N/A: Enfim, após mais um tempo sem atualização, volto a postar mais um capítulo fresquinho. Mas a demora tem explicação. Estou numa correria há semanas, então não tive o devido tempo para escrever minha fic.

Ah, as revelações sobre o Riley estão a caminho...rsrsrs...mas ainda não será no próximo que saberão o que ele "esconde"...rsrs

Quero agradecer mais uma vez a minha leitora Annacarol pelos seus comentários. bjos,flor :)

Sem mais 'embromation', vamos ao capítulo, que particularmente, considero fofo...:) Nos falamos lá embaixo.


CAPÍTULO 11

MAIS QUE UM AMOR DE VERÃO – parte 1

Insônia.

A maldita me pegou de jeito desde o momento em que levantei pra ir ao banheiro de madrugada, após acordar – molhada - de um sonho erótico em que Edward era o principal personagem. Contudo, antes mesmo de acender a luz ambiente, vi que uma luz indicativa de mensagem recebida piscava ininterruptamente em meu celular que estava em cima da bancada do banheiro carregando a bateria. Curiosa por natureza, não resisti à tentação e decidi verificar o conteúdo.

A princípio, o número era desconhecido, mas logo na primeira frase da mensagem identifiquei o remetente. Riley.

Foi o suficiente para meus sentidos ficarem em alerta e meu estado de espírito mudar completamente.

Estava me preparando psicologicamente desde a segunda-feira para fazer algo interessante com Edward na véspera do dia da sua breve despedida, visto que, o evento beneficente do qual participaria fora transferido de sábado para segunda-feira. Cogitava usar o kit Kama Sutra que Alice me presenteou, mas depois de ver o que Riley escreveu, fiquei totalmente desanimada. Como se diz no linguajar popular... Broxa.

Msg1:

"Oi, amor. Cm vc tá? Sdds."

Msg2:

"Comprei outro cel. Favor, comunique-se comigo somente nesse nº. Tô voltando antes do previsto. Provavelmente hj. PRECISO falar c/vc. De quem te mto. Riley"

Possivelmente era a vigésima vez que eu olhava para as duas mensagens desde então.

A segunda mensagem era a mais chamativa, pois nela havia algo subliminar que eu não conseguia desvendar, porém ele fora bem claro ao explicitar uma das palavras na mensagem. O bichinho da curiosidade me corroia por dentro.

E algumas perguntas pipocavam em minha mente.

Por que comprou outro celular?

Por que fora enfático em orientar-me para retornar somente para aquele número?

Por que estaria voltando antes do tempo previsto?

E a mais importante... Por que precisava tanto falar comigo?

Eram tantos "porquês" que meu cérebro estava dando voltas e mais voltas, deixando-me zonza de tanto pensar.

Ultimamente ele andava mais esquisito. Mais preocupado. Mais calado.

Talvez tivesse percebido que nossa relação fora um erro. Uma precipitação de duas pessoas confusas em relação ao amor.

Eu que nada sabia sobre sentimentos mais profundos em relação a um homem, passei a ser conhecedora de causa ao me envolver com Edward. Tudo em mim estava mais aflorado.

Quanto aos sentimentos de Riley... Não fazia a menor ideia do que se passava em sua cabeça.

A única forma de saber seria através de uma conversa sincera, expondo todos os pontos frágeis da nossa relação. Contudo, eu havia pensado e me programado para isso apenas para os dias posteriores ao seu retorno, e não para hoje!

Depois de tanto pensar na resposta adequada, resolvi escrever um "Oi, Riley. Cmgo tá td bem. E c/ vc? Podemos conversar amanhã à noite? Estarei ocupada até tarde da noite hj e boa parte da manhã de sá ."

Tentei ser educada, mas continuava fria e distante. Bem diferente de quando resolvi aceitar seu pedido de namoro. Parecia que havia uma barreira entre mim e ele agora. E eu sabia muito bem qual obstáculo era esse. Edward Masen.

Porém, o crédito também iria para minha irmã que sempre frisou que Riley não era o cara certo pra mim, mas eu muito compassiva, achava que estava tudo bem.

A verdade é que eu continuava focada nos meus compromissos profissionais e acabava levando meu jeito metódico para o relacionamento afetivo com Riley, que por sua vez, nunca demonstrou sentir tanto tesão por mim, como Edward demonstrava. Eu apenas aceitei a situação ridícula de um namoro fajuto. Talvez, por necessidade de descobrir o amor. Mas agora sei que o resultado do falso enlace fora pífio.

Eu inventei um amor inexistente.

O amor não se inventa, conquista-se e vive-se. Um sentimento forte que surgiu naturalmente. Foi isso que eu descobri ao aceitar Edward em minha vida.

Agora faz parte de mim e vivo com muito mais prazer.

A minha escolha já havia sido feita. Restava explicitar isso ao Riley no dia seguinte, visto que, sua resposta fora positiva à minha mensagem, deixando-me mais aliviada. Renovando meu humor.

Hoje era um dia especial. Não queria nada, nem ninguém atrapalhando meus planos.

Minha mente, meu coração e meu corpo estavam em sintonia somente para se dedicar ao lindo modelo que dormia como um anjo sedutor em minha cama, envolto tanto pelo lençol quanto pelo nosso cheiro.

Edward era um pedaço de mau caminho que me levava à perdição com frequência. Era o verdadeiro pecado transfigurado em carne humana. E eu, apenas um cordeiro, que ao invés de correr para bem longe do pecado, fazia o inverso.

Sem medo algum, deixava-o me subjugar de todas as maneiras, através de palavras carinhosas, gestos afetuosos, além das demonstrações vivazes de desejo.

Nunca me cansaria dele e torcia desesperadamente, pela felicidade da minha família, para que ele não se cansasse de mim. Principalmente que não se cansasse da minha insegurança que resolvera dar às caras sem pedir licença e na maior cara de pau decidira ficar momentaneamente na minha vida.

Às vezes o fitava, pensativa, enquanto eu organizava minhas tralhas do trabalho em casa. Edward não percebia, pois nos últimos dias encontrava-se distraído com seu violão ou simplesmente concentrado na composição da música misteriosa que teimava em omitir de mim. Suspeitava que tal canção tivesse algo a ver comigo ou conosco. Sempre me dizia a mesma frase: "é uma surpresa", e depois seduzia-me com um sorriso torto de tirar o fôlego.

O que esse cara viu em mim?

Era o tipo de pensamento corriqueiro que me levava à frente do espelho sempre que possível.

Eu tinha chegado aos 30, mas continuava me sentindo aquela menina de 15 anos com sonhos que pareciam tão distantes. E para mim, Edward era exatamente esse tipo de sonho... que agora virara realidade, levando-me ao desespero de pensamentos absurdos.

Minha mente parecia ter regredido. Parecia ter voltado ao tempo em que eu parecia um "menino" e, com isso, não acompanhava as mudanças de meu corpo.

Meu corpo era o que se pode chamar de 'mignon'. Tinha tudo no lugar, mas em pequenas proporções. Eu era o inverso de uma Über-Model, mas tal fato não me incomodava de maneira alguma. Até conhecer Edward.

Costumava achar graça quando Alice tentava me convencer de que os homens, em geral, preferiam as baixinhas em muitas situações. Ainda mais quando o assunto era sexo, pois segundo a própria, uma vez lera em uma revista sobre uma pesquisa que analisava a relação entre altura e frequência de orgasmos, em que afirmava que a mulher é mais propensa a ter orgasmos se a distância entre o clitóris e o canal vaginal for menor que a largura do próprio dedão! Havia a insinuação de que essa distância seria menor em mulheres de menor estatura. Algo totalmente aprovado pela minha irmã, que pelo visto, era catedrática no assunto. Todavia, eu não me guiava por estudos, eu me guiava pelo que conhecia do meu corpo.

A única vez que dei bobeira diante do espelho, deixando-me ser flagrada por Edward, quando eu estava em um momento avaliativo, me fez perceber que homem gosta do conjunto. Mulheres é que são encucadas com defeitos. Mesmo assim, corei de vergonha.

Eu não gostava do tamanho das minhas coxas, mas ele sempre dizia "são perfeitas para acariciar".

Eu não admirava muito o tamanho dos meus seios, mas ele sempre dizia "cabem perfeitamente em minhas mãos".

Eu implicava com minha altura, mas ele sempre dizia "você é a minha pequena graciosa".

E sempre completava com um "estou apaixonado por você".

Por tudo isso, eu me sentia uma mulher muito amada. Poucas teriam a sorte que tive.

Não estava pronta para me separar dele. Mesmo que por poucos dias. Necessitava de sua presença. De seus abraços que me deixavam longe da solidão. De seus olhos nos meus quando queria me dizer, através deles, que eu era tudo que ele precisava em sua vida. Necessitava dessas demonstrações afetivas diárias para reafirmar a mim mesma que o que estávamos vivendo não era passageiro. Seria mais que um amor de verão. Necessitava acalmar meu coração... Porque eu nunca me senti tão bem sobre o amor como agora. Distantes um do outro eu ficaria inquieta, mais insegura e mais insone...

O cheiro de café da manhã assaltou o meu olfato, deixando meu estômago agitado. Lembrando-me que a realidade me chamava de volta à ativa.

Olhei de relance para cama, mas Edward permanecia imóvel. Desmaiado.

Nos últimos dias, passávamos horas acordados curtindo os carinhos um do outro, até nossos olhos e corpos serem vencidos pelo cansaço.

Antes de sair do quarto, envolvida em meu roupão, dei um beijo carinhoso em sua testa. Mas ao exercer o breve movimento de abaixar, senti uma fisgada nas costas. Só então me dei conta de que fiquei sentada por muito tempo de mau jeito na poltrona do meu quarto e agora a má postura cobrava seu preço. Talvez eu estivesse mesmo muito balzaquiana para o meu gosto...

Tentando reprimir uma careta de dor, voltei meu olhar para o display do celular só pra confirmar o que já suspeitava. Eram sete horas da manhã.

Sue chegava cedo à minha casa e sempre entrava com sua chave extra e, pelo jeito, já estava pronta para começar seu dia de trabalho, enquanto eu, atrasada para o meu... mais uma vez...

_Bom dia, menina Bella – ela me cumprimentou com seu sorriso acolhedor assim que cheguei à sala de estar, enquanto arrumava a mesa, pondo as delícias típicas de um café-da-manhã generoso.

Estava elegante como sempre, mesmo usando um avental. E como de costume, primeiro fazia meu café e depois trocava sua roupa bem cuidada por algo mais confortável. Ela tinha um jeito exótico de trabalhar numa casa. Mas eu a amava por ser tão singela.

_Bom dia, boo – cumprimentei-a carinhosamente pelo seu apelido dado exclusivamente por mim e, que na gíria juvenil, significava "querida"; "amor"; "carinho". _Hum... você, Carmem e a mamãe são as melhores cozinheiras que conheço. Nenhum restaurante oferece a mesma qualidade das comidas maravilhosas que as três fazem – cochichei em seu ouvido, abraçando-a bem forte. Dando-lhe um beijo estalado na bochecha.

_Menina, não exagere. Sabe muito bem que eu já trabalhava nesse ramo antes de chegar à sua casa – bateu com o pano de prato de leve na minha mão, rindo. _Não precisa me bajular tanto assim. Você já tem meu coração – piscou, olhando-me de relance.

Mostrei todos os meus dentes brancos num sorriso genuíno para minha outra mãe.

Afastei-me sentando em meu lugar cativo à mesa. Próxima à porta da cozinha.

Quando a fome e a ansiedade se misturavam logo na primeira refeição do dia, eu sabia que meu corpo padeceria ao longo do dia, deixando-me mais lerda que o normal.

_Hoje não vai trabalhar? – perguntou franzindo o cenho ao me ver de roupão.

Não era habitual eu faltar ao trabalho, mas estava cogitando seriamente em delegar as responsabilidades do dia para Jasper e Angela.

_Acabei de decidir que não vou à empresa hoje, Sue – dei de ombros, esboçando um sorriso meigo, olhando para o meu celular. _Como não tenho nada de muito importante para resolver, Jasper e Angela com certeza segurarão as pontas para mim – pisquei, já digitando uma mensagem para meu cunhado.

_Uau! – ela exclamou, fazendo-me levantar a cabeça, encarando-a em expectativa. _Perdoe-me por ser indiscreta, criança, mas isso tudo está relacionado a um certo menino de olhos azuis acinzentados que vai embora amanhã? – olhou-me de modo terno.

Senti minhas bochechas arderem, pois Sue era mais uma das pessoas próximas a mim que sabia exatamente o que acontecia na minha vida.

Larguei o celular em cima da mesa e suspirei abanando a cabeça em concordância, de um jeito tímido.

_Bells, meu amor, não precisa ficar com vergonha de admitir para mim que está amando esse rapaz – falou de um jeito tão materno que fez meus olhos marejarem. _E só pra você saber... eu adorei o Edward – cochichou em meu ouvido ao se abaixar para me dar um abraço afetuoso, deixando-me enternecida.

_Obrigada, Sue. Obrigada por não me julgar – falei baixinho envergonhada por ela saber que eu ainda não havia terminado meu namoro "oficial" com Riley.

_Pequena, quem sou eu para julgar as coisas que vem do coração? – sorriu, abraçando-me bem forte. _Veja bem, você sabe muito sobre minha vida, desde que cheguei aqui. Mas há algo particular que não lhe contei – virou meu queixo em sua direção, fitando-me seriamente há poucos centímetros de distância.

Franzi o cenho, não entendendo onde ela queria chegar.

Sue inspirou profundamente, afastando uma cadeira da mesa para poder sentar-se ao meu lado e me revelar o que havia de tão escondido dentro de si.

_Não vai comer nada primeiro? – perguntou apontando para a farta mesa.

Eu até estava com fome, muita fome... mas isso foi antes dela atiçar minha curiosidade.

_Não... – eu disse, acenando a cabeça. _No momento estou mais interessada na sua história, boo.

_É uma história longa e que nunca dividi com ninguém, desde que saí de La Push – baixou os olhos para o tampo da mesa e ao levantá-los para me fitar, vi que estava emocionada.

_Sue... – murmurei seu nome acariciando suas mãos que estavam descansando entrelaçadas em cima da mesa. Ela olhou para o meu gesto em apreciação. _Se o que iria me contar te faz sofrer, não me conte... não precisa. Eu já me sinto agraciada por ter uma pessoa tão iluminada na minha vida como você. Por me entender – falei baixinho, de modo carinhoso, vendo-a comprimir os olhos.

_Oh meu bem... minha criança – olhou-me fazendo uma careta ao tentar conter as lágrimas que começavam a cair silenciosamente pelo rosto maduro e marcado pelas linhas de expressão. _Eu quero contar-lhe uma parte da minha vida trancada a sete chaves – esboçou um sorriso triste. _Quero que entenda o motivo pelo qual não julgo os atos de ninguém. Principalmente, daqueles que se deixam envolver pela aura mágica do amor – suspirou tomando fôlego.

Inclinei a cabeça, fitando-a com atenção.

_Quando eu era jovem, mais ou menos nos meus vinte anos, vivi um amor proibido, que machucou muito as pessoas envolvidas – torceu o canto da boca e desviou o olhar para um canto qualquer da casa, como se estivesse buscando pela memória.

Apertei suas mãos querendo transmitir-lhe segurança e conforto.

Seus olhos focaram mais uma vez o tampo da mesa antes de se fixarem aos meus novamente.

_Como já lhe contei uma vez, toda tribo indígena tem suas próprias regras e hierarquia a seguir – balancei a cabeça em afirmação, pois ela já me contara muitas histórias de seu povo Quileute, que vivia isolado em uma reserva, localizada a catorze quilômetros de distância de Forks, cidade da qual minha mãe era natural. _Na minha tribo toda menina, desde o nascimento, já era prometida ao filho de algum membro da tribo e, normalmente, os arranjos davam certo, pois o grupo era muito unido e a convivência fazia com que os prometidos se conhecessem melhor e, por fim, acabavam casando-se.

Ela sorriu melancólica e eu esbocei um sorriso.

_Comigo não foi muito diferente, querida. Casei prometida a um rapaz chamado Harry e achei que meu casamento traria o tão sonhado amor, que eu conhecia apenas através da felicidade estampada no rosto de alguns casais anciãos da reserva. Mas o tempo foi passando e eu não sentia amor algum por meu marido. Gostava e tinha carinho por ele, mas não amor. E para piorar a minha situação conjugal, não engravidei dele – comprimiu os lábios. _Mas engravidei de outra pessoa, que era o filho do chefe da tribo e estava destinado a ser seu sucessor. Seu nome era Joshua Uley. Era casado – informou suspirando.

Arregalei os olhos surpresa pelas revelações que Sue me fazia, mesmo constrangida.

_Desde muito cedo eu sabia que meus sentimentos eram somente de Joshua e os dele, meus. Porém, eu não queria infringir as regras da tribo e causar conflitos e possíveis punições que seriam levadas a extremos – falou, séria.

Eu já estava nervosa até aquele ponto, tentando imaginar toda a situação constrangedora que Sue passara. Mas era difícil me colocar no lugar dela. Era difícil imaginar o que viria pela frente, pois não fazia ideia das consequências.

_Então aceitei meu destino, todavia, quando meu casamento entrou em crise e, eu e meu marido tivemos que nos reunir com os anciãos da tribo, numa espécie de Conselho, Joshua soube através de um amigo, que escutara a conversa.

Seus olhos mantinham-se fixos nos meus e, eu praticamente nem piscava. Muito menos respirava de modo regular. Parecia estar mais tensa que ela.

_Vocês se encontraram? – perguntei ansiosa.

_Sim. Por meio de um bilhete, que era enviado por esse amigo de confiança dele, passamos a nos encontrar num penhasco que fazia parte da área da reserva e, então, foi naquele momento que eu descobri o amor. Um amor proibido que destruiu a vida de todos os envolvidos – fechou os olhos com ardor, como se as lembranças estivessem doendo-lhe na alma.

_Sue... – murmurei seu nome afagando suas mãos, tentando confortar-lhe.

Ela espalmou uma mão no ar pedindo um tempo para encadear seus pensamentos. Mantive-me calada apenas acariciando-lhe.

_Quando o nosso envolvimento e a minha gravidez foram descobertos, o horror fora instalado na tribo. Harry, mesmo relativamente jovem, sofrera um infarto pela decepção que lhe causei e falecera. Joshua fora açoitado pelo pai diante da tribo, envergonhando o ancião e sua esposa. E eu fui expulsa, carregando dentro de mim um pedaço do meu único e verdadeiro amor – as lágrimas já estavam transbordando pela beirada de seus olhos.

Engoli em seco. Meus olhos estavam umedecidos, pois também me sentia solidária com sua dor.

Meu Deus! Que história!

_Sue... eu sinto muito – puxei-a para me dar um abraço apertado. Queria transmitir-lhe meu carinho e conforto.

_Oh minha Bella... – disse com ternura o meu nome. _Eu te amo tanto – beijou minha bochecha com carinho, fazendo-me chorar de vez.

Sempre estivera cuidando com muito zelo de mim e das minhas coisas, desde que chegara à minha casa. Ela realmente era uma mãe para mim.

O ambiente estava carregado de emoção.

Após alguns parcos minutos, desvaneci nosso abraço, sorrindo para ela, mas uma questão não saía de minha mente...

_Sue...o que... o que aconteceu com seu filho? – perguntei em voz baixa.

Ficamos nos encarando por um tempo e eu já estava quase pedindo para encerrar o assunto quando ela resolveu falar:

_Minha gravidez não vingou, Bella – disse triste. _O que me restava do grande amor da minha vida o acaso me tirou. Talvez por castigo. E foi naquele momento que eu decidi seguir meu novo rumo. Apenas aceitar o que o caminho me mostrava ao longo do tempo. Foi assim que vim parar um dia, ainda jovem, em Los Angeles – esboçou um sorriso.

_E nunca mais tentou refazer sua vida sentimental?

Ela apenas balançou a cabeça em negação, ainda muito emocionada por ter mexido na ferida de sua vida.

_Nem tentou mais retornar à reserva? – perguntei, triste pela história de amor mal resolvida que ela teve.

_Não. Uma vez expulsa. Permanece expulsa – suspirou. _Mas o acaso também me trouxe à sua vida, mesmo que somente há pouco tempo, através de um anúncio de jornal. E logo quando lhe vi, senti um imenso sentimento crescendo dentro de mim. Quando soube da sua história de vida, esse amor veio à tona. E no meu íntimo, adotei-lhe como filha – seu sorriso iluminou minha face.

Não suportando tamanha demonstração de amor, abracei-lhe não querendo soltar-lhe tão cedo.

_Eu te amo, boo – sussurrei em seu ouvido, ouvindo seu choro abafado.

Agora eu a entendia um pouco mais. Sue era carente devido ao que passara. E o carinho e amor que devotaria ao seu filho, transferira a mim.

_Agora você entende porque jamais iria julgar você, querida? – perguntou enxugando as lágrimas.

_Sim. Perfeitamente – abanei a cabeça. _Mesmo assim, em breve, tudo estará resolvido – disse, convicta.

Ela sabia exatamente do que e de quem eu falava.

_E você poderá continuar vivendo seu romance de maneira mais calma – completou indo em direção à área da cozinha. _Ah! – hesitou à porta, voltando-se para mim. _Mas não deixe você perder esse belo rapaz para seus medos – alertou-me com a sobrancelha erguida.

_Minha insegurança está tão aparente assim? – dei uma risada, tentando ocultar na verdade, meus receios com esse conselho dela.

_Você consegue disfarçá-la para quem não a conhece – piscou. _Mas não para mim.

Sorri constrangida por ela me conhecer tão bem.

_Às vezes apenas me sinto uma menina num corpo de mulher, Sue. E com este pensamento corroendo minhas entranhas, fico tentando entender como consegui chamar a atenção de um homem como Edward – franzi a testa.

_Querida, tire esses pensamentos bobos de sua cabeça. Aquele menino te admira pelo que você é. Quem seria o maluco de não se encantar por uma pessoa tão especial como você, Bella? – cruzou os braços, batucando seus dedos. _A verdade é que talvez só agora você saiba o que é o amor. E viver um amor de verdade só acontece quando a gente menos espera. Quando não se está preparado para enfrentar tudo que vem com ele.

Céus! Eu não imaginava que tornar-me uma balzaquiana me traria tantas emoções distintas. E principalmente um amor.

_Agora, já que não vai trabalhar... por que não levanta daí e vai tomar seu café-da-manhã na cama? – piscou matreira.

Sue era tão perceptiva e eu morria de vergonha do que ela poderia imaginar a respeito de mim e Edward trancafiados no quarto.

Para não parecer desesperada para voltar para o segundo andar, após a sugestão mais que bem-vinda dela, decidi terminar a mensagem de envio para Jasper.

Logo após, peguei uma bandeja de inox dentro do buffet de madeira para acomodar todas as guloseimas que Edward gostava, pois tinha certeza que nossa manhã seria muito "produtiva" e para tal, necessitaríamos de muita energia.

E tudo ficaria mais delicioso com a incrementada do kit Kama Sutra que Alice me dera.

Sorri com esse pensamento, mas fui desperta pelo som de "Everybody" que tocava em meu celular.

Alice.

_Você não morre tão cedo – falei com tom divertido.

_Por que? perguntou num tom curioso.

_Porque acabei de lembrar de você – ri enquanto mexia na bandeja.

_Ah! Que bom que você ao menos pensou em mim hoje. Porque desde segunda-feira você só pensa em Edward – falou chateada demonstrando um ciúme infundado.

_Alice, você está com ciúmes do seu melhor amigo de "infância"? – brinquei, beliscando um pedaço de pão de queijo, alimento típico da culinária brasileira e muito apreciado nos supermercados daqui.

_Eu não. Só acho que você tem família para dar atenção também – tentou desconversar.

_Tudo bem. Concordo com você. Andei bem distraída por esses dias. Perdoe-me, ok? – tratei de amenizar o mau humor da baixinha.

_Tá. Tá bom – suavizou a voz, deixando-me melhor por saber que amansei a fera.

_O que houve? – quis saber sobre sua ligação.

_Ah, estava ao lado de Jasper quando ele recebeu sua mensagem, então resolvi ligar para dizer que além de estar com saudades, surgiu um convite de última hora de Jane Volturi para irmos ao seu aniversário. E você sabe que temos de ir. Ela é filha de um dos amigos dos nossos pais.

Só faltava algum imprevisto para azedar meu programa com Edward.

_Mas ela não estava viajando? – franzi o cenho.

_Cancelou a viagem e preferiu dar uma festa. Fechou a boate SupperClub a partir das 22 horas – informou certeira.

_Mas nós nem somos amigas dela, Alice – falei desanimada. _Quem te avisou sobre isso? – soei curiosa.

_Mamãe e papai.

Rolei os olhos. Meus pais não sabiam ser deselegantes com ninguém.

_Vou dizer aos nossos pais que acordei passando mal. Não estou a fim de ir pra esse tipo de festa, Alice – falei mal humorada.

_Rá, rá rá. E você acha que eu gostaria de ir? – perguntou usando o mesmo tom de voz que o meu. _Além disso, invente outra desculpa para nossos pais, pois se falar que está passando mal D. Esme virá correndo em seu auxílio – alertou-me e eu gemi em desgosto.

_Eu tinha programado um dia todo com Edward. Ele vai embora amanhã de manhã – disse, praticamente choramingando.

_Sinto muito, mana – suspirou.

_Merda! – praguejei.

_Não podemos fazer essa desfeita. E se você não for eu também não vou – chantageou-me.

Odiava ser pressionada.

_Aly, você sabe que não posso me expor tanto com Edward. No meio de tanta gente conhecida vou ter de me manter afastada dele. Eu não quero isso – choraminguei.

_Quem disse que vocês precisam fingir que não são um casal? Se alguém for indiscreto é só dizer que seu antigo relacionamento terminou. Ninguém sabe o que está rolando mesmo – falou naturalmente.

Pensei por um instante mordendo o lábio. Tentando pesar os prós e os contras.

_Tudo bem, Tudo bem. Droga!

Estava puta.

_Ninguém vai ser tão abelhudo ao ponto de sair perguntando sobre sua vida pessoal. Você sabe que são pessoas que só olham para o próprio umbigo. De qualquer forma, um "foda-se" bem mandado resolve a questão.

_Alice! – chamei sua atenção. _Eu jamais teria uma atitude assim. Quer dizer, em pensamentos eu até posso cogitar, mas não expressar.

_Bom, então eu mando por você – riu. _Porque sinceramente, pra mim, opinião é igual cu. Algumas pessoas dão demais e não se tocam quando estão sendo inconvenientes – falou com desdém.

Gargalhei diante de seu comentário. Ela era insuperável no quesito sinceridade.

_Ok. Ok. Vou avisar ao Edward e mais tarde te retorno.

_Tudo bem. Boa diversão – riu de maneira jocosa, deixando-me vermelha com sua insinuação.

(continua...)


N/A: E então, gostaram dessa conversa da Bella com a Sue?...Esses amores mal resolvidos desses personagens...kkkkkkkk

E Alice? Como sempre desbocada...rsrsrs

Bem, o próximo vai vir quente e fervente..rsrsrs

Mereço algum review?