Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot.
Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 13
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As dez principais funções da embaixadora teen do Japão como eu, Sakura Haruno, entendo:
10. Ficar no escritório do secretário de imprensa do Palácio do Governo e ouvir ele ficar falando a respeito de como a taxa de aprovação do primeiro-ministro subiu depois da tentativa de assassinato frustado contra ele.
9. Também precisava ouvir o secretário de imprensa ficar resmungando a respeito de como a prefeitura está reclamando de todos os guardas que tem de enviar para a minha casa para afastar a imprensa e porque é que eu não vou logo a um programa como Dateline ou 60 Minutos, dou minha entrevista e coloco um ponto final no assunto. Daí, quando mostrarem aquilo um milhão de vezes, todo mundo vai enjoar de mim e vai me deixar em paz.
Total. Como se eu tivesse alguma coisa interessante a dizer para os telespectadores japoneses. Até parece.
8. Entregar fotocópias das regras e regulamentações da exposiçaõ de arte internacional Da Minha Janela para todos os meus amigos artistas, e olha que eu só tenho um, namorado da minha irmã e minha alma gêmea, Sasori Akasuna.
7. Autografar fotos minhas para crianças que escrevem pedindo uma foto autografada minha. Mas devo dizer que está além da minha compreensão porquê alguém ia querer uma foto minha para colocar na parede do quarto.
6. Ler as cartas enviadas pelos meus fãs (depois de terem sido passadas por scanners e de terem sido examinadas para assegurar que não contenham lâminas de barbear nem explosivos). Uma enorme parcela da população parece sentir a necessidade de me escrever para dizer que me acha incrivelmente corajosa. Algumas dessas pessoas até mandam dinheiro. Infelizmente, todo o dinheiro é colocado imediatamente em uma caderneta de poupança para pagar a minha faculdade, de modo que não dá para eu comprar nenhum CD com ele.
Também acho que recebo um monte de cartas de tarados, mas ninguém as mostra para mim. O secretário de imprensa gurada essas cartas em um arquivo especial e nem me deixa mostrar à Hinata.
5. Apesar de a sede da ONU no Japão ser em Tóquio, ninguém deu a menor indicação de que vão me mandar para lá. Tipo assim, para Tóquio. Aparentemente, ir até a sede da ONU na verdade não faz parte da lista das dez prioridades da embaixadora teen na ONU.
4. Ficar jogando uma bolinha de borracha na parede do gabinete do secretário de imprensa porque isso ajuda a fazer com que o tempo passe enquanto eu estou presa lá: é onde eu passo todas as tardes de quarta-feira, apesar de isso não ser, tecnicamente, uma das funções da embaixadora teen na ONU e só servir para encomodar o secretário de imprensa e a equipe dele. Ele acabou confiscando a bola e disse que eu a teria de volta quando meu mandato de embaixadora teen acabasse. Aparentemente, o pessoal do gabinete não sabe que dá para comprar uma bola dessas ali na esquina, por menos de um dólar.
3. Os embaixadores teens na ONU não devem ficar perambulando pelos corredores do Palácio do Governo, por mais que conhecem o lugar, já que podem, sem querer, interromper uma cúpula de negociações de paz enquanto procuram o Salão da Prataria Dourada para ver se por acaso lá tem algum retrato de Saya Haruno.
2. É altamente recomendável que os embaixadores teens na ONU não se vistam inteiramente de preto, já que isso, de acordo com o secretário de imprensa do Palácio do Governo, pode passar ao público a impressão de que a embaixadora teen do Japão é adepta de bruxaria.
E a função número um da embaixadora teen do Japão na ONU, pelo que eu pude perceber é:
1. Ficar sentada imóvel. Ficar quietinha. E deixar o secretário de imprensa trabalhar.
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—Ele aceitou!
Foi assim que Hinata me cumprimentou na quinta-feira de manhã, na escola. Eu tinha acabado de precisar abrir caminho através de uma multidão de cem repórteres para ir do carro até a entrada da Konoha High, de modo que, é preciso admitir, meus ouvidos ainda estavam meio que apitando por causa de tanta gritaria ("Sakura, o que você acha da situação no Oriente Médio?", "Coca ou Pepsi, Sakura?", etc.). Mas eu estava bem certa de que a Hinata tinha dito aquilo mesmo.
—Quem aceitou o quê? — perguntei quando ela começou a me acompanhar até o meu armário.
—O Naruto! — A Hinata ficou meio ofendida por eu não ter lembrado. — Da Igreja! Ou do Fliperama Beltway. Mas tudo bem, não faz mal. O negócio é que eu o convidei para sair e ele aceitou!
—Uau, Hina — respondi. — Muito bem!
Só que eu não falei de coração. Bom, sim e não. E não foi nada muito legal da minha parte, acho, e eu nunca teria coragem de dizer isso em voz alta, nem nada assim. Mas a verdade era que, por mais feliz que eu estivesse pelo fato de a Hinata ter marcado um encontro com um cara, eu me sentia meio estranha em relação à coisa toda. Tipo assim, aquilo que ela fizera (ligar para um cara e convidá-lo para sair) parecia, para mim, muito mais corajoso do que o que eu tinha feito (tipo assim, evitar que um cara assassinasse o primeiro-ministro). Tudo que eu tinha arriscado era a minha vida... que, se eu tivesse perdido, não seria lá grande coisa porque, sabe como é, eu estaria morta e nem saberia do que aconteceu.
A Hinata tinha arriscado muito mais do que eu: o próprio orgulho.
A verdade era que eu provavelmente nunca ia ter peito para convidar o cara dos meus sonhos para sair. Tipo assim, para começar ele era namorado da minha irmã. Além do mais, bom, e se ele não aceitasse?
—Tudo bem se eu falar para a minha mãe que vou dormir na sua casa? — Hinata quis saber. — Tipo assim, eu sei que eles gostam do Naruto, tipo assim, minha mãe e meu pai, mas eles acham, que 15 anos não é a idade certa para começar a sair com garotos.
—Claro — respondi. — Depois que vocês terminarem o programa, você pode ir lá para casa. E se você quiser alguma roupa emprestada... sabe como é, se você achar que não tem nada legal no armário... passa lá antes de sair e a gente deixa a Karin dar um jeito no seu visual. Você sabe que ela adora fazer essas coisas.
O rosto da Hinata brilhava. Nunca a vi tão feliz. Foi bem legal. Tipo assim, apesar de eu estar com inveja e tal, não podia evitar estar feliz por ela.
—Ah, Sakura, você está falando sério? — Hinata gritou. — Seria maravilhoso!
—Vai ser legal. Então, o que é que vocês dois vão fazer? — perguntei. — Tipo assim, na grande noite.
Hinata olhou para mim como se eu fosse caso de internação.
—Nós vamos à festa da Ino, claro — respondeu. — Dãh. Para o que você acha que eu o convidei?
Àquela altura, eu estava colocando a combinação para abrir o cadeado do meu armário. Mas quando a Hinata falou aquilo (sobre a festa da Ino) os números (15, minha idade atual; 21, a idade que eu gostaria de ter; e 8, a idade que eu nunca mais quero ter) sumiram da minha cabeça.
—À festa da Ino? — eu meio que me pendurei no cadeado e fiquei olhando para ela. — Você vai levar o Naruto à festa da Ino?
—Vou — confirmou Hinata, ignorando alguém que tinha passado por ali e, ao ver a saia comprida dela, gritara: "Ei, onde é que é a quadrilha?"
—Claro que convidei, Saky — repetiu ela. — A gente vai, não vai? Você e eu e o Naruto e o Sasuke?
—O quê? — agora eu não tinha esquecido só a combinação do cadeado. Tinha esquecido o meu horário de aulas, o que tinha comido no café da manhã, tudo. Estava em estado de choque. — Hinata, você está chapada? Eu nunca disse que ia à festa da Ino. Na verdade, eu me lembro bem de ter dito que não iria bem se o Orochimaru Dosu quebrasse os meus dois braços.
O rosto de Hinata, que um instante antes estivera brilhando igual a uma moeda novinha, se contorceu de decepção e (acho que não estou errada ao dizer) de dor. É, dor de verdade.
—Mas Sakura — ela gritou. — Você tem que ir! Eu não posso ir à festa da Ino sem você! Eu sei que a Ino só me convidou porque achava que você ia...
—É, e a Ino só me convidou porque ela acha que eu ia levar comigo um monte de repórteres e que ela ia aparecer na TV. Sem contar que ela achou que eu ia levar o Sasuke. — Não dava para acreditar que a Hinata estava tentando me aprontar uma coisa daquelas. A Hinata, minha melhor amiga desde a terceira série! — E eu não vou fazer nada disso. Porque eu não gosto do Sasuke desse jeito. Lembra?
—Saky, não dá para ir sem você — Hinata choramingou. — Tipo assim, se eu aparecer na casa da Ino sem você, o pessoal vai ficar tipo: "O que é que você está fazendo aqui?"
—Bom, você deveria ter pensado nisso antes — respondi, escancarando a porta do armário (eu finalmente tinha conseguido lembrar a combinação). — Antes de convidar o Senhor Pontuação Mais Alta em Death Squad para ir com você.
—Death Storm — Hinata me corrigiu, com os olhos perolados brilhando. — E eu não teria nem convidado se achasse que você falou sério quando disse que não ia.
—Eu disse que não ia. Está lembrada? E vê se se liga, a minha mãe e o meu pai zicaram a festa total. Nem a Karin tem permissão para ir.
—Eu sei — respondeu Hinata. — Mas ela vai de qualquer jeito. Você sabe que ela vai. Ela vai simplesmente dizer para eles que vai a outro lugar qualquer.
—Mas isso não conserta nada. Além disso, eu ainda estou a perigo por causa daquele negócio de tirar nota baixa em alemão. Tipo assim, não acho que eles estão pegando no meu pé totalmente...
—Saky — Hinata me interrompeu, com a voz meio esquisita, como se estivesse entupida. — Você não saca? Por causa do que você fez... ter salvado o primeiro-ministro daquele jeito... agora tudo vai ser diferente para nós.
Ela olhou em volta para assegurar-se de que ninguém estava ouvindo, deu um passo na minha direção e disse, com uma voz baixinha e aflita:
—Nós não precisamos ser rejeitadas. É a nossa chance de sair com os amigos da Karin. Finalmente temos a chance de saber o que é ser a Karin. Você não quer que isso aconteça, Sakura? Você não quer saber como é estar na pele da Karin?
Olhei para ela como se estivesse louca.
—Hina, você sabe muito bem o que é estar na pele da Karin — respondi. — É ficar dando saltos mortais de costas, na chuva, durante jogos de beisebol; ler só revistas de moda; e ficar separando os cílios com um alfinete.
Como eu já tinha pegado todos os cadernos de que precisava e tinha guardado meu casaco, bati a porta do armário e conclui:
—Desculpa, mas tenho coisa melhor para fazer.
—Tá — Hinata disse com os olhos tão brilhantes porque, eu afinal percebi, estavam cheios de lágrimas. — Tudo bem. Isso tudo é muito bom para você. Mas e eu, Saky? Tipo assim, a Ino nunca perdeu tempo para descobrir como é na verdade a garota que está dentro dessas roupas idiotas. — Hinata pegou a saia de florzinha. — Bom, essa é a minha chance, Saky. Minha chance de mostrar a todo mundo que existe uma pessoa de verdade aqui dentro. Essa é a única vez que eles podem prestar um pouco de atenção. Só estou pedindo para você me dar essa chance.
Fiquei olhando para ela. O sinal já tinha tocado, mas eu não me mexi. Eu estava paralisada.
—Hinata — comecei, mais chocada com o que ela tinha dito do que com as lágrimas que acompanharam o discurso. — Você... tipo assim, você liga mesmo para o que eles dizem?
Ela ergueu a mão para enxugar as bochechas com um lencinho rendado.
—Ligo — respondeu. — Tá bom? Ligo sim, Sakura. Eu não sou igual a você. Eu não sou corajosa. Eu ligo para o que as pessoas pensam de mim. Está certo? Eu ligo. E só estou pedindo para você me dar essa chance de...
—Tudo bem — concordei, finalmente.
Hinata olhou para mim, piscando os dois olhos cheios de lágrimas:
—O q-q-quê?
—Tudo bem. — Eu não estava nada feliz com aquilo, mas o que é que eu podia fazer? Ela era a minha melhor amiga. — Tudo bem, eu vou. Tá certo? Se é tão importante assim para você, eu vou.
Um sorriso foi se espalhando devagarzinho no rosto da Hinata. Os olhos perolados dela estavam felizes de novo.
—É mesmo? — disse e deu um pulinho. — É mesmo, Sakura? Você está falando sério?
—Estou — respondi. — Tudo bem? Estou falando sério.
—Ahhh! — Hinata jogou os dois braços em volta do meu pescoço e me deu um apertão de alegria. Então se afastou e disse: — Você não vai se arrepender! Você vai se divertir muito, juro! Tipo assim, o Sasori vai estar lá!
E daí saiu correndo pelo corredor, porque estava atrasada para a aula de biologia.
Eu também deveria ter saído correndo, já que estava atrasada para a aula de alemão. Mas, em vez disso, só fiquei parada ali, pensando no que é que tinha me metido.
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Ainda estava perdida nos meus próprios pensamentos quando entrei no ateliê da Tsunade naquela tarde, sentei no meu banco e vi o que estava lá me esperando.
Isso porque havia, em cima do meu banco de desenho, um capacete militar escuro, salpicado de margaridas de corretivo.
—Gostou? — Sasuke quis saber. Ele estava dando aquele sorrisinho de canto de novo. E, pela segunda vez em dois dias, a visão daquele sorriso provocou algo em mim. Parecia fazer com que meu coração pulasse dentro do peito. Frisson?
Ou será que era o burrito que eu tinha comido no almoço?
—Achei que uma garota como você precisava exatamente disso — disse Sasuke. — Sabe como é, já que você está sempre sendo atacada por corvos e assassinos armados.
Não podia ser azia de estômago. Era muita coincidência que o meu coração tivesse dado aquele pulo esquisito bem na hora que o Sasuke sorriu para mim. Algo mais estava acontecendo. E era uma coisa de que eu não estava gostando nadinha.
Tentando ignorar o coração disparado, coloquei o capacete. Era grande demais para mim, mas não fez mal, porque eu tinha muito cabelo para esconder.
—Obrigada — respondi, tentando enxergar por baixo da aba do capacete. Eu estava emocionada (emocionada mesmo) por ele ter se dado ao trabalho de fazer aquilo. Era quase tão legal quanto ter o nome gravado em um parapeito de janela no Palácio do Governo. — Ficou perfeito.
E tinha ficado perfeito mesmo. Naquele dia, quando o Joe pulou no meu ombro para interromper meu desenho eu nem liguei, porque dessa vez não me machucou. Na verdade, ele só ficou parado lá, com uma cara meio atrapalhada, dando umas bicadas no capacete e soltando uns assobios de interrogação. Daquela vez, estávamos retratando uma peça de carne crua que a Tsunade tinha trazido do açougueiro, dizendo que, depois de ter encontrado as cores de um ovo branco na terça-feira, nosso desafio de hoje era desenhar um objeto que contivesse todas as cores do arco-íris, mas sem perder o todo de vista.
A turma inteira riu do pássaro, até o Sasuke. Ele parecia ser o tipo de cara que não deixava que nada o incomodasse. Parecia ser o tipo de cara que saberia lidar com uma centena de Ino Yamanakas.
Que é a única razão que eu consigo encontrar para explicar porquê, logo antes de nos levantarmos para colocar os desenhos na janela na hora da crítica, eu me inclinei na direção dele e falei bem baixinho (tão baixinho que achei que ele não seria capaz de me ouvir, com o meu coração batendo tão alto):
—Ei, Sasuke. Você quer ir comigo a uma festa no sábado à noite?
Ele pareceu surpreso. Durante uma fração de segundo, achei que ele fosse dizer não.
Mas não foi nada disso que ele fez. Sorriu e disse:
—Claro, por que não?
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Fiquei sexta e sábado sem postar porque fui viajar nesse feriado, ok? Mas, pra vocês não sofrerem de abstinência da fic, tinha postado dois capítulos na quinta. Olha que boazinha que eu sou kkk
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Taiana-chan, algo me diz que você deve ter gostado desse capítulo... Principalmente do final. Sasuke-kun 3 Muito obrigada por sempre comentar! Se todos os leitores fossem como você...
Mimi-chan, verdade, alguém precisa abrir os olhos da Sakura. Ela só enxerga o Sasori. Mas, talvez com esse convite para a festa as coisas comecem a mudar... O que você acha? Muito obrigada por comentar!
Sophie Hatake, também acho que com um Sasuke-kun tão fofo por perto, a vida é só alegria. Mas a Sakura ainda precisa enxergar isso, né? Muito obrigada por comentar! Espero que você tenha gostado desse capítulo ;)
Jaque, eu também acho que não arriscaria minha vida para salvar os políticos do Brasil... Mas enfim, muito obrigada por comentar! Fico feliz que a fic te faça rir. Espero que esse capítulo tenha te deixado feliz :D
Evinha, nem sei como agradecer pelo teu big comentário :D Só posso dizer que fiquei muito feliz pelo seu review! Você sempre comenta em De Volta (adoro seus comentários lá) e fico muito feliz por você estar gostando dessa adaptação. O Sasuke é fofo aqui, né? Achei que o mocinho do livro (que se chama David) lembrava o Sasuke em relação aos sorrisos misteriosos, e o jeito meio sarcástico dele para tirar sarro da protagonista. Ele me lembrava o Sasuke do clássico. Muito obrigada por comentar! Espero que você tenha gostado desse capítulo.
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Para quem acompanha De Volta, pretendo postar um capítulo novo ainda hoje, se der tempo ;D
