Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot. Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 20
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As dez principais razões porquê é bem provável que eu morra jovem (não que isso seja uma tragédia tão grande assim, sob as atuais circunstâncias):
10. Eu sou canhota. Estudos mostram que os canhotos morrem de dez a 15 anos antes do que os destros, já que o mundo inteiro — carros, carteiras de colégio, caixas automáticos —, tudo é feito para quem escreve com a mão direita. No final, depois de um tempo, nós, canhotos, simplesmente desistimos de lutar e nos entregamos, em vez de tentar, pela última vez, escrever alguma coisa em um caderno espiral, com aquele monte de arame espetando o nosso pulso.
9. Eu sou ruiva. As ruivas têm 85% mais chance de desenvolver um câncer de pele fatal do que qualquer outra pessoa no planeta.
8. Eu sou baixinha. As pessoas baixas morrem antes das altas. Esse é um fato amplamente conhecido. Ninguém sabe porquê, mas eu pressuponho que tenha algo a ver com o fato de que os baixinhos como eu não conseguem alcançar potes de antioxidantes vitais no Centro de Nutrição Geral, porque eles sempre estão nas prateleiras altas.
7. Não tenho ninguém para chamar de meu. É sério. As pessoas que têm relações românticas simplesmente vivem mais do que as solteiras.
6. Moro em área urbana. Estudos mostram que pessoas que moram em áreas de alta densidade populacional, como Konoha, têm a tendência de perecer antes do que as pessoas que moram no interior, graças à maior emissão de substâncias cancerígenas, como fumaça de ônibus, e balas perdidas, vindas de guerras entre gangues urbanas.
5. Como muita carne avermelhada. Você sabe qual é o grupo de pessoas que vivem mais, entre todos? Isso mesmo, é esse pessoal meio tribal que vive em lugares tipo a Sibéria, ou qualquer coisa assim, que só come iogurte e gérmen de trigo. Nem acho que sejam vegetarianos; só acho que não conseguem encontrar nenhuma vaca porque todas morreram congeladas. Mas, sei lá, todos vivem até, tipo, uns 120 anos.
Eu não suporto iogurte. E nem vou falar de gérmen de trigo. E como hambúrguer pelo menos uma vez por dia. E comeria ainda mais, se tivesse alguém para fazer para mim. Já morri, então.
4. Sou a filha do meio. Os filhos do meio morrem antes do que os irmãos mais velhos e do que os mais novos porque são rotineiramente ignorados. Eu nunca vi nenhuma aprovação documentada disso, mas tenho certeza de que é verdade. É uma reportagem que está aí, só esperando ganhar destaque em um programa jornalístico desses.
3. Não tenho filiação religiosa. Meus pais ignoram completamente a nossa educação religiosa, graças à escolha egoísta deles de ser agnósticos. Tipo, só porque eles não têm certeza a respeito da existência de Deus, nós não podemos ir à Igreja. E existem estatísticas comprovando que quem vai à Igreja vive mais do que quem não vai.
E onde é que vão fazer a minha missa de sétimo dia quando eu morrer? Eu gostaria que os meus pais pensassem nessas coisas antes de vir com essa de "é melhor deixar as crianças escolherem sozinhas no que elas querem acreditar". Eu posso muito bem morrer antes de ter a oportunidade de explorar todas as minhas opções religiosas. Apesar de no momento eu estar muito inclinada ao hinduísmo, porque me ligo bastante em reencarnação. Por outro lado, duvido que consiga parar de comer carne, e isso pode ser um problema.
2. Tenho um cachorro. Mas, se as pessoas têm animais de estimação geralmente vivem mais do que quem não tem, são os donos de gatos que vivem mais. É totalmente possível que, graças ao Pakkun ser cachorro, eu morra de cinco a dez anos antes do que se ele fosse gato.
E a razão número um por que é bem provável que eu morra jovem:
1. Meu coração está despedaçado.
Está mesmo. Todos os sinais estão aí. Não consigo dormir, não consigo comer... nem hambúrguer. Toda vez que o telefone toca, meu coração dispara... mas nunca é para mim. Nunca é ele.
Sei que a culpa é toda minha... fui eu quem estraguei tudo. Mas isso não torna as coisas menos piores. Se a ferida foi feita por mim mesma ou não, ela está lá do mesmo jeito.
E a verdade é que os seres humanos não funcionam direito de coração partido. Tipo assim, claro que dá para viver sem o Sasuke. Mas que tipo de vida seria essa? Tipo uma vida vazia. Tipo assim, o amor me apresentou uma oportunidade perfeita, e eu estraguei tudo. ESTRAGUEI TUDO! Apesar de os meus olhos estarem abertos, eu não estava enxergando. Foi por isso. Eu não estava enxergando absolutamente nada.
Acho que tenho umas duas semanas de vida.
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Fiquei lá parada na porta da Tsunade Senju, me sentindo a maior babaca. Mas como eu passei a vida inteira me sentindo a maior babaca, não era nenhuma novidade.
Por outro lado, eu geralmente me sinto babaca sem nenhuma razão específica. Dessa vez eu tinha uma boa razão para me sentir babaca.
E a razão tinha a ver com o fato de eu estar parada na porta da Tsunade, sem ter sido convidada, e provavelmente indesejada, em uma tarde de domingo, esperando alguém atender à campainha, só que não aparecia ninguém.
E parecia que, se alguém surgisse, ficaria tipo: "Hum, você não sabe que, antes de ir à casa dos outros, precisa ligar para avisar?"
E a pessoa teria todo o direito de dizer isso, porque era claro que eu não tinha ligado antes. Mas daí eu tinha medo que, se ligasse antes, a Tsunade poderia ter ficado tipo: "Não dá para esperar até terça, para a gente conversar na aula, Sakura?"
Mas não dava para esperar até terça. Eu precisava falar com a Tsunade naquele dia. Porque meu coração estava partido, e eu precisava que alguém me dissesse o que fazer. Minha mãe e meu pai eram inúteis. Aquela coisa toda apenas parecia confundi-los. E a Karin também não prestava, Ela só mandou: "Coloca uma sainha justa e vá lá pedir desculpa. Credo, qual é a sua, é retardada?" A Moegi simplesmente apertou os lábios e disse: "Eu avisei." E a Chiyo ainda estava na casa do Asuma. Nem adiantava perguntar para a Hinata. Na cabeça dela só tinha o Naruto.
De modo que eu estava lá, parada na porta da frente da Tsunade Senju sem ter ligado antes. Era muito mais difícil se recusar a receber quando a pessoa já está lá parada na sua porta, do que quando ela liga. Eu sei disso por causa de todos os repórteres que têm tentado falar comigo.
Realmente, não existe sensação pior do que ficar lá parada, esperando alguém atender à campainha, quando você sabe que quem abrir a porta provavelmente vai bate-la de novo na sua cara...
Mas eu tinha que levar alguma coisa. Tipo assim, não dá para aparecer na casa de alguém sem ter sido convidada e nem levar um presente. É isso aí, preciso admitir, o pão era meio que um suborno. Porque eu nunca ouvi falar de ninguém que recusasse uma baguete da Mulher do Pão. Eu torcia para que a pessoa que atendesse a porta sentisse o cheirinho e ficasse toda: "Ah, entre, por favor."
E também não foi nada fácil colocar a mão nesses pãezinhos: foi um inferno. Precisei acordar extra-cedo para arrastar o Pakkun em seu passeio matinal na direção oposta à que costumávamos ir, e ele não gostou nadinha. Ficou tentando me arrastar na direção do parque, e eu ficava puxando a coleira dele na direção da casa da Mulher do Pão. Meus braços ficaram doendo durante todo o resto do dia. Acho que o Pakkun pesa quase o mesmo que eu.
Também acontece que a Mulher do Pão não acorda antes das oito aos domingos. Ela atendeu à porta com um penhoar muito decotado (para uma senhora casada).
Mas ela não pareceu achar estranho eu ter ido lá bater na porta da casa dela para encomendar pão para o fim da tarde. Na verdade, pareceu até ficar feliz ao descobrir que alguém gostava tanto assim do pão dela.
E entregou a encomenda na hora, ainda bem. Cinco pães franceses, dourados e fumegantes, do tippo que não se acha em lugar algum em Konoha. O cheirinho quase me deixou com fome. Mas só quase. Parece que gente de coração partido nunca tem apetite.
Daí, é claro que eu tive que me virar para pegar o metrô com cinco pães quentinhos, recém-saídos do fornom na mochila, que mal fechava. Uma experiência que eu prefiro não ter que repetir.
Especialmente porque a National Geographic Society Júnior estava visitando a cidade e os trens estavam lotados com um monte de famílias do Oeste do país, cada uma com uns dez filhos, todos usando camisetas amarelas onde se lia: "Pergunte-me sobre o campeonato da National Geographic Society Júnior" (algo que eu fiz questão de não perguntar).
Mas todas aquelas criancinhas viravam-se para a mãe e perguntavam: "Mamãe, por que aquela garota está carregando tanto pão?".
E a resposta dos pais era mandar todo mundo ficar quieto. Por sorte, ninguém me reconheceu como a garota que tinha salvado a vida do primeiro-ministro, porque eu estava usando um boné de beisebol da Karin, do time da escola, com todo o meu cabelo enfiado para dentro.
Ainda assim, um dos vencedores do concurso da National Geographic Society Júnior ficou me olhando cheio de suspeita durante um bom tempo, depois se virou para a amiga e cochichou alguma coisa no ouvido dela, que também olhou para mim e daí disse algo para a mãe.
Por sorte, quando o trem chegou à estação que era mais perto de onde a Tsunade morava, eu saí rapidinho e deixei os membros da National Geographic Society Júnior à sua própria sorte, seja qual fosse.
Era uma boa caminhada da estação de metrô até a casa da Tsunade, mas aproveitei o tempo para pensar nas minhas desgraças, que eram muitas. Quando cheguei à grande casa azul com as balaustradas da varanda caiadas, com um monte de sinos de vento pendurados, já estava praticamente chorando.
Bom, e por que não estaria? Nada além do desespero total teria me forçado a pedir conselhos para a Tsunade. Tipo assim, umas duas semanas antes, eu odiava totalmente a mulher. Ou pelo menos eu não gostava muito dela.
Mas daí eu senti que ela era a única pessoa que eu conhecia que poderia me dizer o que eu tinha feito para acabar com a minha vida daquele jeito e como eu poderia remediar a situação. Tipo assim, ela tinha me ensinado a enxergar: talvez pudesse me ensinar como lidar com tudo que eu estava enxergando, agora que eu tinha aberto os olhos.
Mas eu precisava reconhecer que, apesar dessa convicção, quando finalmente ouvi passos (e os grasnados do Katsu) vindo na minha direção, de dentro da casa, senti uma certa vontade de sair correndo.
Mas, antes que eu pudesse dar no pé, vi a cortininha de renda na janela ao lado da porta de entrada afastar-se um pouco para o lado, revelando um dos olhos cor de mel da Tsunade. Daí ouvi as fechaduras da porta abrindo. Quando dei por mim, a Tsunade estava parada na porta, olhando para mim, com um avental salpicado de tinta e o cabelo loiro e comprido preso em duas tranças que escorriam pelos lados da cabeça.
—Sakura? — exclamou, surpresa. — O que é que você está fazendo aqui?
Tirei a mochila das costas e logo mostrei os pães para ela:
—Eu estava aqui perto, então pensei em dar uma passada para dar um oi. Você quer um pouco de pão? É bom demais. É uma senhora da minha rua que faz.
Tudo bem, reconheço: era o maior papo furado. Só que eu não sabia como agir. Tipo assim, eu nem deveria ter ido até lá. Era insano eu ter ido. Idiota e insano. Tipo assim, o que é que a Tsunade Senju tinha a ver com os meus problemas? Ela só era minha professora de desenho, tenha dó. O que é que eu estava fazendo, procurando a professora de desenho para pedir conselhos sobre a vida?
Empoleirado no ombro da Tsunade, Katsu grasnou seu cumprimento de praxe, "Oi Katsu! Oi Katsu!", para mim. Acho que ele não me reconheceu com o cabelo escondido embaixo do boné.
Tsunade esboçou um sorriso e fez um sinal:
—Então entra, Sakura. Muito gentil da sua parte, hum, passar aqui... trazendo pão.
Entrei na casa da Tsunade e não me surpreendi, ao cruzar a propriedade, que era mobiliada de maneira muito parecida com a do ateliê. Tipo assim, tinha um monte de móveis antigos e com aparência confortável, mas o que mais tinha lá eram telas apoiadas em todas as paredes e mais do que um leve cheiro de terebintina no ar.
—Obrigada — murmurei, entrando e tirando o boné. Assim que tirei, Katsu se lançou do ombro da Tsunade para o meu, gritando "Corvo lindo! Corvo lindo!".
—Katsu — fez Tsunade, com ar ameaçador. E depois me convidou para ir até a cozinha tomar uma xícara de chá.
Fingi que não queria atrapalhar nem nada e disse que sentia muito por estar incomodando e que só ficaria um minuto. Mas a Tsunade simplesmente olhou para mim com um sorriso e eu não tive outra escolha a não ser ir atrás dela até a cozinha clara como a luz do sol, pintada de azul. Ela insistiu em fazer um chá, e nem foi em uma xícara no microondas, mas à moda antiga, com uma chaleira no fogão. Enquanto a água fervia, ela examinou as baguetes que eu tinha levado e pareceu muito satisfeita. Pegou manteiga e um pote de geléia feita em casa e colocou em cima da mesa de açougueiro que ficava no meio da ampla cozinha antiquada. Daí tirou um pedaço da ponta de uma das baguetes, só para experimentar, e pareceu ficar muito surpresa com a casca, que já estava bem amanteigada mesmo antes de ela passar alguma coisa ali, derreteu na boca.
—Que gostoso — elogiou. — Esse pão é ótimo. Não como pão francês assim, para falar a verdade, desde a última vez que estive em Paris.
Fiquei contente ao ouvir isso. Fiquei olhando enquanto ela pegou mais um pedaço e comeu.
—Então, — esbocei — como foi o seu Dia de Ação de Graças? – Parecia uma coisa besta de se perguntar, assunto de gente chata, e não de artista. Mas o que mais eu poderia ter dito? E, por sorte, ela não pareceu ficar ofendida.
—Foi bom, obrigada – respondeu ela. — E o seu?
—Ah, – repeti — foi bom.
Rolou um silêncio. Não muito desconfortável, mas sabe como é. Era um silêncio. Só quebrado pelo som da chaleira que começava a ferver, e Katsu murmurando e passando o bico por entre as penas, tremendo um pouco.
Daí, a Tsunade declarou:
—Tenho uma idéia para o ateliê no verão.
—É mesmo? — eu disse, aliviada por alguém falar alguma coisa.
—Mesmo. Estou pensando em deixar o ateliê aberto todos os dias, das dez às cinco, para pessoas como você e o Sasuke poderem ir lá e ficar desenhando o dia inteiro, se quiserem. Tipo como se fosse um acampamento de arte, ou qualquer coisa do gênero.
Eu não disse nada, mas duvidava que o Sasuke iria aparecer... se soubesse que eu estaria lá. Em vez disso, só exclamei:
—Ótimo!
Foi bem aí que a chaleira começou a apitar. A Tsunade se levantou e preparou o chá. Daí me deu uma caneca azul-escura que tinha escrito "Van Gogh". Depois de acomodar-se à mesa de açougueiro, segurou uma caneca com as duas mãos, de modo que o vapor envolveu o rosto dela em espirais esfumaçadas.
—Então, por que você não me diz o que é que você veio realmente fazer aqui em um domingo à tarde, Sakura?
Considerei a possibilidade de, sabe como é, não contar nada. Pensei em enrolar, dizendo: "É sério, estou indo para a casa da minha avó" ou qualquer outra coisa do tipo.
Mas algo no jeito como ela olhava para mim fez com que eu fosse honesta. Não sei o que foi mas, de repente, sentada lá, mexendo no papelzinho da ponta da cordinha do saquinho de chá, despejei toda a história. Simplesmente saiu, espalhando-se pela mesa do açougueiro, com o Katsu empoleirado no meu ombro e uns acordes de música erudita tocando baixinho em algum lugar da casa.
E quando eu acabei de botar tudo para fora (tudo, a respeito do Sasuke, do Sasori, do concurso Da Minha Janela, da Lin Kato e do pai do Sasuke), concluí:
—E, além de tudo isso, na noite passada eu descobri que o único filho da Saya Haruno que não morreu quando era bebezinho foi do primeiro marido dela. Ela nem teve filhos com o Hikaru Haruno. De modo que não é minha parente. Nem de muito, muito longe.
Depois de acabar meu longo discurso, fiquei lá sentada olhando para o chá. Não dava para enxergar muito bem, porque meus olhos estavam meio úmidos. Mas eu estava decidida a não chorar. Chorar teria sido completamente ridículo, ainda mais ridículo do que andar de metrô com cinco pães franceses saindo da mochila.
A Tsunade, que tinha escutado, em silêncio, enquanto eu recitava todos os meus dramas, tomou um gole de chá e murmurou, com a voz muito calma:
—Mas, Sakura. Será que você não percebe? Você sabe exatamente o que precisa fazer. O Sasuke já deixou bem claro.
Ergui o olhar da caneca de chá e olhei para ela, do outro lado da mesa. No meu ombro, o Katsu pegou uma mecha do meu cabelo e ficou lá fingindo que só estava segurando assim, sem maiores intenções, mas nós dois sabíamos que, quando ele achasse que eu não estava prestando atenção, ele tentaria arrancá-la e fugir.
—Como assim? – perguntei. — O Sasuke disse que não ia falar com o pai sobre a Lin Kato. Só isso.
—Ele disse isso, sim – explicou Tsunade. — Mas você não escutou de verdade, Sakura. Existe uma diferença entre ouvir e escutar, assim como há uma diferença entre ver e conhecer.
Está vendo? É por isso que eu sabia que eu tinha que ir até lá. Eu não sabia disso. Tipo assim, da diferença entre ouvir e escutar.
—O Sasuke — prosseguiu Tsunade — disse que você tem direito à liberdade de expressão como qualquer outro americano.
—É – respondi. —E daí?
—Daí — e a Susan falou com uma ênfase que eu não entendi — você tem direito à liberdade de expressão, Sakura. Como qualquer outro japonês.
—Tá – respondi. — Essa parte eu entendi. Mas não sei o que isso tem a ver com...
E daí, de repente, entendi. Não sei como nem porquê. Mas, de repente, caiu a ficha do que eles (a Tsunade e o Sasuke) queriam dizer.
E quando caiu, não dava para acreditar.
—Ah, não – falei, engasgada... e não foi só porque o Katsu finalmente deu o bote dele: arrancou um tufo do meu cabelo e depois saiu voando, triunfante, para cima da geladeira. —Uau. Você não acha mesmo que ele quis dizer isso, acha?
Tsunade respondeu, cortando mais um pedaço de pão com as mãos:
—O Sasuke geralmente fala o que pensa, Sakura. Ele não é político. Não tem a mínima tendência para seguir a carreira do pai. Quer ser arquiteto.
—Quer? — Isso era novidade para mim. Estava começando a perceber que, na verdade, eu não sabia absolutamente nada a respeito do Sasuke. Tipo assim, eu sabia que ele gostava de desenhar e que ele era bom. E eu sabia da história do garfão e da colherona, claro. Mas também parecia ter um monte de coisas que eu não sabia.
E aquilo fez com que eu me sentisse pior ainda. Porque eu tinha um mau pressentimento de que já era tarde demais para descobrir. As coisas que eu não sabia a respeito do Sasuke, tipo assim.
—É — continuo Tsunade. — Acho que é fácil entender porque ele não quer muito se meter nos assuntos do pai. Com certeza, também não quer que o pai se meta nos dele.
—Uau! — exclamei, porque ainda estava boquiaberta pela revelação que ela havia me feito. —Tipo assim... uau.
—É mesmo — disse Tsunade, recostando-se na cadeira. — Uau. Então, percebe, Sakura? Estava tudo lá.
Fiz uma careta:
—O que é que estava lá?
—O que você queria — respondeu Tsunade. — Você só precisava abrir os olhos um pouquinho para ver. E lá estava.
E lá estava.
E lá estava eu dez minutos mais tarde (meio que sem acreditar que eu estava lá de verdade), conversando com a Tsunade Senju, a mulher que me acusou de conhecer e não ver, quando a porta dos fundos, que saía da cozinha, se escancarou. Entrou um homem enorme, com o cabelo amarrado em um rabo de cavalo e os braços cheios de sacolas de compras. Ele olhou para nós com ar de surpresa. Tinha um bigodão daqueles curvados na ponta.
—Ah — fez ele, olhando para mim de um jeito simpático, mas curioso, com os olhos azuis. — Oi.
—Oi — respondi, imaginando se aquele era o filho da Tsunade. Ele parecia ter uns 20 anos a menos que ela. Mas ela nunca tinha mencionado filho nem marido. Sempre achei que eram só ela e o Katsu.
Mas pode ser que eu só estivesse ouvindo, e não escutando de verdade.
—Dan — apresentou Tsunade. — Esta aqui é a Sakura Haruno, uma das minhas alunas. Sakura, este aqui é o Dan.
Dan pousou as sacolas de compras. Ele estava usando jeans, com uma chaparreira de couro por cima, igual à que os caubóis e os Hell's Angles usam. Quando ele esticou o braço para apertar a minha mão, vi que tinha o logotipo da Harley-Davidson tatuado.
—Muito prazer — ele apertou minha mão esquerda, já que a direita estava engessada. Daí o olhar dele caiu no pão francês. — Ei, isso aí parece gostoso.
Dan puxou uma cadeira e se juntou a nós. E daí eu descobri que ele não era filho da Tsunade coisa nenhuma. Era namorado dela.
O que só demonstra que a Tsunade estava certa a respeito de uma coisa, pelo menos: às vezes, o que você quer está bem na sua frente. Só é preciso abrir os olhos e enxergar.
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Gente, estou tão feliz! Por quê? Salvando a Pátria chegou aos 50 reviews! Sério, muito obrigada mesmo. Já vi várias adaptações tão boas quanto Salvando a Pátria e até melhores, com menos reviews. Vocês são demais! Muito obrigada a todos que comentaram!
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Biahcerejeira, muito obrigada pelo comentário :D Pois é, o Sasori surtou mesmo kkkk E a Sakura finalmente se deu conta de quem ela realmente ama. Agora é torcer para que ela consiga concertar as coisas, né? Até o próximo capítulo!
Jaque, não precisa roer as unhas, ok? A fic já está na reta final (são só mais três capítulos) e prometo que vou postar logo :D A Sakura parecia mesmo enfeitiçada pelo Sasori. Mas, agora ela finalmente enxergou, e descobriu quem ama de verdade. Muito obrigada por comentar!
Sophie Hatake, sempre dou risada lendo seus comentários, sabia? Ler seus reviews me animam! Não se preocupe, no próximo capítulo, a Sakura já vai botar em prática o plano Reconquistando Sasuke. Espero que tenha corrido tudo bem com a sua prova :D Sei bem como é fim de ano, ainda tenho uma prova na segunda, e só passei aqui rapidinho pra postar. Até o próximo capítulo!
Evinha, muito obrigada por sempre comentar :D Também achei a maior mancada a Sakura defender o Sasori na frente do Sasuke. Mas gostei, porque o Sasuke fez com que ela compreendesse que as coisas que o Sasori fazia, não eram tão dignas quanto ela pensava... Além disso, acho que agora que a Sakura descobriu quem ama, ela deve estar arrependida. Resta saber como ela vai concertar as coisas. Mas nem precisa ficar curiosa porque a fic já está no fim. São só mais três capítulos. Então, até o próximo!
Taiana-chan, muito obrigada pelo comentário! O capítulo passado se tornou seu favorito, é? Acho que você vai mudar de ideia quando ler os próximos... Até mais!
Rocke, amei seu comentário! Sério, amei toda a sua análise e concordo com tudo o que escreveu. Você conseguiu explicar a relação da karin e da Sakura como nem eu conseguiria :) Ri com "a Sakura não enxerga coisas que até um cego enxergaria" kkkk Também acho. Fico feliz que você ache a adaptação perfeita *-* Muito obrigada!
