Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
CAPÍTULO DEZESSETE
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"Acredite em mim, você ainda não viu uma fração do que eu poderia fazer com você."
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Edward tinha razão. As coisas ficaram um pouco estranhas pela manhã. Isabella deixou ele dormindo e saiu da cama o mais discretamente possível e chamou a empregada com a campainha. Ela encontrou a criada na porta da suíte, onde usou mímicas ridículas para pedir um banho quente no quarto ao lado, querendo chamar a pobre coitada de Bais Tar Du. Ela sentiu certa aflição quando as criadas trouxeram a água aquecida e a banheira, com vergonha do que aquela cena sugeria. Uma mulher jovem, solteira, compartilhava o quarto com um lorde adormecido e nu. Mas as empregadas pareciam profissionais entediadas, não chocadas. Isabella logo percebeu que, para as empregadas de Winterset Grange, aquilo não era nenhum escândalo. Era simplesmente... sexta-feira. Deus, era sexta-feira. O número de dias até o simpósio começar estava diminuindo, e eles mal tinham percorrido um terço do caminho até Edimburgo.
Apesar da urgência que aquele cálculo impunha, ela se demorou no banho. As empregadas lhe trouxeram óleos aromatizados e sabonetes, pétalas de rosa para a água do banho e fatias de pepino frias para acalmar seus olhos. Isabella aceitou ajuda para lavar o cabelo. Depois ela dispensou as criadas e ficou na banheira até a água esfriar, enquanto sentia a dor e a tensão sendo expulsas de seus músculos. Enquanto se enxugava com a toalha, ela lastimou o fato de que não tinha nada para vestir que não a mesma roupa de baixo suja e o vestido de seda destruído no dia anterior. Talvez houvesse, em algum lugar daquela casa, roupas que ela pudesse pegar, mas Bella refletiu que não conseguiria vestir os trajes que alguma amante esquecera por ali. Mas então seus olhos encontraram seu baú, que continha a pegada de Francine, suas anotações científicas e... Seu enxoval.
Enrolada na toalha, ela atravessou o quarto na ponta dos pés e abriu as fivelas no baú. Cuidadosamente pondo de lado seus diários e documentos, ela removeu os rolos de tecido branco que protegiam o molde de gesso. Em sua maior parte, aqueles volumosos cilindros brancos eram lençóis bordados, toalhas de mesa e fronhas. Mas havia outros itens, de natureza mais pessoal. Camisolas rendadas. Xales translúcidos. Espartilhos para levantar o busto. Meias de seda e ligas. Ela havia esquecido dessas coisas, que estavam enterradas no baú há anos. Isabella acreditava que nunca teria uso para esses trajes tão sensuais. Ela tinha desistido da ideia de casamento. Depois dessa viagem – e céus, depois da noite passada – casamento parecia ainda mais improvável. Mas isso não significava que ela não podia usar essas coisas, ou que ela devia negar esse seu lado. As peças naquele baú eram elegantes e sensuais, e eram dela. Tivesse ou não um marido para exibi-las.
Ela desdobrou uma camisola branca imaculada, com grandes decotes rendados na frente e atrás. Tirando o ramo de lavanda seca, embrulhado com a peça para mantê-la perfumada, Bella vestiu a peça transparente e ficou diante do espelho. Virando-se para poder se observar de diferentes ângulos, ela passou as mãos pelo corpo, fazendo o tecido leve colar na pele. Até que os botões cor de vinho de seus mamilos aparecessem por baixo, e também o triângulo escuro entre as pernas. Ela deslizou novamente as mãos pelo corpo, gostando da sensação quente de sua pele por baixo do tecido frio. As curvas suaves de seus seios, quadril e abdome. Enquanto ela observava suas mãos tocando sua própria pele, seu pulso acelerou. Aquele corpo desejava. Aquele corpo era desejado, por ele.
No quarto de dormir, Edward se mexeu e murmurou algo, ainda dormindo.
Isabella se assustou, depois levou as mãos à boca para sufocar uma risada. Ela colocou meias transparentes de seda e as amarrou com laços cor-de-rosa. Então ela voltou a chamar a criada, para ajudá-la a entrar em um espartilho francês que levantava e separava os seios, criando um efeito bastante atraente. Com relutância, ela vestiu novamente o traje de seda azul. Mas o efeito ficou muito melhor com a camisola rendada branca aparecendo no decote. E ela encontrou uma sobressaia branca, bordada, no baú, muito parecida com um babador. Ela cobria a maior parte das manchas de vinho.
Seu cabelo continuava úmido, então em vez de o prender todo com grampos, ela simplesmente pegou algumas mechas da frente e as segurou com presilhas de tartaruga. O resto do cabelo ficou solto sobre os ombros.
- Bom dia.
Ela se virou e viu Edward enrolado nos lençóis, apoiado em um cotovelo, esfregando o rosto não barbeado com a mão.
- Bom dia. - respondeu ela, resistindo à tentação infantil de dar um rodopio para obter a aprovação dele.
Ele piscou e firmou o olhar. Um sorriso entortou seus lábios.
- Ora, Bella, como você está bonita.
Uma alegria vertiginosa borbulhou através dela. Foi um elogio simples, mas perfeito. Ela teria duvidado dele se tivesse dito que estava "incrível", "linda" ou "maravilhosa". Mas "bonita"? Isso ela quase podia acreditar.
- Sério? - perguntou ela. Isabella não achava ruim ouvir aquilo de novo.
- Você é o retrato de uma garota atraente do interior. - Ele percorreu o corpo dela com os olhos, detendo-se no decote emoldurado pela renda. - Você me faz querer encontrar um monte de feno.
Ela corou, como imaginou que qualquer garota atraente do interior faria. Edward bocejou.
- Faz tempo que você levantou?
- Uma hora. Talvez mais.
- E eu não acordei? - Ele franziu a testa. - Incrível.
A empregada trouxe uma bandeja de café da manhã. Edward levantou da cama e foi se arrumar. Isabella se banqueteou com ovos quentes, pãezinhos com manteiga e chocolate.
- Você deixou alguma coisa para mim? - perguntou ele quando voltou ao quarto, cerca de quinze minutos depois.
Ela ergueu os olhos, viu-o e deixou a colher cair fazendo um barulho na mesa.
- Isso é simplesmente injusto!
Quinze minutos. Vinte, no máximo. E nesse tempo ele tomou banho, fez a barba e vestiu uma calça e uma camisa limpa e passada. Pode ser que ela estivesse "bonita" ou "atraente". Mas ele estava magnífico. Edward ajeitou o punho da camisa.
- Eu sempre deixo algumas peças de roupa aqui. Mas, infelizmente, não deixei um casaco. Vou ter que continuar com o mesmo que estava vestindo.
Foi mesquinho da parte dela, tentar se consolar com aquilo. Mas foi o que ela fez.
- Agora. - Ele sentou em frente a ela e pegou uma fatia grossa de torrada. - Quanto à noite passada...
Ela estremeceu.
- Precisamos falar da noite passada?
Edward passou manteiga em sua torrada com movimentos lentos e contínuos.
- Acredito que devemos falar. Um pedido de desculpas é necessário.
- Oh. - Aquiescendo, ela engoliu em seco. - Desculpe-me por tirar proveito de você.
Ele engasgou com a torrada.
- Não, sério! - continuou ela. - Você estava exausto e mais do que 'alto', e eu fui incrivelmente descarada.
Ele balançou a cabeça e emitiu sons de discordância. Edward empurrou a torrada com um gole rápido de chá.
- Isabella... - Ele estendeu o braço por cima da mesa para tocar no rosto dela. - Você foi... uma revelação. Acredite em mim, você não tem nenhum motivo para se desculpar. O descaramento foi todo meu. - Os olhos dele mostraram preocupação. - Eu acredito que não devemos continuar esta viagem, querida. Eu prometi a mim mesmo que levaria você até a Escócia sem lhe fazer mal. Mas se continuarmos a compartilhar a cama, correrei risco sério de lhe fazer mal. Irreparavelmente.
- Como assim?
Ele levantou uma sobrancelha.
- Eu acho que você entendeu o que eu quis dizer.
Ela entendeu. Ele queria dizer que a desejava, mais do que já desejou qualquer mulher em sua vida devassa e desregrada – e que não tinha certeza de que poderia honrar sua promessa de não a seduzir. O coração dela acelerou. Com empolgação, com medo, com emoção, com terror.
- Mas não podemos voltar agora. Não podemos desistir.
- Não é tarde demais. - disse ele. - Nós podemos estar em Londres esta noite. Eu levaria você para a casa de Jasper e Alice, e nós podemos dizer para todo mundo que você esteve lá o tempo todo. Algumas pessoas vão falar, mas se meu primo colocar o nome dele a seu favor... você não estará arruinada.
Ela ficou olhando para a toalha da mesa. A ideia de simplesmente dar meia volta e retornar a Spindle Cove, sem nunca ter chegado a Edimburgo... ela estava preparada para voltar arruinada e desgraçada. Mas não sabia se conseguiria viver voltando derrotada. E como poderia voltar à sua antiga vida, simplesmente fingindo que nada disso aconteceu? Impossível.
- Bella...
- Nós podemos fazer isto, Edward. Podemos chegar em Edimburgo a tempo. E eu posso manter você no seu lugar, se é isso que o preocupa. Eu voltarei a ser geniosa e desagradável. Eu... eu vou dormir com um porrete debaixo do travesseiro.
Ele riu.
- De qualquer modo, estou satisfeita, agora. Você sabe, em termos de curiosidade. Depois da noite passada, tenho certeza de que vi tudo que havia para ver.
A voz dele ficou ameaçadora de um modo excitante.
- Acredite em mim. Você ainda não viu uma fração do que eu poderia fazer com você.
Ah, não. Não me diga isso.
- Edward, por favor. - Ela apertou os olhos, depois o abriu. - Pense no dinheiro. Pense nos quinhentos guinéus.
Ele balançou a cabeça.
- Não se trata de dinheiro, querida.
- Então pense em Francine.
- Francine?
- Pense no que ela representa. E se há muito tempo, antes de o primeiro homem aparecer, existissem criaturas como ela por toda parte? Lagartos gigantes andando pela Terra. Até mesmo voando!
- Ahn... - Ela podia dizer que Edward se esforçava para não rir.
- Eu sei que você acha tudo isso divertido, mas estou falando sério. Descobertas como a pegada dela estão mudando a história, ou, pelo menos, nosso entendimento dela. E há muitas pessoas que não gostam disso. Geólogos podem parecer entediantes, mas nós somos, na verdade, renegados. - Ela sorriu. - Eu sei que você esteve com muitas mulheres, mas Francine pode ser a fêmea mais escandalosa e herética com quem você já dividiu seu quarto!
Ele riu com gosto, então. Impulsiva, ela pegou a mão dele.
- Edward, por favor, não tire isso de mim. Esse é o meu sonho, e já arrisquei tanta coisa. Prefiro fracassar a desistir.
Ele inspirou profundamente. Ela segurou a respiração.
- James Halford nunca levanta antes do meio-dia. - disse ele. - Deveríamos cair fora o mais breve possível, para evitar perguntas.
Ela transpirou alívio, quente e doce.
- Oh, obrigada. - Ela apertou a mão de Edward. - Mas nós temos tão pouco dinheiro. Para onde vamos?
Ele mordeu a torrada e mastigou. Dando de ombros, ele acabou respondendo:
- Para o norte.
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Era realmente espantoso, Isabella pensou, como um homem conseguia chegar longe usando apenas seu charme. A manhã ainda não havia chegado ao fim e Edward, usando apenas sua lábia, conseguiu uma série de caronas com comerciantes e fazendeiros até chegar a um lugar de onde poderiam retornar à Grande Estrada do Norte. Após parar para conversar com um fazendeiro da região, ele voltou até Isabella, que esperava junto a uma cerca. Ele franziu o rosto, ao olhar para ela, devido ao sol forte da manhã.
- Ele disse que pode nos levar até Grantham, esta tarde, em troca de algumas horas de trabalho pela manhã. Os empregados dele estão consertando o telhado de uma casa. Se nós ajudarmos, ele depois nos dará um espaço em sua carroça.
- Uma carona até Grantham? Isso seria maravilhoso, mas...
- Mas o quê?
Ela inclinou a cabeça.
- Entendo que ele não percebeu que você é um visconde.
- Um visconde? Usando isto? - Sorrindo, ele indicou o casaco empoeirado e esfarrapado. O tecido sugeria apenas uma lembrança do azul-marinho original. Suas botas não eram engraxadas há dias. - Sem chance. Ele supõe que nós sejamos viajantes comuns, é claro.
- Mas... - Como ela falaria aquilo sem ofender o orgulho dele? - Edward, alguma vez você já consertou um telhado?
- É claro que não! - disse ele, bem-humorado, ajudando-a a passar o baú com Francine pela cerca. - Esta é minha grande oportunidade de aprender.
Ela suspirou alto.
- Se você acha isso...
Eles atravessaram um campo com fileiras bem organizadas de estacas em que trepadeiras verdes começavam a subir. Isabella enxergou a casa à distância. Diversos homens subiam escadas, carregando fardos de palha, para depositar no telhado. Eles pareciam formiguinhas sobre um prato cheio de creme amarelo.
- Aqui. - Edward tirou a gravata, com a qual enrolou a pistola, e enfiou o pacote no bolso do casaco. Depois retirou o casaco e o entregou para Isabella. - Cuide disto, por favor.
E assim ele se juntou aos homens na tarefa. Isabella rapidamente foi levada para trabalhar com as mulheres, escolhendo e juntando a palha que era jogada da carroça. Ela supôs que, se conseguia ser convincente como missionária e assassina, seria capaz de fazer aquilo. Afinal, ela estava acostumada a trabalhar durante horas com seu martelo nas rochas. Uma hora mais tarde, suas costas doíam e seus braços expostos apresentavam milhares de pequenas escoriações.
Sua cabeça parecia inchada devido ao aroma doce e intenso da palha. Ela não era lá muito boa no trabalho, e dava para perceber que as outras mulheres estavam se esforçando para ter paciência com ela. Mas Isabella não desistiria. Ela se endireitou por um minuto para esticar as costas. Sombreando os olhos com uma mão, ela procurou Edward entre os homens. Lá estava ele, perto do topo do telhado, intrepidamente montado em duas vigas. Sem hesitar um instante, nem dar qualquer sinal de desequilíbrio, ele caminhou três metros sobre um caibro descendente para pegar um novo fardo de palha. É claro que ele fazia aquilo com tranquilidade – da mesma forma que fazia tudo. Ela o ficou observando por alguns minutos, enquanto colocava a palha em camadas grossas, depois a prendia com ramos de aveleira. Ele ergueu uma ferramenta que parecia algo entre uma carda e uma marreta. Com movimentos rápidos e fortes de seu braço, ele batia na palha para fazê-la assentar. Edward parou para enxugar a testa e fazer algum comentário para seus colegas. Pela forma como todos riram, ela imaginou que a piada tinha sido boa.
Isabella se viu sentindo uma mistura de admiração com inveja. Ela parecia condenada a passar pela vida sendo a eterna excluída, enquanto Edward se encaixava em qualquer situação. Mas, pela primeira vez, ela enxergou o charme dele sob uma luz diferente. Não como um lubrificante de suas relações sociais ou sexuais, mas simplesmente como expressão de seu eu verdadeiro.
Ele a viu e ergueu a mão, em saudação.
- Tallyho! - gritou ele.
Ela não conseguiu evitar de sorrir.
- Maluco... - sussurrou ela, balançando a cabeça.
Um maluco encantador, sem suas máscaras. Que engraçado... Ele estava sempre pegando no pé de Isabella, dizendo que ela precisava sair de sua gaiola protetora. Mas, todo mundo não tem sua concha? Uma carapaça externa, dura, para proteger a criatura vulnerável que existe lá dentro? Talvez, pensou ela, as pessoas fossem mais parecidas com os amonites do que poderiam supor. Talvez elas construíssem suas conchas devido a fatores rígidos, imutáveis – alguma circunstância ou acontecimento na infância. Cada câmara da concha sendo apenas um pouco maior que a anterior, crescendo ano após ano, até formar uma espiral que as tranca lá dentro.
A concha de Edward foi formada pela tragédia. A morte de seus pais definiu o moldar da primeira câmara de proteção. Ele cresceu até ocupar toda ela, então foi a aumentando câmara após câmara, cada uma mais confusa e triste que a anterior. Mas e se a pessoa dentro dessas muitas câmaras ocas não for uma tragédia? E for apenas um homem que desfruta a vida e ama as outras pessoas, mas tem dois pais mortos e um caso de insônia inflexível?
E que era ela, por baixo de todas as suas camadas? Uma garota desajeitada, estudiosa, que não se importava com nada além de fósseis e rochas? Ou uma mulher corajosa, ousada, que arriscaria tudo – não na esperança de obter aclamação profissional, mas pela ínfima chance de encontrar o amor. De encontrar a pessoa que pode compreendê-la, admirá-la e permitir-lhe admirar e compreender.
Ela não iria mentir. Em Spindle Cove ela havia alimentado fantasias vazias de que Sir Jacob Black pudesse ser esse homem. Mas agora, olhando para trás, Isabella tinha que admitir uma verdade difícil. Sempre que ela se imaginava com Sir Jacob – encarando aqueles olhos profundos que refletiam aceitação, desejo, afeto e confiança –, os olhos dele se pareciam demais com diamantes Bristol. E estavam ancorados em um maxilar forte e uma única e relutante covinha. Isabella estava tão confusa... No futuro imediato ela queria – precisava – compartilhar a pegada de Francine com a comunidade científica. Além disso, ela não sabia mais o que queria. E mesmo que pudesse discernir o futuro que desejava... Como faria para aguentar se esse futuro não a quisesse?
Quando a cobertura do telhado terminou, os trabalhadores se reuniram ao redor de longas mesas de madeira para um almoço simples. Isabella ajudou as mulheres a passar cestos de pão fresco, linguiças e queijo duro. A cerveja fluía à vontade de um barril. A disposição geral mudou de trabalho para expectativa. Os homens se lavaram e colocaram seus casacos, e as garotas tiraram os aventais e amarraram fitas umas nos cabelos das outras. A carroça que até recentemente estava cheia de palha para o telhado foi limpa e atrelada a uma parelha forte e robusta.
- Nossa carruagem nos espera. - Edward estendeu a mão para Isabella. - Primeiro as damas.
Ele a ajudou a subir na carroça, e depois carregou o baú. Isabella o empurrou até o fundo da carroça e eles – os três – se sentaram em uma fileira. Bella se sentou sobre as pernas e Edward esticou as suas. E Francine manteve o pé dentro da caixa.
- Viajar de carroça não é problema para você? - ela perguntou.
- Não, porque é aberta.
Todos os outros trabalhadores também subiram, e pouco antes de fecharem a traseira, meia dúzia de leitões rosados foram acrescentados à mistura. Um deles conseguiu chegar ao colo de Isabella e se aninhou nas dobras de sua sobressaia, onde a criaturinha inteligente percebeu que ela havia guardado queijo do almoço.
- Todo mundo vai até Grantham? - Conjecturou Bella em voz alta, enquanto dava ao leitão um bocado de queijo.
A jovem sentada à sua frente olhou para ela, como se Isabella fosse uma tonta.
- É dia de feira, não é mesmo? - Comentou ela.
Ah. Dia de feira. Isso explicava a agitação generalizada. E os leitões. Conforme a carroça entrou na estrada, as garotas a bordo mudaram de posição e se aproximaram, formando um emaranhado. Elas sussurravam entre si, enquanto olhavam disfarçadamente para Edward. Ela sabia que as demais faziam especulações sobre seu relacionamento, imaginando se aquele belo estranho estaria disponível. Após mais um pouco de sussurros e cutucões, elas pareceram nomear uma morena de aparência corajosa para a tarefa de descobrir.
- Então, Sr. Masen... - disse ela, sorrindo. - O que leva você e sua amiga para a feira de Grantham?
Isabella prendeu a respiração, na esperança tola de ser chamada de algo diferente do que irmã. Algo mais que uma amante.
- Negócios. - disse Edward com tranquilidade. - Nós somos de circo.
De circo?
- Vocês são de circo? - Ecoaram várias das garotas.
- Ora, é claro. - Ele passou preguiçosamente uma mão pelo cabelo. - Eu ando na corda bamba, e minha amiga aqui... - Ele passou o braço pelos ombros de Isabella e a puxou para perto. - Ela é uma engolidora de espada de primeira!
AH, MEU DEUS! Isabella cobriu a boca com a mão e produziu alguns sons abafados.
- Respirei um pouco de pó de palha. - explicou ela alguns momentos depois, enxugando as lágrimas de risada dos olhos.
Ela olhou de lado para Edward. O homem era um sem-vergonha inacreditável. Incorrigivelmente lindo. E – oh, céus. Ela estava a um fio de cabelo de se apaixonar perdidamente por ele.
- Uma engolidora de espadas... - repetiu a morena, lançando um olhar de dúvida para Isabella.
- Ah, sim. Ela tem um talento raro. Vocês precisam acreditar em mim quando digo; eu tenho muitos anos de circo, e nunca vi alguém como ela. Vocês precisavam ter visto a apresentação dela na noite passada. Absolutamente brilhante, estou lhes dizendo. Ela tem um jeito para...
Isabella enfiou o cotovelo nas costelas dele, com força.
- O que foi? - Ele a pegou pelo queixo e virou seu rosto para si. Os olhos dele dançavam, alegres. - Sério, querida. Você é modesta demais.
Ela ficou tonta de alegria ao observar o olhar carinhoso dele. E então Edward a beijou. Não exatamente na boca, nem no rosto. Foi bem no canto de seu sorriso. A carroça passou por um sulco na estrada e deu um solavanco, apartando os dois. Bella deitou a cabeça no ombro dele e suspirou de felicidade. Em toda a carroça, as moças suspiraram, decepcionadas. Isso mesmo, garotas, podem chorar no avental. Ele tem dona. Hoje, pelo menos.
Isabella pegou a mão de Edward e deu um aperto de agradecimento. Além de todo prazer carnal que ele havia feito o corpo dela encontrar, Edward agora a apresentava a uma sensação totalmente nova. Então era essa a sensação de ser invejada.
- Bem... - disse a morena. - Você nunca sabe quem vai encontrar na Grande Estrada do Norte, não é mesmo? Ontem mesmo meu irmão disse que um de seus amigos conheceu um príncipe há muito perdido.
Todos na carroça riram, menos Isabella. O braço de Edward ficou tenso sobre os ombros dela.
- Não, falando sério. - continuou a garota. - Ele era um príncipe, viajando com roupas comuns.
Do lado dela, outra garota balançou a cabeça.
- Seu irmão está inventando histórias de novo, Becky. Imagine, um príncipe há muito perdido viajando disfarçado por este trecho de estrada. O que ele estava fazendo? Indo para a feira? - Ela riu. - Eu não daria nenhum crédito a essa história.
- Não sei, não. - Isabella sorriu consigo mesma, aninhando-se em Edward - Eu acredito.
A morena arqueou uma sobrancelha.
- Se esse príncipe existir, é melhor que ele não encontre os amigos do meu irmão. Eles têm uma conta a acertar com Sua Majestade.
Eita. Será que escaparam mesmo dos ladrões de meia tigela?
Nanny: Conhecendo bem o amigo que tem, o Edward nem se arriscou a deixar a assassina Melissande perto do cara kkkkkk
Barbara Gouveia: Dá um desconto, esses dois são meio lerdos mesmo rsrs. Acho que, vindo de uma exploradora, "fascinante" é o melhor que ela poderia dizer kkk
Guest Giulia: Viram geleia nas mãos um do outro, mas a Bella quer mais que só essa física.
Guest Giulia 2: Você mandou duas reviews? Leu duas vezes? hahaha' E, sim, ele não vai admitir, mas ele está amando S2
Paula: Fico muito feliz que esteja gostando, espero vê-la mais vezes. Seja bem vinda! :)
Ktia S: Depois EU quem sou safada, aham, ok... Quem gosta de cafajeste é você, esqueceu do seu passado recente, filha? Eu escolhi bem 3
Cris Redfield s2: Posso fazer uma pergunta idiota? Você gosta de Resident Evil? Se sim, de 0 a 10, quanto? Beijo!
Tenham um ótimo fim de semana e até o próximo, beijos!
