Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot.
Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 12
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As dez principais indicações porquê o Sasori me ama, e não a minha irmã Karin, só que ele ainda não percebeu:
10. Sempre que ele me vê, pergunta se eu li a última edição de Arte no Japão. Ele nunca faz essa pergunta para a Karin, porque sabe que ela só le revistas de moda e a parte dos atores que vem no jornal de domingo.
9. Ele gravou um CD para mim. É verdade que só tinha música de baleia, que é o que o Sasori gosta de ouvir enquanto pinta, mas o fato de ele ter se dado ao trabalho indica que ele quer mesmo que se estabeleça uma conexão emocional entre nós.
8. Ele me pagou um cheesebúrguer duplo aquela vez em que eu esqueci a carteira.
7. Ele deixou eu comer todas as jujubas amarelas do pacotinha dele quando fomos ver o filme de Harry Potter (apesar de, tecnicamente, o Sasori ser contrário à comercialização de personagens de livros infantis; ele só foi porque o filme do Jackie Chan que estava passando no cinema ao lado estava com os ingressos lotados).
6. Teve aquela vez em que ele disse ter gostado da minha calça.
5. Ele reclama que a Karin demora muito para se maquiar. Ele me disse que prefere garotas que não usam maquiagem. Hum... exatamente eu. Bom, mas eu uso corretivo. E rímel. E gloss. Mas, fora isso, não uso maquiagem nenhuma.
4. Quando contei a ele a minha teoria a respeito de como os canhotos começaram a vida com um irmão gêmeo, ele disse que era totalmente válido; ele também é canhoto e sempre teve um sentimento de solidão no mundo. A teoria da Moegi (de que todos somos descendentes de alienígenas que caíram por acaso neste planeta e perderam todo o avançado conhecimento tecnológico quando a nave-mãe pegou fogo) não o impressionou tanto. E a teoria da Karin (de que Soda e 7-Up são a mesma bebida em embalagens diferentes) não o abalou nem um pouco.
3. Quando o Clube de Teatro precisou de voluntários para pintar o cenário de produção de Hello Dolly!, o Sasori e eu nos inscrevemos e, mais tarde, acabamos pintando o mesmo pedaço de compensado com uma imagem de rua (ele fez a borda, eu, as luzes). Se isso não é o destino, não sei o que é.
2.O Sasori é de Libra. E eu sou de Aquário. Sabe-se que librianos e aquarianos se dão bem. A Karin, que é de Peixes, deveria, na verdade, estar com um taurino ou com um capricorniano.
E a indicação número um porquê o Sasori gosta de mim e ainda não sabe:
1. Clube de luta é o livro preferido dele também. Seguido por Ardil 22 e Zen e a arte de manutenção de motocicletas.
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Na terça-feira quando a Chiyo virou a esquina e parou em frente à Igreja Fundamental de Cientologia, nem dava para ver a Capitol Cookies. Também não dava para ver a Static.
Isso porque tinha um montão de repórteres parados na esquina, esperando para me entrevistar antes de eu entrar no ateliê da Tsunade Senju.
Nem me pergunte como foi que eles descobriram o horário da minha aula de desenho. Acho que eles deduziram o horário da aula do Sasuke, já que todo mundo sabia que nós dois estávamos na mesma classe (a informação estava no jornal, para explicar porquê eu estava naquele lugar bem na hora que o Orochimaru Dosu e o primeiro-ministro também estavam).
Tanto faz. O modo como eles tinham descoberto não fazia a menor diferença. A verdade é que eu não deveria ter ficado surpresa. Tipo assim, esses repórteres estavam em todo lugar. Na frente da nossa casa. Na frente da escola. Na frente do jardim do parque quando eu cometi o erro de levar o Pakkun lá para passear. Na frente da videolocadora Potomac, pelo amor de Deus, onde quase fizeram uma emboscada para a Moegi e eu quando fomos lá devolver o filme preferido dela, Contatos imediatos do terceiro grau.
E ao mesmo tempo em que eu entendia perfeitamente que eles tinham prazos a cumprir, ou qualquer coisa assim, e que precisavam de assunto, não conseguia entender, de jeito nenhum, por que é que esse assunto tinha que ser eu. Tipo assim, eu não fiz nada além de salvar o primeiro-ministro. Não é tipo como se eu tivesse alguma coisa a dizer.
— Com licença! — gritou Chiyo. Ela estacionou em fila dupla (era bem improvável que o carro fosse ser guinchado com meia dúzia de cameramen se aglomerando por cima dele) e, protegendo a minha cabeça com a capa de chuva de oncinha dela, usou os cotovelos e a bolsa para abrir caminho no meio da multidão e entrou correndo comigo pela porta do ateliê.
— Sakura! — os repórteres gritavam enquanto nós atravessávamos a massa formado por eles.
— Como você se sente a respeito do fato de Orochimaru Dosu ter sido considerado mentalmente incapaz para ser julgado?
— Sakura! — gritou mais outro. — Em que partido os seus pais votam?
— Sakura! — outra pessoa gritou. — O país inteiro quer saber: Coca-Cola ou Pepsi?
— Kami-sama — gritou Chiyo para alguém que cometeu o erro de puxar a bolsa dela para que ficássemos um instante a mais ao alcance do microfone. — Tira a mão da bolsa! É uma Louis Vuitton, caso você não tenha reparado.
Então finalmente entramos, aos trancos, pela porta que conduz à escadaria do ateliê da Tsunade Senju...
... e praticamente atropelamos o Sasuke e o Kakashi que, aparentemente, tinham chegado ali apenas alguns segundos antes de nós, apesar de eu não ter reparado que eles estavam no meio da multidão.
A Chiyo estava tão brava por alguém ter encostado na bolsa dela que só conseguiu ficar falando uns palavrões em mandarim durante um minuto inteiro. O Kakashi, o agente do Serviço Secreto do Sasuke, tentou acalmá-la dizendo que tinha pedido reforço policial e que um guarda a levaria de volta até o carro. Além disso, os repórteres seriam contidos por barreiras no final da aula.
Olhei para o Sasuke e vi que ele estava com aquele sorrisinho secreto nos lábios de novo. Naquele dia, ele estava usando uma camiseta do Blink 182 embaixo da jaqueta de camurça, uma indicação de que o gosto musical dele não era, como o meu, tão restritivo assim. A camiseta era preta, e isso de algum modo parecia ressaltar os olhos dele mais do que nunca. Ou isso ou era a iluminação da escada, ou sei lá o quê.
— Ei! — Sasuke disse para mim, abrindo mais um pouco aquele sorrisinho de canto.
Não sei porquê, mas algo naquele sorrisinho fez meu coração dar uns pulinhos esquisitos.
Mas claro que isso era impossível. Tipo assim, eu nem gosto do Sasuke. Eu gosto do Sasori.
Daí, por algum montivo, lembrei-me da Moegi e daquela idiotice de frisson. Será que era isso? Vai ver que era. Será que frisson é quando você olha para um cara e seu coração fica todo esquisito?
A única coisa que eu podia dizer era que estava feliz pelo fato de o Sasuke não estar na Konoha High, de modo que não ouviu falar aquela coisa a respeito do nosso namoro que estavam circulando. Tipo assim, já era bem ruim ter sentido um frisson pelo cara. A última coisa que eu queria que ele soubesse era que todo mundo na minha escola também parecia saber disso.
Só a idéia de que eu poderia ter um frisson por alguém que não fosse o Sasori já me deixou com um tremendo mau humor. Ou talvez tenham sido todos aqueles repórteres. De qualquer modo, em vez de falar oi ou qualquer coisa assim para o Sasuke, eu só mandei:
—Você não fica cheio de tudo isso? — Balancei meu gesso na direção dos repórteres. — Tipo assim, é assustador, e você fica aí sorrindo.
— Você acha que a imprensa é assustadora? — perguntou Sasuke. Agora ele não estava simplesmente sorrindo. Ele dava gargalhadas. — Não foi você a garota que pulou nas costas de um louco armado?
Olhei para ele, estupefata. Não deu para evitar: percebi que o Sasuke ficava ainda melhor rindo do que simplesmente sorrindo.
Mas logo tirei da cabeça essa idéia e disse, em tom sério:
—Aquilo não foi nada assustador. Eu simplesmente fiz o que precisava fazer. Se você estivesse lá, teria feito a mesma coisa.
—Não sei não — respondeu Sasuke, pensativo.
E daí a escolta policial da Chiyo chegou e, quando ela abriu a porta para sair, qualquer chance de conversar ali na escada foi embora com os gritos dos repórteres. O Kakashi meio que empurrou nós dois escada acima, nós entramos e lá estavam os bancos, exatamente como da última (e única) vez em que eu estivera lá. A única diferença verdadeira era que não tinha mais fruta nenhuma em cima da mesinha que ficava no meio do círculo de bancos. Em vez disso, só tinha um ovo branco.
Achei que talvez a Tsunade Senju tivesse esquecido uma parte do almoço dela ou algo assim. Ou isso ou o mundo tinha enlouquecido e esqueceram de me avisar.
—Então — começou Sasuke assim que nos acomodamos no nosso banco e arrumamos o bloco de desenho e tudo o mais. — O que é que vai ser hoje? Abacaxi de novo? Ou será que você vai tentar fazer algo mais de acordo com a estação... uma abóbora, talvez?
—Será que dá para você parar de falar desse negócio de bacaxi? — pedi, meio baixinho, para ninguém mais ouvir. Não dava para acreditar que eu tinha experimentado um frisson com um garoto que só sabia tirar sarro da minha cara.
—Ah, desculpa — murmurou Sasuke, mas não parecia muito arrependido. Tipo assim, ele continuava sorrindo. —Esqueci que você era uma artista sensível e tal.
—Só porque eu não estou a fim de deixar uma ditadora artística esmagar meus impulsos criativos, isso não quer dizer que sou sensível demais — resmunguei, olhando para Tsunade Senju, que estava no tanque lavando uns pincéis.
As duas sobrancelhas do Sasuke se ergueram ao mesmo tempo.
—Do que é que você está falando?
— Da Tsunade Senju — respondi, dando um olhar torto na direção da rainha dos elfos. — Essa coisa de desenhar o que você está vendo. Que babaquice!
—Babaquice? — Afinal, ele tinha parado de sorrir. Agora ele só estava com cara de confuso. —Como assim, babaquice?
—Por que onde é que a arte estaria se o Picasso só desenhasse o que via? — cochichei.
Sasuke olhou para mim, com cara de quem não estava entendendo nada.
—O Picasso passou anos e anos desenhando só o que ele via — afirmou. — Só depois de ele conseguir dominar a habilidade de desenhar exatamente o que via, com precisão absoluta, é que começou a fazer experiências com a percepção do traço e do espaço.
Fiquei olhando para ele, atônita.
—O quê? — perguntei com ar de inteligente. Não tinha entendido nada do que ele tinha dito.
Sasuke explicou:
—Olha só, é fácil. Antes de começar a mudar as regras, a gente precisa aprender quais são. E é exatamente isso que a Tsunade está tentando ensinar para nós. Ela só quer que você aprenda primeiro a desenhar o que está vendo, antes de passar para o cubismo, para o abacaxismo ou para qualquer ismo que você escolher.
Foi minha vez de olhar para ele com cara de quem não estava entendendo nada. Isso tudo era novo para mim. O Sasori com certeza nunca tinha dito nada a respeito de conhecer as regras primeiro para depois sair quebrando-as. E o Sasori sabia tudo a respeito de quebrar as regras. Tipo assim, não era isso que ele fazia para mostrar às pessoas (como o pai dele, toda aquela gente no clube de campo e o Sr. Hashirama) como estavam erradas?
Foi aí que a Tsunade se afastou do tanque e bateu palmas.
—Certo, classe. Tenho certeza de que todo mundo ouviu falar da agitação da aula na semana passada; e a coisa foi mais agitada para algumas pessoas do que para outras. — A Shizune, a Anko e todo mundo começaram a rir e a Tsunade deu um olhar significativo na minha direção. — Mas agora todos estamos aqui de novo, inteiros, ainda bem... bom, quase. Então, vamos voltar ao trabalho, certo? Estão vendo aquele ovo? — apontou para o ovo sobre a mesinha, na nossa frente. — Hoje, quero que todos vocês pintem esse ovo. Quem não está acostumado a usar tinta pode optar por lápis de cor ou giz.
Olhei para o ovo em cima da mesa. Estava arrumado sobre um pano de seda branco. Olhei para aquele monte de lápis de cor que a Tsunade Senju largou em cima do meu banco. Nenhum era branco.
Suspirei e levantei a mão.
Bom, o que é que eu devia fazer? Tipo assim, essa mulher tinha praticamente me chantageado para que eu voltasse à aula. E daí, quando eu cheguei lá, ela nem me deu um lápis de cor branco... Como é que ela queria que eu desenhasse o que eu estava vendo? O que é que ela estava pensando? Tipo assim, sou super a favor de aprender as regras antes de quebrá-las, mas aquilo ali bem parecia fazer parte da lista de regras.
—Pois não, Sakura? — Tsunade aproximou-se do meu banco.
—Pois é... — balbuciei, abaixando a mão. — Aqui não tem nenhum lápis branco.
—Não, não tem mesmo — confirmou ela. Aí, só me deu um sorriso e começou a se afastar.
—Espera aí — pedi, consciente de que o Sasuke, sentado ao meu lado, devia estar escutando tudo. Ele parecia bastante absorto no próprio trabalho, que tinha começado assim que a Tsunade Senju terminara de falar com a classe, mas vai saber. —Como é que eu vou desenhar um ovo branco em cima de um pano branco sem um lápis branco? — Eu não queria choramingar nem nada disso. Só que não conseguia entender exatamente o que a Tsunade queria. Tipo assim, era para eu trabalhar com o espaço negativo ou algo assim? Colocar as sombras e deixar o resto branco? Ou o quê?
Tsunade Senju olhou para o ovo. Daí disse a coisa mais surpreendente que eu ouvi nos últimos tempos, e olha que eu tenho ouvido umas coisas bem surpreendentes, sendo que a última foi saber que a minha melhor amiga, Hinata, quer fazer parte da panelinha.
—Eu não estou vendo nada de branco ali — Tsunade disse educadamente.
Olhei para ela como se fosse louca. Como assim, o ovo e a folha eram tão brancos quanto... bom, tão brancos quanto uma folha de papel e um ovo.
—Hum... — murmurei. — Desculpa, não entendi.
Tsunade se abaixou, de maneira a enxergar o ovo da mesma perspectiva que eu.
—Lembre-se do que eu disse, Sakura. Desenhe o que você vê, não o que você conhece. Você sabe que aí na sua frente tem um ovo branco e uma folha branca. Mas você está mesmo vendo alguma coisa branca ali? Ou será que você está vendo a cor rosada do sol que reflete da janela? Ou o azul e o roxo que fazem a sombra embaixo do ovo? O amarelo da luz de cima, que se reflete na curva superior do ovo? O verde bem clarinho do lugar em que o pano toca na mesa? Estas são as cores que eu estou vendo. Nada de branco. Nenhum branquinho mesmo.
Para mim, não pareceu que naquele discurso todo houvesse qualquer coisa que tivesse a intenção mais remota de tirar a minha criatividade e o meu estilo natural. O Sasuke tinha ressaltado que primeiro é preciso aprender as regras para depois quebrá-las. A Tsunade Senju só estava tentando fazer com que eu enxergasse, como ela mesma disse.
Então, olhei. Olhei muito. Com mais atenção do que jamais tinha olhado para qualquer coisa.
E foi aí que vi.
Eu sei que parece idiota. Tipo assim, eu sempre fui capaz de enxergar. Minha visão é 20 por 20.
Mas, de repente, eu vi.
Eu vi a sombra roxa embaixo do ovo.
Eu vi a luz rosada do sol que vinha da janela.
Eu até vi a luz amarelada, parecia com o luar, que refletia em cima do ovo.
E daí, bem rápido mesmo, peguei o primeiro lápis que vi pela frente e comecei a desenhar.
É por isso que eu gosto de desenhar:
Quando a gente está desenhando, parece que o mundo todo à sua volta deixa de existir. É só você, a folha, o lápis e talvez uma música erudita suave de fundo, ou qualquer coisa assim, mas você não fica escutando de verdade, por estar totalmente absorta no que está fazendo. Quando se desenha, não se tem noção do tempo passando, nem do que está acontecendo à sua volta. Quando um desenho flui bem mesmo, você é capaz de se acomodar à uma da tarde e só tirar o olho do trabalho às cinco, sem nem mesmo perceber que passou assim tanto tempo, até que alguém chame a sua atenção para isso, porque ficou tão concentrada na sua criação.
Descobri que não existe nada igual no mundo. Assistir a um filme? Ler? Não mesmo. Só se a história for muito, muito boa. E pouquíssimas são. Quando a gente desenha, entra em um mundo próprio, em uma criação pessoal.
E não existe nenhum mundo melhor do que esse.
E é por isso que, quando você está totalmente imersa no desenho, e acontece alguma coisa que a obriga a sair daquele mundo, é umas cem vezes mais chato do que se você estivesse a fazer a lição de geometria ou qualquer coisa assim e a sua irmã invadir o seu quarto para pedir um frufru de cabelo ou qualquer coisa assim. Nessa situação, acho que seria quase desculpável se você assassinasse essa pessoa.
Claro que se essa pessoa for um corvo preto e enorme, você teria ainda mais desculpas para isso.
—Crááááá! — Katsu, o corvo, berrou na minha orelha ao mesmo tempo em que arrancou uma dúzias de fios da minha cabeça e depois saiu voando, fazendo barulho ao bater as assas.
Dei um grito.
Foi impossível segurar. Estava tão entretida no desenho que nem percebi o pássaro se aproximando, nem me liguei que estava armando o bote. Eu gritei, mas não porquê o que ele tinha feito doeu (mas, na verdade, doeu sim), mas porque foi totalmente inesperado.
—Katsu! — Tsunade Senju vociferou, batendo palmas. — Corvo mau! Corvo mau!
Katsu fugiu para a segurança de sua gaiola, onde largou meu cabelo e soltou, todo triunfante:
—Corvo lindo!
—Você não é nada de corvo lindo! — Tsunade Senju o corrigiu, como se ele fosse capaz de entender. —Você é um corvo muito mau.
Então, virou-se para mim e disse:
—Ah, Sakura, desculpe mesmo. Tudo bem com você?
Coloquei a mão no buraco que o Katsu tinha feito na minha cabeça. E quando fiz isso, reparei uma coisa: a luz tinha mudado. Não era mais rosada. O sol tinha se posto. Já passavam das cinco mas, para mim, parecia que só fazia dois minutos que eu tinha começado a desenhar, não quase duas horas.
—Esqueci de fechar a gaiola dele — Tsunade tentava se explicar. —Preciso lembrar de fazer isso toda vez que você estiver aqui. Não sei por que ele é tão obcecado com o seu cabelo. Quer dizer, ele é superbrilhante, mas...
Foi mais ou menos a essa altura que eu percebi que o branco ao lado do meu estava sacudindo. Olhei e vi que o Sasuke estava tendo um ataque ou qualquer coisa parecida, daí eu percebi que não era ataque nenhum. Ele estava morrendo de rir.
Ele percebeu que eu estava olhando e disse, entre uma gargalhada e outra:
—Desculpa! Juro mesmo, desculpa! Mas se você visse a sua cara na hora que aquele corvo pousou em você...
Eu sou capaz de aguentar uma piada como qualquer pessoa, mas não achei essa daí muito engraçada. Dói quando alguém (ou alguma coisa) arranca o seu cabelo. Talvez não tanto quanto alguém quebra o seu pulso, mas, mesmo assim, dói.
Sasuke, cujos ombros (que não eram tão largos quanto os do Sasori, mas ainda assim eram bastante impressionantes em relação aos ombros dos caras normais) continuavam a tremer com as risadas, prosseguiu:
—Fala sério. Você tem que reconhecer. Foi engraçado.
Claro que ele estava certo. Tinha sido engraçado.
Mas, antes que eu tivesse oportunidade de fazer a minha confissão, a Tsunade Senju já estava do meu lado, olhando o meu desenho. Já que ela estava olhando, resolvi olhar também. É claro que era exatamente isso que eu tinha feito a tarde inteira. Mas aquela foi a primeira oportunidade que tive de me afastar e ver mesmo o que eu tinha feito.
E não dava para acreditar no que estava na frente dos meus olhos. Era um ovo branco. Em cima de um retalho de seda branco. Era igualzinho ao ovo branco em cima do tecido branco na minha frente.
Mas eu não tinha usado nem um pouquinhozinho de branco.
—Pronto — exclamou Tsunade, com a voz satisfeita. — Você conseguiu. Eu sabia que conseguiria.
Então, distraída, deu uns tapinhas na minha cabeça, bem no lugar dolorido de onde o corvo tinha arrancado uns fios.
Mas não doeu. Não doeu nadinha. Porque eu sabia que a Tsunade estava certa: eu tinha conseguido.
Finalmente, eu tinha começado a ver.
