. Era como se ele fosse a coisa mais importante e ela não quisesse decepciona-lo. Entretanto, isso não poderia continuar. Tinha outra coisa na jogada agora. E Draco passaria a não ser a mais importante.
Seria difícil dizer tudo aquilo a ele, mas teria que fazê-lo.
Gina entrou na sala e esperou. Era óbvio que ele iria pra lá. Eles não marcaram um ponto de encontro, e sempre que isso acontecia, a Sala era o lugar.
"VOCÊ ROUBOU!" um Zabini indomável gritava nas Masmorras. "DRACO EU VOU TE MATAR! VOCÊ TINHA ESSE ÁS NA SUA CADEIRA!"
"Não tinha, seu demente. Você é burro e não sabe jogar e fica me culpando pelas suas derrotas. Quanto apostamos? Ah... Tudo pra mim..." um Draco feliz pegava vários sicles, nuques, sapos de chocolates e um único galeão.
"ME DEVOLVA O MEU GALEÃO!"
"Fica quieto, Zabini... Você apostou essa porcaria desse galeão mesmo sendo um péssimo jogador. Até Goyle jogou melhor que você. Pansy jogaria melhor que você"
"Ah, sério? Obrigada Bea!" uma contente Pansy agradeceu.
Bea revirou os olhos pra morena e se desviou de um golpe que tinha de Zabini.
"VOCÊ TAVA COM ELE NESSA, SUA VÍBORA!" Zabini se levantou em um só pulo de sua cadeira" Quer saber? Não quero mais saber desse jogo, nunca mais! Não jogo com pessoas que precisam roubar para ganhar"
Draco revirou os olhos "Cala boca Zabini" e puxou três cartas que se encontravam embaixo da almofada da cadeira do sonserino "Isso quer dizer que você não jogaria com você mesmo?"
"Er... Eu não sei como essas cartas foram parar ai! Só pode ter sido você! Quem mais saberia?"
"Nos poupe Zab. Já ouvimos seus gritos demais por hoje, vou tirar um cochilo" exclamou uma Bea sonolenta. Crabbe, Goyle e Tate também se retiraram na mesa, rindo com Zabini sendo desmascarado por Draco.
"Você vai ver, Draco. Vai ver" ameaçou Zabini pra uma Draco risonho e saiu das Masmorras.
"Eu sou realmente muito bom" dizia Draco enquanto guardava o dinheiro e comia um sapo de chocolate.
"Draco você é tão bom! Me ensina a jogar!" gritava Pansy Parkinson agora do lado do loiro.
"Hoje não, Pansy. Estou cansado."
"Tudo bem..." soltou um murmúrio bem xoxo e se juntou a umas garotas que estavam em outro sofá.
Draco já tinha esquecido que tinha um compromisso. Há muito tempo não se divertia assim com seus amigos. Mesmo eles sendo idiotas, ele sentia falta. Eram os momentos onde ele podia ser Draco Malfoy.
O loiro sentiu alguém sentar do seu lado. "Pansy, já disse que... uh... er... O que você quer?"
Anna sorriu e se aproximou, roçando sua perna na dele. "Seu amiguinho tava bem estressado."
"Zabini?" ele sorriu "É um Zé Mané, mas divertido. Gostamos de pirraça-lo"
"Percebi." Ela chegou mais perto de Draco e dessa vez colocou sua mão na perna direita dele e seu rosto a dois centímetros de distancia do rosto pálido do loiro.
Draco engoliu em seco. Uma parte dele tava morrendo de vontade de se libertar e sair correndo. Entretanto, outra parte... outra parte que estava adormecida há muito tempo, estava se despertando e sendo atraída pela garota.
"Você... você precisa fazer isso?" perguntou o loiro.
"Não" ela sorriu "mas eu gosto." A loira apertou a perna dele com a mão e depositou um beijo no lóbulo de sua orelha.
A vontade de se libertar e sair correndo aumentou. "Ei-ei.. Pare com isso, está bem? Estamos no meio das-"
"Sabe o que Pansy Parkinson e todas aquelas quintanistas estão conversando? De como somos o novo casal de Hogwarts. O casal do inverno..."
"Que? Você ouve isso...? Como você...?"
"Shh" ela colocou o dedo indicador nos lábios de Draco "Você gosta dessa nova fofoca?"
"Garota, acho que você tá se enganando aqui com alguma coisa... Desculpe, eu e você não vamos ter nada. Nunca. Não se confunda" o loiro se libertou e levantou do sofá, decidido a sair de perto de Anna, mas antes que ele pudesse se afastar ela o segurou pelo braço.
"Não se esqueça de que mais cedo ou mais tarde você vai vir procurar por mim. Só estou te poupando o trabalho. Lembre-se de que comigo você não precisa deixar de ser quem você realmente é"
"Vou estar pensando nisso, pode deixar" e finalizando a conversa, Draco saiu das Masmorras.
Uma hora havia se passado desde que Gina tinha chegado a Sala. Como ele poderia fazer isso com ela? Não estar nem aí desse jeito? Ele não parava pra pensar sequer um minuto no que ela, Gina, estava passando?
Mais cinco minutos e ela saía.
Era isso então o que ele queria? Deixa-la sozinha? Larga-la totalmente? Abandona-la? Era isso? Ela não era nada pra ele? A partir do momento em que ela engravidou, se tornou inútil? O sonserino então não precisava mais dela pra nada? Todas as juras de amor e todas as promessas no final do dia eram mentira e todos aqueles momentos que eles passaram juntos foi uma perda de tempo? Ela foi enganada então? Por Draco Malfoy?
Mais quatro minutos e ela saía.
Como ele foi capaz de engana-la desse jeito? De brincar com os sentimentos de uma garota inocente e apaixonada? E a burra foi ela! Como ela própria foi capaz de se apaixonar por Draco Malfoy? No final das contas a culpa era dela também. Ela que foi otária o bastante por se apaixonar por um sonserino que trata a todos, inclusive ela!, como lixo!
Mais três minutos.
Como ele tinha a coragem? Depois de tudo que eles passaram? Não era possível que ele não sentisse alguma coisa por ela! Ele iria perder aquele tempo todo pra nada? Não era qualquer besteirinha e qualquer briguinha que estava acontecendo ali. Gina estava grávida pelas barbas de Merlin! Não era possível que ele fosse tão egoísta e mau caráter!
Mais dois minutos.
Talvez Hermione tivesse razão. Talvez sem o amor e o apoio daquele traste ela não consiguiria passar por isso sozinha. A bobalhona tinha se apaixonado completamente por aquele maldito sonserino e agora a vida dela tava prestes a ser a vida de uma mãe solteira que nem se formar em Hogwarts iria conseguir.
Mais um minuto.
Já estava imaginando a cena de como seria contar pros pais que estava grávida. Oh não-não, não só grávida. Grávida de um sonserino. Não-não, não qualquer sonserino. De Draco Malfoy! Ai meu Merlin... pior que contar pros pais seria contar pra... seus irmãos! Gina estava a ponto de desmaiar... quando os cinco minutos por inteiro se passaram. Não tinha ninguém na porta. Draco não havia chegado.
"Não vou chorar" disse pra se mesma.
Levantou-se e respirou fundo. No final das contas quem ela esperava que aparecesse na porta não era Draco Malfoy o sonserino egoísta que trata todos como lixo. Mas Draco Malfoy, seu namorado. Seu confidente. Seu amor. Seu melhor amigo. "Não adianta mais esperar. Já estou aqui há mais de uma hora. Se ele não chegou até agora, não vai chegar mais"
E com isso Gina se dirigiu a porta e saiu da Sala, levando consigo a última chance que daria a Draco. Andando pelo corredor sentiu uma vontade incontrolável de chorar. Por causa de um descuido, a melhor coisa de sua vida iria simplesmente desaparecer.
Já sentia o gosto das lágrimas quentes e salgadas quando ouviu alguém lhe gritar.
"Gina!"
A ruiva parou de andar e seu coração começou a bater cada vez mais rápido.
"Gina, por favor"
Ao sentir as mãos mais reconfortantes do mundo inteiro no seu ombro, sem pensar, Gina virou-se para Draco e o abraçou com toda a força que tinha no seu corpo pequeno. Começou a soluçar de tanto chorar no momento que sentiu que seu abraço foi retribuído pelo amor de sua vida.
"Gina... Ei... Ginny... não chore." beijou o topo da cabeça da ruiva e a abraçou mais forte "Me desculpe pelo atraso"
"Ach-qu-voc-na-fosss-v-v-vi-vi-viiiir!" soluçou a ruiva.
"O que? Gina, baby, não entendi nada do que você falou"
"ACHEIQUEVOCÊNÃOFOSSEVIVIVIRR R!"
"Baby, vamos sentar um pouquinho, beber uma água até você se acalmar... Eu to aqui, calma"
"T-ta..."
Draco levou uma Gina quase que descontrolada e com o rosto vermelho como pimentão para a Sala. Sentaram-se no sofá, onde cinco minutos mais cedo sentava uma Gina desconsolada e trise pelo seu futuro. A nova Gina sentada lá estava sem conseguir falar, mas de felicidade e alívio.
Draco foi até uma estante e pegou um copo.
"Aguamenti! Pronto, meu amor. Você tá melhor?"
"S-sim..." disse Gina, dando uma fungada e bebericando a água.
"Me desculpe se te fiz ficar assim"
"Achei que você não fosse vir"
"Eu confesso que quase não vim. Gina, eu te amo muito, mas não sei se estou preparado pra isso."
"Eu não estou pedindo pra você estar preparado. Eu também não estou... Só queria que você me apoiasse"
"Desculpe... Não... Só não era pra isso ter acontecido."
Gina sentiu uma dor no seu peito muito maior que a dor que estava sentindo antes. Ele realmente não queria isso. Não queria uma vida com ela.
"Por que? Draco, por que? Você não tá preparado pra ter um bebê ou não tá preparado pra ficar comigo pra vida toda? Porque se ficássemos juntos, iríamos ter um filho."
"Gina, sim, mas não agora! Estamos em Hogwarts! Eu to no sétimo ano e você no sexto! Você tem noção do que é isso?"
"Draco, eu tenho noção sim! Mas aconteceu! Não tem como voltar atrás. Eu vou ficar com esse bebê. Se você quiser me apoiar vai significar o mundo pra mim, porque você é o mais importante na minha vida... agora. Mas se você não me apoiar, eu vou continuar vivendo a minha vida, vou ter esse bebê sozinha" Gina estava se lembrando o que havia dito a Hermione antes de sair da Sala Comunal "Quer saber? Aconteceu com a gente, e me desculpe por ter atrapalhado a sua vida acadêmica e de farra tanto assim, mas sinto lhe informar que você também foi o culpado! Eu não produzo sêmen!"
"Gina!"
"Isso aí Sr. Malfoy, sinto muitíssimo por ter te colocado nessa situação. Mas se você não quiser mais ficar comigo, me diga logo agora."
Draco olhou para aqueles olhos amendoados. Aqueles olhos que ele tanto amava. Calorosos e delicados. Grandes e brilhantes. Vermelhos e úmidos de tanto chorar...
"Gina, entenda... Em nenhum momento eu disse que não ia te apoiar. Não há possibilidade de eu viver nesse mundo sem você. Eu só sou um menino idiota que não está realmente preparado pra nada." O loiro suspirou e passou seus dedos longos pelo rosto aveludado da menina mais linda que ele tinha visto "Baby, você é meu mundo e minha vida. Eu amo você e me perdoe por ter feito você duvidar disso. Vem cá, pequena" e com toda a sinceridade que havia colocado naquelas palavras Draco a beijou.
