Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
CAPÍTULO CINCO
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"Deve, querida. Pode apostar. Você deve mesmo se preocupar."
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Em algum lugar no fundo da caverna, gotas contavam o silêncio perplexo de Isabella. Um, dois, três... dez, onze, doze... Ele precisaria dela? Em sua cama? Aquilo era demais para ela acreditar. Isabella se lembrou de que não era dela que ele precisava. Aparentemente, qualquer mulher servia.
- Então você está querendo me dizer que esse acidente... Essa noite trágica da sua infância... É o motivo de seu comportamento libertino?
- Isso. Essa é minha maldição. - Ele soltou um suspiro profundo, ressonante.
Um suspiro com a intenção clara de tocar o coração de Isabella. E funcionou. Funcionou mesmo.
- Bom Deus. - Ela engoliu em seco um bolo que se formava em sua garganta. - Você deve fazer isso o tempo todo. Noite após noite você conta para as mulheres a história da sua tragédia...
- Na verdade, não. Eu já sou conhecido por essa história.
- ...e elas simplesmente abrem os braços e levantam a saia, dizendo: 'Venha, pobrezinho, querido, deixe-me abraçar você' e assim por diante. É o que acontece?
- Às vezes. - Ele deu de ombros.
Isabella sabia que era assim. Claro que era. Ela sentiu que aquilo estava acontecendo com ela. Enquanto ele relatava sua história, uma verdadeira torrente de emoções se formou em seu peito. Tristeza, compaixão. Seu útero foi envolvido, de algum modo, e enviou impulsos protetores por todas as suas veias. Tudo o que havia de feminino nela respondeu àquele chamado. Então vieram as mentiras. O coração de Minerva começou a lhe contar mentiras. Falsidades perversas, insidiosas, que reverberavam a cada batida. Ele é um homem arrasado. Ele precisa de você. Você pode curá-lo. Racionalmente, ela sabia que não era bem aquilo. Incontáveis mulheres usaram sua boa vontade – e algumas partes do corpo – na tentativa de "curar sua alma arrasada", sem sucesso. Ainda assim... embora sua cabeça soubesse que era bobagem, seu corpo tinha o desejo de abraçá-lo. Confortá-lo.
- Não dá para acreditar nisso. - ela sussurrou, mais para si mesma. - Não dá para acreditar que seu feitiço está funcionando em mim.
- Eu não estou fazendo nenhum feitiço. Estou apenas lhe contando os fatos. Você não gostou deles? Se você está com alguma esperança de me convencer a fazer essa viagem, precisa saber quais são minhas condições. Eu não viajo em carruagens fechadas, o que significa que eu irei cavalgar o dia todo. E não consigo cavalgar o dia todo se não dormir bem à noite. E eu não consigo dormir sozinho. Portanto, você terá que se deitar comigo. A menos que prefira que eu procure mulheres ao acaso em cada hospedaria que pararmos.
Uma onda de náusea a estremeceu.
- Argh.
- Honestamente, a ideia também não me anima muito. Ir de cama em cama pela estrada que liga Londres à Escócia, poderia ter me soado como uma enorme aventura há cinco anos. Hoje em dia, nem tanto. - Ele pigarreou. - Hoje é o descanso que eu procuro. Eu não tenho intimidades com metade das mulheres com quem durmo, se isso faz sentido.
- Se isso faz sentido? Nada nessa história faz sentido.
- Você não precisa entender. Deus sabe que eu mesmo não entendo.
Ela sentou ao lado dele e se recostou na parede. Por baixo do cobertor, seus braços se tocaram. Mesmo através daquele contato mínimo, ela pôde sentir a agitação no corpo de Edward. Ele lutava para esconder sua aflição, mas depois de anos de vigilância por uma irmã com asma, Isasbella havia criado uma atenção minuciosa aos menores sinais de desconforto. Ela não conseguia ignorar a respiração ruidosa, nem a forma como seus músculos zuniam com o desejo desesperado de sair daquele lugar. E quando confrontada com uma complicação, ela não era do tipo de pessoa que desistia de procurar entendê-la. Afinal, ela era uma cientista.
- É por causa da caverna? - perguntou ela. - Ou é assim todas as noites?
Ele não respondeu.
- Você disse que é assim desde a infância. Está melhorando ou piorando com o passar do tempo? - insistiu.
- Eu prefiro não conversar a respeito.
- Oh. Tudo bem.
Era triste que ele sofresse tanto. E era patético que ele recorresse a uma série interminável de mulheres na tentativa de melhorar seu sofrimento. A ideia deu náuseas em Isabella. E também uma inveja irracional... E a deixou um pouco excitada, por baixo de seu traje de banho. Uma pergunta ardia dentro dela e Isabella não conseguiu evitar.
- Quem era aquela, na outra noite? Não teria importância, exceto que...
Exceto que, seja ela quem for, tem o poder de tornar minha vida um tormento. Depois de um instante, ele respondeu, relutante.
- Tânya Denali.
- Oh. - Isabella conhecia a jovem e sedutora viúva. Ela lavava as roupas das moradoras da pensão. Aparentemente, ela também lavava as roupas – e outras coisas – dos moradores do castelo. Mas ela não parecia ser do tipo fofoqueira, por mais que Isabella se negasse a admitir.
- Não teve nenhuma importância. - disse ele.
- Você não entende? Essa é a pior parte. - Ela se afastou da parede de pedra e se virou para encarar Edward. O tecido molhado de seu traje raspou na pedra áspera. - Insônia não é uma condição incomum, sabe. Certamente deve existir uma solução. Se você não consegue dormir à noite, por que não acende algumas luzes? Leia um bom livro. Tome leite quente. Talvez um médico possa lhe dar algo para dormir.
- Essas ideias não são novas. Eu tentei todas elas, e mais algumas.
- E nada funcionou?
Aquelas gotas contaram o silêncio novamente. Um, dois, três... Ele passou o dedo levemente pelo braço dela. Então, devagar, se inclinou para a frente. E sussurrou no ouvido de Isabella.
- Só uma coisa funciona...
Ele encostou os lábios no rosto dela. Isabella ficou rígida. Cada um de seus nervos estava em alerta. Ela não sabia se ficava horrorizada ou empolgada com a tentativa de Edward em transformá-la em mais um número daquela lista. Horrorizada, ela disse para si mesma. Ela deveria ficar horrorizada.
- Você não tem vergonha. - sussurrou ela. - Não posso acreditar nisso.
- É um choque para mim também. - Seus lábios tocaram o queixo dela. - Mas você é uma garota muito surpreendente.
- Você está sendo oportunista!
- Não vou negar. E por que você também não aproveita a oportunidade? Eu quero beijar você. E você precisa beijar, desesperadamente.
Ela colocou a mão no ombro dele e o empurrou. A caverna se encheu com o silêncio ultrajado de Isabella.
- Por que você está dizendo isso?
- Porque na noite passada você queria corresponder ao meu beijo. Mas não sabia como fazer.
O coração dela subiu à boca. Que humilhante. Como ele podia saber? Sem falar nada, ele retirou os óculos do rosto dela, dobrou a armação, e colocou-os de lado.
- Não consigo acreditar nisso. - suspirou ela.
- É o que você fica repetindo. - Ele se aproximou, eliminando a distância entre eles. - Mas sabe, Ivanna, o que você ainda não disse?
- O quê?
- Você ainda não disse 'não'.
Ele estendeu a mão na direção dela, na penumbra, e a deslizou por sua face, descendo para lhe segurar o queixo. Com sua mão ali, ele começou a fazer círculos cada vez maiores com o polegar, até atingir o lábio inferior dela.
- Você tem uma boca que foi feita para beijar... - murmurou Edward, fazendo com que Isabella virasse o rosto para ele. - Sabia disso?
Ela negou com a cabeça.
- Tão macia e generosa. - Inclinando-se para a frente, ele ergueu o queixo de Isabella com a palma da mão. - Deliciosa.
- Nenhum homem jamais me chamou de deliciosa.
- Algum outro homem já beijou você?
De novo, ela negou com um pequeno movimento de cabeça.
- Ora essa. Eis aí o motivo. - Ele tocou seus lábios nos dela, de leve, enviando sensações que borbulharam nas veias de Isabella. Ele gemeu de satisfação. - Você tem gosto de ameixas maduras.
Ela não conseguiu evitar e riu.
- Isso é meio absurdo.
- Por quê?
- Porque ainda não estamos na época de colher ameixas.
A risada rouca de Edward fez os dois estremecerem.
- Você é lógica demais. Beijos bem dados podem consertar isso.
- Eu não quero consertar minha lógica.
- Talvez não. Mas eu acho que você quer beijar. - Ele passou o nariz pela curva do rosto dela, e sua voz baixou, tornando-se um sussurro sensual. - Não quer?
Ela queria. Ah, como queria. Ela não podia negar. Não enquanto ele a tocasse daquele jeito. Ela queria ser beijada, e queria beijá-lo de volta. Ela queria tocá-lo, acariciá-lo, abraçá-lo apertado. Todos aqueles impulsos ternos, carinhosos, continuavam a vibrar dentro dela, apesar de seus esforços racionais para eliminá-los. Seu coração continuava a bombear aquelas mentiras para todo o corpo. Ele precisa de você. Você pode curá-lo. Ela tinha calor feminino em abundância, e Edward precisava de conforto naquele exato momento. Em troca, ela podia aprender qual era a sensação de ser necessária. De ser beijada. De ser chamada de deliciosa e comparada a uma ameixa madura. De ser desejada por um homem desejável.
- Só desta vez? - suspirou ela.
- Só desta vez.
Desde que os dois soubessem que tudo era apenas uma distração... uma forma inofensiva de passar o tempo... não faria mal fingir, faria? Não em segredo, no escuro. Ali não havia ninguém para rir. Isabella prendeu a respiração quando ele lhe deu um beijo inocente na testa. Então em sua face. Então em seu queixo. Então em seus lábios... Ele tocou com a ponta da língua naquele lugar vulnerável no canto da sua boca, fazendo com que seus lábios se entreabrissem. Ela arfou um pouco, e ele tirou vantagem do momento, passando a língua dentro de sua boca. Isabella congelou instantaneamente, e colocou a mão no peito dele. Então ela o empurrou.
- Eu não entendo. - Ela fechou o punho, agarrando a camisa molhada de Edward. - Eu não entendo por que você faz isso. E não entendo como devo corresponder.
- Silêncio. - Ele tocou o cabelo dela, passando os dedos pelas mechas pesadas e molhadas, para desembaraçá-las. - Beijar é igual a qualquer outra habilidade. Só precisa de um pouco de prática. Beijar é como... como dançar. - Ele parou de falar para beijar seu pescoço, o lóbulo de sua orelha. - Apenas se entregue ao ritmo. Pode deixar que eu conduzo.
Eles tentaram novamente. Dessa vez ele chupou o lábio superior dela com cuidado. Então ele repetiu o gesto no lábio inferior. E depois passou a língua entre os dois. A língua de Edward encontrou a dela. Isabella cuidadosamente retribuiu o carinho com sua língua, e ganhou um gemido de aprovação. Um arrepio cobriu toda sua pele. Calor surgiu entre seus corpos, derretendo parte da ansiedade de Isabella.
Edward inclinou a cabeça e começou a explorar sua boca de um novo ângulo.
Ela entendeu, então, por que ele disse que beijar era como dançar. Ele fazia movimentos. Muitos movimentos. Não era apenas colocar e tirar a língua, mas rodar e brincar, e conduzir sutilmente. E como sempre acontecia na pista de dança, Isabella rapidamente ficou confusa, atordoada. Ela se sentiu dominada e sem chão. Sempre um passo atrasada. Mais uma vez, ela interrompeu o carinho.
- Isto não vai dar certo. - disse ela, murchando por dentro. - Sou um desastre dançando. Simplesmente não vai dar certo.
- Não, não diga isso... - A respiração ofegante de Edward apressou a dela. - Foi um mau exemplo da minha parte. Não pense nisso como dançar. Beijar não tem nada de dançar. Pense nisso como se você estivesse... - Ele olhou rapidamente para a parede da caverna cravejada de fósseis. -... fazendo uma escavação!
- Uma escavação?
- Isso. Um beijo bem dado é igual a uma escavação. Quando está extraindo seus pequenos trogloditas, você não vai simplesmente enfiando a pá no solo, de qualquer jeito, vai?
Edward estremeceu internamente. Estava irado consigo mesmo por inventar diálogos ridículos apenas para convencer Isabella à beijá-lo. Ele não sabia bem ao certo o motivo, só sabia que precisava desesperadamente estar colado novamente àquela pequena mulher, tão desastrada e ao mesmo tempo tão intrigante.
- Não... - Sua cautela alongou a palavra.
- É claro que não. Uma escavação bem feita precisa de tempo e cuidado. E muita atenção aos detalhes. Para ir descobrindo lentamente as camadas. E desenterrar as surpresas conforme elas aparecem.
Aquilo parecia muito mais promissor. Depois de uma longa reflexão, ela perguntou:
- Então quem está escavando quem?
- Idealmente, cada um escava um pouco. Nós meio que... nos revezamos.
Ela ficou em silêncio por um longo momento. Alguma coisa no ar que os envolvia mudou. Ficou mais quente. Ela engoliu em seco.
- Posso ir primeiro?
Edward se esforçou para reprimir seu sorriso triunfante. Isso teria estragado tudo.
- Mas é claro! - respondeu ele com voz solene.
Ela se ergueu para ficar de joelhos, colocando-se de frente para ele. A pouca luminosidade fazia com que ele visse apenas a silhueta dela. Apenas a sombra de uma figura atraente com uma auréola de luz ao redor dos cabelos ondulados. Ele queria pegá-la, puxá-la para si novamente. Dar ao seu coração uma boa razão para bater. Acalmar sua alma com o contato humano caloroso que ele tanto ansiava. Em momentos assim, a paciência custava caro. Mas sua recompensa foi grande. A mão dela o alcançou, após cruzar a escuridão para acariciar seu rosto.
Deus, ela era surpreendente. A curiosidade dela a diferenciava das outras mulheres. Ela não se concentrava nas feições que se poderia imaginar – sobrancelhas, maçãs do rosto, lábios ou a linha do nariz. Essas seriam as feições que deveriam compor um "rosto" no desenho de uma colegial. Não, o toque dela era completo, indiscriminado, e buscava todos os detalhes. A palma de sua mão passeou pelo rosto sem barbear. Ela alisou uma ruga estreita entre as sobrancelhas dele e fez um carinho leve sob seus olhos, onde pesavam as noites insones. Edward instintivamente começou a se aconchegar ao toque dela. Ele exalou até esvaziar os pulmões.
Isabella roçou os cílios dele com a ponta de um dedo, e uma cascata delicada de prazer ondulou por seu corpo. Que revelação foi aquilo. Ele teria que acrescentar carinho nos cílios ao seu próprio repertório. Quando Isabella enfiou os dedos em seu cabelo, Edward gemeu. As mulheres sempre adoraram seu cabelo rebelde e acobreado, e ele gostava da atenção que elas lhe davam. Sensações agradáveis correram por sua cabeça enquanto ela penteava com os dedos seus fios molhados, afastando-os da testa. Com a ponta do dedo ela encontrou sua cicatriz, cuja extensão traçou – o sulco fino, pálido, que começava na têmpora e desaparecia atrás da orelha. Sua única lembrança física do acidente com a carruagem era imperceptível para o observador pouco atencioso. Mas ela a encontrou com facilidade. Porque encontrar coisas enterradas era o que Isabella fazia de melhor, supôs Edward. Uma escavação bem-feita não deixa segredos ocultos. E ele começou a pensar na sabedoria daquele exercício.
- Nós deveríamos estar nos beijando. - disse Edward.
- Vou chegar lá. - A voz dela sugeriu um traço de nervosismo. Ela se aproximou, colocando os joelhos entre as coxas abertas dele. Inclinando-se para a frente, ela roçou seus lábios nos dele.
O choque de êxtase daquilo chacoalhou Edward até os ossos. Mas quando Isabella recuou, ele manteve o tom de naturalidade.
- Você pode fazer melhor que isso.
Ela aceitou o desafio e o beijou novamente, com mais firmeza dessa vez. A língua dela pincelou a dele, ágil e curiosa. E muito efêmera.
- Melhor assim?
- Melhor. - Quase bom demais.
- Hum. Aqui seu gosto é de álcool. - Ela traçou o contorno do lábio dele com a língua. - Mas aqui... - ela baixou a cabeça para cheirar a parte de baixo do queixo dele. - ...aqui tem cheiro de especiarias. Cravo.
Caramba. Edward arregalou os olhos no escuro enquanto ela sorvia sua pele, mais e mais, traçando a curva de seu pescoço. Quando chegou ao centro, Isabella roçou o pomo de Adão com seus lábios. A respiração dele estava pesada. Edward não iria aguentar muito mais daquilo.
- Você ainda não me beijou de verdade. - disse ele, querendo evitar a sensação de autocontrole se esvaindo. - Está com medo?
- Não.
- Eu acho que está. - E acho que eu também estou, só um pouquinho.
E com um bom motivo. A boca de Isabella encontrou a dele, e os lábios entreabertos dela pressionaram os seus. E lá permaneceram... macios, doces. Esquentando no calor da respiração misturada dos dois. Enquanto isso, uma carência selvagem surgiu, rosnando, dentro dele, querendo abrir caminho, lutando para se liberar das amarras cavalheirescas. Ele perderia a batalha se ela não se mexesse logo. Aquilo era mais que uma escavação. Ela o estava virando do avesso. Expondo as necessidades básicas, desesperadas, cravejadas na camada mais profunda do seu ser. Até que ele se sentiu não apenas nu diante dela, mas desnudado. Frio, trêmulo e indefeso no escuro. Beije-me, desejou ele, enfatizando a mensagem ao apertar seu joelho na coxa dela. Beije-me agora ou sofra as consequências.
Finalmente... os dedos de Isabella se enroscaram no cabelo dele e o puxaram para perto. Com os dentes, ela roçou levemente a crista de seu lábio inferior. E então ela deslizou a língua para dentro de sua boca. Apenas um roçar breve, provocador, na primeira vez. Então veio uma segunda tentativa, um pouco mais profunda. Então ainda mais profunda, de novo e de novo, gradualmente, de forma lenta e tentadora. Ela soltou um pequeno suspiro no meio do beijo. O som tênue incendiou Edward, esquentando cada nervo como um pavio. Os dedos dela abandonaram seu cabelo, e ele ficou preocupado que tudo aquilo acabasse.
Não pare. Deus, não pare.
Mas então ela apoiou as mãos na parede da caverna e curvou os ombros, pressionando-o contra a superfície rochosa. Com os seios. Tão macios e redondos contra o peito dele, encimados por seus mamilos deliciosamente intumescidos e gelados. Ela o apertou contra a parede e usou a posição dominadora para aprofundar o beijo, mergulhando a língua em sua boca.
E assim ele perdeu o controle...
Edward esticou as mãos para tocá-la, e a segurou pelas coxas, mantendo-a próxima e apertada enquanto Isabella saqueava sua boca com abandono ousado e inocente. Com aquele beijo, todo o corpo dele acordou. Não apenas o corpo.
Algo também se mexeu na região do coração. Jesus. Jesus Cristo e Maria Madalena. Dalila, Jezebel, Salomé, Judite, Eva. Confusão, cada uma delas, era confusão. Pode acrescentar Isabella Swan à lista. Uma mulher como aquela poderia arruiná-lo. Se ele não a arruinasse primeiro.
- Como devo chamá-lo? - A respiração dela chegou quente à orelha dele. - Quando... quando estamos fazendo isto, como eu devo chamar você?
Ele agarrou, com as duas mãos, o tecido sobre a parte de baixo das costas dela.
- Você deve me chamar por meu nome de batismo. Edward.
- Edward... - sussurrou ela, experimentando o nome primeiro. Então, com sentimento, enquanto ela dava um beijo com os lábios apertados na testa dele. - Oh, Edward.
Oh, Deus. Ele poderia ouvi-la gemer seu nome cem vezes que não seria o bastante.
Enquanto se beijavam, ele passeava as mãos para cima e para baixo nas costas dela. Mantendo-a quente. Aquecendo os dois. Mas após várias carícias pela extensão da coluna dela, Edward não conseguiu evitar de se aventurar mais. Ela ainda lhe devia sua chance de explorar. Ele tinha que tocá-la. Ele tinha que tocar na parte macia e secreta dela, da mesma forma que ela o estava tocando.
Ele deslizou uma palma pelo quadril dela, agarrando seu traseiro e o apertando brevemente. Então ele levou a mesma mão para o lado, subindo-a lentamente pela curva do quadril, a reentrância da cintura, as saliências de suas costelas... ele podia jurar que contou trinta e quatro ou mais... e então, por último, a elevação macia e arredondada de seu seio.
- Edward. - A arfada dela indicou que ele foi longe demais.
- Bella, eu... - Edward descansou sua testa na dela, desejando que ela não tivesse percebido que a chamara tão intimamente quanto a própria família fazia. Ele não sabia como se desculpar. Ele não se arrependia de nada. Não mesmo.
Ela se afastou, piscando para ele.
- Edward... Eu consigo ver você.
Do modo como ela disse as palavras, em uma voz tão assombrada, o fez pensar, por um instante, que o beijo havia curado a deficiência de visão dela. Seria um milagre e tanto, e Edward estava inclinado a acreditar. Ele próprio se sentia mudado por aquele beijo.
- Está claro aqui. - disse ela. - Eu consigo enxergar você, agora.
Ela se afastou e pegou os óculos. E ele instantaneamente entendeu o que ela queria dizer. Sem a silhueta dela bloqueando sua visão, ele também pôde ver que a maré havia recuado o suficiente para revelar a parte de cima da passagem submersa. Um raio de luz solar entrou, como um fio de ouro passando pelo buraco de uma agulha – atingindo Edward bem nos olhos.
- Ah. - Ele ergueu a mão para proteger os olhos da aurora lancinante.
Agora que conseguia enxergar direito os arredores, Edward pôde perceber que o túnel "interminável" e escuro, no qual ele teve certeza que morreria, tinha, na verdade... cerca de um metro de comprimento. Bom Deus! Ele revirou os olhos ao pensar no ridículo por que havia passado. Não era de admirar que ela tinha duvidado de seu vigor.
- Vamos poder sair em breve. - disse ela, já se levantando e arrumando as coisas. Ela fez um biquinho e soprou a vela. - De qualquer modo, é melhor esperarmos. Agora não preciso confiar na minha bolsa para manter minhas anotações e papéis secos.
Enquanto Edwrad a observava se preparar para sair, ele sentiu a emoção mais estranha se abater sobre ele. Decepção. Uma pontada excruciante de decepção.
Aquilo não fazia sentido. A luz havia penetrado na caverna. O ambiente não estava mais escuro. Dentro de alguns minutos ele sairia daquele buraco miserável e apertado na terra. E ele estava decepcionado. Decepcionado por não poder continuar ali, beijando-a por mais algumas horas.
- Maldito seja eu. - murmurou.
- Provavelmente será. - Ela dobrou o cobertor com movimentos precisos. - E eu também serei, pelo que acabamos de fazer.
- Não seja tão dura consigo mesma. Estávamos apenas nos beijando.
Embora ele soubesse que não havia nada de "apenas" no que fizeram.
- Bem, não pode acontecer de novo.
Edwrad colocou uma mão em seu peito. Lá estava. A pontada aguda de decepção. Aquela caverna era mesmo cheia de surpresas. Ela olhou para a pegada na rocha e suas anotações. Então ergueu o rosto para ele, prendendo o cabelo habilmente.
- Nós vamos partir amanhã. - disse ela, falando com a boca cheia de grampos de cabelo. - Temos que partir amanhã, se quisermos ter alguma esperança de chegar a Edimburgo a tempo.
Ele balançou a cabeça.
- Querida, eu pensei que você tinha me entendido. Eu...
- Eu concordo com as suas condições. Todas elas. Você pode ir cavalgando. Nós não vamos viajar de noite. E a parte sobre dormir...? - Um leve toque rosado tingiu suas faces. - Isso também. Mas nós precisamos partir amanhã, para conseguirmos chegar ao simpósio.
Ele engoliu em seco. A parte sobre dormir...? Ele realmente preferia que ela não tivesse dito isso. Edward tinha regras para seu próprio comportamento no que dizia respeito às mulheres. Até então ele sempre seguiu suas regras, e o que restava de seu amor-próprio se equilibrava naquele fio tênue. Mas aquilo era diferente. Ela era diferente, de uma maneira que ele não conseguia definir. Ele, geralmente, não achava a inocência tão sedutora, mas no caso dela a inocência era temperada com uma curiosidade atrevida, imperturbável. Se surgisse uma oportunidade, ele não sabia se conseguiria resistir. E semanas de viagem apresentariam muitas, muitas oportunidades.
Naquele mesmo instante ele imaginava uma fantasia bem vívida em que soltava aquele nó em seu cabelo, arrancava o traje de banho do corpo dela, removendo quaisquer camadas de modéstia que existissem por baixo... e deixando os óculos em seu rosto. Para que ela pudesse vê-lo. E assim saber quem a estava fazendo se retorcer e ofegar e gemer de prazer. Assim ela poderia admirar cada uma das expressões de prazer em seu rosto enquanto ele entrava...
- Não venha me procurar na pensão... - disse ela. - Risco demais de ser interceptado. Eu vou sair sozinha para encontrar você na estrada.
Edward massageou o queixo e soltou um gemido baixo. Ele era um libertino com prodigiosa experiência. Ela era uma intelectual ingênua ainda saboreando seu primeiro beijo. Aquela parecia ser uma ideia muito ruim. Não importava o quanto ele quisesse ir embora de Spindle Cove, não importava o quanto ela dizia querer fazer aquela viagem... Aquilo não podia acontecer. Porque agora ele a queria.
- Edward?
Ele se agitou.
- Sim?
Ela o fitou nos olhos. A vulnerabilidade que brilhou em seus olhos tocou a consciência dele.
- Por favor... - disse ela. - Você vai estar lá, não vai? Você não vai fazer outra brincadeira cruel comigo e me deixar lá, uma piada, esperando sozinha enquanto a carruagem passa? Preciso me preocupar com você?
Deve, querida. Pode apostar. Você deve mesmo se preocupar.
Então... Essa viagem vai mesmo acontecer?
Pessoas, já vou avisando desde o começo (começo no capítulo 05, que piada rs): Para quem não gosta, duvido que alguém realmente não goste mas... Vamos ter lemons. Não posso garantir que será num futuro muito breve, mas teremos provocações e lemons.
Cadê vocês, xuxus?
Aguardem até sábado que vem! Beijos!
