Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
CAPÍTULO ONZE
.
"Sempre que você me toca, eu termino sendo humilhada"
.
- Jesus. - Franzindo os olhos para a manhã clara demais, Edward passou a mão pelo cabelo. - Não posso acreditar que isso aconteceu. Eu nunca faço isso. Nunca.
Isabella rolou na cama, sonolenta e esfregando os olhos.
- O que foi?
- Vista-se, e depressa. Nós dormimos demais.
Assim começou o ritual maluco de se lavar, vestir e empacotar todas as coisas. A pressa era conveniente, de certa forma. Ela adiava qualquer discussão sobre a noite anterior. Mas não apagava, contudo, as lembranças dele. Cada som dela, cada movimento de Isabella o havia excitado. O modo como ela conduzia a escova por aquele emaranhado – belo emaranhado – de cachos escuros. A forma como os seios dela pulavam enquanto ela saltava em um pé só, na luta para calçar a botinha no outro pé. Quando ela esticou o braço e agarrou seu ombro para se equilibrar, Edward pensou que iria se perder novamente. Ele não havia exagerado na noite passada. Ela o deixou excitado como um garoto, e isso era duas vezes mais idiota.
Droga, homem. O que você estava pensando? Você tem regras para isso. Sim, ele concordou. Mas Edward não tinha violado suas regras. Ele simplesmente as havia torcido. Ele torceu as regras. Golpeou-as. Comeu-as. Fez com que gemessem e soluçassem. Ele se chacoalhou. Maldição. E ele tinha pela frente outro dia longo e empoeirado de cavalgada. Excelente! Pelo menos assim ele não precisaria agendar um tempo adicional para culpa e arrependimento.
Com sorte, os cavalariços já teriam escolhido e preparado um cavalo com sua sela. Viajar com cavalo de aluguel, que precisava ser trocado a cada vinte milhas, não era o ideal. E aquilo também não estava fazendo bem ao seu traseiro. Mas para acompanhar o ritmo de uma carruagem, Edward não tinha alternativa. Ela abriu as cortinas e olhou pela janela.
- Oh, estou vendo os Fontley. Eles já estão subindo na carruagem. Mas creio que não irão partir sem nós.
- Claro que não. - Ele se aproximou dela na janela. Os Fontley pareciam, de fato, prontos para partir. - Eles não podem fazer isso com você. Hoje é o seu aniversário.
- Não comece. - Ela lhe dirigiu um olhar de repreensão através dos óculos tortos. Então, de repente, uma onda de embaraço esquentou seu rosto, como se ela sentisse um tipo de lampejo da noite anterior. Ela enrubesceu, engoliu em seco e olhou para o outro lado.
Edward sentiu uma necessidade súbita e inexplicável de beijá-la. Mas isso seria, certamente, uma péssima ideia e, de qualquer modo, não havia tempo. Eles correram escada abaixo, batendo os sapatos nos degraus e lutando com os baús.
- Estamos aqui! - chamou Edward, correndo à frente de Isabella. - Estamos chegando! Tallyho!
Um dos criados dos Fontley estava empoleirado na parte de trás da carruagem. Edward ergueu o baú menor, para que o homem o guardasse. Depois, entregou-lhe o segundo.
- Não esqueça deste. - avisou Isabella, que arrastava o terceiro baú. Esse era o que guardava Francine.
Quando Edward se virou para ajudá-la, ele ouviu o estalo do chicote do condutor. Antes que ele pudesse entender o que estava acontecendo, a carruagem entrou em movimento. Os Fontley estavam partindo. Sem eles.
- Esperem! - gritou Isabella. - Voltem!
A cabeça da Sra. Fontley apareceu na janela.
- E sujeitar meus filhos a figuras tão condenáveis? Jamais! - A carruagem continuou a se afastar, mas eles ainda conseguiram ouvir a Sra. Fontley gritar: - Vocês não são boas pessoas!
Isabella se virou para Edward, aturdida e ofegante.
- O que ela quer dizer? Com certeza não foi pelo fato de você socar aquele homem, noite passada.
- Não pode ser. Não imagino o que possamos ter feito para que eles mudassem de opinião, a não ser... - Ele sentiu o estômago virar.
- A não ser o quê?
- A não ser que eles tenham nos ouvido. Noite passada.
Isabella empalideceu.
- Oh, Deus do céu. - Ela mordeu o lábio inferior. - Mas como eles poderiam ter...?
- Eles não poderiam.
- Não, não poderiam, a não ser que fossem nossos vizinhos de parede. A não ser que... - O olhar dela, arregalado e horrorizado, encontrou o dele. - A não ser que eles fossem as pessoas que nós ouvimos.
Edward soltou lentamente um suspiro. Ele virou a cabeça para a estrada e observou a carruagem que se distanciava.
- Ora. Que maravilha. Muito bem, Sr. Fontley.
Isabella não compartilhou da alegria dele.
- Oh, Deus. - Ela sentou no baú que restava e apoiou a cabeça nas mãos. - Eles devem achar que nós somos uns vigaristas. Eles sabem que cada palavra que dissemos era falsa. Ceilão, leprosos, a idiota picada de besouro. Eles sabem que somos mentirosos.
Ele baixou a cabeça e coçou a nuca.
- Vamos esperar que foi isso que eles concluíram.
Isabella olhou para ele.
- O que mais eles poderiam pensar? Que não estávamos mentindo? Que nós realmente somos irmão e... - Edward viu a expressão de repulsa tomar conta do rosto dela. - Não. Não, não e não.
- Não se preocupe - disse ele rapidamente. - Tenho certeza de que eles concluíram que somos mentirosos.
Ela estremeceu violentamente. - Acho que estou ficando enjoada.
- Não há necessidade disso, querida. Nós sabemos a verdade.
- Sabemos?
Ele sentiu o sarcasmo no comentário. Nenhum dos dois sabia o que um significava para o outro, depois da noite passada. Mas essa conversa teria que esperar. Foi então que Edward reparou que todas as pessoas do local estavam olhando para eles. A expressão nos olhos delas não era amistosa. Quando ele se virou para a estalagem, a porta foi fechada com violência. Ele ouviu o ferrolho sendo passado. Aparentemente, alugar um cavalo descansado seria impossível. E ele imaginava que nenhum dos moradores locais iria lhes oferecer uma carona.
- Eu devia ter imaginado que era má ideia. - choramingou ela. - Eu devia saber que pagaria por isso, de algum modo. Sempre que você me toca, eu termino sendo humilhada.
Ele pigarreou e se aproximou de Isabella.
- É melhor nós irmos embora daqui o mais cedo possível. Seja qual for a conclusão que os Fontley tiraram a nosso respeito, parece que eles a compartilharam com a vila toda.
- Mas para onde nós iremos? E como iremos? - Ela gesticulou na direção em que a carruagem havia desaparecido. O desespero enfraqueceu sua voz. - Eles levaram todas as minhas roupas, todas as minhas coisas.
Ele agachou diante dela.
- Você ainda tem sua bolsa? - perguntou e ela aquiesceu. - E você ainda está com a Francine. Está sentada nela.
Isabella aquiesceu novamente.
- Minhas descobertas científicas também estão aqui.
- Isso é o mais importante. Todo o resto pode ser substituído. Vamos andando pela estrada até a próxima cidade, e de lá começaremos novamente. Tudo bem?
Ela fungou.
- Tudo bem.
Ele ajudou Isabella a levantar, depois olhou para o baú, refletindo sobre a melhor forma de carregar aquela coisa. Sobre o ombro? Ela pegou uma alça com a mão enluvada e a ergueu.
- Eu pego este lado e você o outro. Vai ser mais rápido assim.
O sentimento de cavalheirismo dele não quis aceitar, mas ela tinha razão. A melhor forma de carregar o baú seria dividindo o peso entre os dois.
- Muito bem, então. - disse ele enquanto caminhavam pela estrada que saía da cidade carregando a pegada de um lagarto gigante. - Vamos sorrir. Logo vamos retomar nossa jornada.
E lá saíram os dois jovens, caminhando na beira da estrada, cada qual pensando no azar que havia se voltado contra eles. Ele desolado. Ela, acreditando estar sendo castigada por praticar ato tão imoral na noite anterior. Ambos carregando uma lagarta pré-histórica que nada sabia do que estava acontecendo. Ambos desejando não terem sido ouvidos naquela madrugada, mas nunca desejando que a mesma não tivesse acontecido.
Horas se passaram... A próxima cidade não poderia estar longe, raciocinou Isabella. No máximo alguns quilômetros, mas Francine dificultava o progresso deles. Eles tinham que parar para descansar, trocar de lado, redistribuir o peso. E embora ela ficasse dizendo para si mesma que uma vila e uma igreja apareceriam, com certeza, depois da próxima colina, ou da próxima curva na estrada, eles caminharam durante horas. E nada...
Coches e carruagens passavam por eles regularmente. Mas ou estavam cheios ou seus condutores foram avisados, na cidade de onde saíram, para evitar uma dupla de vigaristas incestuosos que caminhava para o norte. Mas mesmo que uma das carruagens parasse, não ajudaria em nada. Edward não podia viajar em uma carruagem fechada. Eles teriam que caminhar quilômetros, na esperança de encontrar alguma vila em que ela conseguisse achar espaço em uma carruagem e ele pudesse alugar um cavalo descansado. Só Deus sabe onde eles encontrariam isso! O sol estava a pino, e ela começou a sentir tontura. Eles nem mesmo haviam tomado o café da manhã. Cansaço e fome disputavam espaço dentro dela, sussurrando um para o outro em vozes irritadiças. A sede secou sua língua.
Ela parou abruptamente na margem da estrada.
- É isso. Não dou nem mais um passo.
Edward pôs seu lado do baú no chão.
- Muito bem. Vamos descansar.
- Não. Eu não quero descansar. Quero uma carruagem. Talvez uma pare para mim, se eu estiver sozinha. Vou ficar aqui. Você pode continuar caminhando.
Ele balançou a cabeça.
- Fora de questão. Eu sei que você não tem uma opinião muito boa a respeito do meu caráter. Mas se você acha que eu abandonaria uma dama desprotegida na estrada, está louca. Você sabe o tipo de bandido que vaga por essas rotas de carruagem?
- Sim, eu acredito que sei. - Ela o encarou sugestivamente.
- Ah, então agora eu sou um bandido.
- Você nos colocou nesta situação.
Ele deu um passo para trás.
- Você acha que tudo isto é culpa minha?
- É claro que é culpa sua! Eu não pedi para você contar aos Fontley todas aquelas mentiras. Eu não pedi para fazer parte do seu comportamento incorrigível. Eu não pedi para você me dar nenhuma... aula.
- Ah, é claro que não. Você simplesmente apareceu na minha porta, no meio da noite, e implorou para que eu a levasse para a Escócia. - Ele apontou para o próprio peito com seu polegar. - Você me beijou do lado de fora do Touro e Flor. Você me arrastou para uma maldita caverna. Eu também não pedi nada disso.
- Você está arruinando esta viagem. - ela praticamente gritou. - Você arruína tudo!
- Bem, desculpe-me, mas acredito que você se ofereceu para ser arruinada!
Isabella fechou as mãos, formando punhos. Ela procurou se acalmar.
- Nós fizemos um acordo simples. Você me leva para Edimburgo e eu lhe dou quinhentos guinéus. Não me lembro de nenhuma negociação a respeito de mentir, cantar ou... ou gemer.
- Não, eu acrescentei tudo isso no 'contrato' de graça. De nada. - Furioso, Edward andava em círculos, lentamente, e agitava os braços. - Vamos descansar alguns minutos e depois continuaremos andando. A próxima vila não pode estar longe, agora.
- Eu não vou sair deste local.
Ele parou atrás dela. Suas mãos a agarraram pelos ombros.
- Você vai sim. - resmungou ele. - Nem que eu tenha que usar a força.
- Você não ousaria.
- Ah, mas eu ousaria, sim. - Edward massageou os músculos dos ombros e do pescoço de Isabella – Não carinhosamente, mas do modo como um treinador faz para preparar um boxeador para uma luta. A sensação foi enlouquecedora, maravilhosa.
Agachando, ele a virou para que encarasse a estrada que precisavam percorrer.
- Sim. - ele sussurrou junto ao ouvido dela. - Vou empurrar, puxar, chacoalhar você o quanto eu achar necessário. Porque você tem uma personalidade brilhante por trás dessa aparência sem graça. Porque você sabe cantar, mas não o faz. Porque você tem uma paixão fogosa dentro de si, e ela precisa ser libertada. Porque você consegue continuar andando. Você só precisa de alguém para lhe empurrar até o próximo ponto.
Devia ser o efeito da fome e do cansaço, não da voz áspera e íntima dele, mas ela estremeceu – só um pouco.
- Essas são palavras bem irônicas. - disse ela, virando o rosto para encará-lo. - Vindas de um homem que não consegue nem mesmo andar de carruagem.
As mãos dele ficaram tensas.
- Ei, vocês!
Na estrada, ao lado deles, uma carruagem parou. Uma jovem que usava uma boina toda enfeitada os chamou pela janela.
- Meu Deus, que desventura aconteceu com vocês? Precisam de socorro? Posso lhes oferecer ajuda? - Ela abriu a porta. - Como podem ver, somos só eu, minha irmã e nossa acompanhante. Temos bastante espaço.
Isabella levantou do baú e olhou para Edward.
- Então? Será que eu vou precisar empurrar você?
- Não. - disse ele, sombrio. - Eu vou. Só até a próxima cidade.
Isabella avaliou a jovem na carruagem. Ela parecia ter a mesma idade de Rosalie, e a boina e a carruagem indicavam que era uma moça de certa fortuna. A julgar pelo fato de que tinha parado para oferecer carona a estranhos, ela devia ser muito gentil ou idiota. Provavelmente, ela era aquele tipo de garota privilegiada, alegre, que não podia imaginar que algo de ruim pudesse acontecer com ela – porque nada de ruim nunca havia lhe acontecido.
- Você é muito gentil por parar. - disse Isabella, fazendo uma reverência. - Eu sou a Srta. Masen e este é... meu irmão. Receio que tenhamos passado por um infortúnio esta manhã. Se você puder nos levar até a próxima cidade, ficaremos muito gratos.
- Então nós continuamos irmão e irmã? - murmurou ele enquanto erguia o baú.
- Sim. - ela sussurrou de volta. - Mas não complique. Nada de missionários. Ou de cobras. E, o mais importante, nada de... você sabe.
Ele a examinou de alto a baixo com olhos duros.
- Pode acreditar, você não precisa se preocupar quanto a isso.
Isabella absorveu o golpe cruel em seu orgulho.
- Coloque seu baú aqui, no compartimento. - orientou a jovem. - Receio que não haja mais espaço em cima. A Cordélia faz questão de levar meia dúzia de caixas de chapéu em cada viagem.
Depois que Isabella subiu na carruagem e se acomodou no assento com as costas para o condutor, Edward colocou o baú para dentro e o empurrou para o fundo o máximo possível. Finalmente, ele inspirou, como se estivesse se preparando para mergulhar no mar, e entrou, acomodando seu volumoso corpo ao lado dela. Suas pernas quase precisaram ser dobradas duas vezes.
- Pode ir, Tyler! - a jovem gritou para o cocheiro.
Quando a carruagem entrou em movimento, Isabella percebeu os músculos de Edward ficarem rígidos como ferro. Ela sentiu aquela conhecida pontada de compaixão por ele – mas, na verdade, Edward não tinha ninguém para culpar pela situação a não ser ele mesmo. E a viagem seria curta. Ele sobreviveria.
- Eu sou a Srta. Emmeline Gateshad. - A jovem de boina estendeu a mão e Isabella a apertou. - Esta é minha irmã, Srta. Cordélia Gateshad, e nossa acompanhante, a Sra. Pickerill.
Bella cumprimentou, de maneira educada, as três mulheres. Mas ela podia ter poupado o fôlego. A atenção das três jovens ficou instantaneamente fixa em Edward. Nenhuma surpresa nisso, pois aquele homem absorvia a atenção das mulheres da mesma forma com que uma esponja suga água. Isso a deixou irritada, e confusa por estar irritada.
- E o que leva vocês dois para o norte? - perguntou a Srta. Gateshad. - Eu não guardei seus nomes.
- Oh. - Isabella entrou em pânico. - Bem, nós...
- Não conte! Nós vamos adivinhar. - disse Cordélia, sorrindo. - Vai ajudar a passar o tempo. - Ela voltou seu sorriso na direção de Edward, rapidamente esquecendo a presença de Isabella. - Você é um oficial voltando da guerra?
- Não, senhorita. Não sou herói.
Isabella teria dito o mesmo alguns instantes atrás. Mas agora ela não tinha tanta certeza. Desde o momento em que eles entraram na carruagem, ela percebeu a tensão no corpo de Edward. Agora seus óculos começavam a embaçar devido à respiração curta dele. Mas ninguém mais na carruagem suspeitava da dificuldade pela qual ele passava. Ele estava aguentando sua tortura em silêncio, como um homem. Talvez até heroicamente.
- Que pena, você ficaria tão bonito de uniforme... - O comentário de Emmeline provocou um pigarro de repreensão de sua acompanhante. - Vocês vêm de Londres?
- Passamos por lá. - respondeu Isabella. - Mas nossa casa é mais para o sul, no litoral.
Cordélia ficou sem ar.
- Já sei. Ele é um pirata! - A irmã mais nova desandou a rir.
Emmeline virou a cabeça e observou Edward de soslaio. Uma entonação levemente sedutora se insinuou em sua voz.
- Bem, eu poderia acreditar nisso. Ele tem um ar meio malandro.
Srta. Gateshead, você não faz ideia, pensou Isabella ainda mais desconfortável que antes.
- Talvez ele seja um espião. Foi a vez da Sra. Pickerill.
Isabella estava quase explodindo de aborrecimento. Ela não podia aguentar mais as bobagens daquelas mulheres, e o sofrimento silencioso de Edward a preocupava de verdade. Parecia que ele tinha parado de respirar totalmente.
- Por que você não conta a verdade para elas, irmão? - Talvez falar pudesse ajudá-lo. Ele adorava inventar histórias extravagantes. E se ele fosse falar, simplesmente teria que começar a respirar.
Ele pigarreou.
- Ah, eu não sei o que dizer.
A Sra. Pickerill olhou para ele com desconfiança.
- É uma pergunta bastante simples, não é? Nomes, destino.
- Sim, é claro. - Bella se apressou em concordar, ao mesmo tempo em que passava seu braço pelo de Edward. - Mas a questão não é quem somos... - ela improvisou. - É quem nós podemos ser que complica tudo.
- E quem vocês podem ser? - A Srta. Cordélia Gateshead se inclinou para a frente em seu assento.
- Conte para elas, irmão. - pediu Isabella. - É tudo tão divertido. E acho que o que nós precisamos agora é de um pouco de diversão.
Ela apertou discretamente o braço dele. Estou aqui. Você não está sozinho. Ele aquiesceu.
- Bem, vocês sabem... A verdade é que... - Ele pôs a mão sobre a de Isabella. - Talvez nós sejamos da realeza.
Todas as mulheres na carruagem ficaram de boca aberta, incluindo Isabella. Bem, foi ela quem pediu. Pelo menos, dessa vez não havia cobras nem leprosos.
- Realeza? - a Srta. Gateshead se empertigou. - Que surpreendente.
- Nós também ficamos surpresos quando os advogados nos encontraram. - Edward começava a parecer ele mesmo novamente. Aquele homem incorrigível e malicioso. - Há pouco tempo, ficamos sabendo que nosso pai, possivelmente, descendia do Príncipe Ampersand, monarca da Crustácea.
- Crustácea? - repetiu Cordélia. - Eu nunca tinha ouvido falar desse lugar.
- Nem nós! - exclamou ele. - Nós tivemos que procurar um atlas na biblioteca do nosso pai e tirar o pó dele quando recebemos a carta, mês passado. É um principado muito pequeno, aparentemente. No alto das montanhas, na fronteira entre a Espanha e a Itália. Toda a economia se baseia na exportação de calêndula e queijo de cabra.
Isabella engoliu uma risada. Qualquer imbecil com um atlas saberia que a Espanha não fazia fronteira com a Itália. E boa sorte no cultivo de calêndula no alto das montanhas.
- O que dizia a carta? - perguntou Cordélia.
- Sabe, alguns meses atrás, uma tragédia atingiu esse pequeno paraíso alpino. Toda a família real crustaceana foi aniquilada por uma doença genética virulenta de febre violeta.
- Nunca ouvi falar de febre violeta.
- Nós também não. Tivemos que vasculhar os livros de medicina do nosso pai, não foi, I? - Ele tocou na mão dela. - É uma doença muito rara, e quase sempre fatal. Uma verdadeira tragédia! Matou o príncipe, a rainha e todas as crianças reais... A menos que eles estivessem dispostos a passar o trono para o sujeito vil, nojento e cheio de verrugas, chamado... - Ele olhou para Isabella, esperando que ela sorrisse. - Sir Jacob Black, não é?
Ela bufou, e Edward continuou, feliz por não ter sido censurado em voz alta:
- Eles tinham que encontrar alguém da linha de sucessão real. Procuraram em todo o mundo e acabaram nos encontrando. Então, estamos indo para o lar ancestral da nossa família, como vê, para recuperar nossos registros de nascimento, a Bíblia da família e tudo mais. Você pode estar olhando para os futuros príncipe e princesa de Crustácea.
- Parece um conto de fadas... - suspirou Emmeline.
Sim, Isabella pensou. Igual a um conto de fadas. Somente asneiras, do início ao fim.
- Ah, não é um conto de fadas. - disse Edward. - Não inveje nossa repentina elevação. Caso realmente sejamos da realeza, nossa vida não mais nos pertencerá. Teremos deveres, não é? Teremos que deixar para trás a Inglaterra, nosso lar e nossos amados amigos. E também temos que abandonar a esperança do amor. - A expressão dele ficou sombria. - Um príncipe nunca pode esperar encontrar o amor.
As duas irmãs levaram a mão ao coração ao mesmo tempo.
- Não pode? - perguntou Cordélia.
- Não, o príncipe não pode. - Com um ar sincera reflexão, ele se inclinou para a frente. - Veja, se eu permanecer pobre, sendo o simples Sr. Edward Masen, de Sussex, eu posso me encantar por uma garota bonita que conheço enquanto viajo. Posso pedir permissão para cortejá-la. Levar algum tempo a conhecendo melhor. Compartilhar com ela meus sonhos, paixões e segredos, e aprender os dela. Posso levar doces e flores. - Ele olhou, sonhador, pela janela da carruagem. - Assim como outros homens, eu desfrutei da minha juventude, fiz minhas loucuras. Mas, lá no fundo, eu sempre quis encontrar o verdadeiro amor. Algum dia.
Bom Deus! Ele inventava aquelas histórias de modo tão convincente que até Isabella tinha que se lembrar de que era tudo invenção. Um dia ela fez a besteira de acreditar naquelas mentiras. Foi simplesmente você, Bella, sempre foi você. Ela ainda podia ouvir a risada de deboche ecoando nas paredes da torre. Dessa vez, pelo menos, seria ela quem poderia rir. As jovens senhoritas Gateshad estavam absolutamente convencidas. Aquele charme era um talento, Isabella tinha que concordar. Vinte minutos na mesma carruagem e as duas jovens e educadas damas estavam completamente enamoradas por aquele príncipe que poderia recusar todas as riquezas do mundo apenas para ter a chance de encontrar o amor verdadeiro. O coração, a alma, os sorrisos e a virtude delas poderiam ser dele com um único olhar fulminante. Elas provavelmente se revezariam para ficar com o "herdeiro da Crustácea".
Isabella percebeu que Edward nunca havia liberado todo o seu potencial de sedutor em Spindle Cove, pelo menos não com Rosalie. Uma estranha onda de gratidão a tomou de repente, sabendo que a irmã poderia ter sido mais uma vítima, assim como ela havia sido na noite passada.
- Se eu for um príncipe... - disse ele, sorrindo daquele modo tímido e convincente, revelando uma covinha, como se esta fosse uma vulnerabilidade secreta que só o amor de uma boa mulher poderia curar – É claro que cumprirei meu dever. Vou fazer o meu melhor. Mas, às vezes, eu acho que poderia ser um alívio descobrir que tudo isso é um grande engano.
A carruagem parou de repente.
- Oh! - exclamou Emmeline, tombando para a frente. - O que foi isso?
Isabella olhou pela janela pela primeira vez em vários minutos. Aquele trecho da estrada passava por um bosque. Talvez houvesse alguma barreira, ou a estrada estivesse alagada. Sem aviso, a porta da carruagem foi aberta, só uma fresta. Pela abertura, brilhou o cano de uma pistola suja e empoeirada.
- Entreguem tudo... Agora!
Ai ai... E agora? Tudo o que eles tem é a Francine e olha lá. hahaha
Edward é louco, só pode kkkkk
Façam a mocinha aqui feliz com reviews fofas e... Nanny, não precisa descrever suas desventuras sexuais, vamos deletar isso. Okay? HAHAHAHAHA Até próximo sábado, xuxus!
