Capítulo Quatro: O Amor Não Se Escolhe

A noite chegou e os Pinguins Imperadores estavam a dormir. Desta vez, ao ar livre, para não acontecer nada como o que aconteceu na gruta.

Bem: todos dormiam, excepto a Glória.

A Glória andava sozinha. Ela passou pelos pinguins, calmamente para não os acordar, e dirigiu-se a uma zona aberta, onde ela ficaria sozinha. Ela viu uma pequena montanha e decidiu ir lá para cima. Quando chegou lá acima, a Glória viu o oceano ao longe. Depois começou a lembrar-se do momento em que fez as pazes com o Mumble. Ela tinha visto o Sven ao longe, triste. A Glória não o queria ter magoado. Ela gostava muito do Sven. Ele era giro, tinha uns olhos bonitos e um sorriso colorido. Ele fazia-a rir e era muito divertido. A Glória desejava estar com ele. Mas, ao mesmo tempo, desejava continuar com o Mumble. Ela não podia ficar assim para sempre. Ela tinha que tomar uma decisão. Era uma escolha difícil, mas ela tinha que escolher.

Com estes pensamentos, a Glória começou a cantar:

So many times I was alone I couldn't sleep

You left me drowning in the tears of memory

And ever since you've gone, I found it hard to breathe

Cause there was so much that your heart just couldn't see

A thousand wasted dreams rolling off my eyes

But time's been healing me and I say goodbye

Cause I can breathe again, dream again

I'll be on the road again

Ao longe, o Sven ouviu a Glória.

Like it used to be the other day

Now I feel free again, so innocent

Cause someone makes me whole again for sure

I'll find another you

Could you imagine someone else is by my side

I've been afraid he couldn't keep myself from falling

My heart was always searching for a place to hide

Could not await the dawn to bring another day

Your not the only one so hear me when I say

The thoughts of you, they just fade away

Cause I can breathe again, dream again

I'll be on the road again

Like it used to be the other day

Now I feel free again, so innocent

Cause someone makes me whole again for sure

I'll find another you

Sometimes I see you when I close my eyes

You're still apart of my life

But I can breathe again, dream again

I'll be on the road again

Like it used to be the other day

Now I feel free again, so innocent

Cause someone makes me whole again for sure

I'll find another you

I'll find another you

Depois de acabar a canção, a Glória disse: "O que é que eu faço?"

"Glória?"

Ela olhou para trás: "Sven? Estás acordado?"

"Sim. Eu não conseguia dormir. O que é que estás aqui a fazer?"

"Eu… Eu também não conseguia dormir. Por isso decidi dar uma volta."

Os dois ficaram parados a olharem um para o outro em silêncio.

Foi o Sven quem quebrou o silêncio: "Glória. Aquela música… foi linda!"

"Gostaste?"

"Adorei! Eu nunca tinha ouvido uma coisa assim antes! E a tua linda voz só me fez gostar ainda mais da canção."

A Glória corou: "O-Obrigada."

"Sabes?", ele aproximou-se dela. "Eu… Eu sinto-me diferente quando estou contigo."

A Glória olhou para ele com uma cara de espanto e curiosidade: "O… O que é que queres dizer com isso?"

"Glória. Eu… Eu amo-te."

A Glória não conseguia acreditar no que estava a ouvir. Era como um sonho tornado realidade.

"Eu amo-te desde a primeira vez que te vi.", continuou o Sven. "Tu és linda, simpática e tens uma linda voz."

A Glória estava cada vez mais corada.

"E tens-me defendido tanto que eu nem sei como te agradecer."

"Eu… Eu só faço o que acho que está certo."

"Vês? Mais uma qualidade tua que eu aprecio!"

A Glória olhou para ele sorridente: "Sven."

"Eu percebo que não queiras nada comigo. Afinal, eu sou diferente de vocês. Não sou nenhum pinguim e… além disso, tu tens uma família. E eu não quero que tu te afastes dela por minha causa."

"Sven. Não te preocupes. Eu vou continuar a amar o Erik, mesmo estando contigo."

"Queres dizer…?"

"Sim, Sven. Eu também te amo."

Os dois sorriram um para o outro e aproximaram-se. Os seus bicos tocaram-se e os dois partilharam o amor que sentiam um pelo outro.

"Eu sabia!", gritou alguém.

Os dois apaixonados separaram-se e olharam para a direcção da voz.

"Eu sabia que vocês estavam juntos!"

"Mumble. Por favor. Não é o que estás a pensar.", disse a Glória.

"Claro que é! Eu apanhei-vos em flagrante!"

"Mumble. Eu…", o Sven ia falar, mas o Mumble não deixou.

"Cala-te! Eu não falei contigo! Como é que pudeste fazer-me isto, Glória?"

"Mumble. Escuta."

"Não! Eu não quero ouvir as tuas desculpas!"

"Eu e o Sven não fizemos de propósito!"

"Nós amamo-nos!", disse o Sven.

"Vocês o quê?!"

"Mumble. Eu e o Sven estamos apaixonados um pelo outro."

"Glória!"

"Eu sei. Eu devia ter-te contado antes. Mas eu ainda não tinha a certeza dos meus sentimentos."

"Queres dizer que… já não gostas de mim? Tu… já não me amas?"

"Mumble. Eu gosto de ti. E vou ser sempre tua amiga. Mas… o meu verdadeiro amor é o Sven."

"Dantes era eu."

"Mumble. Tu sabes tão bem como eu que não temos controlo sobre o amor. O amor simplesmente aparece. Muitas vezes onde menos se espera. E eu não estava mesmo nada à espera disto.", ela sorriu para o Sven e o Sven sorriu para ela.

"Nem eu.", o Mumble baixou a cabeça.

"Lamento muito, Mumble."

"E o Erik?", ele levantou a cabeça para olhar para a Glória.

"O Erik vai perceber. Não vai ser fácil para ele ter os pais separados, mas ele vai habituar-se. Ele até gosto do Sven!"

"Até descobrir que ele anda com a mãe."

"Não. O Erik vai compreender. Ele vai perceber que eu e o Sven nos amamos. E eu tenho a certeza que tu vais encontrar alguém que te faça mais feliz do que eu, Mumble.", ela sorriu para ele.

O Mumble sorriu para ela: "Eu queria ser feliz contigo."

"Desculpa, Mumble."

"Não faz mal. Tu estás feliz?"

"Sim."

"Então eu fico feliz por ti, mesmo estando triste por não te ter."

"Obrigada por aceitares, Mumble."

"Eu… vou deixar-vos sozinhos.", o Mumble virou-se e foi-se embora.

A Glória olhou para o Sven um pouco triste, mas o Sven sorriu para ela e o sorriso da Glória apareceu. Os dois abraçaram-se com amor e encostaram os seus bicos.

No dia seguinte, de manhã, os pinguins caminhavam na sua jornada em busca de uma nova Terra Dos Imperadores.

O Erik foi ter com o Sven com uma cara irritada: "Eu odeio-te!"

O Sven olhou para o pequeno Erik: "Erik?!"

"Como é que pudeste?"

"O quê?!"

"Como é que pudeste?"

Flashback

"O que é que se passa, pai?", perguntou o Erik.

"Eu e a tua mãe queremos ter uma conversa séria contigo.", respondeu o Mumble com um ar sério, ao lado da Glória com um ar igualmente sério.

"O que é que eu fiz?"

"Tu não fizeste nada, filho! Fui eu que fiz!"

"Mãe?!"

"Eu… Eu e o teu pai já não estamos juntos."

"O quê?!"

"Eu… Eu amo o Sven."

"O quê?! Porquê?!"

"Eu e o Sven gostamos muito um do outro e queremos ficar juntos. O teu pai já sabe de tudo."

O Erik olhou para o pai: "Pa?!"

"Filho. Erik. Eu não posso fazer nada. Se eles se amam, que sejam muito felizes juntos."

"Mas… eu pensei que vocês se amavam!"

"Erik. Eu…", a Glória ia falar mas o Erik interrompeu.

"Foi ele, não foi?"

"O quê?"

"O Sven! Foi ele que te levou para o lado errado!"

"Não!"

"Deixa estar! Eu trato disso!", o Erik foi a correr em direcção ao Sven, chateado.

"Erik!", chamaram os pais.

Fim Do Flashback

"Eu pensava que tu tinhas mudado! Eu perdoei-te!", gritou o Erik. "E agora tu separas os meus pais?"

"Erik. Escuta-me."

"Não! Eu não te quero ouvir! Tu vais mentir como fazes sempre! Eu devia saber que tu nunca mudas! Vais ser sempre o mesmo 'Sventiroso'!"

"Erik!", chamou a Glória, que chegou lá com o Mumble. "Deixa o Sven em paz! Ele não fez nada!"

O Erik olhou para a mãe: "Ele separou-te do pai!"

"Não! Eu separei-me do teu pai!"

"Mas mãe…!"

"Escuta, Erik. Tu ainda és novo. Ainda não percebes. Mas um dia, quando encontrares a tua companheira, vais perceber que não se controla o amor. Nós não escolhemos quem amamos! O amor simplesmente acontece! E ele pode chegar a qualquer momento!"

O Erik estava muito atento.

"Eu pensava que o teu pai era o meu verdadeiro amor. Mas, o amor pregou-me esta partida. Eu estava enganada. O Sven. Ele sim, é o meu verdadeiro amor.", ela sorriu para o Sven e ele sorriu-lhe de volta.

O Erik começou a chorar.

A Glória viu isso e tentou acalmá-lo: "Querido. Eu ainda te amo e sempre te vou amar."

"Mas não amas o pai! Não podias simplesmente fingir que o pai era o teu verdadeiro amor?"

"Erik."

"Estragaste tudo!"

"Filho."

"Eu odeio-te!", o Erik olhou para a mãe, os seus olhos cheios de ódio. Depois, saiu a correr.

A Glória começou a chorar.

"Eu vou acalmá-lo.", disse o Mumble, indo atrás do filho.

A Glória continuava a chorar e o Sven abraçou-a para lhe acalmar: "Eu estou aqui."

"Sven. O meu filho odeia-me!"

"Não. Ele adora-te! Ele só está chateado agora! Vais ver que daqui a uns dias ele vem pedir-te desculpa."

DOIS DIAS DEPOIS:

"Desculpa, mãe.", disse o Erik.

Flashback

Depois da discussão que teve com a mãe, o Erik encostou-se a um muro de gelo a chorar. O Mumble foi ter com ele: "Erik."

O Erik olhou para o Mumble: "Olá, pai."

"Devias pedir desculpa à tua mãe."

"Não! Ela não merece!"

"Escuta, filho. Eu também fiquei assim quando descobri, mas depois percebi que não havia nada a fazer. O amor é mesmo assim! Se a tua mãe é feliz com o Sven, então eu também sou feliz!"

O Erik olhou para o pai, confuso.

"Sou feliz por ver a tua mãe feliz.", explicou o Mumble.

"Mas… ela deixou-te!"

"Erik. Eu não me importo! Eu só quero que a tua mãe seja feliz! E eu ficava ainda mais feliz se tu fizesses as pazes com ela e lhe pedisses desculpa.", ele sorriu para o filho.

O Erik sorriu para o pai: "Está bem."

"Boa."

"Mas ainda não. Eu estou muito triste com a mãe. Não vai ser fácil desculpá-la."

"Eu percebo."

O Erik abraçou o pai e o Mumble abraçou o filho.

"Vamos?", perguntou o Mumble, não querendo afastar-se muito dos outros pinguins.

"Vamos.", respondeu o Erik.

E lá foram eles. Pai e filho lado a lado.

Fim Do Flashback

"Eu percebi que tu tinhas razão. O amor não se controla.", disse ele com um sorriso. "E se tu estás feliz com o Sven, eu fico feliz por ti. Apesar de preferir que ficasses com o pai."

"Obrigada, filho. Ainda bem que compreendes." Ela sorriu para o filho. "Mas… o que é que te fez mudar de ideias?"

"Foi um monte de coisas! Primeiro falei com o pai e ele ensinou-me que a tua felicidade é mais importante do que o ódio que podíamos sentir por ti. Depois, tive uma conversa com os meus amigos e eles mostraram-me que o amor não se controla, tal como tu tinhas dito, mãe."

Flashback

O Erik estava a falar com os amigos:

"Meu! Que cena!", disse o Atticus.

"Lamento muito, Erik.", disse a Bo, colocando uma nadadeira nas costas do amigo, para lhe consolar.

"Não faz mal. Eu sei que ela não tem culpa, mas eu não consigo perdoá-la."

"Eu… Eu estou aqui, Erik. Podes sempre contar com o meu apoio.", a Bo abraçou o Erik.

"Obrigado, Bo. És uma grande amiga.", o Erik abraçou a Bo.

No dia seguinte, a Bo foi ter com o Erik: "Erik! Podemos falar?"

"Claro!"

"A sós."

"Oh. Hã… Pa! Posso?", perguntou ele, olhando para o pai.

"Claro, filho!", respondeu o Mumble, sorridente.

O Erik e a Bo estavam sozinhos, longe dos outros pinguins, a andarem lado a lado.

"Então? O que é que me queres dizer, Bo?"

"Erik. Tu tens que perdoar a tua mãe."

"O quê?!"

"Ela tem razão! O amor não se escolhe! Olha eu, por exemplo! Eu estou apaixonada por um pinguim que pensava que ia ser sempre só meu amigo!", ela sorriu.

"Tu… estás apaixonada pelo Atticus?!", admirou-se o Erik.

"Não, Erik. És tu."

"Quê?!"

A Bo beijou o Erik. Amor no seu bico. O Erik, no início, sentiu-se estranho. Mas depois relaxou e partilhou o seu amor com a Bo.

No final do beijo, foi a Bo que falou: "Erik. Eu amo-te.", ela sorriu para ele.

A expressão de admiração no rosto do Erik transformou-se num lindo sorriso: "Eu… também te amo, Bo."

Os dois sorriram um para o outro e, mais uma vez, partilharam o seu amor quando os seus bicos se tocaram.

Fim Do Flashback

"Oh. Anda cá!", a Glória abraçou o filho.

O Erik abraçou a mãe, os dois a sorrirem um para o outro.

"Então e o meu abraço?"

O Erik separou-se da mãe e viu o Sven a sorrir para ele. O pequeno Erik foi ter com o Sven e abraçou-o, pedindo-lhe desculpas também. Depois, a Glória juntou-se a eles e os três ficaram abraçados.

Ao longe, o Mumble viu isso e sorriu, antes de se afastar.

Pouco depois, os Imperadores encontraram o lugar ideal para transformarem na nova Terra Dos Imperadores. À noite, todos tinham os seus ninhos instalados e dormiam calmamente.

As coisas entre o Mumble e a Glória melhoraram. Os dois continuaram grandes amigos, apesar de estarem separados. O Mumble acabou por perdoar o Sven e tornar-se outra vez amigo dele.

O Erik e a Bo tornaram-se companheiros e os dois não podiam estar mais felizes.

Entre a família, o Erik decidiu passar mais tempo com o pai para não lhe deixar sozinho, mas continua a ver a mãe e, muitas vezes, passa a noite com ela e o Sven.

Muitas coisas mudaram desde o incidente do iceberg que prendeu os Pinguins Imperadores num buraco e destruiu a antiga Terra Dos Imperadores. Mas, apesar de tudo, alegria é o que não falta. E então da música nem se fala.

FIM

O AUTOR: E assim termina "A Escolha". Espero que tenham gostado. Talvez um dia eu faça uma sequela, mas até lá, as coisas ficam assim. Ah! Apesar deste ser o último capítulo, decidi criar um capítulo extra. É apenas uma espécie de encerramento musical a esta história. Espero que gostem. E obrigado por lerem esta fanfic.