Capítulo 45 Julgamento - Parte I

– Retire isso agora. Edward era um chato mesmo. Olhei para trás e encarei ele.
– Não é tão alto.
– Você está com seis meses Isabella, tudo nesse estágio é alto e perigoso.
Cruzei os braços.
– Edward, eu quero usar e Carmem disse que não tem problemas.
– Tire agora.
Edward saiu do quarto e eu só faltei chorar de raiva, procurei uma sapatilha que combinasse com a roupa e acabei trocando tudo com muito ódio dele. Respirei fundo sentindo nosso filho se remexer, provavelmente sentindo minha irritação pelo pai dele. Passei a mãe na barriga tentando acalmar ele.
– Seu pai é um idiota. Passei mais de uma hora escolhendo uma roupa e ele me faz mudar tudo.
Ouvi uma risada e vi Emmett se divertindo.
– Está bem?
– Edward me irritou.
– Salto alto não meu amor. Ele está certo.
Fui abraçar ele, esses hormônios estavam me fazendo uma completa idiota, eu queria chorar e gritar ao mesmo tempo. Emmett fez carinho em meus cabelos e pela nossa proximidade sentiu um chute.
– Meu jogador de futebel! Quando sair fomos fazer muitas coisas legais, mas por hora fiquei aí e cresça.
Ele fazia carinha e eu amava isso. Ao ouvir a voz de Emmett ele parecia desesperado querendo chamar mais atenção e se mexia mais.
– Vocês devem ser parecidos porque ele adora a sua voz.
– Jasper disse que ele mexe muito com ele também.
– Mexe mesmo, com Edward é o piano. Ele toca e ele para na hora como se quisesse ouvir e é só ele parar para esse pequeno achar isso absurdo e mexer todinho. Da última vez ele virou e ficou numa posição muito incomoda.
Emmett ria e beijava a barriga.
– Filhão se comporta hoje. É um dia importante para a mamãe e precisamos da sua ajuda.
Ele mexeu mais um pouco e Emmett me beijou.
– Vamos amor, Jasper já está nervoso nos esperando dentro do carro.
– Ele vai dirigindo?
– Sim, Edward está um pouco nervoso e eu quero ficar do seu lado.
– Tudo bem.
Como sempre, eles achavam que eu era incapaz de descer uma escada sozinha e Em segurou minha mão e me fez segurar firme no corrimão. Tinha hora que tudo aquilo era muito irritante e não sabia se eram os hormônios ou a super-proteção que era demais. Por fim, eu desisti. Desde que a barriga começou a crescer foi assim, eles se revezavam no meu banho, no descer das escadas e também quando eu estava trabalhando. No meu escritório agora tinha mais uma mesa em que algum deles ficava para ver se eu comia na hora certa, se sentia alguma coisa ou simplesmente estava cansada demais e me esforçando além do que podia.
Já tinha se passado três meses que Alec estava preso e a uma semana tinha começado o julgamento, eu ia todos os dias. Eu já tinha dado meu depoimento e sido interrogada várias vezes pelos meus advogados e pelos dele. Os dele não tiveram pena e só faltaram me chamar de puta, meus advogados foram em cima com tudo e o Juiz precisou intervir quando comecei a passar mal devido a forma agressiva que eles se referiam a mim. O Juiz precisou lembrar que eu não era a ré, eu era a testemunha de acusação. Mais uma vez o tipo de relacionamento que eu tinha foi exposto e distorcido e quando me perguntaram quem era o pai do meu filho eu me senti bem, eu sei que deveria me sentir envergonhada ou qualquer outro tipo de coisa, mas eu olhei para ele e apontei para os três que quase se incharam de tanto orgulho. O Juiz ignorou isso e disse que isso não era relevante para o caso, já que o que estava sendo tratado naquele momento era o caso de estupro e ameaça. Todas as pessoas que Jacob tinha reunido depuseram e as fitas foram ouvidas mais de uma vez por todos. Uma mulher que estava no banco dos jurados desmaiou na parte da gravação em que ele dizia que me queria morta junto com minha filha e meus soluços tomaram conta da gravação. Um homem se levantou e chamou Alec de covarde e mentiroso, ele foi retirado do julgamento pelos seguranças e a segurança foi reforçada. Um caos tinha se instalado do lado de fora, era tanta gente que para entrar sempre precisava de mais seguranças porque a multidão protestava e quando Tânia ou alguém da família ia era sempre quase linchada. No segundo dia Tânia entrou se limpando de algo que jogaram nela, no terceiro Bree foi agredida por uma mulher e o pai deles nem apareceu porque houve ameaças de bombas.

Tudo muito desesperador e a firma de segurança de Emmett entrou em ação, não para proteger a família de Alec, eles tinham ordens de me proteger e vários planos de ação foram feitos caso algo acontecesse. Temendo toda a exposição Nessie tinha ido para a fazenda quase duas semanas antes do julgamento, a presença dela era irrelevante porque o exame de DNA que o próprio Alec tinha pedido já eram mais que suficientes para prova qualquer coisa.
Como sempre quando chegamos o local parecia uma zona de guerra. E olha que já estive em muitas guerras e sei reconhecer o caos de longe. O carro em que estávamos era blindado e o seu vidro escuro sempre nos protegia. Eu só saia com um deles e os outros entravam pelos fundo. Hoje Emmett ia comigo, ele queria assegurar que eu entraria sem ninguém esbarrar na barriga como aconteceu ontem quando entre a confusão de repórteres e pessoas alguém esbarrou e ficou uma marca e um incômodo. Ele e mais dois bloquearam qualquer aproximação e entramos comigo respirando mais alioviada.
– Se machuco amor?
– Não, estou bem.
– Hoje isso acaba com certeza.
Sim, hoje saía a sentença deles. Os jurados tinham chegado num acordo. O Juiz já estava confiante e marcou para bem cedo. Fomos caminhando e encontramos Edward e Jasper na entrada grande de madeira, já tinham várias pessoas sentadas e eu e meus homens sentamos bem na frente. Um lugar reservado e afastado da família deles. Eles estavam do outro lado, todos de preto. A mãe dele veio e o pai que respondia em liberdade a outras acusações estava lá. Pensei que ele poderia ir preso com o filho não? Ele já estava lá!
O Juiz entrou e percebi que Alec estava lá com seu advogado e minha advogada posicionada também, devido ao meu mau estar o Juiz disse que poderia ficar perto da família e não no lugar com minha advogada. Todos os procedimentos legais foram seguidos a risca e então o jurado principal entregou o papel. Ficamos em pé para ouvir a sentença, eu olhei para o lado e vi Tânia me encarando. Meu corpo gelou com aquele olhar e coloquei a mão na barriga como se pudesse evitar alguma coisa, alguma tragédia próxima e um desespero tomou conta de mim e eu nem sabia o motivo. O Juiz leu a sentença: culpado de todas as acusações.

Houve muito barulho e aplausos. A mãe dele desmaiou e o pai foi acudir. Os meninos me abraçaram e Alec chorava, chorava feito uma criança na frente de todos sem nenhum puder. Pena: perpétua. Ele morreria na cadeira e depois da glória a queda. Sim, se estivéssemos em outro Estado talvez ele entrasse no corredor da morte pela crueldade e por todos os outros crimes, mas a perpétua estava no limite do Estado de Nova York.
Eu chorava de alegria enquanto ele era levado, abatido e derrotado. Nem a sombra do monstro imponente de alguns anos atrás. Aquele que estragou meu namoro na faculdade, aquele que me estuprou e me causou mais dor que um dia eu poderia suportar. Alec era apenas uma criança que se acaba de chorar olhando para a família e pedindo ajuda como se não soubesse agora o que fazer e nessa hora Tânia fez algo impensado.
Eu estava imersa na cena dele e vi os olhos dele arregalarem para Tânia. Olhei para o lado dela e a vi. Ela estava com uma arma na mão, como a maluca entrou com aquilo? Não tinha detectores em vários lugares. Todos paralisaram com a cena, era algo tão improvável que ninguém acreditou nisso por vários segundos ou minutos. O silêncio na sala quando Bree sorriu para mim e vi que ela estava armada. Emmett me jogou para trás dele. Jasper ficou do lado dele e Edward comigo atrás, ele deveria saber tanto quanto eu se proteger por isso os irmãos estavam na frente.
– Isabella quantos vou precisar matar para que você saia do abrigo em que está?
E ouvi o primeiro tiro. Fechei meus olhos e comecei a rezar para que aquilo fosse um pesadelo. Mas não era, alguém gritou no fundo da sala e vimos espantados alguém caído no chão.
– Fechem as portas se não mais um vai cair. a voz de Bree e todas as portas foram imediatamente fechadas. Agora as armas queridinhos. Houve uma movimentação e lá estavam as armas sendo entregues. Eu podia ver por uma pequena brecha entre Jasper e Emmett.
– Você sabe que esse é fim Tânia, logo tudo estará cercado. Não há saídas. Emmett falou.
– Querido, não quero sair, não pretendo.