Lembrando que esta fic é uma adapação do livro A Garota Americana, da Meg cabot. Portanto, a história não me pertence, assim como os personagens de Naruto também não.
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CAPÍTULO 22
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—Vocês estão vendo essa ossada? —Tsunade segurava a caveira de uma vaca, esbranquiçada pelo sol e pela areia. —Todas as cores do arco-íris estão nessa ossada. E quero ver estas cores na folha que está aí na frente de vocês.
Pousou a caveira na mesinha à nossa frente. Daí foi dar uma bronca no Katsu, o corvo, que já tinha roubado um chumaço do meu cabelo, antes que eu tivesse a oportunidade de colocar meu capacete de margaridas.
Sentei no meu banco com uma perna de cada lado, mantendo meu olhar cuidadosamente desviado da pessoa que estava ao meu lado. Eu não tinha noção se o Sasuke estava feliz ou triste em me ver ou se ele simplesmente não ligava a mínima. Nós não tínhamos nos encontrado nem nos falado (eu só o vira na TV) desde a noite do Trio Beaux Arts e da nossa discussão sobre o Sasori. Eu não fazia a mínima ideia se ele tinha assistido à minha entrevista ou se sabia que eu, de fato, tinha exercido meu direito à liberdade de expressão, como ele tinha sugerido. Ou que eu basicamente tinha confessado, ali na frente de vinte milhões de telespectadores, que eu gostava dele.
Interroguei a Moegi longamente sobre tudo isso, já que ela frequentava a mesma escola que ele. Mas, por ter 11 anos, a Moegi não tinha nenhuma aula junto com o Sasuke. Até o horário de almoço dela era diferente do dele. Ela não sabia se ele tinha assistido ao programa ou não.
—Não se preocupe — a Karin ficava repetindo. — Ele assistiu.
E a Karin, claro, sabia do que estava falando. A Karin sabia tudo que se pode saber a respeito dos garotos. Ela não tinha pegado o Sasori de volta, da mesma maneira desencanada como o tinha dispensado? Um dia, estavam brigados e, no dia seguinte, estavam sentados na lanchonete da escola como se nunca tivessem se separado.
—Ah, oi, Sakura—fez o Sasori quando eu passei ao lado, indo em direção à minha mesa. —Olha, desculpa por aquele negócio da exposição. Espero que você não esteja, sabe como é, brava comigo, nem nada assim. Foi só que eu fiquei meio decepcionado.
—Hum—murmurei, totalmente confusa. Onde é que estava o Shikamaru Nara? Mas acho que me dei bem quando mandei: — Sem problemas.
E não era problema nenhum mesmo. Que diferença o Sasori fazia para mim? Eu tinha coisas mais importantes em que pensar. Tipo no Sasuke. Como é que eu ia fazer com que o Sasuke acreditasse que eu gostava dele, e não do Sasori? Tipo assim, e se ele não tivesse visto a entrevista? Não dava para imaginar que ele pudesse ter perdido o programa, porque tinha sido considerado o principal horário, e, além disso, tinham anunciado sua exibição sem parar, desde o domingo, quando eu arrumei a coisa toda.
Ainda assim, existia a possibilidade de ele não saber. Havia a possibilidade de eu ser obrigada a falar tudo pessoalmente.
O que, de certo modo, era pior do que falar na frente de vinte milhões de estranhos.
E lá estava eu, sentada bem ao lado dele, e não conseguia pensar em uma única coisa para dizer.
Tipo assim, trocamos sorrisos quando entramos, e o Sasuke ficou tipo "E aí?" e eu respondi "E aí?"
Mas foi só isso.
E, como se o destino já não tivesse me aprontado umas poucas e boas ultimamente, o Sasuke estava usando uma camiseta da No Doubt. A minha banda preferida, de todas, com a Gwen Stefani, apenas a melhor cantora do universo, e o cara por quem eu estava totalmente apaixonada estava usando uma camiseta de show da banda.
A vida pode ser mesmo injusta.
E agora as minhas mãos suavam tanto que eu mal conseguia segurar os lápis de cor, e o meu coração estava fazendo um solo de bateria esquisito dentro do meu peito, e minha boca estava toda seca. Fala alguma coisa, fiquei repetindo para mim mesma.
Só que não conseguia pensar em nada para dizer.
E daí chegou a hora de desenhar, e o ateliê todo ficou em silêncio, a não ser pela música erudita que tocava no rádio, e todo mundo começou a trabalhar, e já era tarde demais para dizer algo.
Ou, pelo menos, eu pensava que era.
Estava muito ocupada procurando as cores na ossada branca de vaca à minha frente, totalmente absorvida, como de costume, pelo desenho... porque, apesar de estar desesperadamente apaixonada pelo Sasuke como eu estava, mesmo assim o desenho ainda tinha a capacidade de me envolver...
... tanto que, quando ele por acaso jogou um pedacinho de papel no meu colo, eu dei um pulo de um quilômetro de altura.
Olhei para o pedacinho de papel. E daí olhei para ele.
Mas ele estava debruçado em cima do próprio desenho. Na verdade, se não fosse o sorrisinho que mal dava para notar no cantinho da boca dele, nem daria para saber que o papel tinha vindo dele.
Pelo menos até o momento em que o abri.
Ali, com a caligrafia miúda e precisa de um futuro arquiteto, estava escrita uma única palavra:
Amigos?
Não dava para acreditar. O Sasuke queria amizade. Comigo. Eu.
Com o coração disparado, me inclinei para a frente e escrevi:
Claro que sim.
Mal algo fez com que eu parasse. Não sei o que foi. Não sei se foi só porque eu finalmente tinha aprendido uma ou duas coisas com tudo que tinha acontecido, ou se foi a mão invisível do meu anjo da guarda, a Srta. Gwen Stefani, que se esticou na minha direção e me deteve.
Seja lá o que tenha sido, eu rasguei um outro pedacinho do canto do meu bloco de desenho. E, nele, escrevi, com o coração na garganta, mas com a plena certeza (eu simplesmente sabia) de que era agora ou nunca, e que tinha que falar a verdade:
Não. Quero mais do que amizade.
Apesar de eu fingir estar totalmente concentrada no desenho, dessa vez eu estava mesmo observando o Sasuke com o canto do olho. Vi quando ele abriu o papel dobrado que eu tinha jogado na direção dele e fiquei olhando enquanto ele lia o que estava escrito. Daí vi as sobrancelhas dele se erguerem.
Elas se ergueram muito.
E quando um outro pedacinho de papel apareceu no meu colo, alguns segundos mais tarde, eu sabia que tinha sido ele que tinha jogado, porque também tinha visto.
Parecia que eu nem conseguia respirar. Abri o bilhete novo. Ali, estava escrito:
E o Sasori?
Essa era fácil. Na verdade, foi quase um alívio escrever:
Que Sasori?
Porque era assim mesmo que eu me sentia.
Ainda assim, a última coisa que eu esperava era receber um bilhete do Sasuke dizendo como ele de fato se sentia.
Mas foi exatamente isso que recebi.
E se é que algum dia eu já tinha me sentido feliz (se algum dia já tinha sentido alguma coisa que fez eu me sentir como se a alegria borbulhasse dentro de mim), aquilo não tinha sido nada em comparação com a maneira como eu me sentia ao abrir o pedaço de papel dobrado que ele jogou em seguida no meu colo e ver que ele tinha desenhado um coração.
Só isso. Só um coraçãozinho.
E, para isso, só tinha uma explicação. Tipo assim, fala sério. E era que o Sasuke gostava de mim. Ele me amava.
Ele gostava de mim.
Ele gostava de mim.
