Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot.

Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.

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CAPÍTULO 11

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Dez coisas que acontecem para demonstrar que, de repente, você começou a fazer parte da panelinha:

10. A Ino Yamanaka convida você para uma de suas famosas festas.

9. Na educação física, o professor Iamato escolhe você para ser capitã de time pela primeira vez no ano e, quando chega na hora de escolher os jogadores, os melhores ficam mesmo implorando para você escolhê-los.

8. Um monte de garotos da oitava série voltam do almoço usando roupas da Gap novinhas, todas pretas.

7. O grupo de dança Konoha Prep Steppers, que se apresenta nos intervalos dos jogos do time da escola, pergunta se você pode indicar alguma música para fazer uma coreografia.

E, quando você sugere "O passinho do elefante", o pessoal ainda leva você a sério.

6. Na aula de alemão, quando você confessa que não acabou a lição de casa, alguém oferece um lição prontinha para entregar.

5. Você começa a perceber que um monte de garotas que costumavam arrumar o cabelo igual ao da sua irmã passam a despentear tudo, e o cabelo fica com aquela cara de arbusto, como se tivesse um cogumelo nascendo em cima da cabeça, igualzinho ao seu.

4. Todo mundo no corredor, em vez de ficar olhando torto enquanto você passa, como costumava fazer, diz: "Oi, Sakura".

3. Você percebe que o seu nome (rabiscado ao lado do da Emma Watson) está na capa de um caderno de um garoto da oitava série (e aonde tem um monte de corações em volta).

2. Todo aquele negócio da Sra. Sasame / torta de pasta de amendoim.

E a principal coisa que faz você perceber que passou a fazer parte da turminha in da escola é:

1. No encontro das classes do primeiro ano, na última aula, quando o conselheiro estudantil pergunta como os recursos extras da conta de arrecadação devem ser usados, e você levanta a mão e diz "Devemos comprar pincéis e outros materiais para o departamento de arte", sua sugestão recebe apoio, é colocada a voto na assembleia geral...

E vence.

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Só demorou umas duas horas para a escola inteira saber que eu ia levar o filho do primeiro-ministro na festa da Ino Yamanaka no sábado à noite, como se ele fosse meu namorado ou algo assim.

Por alguma razão, as pessoas pareciam achar isso mais interessante do que o fato de que eu tinha impedido que uma bala penetrasse na cabeça do líder da nossa nação, ou que eu era a nova embaixadora teen na ONU do país. Por um lado, eu fiquei feliz por não receber parabéns toda hora por causa da minha coragem (o que me incomodava demais, principalmente porque eu não tinha muita certeza se o que eu tinha feito era algo tão corajoso assim); mas, por outro lado, era irritante ver todo mundo fazendo piada a respeito do que pode ou não ter acontecido entre o filho do primeiro-ministro e eu.

—Olha, você está entendendo tudo errado — começou Karin quando eu comentei o assunto na mesa da cozinha, depois da escola. — O fato de você e esse tal de Sasuke estarem andando juntos... VÊ SE PÁRA DE ME BELISCAR... só vai ajudar a aumentar sua fama, que agora já está bem grande. Você, Saky, é a nova estrela da Konoha High. Se você pudesse pelo menos largar essa mania de combinar preto com preto, você poderia virar a rainha do baile de fim de ano assim — a Karin estalou os dedos no ar, e o Pakkun veio correndo, achando que talvez ela tivesse derrubado no chão um pedacinho de biscoito com gotinhas de chocolate que a Chiyo tinha feito e que todos nós estávamos mastigando.

—Bom, só que eu não quero ser a rainha do baile — respondi. — Só quero que as coisas voltem ao normal.

—Vou dar um chute: isso não vai acontecer tão cedo — declarou Sasori. Ele apontou para os repórteres que dava para ver, segurando as câmeras, atrás da cerca do quintal dos fundos, tentando tirar uma foto nossa no átrio envidraçado.

—Kami-sama — exclamou Chiyo e foi até o telefone para ligar para a polícia de novo.

Afundei o queixo nas mãos e mandei:

—Só não entendop porque é que você tinha que falar isso para todo mundo. Tipo assim, não tem nada a ver com a realidade.

Falei tudo isso de maneira bem clara, para que o Sasori ouvisse. Tipo assim, eu queria ter certeza de que ele sabia disso: se algum dia ele mudasse de ideia a respeito da Karin, eu ainda estava disponível.

—E como é que eu ia saber qual é a verdade? — perguntou Karin toda pedante. — Você não quer falar onde vocês dois se esconderam na noite passada...

Não dava para acreditar que ela tinha coragem de tocar nesse assunto na frente do Sasori. Mas devo admitir que, levando em conta que a Karin não sabia da posição do Sasori como minha alma gêmea, dessa vez não dava para culpá-la.

—Porque não é da sua conta! - gritei. — Tipo assim, você não fica me contando cada coisinha que faz com o Sasori.

—A-ha! — Karin me apunhalou com uma daquelas unhas pontudas dela, um sorriso triunfante no rosto. — Eu sabia! Vocês dois estão ficando!

—Não, não estamos — retruquei. — Eu não disse nada disso.

—Disse sim. Você acabou de confessar. Você disse: "Você não fica me contando cada coisinha que faz com o Sasori", o que com certeza significa que você e o Sasuke estão juntos, igualzinho ao Sasori e eu.

—Não, não significa — insisti. — Não quer dizer nada disso...

Mas o meu argumento extremamente lúcido foi interrompido pela Chiyo que, depois de terminar de falar com a polícia no telefone, foi receber um pacote que tinha chegado por entrega especial.

—É para você — informou, colocando o pacote na minha frente. — O moço disse que veio do Palácio do Governo.

Todo mundo olhou para o pacote.

—Está vendo — confirmou Karin. — É do Sasuke. Eu falei que vocês dois estão ficando.

O pacote revelou-se um kit de informações sobre minha nova função de embaixadora teen.

Ao ver aquilo, Karin voltou para a revista dela, totalmente decepcionada. Mas o Sasori ficou todo animado e começou a ler cada folhetinho e tudo o mais.

—Olha só isso aqui. Vai ter uma exposição de arte internacional. Da minha janela. Vai ter artistas adolescentes do mundo inteiro, retratando, com materiais diversos, o que vêem todos os dias através da janela.

Do outro lado da mesa, a Moegi, que estava revisando suas planilhas, fuzilou:

—E os adolescentes que não têm janela? Tipo os alienígenas adolescentes que estão presos contra a vontade na Área 51? Acho que eles não vão estar lá representados, não é mesmo? Você acha que isso é justo?

Como sempre, todo mundo a ignorou.

—Ei! — exclamou Sasori, cada vez mais animado. Tudo que envolvia arte deixava Sasori animado. — Ei, eu vou me inscrever nisto aqui. Você também deveria, Sakura. O vencedor de cada país participante vai ficar exposto na sede da ONU do Japão durante o mês de maio. Isso daria muita visibilidade. E é em Tóquio. Tipo assim, se você tem um trabalho exposto em Tóquio, não precisa de mais nada!

Eu estava lendo a carta que tinha vindo junto com o panfleto do concurso Da minha janela.

—Eu não posso me inscrever — informei, um pouco surpresa. — Faço parte do júri.

—Você está no júri? — Sasori ficou muito feliz ao saber disso. — Que maravilha! Então eu me inscrevo, você escolhe o meu quadro e logo logo eu vou estar fazendo a minha estréia no circuito das artes de Tóquio.

Moegi ergueu os olhos das planilhas e olhou o Sasori, incrédula:

—A Sakura não pode fazer uma coisa dessas — sentenciou. — Seria trapaça!

—Não é trapaça nenhuma se o quadro for mesmo o melhor — respondeu Sasori.

—É, mas e se não for? — Karin quis saber. Ela é a pior namorada do mundo. Nunca conheci ninguém que dá tão pouco apoio ao homem que supostamente ama!

—Vai ser — Sasori deu de ombros, com aqueles ombros enormes dele, como se com aquele gesto pudesse resolver a questão.

Mas é claro que o Sasori estava certo: o quadro dele ia ser o melhor de todos. Os quadros do Sasori eram sempre os melhores. Sempre foram, tanto que eram escolhidos para todas as exposições em que se inscreveu. Não havia a menor dúvida de que, no fim do ano letido, apesar das notas baixas, falta de atividades extracurriculares e histórico de faltas, o Sasori seria aceito em uma das melhores faculdades de arte do país, como a Universidade de Tohoku, a Kyoto Daigaku ou até a Universidade de Tóquio. Ele simplesmente era bom mesmo.

E a minha opinião não tinha nada a ver com o fato de que, por acaso, eu era totalmente apaixonada por ele.

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Eu meio que consegui tirar aquela história de Sasuke da cabeça até a hora que a Hinata ligou, à noite, enquanto eu tentava fazer a lição de casa de alemão.

—Então. Você vai à festa da Ino?

—De jeito nenhum.

—Por que não?

—Hum, porque a Ino Yamanaka é cria do Satã — respondi, um pouco surpresa. — E você sabe disso melhor do que ninguém.

Rolou um silêncio. Daí a Hinata disse, pausadamente:

—É. Eu sei. Mas eu sempre quis ir a uma das festas dela.

Não dava para acreditar. Eu afastei o telefone do rosto, literalmente, e fiquei olhando para ele durante alguns segundos antes de colocá-lo na orelha e mandei:

—Hina, do que é que você está falando? Olha o jeito como ela trata você!

—Eu sei — confessou Hinata, parecendo arrasada. — Mas todo mundo que vai a uma festa da Ino Yamanaka fica falando sobre o que aconteceu lá, tipo, como foi divertido. Não sei. Ela também me deu um convite. E eu estava meio que pensando em ir. Mas só se você fosse também.

—Bom, eu não vou — respondi. — Nem o Orochimaru Dosu poderia me forçar a ir lá, nem se ameaçasse me fazer ouvir "Uptown Girl" cinquenta mil vezes e quebrasse os meus DOIS braços.

Mais um silêncio. E foi aí que a Hinata falou a coisa mais surpreendente de todas. Mandou:

—Bom, mas eu continuo com vontade de ir.

Fiquei sem palavras. Se a Hinata tivesse dito que estava pensando em raspar a cabeça e se juntar aos Hare Krishna, eu não teria ficado mais surpresa.

—Você quer ir à festa da Ino Yamanaka? — exclamei, tão alto que o Pakkun, que estava dormindo na minha cama, com a cabeça no meu colo, acordou e começou a olhar em volta, sobressaltado. — Hinata, você está usando aqueles marca-textos com cheirinho de novo? Porque eu falei que eles deixavam a gente bem...

—Sakura, estou falando sério — confirmou Hinata. A voz dela parecia bem baixinha. — A gente nunca faz as coisas que o pessoal normal faz.

—Isso é totalmente mentira — argumentei. — No mês passado a gente foi assistir à peça do Clube de Teatro, A gaivota, não foi?

—Saky, nós duas éramos as únicas pessoas na platéia que não eram parente de ninguém que estava no palco. Eu só quero, na verdade, uma vez ma vida, ver como é. Ser, sabe como é, parte da panelinha. Você nunca ficou imaginando como é?

—Hina, eu já sei como é. Eu moro com alguém assim, está lembrada? E não é legal. Precisa passar muito gel no cabelo.

A voz de Hinata estava mesmo muito baixinha.

—Mas é que talvez essa seja a minha única chance em... sabe como é.

—Hina, — prossegui — a Ino Yamanaka só foi má com você desde que vocês se conheceram, e agora você quer ir à casa dela? Desculpa, mas isso é mesmo...

—Saky? — começou Hinata, ainda com aquela vozinha. — Eu conheci um garoto.

Eu quase deixei o telefone cair.

—O quê? Como assim?

—Um garoto. — Hinata falou bem rápido, como se com medo de que, se não falasse tudo de uma vez, não falaria nunca. — Você não conhece. Ele não está na Konoha High, ele está na Suna Academy. O nome dele é Naruto. Meus pais conhecem os pais dele da Igreja. Ele sempre está no Fliperama Beltway quando meus irmãos e eu estamos lá. Ele é superlegal. E tem uma das pontuações mais altas em Death Storm.

Acho que fiquei em estado de choque ou qualquer coisa assim, porque a única coisa que consegui pronunciar foi:

—Mas... e o Heath?

—Saky, eu preciso cair na real em relação ao Heath — respondeu Hinata, com uma voz tão corajosa como eu nunca vi. — Mesmo se algum dia a gente se conhecesse, ele nunca ia sair com uma garota que ainda está na escola. Além disso, ele passa a maior parte do tempo na Austrália. Quando é que eu iria para a Austrália? Minha mãe e meu pai mal me deixam ir ao shopping center sozinha...

Eu continuava em estado de choque.

—Mas você acha que eles vão deixar você sair com esse tal de Naruto?

—Bom... — respondeu Hinata. — O Naruto não me convidou para sair, exatamente. Acho que ele é tímido. É por isso que eu estava pensando em convidá-lo para sair. Sabe como é. Para ir à festa da Ino.

Eu realmente não conseguia enxergar a lógica por trás daquilo tudo.

—Hina, por que é que você não convida o Naruto para ir ver um filme ou qualquer coisa assim? Por que é que você precisa levá-lo à festa da Ino?

—Porque o Naruto só me conhece da Igreja — explicou ela. — E do Fliperama Beltway. Ele não sabe que eu não sou da panelinha. Ele acha que eu sou descolada.

Eu não sabia bem como expressar o que eu precisava dizer a seguir, mas achei que tinha que falar. Afinal, é para isso que servem as melhores amigas.

—Mas, Hina, — comecei — tipo assim, ele vai saber na hora que você não faz parte da panelinha no segundo que a gente pisar na casa da Ino Yamanaka e ela falar uma daquelas coisas horríveis que ela sempre fala de você na frente dele.

—Ele não vai fazer nada disso — Hinata parecia mais confiante do que nunca.

—Não vai? — fiquei muito surpresa ao ouvir isso. — Você está sabendo alguma coisa da Ino que eu não sei? Ela passou por alguma conversão religiosa ou qualquer coisa assim?

—Ela não vai falar nada desagradável de mim se você estiver lá — concluiu Hinata. — E se você levar o Sasuke.

Comecei a ter um ataque de riso. Não deu para segurar.

—O Sasuke? — gritei. — Hina, eu não vou à festa da Ino e, mesmo que fosse, nunca ia levar o Sasuke. Tipo assim, eu nem gosto dele. Você sabe muito bem disso. Você sabe de quem eu gosto.

Mas eu não podia falar o nome alto, para o caso de a Karin pegar a extensão do telefone, o que ela fazia sempre, para reclamar que eu estava falando havia muito tempo e que ela precisava fazer uma ligação.

Mas eu também não precisei falar o nome dele. Porque a Hinata sabia muito bem de quem eu estava falando.

—Eu sei, Saky — Hinata respondeu. A voz dela ficou baixinha de novo. — É só que... bom, eu achei que... tipo assim, se você pensar bem sobre o assunto, ele é tipo o Heath para você, sabe. O Sasori. Tipo assim, ele não mora na Austrália, mas...

Minhas chances de ficar algum dia com ele eram, tipo, zero. Ela não precisava nem falar. Eu sabia o que ela estava pensando.

Só que a Hinata estava errada. Porque um dia eu ia conquistar o Sasori. Ia mesmo. Se tivesse paciência, simplesmente, e fizesse o jogo certo, ele iria olhar em volta algum dia e perceber que eu era (que eu sempre fui) a garota perfeita para ela.

Era só uma questão de tempo.

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mites-chan, seja bem-vinda :D É sempre bom receber um review de uma nova leitora. Espero que você continue acompanhando essa adaptação, e que tenha gostado desse capítulo.

Sophie Hatake, obrigada por sempre comentar *-* A Karin pega no pé da Sakura, né? Coitada da Saky mesmo... Espero que você tenha gostado desse capítulo :D

Mimi-chan, seja bem-vinda também! Que bom que você está gostando da adaptação. Espero que goste desse capítulo ;)

Taiana-chan, acho que já virou clichê eu te agradecer pelos teus comentários fofos, né? Mas, mesmo assim, obrigada :D Pois é, alguém precisa abrir os olhos da Sakura, você não acha? Ela está tão obsessiva pelo Sasori que mal enxerga o Sasuke-kun :( O Sasuke, que por sinal também não aparece nesse capítulo (chora), vai aparecer no próximo - que eu pretendo postar ainda hoje, se der tempo, ok?