CAPÍTULO 7

UMA SEGUNDA-FEIRA DIFERENTE

_Bom dia, Angel. Bom dia, Ben – cumprimentei-os com um amplo sorriso ao chegar à empresa, fingindo não notar o quase beijo do casal de namorados, que parecia estar em perfeita sintonia.

Na verdade, se eu não tivesse me pronunciado, eles nem teriam notado a minha presença.

_Ah...er...bom...bom dia, Sr.ta Cullen – Ben cumprimentou-me de modo formal, gaguejando, e endireitando sua postura. Permanecendo ereto ao lado da mesa da namorada.

Não adiantava pedir aos funcionários para me tratarem de maneira informal, porém mantendo o respeito, alguns simplesmente seguiam à risca a etiqueta no ambiente de trabalho.

_Bom... bom dia, Bella – Angela tentava ajustar os óculos de grau sobre o nariz, um tique nervoso que a delatava sempre quando estava nervosa ou envergonhada. _Desculpe pelo nosso comportamento inadequado – corrigiu sua postura no encosto da cadeira dando uma rápida olhada na direção do rapaz de etnia asiática, que estava tenso.

_Tudo bem. Só tenham mais cuidado. Sempre tem alguém que não suporta ver a felicidade estampada no rosto das pessoas, o que não é o meu caso – sorri amigavelmente para os dois.

Notei os ombros de Ben Cheney relaxarem nitidamente e seus olhos, arregalados, voltarem ao estado normal.

_Er... eu... eu já vou. Com licença, Sr.ta Cullen. Tenham um bom dia – ele acenou a cabeça em minha direção voltando furtivamente seu olhar para o rosto de Angela, esboçando um sorriso terno. Rapidamente sumiu pelo mesmo caminho que cheguei.

_Bella, eu realmente quero me desculpar pelo que você presenciou. Não foi nossa intenção desrespeitar o local de trabalho – torceu o canto da boca, sem graça, remexendo o corpo de modo inquieto.

Sorri balançando a cabeça.

_Eu sei disso, Angel. E o que eu vi aqui foi apenas uma cena digna de folhetim do século XIX. Daquele tipo que narra um romance à moda antiga. O rapaz cortejando respeitosamente a dama – pisquei sorrindo. _Eu jamais reprimiria grosseiramente um ato tão singelo como um beijo aqui na empresa.

_Eu sou muito grata a Deus por tudo que tem acontecido em minha vida, principalmente por Ele ter colocado em meu caminho uma chefa tão bondosa como você, Bella – sorriu agradecida. _Você não existe – balançou a cabeça.

_Ah, Angel. Para com isso. Assim eu fico sem graça. Eu só não consigo ser aquele arquétipo de chefia que a maioria das pessoas prefere passar bem longe. Exibir uma expressão carrancuda todos os dias e ser grosseira, definitivamente não combina comigo – dei uma pequena risada caminhando na direção da porta da minha sala.

_Graças a Deus – levantou as mãos para o alto como se estivesse louvando o Altíssimo.

Ainda rindo da atitude da minha secretária entrei em minha sala disposta a trabalhar. Era a primeira segunda-feira do ano que eu acordara tão bem e mais efusiva do que o normal. Uma segunda-feira diferente. Minha animação podia ser vista a metros de distância. E o causador de tamanha expansividade emocional era Edward Masen.

_Bella? Bella? – ao ouvir meu nome, olhei para trás com o cenho franzido vendo uma expressão confusa no rosto de Angela.

_Você estava me chamando há muito tempo? – perguntei ao circundar minha mesa para sentar, depositando em cima do tampo da mesma, minha bolsa e uma pasta contendo os relatórios que havia levado para analisar em casa na última sexta-feira.

_Hum... acho que uns dois minutos – esboçou um sorriso tímido. _Você realmente não estava escutando?

_Não – ri. _Desculpe. Estou ultimamente meio aérea – suspirei meneando a cabeça e dando-lhe um sorriso contido enquanto destrancava a gaveta da minha mesa para verificar se o álbum de fotografias da família estava no lugar.

É óbvio que ele estava exatamente onde ficava todos os dias, afinal a única que tinha a chave da gaveta era eu. Porém, eu simplesmente tinha essa mania.

Será que estava desenvolvendo TOC?

Ri deste pensamento.

_Bella, você está bem hoje? – a voz de Angela me chamou novamente para a realidade.

Fechei a gaveta sem trancá-la e voltei a fitar a face da minha secretária, que me olhava curiosa.

_Sim. Muito bem – sorri amplamente, sem nenhuma timidez. _Por quê?

_Bem... é que parece diferente hoje – deu de ombros. _Um pouco mais feliz... do que na sexta? – sua frase saiu mais como um pergunta do que como uma afirmação sendo acompanhada por uma careta dela, que misturava incerteza e receio de ter extrapolado na sua sinceridade.

Recostei as costas na minha poltrona, rindo e mordendo o lábio inferior, tentando concatenar os pensamentos para não falar demais. Não que eu não confiasse em Angela, mas por enquanto quanto menos gente soubesse do meu "rolo" com Edward, melhor.

Suspirei realmente feliz.

_Digamos que algo muito bom aconteceu neste fim de semana na minha vida. Em breve você saberá, Angel. Satisfeita? – perguntei, piscando.

_Bella, longe de mim querer ser intrometida em relação a questões pessoais de amigos e chefes. Só... só te achei diferente – disse, nervosa.

_Eu sei, querida – falei afavelmente balançando a cabeça. _Eu confio em você, senão não seria minha secretária e amiga, mas por enquanto vou apenas confirmar sua suposição. Realmente estou mais feliz do que na sexta.

_Que bom. O que importa nessa vida é ser feliz. Não importa como ou com quem – sorriu, mas de repente seus olhos se arregalaram. Suas mãos cobriram a boca imediatamente. _Desculpe. Falei demais – murmurou, ressabiada.

Ela não era boba. Compreendeu as "entrelinhas".

Fiz um sinal negativo com a cabeça.

_Não tem problema algum expressar o que está pensando – gargalhei.

Vendo que eu levara numa boa o que dissera, relaxou um pouco mais, porém a borda de seus olhos permanecia tensa.

_Mesmo assim, desculpe.

_Tudo bem, Angel. Vamos trabalhar? – mudei de assunto batendo de leve na mesa.

_Vamos. Vai querer seu café agora? – perguntou se levantando da poltrona.

_Sim, por favor.

_Cappuccino ou mocha? – sorriu de modo divertido.

Eu sempre pedia para ela comprar os dois tipos na Starbucks, pois normalmente ficava na dúvida.

_Bem, hoje eu vou relaxar em relação ao ponteiro da balança. Traga o Mocha – pedi.

_Até parece que precisa se preocupar com a balança – rolou os olhos, sorrindo em seguida. _Volto já – disse, caminhando em direção à porta.

_Angela? – chamei-a antes que saísse.

_Sim?

_Fique com o outro – sorri.

_Sim, senhora – fez a detestável continência e saiu como um foguete da minha sala.

Ri dessa mania dela.

Enquanto mexia nos relatórios que havia levado para casa, tentando organizá-los por prioridade de discussão com Jasper mais tarde, meu celular tocou.

Abri rapidamente a bolsa retirando o aparelho para ver quem ligava.

Edward.

Sorri como uma boba.

_Oi – minha voz era suave.

_Oi, baby – sua voz calma e rouca me arrepiou.

Mesmo distante de mim, ele tinha esse poder sobre meu corpo.

_Sei que nos despedimos agora pouco, mas eu já sinto sua falta.

_Eu também, Edward – senti-me derreter por dentro com tamanho carinho. _Não vejo a hora de terminar o expediente e voltar para casa.

Ele soltou uma leve risada.

_Mas ainda são 8h15.

_Infelizmente – falei desanimada. _O ponteiro do relógio podia pular para as dezoito horas.

_Bem, sabemos que isso é impossível. Porém, você é a chefe. Faz o seu próprio horário – sua voz era divertida.

_Ah, mas se eu não cumprir com minhas responsabilidades que bom exemplo eu vou passar aos meus funcionários? – retruquei no mesmo tom.

_Sempre tão metódica. Isso me encanta em você. Sonho com você falando comigo com pose de CEO – falou baixo com uma voz sedutora.

Senti um calafrio percorrer minha coluna. Ele era bom com as palavras. Mas era melhor ainda em outras "coisas"...

_Edward... – suspirei seu nome fechando meus olhos por um breve momento.

Minha vontade era voltar correndo para os braços dele.

_Bella, minha Bella... – murmurou meu nome.

_Edward... eu gosto tanto de você. Tanto – confessei com um pouco mais de fervor na voz, jogando para bem longe a minha vergonha.

_Eu também, Bella. Eu também – enfatizou com uma voz terna. _Você foi a melhor coisa que me aconteceu esse ano.

_E você foi o meu melhor presente de aniversário – sorri fitando o tampo da mesa, perdida em pensamentos.

Escutei ao longe o telefone da mesa de Angela tocar insistentemente até ela por fim, atendê-lo.

_Eu quero aproveitar cada minuto ao seu lado antes de viajar, por isso peço sua permissão para mexer na dispensa de sua cozinha. Quero preparar um jantar agradável – deu uma risadinha, descontraindo ainda mais o clima amistoso entre nós.

_Você? Cozinhando? – foi a minha vez de rir.

_Ah, você não acredita em meus dotes culinários, né? – fingiu estar aborrecido.

_Hum... não sei. Surpreenda-me – desafiei-o.

_Então, Isabella Swan, você provará a minha especialidade – disse, confiante.

Ele me chamou pelo sobrenome que somente minha família costuma chamar. Senti meu coração pulsar mais rápido. Ele me conquistava com cada mínimo detalhe, que poderia até passar despercebido aos seus ouvidos, menos aos meus.

_E qual é? – perguntei curiosa.

_Ahá! Surpresa. Como você mesma deseja.

_Então, tudo bem. Agora mais do que nunca não vejo a hora de voltar para casa – sorri. _Se precisar de ajuda, fale com a Sue. Ela é um amor de pessoa.

_Não tanto quanto você – disse, de maneira amável.

Se continuássemos nessa melação, minha mesa ficaria toda lambuzada.

_Bobo – ri.

_Sim. O seu bobo – retrucou do mesmo modo. _Agora vou deixá-la trabalhar.

_Tudo bem. Ah! Edward?

_Sim?

_Você vai almoçar em casa ou vai sair? – a curiosidade me corroia por dentro.

Como acordei atrasada nem tivemos tempo de conversar direito sobre os planos dele para o dia de hoje.

_Bem, o seu irmão acabou de me ligar. Vou almoçar com ele e Jasper.

_Entendi. Então ele resolveu me imitar fazendo o "programa de meninos" às segundas-feiras – ri com um pouco mais de vontade.

_É o que parece – respondeu no mesmo tom.

_Está bem, então. Nos vemos mais tarde. Beijinho.

_Outro, baby.

Apertei a tecla "end" e permaneci fitando o celular em minha mão, mas meus olhos estavam desfocados, pois a única imagem que vinha à minha mente era a de Edward sorrindo torto para mim.

Em breve eu poderia curtir um pouco mais de seu sorriso. Juntos. Na nossa casa. Na nossa cama. Na nossa bagunça.

A ideia de morarmos sob o mesmo teto ganhou força diante do que aconteceu no domingo.

Era o cheiro dele, o perfume, a respiração e o calor do corpo de Edward bem colado ao meu que eu gostaria de sentir todos os dias.

_Bella? – a voz de Angela me sobressaltou e eu me recompus imediatamente, colocando celular de volta à bolsa. _Estava aérea de novo? – perguntou com uma expressão cômica.

_Hum... er... sim – suspirei com cara de boba, relaxando meu corpo na poltrona.

Ela apenas assentiu olhando-me de forma compreensiva. A minha amizade com ela era bem diferente da que eu cultivava com Rose e Alice. As duas Cullen eram curiosas, porém essa característica era mais exacerbada na minha irmã. Já Angela me passava calma, serenidade e era bem discreta, assim como Jasper.

_Aqui está seu café. Não está tão quente. Está morno – olhou-me, receosa, pois ela sabia do meu gosto por café fumegante.

_Está ótimo, Angel – fiz um sinal de aprovação com o polegar.

_Ah, Bella. Alice ligou dizendo que subiria em instantes para falar com você – entregou-me o copo de café, sentando-se na cadeira em frente à minha mesa.

Rolei os olhos.

_Pelo visto hoje ela decidiu sair cedo da cama. Geralmente só chega às 10h na loja. Isso quando vem, né? – olhei o ponteiro do meu relógio de pulso que marcava 8h45.

_Alice é Alice... Sempre imprevisível – deu de ombros, soltando uma risadinha.

Concordei fazendo um sinal positivo com a cabeça.

_Cadê seu café? – franzi o cenho ao percebê-la fitando as linhas de sua agenda aberta, como se estivesse lendo algumas anotações.

_Eu deixei na copa – olhou pra mim. _Iria tomar depois – falou envergonhada.

_Vá buscar agora – ordenei brincando com ela.

_Tudo bem. Já volto – disse, dando passos apressados em direção à saída.

Tomei mais um gole do meu Mocha saciando meu vício pela cafeína.

Com a outra mão livre movi o cursor do mouse do computador à procura do site do Los Angeles Times.

Gostava sempre de começar o dia estando bem informada sobre o mercado financeiro, política, tecnologia, assuntos em destaques e outros nem tanto, e por incrível que pareça, moda e celebridades.

Conforme meus olhos vasculhavam a página do jornal online, meus ouvidos é que se tornavam atentos ao que acontecia ao meu redor e pude ouvir muito bem a voz da minha irmã conversando com Angela na ante-sala, anunciando a sua chegada.

Como eu sabia que dentro de poucos instantes ela irromperia a minha sala tagarelando sem parar, dei uma última olhada de maneira despretensiosa na parte de celebridades.

Uma foto em destaque me chamou a atenção.

A mulher branca e com um corpo firme e delgado, vestindo roupas casuais de verão. Andando pelo Central Park, em Nova York, com um sorriso largo e descontraído. Seus cabelos de tonalidade loiro mel, levemente ondulados e soltos na altura dos ombros, emolduravam o delicado rosto que era adornado por um óculos de sol oversized vintage.

Era ela. Emilie River. A mulher que teve acesso irrestrito à vida de Edward por tanto tempo. Aquela que o amava platonicamente.

_Bom dia, flor do dia – desviei a atenção da tela do computador para a minha irmã que entrava em minha sala sorridente, segurando uma sacola de presentes.

_Bom dia – cumprimentei-a taciturna.

Ainda estava entorpecida pela imagem da atriz que poderia tornar-se uma assombração para mim em breve. Algo me dizia que ela tentaria mais uma vez ter o Edward de volta.

_O que houve? Está triste? – Alice olhava-me de maneira analítica.

_Pare de me olhar assim, Aly. Estou bem – menti, voltando meu olhar furtivamente para a tela do computador.

_Sei... Se eu não te conhecesse tão bem, poderia até acreditar nessa sua afirmação, mas crescemos juntas. Eu sou seu carrapato, esqueceu? – sorriu de modo fraterno vindo em minha direção para me dar um beijo na cabeça. _Agora você vai me contar a verdade? – insistiu.

Eu não queria dar eco à minha insegurança, muito menos conversar sobre algo que não tinha cabimento com Alice.

_Como é Bella, você vai me dizer por bem ou por mal? – ameaçou, pegando de dentro da minha bolsa o meu celular, balançando-o à minha frente.

_Ei! – protestei tentando pegá-lo de volta, mas a baixinha foi rápida ao desviar. _Pode me devolver, Alice. Você sabe que eu não vivo sem meu celular – tentei mais uma vez pegá-lo de sua mão, mas ela se afastou, indo sentar na poltrona de couro em frente à minha mesa.

Descansou a sacola de presentes ao lado de sua cadeira.

_Então, desembucha – ordenou com a sobrancelha erguida e os braços cruzados no peito.

Suspirei com força girando o monitor na sua direção. Se eu não abrisse o jogo com ela, com certeza não me deixaria em paz o dia inteiro.

Seus olhos perspicazes se detiveram por um momento na foto ampliada.

_O que tem essa foto? – sua expressão era blasé.

_Você sabe quem é essa pessoa? – minha voz saiu sem emoção alguma.

_É aquela atriz que fez Lost? – perguntou, mantendo-se indiferente.

Fiz um sinal positivo com a cabeça.

_E o que tem ela? – ergueu as duas sobrancelhas.

_Ela foi a única mulher que se relacionou com Edward por tanto tempo. Oito meses, para ser exata. Isto é, ela pode ser considerada a ex-namorada que continua apaixonada pelo modelo que me encantou desde a sexta passada.

_Calma aí – espalmou as mãos no ar pedindo um tempo. _Vamos recapitular o que você disse – inclinou o corpo em direção à mesa apoiando os cotovelos na mesma, encarando-me atentamente. _Eu entendi que Emilie River é ex-namorada do Edward, certo?

_Sim.

_Mas você acrescentou as palavras "continua apaixonada"? É isso mesmo? – franziu o cenho.

_Sim – suspirei, fechando os olhos por um breve momento.

Ficamos caladas por alguns segundos nos encarando, até que ela se pronunciou.

_Ela é correspondida por ele, por acaso? – perguntou seriamente.

_Não – balancei a cabeça. _No sábado, após o jantar no Culina, Edward me contou sobre a sua vida, principalmente, a parte relacionada às suas conquistas amorosas – contorci o rosto em desagrado. _Ele foi sincero ao revelar que teve um romance com essa atriz e que foi difícil o término do relacionamento porque ela não aceitava a nova situação.

_Mas... isso não foi recente, foi? – estreitou os olhos.

_Não. Aconteceu há três anos.

_Então qual o problema, Bella? – perguntou, devolvendo-me o celular ao colocá-lo em cima da mesa.

_Você não ouviu o que eu disse? Ela ainda o ama – enfatizei a palavra. _Edward me disse que já não a vê há dois anos, embora até pouco tempo ela ainda tentava contatá-lo pelo telefone, até que foi forçado a trocar o número do celular. Então, perderam o contato de vez. Ele disse que só a vê pela televisão quando está atuando em algum seriado, por exemplo, mas suspeita que ela o ama platonicamente, Aly. Tem noção disso? – entrelacei meus dedos em cima da mesa, nervosa.

_Sim, compreendo. A situação ficou mal resolvida para ela. É normal ela querer agir assim. Mas se o Edward não quer saber dela você tem que confiar no que ele diz – falou de modo sincero.

_Eu confio nele, apesar de termos nos conhecido tão recentemente. Ele me passa segurança e confiança, mas convenhamos eles tiveram uma "história" juntos – mordi o lábio, judiando de minha carne ao mastigá-lo intensamente.

_Todo casal tem a sua própria história, Bella – deu de ombros, indiferente. _Você e ele estão construindo a sua. Pelo menos é assim que eu vejo. O que vale neste momento é a veracidade dos sentimentos de vocês. Você acha que o que Edward sente por você é verdadeiro? – instigou-me a refletir por um instante.

Fitei-a absolutamente calada.

_Acho – respondi após alguns segundos.

_Você demorou a responder. Está insegura ainda, não é? – estreitou os olhos novamente.

Encolhi os ombros, preferindo não verbalizar meu pensamento.

Alice me encarava com um olhar complacente.

Após alguns instantes, ela esboçou um sorriso contido.

_Eu quero saber o que mais ele te revelou.

_ Bem, ainda em relação a esse assunto, ele afirmou com todas as palavras que nunca chegou a amá-la como ela desejava. E disse que não há nenhuma possibilidade de um revival entre eles.

_Acredito nele – afirmou prontamente. _Ele parece ser um homem honesto consigo mesmo, Bella.

Pelo jeito Edward havia passado pelo crivo da minha irmã. Na verdade, havia conquistado-a ao expressar-se com franqueza. Sem joguinhos.

_Eu sei, Aly.

_Se sabe, então por que fica "nutrindo" essa puta insegurança? – ergueu uma sobrancelha me sondando com seus olhos verdes.

_Talvez porque eu esteja pisando em um campo desconhecido – rebati. _Eu não senti pelo Riley nem a metade das coisas que sinto pelo Edward, que dirá insegurança! É a primeira vez que estou me sentindo desorientada em relação a isso – bufei.

_Você não devia ter prolongado esse seu namoro movido à gratidão por tanto tempo, Bella – disse, com uma voz enfadada, balançando a cabeça.

Pior que ela estava certa. Eu errei em dar uma chance para Riley se aproximar de mim como namorado e não como amigo.

_Eu... eu... no início, quando resolvi aceitar o pedido de namoro dele, achei que poderia realmente dar certo. Riley foi tão prestativo nos dias que sucederam o meu acidente de carro e se ele não estivesse presente na hora em que me choquei contra a mureta na Highway 1, aposto que ainda estava desorientada até agora – desviei o olhar do dela, fitando minhas mãos entrelaçadas em cima da mesa. _Porém, agora vejo que gosto dele como amigo. Nada mais – falei baixinho.

_É exatamente o que eu vejo. Amizade e gratidão da sua parte – opinou.

_Foi preciso eu topar com um desconhecido para perceber a burrada que fiz ao prolongar o meu namoro – continuei falando, levantando meu olhar e fitando a expressão neutra de Alice. _Edward é tão diferente em tudo, além de ser bonito, sensível e carinhoso comigo. É tão raro encontrar homens com essas características em conjunto – sorri ao pensar nele.

_Claro que é – meneou a cabeça olhando-me divertida. _Normalmente esses tipos de caras já tem namorado– riu ao enfatizar a última palavra.

Não me contive com seu comentário jocoso. Ri também.

Contudo, o momento descontraído passou e ficamos caladas por um momento. Cada uma perdida em seus próprios pensamentos.

_Riley ficou brabo comigo por tê-lo jogado na piscina – falou de repente, dando de ombros.

Lancei-lhe um olhar reprovador.

_Você não devia ter feito aquilo.

_Se eu não tivesse tomado aquela iniciativa, você ainda estaria sentada lá no sofá de jardim sendo cortejada pelo sem sal do seu namorado até agora – falou com desdém. _Não seja ingrata – fechou a cara.

_A questão aqui não é ingratidão, Alice. Só acho que você extrapolou dessa vez – tamborilei os dedos na mesa enquanto a encarava.

_Ah, foda-se! – elevou a voz. _Porra, na boa, todos que me conhecem sabem que sou exagerada em tudo – espanou. _E outra, faria tudo de novo se tivesse oportunidade. Não sei como você aguenta aquele papo meloso dele. Aquela cara de amante à moda antiga, porém com um ar de cafonice das grandes. Ele não tem personalidade, Bella. Às vezes corre atrás de você como um cachorrinho, faltando apenas abanar o rabo. Em outras, passa dias sem te dar notícias. Qual é a dele afinal? – disse, irritada. _Por Deus! Assim que ele voltar desse tal congresso em Las Vegas, converse com ele e coloque um ponto final nesse namoro aguado de vocês dois – exasperou-se.

_Eu vou fazer isso – mantive uma voz normal.

_Caramba! Já faz 4 meses que vocês namoram. O homem não tentou aprofundar a relação. Isso é muito esquisito – continuou seu discurso, balançando a cabeça e com o cenho franzido. _Ou ele é muito, mas muito respeitador, preferindo apenas ficar nas carícias. Ou ele é virgem e você também não sabe. Ou, querida, ele é o tipo de homem que pode ser comparado a um "Q" maiúsculo: um grande zero e um pequeno penduricalho – disse, zombeteira.

Tentei conter o riso, mas foi impossível. Gargalhei com vontade.

_Você é impagável, Alice. Não tem jeito mesmo.

_Eu falo o que penso. Sempre fui assim. Mas quando chego a me expressar dessa forma é porque sei que estou certa. Definitivamente, o Riley não é normal – disse, convicta.

_Tudo bem, senhorita "sabe tudo" – rolei os olhos.

Alice conseguia me distrair facilmente, todavia, assim que girei o monitor de volta para mim, foi inevitável conter uma expressão de desagrado ao olhar novamente a foto da tal atriz.

_Bella, por favor, feche esse merda. É querer ser muito masoquista para se torturar vendo uma foto de uma antiga namorada do Edward. A mulher está a milhas de distância de vocês. E não apresenta mais perigo algum.

_Aí é que você se engana, querida irmã... – falei sarcasticamente -, ambos vão estar no mesmo evento beneficente em Nova York. Edward me confidenciou – esfreguei meu rosto com as mãos, frustrada comigo mesma. Com minha insegurança.

_E daí? – retrucou. _Ainda acho que está fazendo "cara de bunda" sem necessidade.

Alice suspirou impaciente.

_Bella, você sabe que sou uma boa observadora – ela esticou sua mão sobre a mesa para segurar a minha.

Acenei a cabeça em concordância.

_Deixa essa insegurança de lado porque isso só vai atrapalhar. Estou falando muito sério. É nítido para quem quiser enxergar a maneira como Edward Masen age quando está ao seu lado. Ele só tem olhos para você, boba. Arrisco a dizer que ele já te guardou em um lugar onde ninguém vai ser capaz de te tirar. O que é verdadeiro irá permanecer... intacto. Independente das surpresas da vida. Aproveite a chance que a vida está lhe dando – meneou a cabeça sorrindo de modo reconfortante.

Sorri ao ouvir suas palavras.

_Você está certa – soltei sua mão, rolando o cursor do mouse em direção à "janela" da foto para fechá-la.

Recostei em minha poltrona amarrando meus cabelos em um coque frouxo para poder massagear um pouco a região do trapézio. Eu estava tensa.

_Você acabou de me lembrar indiretamente algo que vi no domingo, mas deixei passar devido ao burburinho ao redor da piscina. Vai me dizer como conseguiu esse hematoma no pescoço? – a voz de Alice soara divertida ao revelar a sua percepção.

Esqueci completamente da marca que Edward deixou no local.

Levantei lentamente meu olhar para encará-la, totalmente envergonhada.

_Aliás, não precisa falar. Eu já sei a resposta – piscou. _Pelo visto as suas noites foram agitadas e agora tenho certeza que o Edward é o cara certo para você. Ele tem "pegada" – completou gargalhando, deixando-me mais rubra.

_Para, Alice – desfiz o coque deixando os fios do meu cabelo cobrirem a marca.

_Ah, deixa de besteira – gesticulou com a mão. _Toda mulher que tem a sorte de ter um homem viril na cama passa por essa situação. Eu já passei por isso com Jasper – confessou naturalmente.

_Ok. Basta. Não estou interessada em saber das artimanhas do meu cunhado para te enlouquecer entre quatro paredes – balancei a cabeça.

_Tudo bem – deu de ombros. _Eu também não iria revelar – deu uma risadinha. _Vou falar o que interessa. O que realmente vim fazer aqui – sorriu enviesado e eu logo desconfiei.

_Achei que tivesse vindo me dar um "oi" – sorri.

_Eu vim também para isso, mas queria te trazer o seu presente de aniversário.

_Olha lá... – olhei-a estreitando os olhos.

_Você vai gostar do que eu trouxe.

Retirou da sacola uma caixa quadrada vermelha e enfeitada com esmero por um belo laçarote dourado, contendo um cartão afixado no embrulho.

_Nossa! Que embalagem bonita – disse, admirada. _Já estou curiosa para saber o que é o presente. Pelo visto é bem bonito – ri enquanto pegava de suas mãos a embalagem.

_Não diria bonito, mas eficiente – piscou ao me ver franzindo a testa.

Antes de abri-lo, peguei o cartão para ler.

"À minha querida irmã,

desejo que a felicidade adote seu coração,

Que o carinho resida em seu caminho,

Que os amigos leais se multipliquem, e que a paz se faça presente,

Feliz aniversário"

Desviei minha atenção das lindas palavras para fitar a baixinha que eu mais amo.

_O que? Eu também sei "falar" com o coração quando é necessário – ela bateu os cílios de maneira exagerada.

_Obrigada, Aly. Adorei as palavras. Amo você – joguei um beijo no ar para ela, que encenou ao fingir pegá-lo com as mãos levando-o ao coração.

_Agora abra – ordenou, batendo palmas.

Seu sorriso era largo e ao mesmo tempo sacana.

Desfiz o laço que envolvia o presente e com delicadeza retirei a tampa da caixa, vendo outra caixa dentro.

Dei uma risadinha com essa brincadeira de esconde-esconde que minha irmã adorava fazer com os aniversariantes.

Assim que abri, franzi o cenho.

_O que é isso? – perguntei sem entender.

_Chocolate, o "alimento dos deuses", como denominam os gregos – sorriu enviesado.

_Bem, estou vendo que é chocolate, mas isso tudo... isso tudo é pra comer? – perguntei retirando um dos potes da caixa.

_Também – respondeu sucinta.

Olhei para ela rapidamente, vendo uma expressão cômica. Meus olhos voltaram-se para o pote em minha mão e só então li o rótulo. Kama Sutra.

_Alice, isso aqui... isso aqui é o que estou pensando? – senti meu rosto esquentar.

_Não sei o que está pensando – falou naturalmente.

_Isso... isso aqui você comprou em um sex shop? – diminui o tom da voz.

De repente seu sorriso se alargou, tornando-se idêntico ao sorriso de um palhaço.

_Aham – acenou com a cabeça. _Eu comprei um pra mim também. Posso garantir que esses três tipos de chocolates estimulam bastante o relacionamento – gargalhou.

_Céus! Você é abusada, hein? – olhei-a com os olhos arregalados. _Eu... eu nem sei como usar isso e onde vou usar.

Retirei os outros dois potes para ver os mínimos detalhes.

_Ah, não seja lerda, Bella – espanou de modo zombeteiro. _Use-os de acordo com sua criatividade. Esses chocolates são próprios para passar no corpo, mas também são comestíveis. O kit Kama Sutra tem três sabores, com direito a um pincel – olhei de volta para a caixa vendo o tal pincel. _Basta colocar no micro-ondas e mergulhar o potinho em água morna, com cuidado para não se queimar – explicou alertando-me a respeito do uso.

_Eu... eu nunca usei esses apetrechos – meu rosto estava pegando fogo.

_Claro que não! Você era virgem e ainda tem um namorado que nunca quis te comer. Aí é foda! Para que iria usar mesmo? Ficaria só de enfeite no seu quarto – disparou sua artilharia.

_Alice! – chamei sua atenção. _Por Deus! Fale mais baixo – ralhei.

_Agora você tem um ótimo motivo para isso – cochichou apontando para os potes em cima da minha mesa.

Sorri sem graça, balançando a cabeça, ainda incrédula pela ousadia da anã.

_Obrigada. Mesmo – enfatizei, sorrindo.

_De nada. Faça bom proveito – riu. _Bem, os outros presentes estão nesta sacola – levantou a mesma do chão. _Tem do Emmett, Rose e dos nossos pais. _O do Jasper, ele mesmo disse que passaria aqui para lhe entregar.

_Tudo bem – peguei a sacola de sua mão pondo ao lado da minha poltrona.

_Ah, só para saber. Nosso almoço está de pé? – olhou-me em expectativa.

_Lógico. O lugar de sempre – acenei a cabeça confirmando.

_Eu, você e Angela no Spago? – perguntou.

_Sim.

_Rose não confirmou se iria?

_Não – balancei a cabeça.

_Então, tudo bem. _Até a hora do almoço – sorriu levantando-se e vindo em minha direção, dando-me um beijo na têmpora.

(...)

_Uau! Esse restaurante é lindo. Bem charmoso e romântico – Jessica Stanley se manifestou assim que sentamos nos lugares reservados a nós no Spago, admirada com a arquitetura e a decoração do local. _Essa parte ao ar livre é fantástica. Um ótimo lugar para ver e ser visto – olhava ao seu redor de boca aberta.

Um garçom muito solícito já nos aguardava em pé ao lado da nossa mesa com os cardápios nas mãos.

Eficiência era algo muito apreciado neste restaurante.

_Verdade. O interior dele é todo decorado com obras de Picasso. Porém, não é pela beleza dele que nos reunimos todas as segundas-feiras para almoçar aqui, mas sim pela ótima culinária californiana e francesa que a casa dispõe – Alice informou enquanto se acomodava melhor na cadeira gentilmente puxada pelo funcionário do restaurante. _Obrigada.

_Na verdade, Alice é viciada em comida californiana, enquanto eu e Angela preferimos a comida francesa – sorri, desviando meu olhar para minha secretária que abanava a cabeça em afirmação. _Como você disse que não tem preferência. Que tanto faz, espero que a culinária agrade seu paladar – disse, sentando em meu lugar.

_Claro que irá agradar – Jessica disse entusiasmada. _Só pelo visual já me conquistou – sorriu, pegando o cardápio das mãos do garçom.

_Obrigada – agradeci assim que peguei o meu.

_Eu agradeço imensamente por vocês terem me deixado vir junto – seu semblante mudou de animado para desanimado em um piscar de olhos. _Achei que fosse almoçar sozinha hoje e isso era a última coisa que desejava após o rompimento do meu namoro no fim de semana – suspirou desconsolada.

_Já falei no carro e repito, sinto muito pelo que houve, mas sempre que quiser se juntar ao grupo é só avisar – comuniquei-a com um sorriso singelo.

_Acho que agora vou participar toda vez – deu uma risadinha. _Estava precisando dar uma sacudida na minha vida.

_Então se juntou ao grupo certo – minha irmã falou prontamente. _Aqui não há espaço para tristeza porque eu não deixo – ergueu a sobrancelha, séria.

Jessica acenou a cabeça em concordância, um pouco receosa com o modo de falar da baixinha.

_Mas eu só vou deixar você fazer parte do grupo e vir sempre conosco, se prometer testar o novo make up da marca em mim – ela continuou falando, fingindo seriedade, mas logo deu um sorriso afetado deixando Jessica aliviada.

_Bem, isso não é problema – sorriu para minha irmã. _Pode me cobrar assim que a criação passar do papel para o campo prático. _Aposto que será sucesso o lançamento da nova maquiagem – disse confiante.

_Claro que será. Tenho a melhor Diretora de Criação e beauty artist da Califórnia – emendei, piscando para ela.

A minha intenção era melhorar o astral dela abordando um assunto que era sua especialidade e que sempre lhe trazia alegria. Gostava de trabalhar em conjunto com pessoas produtivas e bem humoradas, por isso sempre procurei tratar meus funcionários com respeito, enaltecendo suas qualidades.

_Isso é verdade, Sr.ta Stanley – a voz tímida de Angela foi ouvida pela primeira vez desde que sentamos em nossos lugares.

_Angela, pode me chamar apenas de Jessica. E... obrigada pelos elogios – disse, varrendo seu olhar pelo rosto de nós três.

_Não tem o que agradecer. Você sempre foi muito competente na sua área e realmente estou curiosa para ser cobaia das cores que serão produzidas – pisquei.

_Está ficando tudo muito bom. Graças ao trabalho árduo da equipe que coordeno. Estamos arregaçando as mangas, literalmente, para que tudo fique pronto no prazo certo – Jessica disse séria.

_Eu confio no seu trabalho – balancei a cabeça.

_Será que agora podemos fazer nosso pedido? – Alice interpelou. _Estou faminta e sei que assim que Emmett chegar aqui virá atrapalhar nossa conversa – rolou os olhos teatralmente.

Meu irmão fez questão de nos avisar que iria almoçar no mesmo restaurante em que estamos agora.

O simples fato de dizer isso me fez pensar em Edward, pois o veria antes das 18 horas. Já estava ansiosa para reencontrá-lo.

Alice chamou o garçom que estava a meio metro de distância, pronto para atender nossos pedidos. Assim que ele se afastou com tudo anotado, Jessica exclamou:

_Uau! Nossa Senhora do oxigênio, dai-me ar!

Eu, Alice e Angela olhamos para ela e depois seguimos seu olhar na direção do objeto que estava em sua mira.

O "objeto" em questão era um moreno alto, aparentemente vaidoso e com estilo, usando uma combinação de blazer de cor clara, camiseta, calça jeans e sapatênis. Seus cabelos pretos - cor da noite - e desgrenhados, conferiam-lhe um ar despojado. A barba cerrada dava o retoque final ao seu visual casual e playboy. Ele emanava virilidade por todos os poros, assim como, o meu Edward.

Ele caminhava com altivez e sensualidade pelo salão principal do restaurante conversando com um casal de maneira natural, e sempre que sorria exibia suas covinhas.

_Como dizia minha mãe "toda essência de um deus grego pode ser encontrada na face de um belo homem" – Jessica murmurou atônita.

_Concordo – Alice assentiu hipnotizada com a figura elegante que desfilava a nossa frente. _ Mas nunca olhe nos olhos de um homem bonito por mais de duas vezes, e nem abaixo da sua cintura por uma única vez que seja... Diz a lenda que estes carregam a face da medusa por entre as pernas... – completou com o olhar fixo no rapaz, que agora rumava em direção à parte externa, justamente para o lugar em que nos encontrávamos.

_Pelo visto você deve ter visto a face da medusa – insinuei, rindo.

Se Jasper a flagrasse admirando outro homem com o olhar que ela exibia seria discussão na certa, por mais que minha irmã fosse muito bem resolvida sentimentalmente.

Angela também riu, mas voltou seu olhar para moreno.

_Ele é um belo exemplar masculino – minha secretária falou.

_Até você, Angel! – fitei-a espantada.

_Bem, não sou cega, Bella – encolheu os ombros.

_Aiai... – Jessica suspirou. _Um homem bonito é uma criatura estranha, que possui um olhar cativante, lábios em chamas, e um corpo que clama por um
toque incontrolável daquele que o contempla... – ela filosofou.

_Ok – bati de leve na mesa, causando-lhes um pequeno sobressalto. _Já que todas vocês foram hipnotizadas pelo rapaz, vou ao toalete ver se há algum papel toalha para trazer para cá a fim de limpar a baba de vocês – ri, levantando do meu lugar.

Caminhei calmamente por entre as mesas do pátio do restaurante em direção à área reservada aos toaletes, e assim que passei pelo homem que havia chamado a atenção das meninas, ele acenou a cabeça para mim, cumprimentando-me mudamente, sorrindo em seguida. Um sorriso sedutor que não causou efeito algum em mim.

Quando nossos olhares se cruzaram rapidamente vi que seus olhos eram azuis e expressavam algo enigmático. Senti-me incomodada. Não sei porque. Mesmo assim, cumprimentei-o de volta com um leve aceno de cabeça, apenas para não ser mal educada.

Los Angeles é um antro de personalidades influentes, endinheiradas e conhecidas. Talvez ele me conhecesse, mas eu não me lembrava de seu rosto.

Continuei andando pelo restaurante, ainda cismada com o olhar que recebi do desconhecido, porém assim que cheguei à ala afastada do grande salão, alguém segurou meu braço.

_Edward... – resfoleguei, assustada e ao mesmo tempo aliviada por ser ele.

_Oi – sorriu torto. _Te assustei? – franziu o cenho, ao mesmo tempo em que massageava o local em que me segurou com força.

_Um pouco – sorri, sem graça.

_Desculpe, Bella – sua mão acariciou meu rosto. _Mas assim que entrei no restaurante, te avistei. Dei uma desculpa qualquer ao Emmett e Jasper e vim em direção ao toalete – sorriu ternamente.

Seu sorriso era como luz pulsada para mim. Iluminava até minha alma.

_Acho que temos certo fetiche por banheiros de restaurantes – disse rindo e ele também achou graça, aproximando seu corpo do meu.

_Sim. Definitivamente – sua voz baixa e sensual me atiçou, arrepiando-me nos lugares "certos".

_Edward... – suspirei languidamente ao sentir seus braços me rodearem com carinho. _Não podemos agir assim tão intimamente. Emmett está aqui – sussurrei em seus lábios, alertando-o.

Edward pareceu ignorar meu aviso. Estava mais interessado em brincar com meus lábios.

_Eu sei, porém nada mais importa quando você está comigo – disse, fitando-me com amor.

Seus olhos diziam muito mais sobre seus sentimentos do que as próprias palavras que saiam de sua boca.

_Eu não tenho medo do Emmett, Bella. Não tenho medo de ninguém. Não tenho medo de encarar a minha atual realidade. Estou apaixonado por você. Não vou desistir de alguém que não consigo passar um dia sem pensar, mesmo que me crucifiquem por estar com você, sendo que, ainda é comprometida com outra pessoa – falou com fervor na voz, encorajando-me a me declarar também.

_Nem eu tenho medo, Edward – fitei seus olhos intensamente. _Ver o seu sorriso adorável é a melhor parte do meu dia – dei-lhe um beijo de esquimó.

Eu estava completamente envolvida pela aura de sedução dele.

_Sabe... – dei uma pausa inclinando minha cabeça para trás, prendendo seu rosto entre minhas mãos -, eu não quero um relacionamento em que as pessoas dizem: "Eles parecem tão fofos juntos". Eu quero um em que eles falem: "Olha como eles estão felizes juntos" – beijei-lhe suavemente, apenas sentindo a maciez de sua carne.

_Hum... - gemeu com seus lábios ainda colados aos meus. _Bella, eu também desejo isso. Porém, o que mais quero é ter você em meus braços, de preferência o tempo todo. Todas as noites quando eu for dormir, mas principalmente, anexada aos meus lábios – puxou-me para um abraço apertado selando nossos lábios em um beijo apaixonado, quente, com incrementos de safadeza. Como gostávamos.

Eu pirei com a "pegada" dele. Ele sabia me conduzir com perfeição a um patamar de sensações comparáveis a um orgasmo com apenas esse tipo de beijo.

Sua boca desbravava o melhor caminho por meus lábios e face. Esquecendo-nos completamente do ambiente em que estávamos...

_Bella! Edward! Que porra é essa que está acontecendo aqui?

A voz estrondosa e zangada do meu irmão irrompeu os meus ouvidos, sobressaltando-me.

Tentei me afastar de Edward, mas seus braços tornaram-se amarras poderosas. Quase de aço.

Engoli em seco e virei a cabeça na direção de Emmett. Seus olhos estavam injetados de raiva e... incredulidade.

Continua...