Esta fic é uma adaptação do livro A Garota Americana, da Meg cabot.
Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 3
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Peras. Uvas. Uma maça. Uma romã. Desenhei sem prestar muita atenção no que estava fazendo. Fiquei imaginando o que Chiyo faria para o jantar. Perguntei a mim mesma porque não tinha escolhido chinês em vez de alemão. Se tivesse escolhido chinês, poderia ter a ajuda de duas pessoas que falavam chinês, a Chiyo e a Hinata, para me ajudar na lição de casa. Eu não conhecia ninguém que falasse alemão. Por que é que eu fui escolher uma língua tão boba, para começo de conversa? Eu só fiz isso porque era a língua que a Karin tinha escolhido, e ela tinha dito que era fácil. Fácil! Rá! Talvez para ela. Mas o que é que não era fácil para Karin? A Karin tinha tudo: cabelo lindo, um namorado completamente íntegro, o quarto do canto com um closet imenso...
Eu estava tão ocupada desenhando e pensando em quanto a vida da Karin era melhor do que a minha que nem percebi que Katsu, o corvo, tinha descido da gaiola e vindo na minha direção para verificar o que eu estava fazendo, até que arrancou alguns fios do meu cabelo.
Fala sério. Um pássaro roubou o meu cabelo!
Soltei um grito, o que fez com que Katsu saísse voando, espalhando penas pretas por todos os lados.
—Katsu! – Tsunade esbravejou quando viu o que estava acontecendo. – Larga o cabelo da Sakura!
Obedientemente, Katsu abriu o bico. Três ou quatro fios de cabelo cor-de-rosa flutuaram até o chão.
—Corvo lindo – anunciou Katsu, inclinando a cabeça na minha direção. – Corvo lindo.
—Ah, Sakura – Tsunade se abaixou para pegar os cabelos do chão. – Desculpe-me. É que ele sempre fica atraído por coisas coloridas e brilhantes.
Veio até mim e me entregou os fios, como se eu pudesse colá-los de volta na cabeça.
—Ele não é um pássaro mau – informou Anko, como que preocupada com alguma impressão errada que eu pudesse guardar do pássaro da Tsunade.
—Corvo mau –fez Katsu. – Corvo mau.
Fiquei lá parada, com os fios de cabelo na palma da mão aberta, pensando que a Tsunade faria bem de gastar 50000 Ienes com o especialista em comportamento animal, já que o bicho de estimação dela tinha problemas sérios. Enquanto isso, Katsu voltava para o topo de sua gaiola batendo as asas, sem tirar os olhos de mim. Do meu cabelo, para ser mais exata. Dava para ver que ele estava mesmo a fim de tirar mais um chumaço, se pudesse. Pelo menos, foi o que me pareceu. Será que os pássaros têm sentimentos? Eu sei que os cachorros têm.
Mas os cachorros são inteligentes. E os pássaros são meio idiotas.
Mas não tão idiotas quanto seres humanos conseguem ser, eu vim a perceber mais tarde. Ou pelo menos tanto quanto este ser humano em especial consegue ser. Por volta das cinco e quinze (eu sabia porque a estação de rádio de música erudita tinha começado a dar notícias), a Tsunade encerrou a sessão.
—Pronto. Parapeito da janela.
E todo mundo, menos eu, levantou do banco e colocou o bloco de desenho apoiado na janela, de frente para o ateliê. Havia janelas em toda a extensão das três paredes da sala, que era de canto, e o parapeito era largo o bastante para alguém se sentar ali. Apressei-me para colocar o meu bloco ao lado dos outros e depois todos nós nos afastamos para olhar o que tínhamos desenhado.
O meu era claramente o melhor. E eu fiquei bem mal por causa disso. Tipo assim, era só o meu primeiro dia de aula, e eu já estava desenhando melhor do que qualquer outro aluno, melhor até que os adultos. Tive mais pena do Kakashi: o desenho dele era só uma enorme bagunça. O da Anko era quadradão e todo manchado. O da Shizune parecia ter sido feito por uma criancinha de jardim-de-infância. E o Kabuto tinha desenhado alguma coisa que não podia ser identificada como um monte de frutas.
Até podiam ser uns discos voadores, mas frutas, não.
Só o Sasuke tinha desenhado algo remotamente bom. Mas ele não tinha conseguido terminar. Eu tinha conseguido desenhar TODAS as frutas e tinha até adicionado um abacaxi e algumas bananas, tipo para dar um equilíbrio à figura.
Fiquei torcendo para a Tsunade não fazer muito alarde por o meu desenho ser muito melhor do que o de todo mundo. Eu não queria que os outros ficassem mal.
—Bom – avaliou Tsunade.
Deu um passo à frente e começou a discutir o desenho de cada um.
Ela foi muito diplomática a respeito da coisa toda. Tipo assim, meu pai bem que poderia contratá-la para algum dos escritórios dele, de tão cheia de tato que ela era (os economistas são muito bons com números, mas quando se trata de relacionamentos humanos, assim como a Moegi, eles não se dão muito bem). A Tsunade ficou falando e falando sobre a emotividade das linhas da Shizune e do bom uso do espaço no desenho da Anko. Disse que o Kakashi tinha melhorado muito, e todo mundo pareceu concordar, o que me fez pensar o quão ruim ele devia ser quando começou. O Sasuke recebeu um "excelente justaposição"; e o Kabuto, um "muito detalhado".
Quando ela finalmente chegou ao meu desenho, tive vontade de sair da sala de fininho. Tipo assim, meu desenho era tão obviamente o melhor... Eu não quero parecer esnobe, mas meus desenhos sempre são os melhores. Desenhar é o que eu faço melhor. E fiquei torcendo mesmo para a Tsunade não esfregar isso na cara dos outros. O resto da classe já devia estar se sentindo bem mal.
Mas, no final, vi que não precisava ter me preocupado tanto com a reação da classe aos elogios da Tsunade. Porque, quando ela chegou ao meu trabalho, não pôde dizer nada agradável a respeito dele. Em vez disso, deu uma boa olhada, chegou mais perto e examinou com muita atenção. Daí, deu um passo para trás e começou:
—Bom, Sakura, estou vendo que você desenhou o que conhece.
Achei que essa era uma observação bem esquisita. Mas também, até agora tudo tinha sido meio esquisito. Legal, mas esquisito (a não ser pelo pássaro ladrão de cabelo, o que não tinha sido muito legal).
—Humm – respondi. – Acho que sim.
—Mas eu não mandei desenhar o que você conhece. – retorquiu Tsunade. – Eu mandei desenhar o que você vê.
Olhei do meu desenho para a pilha de frutas na mesa, depois olhei para o papel de novo, confusa.
—Mas não foi o que eu fiz? Desenhei o que vejo. Quer dizer, o que vi.
—É mesmo? – perguntou ela com um daqueles sorrisinhos de elfo. – E você está vendo algum abacaxi naquela mesa?
Não precisei olha de novo para o móvel para saber que não tinha abacaxi nenhum ali.
—Bom. Não vi, mas...
—Não. Não tem abacaxi nenhum ali. E essa pêra também não está ali – apontou para uma das pêras que eu tinha desenhado.
—Espera aí – comecei, ainda confusa, mas já na defensiva. – Tem pêra lá sim. Aliás, tem quatro pêras na mesa.
—Tem – respondeu Tsunade. – Tem quatro peras na mesa. Mas nenhuma delas é esta aqui. Esta é uma pêra perfeita, mas não é nenhuma das pêras que você viu na sua frente. Eu não fazia a mínima ideia do que ela estava falando mas, aparentemente, a Anko, a Shizune, o Kakashi, o Kabuto e o Sasuke sabiam. Todos assentiam com a cabeça.
—Você não está vendo, Sakura? – Tsunade pegou meu bloco de desenho e veio em minha direção; apontou para as uvas que eu tinha desenhado. – Você desenha uvas lindas, mas não são as uvas da mesa. As uvas da mesa não são tão perfeitamente redondas, e também não são todas do mesmo tamanho. O que você desenhou aqui é a ideia que você tem sobre como as uvas devem ser, e não as uvas que estão de fato na nossa frente.
Pisquei, olhando para o bloco de desenho. Não entendi nada. Não mesmo. Tipo assim, eu meio que entendia o que ela estava dizendo, mas não conseguia perceber qual era o problema. As minhas uvas eram muito mais bonitas do que as uvas de qualquer outra pessoa. Isso não era bom?
A pior parte de tudo era que todo mundo parecia estar olhando para mim com um ar de solidariedade. Meu rosto começou a ficar quente. E claro que esse é o problema de ser ruiva. Você fica vermelha 97% do tempo. E não tem como esconder.
—Desenhe o que você vê – repetiu Tsunade, sem ser indelicada. – Não o que você conhece, Sakura.
E foi então que a Chiyo, arfante por ter subido as escadas, entrou na sala, fazendo com que Katsu começasse a grasnar "Oi, Kat! Oi, Kat!" tudo de novo.
Era hora de ir embora. Achei que ia desmaiar de tanto alívio.
—Vejo você na quinta-feira – exclamou alegremente Tsunade enquanto eu vestia o casaco.
Devolvi o sorriso, mas claro que estava pensando: "Nem morta que você vai me ver na quinta-feira."
Naquele instante, claro, eu não fazia ideia de como eu tinha razão. Bom, mais ou menos.
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Quando contei ao Sasori o que tinha acontecido no Estúdio de Arte Senju, ele só riu.
Riu! Como se fosse engraçado!
Eu meio que fiquei ofendida por causa disso, mas acho que devia ser meio engraçado. De certo modo.
—Sakura – ele sacudiu a cabeça, e a cruz egípcia de prata que carrega na orelha brilhou com a luz. – Você não pode deixar o sistema vencer. Você precisa lutar contra o sistema.
Muito fácil dizer isso. Afinal, ele tem 1,80m e pesa mais de 80 kg. O técnico de beisebol da escola fez de tudo para convencê-lo a entrar no time depois que o melhor defensor de linha se mudou para Dubai.
Mas o Sasori nunca faria parte do estratagema do treinador Iamato para dominar o campeonato do nosso distrito escolar. Sasori não acredita em esportes organizados, mas não porque tenha, como eu, ficado ressentido por aquela atividade consumir fundos valiosos que poderiam ser destinados ao departamento de arte. Não, o Sasori está convencido de que os esportes, assim como a loteria, só servem para enganar o proletariado e levá-lo a acreditar que um dia vai se elevar acima de seus colegas bebedores de cerveja e motoristas de caminhonetes.
É muito fácil para um cara como o Sasori lutar contra o sistema.
Eu, por outro lado, só tenho 1,60 m e não sei quanto peso, já que a minha mãe jogou fora a balança depois de ler uma reportagem a respeito de como a anorexia atinge as adolescentes. Além disso, nunca consegui me pendurar na corda durante as aulas de educação física, já que herdei do meu pai a total falta de força na parte superior do corpo.
Quando fiz essa observação, no entanto, o Sasori começou a rir ainda mais, o que eu achei, sabe como é, meio sem educação. Para um cara que supostamente é a minha alma gêmea e tal. Mesmo que ele talvez ainda não saiba disso.
—Sakura, – explicou ele – não estou falando de lutar contra o sistema de maneira física. Você precisa ser mais esperta do que isso.
Ele estava sentado na mesa da cozinha, servindo-se de uma caixa de rosquinhas com cobertura de chocolate que a Chiyo comprou para o lanche da tarde. A gente não costuma ter doces para comer no lanche. A minha mãe só quer que a gente tenha maçãs, bolachas integrais e leite, coisas assim. Mas a Chiyo, ao contrário dos meus pais, não liga para as notas do Sasori, nem para as afirmações políticas que ele gosta de fazer com uma espingarda de chumbinho, de modo que, sempre que ele aparece e ela está por lá, é uma festa só. Às vezes ela até assa um bolo. Uma vez, fez brigadeiro. Estou dizendo, a Karin sair com o único cara no mundo que inspira a Chiyo fazer brigadeiro prova definitivamente que não existe justiça no mundo.
—A Tsunade Senju está sufocando a minha criatividade – exclamei, indignada. – Ela está tentando me transformar em algum tipo de clone artístico...
—Claro que está – Sasori parecia surpreso ao dar uma dentada em mais uma rosquinha. – É isso que os professores fazem. Você tentou ser um pouco criativa, colocou um abacaxi a mais, e... BAM! Lá vem o punho da conformidade para esmagar você.
Quando o Sasori fica animado, ele começa a mastigar com a boca aberta. Foi o que ele fez. Pedacinhos de rosquinha saíram voando pela mesa e bateram na revista que Karin estava lendo. Ela abaixou seu exemplar da Shuukan Josei, olhou para os pedacinhos de rosquinha colados na capa, olhou para o Sasori e disse:
—Cara, vê se fala sem cuspir.
E daí voltou a ler.
Está vendo? Está vendo o que eu quero dizer quando falo que ela ignora a genialidade do Sasori?
Dei uma mordida na minha rosquinha. A mesa da cozinha, onde geralmente só tomamos café e lanche, fica em uma espécie de átrio envidraçado que se projeta a partir da cozinha para o quintal. Nossa casa é antiga (tem mais de cem anos de idade, como a maior parte das casas de Konoha, que são umas construções vitorianas com um monte de vitrais e balaustradas, pintadas com cores vivas). Por exemplo, a nossa casa é azul-turquesa, amarela e branca.
O átrio envidraçado e a mesa da cozinha foram incorporados à casa no ano passado. O teto é de vidro, três paredes são de vidro e a mesa da cozinha é feita com um bloco enorme de vidro. Como estava ficando escuro lá fora, eu via meu reflexo em todo canto. E não gostei muito do que vi:
Uma garota de tamanho médio, com pele branca demais e sardas, vestida toda de preto, com um monte de cabelo rosa ondulado saindo da cabeça, todo espetado.
E gostei ainda menos do que vi ao lado do meu reflexo:
Uma garota com traços delicados sem sarda nenhuma, usando um uniforme roxo e branco de animadora de torcida, com cabelo brilhante perfeitamente assentado e levemente ondulado apenas no local em que saía de uma fivela.
E:
Um cara gostoso, lindo, de ombros largos, com olhos castanhos penetrantes e cabelo ruivo, usando jeans rasgados e um sobretudo militar azul-marinho, comendo rosquinhas como se não houvesse amanhã.
E lá estava eu, no meio, entre os dois, onde sempre estive.
Uma vez, assisti a um documentário sobre a ordem de nascimento dos filhos no Canal de Saúde, e adivinha só o que dizia:
Primeira filha (também conhecida como Karin): mandona. Sempre consegue o que quer. Filha com maior possibilidade de tornar-se presidente de uma empresa importante, ditadora de um país pequeno ou supermodelo, como preferisse.
Última filha (também conhecida como Moegi): Bebê. Sempre consegue o que quer. Filha com maior probabilidade de descobrir a cura para o câncer, ter seu próprio programa de entrevistas, entrar na nave-mãe quando a invasão começar e mandar uns "Bem-vindos à Terra" e assim por diante.
Filha do meio (também conhecida como eu mesma): Perdida na confusão. Nunca consegue o que quer. Filha com maior probabilidade de se transformar em adolescente fugitiva, vivendo de restos de Big Mac recolhidos nos lixos atrás do McDonald's local durante semanas até que alguém perceba que ela desapareceu.
É a história da minha vida.
Só que, pensando bem, o fato de eu ser canhota indica que provavelmente tive, a certa altura, uma irmã gêmea. Pelo menos de acordo com um artigo que li no consultório do dentista. Segundo uma teoria aí, a maior parte dos canhotos começou a vida como metade de um par de gêmeos. Uma em cada dez gravidezes começa com a gestação de gêmeos. Uma em cada dez pessoas é canhota.
É só fazer as contas.
Durante um tempo, achei que minha mãe nunca tinha mencionado minha irmã gêmea morta para não me magoar. Mas daí li na internet que em 70% das gravidezes que começam como gestação de gêmeos, um dos bebês desaparece. Assim mesmo. Puf! Isso é conhecido como a síndrome do gêmeo desaparecido, e geralmente a mãe nem percebe que estava carregando dois bebês em vez de um só, já que o outro desaparece tão no começo da gestação.
Não que alguma coisa dessas faça a menor diferença. Porque mesmo que a minha irmã gêmea tivesse sobrevivido, eu ainda seria a filha do meio. Só que daí eu teria alguém com quem dividir o fardo. E talvez ela tivesse feito com que eu desistisse de estudar alemão.
—Bom – respondi, parando de encarar o meu reflexo e abaixando os olhos para o jogo americano debaixo dos cotovelos. – E o que é que eu devo fazer agora? Na escola, ninguém me falava sobre coisas a mais nos meus desenhos. Sempre deixavam eu colocar tudo o que eu queria.
Sasori deu uma gargalhada.
—Escola – exclamou. – Tá bom.
O Sasori estava vivendo um conflito bem complicado com a coordenação da escola por causa de uns quadros que ele tinha inscrito em uma exposição de arte no shopping center. O Sr. Hashirama, diretor da Konoha High, onde o Sasori, a Karin e eu estudamos, não gostou nadinha de o Sasori ter inscrito os quadros em nome da instituição de ensino (ele não tinha visto os quadros). E então, quando os trabalhos foram aceitos, ele ficou louco da vida, porque o teor das pinturas não era o que ele considerava expressão da "qualidade Konoha High". Os quadros todos eram de adolescentes com bonés, matando tempo na frente de uma loja de conveniência. Chamava-se Estudos sobre mal atitude, números Um a Três – apesar de um integrante irado do conselho ter chamado a série de Estudos sobre Preguicite.
Sempre que o Sasori fica triste por causa disso, digo a ele que os impressionistas também não eram apreciados em sua época.
De qualquer modo, não há a menos afinidade entre o Sasori e a coordenação da Escola Preparatória Konoha High. Na verdade, se os pais dele não estivessem entre os principais doadores do fundo de ex-alunos da escola, Sasori com certeza já teria sido expulso há muito tempo.
—Você só precisa encontrar uma maneira de lutar contra essa tal de Tsunade – sugeriu Sasori. – Tipo assim, antes que ela consiga arrancar cada pensamento criativo da sua cabeça. Você precisa desenhar o que está no seu coração, Sakura. Se não, qual é o sentido?
—Eu sempre achei que as pessoas devem desenhar o que conhecem – afirmou Karin em tom entediado, virando uma página da revista.
—Escrever o que conhecem – corrigiu Moegi, na ponta oposta da mesa em relação a mim, levantando os olhos do laptop. – Desenhar o que vêem. Todo mundo sabe disso.
Sasori olhou para mim, todo triunfante
—Está vendo? Está vendo como essa coisa é traiçoeira? Já entrou até na consciência de garotinhas de 11 anos – disse ele.
Moegi lançou um olhar irritado na direção dele. A Moegi sempre ficou 100% ao lado dos meus pais no que diz respeito ao Sasori.
—Ei! – protestou. – Eu não sou garotinha nenhuma.
Sasori ignorou.
—Onde é que nós estaríamos se o Picasso só desenhasse o que via? – Sasori quis saber. – Ou o Pollock? Ou o Miro? – sacudiu a cabeça. – Apegue-se às suas crenças, Sakura. Você desenha com o coração. Se o seu coração manda colocar um abacaxi, então você coloca um abacaxi. Não permita que o sistema lhe diga o que fazer. Não deixe que os outros determinem o que e como você desenha.
Eu não sei como é que ele consegue mas, de alguma forma, o Sasori sempre fala a coisa certa. Sempre.
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—Então, você vai largar? – quis saber Hinata, naquela mesma noite, quando me ligou para falar sobre a aula de biologia.
Nossa tarefa era assistir a um documentário no Canal Educativo a respeito de pessoas que têm transtorno do corpo dismórfico. Sobre gente tipo o Michael Jackson, que se acha horrivelmente desfigurada, quando na verdade não é. Por exemplo, um homem detestava tanto o nariz que o abriu com uma faca, tirou a cartilagem dali e colocou um osso de galinha no lugar.
O que só serve para ilustrar que, por pior que você ache que uma pessoa é, sempre existe alguma coisa muito, muito pior.
—Não sei – respondi. Já tínhamos discutido toda a história do osso de galinha. – Eu quero sair. A classe é cheia de gente esquisita.
—Ué – disse Hinata. – Você disse que tinha um cara fofo.
Pensei no Sasuke, com aquela cara que eu já tinha visto antes, a camiseta da Save Ferris, as mãos e os pés grandes, olhando para a minha bota.
E na maneira como ele me viu sendo completa e totalmente esmigalhada, igual a uma formiga, bem na frente dele, pela Tsunade Senju.
—Ele é fofo – reconheci. – Mas não tão fofo quanto o Sasori.
—E quem é? – perguntou Hinata, com um suspiro. – Talvez só o Heath. —Putz, é verdade. —E a sua mãe vai deixar você largar? – Hinata quis saber. – Tipo assim, isso é meio que um castigo por causa da sua nota baixa em alemão, não é? Talvez seja para você não gostar de propósito.
—Acho que o objetivo é que seja uma experiência de aprendizado para mim – respondi. – Sabe como é, igual os pais da Tenten Mitsashi. Ela foi obrigada a fazer uma expedição nas montanhas depois que bebeu uma garrafa inteira de vodca na festa do Kiba Inuzuka. As aulas de arte são tipo a minha expedição.
—Então, você não pode largar – concluiu Hinata. – O que vai fazer?
—Vou pensar em alguma coisa – respondi.
Na verdade, eu já tinha um plano.
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Quero agradecer a Taiana-chan pelo meu primeiro review. Muito obrigada! Espero que você continue acompanhando essa adaptação, e que continue gostando da história :D
