Capítulo Três: Perdoa-me

Os Pinguins Imperadores continuavam a sua caminhada.

O Erik conversava com os seus amigos sobre os seus pais.

"Afinal porque é que eles estavam a discutir?"

"Não sei, Bo! Eu só sei que quando cheguei lá eles estavam chateados e o meu pai gritou comigo!"

"Uou! O Tio Mumble?!", espantou-se o Atticus.

O Erik abanou a cabeça que sim.

"Ele não é nada dessas cenas!"

"Oh Erik! Não te preocupes.", a Bo tentou acalmar o seu amigo. "De certeza que ele não queria gritar contigo. O teu pai estava chateado! Só isso!"

A Bo sorriu para o Erik e ele sorriu-lhe de volta: "Obrigado, Bo."

A Glória estava a conversar com a Miss Viola:

"Eu não percebo porque é que o Mumble tem agido assim!"

"Calma, Glória! Ele ama-te! Ele só não te quer perder!"

"Mas ele não me vai perder!"

"Bem: então tens que lhe mostrar que ele não tem razões nenhumas para estar ciumento!"

A Glória estava pensativa.

"Glória?", chamou a Miss Viola. "Tu gostas do Mumble, certo?"

A Glória olhou para ela: "Sim! Claro que gosto!"

"Gostas?"

"Amo!"

A Miss Viola olhou para ela desconfiada: "E o Sven?"

"O que é que tem?"

"Sentes alguma coisa por ele?"

"O quê?!"

O Mumble estava a andar sozinho, pensativo. Ele não queria ter sido tão mau para ela, mas os ciúmes falaram mais alto. Também não ajudava vê-la sempre com o Sven a abraçá-lo e a sorrir para ele. Mas o Mumble sentia-se arrependido pela maneira como falou com ela e sobretudo pela maneira como falou com o seu filho.

O Mumble foi ter com o filho: "Erik."

O Erik olhou para o pai.

"Hã! Nós já voltamos.", disse a Bo.

O Atticus continuava parado a olhar para o Erik e o Mumble. A Bo apareceu e puxou-o: "Anda."

"Hey!", reclamou o Atticus. "Eu já ia!"

"O que foi, Pa?", perguntou o Erik.

"Erik. Filho. Eu… Eu queria pedir-te desculpa. Eu não havia de ter gritado contigo."

"Não faz mal, pai. Eu sei que não foi de propósito."

"Não foi mesmo, filho. Eu estava chateado e isso fez-me gritar contigo."

"Eu desculpo-te, Pa. Mas… porque é que tu estavas chateado?"

"Coisas minhas."

"A mãe fez alguma coisa?", o Erik estava a ficar preocupado.

"Não! Quer dizer… Acho que não.", o Mumble tentou acalmar o filho, mas em vez disso estava a piorar tudo.

"Achas?"

"Não! Tenho a certeza! A Glória nunca me iria enganar! Eu e ela gostamos muito um do outro! Não te preocupes, filho! Eu e a tua mão vamos fazer as pazes!"

O Erik abraçou o pai: "Obrigado, Pa."

"De nada.", o Mumble sorriu para o filho.

De volta às fêmeas:

"Sentes-te atraída por ele?", perguntou a Miss Viola.

"Não! Quer dizer… mais ou menos.", respondeu a Glória.

A Miss Viola olhou para ela com um ar sério.

"Eu gosto muito do Mumble!", continuou a Glória. "Ele é o meu companheiro! O pai do meu filho! Eu e ele já estamos juntos à muito tempo. Eu e ele apaixonamo-nos um pelo outro e, depois de tudo o que ele passou, eu só quero que ele seja feliz!"

"E o Sven?"

"O Sven é diferente! Ele apareceu nas nossas vidas muito misteriosamente! Ele perdeu a família, os amigos, a sua casa! Depois juntou-se aos Adélies e quando se descobriu a verdade, ele ficou sozinho! De novo! Até que nos salvou outra vez e agora está connosco! O que eu sinto por ele é completamente diferente do que eu sinto pelo Mumble. O Sven ofereceu-me peixes, enviado pelo Mumble, mas, mesmo assim, foi ele quem mos deu. Eu e o Sven estivemos muito próximos nesse momento e eu senti uma espécie de arrepio no corpo quando ele me deu os peixes. E agora, cada vez que o vejo, sinto-me… sinto-me… Nem sei o que sinto. É estranho."

"Então, recapitulando, tu gostas do Mumble e sentes-te atraída pelo Sven. É isso?", perguntou a Miss Viola.

"É. Acho que sim."

"E o que é que vais fazer agora?"

"Como assim?"

"Tu… vais continuar com o Mumble? Ou vais contar o que sentes aos dois e juntares-te ao Sven?"

"O quê?! É claro que eu vou continuar com o Mumble! Isso nem se pergunta! Eu sinto algo especial pelo Sven, sim. Mas nós nunca vamos poder ficar juntos! Ele nem sequer é um pinguim!"

"Bem: o Mumble também não é um pinguim normal!"

"O Sven não é um pinguim."

"Vendo como ele nos tem ajudado e o que tem feito pela nossa nação, o Sven é tão pinguim como o Mumble."

A Glória ficou pensativa.

"Então?", perguntou a Miss Viola. "O que é que vais fazer?"

De repente, o Noah chamou: "Imperadores! Está na hora de pararmos para pescar antes de prosseguirmos! Comam bem, pois ainda temos muito que andar!"

Na verdade, eles não sabiam para onde iam. Apenas estavam à procura de um novo lar. O problema é que todos os locais que apareciam não tinham muitos esconderijos onde eles se pudessem refugiar das gaivotas ou então eram espaços pequenos onde mal cabia metade da nação. Por isso, os pinguins já contavam com uma longa viagem.

A Miss Viola não teve a sua resposta, pois a Glória dirigiu-se ao oceano para pescar com os outros pinguins.

Debaixo d'água estava muita confusão. Muitos pinguins perseguiam os seus peixes-alvo.

A Glória também perseguia um peixe. Ela seguiu o peixe até dar de caras com o Mumble. O Mumble olhou para ela com um ar triste, mas ela desviou o olhar, chateada, e seguiu outra direcção em busca de outro peixe.

Mais à frente, a Glória seguiu outro peixe e, desta vez, viu o Sven. Ela parou de seguir o peixe e começou a observar o Sven à distância, vendo-o a caçar os peixes e a voltar para a superfície, para longe de todos os pinguins. A Glória decidiu ir atrás dele.

O Sven comeu os peixes que caçou. Quando agarrou no último, a Glória chamou-o: "Sven?"

"Áááá!", o Sven assustou-se e deixou cair o peixe.

"Desculpa. Não queria assustar-te."

"Não faz mal.", o Sven agachou-se para pegar no outro peixe. "O que é que 'faches' aqui, Guóia?", o Sven falava mal devido ao peixe que tinha na boca.

"Bem… Estive a ver-te a pescar e… Uau! Tu… És incrível!"

"Oh! Hã! 'Obigago'!"

A Glória olhava para ele a sorrir.

O Sven sorriu para ela e perguntou: "'Quées'?", ele ofereceu-lhe o peixe.

"Oh! Hã! Pode ser! Obrigada!"

O Sven aproximou-se da Glória para lhe dar o peixe.

A cena repetiu-se.

A Glória pegou no peixe que estava no bico do Sven. Ao fazer isso, as suas línguas tocaram-se. Nesse momento, a Glória tremeu: Outra vez!, pensou. Estou a ter outra vez aquela sensação estranha! Eu… Eu acho que… estou apaixonada pelo Sven!

O Sven também tremeu: Uau! Que brasa!, pensou. Nem acredito que isto se está a repetir! Oh Glória! Se tu soubesses o quanto eu te amo!

Os dois afastaram-se, a Glória já com o peixe no seu bico, e ela comeu o peixe. Depois, ficaram os dois parados durante algum tempo a olharem um para o outro, sorridentes.

"Então…", foi a Glória a primeira a falar. "Obrigada, Sven! Gostei muito!"

"Ainda bem que gostaste."

"Vens?"

"O quê?!"

"Anda, Sven! Vem para a minha beira! Não tens que ficar sozinho, sabias?"

"Mas o Mumble…"

"O Mumble não importa! Ele só tem é que aceitar que tu agora fazes parte da nossa nação!"

"Estás… Estás a falar a sério?!"

"Claro que estou, Sven! Anda!"

A Glória começou a ir em direcção aos outros pinguins. "Então?", perguntou ela, vendo que o Sven continuava parado.

O Sven decidiu ir atrás dela.

Pouco depois, os Pinguins Imperadores tinham voltado à sua caminhada.

O Sven e a Glória estavam a conversar um com o outro e a rirem-se. Provavelmente de algumas piadas que o Sven contava.

"Glória.", uma voz chamou, fazendo a Glória e o Sven olharem para trás.

"Mumble?!", espantou-se a Glória.

"Podemos falar?"

"Não.", a Glória respondeu e virou-se outra vez com o Sven.

"Por favor! Eu não quero chatear-me contigo outra vez! Eu só preciso de falar contigo!"

"Muito bem: diz!", a Glória e o Sven viraram-se outra vez.

"A sós."

"Ok. Percebi.", o Sven afastou-se do casal.

"Então?", perguntou a Glória.

"Glória. Eu queria pedir-te desculpas." A Glória olhou séria para ele. "Eu sei que me portei mal. Eu tratei-te mal, tratei mal o Sven, e pior: tratei mal o Erik."

"Ainda bem que reconheces."

"Glória. Eu queria dizer-te que estou muito arrependido. Eu estava com ciúmes do Sven!"

"Sem razão nenhuma!"

"Eu sei. Eu sei que tu só tens olhos para mim e que eu não tenho razões nenhumas para ter ciúmes. Mas eu não consigo controlar isso! Só de pensar que te posso perder, fico logo com medo e começo a fazer coisas que não devia! O Erik já me desculpou. E tu? Será que me perdoas?"

A Glória olhou nos olhos do Mumble e percebeu que ele estava a ser sincero. Ele estava mesmo arrependido.

"Sim, Mumble. Eu desculpo-te.", respondeu ela.

"Obrigado.", o Mumble abraçou-a e ela abraçou-o de volta. Depois, os seus bicos tocaram-se com carinho e amor.

O Sven observou isso e baixou a cabeça: Lá se vai o meu amor., pensou ele.

"Eu amo-te, Glória.", disse o Mumble, sorridente.

A Glória viu o Sven a afastar-se mais deles: "Eu também te amo.", disse ela, com um ar triste.

O AUTOR: E acaba aqui o terceiro capítulo d'A Escolha. O Mumble e a Glória fizeram as pazes. Mas, será que o amor deles ainda tem salvação? O amor é mesmo muito complicado. A Glória pensava que o Mumble era o amor da sua vida e agora descobre que está apaixonada pelo Sven. O Mumble tem ciúmes porque acha que pode perder a Glória para o Sven. E o Sven gosta da Glória, mas acha que nunca vai poder ficar com ela. Mas, a história ainda não acabou e, no próximo capítulo, vais descobrir o que o é que o amor reservou para este trio amoroso.