Capítulo 40 Virada radical

Ai E ninguém mais saia de casa. A frente de nossa casa era só jornalista e muitas câmeras. Eu sabia que a coisa poderia ficar pior a cada dia que nos escondíamos, só que não tínhamos mais o que fazer. Nossa relação foi exposta e todos da imprensa caiam em cima de nós com discursos moralistas e depois que Alex foi submetido a uma cirurgia de emergência, Tânia deu uma de esposa inconsolada e declarou que inimigos políticos o fizeram estar em coma induzido. Pelo que eles divulgaram Alec estava assim por sofrer além do tiro um traumatismo craniano da queda do palanque no dia de sua declaração. Poderia ficar pior?

Eu estava esgotada fisicamente e emocionalmente. Já tinha perdido a esperanças de um dia ter paz, mesmo que o circo acabasse e todos se cansassem de ver nossas caras em todos os jornais nacionais e alguns internacionais eles ainda olhariam para nós com críticas.

"Relações com mais de um parceiro é saudável?" – era um artigo em um jornal local, e tinha minha cara e a dos Cullen em baixo.

" Uma relação que viola todos os conceitos morais e religiosos." – Uma matéria no The Sun. Mais fotos minhas e de dos meninos.

"A jornalista e os empresários. A verdade em cima dos boatos." – Uma pequena biografia inventada pelo The New York Times. Tinha até fotos minhas naquele dia na boate com eles. Nosso primeiro encontro. Eu queria essa foto.

E tudo que eu sabia era que uma hora a justiça poderia tirar Nessie de perto de mim. Jake poderia perder sua guarda a qualquer momento, havia boatos que os pais de Alec estavam entrando com uma ordem judicial para obter sua guarda provisória. Sequei as lágrimas que caiam, acariciei o rosto de minha linda filha. Estávamos deitadas na cama dela, ela tinha adormecido depois de uma história. Respirei fundo e tentei controlar minha respiração, as vezes me sentia tão fraca que parecia que ia cair, olhava ao redor e depois de perceber que estava sendo observada pelos olhos atentos de meus maridos eu me recompunha rapidamente. Eles já tinham coisa demais para se preocupar e eu ao seria mais uma delas.

Toquei meu ventre, estava um pouco maior. Com certeza um pouco maior apesar de tudo que ocorria. Levantei sentindo um pequeno incômodo e fui para a porta. Assim que toquei na maçaneta senti mais uma dor. Resolvi esperar um pouco antes de me mover. Paralisei e temi por meu filho. Ele não, Alec não ia me tirar mais nada! Com dificuldade eu me movi e assim que abri a porta vi Emmett sentado no chão.

– Em...

Ele se levantou assim que me viu e eu desfaleci em seus braços.

EDWARD

A dias não fazíamos mais nada além de sentar e ouvir sobre nossas vidas, lugares que fomos, coisa que possivelmente havíamos feito e dito. A vida de Bella era contada e recontada por todos os canais de notícias. Muita coisa segundo Jacob era pura mentira e a fazenda estava sendo resguardada por mais seguranças do que o necessário depois que tentaram invadir. Estavam todos lá atentos a estranhos e alertas a qualquer movimentação.

Respirei fundo e abaixei a cabeça, eu queria poder acabar com aquilo e que ela pudesse ter uma gravidez mais tranqüila. Estávamos tão bem e agora isso era um desgaste a mais para ela. Jacob se aproximou de mim, ele tinha ido comer alguma coisa.

– Preciso que vá comigo a um lugar Edward e depois precisamos fazer algo que andei formulando e que vai acabar com toda essa palhaçada.

Olhei para ele, Jacob não estava com cara de bons amigos.

– Onde vamos?

– Num banco, tenho uma conta lá.

– Temos dinheiro...

– Não esse tipo de conta Edward. É um cofre, preciso de algumas coisas que estão lá e depois que as pegar preciso me certificar que tudo saia de maneira que beneficie a todos.

– O que tem nesse cofre?

– Muitas coisas, jpa cansei desse jogo de Alec. E depois vamos direto para delegacia, vou denunciá-lo. Calunia e difamação. Edward ele só sai daquele hospital preso entendeu?

O que poderia ter ali que tanto Jacob... Ouvimos gritos de Emmett e Japser. Foi uma correria, eu e Jacob subimos as escadas as pressas e quando vimos Bella desmaiada na cama eu entrei em pânico.

– O que aconteceu? – Perguntei para Emmett que olhava para Bella atordoado. Jasper estava com Carmem no telefone.

– Ela está sangrando? – Jasper perguntou e Emmett negou. Ele voltou para a ligação e eu fui até ela. Olhei minha princesa, Bella estava branca e com olheiras. Seu nariz vermelho, ela andou chorando. Meu Deus isso é algo pior que a morte para mim, vê-la desse jeito me faz desejar que todos morram para ela ficar em paz.

– Ela desmaiou. Só desmaiou.

Emmett não conseguia raciocinar direito. Minha mãe entrou com algo nas mãos e colocou no nariz dela. Bella se mexeu e voltou a si. Minha mãe amparou Bella.

– Querida como está? – Minha mãe estava do seu lado e eu e Jacob abrimos espaço.

– Eu... onde está...

– Nessie está dormindo querida. Acabei de vê-la.

– Esme...

– Está com dor em algum lugar?

– Eu senti, mas agora não.

Meu pai entrou no quarto.

– Carmem está vindo, ela está com problemas para passar pela entrada. Eleazer foi ajudá-la com isso.

Droga! Aquele monte de gente desocupada na porta da nossa casa! Depois de longos minutos Carmem entrou com aparelhos e duas enfermeiras. Ela estava de plantão num hospital perto e assim que Jasper ligou ela saiu correndo com medo.

– Preciso de privacidade. Saiam todos. – ela ordenou e saímos. Jacob cruzou os braços na frente da porta. Foram meia hora de agonia, ninguém saia da porta. O corredor estava cheio e Eleazer se juntou a nós. Carmem abriu a porta com um olhar espantado.

– Ficaram esse tempo todo na porta? – ela perguntou divertida.

– Como ela está? – Perguntei.

– Bem, foi só um desmaio e cólicas. Dei um calmante, ela está sob muito estress e recomendo repouso. É só por segurança, preciso fazer exames, mas nem imagino como tirá-la dessa casa.

– Podemos ir amanhã?

– Claro, preciso monitorara o fígado.

– Vamos comer algo, não vamos ajudar ninguém sem comer. – minha mãe ordenou.

– As duas enfermeiras vão ficar ok? Elas vão ajudar caso eu não esteja tão perto. Arrumem um quarto para ela na parte dos empregados.

– Vou providenciar isso. – Jasper disse indo mais rápido na nossa frente. Era um alívio saber que ela estaria mais resguardada.

– Edward isso acaba agora. Vamos.

E eu sai com Jacob, meu carro foi mais fotografado que outra coisa. Quase atropelei um jornalista e me irritei com a insensibilidade deles. Dirigi para o endereço que Jacob tinha me dado, ele estava no telefone com o gerente e ele estaria preparando tudo para nossa chegada.

– Por que um banco em Nova York quando você mora tão longe?

– Esses documentos precisavam estar perto dela. O apartamento dela ficava aqui, então sem ela saber transferi para cá tudo.

– Você já previa isso não?

– Não dessa maneira. Mas sabia que Alec poderia jogar sujo, então me preparei.

– O que tem lá Jacob? – Perguntei sem tirar os olhos da estrada.

– Muita coisa que fui juntando. Você vai ver.

E então cheguei ao banco com ele. Já estava fechando, mas o segurança foi avisado que estaríamos vindo e nos deu espaço.

– Sr. Black, depois de anos resolver mexer no seu cofre. É uma honra recebê-lo nessa tarde.

– Vamos para o que interessa. – Jacob nunca tinha sido grosso com ninguém, ele sempre foi sorridente e amigo. Nem quando nos contou do fígado de Bella ele tinha sido tão amargo.

O gerente nos levou para uma sala diferente. Era algo muito limpo e sem nada. Era só uma sala.

– Podem sentar. Vou trazer o cofre.

Olhei para Jacob e ele só foi se sentar na cadeira que tinha na frente da mesa. Me sentei do lado dele. O gerente voltou com uma caixa grande. Ele colocou na mesa e nos deixou. Jacob digitou a senha e abriu a caixa grande.

– Edward tudo aqui tem uma cópia em outro banco na Inglaterra. Então podemos sair tranquilamente com isso daqui.

Eu olhei a caixa e vi DVDs, vários. Vi relatórios médicos de Bella, fotos e mais fotos. Eu fiquei atordoado. Era ela no hospital, registros clínicos, depois ela na fazenda com... meu Deus ela estava acabada. Magra, seus cabelos sem vida e sua expressão de desorientação era algo pertubador de se olhar. Coloquei de volta.

– Aqui estão vídeos dela Edward, coloquei uma câmera no quarto dela e filmei ele e a família dela ameaçando ela. Filmei os médicos conversando que ela tinha sido estuprada, as doenças que ela tinha contraído e outras situações com os pais. Nos registros médicos mostram a depressão, a situação do parto e as complicações que Nessie teve pela gravidez ser como foi.

– Jacob... isso é algo...

– Tem vídeos de Bella gritando o nome dele dormindo, o quarto dela era monitorado por conta da abstinência. Mostram ela pedindo para ele parar, pedindo para ele se afastar. Tudo isso com ela dormindo. Num estado terrível, a médica a meu pedido fez um laudo muito bom e podemos chamá-la para comprovar isso. Eu entrei em contato com todos que estão citados aqui e eles vão vir depor Edward, não há um que teve contato com ela nessa época que não lembra dos gritos de agonia, seu estado traumático e que não queira acabar com essa fama de bom moço de Alec.

Aquilo era maravilho! Perfeito!

– Jacob isso aqui é salvação para a guarda de Nessie e a carreira dela!

Ele abriu um grande sorriso e começou a guardar tudo numa pasta que tinha dentro do cofre. Ele fechou depois que tirou tudo que poderia nos dar mais tranqüilidade. Eu estava nas nuvens. Tudo que temíamos era só questão de tempo para nos afastar. Para nos fazer voltar a nossa rotina e normalidade. Eu liguei para meu advogado na saída e íamos encontrar com ele para maiores orientações. Eu também mandei mensagens para meus irmãos e soube que Bella continuava dormindo e as enfermeiras estavam com ela, eles pediram para mim cuidar de tudo, não queriam deixar ela sozinha e mais Cullen saindo de casa poderia despertar a curiosidade da imprensa e meus pais estavam mandando mais advogados para nosso encontro para nos cercarmos de mais proteção judicial. Tínhamos naquela pasta a esperança de dias melhores e eu dirigia para o que poderia ser a maior virada de todos os tempos.