Capítulo III
Dragão Dourado
- Vê se ele está respirando, Prongs. – Remus pediu, sua voz estava distante, mas eu não estava em condições de me mexer no momento. É, tinha tomado um porre daqueles! Do jeito que eu tinha me jogado na cama ontem (ou há três horas atrás) tinha ficado. Cara enterrada no travesseiro, perna e braço direito para fora da cama, uma gravata na cabeça, muitas marcas de batons – o que eu não pretendia tirar – e um cheiro de lavanda, que eu acredito ser da ruiva.
- Hmmm. – resmunguei, mexendo o braço para dizer que eu estava vivo. Como se eles nunca tivessem me visto assim ou ficado muito pior. – FILHO DE UMA PUTA! – gritei, pulando da cama, pois tinham jogado água no meu rosto, muita água. – Quem foi o desgraçado que me jogou água fria? – perguntei, olhando para os dois, com o cabelo pingando.
- Calma aí Padfoot. – começou o Tiago, para logo em seguida cair na gargalhada junto com Remus. E infelizmente eu não pude agüentar e tive que rir também – Bem que podia ter nos chamado pra noitada. – James reclamou, jogando uma toalha na minha cara.
- Digamos que não queria dividir minhas garotas. – sorri maroto. É. Garotas no plural. Ou vocês acham que Sirius Black fica com uma só? Claro que não! E tenho que dizer que foi uma noite daquelas, sorte que era sábado e eu não tinha que olhar para a cara de desaprovação da McGonagall, embora ainda tenha uma teoria sobre ela e o diretor... – E outra: vocês são comprometidos. – completei, chacoalhando o cabelo em James. Ele podia não ser oficialmente comprometido, mas do jeito que ele estava agindo parecia. Só tinha olhos para a ruivinha. Merlin, tinha muitas mulheres ruivas no mundo!
- A julgar pelas marcas roxas e arranhões elas também não queriam dividi-lo Prongs. – Remus comentou olhando para mim, que já estava só de calça. É, talvez eu tivesse algumas marquinhas aqui ou ali, mas nada sério. E eu não pretendia tirá-las com feitiço.
- A loira era um tanto selvagem. – comentei entrando no banheiro com a toalha na mão. Não, eu não me lembro dos nomes das "minhas garotas", normalmente chamo pela cor dos cabelos: loira, morena, ruiva. Apesar de que teve uma de cabelos azuis que fiquei uma vez que nem Merlin conseguia dar um "nome" para ela. Luzul, azurena, Ruizul? Enfim, isso não vem ao caso. E antes que você me ache um cafajeste por não saber nem ao menos os nomes das mulheres com quem eu durmo vou lhe poupar um tempo: Eu sou cafajeste sim! E dos bons. Ou você acha que Marlene McKinnon podia ficar com aquelezinho e... – Merlin por que me acordaram? – resmunguei entrando no chuveiro. Ia ser um looongo dia.
Quando eu desci para o Salão Comunal, não muito cheio, já que estávamos na hora do almoço, encontrei a única pessoa que pretendia evitar por um tempo até eu formular algumas perguntas: Marlene. – Boa tarde, Six! – ela me cumprimentou animada, em um tom divertido, apoiando os braços no encosto do sofá, para me olhar chegando.
- Bom dia, Len. – cumprimentei sorrindo também; não tinha como evitar. – Acordou agora também? – perguntei me jogando no sofá em que ela estava, enquanto ela se virava e "sentava direito". É, eu era meio espaçoso, ainda mais com um quê de ressaca.
- Não, mas você pelo jeito sim. – comentou, rindo da minha cara, no que eu joguei uma almofada nela – de leve, claro. Se for computar eu nem tinha chegado a dormir, cochilar no máximo.
- Você sabe muito bem que se pudesse só acordava depois do almoço. – salientei. Eu era imprestável de manhã, até porque não conseguia dormir cedo, então conseqüentemente sempre era um martírio para levantar da cama. Marlene tinha conseguido esse feito umas cinco vezes só, se bem que ser acordado com agradinhos e beijinhos (mesmo que no rosto) me faziam ficar disposto qualquer hora. Ela tinha algumas vontades divertidas, como correr no lago às 4h da manhã, ser os primeiros clientes da loja de doces, para pegar as novidades, ir à biblioteca escondidos só para provar uma teoria. Lene era o oposto de previsível e monótono. E essa era uma das coisas que me fascinava nela.
- Mas infelizmente a McGonagall está na sua cola. – Len caçoou, me fazendo revirar os olhos. Tinha que lembrar daquela ditadora? Ela fez um sinal para deitar a cabeça no colo dela, o que eu fiz quase que instantaneamente. Adorava quando ela bagunçava o meu cabelo. – Loira, ruiva, morena ou as três? – ela me perguntou, olhando para as marcas visíveis no meu pescoço. Lene sabia como eu era. E também sabia que eu tinha uma incrível dificuldade de guardar nomes. É, eu menti, não sou tão cafajeste assim, a ponto de não lembrar o nome das garotas com quem eu fico. Até já tentei uma poção para memória e coisas do gênero, mas não funcionou. Minha memória fotográfica para rostos é fenomenal, mas não me peça para gravar nomes.
- As três. – respondi, com o mesmo tom que eu uso quando quero tirar vantagem. Isso não deve ter passado despercebido, mas ela não disse nada. Talvez eu estivesse um pouco incomodado com a história de ontem. – Tirou a sua com feitiço, foi? – provoquei. Ainda me lembrava da marca que ela estava ontem no pescoço, obra do namoradinho, não adiantava ela esconder com feitiços.
- Aquele mesmo que você me ensinou. – ela retrucou, ganhando a batalha que nem tinha começado. Mas ao invés de ficar bravo eu ri, e ri muito. – O que foi? – perguntou, me olhando confusa, querendo saber qual era a graça.
- Lembrei de como eu te ensinei esse feitiço. – e voltei a rir. Lene ficou um pouco sem jeito e me deu um tapa na testa, mas acabou rindo também.
*flashback*
- Six. – escutei uma voz baixinha do meu lado, tinha acabado de deitar. - Six, está acordado? – a voz continuou. E mesmo sendo um murmúrio quase identificável eu sabia quem era, só ela me chamava assim – embora muitas tenham tentado copiar.
- Estou, Len. – respondi. Abri os olhos e notei uma belíssima morena fechando o dossel da cama, enquanto se sentava nos meus pés. – Está tudo bem? – perguntei a julgar pela coloração vermelha de seu rosto, perceptível até no escuro, o que não era nada normal, e a cara de quem tinha feito alguma coisa.
- Lembra que eu tinha outro encontro com o Richard hoje? – Marlene eprguntou. Claro, como eu poderia me esquecer. Eu era completamente contra, mas Lene era mais teimosa do que eu. Fiz um aceno positivo com a cabeça, para que ela continuasse e me sentei. – Então. – ela fez uma pausa, vindo sentar do meu lado. – Nós saímos para jantar e depois ficamos conversando em uma das salas de estudo.
- Aquela com vários sofás? – perguntei calmamente, mas cerrando os meus punhos com força. Não era lugar para levar a Marlene. Ainda mais desacompanhada e com aquele papa-anjo. Sabia que tinha que ter ido atrás!
- É. Aquela com vários sofás. – ela confirmou. Minha vontade era ir até o dormitório do sétimo ano e espancar aquele filho de uma puta! Eu sabia muito bem porque garotos levavam seus encontros para lá, eu mesmo fazia isso. – Então.. – ela continuou. Mas se ele estava achando que podia fazer isso com a minha Len ele estava muito enganado! Ah, mas muito mesmo. – Nós ficamos conversando um tempo e depois nós nos beijamos e... – ela fez uma pausa. Merlin! E o que? Beijar eu sei que você já o beijou , o que eu quero saber é o que diabos vem depois do "e"!
- E? – perguntei tentando manter a calma, se ela demorasse pra responder mais um segundo eu ia correr para matar aquele cretino! Mas ao invés de falar ela apontou para o pescoço, ficando mais vermelha do que já estava. Eu não entendi o que o pescoço tinha haver com tudo aquilo. Cheguei mais perto e notei uma marca meio roxa e... – Ah! – soltei uma exclamação. Era um chupão ou algo do gênero. Soltei meus pulsos, aliviado, e comecei a rir. – Vem cá. – a abracei, fazendo cócegas.
- Six, para! – Lene me pediu em tom baixo, com lágrimas nos olhos, por rir. – É sério! – pediu novamente, no que eu parei e lhe dei um beijo na bochecha.
- É claro que é, Len. – concordei. Mas graças a Merlin não era tão sério quanto eu estava imaginando. Então o marmanjo ia escapar vivo dessa afinal. O que não quer dizer que eu não iria ter uma conversinha, não muito amigável, com ele. – Você queria só me contar isso ou tem algo a mais? – perguntei por precaução.
- Como que eu tiro essa marca? – ela me perguntou um tanto sem jeito. Eu sabia que Lene, apesar de toda aquela pose de femme fatale, dizia que certas coisas só se faziam com respeito, confiança e afeição. E graças a Merlin, Len não dava muita liberdade – leia-se permissão para mãos bobas – aos marmanjos, o que infelizmente me incluía. Eu até concordava com a teoria dela, mas fazia o oposto. Remus, no meio de um de seus conselhos nada produtivos, disse que é por birra ou por querer provar alguma coisa, mas na verdade é porque eu gosto da "fruta". Sabe como é né? Carne é fraca.
- Tem um feitiço bem fácil e que não deixa nem vestígio. – garanti, deixando-a mais despreocupada. Executei o feitiço no pescoço de Lene e a marca imediatamente sumiu. – É esse que eu sempre uso. – comentei dando meu melhor sorriso maroto. Tinha que tirar os vestígios, se não minha política de "comer quieto" não funcionava.
- Preferia que não precisasse. – ela disse, dando um meio sorriso, deitando no meu colo e me abraçando como um ursinho. Ambos sabíamos que não era das minhas aventuras "amorosas" que ela estava se referindo. E sim as marcas que meus queridos e carinhosos pais me deixavam quando eu não agia como "um verdadeiro Black". Lene era a única que sabia, não porque eu contei, mas porque ela viu e me perguntou. Ela parecia tão preocupada que eu não tive como esconder. Só sei que eu ri quando ela quis ir até minha casa e tirar satisfações com os meus pais.
- E andar com uma marca roxa no pescoço que nem a sua? – perguntei em tom divertindo, preferindo não entrar no assunto implícito. – Pega mal pro meu lado, sabe? – zombei, apertando o rosto dela, com as duas mãos.
*fim do flachback*
- Você evoluiu, né? – cutuquei, olhando-a de canto, só para poder ver a cara que ela estava fazendo.
- O que exatamente você quer dizer com isso, Sirius Black? – ela murmurou, cerrando os olhos. Se não fosse pelo discreto sorrisinho eu deveria estar com medo agora.
- Eu? – fiz cara de inocente. – Eu não quero dizer nada. – dei o meu melhor sorriso, no que ela me deu um tapa de leve no rosto. Eu sei que é de leve porque eu já tinha levado um bem forte dela. E dói. Lene murmurou um "Bobo", balançando a cabeça. Levantei um pouco, apoiando meu cotovelo na beira do sofá. - De bobo, minha cara, eu não ... – parei a fala na metade. Lene tinha ficado branca. – Len? – a chamei, levantando e ajoelhando nos pés dela, enquanto segurava suas mãos. Ela não me respondeu, fechou os olhos um pouco e apertou minha mão. Meu coração disparou apertado. – Len? – a chamei mais uma vez e como não obtive resposta não pensei duas vezes e a peguei no colo. Era a segunda vez que ela ficava assim e não me parecia ser bom, tinha que levá-la na enfermaria.
- Não. – ela pediu, quando eu já estava saindo do Salão Comunal, com ela no meu colo. Sabia que Marlene não gostava de ir à enfermaria. – Já estou bem. – Mentira, pensei em dizer. Ela ainda estava pálida e com os olhos semi-abertos. Tudo bem, se ela não queria ir até a enfermaria pelo menos tinha que deitar em algum lugar.
Assim que eu entrei no dormitório, a coloquei na minha cama, com cuidado, e molhei um pedaço do lençol com água, colocando em seu rosto. Meu coração parecia que ia sair do lugar. – Eu estou bem. – ela disse novamente. A quem ela queria enganar, eu ou ela própria? Era a segunda vez em três dias que ela ficava pálida daquele jeito. Bem é que não estava.
- Não, não está. – protestei, secando o rosto dela, que agora já voltava a ficar corado. – O que você está sentindo? – perguntei, checando cada pedaço dela, para ver se estava tudo bem. – E se responder que está bem, de novo, nós vamos brigar. – adverti, sério.
- Eu fiquei um pouco tonta, como se eu fosse cair. – ela disse, sentando-se, o que eu acompanhei com as mãos, só por garantia. – E não deve ser nada demais Six, não precisa ficar com essa ruga de preocupação. – ela levou o dedo até a minha suposta ruga, apertando e dando uma leve risada. Isso me fez ficar mais calmo, Marlene parecia bem de novo, mas eu não tinha como não ficar preocupado.
- Você não está com bulimia, anorexia ou algo assim, está? – perguntei, depois que me deu um estalo. Era comum isso entre garotas, não era? Cada vez mais magras. Merlin como mulher muito magra é sem sal. Não tem nada, nem curvas, nem bunda e nem seio. Palito. Eu gostava é de dirigir por curvas perigosas. – Porque você é perfeita do jeito que você é. – garanti. E não estava mentindo. Len era realmente perfeita. – Okay? – perguntei, sentando do lado dela.
- Não, não estou, Six. – ela garantiu, rindo da idéia absurda que eu tive. – E não precisa bajular não. – Lene se encostou em mim. – Tudo pronto para a festa de hoje? – ela perguntou, mudando absurdamente o assunto. Eu não ia discutir sobre como ela estava, mas Marlene podia ter certeza de que ficaria de olho nela.
- Tudo encaminhado. – garanti, sorrindo maroto. Eu, James, Remus e Pedro tínhamos contrabandeado várias garrafas de cerveja amanteigada, whisky de fogo, licor dos elfos e mais algumas coisas que o James quis, porque ele tinha ouvido dizer que a Lilian gostava. As comidas, não que fosse importante, mas depois de um tempo era necessário, pegaríamos na cozinha mesmo. – Bebida, comida e música. A decoração é com vocês. – terminei dando uma piscadela.
- Tudo encaminhado também. – ela disse, fazendo um sinal de positivo. – O Will ficou de nos ajudar. – comentou com um sorrisinho. Merlin! Eu tinha me esquecido desse paspalho. E ela tinha que lembrar do outro bem no meu quarto, sentada na minha cama, e abraçada comigo? Daí era forçar muito a barra.
Era isso. Eu teria que entrar no assunto que estava tentando evitar, não podia mais ignorar. - Desde quando vocês estão juntos? – perguntei tentando parecer casual. Eu sabia que eles tinham saído umas três ou quatro vezes, mas encontros esporádicos não levavam a um namoro.
- Acho que três semanas. – ela me respondeu, apoiando a cabeça no meu ombro. – Ele me encontrou por acaso na torre leste, aquela que eu gosto, sexta-feira. – Eu sabia qual torre que ela gostava, mas que direito ele tinha de ir lá? Era meio que o nosso lugar. – Disse que tinha passado um bom tempo me procurando, e que tinha uma coisa importante para me dar. – Se for um anel de noivado eu juro que me mato! – E como eu sou curiosa, você sabe.. – assenti com a cabeça. A curiosidade matou a Len, era como brincávamos. – Eu perguntei o que era.
- E ele te deu uma caixa de chocolates ou uma flor, acertei? – perguntei em um tom de deboche que não consegui evitar. Não acreditava que estava ali escutando como eles tinham começado a namorar. Aquilo me incomodava de uma forma estranha e bem ruim, era sobre mim que eu queria que ela falasse, e não dele.
- Não. – Marlene virou-se de frente para mim, com os olhos brilhando de um jeito lindo. Eu poderia ficar assim, só olhando para ela, por horas e horas. A luz do sol que passava pela fresta da cortina parava bem no rosto dela. Não tinha como ela ficar mais linda do que estava. Cabelos soltos, parecendo estar em um tom castanho dourado, a boca perfeitamente delineada em um tom rosado, e os olhos.. Merlin como os olhos dela estavam lindos. Podia me perder neles... – Sirius?
- Eu! Oi, desculpa, Len, me distraí. – admiti, chacoalhando a cabeça e voltando minha atenção nela, embora fosse difícil manter a concentração. De repente a vontade de provar daqueles lábios de novo era tentadora.
- Tudo bem. – Marlene fez um gesto com a mão. – Enfim, ele não me deu flores ou chocolates. – ela garantiu. Tudo bem, o que o paspalho tinha dado a ela então? – Ele me deu isso. – ela levantou o braço, deixando a mostra uma reluzente pulseira de ouro, com um pingente muito brilhante junto, só não dava para ver de que. Eu olhei para ela com a mesma cara de deboche de minutos atrás. Nossa, ele te deu uma pulseira, que original! Melhor seria flores ou bombons. – E se você parar com essa cara eu conto o resto. – ela disse, cruzando os braços. Sinceramente? Eu não estava nem aí para saber do resto, ainda mais se envolvesse beijos ou feitiços para disfarçar marcas roxas.
Mas como Lene tinha cruzado os braços e parecia irritada por eu não estar a escutando, resolvi fazer um sinal de continue. – Pode contar Len, prometo não fazer uma cara de deboche. – garanti, em um tom de brincadeira, mas que no fundo era verdade.
- Quando ele me deu a pulseira disse que quando era pequeno seu bisavó contava histórias sobre dragões. – Ela começou. Ah, dragões, grande idéia para emendar um pedido de namoro, pensei tentando evitar uma cara de desdém. – Disse que tinha um que ele era fascinado: o dragão dourado. Will me contou que é uma lenda pouco conhecida, que só algumas famílias antigas a conhecem, e que na verdade não se trata de o dragão e sim A dragão. – Essa é nova, dragoa dourada. – Diz a lenda que esses dragões não podem ser domados, capturados ou mesmo mortos. Conseguem tudo o que querem. Apenas aparecem em tempos apropriados e somente se há uma perfeição a ser encontrada. – ela continuou, com os olhos brilhando cada vez mais. O que eu não entendi, porque era só uma lenda estúpida de um dragão, o que tinha de especial nisso? - E essa perfeição é uma mulher. – Não sei porque eu não estava gostando nada disso. – De tempos em tempos nasce uma criança tão perfeita e única que seu espírito ganha uma luz diferente e é essa luz que os atrai. E antes dessa menina completar um dia de vida é encontrada por um desses dragões dourados.
- E daí o dragão engole a menininha! – deduzi. E é claro que Lene me deu uma travesseirada. – Ok, pode terminar. – levantei as duas mãos, me rendendo.
Ignorando minha interrupção, Marlene continuou a contar sobre a lenda que tinha ouvido. - Quando os olhos dessa menina se encontram com os dourados do dragão, eles se fundem. O dragão passa a ser parte da menina, sendo guiado pela sua alma, mas sem subjugar sua essência mística e poderosa. – Lene tirou a pulseira do pulso e colocou na altura dos meus olhos. – O pingente é um dragão dourado, olha. – ela pediu, entregando a pulseira para mim, sorrindo. Eu estava completamente estático, mas fiz o que ela mandou. Olhei mais atentamente para o pingente. – Eu acho que esqueci algumas partes da lenda, mas acho que é isso. - Era um lindo e imponente dragão, mas era feito de uma pedra muito brilhante para ser ouro, era um tipo de pedra ou metal que eu nunca tinha visto. E olha que minha mãe tem todos os tipos de jóias que existem, em especial as mais caras – Os olhos. – Lene indicou. Eu trouxe a pulseira mais perto e notei duas bolinhas brilhantes, que também não pareciam ser de ouro ou diamante. – Linda, não é? – me perguntou, sem tirar aquele sorriso do rosto.
Eu não tinha como dizer o contrário, por mais que tivesse procurado algum defeito na pulseira. Até o material que o pingente era feito era incomum. – Que pedra é essa? – eu perguntei, apontando para o pingente.
- Eu não sei. – Marlene me respondeu, não ligando por eu ter concordado ou não que o presente era lindo, ela sabia que era. – Will disse que esse pingente é da família dele. – Ah, ótimo. Herança de família. Grande coisa!
- E então ele te contou essa lenda, só para te dar a pulseira? – perguntei, tentando fazer isso parecer bobo. Na verdade eu queria dizer, "só para te levar para cama", mas achei melhor não, não queria pensar nisso como hipótese.
- Will me disse que eu sou essa menina. – ela sorriu. – Disse que só notou isso pelo contorno dourado dos meus olhos. – pegou a pulseira da minha mão, colocando-a de volta. Não precisei olhar para os olhos dela para saber que isso era verdade, o contorno dourado nos olhos de Marlene era o que eu mais gostava. Também não tinha dúvidas de que ela realmente poderia ser uma das meninas que a lenda dizia. Se eu mesmo tivesse ouvido de outra forma pensaria logo nela. Se era a perfeição que buscavam, a encontrariam em Marlene.
- Acreditou nisso? – perguntei, mesmo sabendo que estava sendo um completo idiota.
- Hum.. não. – Marlene me respondeu. – Mas gostei. – admitiu. Eu sabia que depois da tal lenda deveria ter tido um "procurei por você por toda minha vida" e blá blá blá. Como se ele tivesse procurado muito.
- E você aceitou namorar com ele por causa de uma pulseira? – perguntei contrariado. Era difícil de acreditar que o paspalho tinha ganhado minha melhor amiga assim. Tudo bem que tinha toda a história da lenda e tudo mais, mas isso não o fazia merecedor dela. Nada fazia. Nem se ele tivesse matado o tal dragão.
- Você está bravo, não está? – Len perguntou, voltando a sentar ao meu lado. Ela me conhecia bem de mais. Eu não falava com ela daquele jeito. Sabia que uma simples pulseira não a comprava, mas estava bravo. – Eu sei que devia ter contado antes, e que você deveria ser o primeiro a saber. – Pela menos ela admitia isso. Eu tinha motivos para ficar bravo, e muitos. – Mas é que foi tudo tão rápido e eu não tinha certeza se era isso mesmo que eu queria.
- Agora você tem? – interrompi.
- Tenho.
Toda raiva que eu estava do paspalho tinha se transformado em um aperto ruim no peito. – Por quê? – questionei. O que ele tinha feito para te conquistar? Ela tinha dito que não namorava.
- Eu não sei. – ela respondeu em um tom eufórico, como se fosse a melhor coisa do mundo não saber. – Mas eu quero muito descobrir. – mesmo que não estivesse olhando para ela, sabia que estava sorrindo.
- E onde está a minha melhor amiga, que disse que não gostava de se envolver, que não namorava? – voltei a perguntar, tentando parecer brincalhão, mas provavelmente falhando.
Marlene se virou de frente para mim e segurou meu rosto com as mãos. – Ela está aqui ainda, Six. – ela sorriu. E eu sabia que esse sorriso era meu, só meu. E tive que sorrir também. – A única diferença é que você não vai poder ficar me agarrando nos corredores desertos. – ela disse, para logo em seguida pular da cama, imaginando minha reação.
- Hey! – levantei também – Mas eu nunca te agarrei nos corredores! – protestei. Eu certamente iria me lembrar se tivesse feito isso. – Eu podia? – fiz uma cara de "eu não acredito".
- Agora não pode mais. – ela riu, correndo para o outro lado do dormitório. Ah, mas essa eu não ia deixar barato. Corri atrás dela feio um cachorro louco. Se eu a pegasse ela estava perdida e Marlene sabia muito bem disso porque não pensou duas vezes para correr mais ainda.
Mas como eu sou bem mais rápido que ela, não demorou muito para encurralá-la. – E agora? – perguntei com um sorrisinho vitorioso. Ela estava em cima da cama de James, e eu estava na sua frente, com os dois braços abertos, não tinha para onde ela ir. E antes que ela inventasse uma forma de escapar eu a segurei pela cintura, puxando-a para mim.
- E agora eu estou presa. – Lene concluiu brilhantemente, depois de tentar sair do meu colo. Eu não iria deixá-la ir tão fácil assim.
- Então quer dizer que eu podia te agarrar pelos corredores desertos, é? – disse com um tom de malícia, deitando-a na cama, e prendendo seus dois braços acima da cabeça, com minha mão direita. Ela não me escapava agora. Aproximei de seu rosto, quase deitando meu corpo sobre o dela, era uma questão de centímetros até eu encostar em seus lábios. E como eu queria isso.
- Six.. – ela me chamou em tom baixo, enquanto eu a trazia mais para perto, colando nossos corpos. Ela chamando meu nome era como música, um convite irrecusável e irresistível. Não importava se era para me fazer parar, o que não parecia.
- Humm. – murmurei em resposta, indo de encontro ao pescoço dela e dando leves, mas provocantes, beijos e mordidas. Podia sentir a respiração de Len ficando mais pesada e seus batimentos aumentando a cada toque, igual aos meus. Fui subindo sem pressa até que cheguei em sua boca. – Linda. – sussurrei com um sorriso, olhando-a nos olhos, antes de beijá-la com intensidade.
N/B: Ah meu Deus, Mary, está tentando nos matar? Tinha que acabar logo nessa hora? Maldade... u.u'Anyways, acho que não preciso nem dizer que adorei o capítulo, neh? Eu simplesmente amo o Sirius e o jeito que a Mary explora a personalidade dele é fantástica! Essa é o tipo de fic que você começa a ler e não consegue despregar os olhos até o final do capítulo! A lenda está perfeita, e o beijo no final... nem se fala!
Well, não se esqueçam de deixar reviews para que a Mary se anime e escreva bem rápido o próximo capítulo! ^^
Bjus, Lya. =*
N/A: Oi gente! Como prometido, aí está o Capítulo III, está mais cumprido que os outros, pois tem mais coisas acontecendo. E por falar em "coisa acontecendo" vou dar uma diga: prestem atenção na lenda, ela vai ser importante um pouco mais para frente. E no próximo capítulo vai ser a tão esperada festa dos marotos e posso adiantar que promete, e muito!
E, antes de agradecer as reviews :] , quero agradecer a minha Beta querida que não desistiu de mim e me ajudou bastante! Obrigada Tati! :D
Zizi Blue: Que bom que gostou. Hehe. Você não viu ele com ciúmes ainda, isso é só implicação. Haha. Beijos :*
Lya Nikolaevna: Minha beta, querida! Adoro seus comentários, dão vontade de escrever mais e mais! :] E pode deixar que vou escrever bem rapidinho para você não ficar com o coração partido! Hehe. Beijos e beijos :*
É isso gente, espero que estejam gostando e comentem!
Até a próxima.
Mary.
