Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot.
Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 10
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— E aí, onde foi que você se enfiou? – a Karin me perguntou, tipo, pela noningentésima vez.
— Lugar nenhum – respondi. – Vê se me deixa em paz.
— Só estou perguntando – disse Karin. – A gente não pode nem fazer uma simples pergunta para você? Não precisa ficar toda brava por causa disso. A não ser, claro, que você estivesse fazendo algo, sabe como é, que não devia fazer.
Claro que era exatamente isso que eu estivera fazendo. Só que não era o que a Karin estava pensando. Eu só tinha comido hambúrguer (e gravado meu nome no parapeito da janela do Palácio do Governo) com o filho do líder do nosso país.
— É só que vocês dois pareciam, sei lá... – Karin dizia enquanto examinava os lábios no espelhinho do pó compacto. Ela tinha gastado uma meia hora contornando os lábios com lápis naquela manhã. Sabendo que hoje, no primeiro dia em que eu voltava à escola depois de toda aquela história de salvar o primeiro-ministro, um monte de gente ia querer tirar foto dela.
Muita gente tirou mesmo foto dela (e de mim) quando saímos de casa e entramos na minivan (o Serviço Secreto tinha sugerido que, pelo menos durante algumas semanas, talvez fosse melhor se a Karin e eu não fôssemos para a escola de ônibus, por isso a Chiyo ia nos levar). De modo que a Karin realmente tinha razão.
Mas não tinha razão nenhuma para achar que tinha alguma coisa rolando entre mim e o Sasuke.
— Amiguinhos – terminou a frase, fechando o estojo de pó compacto. – Você não acha que eles pareciam dois amiguinhos, Chiyo?
A Chiyo, que não é a melhor motorista do mundo, e que tinha ficado completamente abalada com todos os fotógrafos que tinham se jogado em cima do capô do carro para tentar tirar minha foto, só falou um monte de palavrões em mandarim quando o carro da frente deu uma fechada nela.
— Acho que vocês dois estavam muito amiguinhos – continuou Karin. – Muito amiguinhos mesmo.
— Não tinha nada de amiguinho – respondi. – Nós só esbarramos um no outro no caminho do banheiro. Só isso.
A Moegi, sentada no banco da frente, observou:
— Estou sentindo um certo frisson no ar.
Karin e eu olhamos para ela como se fosse louca:
— Um o quê?
— Um frisson – Moegi respondeu. – Um tremor de atração intensa. Detectei um frisson entre você e o Sasuke ontem à noite.
Fiquei pasmada. Porque é óbvio que não tinha existido nada disso. Por acaso eu estava apaixonada pelo Sasori, não pelo Sasuke.
Mas é claro que eu não podia falar isso. Não em voz alta.
— Não tinha frisson nenhum. Não tinha absolutamente frisson nenhum. De onde é que você tirou uma ideia dessas?
— Ah – respondeu Moegi de maneira muito polida – De um daqueles romances de amor da Karin. Tenho lido aqueles livros para melhorar meu traquejo social. E tinha com certeza um frisson entre você e o Sasuke.
Mas, por mais que eu negasse a existência de qualquer frisson, a Moegi e a Karin ficavam jurando que tinham visto aquilo. O que nem faz o mínimo sentido, já que eu duvido muito que os frissons, se é que existem, possam ser detectados pelo olho humano.
E por mais que o Sasuke seja fofo e tudo mais, eu sou totalmente 100% dedicada ao Sasori Akasuna que, tudo bem, não parece corresponder exatamente ao meu amor, mas isso vai acontecer. Um dia desses o Sasori vai cair na real e, quando isso rolar, estarei esperando.
Além do quê, o Sasuke não gosta de mim desse jeito. Ele só estava sendo legal comigo porque eu tinha salvado o pai dele. Só isso. Tipo assim, se elas tivessem ouvido quando ele ficou tirando sarro daquela coisa toda do abacaxi, elas iam desistir desse negócio de frisson na hora.
Mas tanto faz. Parecia que todo mundo estava empenhado em transformar a minha vida em um inferno: minhas irmãs; os repórteres que se aglomeravam no gramado de casa; os fabricantes de certas marcas de refrigerantes de sucesso, que não paravam de enviar caixas e caixas de amostras de seus produtos lá para casa; minha própria família. Até o primeiro-ministro do Japão.
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— O que faz exatamente a embaixadora teen do Japão na ONU? – Hinata perguntou naquele mesmo dia, mais tarde.
Estávamos na fila do almoço, o mesmo lugar em que ficávamos todos os dias da semana da nossa vida, tirando a época em que eu estava no maternal, o verão, os feriados nacionais e o ano que eu passei no Marrocos.
Mas, dificilmente de todas as outras vezes, naquele dia, todo mundo que estava à nossa volta olhava para mim e falava em um tom baixinho, de admiração. Uma garota da oitava série que era especialmente tímida veio até mim e perguntou se podia colocar a mão no meu gesso.
É. Nada como ser heroína nacional.
Eu estava tentando menosprezar aquela coisa toda. Estava mesmo. Por exemplo, desafiando completamente as ordens da Karin: eu não tinha acordado uma hora mais cedo para passar condicionador de cavalo no cabelo. Não tinha colocado nenhuma das minhas calças de pregas novas da Banana Republic. Estava usando minhas roupas normais do dia-a-dia, totalmente pretas, e meu cabelo estava naquela bagunça normal do dia-a-dia.
Mesmo assim, todo mundo estava me tratando de um jeito diferente. Até os professores, que faziam piadas do tipo: "Para vocês que não estavam jantando no Palácio do Governo ontem à noite, será que alguém viu aquele documentário excelente a respeito do Iêmen no Canal Educativo?" e "Por favor, abram o livro na página 265... Quer dizer, só quem não quebrou o braço salvando a vida do primeiro-ministro."
Nem o pessoal que trabalhava na lanchonete me deixava em paz. Assim que estendi a bandeja, a Sra. Sasame me deu uma piscadinha conspiratória e disse: "Pronto, querida", e me deu uma fatia extra de torta de pasta de amendoim.
Na história da Escola Preparatória Konoha High, a Sra. Sasame nunca tinha dado uma fatia extra de torta de pasta de amendoim para ninguém. Todo mundo tinha medo da Sra. Sasame, e com razão: se você a irritasse, podia ficar sem torta durante um ano inteiro.
E ali estava ela, distribuindo torta extra. O mundo que eu conhecia acabou com um estrondo.
— Tipo assim, você deve precisar fazer alguma coisa – Hinata, depois de se recuperar do incidente da torta, seguiu-me até a mesa que tradicionalmente dividíamos com umas outras garotas que, como a Hinata e eu, ficavam nas áreas adjacentes da popularidade (era tipo, a turma da tundra congelada na geografia social da escola Konoha High). Contrárias ao sistema demais para nos juntarmos ao conselho estudantil e não atléticas o suficiente para nos juntarmos aos esportistas, a maior parte de nós ou tocava algum instrumento ou fazia parte do clube de teatro. Eu era a única artista plástica da turma. Todas nós tentávamos atravessar o Ensino Médio logo para chegar à faculdade onde, pelo que tínhamos ouvido falar, as coisas seriam melhores.
— Tipo assim, embaixadora teen na ONU. Quais são as suas funções? Tem pelo menos um comitê? – Hinata se recusava a abandonar o assunto. – Para discutir questões mundiais, por exemplo?
— Não sei, Hina – disse quando nos sentamos. – O primeiro-ministro só falou que tinha me indicado como representante do Japão. Imagino que deve ter representantes de outros países. Se não, qual seria o objetivo disso? Alguém aí quer uma fatia extra de torta?
Ninguém respondeu. Isso porque todo mundo na mesa estava com os olhos fixos em uma coisa que não era a torta. Em vez disso, todas as garotas olhavam para a Karin e o Sasori, que de repende resolveram colocar a bandeja deles na nossa mesa.
— Ei – exclamou Karin, com tanta naturalidade como se sentasse à mesa das garotas não-populares todos os dias da semana. – O que está rolando?
— Como foi que você conseguiu um pedaço a mais de torta? – Sasori quis saber.
O negócio era que, sabe como é, a Karin e o Sasori não eram as únicas pessoas que tinham vindo do, sabe como é, do outro lado e que tinham resolvido sentar na nossa mesa. Para meu espanto, juntaram-se a eles mais ou menos a metade do time de beisebol e umas garotas da equipe de animadoras de torcida. Dava para perceber que a Hinata estava bem abalada por causa da invasão. Era como se um monte de cisnes de repente tivesse tomado conta da lagoa dos patos. Todas nós, as marrecas, não sabíamos muito bem o que fazer ao se deparar com tanta beleza.
— O que é que você está fazendo? – cochichei para a Karin.
A Karin simplesmente deu de ombros enquanto dava um golinho na Coca light.
— Já que você se recusa a ficar com a gente, – explicou — nós resolvemos vir aqui ficar com você.
— Ei, Sakura – disse Sasori, tirando uma caneta do bolso do sobretudo preto. – Deixa eu assinar o seu gesso.
— Aaah – gritou Tenten Mitsashi, com os pompons sacudindo-se de tanta animação. – Eu também! Eu também quero assinar o gesso dela!
Tirei o braço do alcance deles e mandei:
— Hã, acho que não. Obrigada.
Sasori ficou com cara de decepcionado.
— Eu só ia desenhar um jovem rebelde aí – explicou. – Só isso.
Era preciso reconhecer que um jovem rebelde teria sido legal. Mas se eu deixasse o Sasori desenhar no meu gesso, todo mundo ia querer fazer a mesma coisa, e logo logo aquela brancura maravilhosa se transformaria em uma zona. Mas se eu dissesse que só o Sasori podia desenhar ali, todo mundo ia saber da minha paixão secreta pelo namorado da minha irmã.
— Hum, mesmo assim, obrigada – respondi. – Mas estou guardando o gesso para eu mesma desenhar.
Fiquei mal por estar sendo chata com o Sasori. Afinal, ele era minha alma gêmea.
Ainda assim, eu queria que ele se tocasse logo, e parasse de andar com a Karin e com os amigos babacas dela. Porque esses caras estavam se comportando como imbecis completos, jogando salgadinhos de milho uns nos outros e tentando aparar com a boca. Era revoltante. E também irritante, porque eles ficavam balançando a mesa, o que fazia com que fosse difícil para as pessoas com uma mão só comerem. Eu sei que os jogadores de beisebol são uns caras grandes e que talvez fiquem sacudindo a mesa sem querer, mas, mesmo assim, bem que eles poderiam ter mostrado um pouco de decoro.
— Ei! – gritei quando um dos salgadinhos caiu no molho de maçã da Hinata. – Será que vocês podem dar um tempo, caras?
A Karin, que estava entretida na leitura de um artigo de revista a respeito de como ter coxas perfeitas (que ela, obviamente, já tinha), manifestou-se com voz entediada:
— Caramba. Só porque vai ganhar uma medalha ela já está se achando.
O que foi totalmente injusto, por que, o que ela acha que eu devia fazer? Simplesmente aceitar a coisa do salgadinho no molho e tudo bem?
Hinata olhou para mim, com os olhos esbugalhados:
— Você também vai ganhar uma medalha? Você é embaixadora teen na ONU e ainda vai ganhar uma medalha?
Infelizmente, sim. Uma medalha de honra e valor, para ser mais exata. A cerimônia seria realizada em dezembro, quando o Palácio do Governo estivesse toda decorado para o Natal, para as fotos ficarem mais bonitas.
Mas eu nem tive tempo de responder. Isso porque minha segunda fatia de torta de repente desapareceu e foi percorrendo a fileira de jogadores de beisebol em um jogo de frisbee.
— SERÁ QUE VOCÊS PODERIAM FAZER O FAVOR DE DEVOLVER A MINHA TORTA? – berrei, porque tinha a intenção de dar aquele pedaço para o Sasori.
A Karin, obviamente não sabia disso, simplesmente mandou:
— Faça-me o favor, é só um pedaço de torta. Acredite, você não precisa dessas calorias a mais.
Uma observação típica da Karin, que eu tinha começado a responder quando ouvi uma voz muito familiar atrás de mim.
— Oi, Sakura.
Virei-me e vi a Ino Yamanaka com aquela cara de perfeita presidente da classe, envolta em Benetton dos pés à cabeça, incluindo um suéter de caxemira cor-de-rosa jogado sobre os ombros de maneira artificialmente descuidada. E ela estava olhando para mim.
— Aqui está o convite para a minha festa – declarou Ino, entregando para mim um papel dobrado. – Espero mesmo que você possa ir. Sei que tivemos nossas diferenças no passado, mas gostaria mesmo que pudéssemos hastear a bandeira branca e ficar amigas. Eu sempre a admirei, Saky, você sabe disso. Você é uma pessoa que respeita de verdade as suas convicções. E eu não ligava de ter que pagar pelos desenhos. Não mesmo.
Só fiquei olhando para ela. Não dava para acreditar que essas coisas estavam acontecendo. Fala sério, tudo aquilo: os caixotes de refrigerante, os ursinhos de agradecimento, o jantar no Palácio do Governo... mas a Ino Yamanaka (a INO YAMANAKA) puxando o meu saco era a coisa mais esquisita de todas. Comecei a entender como a Cinderela deve ter se sentido depois que o príncipe afinal a encontrou e o sapatinho serviu no pé dela. As irmãs postiças devem ter começado a puxar o saco dela bem do jeito que a Ino estava puxando o meu.
Mas o negócio era o seguinte: Por quê? Tipo assim, para quê? Ta, ela havia sido nojenta comigo a vida inteira. E você acha que se eu fosse nojenta com ela também, isso lhe daria alguma lição? Ela era nojenta por natureza.
Gentileza. Era isso que a Ino precisava. Um exemplo a seguir. Alguém cuja atitude simpática ela pudesse copiar.
— Não sei – respondi, colocando o convite dentro da mochila, em vez de aceitar por instinto de enfiar aquilo na lata de lixo mais próxima. – Vou ver.
Mas eu nem precisava me preocupara, já que a Karin teve a capacidade de estragar tudo em um segundo, sem nem tirar o olho da revista:
— Ela vai.
A Ino sugou o ar para dentro dos pulmões com força, toda animadinha:
—Vai mesmo? Ótimo.
— Para falar a verdade, não tenho certeza se vai dar para ir, Karin – insisti, com um olhar nefasto para a Karin, que ela não viu por estar entretida em um artigo sobre como cuidar das cutículas adequadamente.
— Claro que vai – repetiu ela, virando a página. – Você e o Sasuke, o Sasori e eu podemos ir todos juntos.
— Sasuke? – repeti. – Quem é que falou alguma coisa do...
— Acho um amor – revelou Ino com um suspiro. – Você com o filho do primeiro-ministro e tudo o mais. Quando a Karin me contou, eu quase morri.
— Quando a Karin contou o quê? – reivindiquei.
— Bom, que vocês estão ficando, claro – respondeu Ino, um pouco surpresa.
Naquela hora, eu bem que poderia ter matado a Karin, de verdade. Tipo assim, você tinha que ver o que aconteceu quando a Ino proferiu aquelas palavras. A Hinata que estava mastigando uma coxa de galinha, observando enquanto aquele draminha se desenrolava na frente dela, deixou o pedaço de carne cair no colo. Todas as animadoras de torcida pararam de fofocar e olharam para mim como se eu fosse algum esmalte cintilante, ou qualquer coisa assim. Até o Sasori, que àquela altura já tinha pego o meu pedaço de torta, parou de dar uma mordida no meio e disse:
— Até parece, caramba.
Tipo assim, foi meio desconcertante.
— É isso – aproveitei. – O Sasori está totalmente certo. Até parece. Eu não estou ficando com ele ta? Não estou ficando com o filho do primeiro-ministro.
Mas a Ino já estava matraqueando:
— Não se preocupe com isso, Saky, sou uma pessoa muito discreta. Não vou falar nada para ninguém. Mas você acha que alguns repórteres vão aparecer por lá? Tipo assim, na minha festa? Porque se alguém quiser me entrevistar, sabe como é, tudo bem. Podem até tirar uma foto minha. Se você quiser que eu assine uma licença de uso de imagem, ou qualquer coisa assim...
Enquanto tudo isso acontecia, a Karin só ficou lá, inabalável, folheando a revista. Não dava para acreditar. E eu achando que aquela coisa de aula de desenho já era ruim.
— Ei! – A Karin se manifestou quando finalmente reparou, pela minha expressão, que eu não estava muito satisfeita com ela. – Não vem pôr a culpa em mim. Foi você que ficou com aquele frisson com o cara, não eu.
— Eu não gosto do Sasuke, ta bom? – disparei, dando um olhar direto para o Sasori, para ter certeza de que ele estava ouvindo.
— Tá bom – respondeu Karin. – Não precisa ficar tão... Ai!
Fala sério, se tem alguém que merece levar pelo menos um beliscão todo dia, esse alguém é a minha irmã Karin.
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Sei que o capítulo ficou curtinho... Mas, amanhã tem mais, ok?!
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Sophie Hatake, obrigada por comentar! Sim, a Tsunade parece boazinha, mas deu um jeitinho de chantagear a Sakura, né?! Espero que você tenha gostado desse capítulo :D
Taiana-chan, como eu adoro seus comentários! Seus reviews sempre me motivam a postar um novo capítulo o quanto antes :D
