Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
~EPÍLOGO~
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"A certeza lhe cai bem."
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- Está interessada em rendas hoje, Srta. Young? - Quando Emily entrou na loja Tem de Tudo, Sally Newton se aprumou atrás do balcão. A senhora de cabelo claro colocou de lado o jornal que estava lendo. - Ou talvez uma nova fita?
Emily balançou a cabeça, sorrindo.
- Só um pouco de tinta. Não tenho motivo para fitas ou rendas novas.
- Tem certeza? - Sally colocou um frasco de tinta sobre o balcão. - Não foi isso que eu ouvi.
O tom na voz da senhora fez Emily prestar atenção.
- O que você ouviu?
Sally fingiu inocência.
- Só que alguém fez um passeio até o Castelo Hale outro dia. E sozinha...
Emily sentiu as faces queimando. O que a incomodou, porque ela não tinha feito nada que a pudesse constranger ou fazer sentir vergonha.
- Sim, eu realmente andei até o castelo. Eu precisava falar com o Cabo Uley. Nós tínhamos um... um desentendimento para acertar.
- Ah... - Sally arqueou a sobrancelha. - Um desentendimento para acertar. Bem, tudo isso parece muito correto.
- Não foi nada impróprio, se é o que está sugerindo.
Emily preferiu não mencionar o fato de que ela havia encontrado o homem em meio a seu trabalho, semivestido e encharcado de suor. Toda aquela pele bronzeada esticada sobre um corpo duro, musculoso... A silhueta de ombros largos estava gravada em sua memória. Como se Emily tivesse olhado diretamente para o sol, e a imagem permanecesse em suas retinas.
- Só estou provocando você, Srta. Emily. Eu sei que não existe nada de impróprio entre vocês dois. Mas tenha cuidado. Você não quer que as pessoas fiquem com a ideia errada. Porque senão vai começar a sofrer uma praga de pequenos acidentes. Vai aparecer sal no lugar do seu açúcar, alfinetes vão ser esquecidos nas barras das suas saias e assim por diante.
Emily franziu o cenho.
- Do que você está falando?
- Inveja. Metade das mulheres desta vila vai querer mal a você.
- Elas vão me invejar? Por quê?
- Céus, você realmente não sabe. - a senhora Newton endireitou as peças de joalheria na vitrine. - Eu sei que, desde o momento em que os homens de Lorde Hale entraram na vila, no verão passado, todas as moças do Queen's Ruby ficaram de olho em Lorde Cullen. Impetuoso, bonito, charmoso... qual mulher de boa família não se interessaria por ele? Mas há outras mulheres nesta vila, Srta. Young. Ajudantes, viúvas de marinheiros, criadas... mulheres que nem se dão ao trabalho de sonhar com um visconde. Todas elas têm lutado para agarrar o Cabo Sam Uley.
- Sério? Mas... - Emily bateu em um mosquito que a incomodava em seu pescoço. - Mas ele é tão grande. E rude. E grosseiro.
- Exatamente! - Sally lhe deu um sorriso de boa entendedora, mas Emily não entendeu. - Até aqui, ninguém conseguiu nada. Puseram armadilhas para ele pela cidade, mas ele escapou de todas. O boato é que ele tem um combinado com uma viúva da cidade ao lado. Ele vai visitar a moça uma ou duas vezes por mês... se entende o que eu quero dizer.
Emily entendia o que Sally queria dizer. E aquilo a deixou repentina e inexplicavelmente nauseada. Claro que o Cabo Uley tinha o direito de fazer o que quisesse com quem ele quisesse. Ela só não gostou de ficar sabendo. E gostou menos ainda de imaginar aquilo. Ela se chacoalhou mentalmente.
- Bem, você pode espalhar... - e ela sabia que Sally espalharia. - que as mulheres de Spindle Cove não têm nada para invejar. Não existe absolutamente nada entre mim e o Cabo Uley. Nada além de civilidade do meu lado, e certamente não há afeto por parte dele. Esse homem mal tolera minha existência.
Sam pareceu ansioso para ver Emily ir embora, naquele dia. Ela lembrou da impaciência nos movimentos dele quando a acompanhou até o portão do castelo, depois que concluíram a conversa. Evidentemente, cavar um poço era mais interessante. Sally deu de ombros enquanto passava um pano de pó nas prateleiras atrás do balcão.
- Nunca se sabe, Srta. Young. Ninguém pensava, também, que houvesse algo entre a Srta. Isabella e Lorde Cullen. E veja só.
- Isso é completamente diferente.
- Como?
- É... apenas é. - Emily foi salva pelo tropel de cascos e o ronco das rodas da carruagem que se aproximava.
Em uma manobra acrobática, Sally segurou na prateleira com uma mão e inclinou seu peso para o outro lado, esticando o pescoço para olhar através da vitrine da loja. Após conseguir ver o que queria, ela largou o pano de pó.
- Só um instante, Srta. Young. É o correio. Eu tenho que atendê-los, ou eles ficam muito bravos. Esses condutores do correio são uns grosseirões. Eles não gostam nem mesmo de diminuir a velocidade.
Enquanto Sally pegava a correspondência, Emily recolhia em sua bolsa as moedas para pagar pela tinta. Aliás, não lhe restavam muitas moedas. O inverno e o início da primavera eram estações fracas para uma professora de música em uma vila de veraneio. Ela tinha que ser econômica constantemente.
- Você tem troco para meia coroa?", perguntou Kate quando Sally voltou.
- Só um instante... - a senhora remexia em um pequeno pacote de cartas e envelopes. Ela pegou uma das cartas, que separou da pilha. - Céus. Está aqui.
- O que está aí?
- Uma carta da Srta. Isabella.
O coração de Emily deu um pulo dentro do peito. A vila toda estava esperando notícias de Isabella. Ela correu para o lado de Sally.
- É a letra dela, tenho certeza.
- Oh! - Sally guinchou. - Está selada com o sinete de Lorde Cullen. Veja.
Emily passou os dedos pelo lacre de cera vermelha.
- Está mesmo. Oh, é uma notícia maravilhosa. A Sra. Swan precisa ver isso agora mesmo. Vou levar para ela no Queen's Ruby.
Sally manteve o envelope junto ao peito.
- De jeito nenhum. Ninguém vai tirar isto de mim. Eu tenho que estar lá quando ela ler a carta.
- Mas e a loja?
- Srta. Emily, esta é a família Newton. Há meia dúzia de nós. - Sally correu para a porta do estoque e gritou para dentro. - Mike, cuide do balcão. Eu volto em dez minutos!
Juntas, elas passaram correndo pela praça e pela porta da Queen's Ruby. Elas encontraram Charlotte e a Sra. Swan na sala de estar. A primeira estava bordando uma fronha de travesseiro, enquanto a outra cochilava no divã.
- Sra. Swan! - chamou Sally.
A matriarca acordou com um ronco. Ela virou a cabeça tão abruptamente que sua touca de renda ficou torta.
- O quê? O que foi? Quem morreu?
- Ninguém morreu. - disse Emily, sorrindo. - Mas talvez alguém tenha se casado.
Sally colocou a carta na mão da mãe de Isabella.
- Vamos lá, Sra. Swan, leia. Estamos todas desesperadas para saber o que aconteceu.
A Sra. Swan olhou para o envelope. Seu rosto ficou branco.
- Oh, meus santos! Minha querida, amada filha. - Com os dedos trêmulos, ela quebrou o lacre e desdobrou a carta.
Charlotte deixou o bordado de lado e se aproximou. A mãe passou a carta para sua filha mais nova.
- Aqui, leia você. Meus olhos estão ruins demais. E meus nervos...
Sally agarrou o braço de Emily, e as duas esperaram com a respiração suspensa.
- Em voz alta, Srta. Charlotte. - pediu Sally. - Leia em voz alta.
- 'Minha querida mãe'... - começou Charlotte. - 'Eu sei que você deve estar imaginando o que aconteceu com sua filha desobediente. Devo admitir que a semana passada não se desenrolou como eu havia planejado.'
- Oh, céus. - murmurou Emily.
- Ela está arruinada. - disse debilmente a Sra. Swan. - Estamos todas arruinadas. Alguém pegue meu leque e o vinho.
Charlote continuou a ler.
- 'Apesar das dificuldades da viagem, nós...'
- Nós! - repetiu Sally. - Anime-se, Sra. Swan. Ela escreveu 'nós'!
- 'Nós nos estabelecemos em Northumberland no momento.'
- Northumberland! - A cor voltou às faces da Sra. Swan. Ela se endireitou no divã. - A propriedade dele é lá. Ele me disse uma vez. Oh, qual era o nome dela, mesmo?
- 'E é com grande prazer que eu lhe escrevo da...' - Charlotte baixou o papel e sorriu. - 'Da maravilhosa biblioteca de Riverchase.'
.:Duas semanas depois:.
"Minha querida filha, Viscondessa Edward,
Os sinos estão repicando hoje em Santa Úrsula! Eu disse ao vigário que era necessário, não importa que você esteja tão longe, em Northumberland. Como ficamos felizes ao receber sua carta! Como minhas amigas sempre me dizem, minha intuição é única. Eu sempre soube que, um dia, esse malandro do Edward seria meu filho. Mas quem teria imaginado qual seria sua viscondessa!? Você deixou sua mãe orgulhosa, querida. É claro que você deve aproveitar sua lua de mel, mas pense em voltar a Londres para as celebrações da Paz Gloriosa. Rosalie deve ser a próxima, você sabe. Ela estará em ótima posição para aproveitar seus novos contatos. Tenho grandes esperanças para ela, mais do que nunca. Se você conseguiu pegar o Edward, certamente Rosalie pode agarrar um duque!
Sua,
Mamãe."
Com um sorriso divertido, Isabella dobrou a carta e a guardou no bolso. Ela parou no meio do caminho, inspirou profundamente o ar quente, aromático, do fim da primavera e soltou os cordões do chapéu de palha, para que ele deslizasse até suas costas. Então, com passo ligeiro, ela continuou na trilha que levava da vila a Riverchase. Jacintos agitavam-se com abandono em seus caules finos, implorando para serem colhidos. Enquanto caminhava, Isabella parava para colher os jacintos, e também prímulas e alguns narcisos-amarelos. Ela tinha acumulado um belo ramalhete quando chegou ao alto da colina. Ao se aproximar do cume, um sorriso aflorou em seu rosto. Ela sentiu que uma alegria a aquecia, só pela expectativa de ver a conhecida fachada de granito. Mas não foi Riverchase o que ela viu primeiro quando chegou no alto da colina. Foi Edward, que vinha pela mesma trilha – na direção dela, como se fosse a mais bela escultura viva do mundo.
- Olá. - ele disse ao se aproximar. - Eu estava indo para a vila.
- Para quê?
- Ver você, é claro.
- Oh. Bem, eu estava indo ver você. - Ela lhe deu um sorriso tímido, sentindo aquele toque conhecido de vertigem e rubor.
Ele indicou o buquê de flores silvestres.
- Colhendo flores, hoje? Nada de rochas?
- Às vezes eu gosto de flores.
- Fico feliz de saber. É muito mais fácil enviar vasos de flores para o chalé. - Seu dedo enluvado acariciou a face dela. - Srta. Isabella, posso...?
- Um beijo?
Ele aquiesceu.
Ela lhe ofereceu o rosto, inclinando-se para receber o gesto carinhoso, delicado. Mas no último instante ele virou o rosto e a beijou nos lábios. Oh, ele era sempre um malandro, e Isabella ficava contente com isso. O beijo foi breve, mas quente e doce como o sol da tarde. Depois de um instante, ele se endireitou e a mediu com o olhar.
- Você está... - Ele balançou a cabeça, sorrindo um pouco. - Cataclísmica de tão bela.
Ela engoliu em seco, precisando de um momento para se recuperar do esplendor masculino de Edward.
- Você também está devastador, hoje.
- Eu gostaria de pensar que meu beijo merece todo o crédito por esse lindo rubor em suas faces, mas duvido que seja verdade. O que a deixou tão satisfeita?
- O beijo também contribuiu. Mas o correio trouxe uma carta esta manhã. - Ela fisgou um par de envelopes no bolso. - Recebi duas cartas muito interessantes. A primeira é da minha mãe. Ela nos felicita pelo casamento.
Ele desdobrou a página e passou os olhos pelo conteúdo. Enquanto lia, o canto de sua boca esboçou um sorriso.
- Sinto muito. - disse Isabella. - Eu sei que ela é terrível.
- Não é, não. Ela apenas é uma mãe que quer o melhor para suas filhas.
- Ela está enganada, isso sim. Eu não disse para ela que nos casamos. Eu só disse que estamos na sua propriedade, e que eu só devo voltar dentro de um mês ou talvez mais. Mas ela, obviamente, supôs que nos casamos.
- Todos estão supondo. Recebi uma carta de Jasper, outro dia. Ele queria saber por que eu ainda não tinha enviado aos advogados os documentos do casamento. 'Você não quer seu dinheiro?' ele perguntou.
Juntos, eles começaram a andar de volta para Riverchase.
- Eles vão saber a verdade, quando for a hora. - refletiu ela.
- Vão, vão sim. Você disse que recebeu duas cartas interessantes. Quem enviou a outra?
- Sir Jacob Back.
Ela notou uma ligeira hesitação no passo dele. O indício sutil de ciúme a emocionou mais do que deveria.
- Oh, é mesmo? - disse ele, em um tom de voz propositalmente indiferente. - E o que o bom Sir Jacob tem para dizer?
- Não muita coisa. Apenas que o Jornal da Sociedade Geológica Real se recusou a publicar meu artigo a respeito de Francine.
- Como? - Ele parou de imediato e se voltou para ela. O brilho afetuoso em seu olhar se tornou um fulgor irado, quase assassino. - Oh, Bella. Isso não faz sentido. Eles não podiam fazer isso com você.
Ela deu de ombros.
- Sir Jacob disse que tentou me defender, mas os outros editores do jornal foram irredutíveis. Minha evidência era enganadora, disseram; minhas conclusões foram por demais forçadas...
- Bobagem. - Ele apertou o maxilar. - Bastardos covardes. Eles não admitem ser superados por uma mulher; é apenas isso.
- Talvez.
Ele balançou a cabeça, pesaroso.
- Sinto muito, Bella. Devíamos ter entrado no simpósio aquele dia. Você devia ter apresentado pessoalmente suas descobertas. Se eles tivessem ouvido você falar, poderia tê-los convencido.
- Não, não sinta. - Ela pegou a mão dele e a apertou. - Nunca se arrependa, Edward. Eu nunca vou me arrepender.
Eles ficaram ali durante um longo momento, sorrindo um pouco e olhando um para os olhos do outro. Ultimamente eles conseguiam passar horas assim – com uma felicidade palpável e o amor crescendo no espaço entre os dois.
Isabella não conseguia esperar para ser a esposa de Edward. Mas ela nunca se arrependeria de ter recusado casar com ele naquele dia em Edimburgo, na entrada da Sociedade Geológica Real. Ele passou por tanta coisa só para levá-la até ali. Enfrentou seus maiores medos, cometeu atos de bravura. Abriu seu coração para ela, e sua casa também. Ele lhe deu coragem, força e horas de risos. Para não mencionar paixão e todas aquelas ardentes palavras de amor. Ao pedir sua mão, ele deu o salto de fé mais corajoso que Isabella poderia imaginar. Em troca, Isabella queria dar para ele, pelo menos aquilo: uma corte adequada, como Edward queria. Uma chance para o amor dos dois criar raízes e crescer. Isabella queria que, quando recitasse seus votos de casamento, Edward soubesse que eram votos feitos espontaneamente, não uma tentativa desajeitada de alcançar a glória científica. Edward merecia isso.
Eles deram as costas ao Sr. Crowley e à Sociedade Geológica Real naquele dia. Mas Sir Jacob Black ficou curioso e foi atrás deles, convidando-os para almoçar em uma estalagem próxima, onde passaram várias horas em um debate erudito com seus amigos. Sir Jacob e os outros ouviram, fizeram perguntas, discutiram e, de modo geral, demonstraram por Isabella o respeito devido. Edward providenciou para que as taças de vinho nunca ficassem vazias, e manteve seu braço, casual e possessivamente, jogado sobre as costas da cadeira dela. Não, ela não ganhou uma medalha e um prêmio de quinhentos guinéus, mas foi uma espécie de simpósio. Que fez a viagem valer a pena.
Depois disso, ela e Edward foram para Northumberland. Edward a instalou em um lindo chalé na vila, com a Sra. Clearwater, sua governanta, como dama de companhia de Isabella. E então ele se pôs a cumprir suas promessas de cortejá-la carinhosa e atenciosamente. Ele a visitava na maioria das manhãs, e os dois saíam para longas caminhadas à tarde. Edward lhe levava doces e rendas de presente, e os dois faziam os garotos de recados correrem de um lugar para o outro com bilhetes que não precisavam de assinatura. Várias vezes por semana, Isabella e a Sra. Sue jantavam em Riverchase, e aos domingos ele jantava no chalé.
Eles também passavam tempo sozinhos. Ela, escrevendo suas descobertas em Spindle Cove e explorando o novo cenário rochoso. Edward, inspecionando a propriedade com seu administrador enquanto fazia planos para o futuro. Quanto aos planos para o futuro dos dois... Isabella tentava ser paciente. Se Edward tinha dado um passo de fé quando a pediu em casamento, o gesto de fé dela estava mais para um deslize longo e lento sobre gelo fino. Embora estivesse gostando da corte, ela tentava não pensar em uma desilusão amorosa. Sempre havia a possibilidade de ele mudar de ideia.
Mas durante o mês que passou depois que eles voltaram de Edimburgo, o casal sobreviveu à primeira discussão – uma disputa, imagine só, sobre um par de luvas sumidas. Eles também resistiram ao segundo embate. Tudo começou com um desentendimento tenso quanto à Isabella poder explorar desacompanhada, mas em segurança, as rochas da região. (É claro que ela podia, era a opinião de Isabella. Edward se dava o direito de discordar.) A tensão explodiu em uma grande briga que envolveu acusações de independência feminina, arrogância masculina, capas com forro de pele, todos os tipos de rochas e – inexplicavelmente – a cor verde. Mas o acordo que acabaram fazendo – uma excursão conjunta aos penhascos, que se transformou em um encontro tórrido – serviu para acalmar o descontentamento deles. Desde então, a corte tem sido doce e carinhosa como nunca – mas não inteiramente casta.
Isabella passou o braço pelo dele e os dois continuaram andando pela trilha.
- Não me sinto intimidada. Vou encontrar outro meio para publicar minhas descobertas.
- Nós vamos encontrar outro meio. Se você puder esperar mais cinco semanas, vou comemorar meu aniversário imprimindo uma cópia das suas descobertas para cada casa na Inglaterra.
Ela sorriu.
- Algumas centenas de cópias serão suficientes, e não há porque termos pressa. A pegada de Francine sobreviveu naquela caverna durante milhões de anos. Eu posso esperar um pouco mais para fazer minha marca.
- Ajudaria se eu lhe dissesse que já existe uma pegada profunda, permanente, do tamanho de uma Isabella, no meu coração?
- Ajudaria. - Ela o beijou no rosto, saboreando aquele toque de cravos de seu sabão de barba. - Você tem algum compromisso esta tarde? Eu gostaria de passar algumas horas vasculhando a biblioteca de Riverchase.
Ele demorou para responder.
- Se uma tarde na biblioteca é seu desejo, que assim seja. Mas eu confesso que tinha outra coisa em mente.
- Sério? O quê?
- Um casamento.
Isabella quase deixou cair seu ramalhete de flores.
- Casamento de quem?
- O nosso.
- Mas nós não podemos...
- Podemos. O vigário já leu três vezes os proclamas na igreja da paróquia. Eu enviei um bilhete para ele antes de sair de casa, hoje de manhã, e pedi ao mordomo que preparasse a capela. Tudo deve estar pronto quando chegarmos.
Isabella olhou para ele, confusa. Ele havia planejado aquilo?
- Mas eu pensei que nós concordamos em esperar até depois do seu aniversário.
Edward passou os braços ao redor dela, segurando-a pela cintura.
- Eu sei, mas eu não consigo mais. Simplesmente não consigo. Eu dormi bem a noite passada, mas quando acordei esta manhã, senti muito a sua falta. Nem mesmo sei como descrever a sensação. Eu olhei para o outro travesseiro e me pareceu errado que você não estivesse ali. Como se eu tivesse acordado sentindo falta do meu braço, ou de metade do meu coração. Eu me senti incompleto. Então me levantei, me vesti, e comecei a andar na sua direção, porque não podia ir para qualquer outra. E então lá estava você, vindo na minha direção. Com flores na mão.
A emoção brilhou nos olhos dele, e Edward tocou a face dela.
- Não se trata de um capricho. Eu simplesmente não aguento passar outro dia separado de você. Eu quero que você compartilhe minha vida, minha casa e... - Ele a abraçou apertado, puxando seu corpo para um contato total com o dele. Edward baixou a cabeça e beijou o local macio sob a orelha dela. - E eu quero que você compartilhe minha cama, como minha mulher... Esta noite.
Os beijos dele a deixaram tonta de desejo. Ela se agarrou firmemente a ele.
- Oh, Edward...
- Eu amo você, Bella. Eu a amo tanto, que isso me assusta. Diga que vai se casar comigo hoje.
Ela se afastou um pouco.
- Eu... - Engolindo em seco, ela passou a mão trêmula pela musselina amarelo-manteiga. - Eu devia, no mínimo, trocar de vestido.
- Não ouse. - Ele balançou a cabeça e segurou a cintura dela com as mãos. - Você está perfeita. Absolutamente perfeita, assim como está.
A emoção cresceu em seu coração e fechou sua garganta. Ela teve vontade de se beliscar, só para ter certeza de que não estava sonhando. Mas ela nunca poderia ter sonhando com algo tão maravilhoso. Ela era perfeita. Ele era perfeito. Aquele momento era perfeito. Ela teve medo de falar, por receio de, de algum modo, arruinar tudo. Não pare para pensar, apenas desça correndo a colina.
- Sim. - disse ela finalmente. - Sim. Vamos nos casar.
- Hoje?
- Agora mesmo. - Um sorriso de alegria esticou suas bochechas, e ela não conseguiu mais segurar a alegria pura que sentia. Isabella se jogou nele, passando os braços em volta de seu pescoço. - Oh, Edward, eu amo tanto você. Nem consigo dizer quanto. Vou tentar demonstrar, mas vai levar anos.
Ele riu.
- Nós temos décadas, querida. Décadas.
Uma caminhada apressada de cinco minutos os levou até a porta da capela. Enquanto Edward foi procurar o vigário e reunir alguns criados para servirem como testemunhas, Isabella passou para o adro e ficou diante de uma placa impecável de granito polido que era quase um espelho. Ela ficou ali um minuto inteiro, sem saber como começar. Então ela inspirou profundamente e limpou uma lágrima do rosto.
- Sinto tanto que nunca vamos nos conhecer... - sussurrou ela, depositando seu ramalhete sobre o túmulo dos finados Lorde e Lady Cullen. - Mas obrigada, por ele. Eu prometo que irei amá-lo com toda intensidade que eu puder. Por favor, enviem-nos suas bênçãos quando puderem. Provavelmente iremos precisar, de vez em quando.
Quando ela saiu do adro e rodeou o canto da capela, viu Edward liderando o vigário, mordomo e criados da casa em um estranho desfile. Ele segurou a porta e sinalizou para que todos entrassem na capela.
- Vamos logo. - disse ele, batendo o pé no chão com impaciência.
Depois que todos entraram, e só restavam eles dois junto à porta, Edward olhou Isabella nos olhos.
- Pronta?
Ela aquiesceu, ofegante.
- Se você estiver.
- Nunca estive mais seguro de algo na minha vida. - Ele pegou a mão dela e a beijou. - Seu lugar é ao meu lado, Bella. E o meu lugar é ao seu lado. Eu sinto isso no meu coração. Eu sinto isso na minha alma. Tenho certeza total e absoluta.
E ele nunca esteve mais bonito.
- A certeza lhe cai bem. - disse ela, relembrando o primeiro elogio que recebera de Edward.
Sorrindo, ele passou o braço dela pelo seu e a levou para dentro da capela, com o coração flutuando na terra da felicidade.
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E foi assim que a história épica e grandiosa de seu futuro – a história que vão contar para os amigos, convidados de jantares e netos pelas décadas vindouras – acabou. Como deveria acabar um conto de fadas. Com um casamento romântico, um beijo carinhoso... E a promessa de que seriam felizes para sempre.
Ai gente, que triste. Assim chegamos ao fim... Espero que todas tenham se divertido tanto quanto eu com esse casal pra lá do incomum HAHA
Agradeço imensamente todas as reviews (até o momento 187 incríveis comentários! *solta fogos de artifício*), todas as meninas que se apresentaram de vez em quando, todas aquelas pessoinhas que leram no escuro e principalmente àquelas que me acompanharam todo santo sábado. TODAS VOCÊS SÃO INCRÍVEIS!
E, claro, espero todas vocês acompanhando Uma Noite Para Se Entregar, porque essa história também promete. Nos vemos no próximo sábado?
BEIJÃO IMENSO :****
